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Professor em Lavrinhas
 
Professor em Lavrinhas
  

Edição das 10h46min de 20 de agosto de 2009

Professor em Lavrinhas

1958 -Como se chegava em Lavrinhas em 1958, para quem saia de São Paulo? Ou de trem, pela antiga Central do Brasil, que só parava na cidade de Cruzeiro, e daí se esperava o Bacurau.Tudo era muito demorado.Era mais fácil chegar em Lavrinhas pela Via Presidente Dutra, de ônibus. Havia uma pequena companhia Cidade do Aço ou Resendense que fazia o trecho complementar para o Rio de Janeiro e deixava os que iam a Lavrinhas na Dutra...na ponte do Rio Paraíba. O restante, da via Dutra até o Ginásio São Manoel , era feito à pé ou com a charrete do colégio, com seu pangaré que era cognominado de “Guarani”.Na volta para a Dutra, quando era anteriomente combinado,fazia-se esse techo de quatro quilômetros de terra batida...com a charrete.Diga-se de passagem que o único que tocava bem o Guarani era o senhor Armando ,simpático carroceiro do colégio. Quanto amor..., quanta poesia de nossos pais. Que saiam de madrugada de São Paulo e chegavam para o almoço para nos visitar e tinham que sair de charrete ou a pé às 14h30 para pegar o ônibus da viação Resendence que vinha do Rio,chegando de noite em São Paulo..Nove horas de Viajem entre ida e volta, para ficarem conosco duas ou no máximo três horas. Muitas vezes não havia acentos disponíveis e aceitavam passageiros que viajavam em pé os 220 Km da perigosa Rodovia. Quase todos os dias aconteciam acidentes mortais no trânsito , nesse trajeto até São Paulo . De tudo isto resta somente na memória de quem vivenciou esse tempo :muita paz, muita alegria e muita amorevolezza - termo usado por Dom Bosco para dizer- Carinho, Bondade Amor em nosso relacionamento humano - cristão, verdadeira vida em família , espírito de família , como queria Dom Bosco. Tudo isso como está descrito nas regras e na prática da Canção Nova quando trata da 'sadia Convivência.' Cabe aqui uma homenagem ao salesianos dessa época que, numa extrema pobreza, verdadeira pobreza evangélica, souberam comunicar tanto amor a Jesus Eucaristia e a nossa mãe, Maria Auxiliadora.

A Comunidade Salesiana de Lavrinhas em 1958. Tendo como Diretor o P. Pedo Prade  Padre Pedro Prade, diretor  (1956,1957 e 1958.)


          P.Alvino Beber ordenado em 1954 e hoje missionário na África Ele era o ecônomo que nessa época era chamado pelos alunos de padre prefeito .Guiava um GMC, verdadeiro milagre, que servia para tudo. Transportava os aspirantes (no Pau de Arara) que na época era permitido,buscava pedra e areia no rio Paraíba. Fazia compras  na vizinha cidade de Cruzeiro e em São Paulo, pela via Dutra, numa pista vai e vem, sem acostamento. Buscava esterco para a horta e também ia até a Fazenda de Itupeva, perto de Jundiai para buscar porcos, uvas além dos outros materiais para as construções que foram feitas em sua época. Muitas vezes puxava lenha, trazida da serra, para o fogão . Além disso preparava suas aulas de Física. Cuidava da capela na Serra da Mantiqueira, assistia a Comunidade de Pinheiros . Ia buscar utensílios velhos dos colégios, que para nós eram preciosidades. Armários, camas etc...que de acordo com a lei de Lavoisier . “Nada se perdia ....tudo se transformava.”  Nas horas vagas era construtor (engenheiro e pedreiro), terminando as obras da Igreja, construindo a então cozinha nova ( ainda hoje funcionando , é o pavilhão mais próximo do Lago.). Com o Padre Micheluzzi, ainda chefiavam as obras de captação de água, para manter a represa cheia, que alimentava a Hidro-elétrica, a companhia  de Força e Luz, em Lavrinhas , oque foi motivo até de uma famosa peça teatral em 1956 :  A LIGHT em Lavrinhas.
          P. Alfonso Casasnovas era o Padre Catequista e grande músico. Além das aulas de Religião, Francês, Espanhol cuidava da Música, ensaiava as Operetas e o Coral .Foi ser missionário na Amazônia. Em 2.003 encontrei-me com ele em Manaus e  ainda tirou uma lista dos aspirantes de 1957 do seu bolso e quis saber de todos e rezava diariamente por todos os aspirantes de Lavrinhas da nossa época .Homem de fé e de muita pesquisa científica no meio das inúmeras tribos indígenas,     com tantas etnias.
          P. Waldir Andreatta , ordenado em 1955, nosso Conselheiro. Célebre por suas Leituras de Notas. Era o FANTÁSTICO da época. Domingo a noite, quando não havia teatro ou cinema (Documentários da SHELL), no Salão de estudos...revivíamos a semana com os principais fatos, sem fotos, da vida escolar e disciplinar dos alunos. Diga-se de passagem : todo ex aluno de Lavrinhas , tem saudade.

Exímio professor de HISTÓRIA e está ainda em plena atividade , como sempre dinâmico na Inspetoria Salesiana do Sul. Em 1958 foi dividida da Inspetoria de São Paulo. Os salesianos que eram do sul puderam ir para lá. Muitos outros ainda hoje prestam serviços aqui em São Paulo.

          P. Julio Bersano , ordenado em 1956 , no dia 4 de novembro .Foi Celebrar a sua primeira Missa Solene em 8 de dezembro em Lavrinhas . Por doze anos dedicou-se à formação dos seminaristas: dinâmico e trabalhador incansável , professor de : Latim, Matemática, Grego, Química, Francês , Secretário e Enfermeiro. Um modelo de sacerdote vivendo as primícias sacerdotais. Homem de ordem e disciplina. Formou gerações de datilógrafos. Sempre presente na vida Comunitária. Ensaiava e representava teatro conosco. Belíssima voz, Celebrava a Missa cantada, aos Domingos e pregava, na função da tarde, depois das vésperas baseando sua pregação na História Sagrada . Tudo o que fazia, fazia com perfeição. Que saudades...quando com clareza e belíssima letra chegava ao final de um Teorema de Matemática e colocava o C.Q.D.( conforme queríamos demonstrar) e perguntava se alguém tinha ainda  alguma dúvida  E o José Pereira, na sua simplicidade dizia: eu só não entendi aquele comecinho.....Após uma gargalhada de toda a classe...o Professor, vermelho, controlando-se , apagava o quadro negro e , com toda a paciência do mundo , começava tudo de novo. Bons tempos. Por falar em Zé Pereira, lembro também do caso da gravata, depois da leitura de notas que acontecia todo os Domingos a noite, sempre que não havia alguma comemoração especial, como sessão acadêmica , cinema ou  teatro. José Pereira ficou tão apavorado com a severidade da leitura afirmando que não aparecessem sem Gravata , na mesa da Comunhão ,que apareceu, no dia seguinte, na hora da comunhão, com uma camisa sem gola e sobre o pescoço uma gravata , bem chamativa, com toda a convicção e piedade. Posteriormente Padre Júlio Bersano foi Diretor da casa de retiros de Campos de Jordão. Em 1978, foi nomeado
 Diretor e ecônomo da Vila Dom Bosco. Com todo o zelo e carinho preparava a casa para receber os encontristas e prestava seu auxilio nas Palestras, nas Confissões e nos Encontros de Juventude, nas Jornadas, nas Colonias de Férias e participava dos encontros da Renovação Carismática Católica. Com P. Jonas, P. Dilermando, tia Laura, Luzia, Zé Pretinho participava das Curas interiores dos Dirigentes dos Encontros , que se reciclavam participando desses Encontros de Oração .
          P.Hilário Micheluzzi Professor de Ciências, Professor de Matemática e Professor de Geografia, Confessor e construtor. Já era um Santinho. Depois de ter sido Pároco, no Liceu de Campinas, foi Diretor de Cruzeiro , participou dos Encontros, com o P. Jonas, em Campos de Jordão e está ligado a Canção Nova . Foi ser missionário na África. Continua seu trabalho em Artur Alvin na Grande São Paulo. Continua sendo requisitado como confessor no Vale do Paraíba, e também pelas  diversas obras por onde passou
           
          Senhor Roberto Gayo., irmão Salesiano Coadjutor :  Homem de oração, até hoje 2008

Simples, humilde, cozinheiro exímio. Cozinhar com gaz ou com lenha. Cozinhar com panelas adequadas, com elementos ( feijão, arroz verduras e condimentos, hortaliças , carne, ovos etc e etc) qualquer um faz...até eu.

         Mas...levantar-se antes do sol raiar , acender o fogo do velho fogão que perdurou até 1959, na velha cozinha, palco de verdadeiros milagres, pegar lenha na mata,trazê-la nas costas esquentar água, porque a serpentina do fogão não dava conta, fazer o café para duzentos aspirantes e salesianos da casa) buscar o leite, que vinha em lombo de burro , fervê-lo e zelar pelas panelas,  que eram limpas com sabão que ele fazia e com areia ( a gente aprendia a AREAR  com ele,  para não coalhar o leite e quando acontecia ou era pouco, fazer o milagre da multiplicação acrescentado água.  Plantar, esperar crescer , cortar cana, fazer o melado ou rapadura, para complementar o café  com o leite , que muitas vezes coalhava e daí fazer um requeijão, fazer a manteiga para os Domingos e dia de festas. Subir a grota para caçar bananas, deixa´-las amadurecer, sem a condições de estufas, como aconteceu depois de 1960, sem geladeiras frigoríficos, sem mesmos geladeira , pois a Light chegou em Lavrinhas no meio do ano de 1957...foram vinte anos de Amor e carinho ajudou a formar gerações de salesianos e sacerdotes  pelo seu incansável trabalho, com muito espírito de fé, otimismo, alegria e estar presente nas práticas de piedade, junto com os aspirantes e ainda, depois do jantar correr, no recreio da janta, dando vitória nas barras polacas e outras recreações que aconteciam. Demonstrando o carinho ou “ amorevolezza ”  para com todos os aspirantes pelo qual gastou os mais preciosos anos de sua juventude salesiana. Tendo feito o noviciado em 1944 . naquela  época era no bairro do Ipiranga, em São Paulo,de lá , até 1957 ficou direto nesse trabalho. Horta, cuidar do chiqueiro, matar porco, matar garrote, fazer churrasco, com uma lenha em brasa na mão era o fogueteiro nas festas e procissões e antes do foguete subir, com sua força hercúlea , jogava o foguete para o ar, depois de uns três metros o foguete sobia pela força própria e ele tranquilamente assoprava o tição e preparava o outro foguete, isso acontecia também nanas alvoradas festivas que acordávamos com sino repicando, ao som da banda e depois do foguetório, nessa altura, já estava de banho tomado, terno preto e gravata e ia para a sua meditação, rezando para que tudo desse certo pois a cozinha não atrasava, nem um minuto, para o café da manhã , que era depois da Missa, para o almoço,nem merenda e muito menos para o Jantar...e nos retiros, ainda tinha o chá da noite com torradinhas. Que saudades da sopa de pão ( verdadeira agua e  pão) arroz e feijão, que muitas vezes os Menores não escolhiam bem e comíamos com pedra e tudo . Aquela polentinha  de fubá , água e sal, que dava um trabalhão para  lavar e tirar dos cantos a apolenta ressecada quando introduziram as travessas quadradas , que mais pareciam formas de bolo.. Isso sem falar do Pirão...só faltava o peixe, mas comíamos, com inhame ou cará ou mesmo batata doce, variando os dias que ia abóbora em suas diversas formas cozida, doce em salada amassada, na sopa....Não sei onde arrumava tempo para ensaiar , com o clérigo Trajano brincar, rezar, dar bom exemplo nas palavras, com seu testemunho de vida, espírito de trabalho é o resumo de sua vida. Em 1954 seus colegas se ordenaram sacerdotes 

Certamente o Padre Doutor Luiz Alves de Lima e Silva, ainda deve se lembrar da Primeira Pia, ao meu lado...e prefere dar aulas de teologia, ser Doutor em Catequese e girar o mundo...Começou ser pesquisador..lá ...na primeira pia dos 200 pratos de sopa e dos duzentos pratos rasos além dos pratinhos de sobremesa e de todas as terrinas de sopa, feijão, travessas de arroz e de mistura. Daí é que saíam os latões de lavagem que iam sustentar os porcos no cheirão....que depois, em dias de festas voltavam para ser o prato principal...leitão a pururuca . A lei de Lavoisieur sempre presente...tudo se transformava...milagre do amor no dia a dia.


A música em Lavrinhas....1958 Clérigo Jonas Abib recebe a sua primeira carta de obediência “Assistente Salesiano do aspirantado de Lavrinhas”

1959 Professor de Historia geral Livro de Hadoch Lobo Primeiro ano do segundo grau, como então se chamava : Primeiro ano Colegial que era no seminário era chamado de alunos do quinto ano.


1960 Compositor do Hino da nossa turma antes de partirmos para o Noviciado Música e teatro, cantos operetas e animação durante os três anos.

Dia 21 de junho de 1958  Passeio Romaria à Aparecida do Norte   

Volta de Aparecida Caminhão Pau de Arara no último banco ele segurava a caixa para mim eu fazia um samba para animar a a viagem. Daí apareceu o Pandeiro do Antônio Santim e eu, que já dominava o instrumento vinha acompanhando firme nas marchinhas e samba para animar a viagem na subida e decida Serra de Cachoeira até Lavrinhas. O Santuário NOVO de Aparecida estava na sua construção inicial . Os homens trabalhavam na construção do Primeiro Círculo, da nave central. Tudo era enorme,,comparando com a Basílica Velha. Foi em junho de 1 958 dia 21 de junho, Dia de São LUIZ DE GONZAGA, O lírio de Castiglione