Livros Apócrifos

De Wiki Canção Nova
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A palavra Apócrifo vem do grego Apokryphos e significa oculto ou não autêntico. Mas este termo é usado, principalmente para designar os documentos do início da era Cristã, que abordam também a vida e os ensinamentos de Jesus, mas não foram inclusos na Bíblia Sagrada por serem considerados ilegítimos.

De acordo com Padre Mariano Weizenmann, scj (Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus), mestre em Bíblia e doutor em Sistemática, professor na Faculdade Dehoniana em Taubaté, a Igreja Católica não esconde os Apócrifos, mesmo porque, ela não é dona deles e nem teria porque escondê-los. Também é importante lembrar que o Cânon (lista de livros reconhecidos pelas igrejas cristãs) não é reconhecido apenas pela Igreja Católica. São mais de 500 igrejas cristãs espalhadas por todo o mundo que aprovaram esse Cânon que exclui os Apócrifos.

Eles compõem um acervo de mais ou menos 112 livros. Chegam a somar cerca de 60 livros no Novo Testamento, entre cartas, evangelhos e apocalipses, e 52 no Antigo Testamento. Para exemplificar, padre Mariano conta que os Atos de Paulo e Tecla surgem da curiosidade a respeito da vida de Paulo, principalmente, no campo amoroso.

Partindo do pressuposto ou da hipótese que Paulo, um homem culto, inteligente e bem sucedido, pudesse ter se apaixonado e vivido um romance, surge o Apócrifo Atos de Paulo e Tecla.

Para o Padre Mariano é importante ficar claro que cada ponto de vista é a vista de um ponto. “Ou seja, não é que essa turma fosse mal intencionada, sobretudo os gnósticos”. O dehoniano explica que também nos evangelhos canônicos observa-se perspectivas diferentes na narração. “Dentre os quatro evangelhos canônicos (Mateus, Marcos, Lucas e João), três (Mateus, Marcos e Lucas) são sinóticos, visto que eles acentuam o Jesus humano que também é divino. Já o Evangelho Segundo São João, que nós quase perdemos porque estava sendo mal usado por um grupo gnóstico, acentua o Jesus divino sem ignorar que é humano”, esclarece Padre Mariano acrescentando que os gnósticos eram um grupo que buscavam através da pesquisa obter o conhecimento superior.


Cânon prioriza reunir documentos mais originários

Para o Pastor Milton Schwantes, biblista e arqueólogo das Sagradas Escrituras, é importante considerar ainda o fato de as Sagradas Escrituras reunirem documentos mais originários, mais antigos possíveis. “Ela não reúne textos que não estejam o mais próximo possível do evento”, destaca.

“Os livros que não estão no Cânon, os Evangelhos de Maria Madalena e São Tomé, por exemplo, ainda que contenha coisas maravilhosas, como se reconhece que há, foram escritos tempos depois, o que desvirtua a originalidade. Mateus está na segunda geração, ele tem proximidade com as palavras de Jesus. Quando se lê o Evangelho de Tomé observa-se uma certa distância porque as palavras Jesus foram escritas, re-escritas, sub-escritas e vão se afastando daquilo que realmente Jesus disse, afinal, Tomé vem mais de 200 anos depois”, compara o arqueólogo.

A principal razão para que os relatos do Evangelho não fossem escritos imediatamente depois da morte e ressurreição de Jesus é que não havia aparente necessidade de nenhum desses escritos. Inicialmente, foram espalhados oralmente em Jerusalém. Não havia necessidade de compor um relato escrito da vida de Jesus, porque os habitantes da região de Jerusalém eram testemunhas de Jesus e estavam cientes de seus ensinamentos.

Contudo, quando os evangelhos espalharam-se para além de Jerusalém, e as testemunhas oculares não estavam mais facilmente acessíveis, houve uma necessidade de se escrever relatos para educar os outros sobre a vida e o ministério de Jesus. Muitos estudiosos datam os evangelhos como tendo sido escritos de 17 a 32 anos depois da morte e ressurreição de Jesus.


Contradições também são motivo de exclusão de alguns livros

Existem outras razões sólidas para confiar na lista atual de livros do Novo Testamento. Uma delas é o próprio fato de os escritores dos Evangelhos Mateus, Marcos, Lucas e João terem sido seguidores próximos de Jesus. Apesar de os outros autores serem considerados dignos de confiança também: Tiago e Judas, Pedro (um dos 12 apóstolos), e Paulo (a quem Jesus fez apóstolo depois de sua morte e ressurreição).

Os cristãos reconhecem a ligação desses homens com Jesus. Além disso, o que eles escreveram era consistente com o que as pessoas tinham visto e escutado sobre Jesus, passado adiante para seus filhos. Mas, quando apareceram escritos centenas de anos mais tarde (como o Evangelho de Pedro, apesar de Pedro já ter morrido há muito tempo), não foi difícil identificá-los como falsos, forjados.

Muitos escritos contradiziam os saberes ensinados por Jesus e pelo Velho Testamento e, continham, muitas vezes, erros históricos ou geográficos. Sendo, uma lista oficial de livros do Novo Testamento se tornou necessária. Naquele contexto os Cristãos estavam sendo martirizados e os livros estavam sendo destruídos. Era necessário priorizar quais livros proteger.

Também na tradução dos livros para o sírio e o latim antigo, uma lista de livros que tinham autoridade foi importante. Naquele momento da história falsos livros e falsos ensinamentos estavam sempre desafiando a comunidade cristã e a liderança precisava ser clara. Em 367 d.C., Athanásio formalmente listou os 27 livros do Novo Testamento (a mesma lista conservada ainda hoje). Um pouco depois, São Jerônimo e Santo Agostinho circularam a mesma lista.