Tempo litúrgico

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Conceito

No decorrer de cada ano, para santificá-lo a cada dia, a Igreja desenrola aos nossos olhos, as diversas etapas da obra salvífica de Cristo. É realmente "o ano da graça do Senhor" (cf. Lc 4,19).

O Ano Litúrgico começa com o Advento (preparação do Natal); nascimento e manifestação de Jesus aos homens (Natal e Epifania); vida pública de Jesus e sua Páscoa (Quaresma, Páscoa e Pentecostes).

Por que a Igreja celebra cada fato deste, se na santa Missa estão contidos todos os mistérios da salvação?

A resposta é que também os acontecimentos anteriores da vida terrestre de Jesus, têm, cada um, o seu valor próprio de salvação.

Na Morte e Ressurreição de Jesus a nossa salvação e a glorificação do Pai aconteceram de modo perfeito, mas não exclusivo.

Jesus quis passar por todas as etapas da vida normal de um homem, para santificar cada uma delas: infância, adolescência, idade adulta.

Quando celebramos na Liturgia cada etapa e cada fato da vida de Jesus, cada um deles comunica aos fiéis a sua graça própria: o seu Natal, a sua Epifania (manifestação aos pastores e aos magos), a sua apresentação no Templo, a fuga para o Egito, o seu Batismo, a Tentação no Deserto, os milagres, as perseguições que sofreu, toda a sua Paixão e Morte, Ressurreição e Ascensão, tudo é celebrado no Ano litúrgico porque cada acontecimento da vida de Jesus traz em si uma graça própria que, na celebração, é transmitida a nós para a nossa santificação.

Por isso o Ano litúrgico se repete continuamente. As ações de Cristo são teândricas (humanas e divinas), não se perdem e não se enfraquecem no tempo.

Recordando assim os mistérios da Redenção, franqueia aos fiéis as riquezas das virtudes e dos méritos do seu Senhor, de maneira a torná-los como que presentes o tempo todo, para que os fiéis entrem em contato com eles e sejam repletos da graça da salvação (SC,102). (Cat. §1163)

Quando celebra o mistério de Cristo, há uma palavra que marca a oração da Igreja: "hoje!", fazendo eco a oração que o seu Senhor lhe ensinou (Mt 6,11) e o apelo do Espírito Santo (Hb 3,7-4,11). Este "hoje" do Deus vivo, em que o homem é chamado a entrar é "a hora" da Páscoa de Jesus que atravessa e leva toda a história. (Cat. §1165)

A economia da salvação está em ação na moldura do tempo, mas desde a sua realização na Páscoa de Jesus e a efusão do Espírito Santo o fim da história é antecipado, "em antegozo", e o Reino de Deus penetra no tempo. (Cat. §1168)

Por isso, a Páscoa não é uma simples festa entre as outras: é a "festa das festas", "solenidade das solenidades", como a Eucaristia é o Sacramento dos Sacramentos... O mistério da ressurreição, no qual Cristo esmagou a morte, penetra o nosso velho tempo com sua poderosa energia até que tudo lhe seja submetido". (Cat. §1169)

O Ano litúrgico tem também o seu valor pedagógico e catequético. A nossa capacidade humana é limitada e não nos permite penetrar de uma só vez toda a riqueza da obra de Cristo; então, a sua repetição nos ajuda a penetrar o mistério de Deus feito homem.

O Papa Pio XII afirmou que "o Ano litúrgico é Cristo mesmo que vive na sua Igreja" (Mediator Dei III, II)

Ao celebrar anualmente os mistérios de Cristo, a Igreja venera com grande amor a mãe de Deus, Maria, que de modo especial e indissolúvel está unida à obra salvadora de seu Filho. Ela foi que mais cooperou com Cristo na obra da salvação da humanidade; por isso, tem um lugar especial na Liturgia da Igreja.

"Em Maria a Igreja exalta e admira o mais excelente fruto da redenção e a contempla com alegria como puríssima imagem do que ela própria anseia e espera ser em sua totalidade" (SC, 103).

E quando a Igreja celebra a memória dos mártires e dos outros santos, "proclama o mistério pascal" naqueles e naquelas que "sofreram com Cristo e estão glorificados com Ele, e propõe seu exemplo aos fiéis para que atraia todos ao Pai por Cristo e, por seus méritos, impetra os benefícios de Deus". (SC, 104; 108 e 111).

Referência

Livro "Para entender e celebrar a Liturgia". Autor: Prof. Felipe Aquino - Editora Cléofas. (págs 28 a 30)

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