Mudanças entre as edições de "A Bíblia"

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(Epístolas de São Paulo)
(Gl Epístola aos Gálatas)
 
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=='''Básico sobre a Bíblia'''==
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==Básico sobre a Bíblia==
  
  
==='''COMO SÃO FEITAS AS CITAÇÕES BÍBLICAS?'''===  
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===COMO SÃO FEITAS AS CITAÇÕES BÍBLICAS?===  
  
 
Por exemplo, quando quisermos citar a Primeira Epístola aos Tessalonicenses, basta escrever '''1Ts.'''
 
Por exemplo, quando quisermos citar a Primeira Epístola aos Tessalonicenses, basta escrever '''1Ts.'''
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==='''ANTIGO TESTAMENTO'''===
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===ANTIGO TESTAMENTO===
  
===='''Pentateuco'''====
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====Pentateuco====
*Gn Livro da Gênese
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*Ex Livro do Êxodo
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=====Gn. - Livro do Gêneses=====
*Lv Livro do Levítico
+
 
*Nm Livro dos Números
+
=====Êx. - Livro do Êxodo=====
*Dt Livro do Deuteronômio
+
 
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=====Lv. - Livro do Levítico=====
===='''Históricos'''====
 
*Js Livro de Josué
 
*Jz Livro dos Juízes
 
*Rt Livro de Rute
 
*1Sm 1º Livro de Samuel
 
*2Sm 2º Livro de Samuel
 
*1Rs 1º Livro dos Reis
 
*2Rs 2º Livro dos Reis
 
*1Cr 1º Livro das Crônicas
 
*2Cr 2º Livro das Crônicas
 
*Esd Livro de Esdras
 
*Ne Livro de Neemias
 
*Tb Livro de Tobias
 
*Jud Livro de Judite
 
*Est Livro de Ester
 
*1Mc 1º Livro dos Macabeus
 
*2Mc 2º Livro dos Macabeus
 
  
===='''Sapienciais'''====
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=====Nm. - Livro dos Números=====
*Jó Livro de Jó
 
*Sl Livro dos Salmos
 
*Pr Livro dos Provérbios
 
*Ecl Livro do Eclesiastes
 
*Ct Cântico dos Cânticos
 
*Sb Livro da Sabedoria
 
*Eclo Livro do Eclesiástico
 
  
===='''Proféticos'''====
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=====Dt. - Livro do Deuteronômio=====
*Is Livro de Isaías
 
*Jr Livro de Jeremias
 
*Lm Livro das Lamentações
 
*Br Livro de Baruc
 
*Ez Livro de Ezequiel
 
*Dn Livro de Daniel
 
*Os Livro de Oséias
 
*Jl Livro de Joel
 
*Am Livro de Amós
 
*Ab Livro de Abdias
 
*Jn Livro de Jonas
 
*Mq Livro de Miquéias
 
*Na Livro de Naum
 
*Hab Livro de Habacuc
 
*Sf Livro de Sofonias
 
*Ag Livro de Ageu
 
*Zc Livro de Zacarias
 
*Ml Livro de Malaquias
 
  
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====Históricos====
  
==='''NOVO TESTAMENTO'''===
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=====Js. - Livro de Josué=====  
  
====Evangelhos====
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=====Jz. - Livro dos Juízes=====
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=====Rt. - Livro de Rute=====
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=====1Sm. - 1º Livro de Samuel=====
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=====2Sm. - 2º Livro de Samuel=====
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=====1Rs. - 1º Livro dos Reis=====
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=====2Rs. - 2º Livro dos Reis=====
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=====1Cr. - 1º Livro das Crônicas=====
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=====2Cr. - 2º Livro das Crônicas=====
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=====Esd. - Livro de Esdras=====
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=====Ne. - Livro de Neemias=====
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=====Tb. - Livro de Tobias=====
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=====Jud. - Livro de Judite=====
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=====Est. - Livro de Ester=====
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=====1Mc. - 1º Livro dos Macabeus=====
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=====2Mc. - 2º Livro dos Macabeus=====
  
=====Mt - Evangelho segundo Mateus=====
+
====Sapienciais====
  
=====Mc - Evangelho segundo Marcos=====
+
=====- Livro de Jó=====
  
=====Lc - Evangelho segundo Lucas=====
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=====Sl. - Livro dos Salmos=====
  
=====Jo - Evangelho segundo João=====
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=====Pr. - Livro dos Provérbios=====
  
====At - Atos dos Apóstolos====
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=====Ecle. - Livro do Eclesiastes=====
  
Os ''Atos dos Apóstolos'' formam a sequência do terceiro Evangelho, e foram escritos pelo mesmo autor, Lucas, que, para redigí-los, utilizou tradições escritas e orais e escreveu, numa parte importante de sua narrativa, suas próprias memórias.
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=====Ct. - Cântico dos Cânticos=====
  
Os ''Atos dos Apóstolos'' contam os acontecimentos que marcaram o nascimento da Igreja primitiva: a ascenção de Jesus, o Pentecostes, a primeira pregação em Jerusalém e na Palestina; em seguida, a conversão de Paulo e suas viagens missionárias através da Ásia Menor e da Grécia, sua prisão, seu processo e sua transferência para Roma. A narrativa termina bruscamente, sem falar da liberação do apóstolo e de suas viagens antes do martírio.
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=====Sb. - Livro da Sabedoria=====
  
O livro dos ''Atos dos Apóstolos'', em sua primeira parte, insiste antes de tudo na influência do Espírito Santo sobre o desenvolvimento das primeiras comunidades cristãs.
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=====Eclo. - Livro do Eclesiástico=====
  
Na segunda parte, ele se restringe a mostrar como Paulo, seguindo nisso o exemplo de Pedro, é o grande realizador da entrada em massa dos pagãos na Igreja.
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===='''Proféticos'''====
  
A leitura dos ''Atos dos Apóstolos'' - aliás fácil e atraente - é indispensável para uma boa inteligência das Epístolas de São Paulo.
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=====Is. - Livro de Isaías=====
  
=====<font size="3">'''Prefácio'''</font>=====
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=====Jr. - Livro de Jeremias=====
  
<font size="5">'''1)'''</font> "'''1.''' Em minha primeira narração, ó Teófilo, contei toda a seqüência das ações e dos ensinamentos de Jesus,
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=====Lm. - Livro das Lamentações=====
'''2.''' desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo suas instruções aos apóstolos que escolhera, foi arrebatado (ao céu).
 
'''3.''' E a eles se manifestou vivo depois de sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus.
 
  
<center><font size="3">'''A IMPLANTAÇÃO DA IGREJA DE CRISTO NA PALESTINA (1,4-12) - (ou "Atos de Pedro")'''</font></center>
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=====Br. - Livro de Baruc=====
  
=====<font size="3">'''A Ascenção'''</font>=====
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=====Ez. - Livro de Ezequiel=====
'''4.''' E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa de seu Pai, que ouvistes, disse ele, da minha boca;
 
'''5.''' porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias.
 
'''6.''' Assim reunidos, eles o interrogavam: Senhor, é porventura agora que ides instaurar o reino de Israel?
 
'''7.''' Respondeu-lhes ele: Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder,
 
'''8.''' mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo.
 
'''9.''' Dizendo isso elevou-se da (terra) à vista deles e uma nuvem o ocultou aos seus olhos..
 
'''10.''' Enquanto o acompanhavam com seus olhares, vendo-o afastar-se para o céu, eis que lhes apareceram dois homens vestidos de branco, que lhes disseram:
 
'''11.''' Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu.
 
  
=====<font size="3">'''Os discípulos no cenáculo'''</font>=====
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=====Dn. - Livro de Daniel=====
'''12.''' Voltaram eles então para Jerusalém do monte chamado das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, distante uma jornada de sábado.
 
'''13.''' Tendo entrado no cenáculo, subiram ao quarto de cima, onde costumavam permanecer. Eram eles: Pedro e João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelador, e Judas, irmão de Tiago.
 
'''14.''' Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele.
 
  
=====<font size="3">'''Eleição de Matias'''</font>=====
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=====Os. - Livro de Oséias=====
'''15.''' Num daqueles dias, levantou-se Pedro no meio de seus irmãos, na assembléia reunida que constava de umas cento e vinte pessoas, e disse:
 
'''16.''' Irmãos, convinha que se cumprisse o que o Espírito Santo predisse na escritura pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus.
 
'''17.''' Ele era um dos nossos e teve parte no nosso ministério.
 
'''18.''' Este homem adquirira um campo com o salário de seu crime. Depois, tombando para a frente, arrebentou-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram.
 
'''19.''' (Tornou-se este fato conhecido dos habitantes de Jerusalém, de modo que aquele campo foi chamado na língua deles Hacéldama, isto é, Campo de Sangue.)
 
'''20.''' Pois está escrito no livro dos Salmos: Fique deserta a sua habitação, e não haja quem nela habite; e ainda mais: Que outro receba o seu cargo (Sl 68,26; 108,8).
 
'''21.''' Convém que destes homens que têm estado em nossa companhia todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós,
 
'''22.''' a começar do batismo de João até o dia em que do nosso meio foi arrebatado, um deles se torne conosco testemunha de sua Ressurreição.
 
'''23.''' Propuseram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome Justo, e Matias.
 
'''24.''' E oraram nestes termos: Ó Senhor, que conheces os corações de todos, mostra-nos qual destes dois escolheste
 
'''25.''' para tomar neste ministério e apostolado o lugar de Judas que se transviou, para ir para o seu próprio lugar.
 
'''26.''' Deitaram sorte e caiu a sorte em Matias, que foi incorporado aos onze apóstolos".
 
  
=====<font size="3">'''Vinda do Espírito Santo'''</font>=====
+
=====Jl. - Livro de Joel=====
  
<font size="5">'''2)'''</font> "'''1.''' Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar.
+
=====Am. - Livro de Amós=====
'''2.''' De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados.
+
 
'''3.''' Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles.
+
=====Ab. - Livro de Abdias=====
'''4.''' Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.
+
 
'''5.''' Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu.
+
=====Jn. - Livro de Jonas=====
'''6.''' Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua.
 
'''7.''' Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam?
 
'''8.''' Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?
 
'''9.''' Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia,
 
'''10.''' a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos,
 
'''11.''' judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus!
 
'''12.''' Estavam, pois, todos atônitos e, sem saber o que pensar, perguntavam uns aos outros: Que significam estas coisas?
 
'''13.''' Outros, porém, escarnecendo, diziam: Estão todos embriagados de vinho doce.
 
  
=====<font size="3">'''Discurso de Pedro'''</font>=====
+
=====Mq. - Livro de Miquéias=====
'''14.''' Pedro então, pondo-se de pé em companhia dos Onze, com voz forte lhes disse: Homens da Judéia e vós todos que habitais em Jerusalém: seja-vos isto conhecido e prestai atenção às minhas palavras.
 
'''15.''' Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, visto não ser ainda a hora terceira do dia.
 
'''16.''' Mas cumpre-se o que foi dito pelo profeta Joel:
 
'''17.''' Acontecerá nos últimos dias - é Deus quem fala -, que derramarei do meu Espírito sobre todo ser vivo: profetizarão os vossos filhos e as vossas filhas. Os vossos jovens terão visões, e os vossos anciãos sonharão.
 
'''18.''' Sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei naqueles dias do meu Espírito e profetizarão.
 
'''19.''' Farei aparecer prodígios em cima, no céu, e milagres embaixo, na terra: sangue fogo e vapor de fumaça.
 
'''20.''' O sol se converterá em trevas e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor.
 
'''21.''' E então todo o que invocar o nome do Senhor será salvo (Jl 3,1-5).
 
'''22.''' Israelitas, ouvi estas palavras: Jesus de Nazaré, homem de quem Deus tem dado testemunho diante de vós com milagres, prodígios e sinais que Deus por ele realizou no meio de vós como vós mesmos o sabeis,
 
'''23.''' depois de ter sido entregue, segundo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de ímpios.
 
'''24.''' Mas Deus o ressuscitou, rompendo os grilhões da morte, porque não era possível que ela o retivesse em seu poder.
 
'''25.''' Pois dele diz Davi: Eu via sempre o Senhor perto de mim, pois ele está à minha direita, para que eu não seja abalado.
 
'''26.''' Alegrou-se por isso o meu coração e a minha língua exultou. Sim, também a minha carne repousará na esperança,
 
'''27.''' pois não deixarás a minha alma na região dos mortos, nem permitirás que o teu santo conheça a corrupção.
 
'''28.''' Fizeste-me conhecer os caminhos da vida, e me encherás de alegria com a visão de tua face (Sl 15,8-11).
 
'''29.''' Irmãos, seja permitido dizer-vos com franqueza: do patriarca Davi dizemos que morreu e foi sepultado, e o seu sepulcro está entre nós até o dia de hoje.
 
30. Mas ele era profeta e sabia que Deus lhe havia jurado que um dos seus descendentes seria colocado no seu trono.
 
'''31.''' É, portanto, a ressurreição de Cristo que ele previu e anunciou por estas palavras: Ele não foi abandonado na região dos mortos, e sua carne não conheceu a corrupção.
 
'''32.''' A este Jesus, Deus o ressuscitou: do que todos nós somos testemunhas.
 
'''33.''' Exaltado pela direita de Deus, havendo recebido do Pai o Espírito Santo prometido, derramou-o como vós vedes e ouvis.
 
'''34.''' Pois Davi pessoalmente não subiu ao céu, todavia diz: O Senhor disse a meu Senhor: Senta-te à minha direita
 
'''35.''' até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés (Sl 109,1).
 
'''36.''' Que toda a casa de Israel saiba, portanto, com a maior certeza de que este Jesus, que vós crucificastes, Deus o constituiu Senhor e Cristo.
 
  
=====<font size="3">'''Primeiras conversões'''</font>=====
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=====Na. - Livro de Naum=====
'''37.''' Ao ouvirem essas coisas, ficaram compungidos no íntimo do coração e indagaram de Pedro e dos demais apóstolos: Que devemos fazer, irmãos?
 
'''38.''' Pedro lhes respondeu: Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.
 
'''39.''' Pois a promessa é para vós, para vossos filhos e para todos os que ouvirem de longe o apelo do Senhor, nosso Deus.
 
'''40.''' Ainda com muitas outras palavras exortava-os, dizendo: Salvai-vos do meio dessa geração perversa!
 
'''41.''' Os que receberam a sua palavra foram batizados. E naquele dia elevou-se a mais ou menos três mil o número dos adeptos.
 
  
=====<font size="3">'''Virtudes dos primeiros cristãos'''</font>=====
+
=====Hab. - Livro de Habacuc=====
'''42.''' Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações.
+
 
'''43.''' De todos eles se apoderou o temor, pois pelos apóstolos foram feitos também muitos prodígios e milagres em Jerusalém e o temor estava em todos os corações.
+
=====Sf. - Livro de Sofonias=====
'''44.''' Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum.
+
 
'''45.''' Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um.
+
=====Ag. - Livro de Ageu=====
'''46.''' Unidos de coração freqüentavam todos os dias o templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração,
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'''47.''' louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros que estavam a caminho da salvação".
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=====Zc. - Livro de Zacarias=====
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=====Ml. - Livro de Malaquias=====
  
=====<font size="3">'''Cura do coxo'''</font>=====
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==='''NOVO TESTAMENTO'''===
  
<font size="5">'''3)'''</font> "'''1.''' Pedro e João iam subindo ao templo para rezar à hora nona.
+
====Evangelhos====
'''2.''' Nisto levavam um homem que era coxo de nascença e que punham todos os dias à porta do templo, chamada Formosa, para que pedisse esmolas aos que entravam no templo.
 
'''3.''' Quando ele viu que Pedro e João iam entrando no templo, implorou a eles uma esmola.
 
'''4.''' Pedro fitou nele os olhos, como também João, e disse: Olha para nós.
 
'''5.''' Ele os olhou com atenção esperando receber deles alguma coisa.
 
'''6.''' Pedro, porém, disse: Não tenho nem ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!
 
'''7.''' E tomando-o pela mão direita, levantou-o. Imediatamente os pés e os tornozelos se lhe firmaram. De um salto pôs-se de pé e andava.
 
'''8.''' Entrou com eles no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus.
 
'''9.''' Todo o povo o viu andar e louvar a Deus.
 
'''10.''' Reconheceram ser o mesmo coxo que se sentava para mendigar à porta Formosa do templo, e encheram-se de espanto e pasmo pelo que lhe tinha acontecido.
 
'''11.''' Como ele se conservava perto de Pedro e João, uma multidão de curiosos afluiu a eles no pórtico chamado Salomão.
 
'''12.''' À vista disso, falou Pedro ao povo: Homens de Israel, por que vos admirais assim? Ou por que fitais os olhos em nós, como se por nossa própria virtude ou piedade tivéssemos feito este homem andar?
 
'''13.''' O Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó, o Deus de nossos pais glorificou seu servo Jesus, que vós entregastes e negastes perante Pilatos, quando este resolvera soltá-lo.
 
'''14.''' Mas vós renegastes o Santo e o Justo e pedistes que se vos desse um homicida.
 
'''15.''' Matastes o Príncipe da vida, mas Deus o ressuscitou dentre os mortos: disso nós somos testemunhas.
 
'''16.''' Em virtude da fé em seu nome foi que esse mesmo nome consolidou este homem, que vedes e conheceis. Foi a fé em Jesus que lhe deu essa cura perfeita, à vista de todos vós.
 
'''17.''' Agora, irmãos, sei que o fizestes por ignorância, como também os vossos chefes.
 
'''18.''' Deus, porém, assim cumpriu o que já antes anunciara pela boca de todos os profetas: que o seu Cristo devia padecer.
 
'''19.''' Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos para serem apagados os vossos pecados.
 
'''20.''' Virão, assim, da parte do Senhor os tempos de refrigério, e ele enviará aquele que vos é destinado: Cristo Jesus.
 
'''21.''' É necessário, porém, que o céu o receba até os tempos da restauração universal, da qual falou Deus outrora pela boca dos seus santos profetas.
 
'''22.''' Já dissera Moisés: O Senhor, nosso Deus, vos suscitará dentre vossos irmãos um profeta semelhante a mim: a este ouvireis em tudo o que ele vos disser.
 
'''23.''' Todo aquele que não ouvir esse profeta será exterminado do meio do povo (Dt 18,15.19).
 
'''24.''' Todos os profetas, que têm falado sucessivamente desde Samuel, anunciaram estes dias.
 
'''25.''' Vós sois filhos dos profetas e da aliança que Deus estabeleceu com os nossos pais, quando disse a Abraão: Na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra (Gn 22,18).
 
'''26.''' Foi em primeiro lugar para vós que Deus suscitou o seu servo, para vos abençoar, a fim de que cada um se aparte da sua iniqüidade".
 
  
=====<font size="3">'''Prisão de Pedro e de João'''</font>=====
+
=====Mt. - Evangelho segundo Mateus=====
  
<font size="5">'''4)'''</font> "1. Enquanto eles falavam ao povo, vieram os sacerdotes, o chefe do templo e os saduceus,
+
'''2.''' contrariados porque ensinavam ao povo e anunciavam, na pessoa de Jesus, a ressurreição dos mortos.
+
Capítulo 1
'''3.''' Prenderam-nos e os meteram no cárcere até o outro dia, pois já era tarde.
+
 
'''4.''' Muitos, porém, dos que tinham ouvido a pregação creram; e o número dos fiéis elevou-se a mais ou menos cinco mil.
+
1. Genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.
'''5.''' No dia seguinte reuniram-se em Jerusalém os chefes do povo, os anciãos, os escribas,
+
2. Abraão gerou Isaac. Isaac gerou Jacó. Jacó gerou Judá e seus irmãos.
'''6.''' com Anás, sumo sacerdote, Caifás, João, Alexandre e todos os que eram da linhagem pontifical.
+
3. Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara. Farés gerou Esron. Esron gerou Arão.
'''7.''' Colocando-os no meio, perguntaram: Com que poder ou em que nome fizestes isso?
+
4. Arão gerou Aminadab. Aminadab gerou Naasson. Naasson gerou Salmon.
'''8.''' Então Pedro, cheio do Espírito Santo, respondeu-lhes: Chefes do povo e anciãos, ouvi-me:
+
5. Salmon gerou Booz, de Raab. Booz gerou Obed, de Rute. Obed gerou Jessé. Jessé gerou o rei Davi.
'''9.''' se hoje somos interrogados a respeito do benefício feito a um enfermo, e em que nome foi ele curado,
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6. O rei Davi gerou Salomão, daquela que fora mulher de Urias.
'''10.''' ficai sabendo todos vós e todo o povo de Israel: foi em nome de Jesus Cristo Nazareno, que vós crucificastes, mas que Deus ressuscitou dos mortos. Por ele é que esse homem se acha são, em pé, diante de vós.
+
7. Salomão gerou Roboão. Roboão gerou Abias. Abias gerou Asa.
'''11.''' Esse Jesus, pedra que foi desprezada por vós, edificadores, tornou-se a pedra angular.
+
8. Asa gerou Josafá. Josafá gerou Jorão. Jorão gerou Ozias.
'''12.''' Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos.
+
9. Ozias gerou Joatão. Joatão gerou Acaz. Acaz gerou Ezequias.
'''13.''' Vendo eles a coragem de Pedro e de João, e considerando que eram homens sem estudo e sem instrução, admiravam-se. Reconheciam-nos como companheiros de Jesus.
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10. Ezequias gerou Manassés. Manassés gerou Amon. Amon gerou Josias.
'''14.''' Mas vendo com eles o homem que tinha sido curado, não puderam replicar.
+
11. Josias gerou Jeconias e seus irmãos, no cativeiro de Babilônia.
'''15.''' Mandaram que se retirassem da sala do conselho, e conferenciaram entre si:
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12. E, depois do cativeiro de Babilônia, Jeconias gerou Salatiel. Salatiel gerou Zorobabel.
'''16.''' Que faremos destes homens? Porquanto o milagre por eles feito se tornou conhecido de todos os habitantes de Jerusalém, e não o podemos negar.
+
13. Zorobabel gerou Abiud. Abiud gerou Eliacim. Eliacim gerou Azor.
'''17.''' Todavia, para que esta notícia não se divulgue mais entre o povo, proibamos com ameaças, que no futuro falem a alguém nesse nome.
+
14. Azor gerou Sadoc. Sadoc gerou Aquim. Aquim gerou Eliud.
'''18.''' Chamaram-nos e ordenaram-lhes que absolutamente não falassem nem ensinassem em nome de Jesus.
+
15. Eliud gerou Eleazar. Eleazar gerou Matã. Matã gerou Jacó.
'''19.''' Responderam-lhes Pedro e João: Julgai-o vós mesmos se é justo diante de Deus obedecermos a vós mais do que a Deus.
+
16. Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo.
'''20.''' Não podemos deixar de falar das coisas que temos visto e ouvido.
+
17. Portanto, as gerações, desde Abraão até Davi, são quatorze. Desde Davi até o cativeiro de Babilônia, quatorze gerações. E, depois do cativeiro até Cristo, quatorze gerações. Nascimento de Jesus
'''21.''' Eles então, ameaçando-os de novo, soltaram-nos, não achando pretexto para os castigar por causa do povo, porque todos glorificavam a Deus pelo que tinha acontecido.
+
18. Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo.
'''22.''' Pois já passava dos 40 anos o homem em quem se realizara essa cura milagrosa.
+
19. José, seu esposo, que era homem de bem, não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente.
*<font size="3">'''Oração dos fiéis pelos apóstolos libertados'''</font>
+
20. Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo.
'''23.''' Postos em liberdade, voltaram aos seus irmãos e referiram tudo quanto lhes tinham dito os sumos sacerdotes e os anciãos.
+
21. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados.
'''24.''' Ao ouvirem isso, levantaram unânimes a voz a Deus e disseram: Senhor, vós que fizestes o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há.
+
22. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta:
'''25.''' Vós que, pelo Espírito Santo, pela boca de nosso pai Davi, vosso servo, dissestes: Por que se agitam as nações, e imaginam os povos coisas vãs?
+
23. Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel (Is 7, 14), que significa: Deus conosco.
'''26.''' Levantam-se os reis da terra, e os príncipes se reúnem em conselho contra o Senhor e contra o seu Cristo (Sl 2,1s.).
+
24. Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa.
'''27.''' Pois na verdade se uniram nesta cidade contra o vosso santo servo Jesus, que ungistes, Herodes e Pôncio Pilatos com as nações e com o povo de Israel,
+
25. E, sem que ele a tivesse conhecido, ela deu à luz o seu filho, que recebeu o nome de Jesus.
'''28.''' para executarem o que a vossa mão e o vosso conselho predeterminaram que se fizesse.
 
'''29.''' Agora, pois, Senhor, olhai para as suas ameaças e concedei aos vossos servos que com todo o desassombro anunciem a vossa palavra.
 
'''30.''' Estendei a vossa mão para que se realizem curas, milagres e prodígios pelo nome de Jesus, vosso santo servo!
 
'''31.''' Mal acabavam de rezar, tremeu o lugar onde estavam reunidos. E todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciaram com intrepidez a palavra de Deus.
 
  
=====<font size="3">'''União dos primeiros fiéis'''</font>=====
+
'''32.''' A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum.
+
Capítulo 2
'''33.''' Com grande coragem os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. Em todos eles era grande a graça.
 
'''34.''' Nem havia entre eles nenhum necessitado, porque todos os que possuíam terras e casas vendiam-nas,
 
'''35.''' e traziam o preço do que tinham vendido e depositavam-no aos pés dos apóstolos. Repartia-se então a cada um deles conforme a sua necessidade.
 
'''36.''' Assim José (a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé que quer dizer Filho da Consolação), levita natural de Chipre, possuía um campo.
 
'''37.''' Vendeu-o e trouxe o valor dele e depositou aos pés dos apóstolos".
 
  
=====<font size="3">'''Astúcia de Ananias e Safira'''</font>=====
+
1. Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém.
 +
2. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.
 +
3. A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele.
 +
4. Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e indagou deles onde havia de nascer o Cristo.
 +
5. Disseram-lhe: Em Belém, na Judéia, porque assim foi escrito pelo profeta:
 +
6. E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo(Miq 5,2).
 +
7. Herodes, então, chamou secretamente os magos e perguntou-lhes sobre a época exata em que o astro lhes tinha aparecido.
 +
8. E, enviando-os a Belém, disse: Ide e informai-vos bem a respeito do menino. Quando o tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-lo.
 +
9. Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que e estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou.
 +
10. A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria.
 +
11. Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra.
 +
12. Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho.
 +
13. Depois de sua partida, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar.
 +
14. José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito.
 +
15. Ali permaneceu até a morte de Herodes para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: Eu chamei do Egito meu filho (Os 11,1).
 +
16. Vendo, então, Herodes que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irado e mandou massacrar em Belém e nos seus arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo exato que havia indagado dos magos.
 +
17. Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias:
 +
18. Em Ramá se ouviu uma voz, choro e grandes lamentos: é Raquel a chorar seus filhos; não quer consolação, porque já não existem (Jer 31,15)!
 +
19. Com a morte de Herodes, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egito, e disse:
 +
20. Levanta-te, toma o menino e sua mãe e retorna à terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra a vida do menino.
 +
21. José levantou-se, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel.
 +
22. Ao ouvir, porém, que Arquelau reinava na Judéia, em lugar de seu pai Herodes, não ousou ir para lá. Avisado divinamente em sonhos, retirou-se para a província da Galiléia
 +
23. e veio habitar na cidade de Nazaré para que se cumprisse o que foi dito pelos profetas: Será chamado Nazareno.
  
<font size="5">'''5)'''</font> "'''1.''' Um certo homem chamado Ananias, de comum acordo com sua mulher Safira, vendeu um campo
+
'''2.''' e, combinando com ela, reteve uma parte da quantia da venda. Levando apenas a outra parte, depositou-a aos pés dos apóstolos.
+
Capítulo 3
'''3.''' Pedro, porém, disse: Ananias, por que tomou conta Satanás do teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e enganasses acerca do valor do campo?
 
'''4.''' Acaso não o podias conservar sem vendê-lo? E depois de vendido, não podias livremente dispor dessa quantia? Por que imaginaste isso em teu coração? Não foi aos homens que mentiste, mas a Deus.
 
'''5.''' Ao ouvir estas palavras, Ananias caiu morto. Apoderou-se grande terror de todos os que o ouviram.
 
'''6.''' Uns moços retiraram-no dali, levaram-no para fora e o enterraram.
 
'''7.''' Depois de umas três horas, entrou também sua mulher, nada sabendo do ocorrido.
 
'''8.''' Pedro perguntou-lhe: Dize-me, mulher. Foi por tanto que vendestes o vosso campo? Respondeu ela: Sim, por esse preço.
 
'''9.''' Replicou Pedro: Por que combinastes para pôr à prova o Espírito do Senhor? Estão ali à porta os pés daqueles que sepultaram teu marido. Hão de levar-te também a ti.
 
'''10.''' Imediatamente caiu aos seus pés e expirou. Entrando aqueles moços, acharam-na morta. Levaram-na para fora e a enterraram junto do seu marido.
 
'''11.''' Sobreveio grande pavor a toda a comunidade e a todos os que ouviram falar desse acontecimento.
 
  
=====<font size="3">'''Pregação e milagres dos apóstolos'''</font>=====
+
1. Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto da Judéia.
'''12.''' Enquanto isso, realizavam-se entre o povo pelas mãos dos apóstolos muitos milagres e prodígios. Reuniam-se eles todos unânimes no pórtico de Salomão.
+
2. Dizia ele: Fazei penitência porque está próximo o Reino dos céus.
'''13.''' Dos outros ninguém ousava juntar-se a eles, mas o povo lhes tributava grandes louvores.
+
3. Este é aquele de quem falou o profeta Isaías, quando disse: Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas (Is 40,3).
'''14.''' Cada vez mais aumentava a multidão dos homens e mulheres que acreditavam no Senhor.
+
4. João usava uma vestimenta de pêlos de camelo e um cinto de couro em volta dos rins. Alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre.
'''15.''' De maneira que traziam os doentes para as ruas e punham-nos em leitos e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles.
+
5. Pessoas de Jerusalém, de toda a Judéia e de toda a circunvizinhança do Jordão vinham a ele.
'''16.''' Também das cidades vizinhas de Jerusalém afluía muita gente, trazendo os enfermos e os atormentados por espíritos imundos, e todos eles eram curados.
+
6. Confessavam seus pecados e eram batizados por ele nas águas do Jordão.
 +
7. Ao ver, porém, que muitos dos fariseus e dos saduceus vinham ao seu batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da cólera vindoura?
 +
8. Dai, pois, frutos de verdadeira penitência.
 +
9. Não digais dentro de vós: Nós temos a Abraão por pai! Pois eu vos digo: Deus é poderoso para suscitar destas pedras filhos a Abraão.
 +
10. O machado já está posto à raiz das árvores: toda árvore que não produzir bons frutos será cortada e lançada ao fogo.
 +
11. Eu vos batizo com água, em sinal de penitência, mas aquele que virá depois de mim é mais poderoso do que eu e nem sou digno de carregar seus calçados. Ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo.
 +
12. Tem na mão a pá, limpará sua eira e recolherá o trigo ao celeiro. As palhas, porém, queimá-las-á num fogo inextinguível.
 +
13. Da Galiléia foi Jesus ao Jordão ter com João, a fim de ser batizado por ele.
 +
14. João recusava-se: Eu devo ser batizado por ti e tu vens a mim!
 +
15. Mas Jesus lhe respondeu: Deixa por agora, pois convém cumpramos a justiça completa. Então João cedeu.
 +
16. Depois que Jesus foi batizado, saiu logo da água. Eis que os céus se abriram e viu descer sobre ele, em forma de pomba, o Espírito de Deus.
 +
17. E do céu baixou uma voz: Eis meu Filho muito amado em quem ponho minha afeição.
  
=====<font size="3">'''Segunda prisão dos apóstolos'''</font>=====
+
'''17.''' Levantaram-se então os sumos sacerdotes e seus partidários (isto é, a seita dos saduceus) cheios de inveja,
+
Capítulo 4
'''18.''' e deitaram as mãos nos apóstolos e meteram-nos na cadeia pública.
 
'''19.''' Mas um anjo do Senhor abriu de noite as portas do cárcere e, conduzindo-os para fora, disse-lhes:
 
'''20.''' Ide e apresentai-vos no templo e pregai ao povo as palavras desta vida.
 
'''21.''' Obedecendo a essa ordem, eles entraram ao amanhecer, no templo, e puseram-se a ensinar. Enquanto isso, o sumo sacerdote e os seus partidários reuniram-se e convocaram o Grande Conselho e todos os anciãos de Israel, e mandaram trazer os apóstolos do cárcere.
 
'''22.''' Dirigiram-se para lá os guardas, mas ao abrirem o cárcere, não os encontraram, e voltaram a informar:
 
'''23.''' Achamos o cárcere fechado com toda segurança e os guardas de pé diante das portas, e, no entanto, abrindo-as, não achamos ninguém lá dentro.
 
'''24.''' A essa notícia, os sumos sacerdotes e o chefe do templo ficaram perplexos e indagaram entre si sobre o que significava isso.
 
'''25.''' Mas, nesse momento, alguém transmitiu-lhes esta notícia: Aqueles homens que metestes no cárcere estão no templo ensinando o povo!
 
'''26.''' Foi então o comandante do templo com seus guardas e trouxe-os sem violência, porque temiam ser apedrejados pelo povo.
 
'''27.''' Trouxeram-nos e os introduziram no Grande Conselho, onde o sumo sacerdote os interrogou, dizendo:
 
'''28.''' Expressamente vos ordenamos que não ensinásseis nesse nome. Não obstante isso, tendes enchido Jerusalém de vossa doutrina! Quereis fazer recair sobre nós o sangue deste homem!
 
'''29.''' Pedro e os apóstolos replicaram: Importa obedecer antes a Deus do que aos homens.
 
'''30.''' O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, que vós matastes, suspendendo-o num madeiro.
 
'''31.''' Deus elevou-o pela mão direita como Príncipe e Salvador, a fim de dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados.
 
'''32.''' Deste fato nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que lhe obedecem.
 
'''33.''' Ao ouvirem essas palavras, enfureceram-se e resolveram matá-los.
 
  
=====<font size="3">'''Libertação dos apóstolos, a conselho de Gamaliel'''</font>=====
+
1. Em seguida, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio.
'''34.''' Levantou-se, porém, um membro do Grande Conselho. Era Gamaliel, um fariseu, doutor da lei, respeitado por todo o povo.
+
2. Jejuou quarenta dias e quarenta noites. Depois, teve fome.
'''35.''' Mandou que se retirassem aqueles homens por um momento, e então lhes disse: Homens de Israel, considerai bem o que ides fazer com estes homens.
+
3. O tentador aproximou-se dele e lhe disse: Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães.
'''36.''' Faz algum tempo apareceu um certo Teudas, que se considerava um grande homem. A ele se associaram cerca de quatrocentos homens: foi morto e todos os seus partidários foram dispersados e reduzidos a nada.
+
4. Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Dt 8,3).
'''37.''' Depois deste, levantou-se Judas, o galileu, nos dias do recenseamento, e arrastou o povo consigo, mas também ele pereceu e todos quantos o seguiam foram dispersados.
+
5. O demônio transportou-o à Cidade Santa, colocou-o no ponto mais alto do templo e disse-lhe:
'''38.''' Agora, pois, eu vos aconselho: não vos metais com estes homens. Deixai-os! Se o seu projeto ou a sua obra provém de homens, por si mesma se destruirá;
+
6. Se és Filho de Deus, lança-te abaixo, pois está escrito: Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; proteger-te-ão com as mãos, com cuidado, para não machucares o teu pé em alguma pedra (Sl 90,11s).
'''39.''' mas se provier de Deus, não podereis desfazê-la. Vós vos arriscaríeis a entrar em luta contra o próprio Deus. Aceitaram o seu conselho.
+
7. Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus (Dt 6,16).
'''40.''' Chamaram os apóstolos e mandaram açoitá-los. Ordenaram-lhes então que não pregassem mais em nome de Jesus, e os soltaram.
+
8. O demônio transportou-o uma vez mais, a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-lhe:
'''41.''' Eles saíram da sala do Grande Conselho, cheios de alegria, por terem sido achados dignos de sofrer afrontas pelo nome de Jesus.
+
9. Dar-te-ei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares.
'''42.''' E todos os dias não cessavam de ensinar e de pregar o Evangelho de Jesus Cristo no templo e pelas casas".
+
10. Respondeu-lhe Jesus: Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás (Dt 6,13).
 +
11. Em seguida, o demônio o deixou, e os anjos aproximaram-se dele para servi-lo.
 +
12. Quando, pois, Jesus ouviu que João fora preso, retirou-se para a Galiléia.
 +
13. Deixando a cidade de Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, à margem do lago, nos confins de Zabulon e Neftali,
 +
14. para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías:
 +
15. A terra de Zabulon e de Neftali, região vizinha ao mar, a terra além do Jordão, a Galiléia dos gentios,
 +
16. este povo, que jazia nas trevas, viu resplandecer uma grande luz; e surgiu uma aurora para os que jaziam na região sombria da morte (Is 9,1).
 +
17. Desde então, Jesus começou a pregar: Fazei penitência, pois o Reino dos céus está próximo.
 +
18. Caminhando ao longo do mar da Galiléia, viu dois irmãos: Simão (chamado Pedro) e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores.
 +
19. E disse-lhes: Vinde após mim e vos farei pescadores de homens.
 +
20. Na mesma hora abandonaram suas redes e o seguiram.
 +
21. Passando adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam com seu pai Zebedeu consertando as redes. Chamou-os,
 +
22. e eles abandonaram a barca e seu pai e o seguiram.
 +
23. Jesus percorria toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.
 +
24. Sua fama espalhou-se por toda a Síria: traziam-lhe os doentes e os enfermos, os possessos, os lunáticos, os paralíticos. E ele curava a todos.
 +
25. Grandes multidões acompanharam-no da Galiléia, da Decápole, de Jerusalém, da Judéia e dos países do outro lado do Jordão.
  
=====<font size="3">'''Eleição dos diáconos'''</font>=====
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Capítulo 5
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1. Vendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele.
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2. Então abriu a boca e lhes ensinava, dizendo:
 +
3. Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus!
 +
4. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!
 +
5. Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!
 +
6. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!
 +
7. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!
 +
8. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!
 +
9. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!
 +
10. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!
 +
11. Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim.
 +
12. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.
 +
13. Vós sois o sal da terra. Se o sal perde o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens.
 +
14. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha
 +
15. nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa.
 +
16. Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus.
 +
17. Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição.
 +
18. Pois em verdade vos digo: passará o céu e a terra, antes que desapareça um jota, um traço da lei.
 +
19. Aquele que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar assim aos homens, será declarado o menor no Reino dos céus. Mas aquele que os guardar e os ensinar será declarado grande no Reino dos céus.
 +
20. Digo-vos, pois, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus.
 +
21. Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás, mas quem matar será castigado pelo juízo do tribunal.
 +
22. Mas eu vos digo: todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes. Aquele que disser a seu irmão: Raca, será castigado pelo Grande Conselho. Aquele que lhe disser: Louco, será condenado ao fogo da geena.
 +
23. Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,
 +
24. deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta.
 +
25. Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão.
 +
26. Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo.
 +
27. Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério.
 +
28. Eu, porém, vos digo: todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração.
 +
29. Se teu olho direito é para ti causa de queda, arranca-o e lança-o longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo todo seja lançado na geena.
 +
30. E se tua mão direita é para ti causa de queda, corta-a e lança-a longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo inteiro seja atirado na geena.
 +
31. Foi também dito: Todo aquele que rejeitar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.
 +
32. Eu, porém, vos digo: todo aquele que rejeita sua mulher, a faz tornar-se adúltera, a não ser que se trate de matrimônio falso; e todo aquele que desposa uma mulher rejeitada comete um adultério.
 +
33. Ouvistes ainda o que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás para com o Senhor os teus juramentos.
 +
34. Eu, porém, vos digo: não jureis de modo algum, nem pelo céu, porque é o trono de Deus;
 +
35. nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei.
 +
36. Nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes fazer um cabelo tornar-se branco ou negro.
 +
37. Dizei somente: Sim, se é sim; não, se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno.
 +
38. Tendes ouvido o que foi dito: Olho por olho, dente por dente.
 +
39. Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra.
 +
40. Se alguém te citar em justiça para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa.
 +
41. Se alguém vem obrigar-te a andar mil passos com ele, anda dois mil.
 +
42. Dá a quem te pede e não te desvies daquele que te quer pedir emprestado.
 +
43. Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo.
 +
44. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem.
 +
45. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos.
 +
46. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos?
 +
47. Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos?
 +
48. Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito.
  
<font size="5">'''6)'''</font> "'''1.''' Naqueles dias, como crescesse o número dos discípulos, houve queixas dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas teriam sido negligenciadas na distribuição diária.
+
'''2.''' Por isso, os Doze convocaram uma reunião dos discípulos e disseram: Não é razoável que abandonemos a palavra de Deus, para administrar.
+
Capítulo 6
'''3.''' Portanto, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarregaremos este ofício.
+
 
'''4.''' Nós atenderemos sem cessar à oração e ao ministério da palavra.
+
1. Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu.
'''5.''' Este parecer agradou a toda a reunião. Escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia.
+
2. Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.
'''6.''' Apresentaram-nos aos apóstolos, e estes, orando, impuseram-lhes as mãos.
+
3. Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita.
'''7.''' Divulgou-se sempre mais a palavra de Deus. Multiplicava-se consideravelmente o número dos discípulos em Jerusalém. Também grande número de sacerdotes aderia à fé.
+
4. Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, recompensar-te-á.
 +
5. Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.
 +
6. Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á.
 +
7. Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras.
 +
8. Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais.
 +
9. Eis como deveis rezar: PAI NOSSO, que estais no céu, santificado seja o vosso nome;
 +
10. venha a nós o vosso Reino; seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu.
 +
11. O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
 +
12. perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam;
 +
13. e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
 +
14. Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará.
 +
15. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará.
 +
16. Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que jejuam. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.
 +
17. Quando jejuares, perfuma a tua cabeça e lava o teu rosto.
 +
18. Assim, não parecerá aos homens que jejuas, mas somente a teu Pai que está presente ao oculto; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á.
 +
19. Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam.
 +
20. Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam.
 +
21. Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração.
 +
22. O olho é a luz do corpo. Se teu olho é são, todo o teu corpo será iluminado.
 +
23. Se teu olho estiver em mau estado, todo o teu corpo estará nas trevas. Se a luz que está em ti são trevas, quão espessas deverão ser as trevas!
 +
24. Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza.
 +
25. Portanto, eis que vos digo: não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis. A vida não é mais do que o alimento e o corpo não é mais que as vestes?
 +
26. Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas?
 +
27. Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?
 +
28. E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam.
 +
29. Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles.
 +
30. Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé?
 +
31. Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos?
 +
32. São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso.
 +
33. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo.
 +
34. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.
 +
 
 +
 +
Capítulo 7
 +
 
 +
1. Não julgueis, e não sereis julgados.
 +
2. Porque do mesmo modo que julgardes, sereis também vós julgados e, com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos.
 +
3. Por que olhas a palha que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu?
 +
4. Como ousas dizer a teu irmão: Deixa-me tirar a palha do teu olho, quando tens uma trave no teu?
 +
5. Hipócrita! Tira primeiro a trave de teu olho e assim verás para tirar a palha do olho do teu irmão.
 +
6. Não lanceis aos cães as coisas santas, não atireis aos porcos as vossas pérolas, para que não as calquem com os seus pés, e, voltando-se contra vós, vos despedacem.
 +
7. Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto.
 +
8. Porque todo aquele que pede, recebe. Quem busca, acha. A quem bate, abrir-se-á.
 +
9. Quem dentre vós dará uma pedra a seu filho, se este lhe pedir pão?
 +
10. E, se lhe pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente?
 +
11. Se vós, pois, que sois maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celeste dará boas coisas aos que lhe pedirem.
 +
12. Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Esta é a lei e os profetas.
 +
13. Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram.
 +
14. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram.
 +
15. Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores.
 +
16. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinhos e figos dos abrolhos?
 +
17. Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos.
 +
18. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má, bons frutos.
 +
19. Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo.
 +
20. Pelos seus frutos os conhecereis.
 +
21. Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.
 +
22. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres?
 +
23. E, no entanto, eu lhes direi: Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus!
 +
24. Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha.
 +
25. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha.
 +
26. Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é semelhante a um homem insensato, que construiu sua casa na areia.
 +
27. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela caiu e grande foi a sua ruína.
 +
28. Quando Jesus terminou o discurso, a multidão ficou impressionada com a sua doutrina.
 +
29. Com efeito, ele a ensinava como quem tinha autoridade e não como os seus escribas.
 +
 
 +
 +
Capítulo 8
 +
 
 +
1. Tendo Jesus descido da montanha, uma grande multidão o seguiu.
 +
2. Eis que um leproso aproximou-se e prostrou-se diante dele, dizendo: Senhor, se queres, podes curar-me.
 +
3. Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: Eu quero, sê curado. No mesmo instante, a lepra desapareceu.
 +
4. Jesus então lhe disse: Vê que não o digas a ninguém. Vai, porém, mostrar-te ao sacerdote e oferece o dom prescrito por Moisés em testemunho de tua cura.
 +
5. Entrou Jesus em Cafarnaum. Um centurião veio a ele e lhe fez esta súplica:
 +
6. Senhor, meu servo está em casa, de cama, paralítico, e sofre muito.
 +
7. Disse-lhe Jesus: Eu irei e o curarei.
 +
8. Respondeu o centurião: Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa. Dizei uma só palavra e meu servo será curado.
 +
9. Pois eu também sou um subordinado e tenho soldados às minhas ordens. Eu digo a um: Vai, e ele vai; a outro: Vem, e ele vem; e a meu servo: Faze isto, e ele o faz...
 +
10. Ouvindo isto, cheio de admiração, disse Jesus aos presentes: Em verdade vos digo: não encontrei semelhante fé em ninguém de Israel.
 +
11. Por isso, eu vos declaro que multidões virão do Oriente e do Ocidente e se assentarão no Reino dos céus com Abraão, Isaac e Jacó,
 +
12. enquanto os filhos do Reino serão lançados nas trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes.
 +
13. Depois, dirigindo-se ao centurião, disse: Vai, seja-te feito conforme a tua fé. Na mesma hora o servo ficou curado.
 +
14. Foi então Jesus à casa de Pedro, cuja sogra estava de cama, com febre.
 +
15. Tomou-lhe a mão, e a febre a deixou. Ela levantou-se e pôs-se a servi-los.
 +
16. Pela tarde, apresentaram-lhe muitos possessos de demônios. Com uma palavra expulsou ele os espíritos e curou todos os enfermos.
 +
17. Assim se cumpriu a predição do profeta Isaías: Tomou as nossas enfermidades e sobrecarregou-se dos nossos males (Is 53,4).
 +
18. Certo dia, vendo-se no meio de grande multidão, ordenou Jesus que o levassem para a outra margem do lago.
 +
19. Nisto aproximou-se dele um escriba e lhe disse: Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores.
 +
20. Respondeu Jesus: As raposas têm suas tocas e as aves do céu, seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça.
 +
21. Outra vez um dos seus discípulos lhe disse: Senhor, deixa-me ir primeiro enterrar meu pai.
 +
22. Jesus, porém, lhe respondeu: Segue-me e deixa que os mortos enterrem seus mortos.
 +
23. Subiu ele a uma barca com seus discípulos.
 +
24. De repente, desencadeou-se sobre o mar uma tempestade tão grande, que as ondas cobriam a barca. Ele, no entanto, dormia.
 +
25. Os discípulos achegaram-se a ele e o acordaram, dizendo: Senhor, salva-nos, nós perecemos!
 +
26. E Jesus perguntou: Por que este medo, gente de pouca ? Então, levantando-se, deu ordens aos ventos e ao mar, e fez-se uma grande calmaria.
 +
27. Admirados, diziam: Quem é este homem a quem até os ventos e o mar obedecem?
 +
28. No outro lado do lago, na terra dos gadarenos, dois possessos de demônios saíram de um cemitério e vieram-lhe ao encontro. Eram tão furiosos que pessoa alguma ousava passar por ali.
 +
29. Eis que se puseram a gritar: Que tens a ver conosco, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?
 +
30. Havia, não longe dali, uma grande manada de porcos que pastava.
 +
31. Os demônios imploraram a Jesus: Se nos expulsas, envia-nos para aquela manada de porcos.
 +
32. Ide, disse-lhes. Eles saíram e entraram nos porcos. Nesse instante toda a manada se precipitou pelo declive escarpado para o lago, e morreu nas águas.
 +
33. Os guardas fugiram e foram contar na cidade o que se tinha passado e o sucedido com os endemoninhados.
 +
34. Então a população saiu ao encontro de Jesus. Quando o viu, suplicou-lhe que deixasse aquela região.
  
=====<font size="3">'''Prisão do diácono Estêvão'''</font>=====
+
'''8.''' Estêvão, cheio de graça e fortaleza, fazia grandes milagres e prodígios entre o povo.
+
Capítulo 9
'''9.''' Mas alguns da sinagoga, chamada dos Libertos, dos cirenenses, dos alexandrinos e dos que eram da Cilícia e da Ásia, levantaram-se para disputar com ele.
 
'''10.''' Não podiam, porém, resistir à sabedoria e ao Espírito que o inspirava.
 
'''11.''' Então subornaram alguns indivíduos para que dissessem que o tinham ouvido proferir palavras de blasfêmia contra Moisés e contra Deus.
 
'''12.''' Amotinaram assim o povo, os anciãos e os escribas e, investindo contra ele, agarraram-no e o levaram ao Grande Conselho.
 
'''13.''' Apresentaram falsas testemunhas que diziam: Esse homem não cessa de proferir palavras contra o lugar santo e contra a lei.
 
'''14.''' Nós o ouvimos dizer que Jesus de Nazaré há de destruir este lugar e há de mudar as tradições que Moisés nos legou.
 
'''15.''' Fixando nele os olhos, todos os membros do Grande Conselho viram o seu rosto semelhante ao de um anjo".
 
  
=====<font size="3">'''Discurso de Estêvão'''</font>=====
+
1. Jesus tomou de novo a barca, passou o lago e veio para a sua cidade.
 +
2. Eis que lhe apresentaram um paralítico estendido numa padiola. Jesus, vendo a fé daquela gente, disse ao paralítico: "Meu filho, coragem! Teus pecados te são perdoados."
 +
3. Ouvindo isto, alguns escribas murmuraram entre si: "Este homem blasfema."
 +
4. Jesus, penetrando-lhes os pensamentos, perguntou-lhes: "Por que pensais mal em vossos corações?
 +
5. Que é mais fácil dizer: Teus pecados te são perdoados, ou: Levanta-te e anda?
 +
6. Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados: Levanta-te - disse ele ao paralítico -, toma a tua maca e volta para tua casa."
 +
7. Levantou-se aquele homem e foi para sua casa.
 +
8. Vendo isto, a multidão encheu-se de medo e glorificou a Deus por ter dado tal poder aos homens.
 +
9. Partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, que estava sentado no posto do pagamento das taxas. Disse-lhe: Segue-me. O homem levantou-se e o seguiu.
 +
10. Como Jesus estivesse à mesa na casa desse homem, numerosos publicanos e pecadores vieram e sentaram-se com ele e seus discípulos.
 +
11. Vendo isto, os fariseus disseram aos discípulos: "Por que come vosso mestre com os publicanos e com os pecadores?"
 +
12. Jesus, ouvindo isto, respondeu-lhes: "Não são os que estão bem que precisam de médico, mas sim os doentes.
 +
13. Ide e aprendei o que significam estas palavras: Eu quero a misericórdia e não o sacrifício (Os 6,6). Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores."
 +
14. Então os discípulos de João, dirigindo-se a ele, perguntaram: "Por que jejuamos nós e os fariseus, e os teus discípulos não?"
 +
15. Jesus respondeu: Podem os amigos do esposo afligir-se enquanto o esposo está com eles? Dias virão em que lhes será tirado o esposo. Então eles jejuarão.
 +
16. Ninguém põe um remendo de pano novo numa veste velha, porque arrancaria uma parte da veste e o rasgão ficaria pior.
 +
17. Não se coloca tampouco vinho novo em odres velhos; do contrário, os odres se rompem, o vinho se derrama e os odres se perdem. Coloca-se, porém, o vinho novo em odres novos, e assim tanto um como outro se conservam.
 +
18. Falava ele ainda, quando se apresentou um chefe da sinagoga. Prostrou-se diante dele e lhe disse: Senhor, minha filha acaba de morrer. Mas vem, impõe-lhe as mãos e ela viverá.
 +
19. Jesus levantou-se e o foi seguindo com seus discípulos.
 +
20. Ora, uma mulher atormentada por um fluxo de sangue, havia doze anos, aproximou-se dele por trás e tocou-lhe a orla do manto.
 +
21. Dizia consigo: Se eu somente tocar na sua vestimenta, serei curada.
 +
22. Jesus virou-se, viu-a e disse-lhe: Tem confiança, minha filha, tua fé te salvou. E a mulher ficou curada instantaneamente.
 +
23. Chegando à casa do chefe da sinagoga, viu Jesus os tocadores de flauta e uma multidão alvoroçada. Disse-lhes:
 +
24. Retirai-vos, porque a menina não está morta; ela dorme. Eles, porém, zombavam dele.
 +
25. Tendo saído a multidão, ele entrou, tomou a menina pela mão e ela levantou-se.
 +
26. Esta notícia espalhou-se por toda a região.
 +
27. Partindo Jesus dali, dois cegos o seguiram, gritando: Filho de Davi, tem piedade de nós!
 +
28. Jesus entrou numa casa e os cegos aproximaram-se dele. Disse-lhes: Credes que eu posso fazer isso? Sim, Senhor, responderam eles.
 +
29. Então ele tocou-lhes nos olhos, dizendo: Seja-vos feito segundo vossa fé.
 +
30. No mesmo instante, os seus olhos se abriram. Recomendou-lhes Jesus em tom severo: Vede que ninguém o saiba.
 +
31. Mas apenas haviam saído, espalharam a sua fama por toda a região.
 +
32. Logo que se foram, apresentaram-lhe um mudo, possuído do demônio.
 +
33. O demônio foi expulso, o mudo falou e a multidão exclamava com admiração: Jamais se viu algo semelhante em Israel.
 +
34. Os fariseus, porém, diziam: É pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios.
 +
35. Jesus percorria todas as cidades e aldeias. Ensinava nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo mal e toda enfermidade.
 +
6. Vendo a multidão, ficou tomado de compaixão, porque estava enfraquecida e abatida como ovelhas sem pastor.
 +
37. Disse, então, aos seus discípulos: A messe é grande, mas os operários são poucos.
 +
38. Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie operários para sua messe.
  
<font size="5">'''7)'''</font> "'''1.''' Perguntou-lhe então o sumo sacerdote: É realmente assim?
+
'''2.''' Respondeu ele: Irmãos e pais, escutai. O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, quando estava na Mesopotâmia, antes de ir morar em Harã.
+
Capítulo 10
'''3.''' E disse-lhe: Sai de teu país e de tua parentela, e vai para a terra que eu te mostrar (Gn 12,1).
+
 
'''4.''' Ele saiu da terra dos caldeus, e foi habitar em Harã. Dali, depois que lhe faleceu o pai, Deus o fez passar para esta terra, em que vós agora habitais.
+
1. Jesus reuniu seus doze discípulos. Conferiu-lhes o poder de expulsar os espíritos imundos e de curar todo mal e toda enfermidade.
'''5.''' Não lhe deu nela propriedade alguma, nem sequer um palmo de terra, mas prometeu dar-lha em posse, e depois dele à sua posteridade, quando ainda não tinha filho algum.
+
2. Eis os nomes dos doze apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro; depois André, seu irmão. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão.
'''6.''' Eis como falou Deus: Tua descendência habitará em terra estranha e será reduzida à escravidão e maltratada pelo espaço de quatrocentos anos.
+
3. Filipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu.
'''7.''' Mas eu julgarei a nação que os dominar - diz o Senhor -, e eles sairão e me prestarão culto neste lugar (Gn 15,13s.; Ex 3,12).
+
4. Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor.
'''8.''' E deu-lhe a aliança da circuncisão. Assim, Abraão teve um filho, Isaac, e, passados oito dias, o circuncidou; e Isaac, a Jacó; e Jacó, os doze patriarcas.
+
5. Estes são os Doze que Jesus enviou em missão, após lhes ter dado as seguintes instruções: Não ireis ao meio dos gentios nem entrareis em Samaria;
'''9.''' Os patriarcas, invejosos de José, venderam-no para o Egito. Mas Deus estava com ele.
+
6. ide antes às ovelhas que se perderam da casa de Israel.
'''10.''' Livrou-o de todas as suas tribulações e deu-lhe graça e sabedoria diante do faraó, rei do Egito, que o fez governador do Egito e chefe de sua casa.
+
7. Por onde andardes, anunciai que o Reino dos céus está próximo.
'''11.''' Sobreveio depois uma fome a todo o Egito e Canaã. Grande era a tribulação, e os nossos pais não achavam o que comer.
+
8. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. Recebestes de graça, de graça dai!
'''12.''' Mas quando Jacó soube que havia trigo no Egito, enviou pela primeira vez os nossos pais para lá.
+
9. Não leveis nem ouro, nem prata, nem dinheiro em vossos cintos,
'''13.''' Na segunda, foi José reconhecido por seus irmãos, e foi descoberta ao faraó a sua origem.
+
10. nem mochila para a viagem, nem duas túnicas, nem calçados, nem bastão; pois o operário merece o seu sustento.
'''14.''' Enviando mensageiros, José mandou vir seu pai Jacó com toda a sua família, que constava de setenta e cinco pessoas.
+
11. Nas cidades ou aldeias onde entrardes, informai-vos se há alguém ali digno de vos receber; ficai ali até a vossa partida.
'''15.''' Jacó desceu ao Egito e morreu ali, como também nossos pais.
+
12. Entrando numa casa, saudai-a: Paz a esta casa.
'''16.''' Seus corpos foram trasladados para Siquém, e foram postos no sepulcro que Abraão tinha comprado, a peso de dinheiro, dos filhos de Hemor, de Siquém.
+
13. Se aquela casa for digna, descerá sobre ela vossa paz; se, porém, não o for, vosso voto de paz retornará a vós.
'''17.''' Aproximava-se o tempo em que devia realizar-se a promessa que Deus havia jurado a Abraão. O povo cresceu e se multiplicou no Egito
+
14. Se não vos receberem e não ouvirem vossas palavras, quando sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi até mesmo o pó de vossos pés.
'''18.''' até que se levantou outro rei no Egito, o qual nada sabia de José.
+
15. Em verdade vos digo: no dia do juízo haverá mais indulgência com Sodoma e Gomorra que com aquela cidade.
'''19.''' Este rei, usando de astúcia contra a nossa raça, maltratou nossos pais e obrigou-os a enjeitar seus filhos para privá-los da vida.
+
16. Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas.
'''20.''' Por este mesmo tempo, nasceu Moisés. Era belo aos olhos de Deus e por três meses foi criado na casa paterna.
+
17. Cuidai-vos dos homens. Eles vos levarão aos seus tribunais e açoitar-vos-ão com varas nas suas sinagogas.
'''21.''' Depois, quando foi exposto, a filha do faraó o recolheu e o criou como seu próprio filho.
+
18. Sereis por minha causa levados diante dos governadores e dos reis: servireis assim de testemunho para eles e para os pagãos.
'''22.''' Moisés foi instruído em todas as ciências dos egípcios e tornou-se forte em palavras e obras.
+
19. Quando fordes presos, não vos preocupeis nem pela maneira com que haveis de falar, nem pelo que haveis de dizer: naquele momento ser-vos-á inspirado o que haveis de dizer.
'''23.''' Quando completou 40 anos, veio-lhe à mente visitar seus irmãos, os filhos de Israel.
+
20. Porque não sereis vós que falareis, mas é o Espírito de vosso Pai que falará em vós.
'''24.''' Viu que um deles era maltratado; tomou-lhe a defesa e vingou o que padecia a injúria, matando o egípcio.
+
21. O irmão entregará seu irmão à morte. O pai, seu filho. Os filhos levantar-se-ão contra seus pais e os matarão.
'''25.''' Ele esperava que os seus irmãos compreendessem que Deus se servia de sua mão para livrá-los. Mas não o entenderam.
+
22. Sereis odiados de todos por causa de meu nome, mas aquele que perseverar até o fim será salvo.
'''26.''' No dia seguinte, dois dentre eles brigavam, e ele procurou reconciliá-los: Amigos, disse ele, sois irmãos, por que vos maltratais um ao outro?
+
23. Se vos perseguirem numa cidade, fugi para uma outra. Em verdade vos digo: não acabareis de percorrer as cidades de Israel antes que volte o Filho do Homem.
'''27.''' Mas o que maltratava seu compatriota o repeliu: Quem te constituiu chefe ou juiz sobre nós?
+
24. O discípulo não é mais que o mestre, o servidor não é mais que o patrão.
'''28.''' Porventura queres tu matar-me, como ontem mataste o egípcio?
+
25. Basta ao discípulo ser tratado como seu mestre, e ao servidor como seu patrão. Se chamaram de Beelzebul ao pai de família, quanto mais o farão às pessoas de sua casa!
'''29.''' A estas palavras, Moisés fugiu. E esteve como estrangeiro na terra de Madiã, onde teve dois filhos.
+
26. Não os temais, pois; porque nada há de escondido que não venha à luz, nada de secreto que não se venha a saber.
'''30.''' Passados quarenta anos, apareceu-lhe no deserto do monte Sinai um anjo, na chama duma sarça ardente.
+
27. O que vos digo na escuridão, dizei-o às claras. O que vos é dito ao ouvido, publicai-o de cima dos telhados.
'''31.''' Moisés, admirado de uma tal visão, aproximou-se para a examinar. E a voz do Senhor lhe falou:
+
28. Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena.
'''32.''' Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó. Moisés, atemorizado, não ousava levantar os olhos.
+
29. Não se vendem dois passarinhos por um asse? No entanto, nenhum cai por terra sem a vontade de vosso Pai.
'''33.''' O Senhor lhe disse: Tira o teu calçado, porque o lugar onde estás é uma terra santa.
+
30. Até os cabelos de vossa cabeça estão todos contados.
'''34.''' Considerei a aflição do meu povo no Egito, ouvi os seus gemidos e desci para livrá-los. Vem, pois, agora e eu te enviarei ao Egito.
+
31. Não temais, pois! Bem mais que os pássaros valeis vós.
'''35.''' Este Moisés que desprezaram, dizendo: Quem te constituiu chefe ou juiz?, a este Deus enviou como chefe e libertador pela mão do anjo que lhe apareceu na sarça.
+
32. Portanto, quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos céus.
'''36.''' Ele os fez sair do Egito, operando prodígios e milagres na terra do Egito, no mar Vermelho e no deserto, por espaço de quarenta anos.
+
33. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus.
'''37.''' Foi este Moisés que disse aos filhos de Israel: Deus vos suscitará dentre os vossos irmãos um profeta como eu.
+
34. Não julgueis que vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada.
'''38.''' Este é o que esteve entre o povo congregado no deserto, e com o anjo que lhe falara no monte Sinai, e com os nossos pais; que recebeu palavras de vida para no-las transmitir.
+
35. Eu vim trazer a divisão entre o filho e o pai, entre a filha e a mãe, entre a nora e a sogra,
'''39.''' Nossos pais não lhe quiseram obedecer, mas o repeliram. Em seus corações voltaram-se para o Egito,
+
36. e os inimigos do homem serão as pessoas de sua própria casa.
'''40.''' dizendo a Aarão: Faze-nos deuses, que vão diante de nós, porque quanto a este Moisés, que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que foi feito dele.
+
37. Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim, não é digno de mim.
'''41.''' Fizeram, naqueles dias, um bezerro de ouro e ofereceram um sacrifício ao ídolo, e se alegravam diante da obra das suas mãos.
+
38. Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim.
'''42.''' Mas Deus afastou-se e os abandonou ao culto dos astros do céu, como está escrito no livro dos profetas: Porventura, casa de Israel, vós me oferecestes vítimas e sacrifícios por quarenta anos no deserto?
+
39. Aquele que tentar salvar a sua vida, perdê-la-á. Aquele que a perder, por minha causa, reencontrá-la-á.
'''43.''' Aceitastes a tenda de Moloc e a estrela do vosso deus Renfão, figuras que vós fizestes para adorá-las! Assim eu vos deportarei para além da Babilônia (Am 5,25ss.).
+
40. Quem vos recebe, a mim recebe. E quem me recebe, recebe aquele que me enviou.
'''44.''' A Arca da Aliança esteve com os nossos pais no deserto, como Deus ordenou a Moisés que a fizesse conforme o modelo que tinha visto.
+
41. Aquele que recebe um profeta, na qualidade de profeta, receberá uma recompensa de profeta. Aquele que recebe um justo, na qualidade de justo, receberá uma recompensa de justo.
'''45.''' Recebendo-a nossos pais, levaram-na sob a direção de Josué às terras dos pagãos, que Deus expulsou da presença de nossos pais. E ali ficou até o tempo de Davi.
+
42. Todo aquele que der ainda que seja somente um copo de água fresca a um destes pequeninos, porque é meu discípulo, em verdade eu vos digo: não perderá sua recompensa.
'''46.''' Este encontrou graça diante de Deus e pediu que pudesse achar uma morada para o Deus de Jacó.
+
 
'''47.''' Salomão foi quem lhe edificou a casa.
+
'''48.''' O Altíssimo, porém, não habita em casas construídas por mãos humanas. Como diz o profeta:
+
Capítulo 11
'''49.''' O céu é o meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés. Que casa me edificareis vós?, diz o Senhor. Qual é o lugar do meu repouso?
+
 
'''50.''' Acaso não foi minha mão que fez tudo isto (Is 66,1s.)?
+
1. Após ter dado instruções aos seus doze discípulos, Jesus partiu para ensinar e pregar nas cidades daquela região.
'''51.''' Homens de dura cerviz, e de corações e ouvidos incircuncisos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo. Como procederam os vossos pais, assim procedeis vós também!
+
2. Tendo João, em sua prisão, ouvido falar das obras de Cristo, mandou-lhe dizer pelos seus discípulos:
'''52.''' A qual dos profetas não perseguiram os vossos pais? Mataram os que prediziam a vinda do Justo, do qual vós agora tendes sido traidores e homicidas.
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3. Sois vós aquele que deve vir, ou devemos esperar por outro?
'''53.''' Vós que recebestes a lei pelo ministério dos anjos e não a guardastes...
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4. Respondeu-lhes Jesus: Ide e contai a João o que ouvistes e o que vistes:
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5. os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, o Evangelho é anunciado aos pobres...
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6. Bem-aventurado aquele para quem eu não for ocasião de queda!
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7. Tendo eles partido, disse Jesus à multidão a respeito de João: Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?
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8. Que fostes ver, então? Um homem vestido com roupas luxuosas? Mas os que estão revestidos de tais roupas vivem nos palácios dos reis.
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9. Então por que fostes para lá? Para ver um profeta? Sim, digo-vos eu, mais que um profeta.
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10. É dele que está escrito: Eis que eu envio meu mensageiro diante de ti para te preparar o caminho (Ml 3,1).
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11. Em verdade vos digo: entre os filhos das mulheres, não surgiu outro maior que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos céus é maior do que ele.
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12. Desde a época de João Batista até o presente, o Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam.
 +
13. Porque os profetas e a lei tiveram a palavra até João.
 +
14. E, se quereis compreender, é ele o Elias que devia voltar.
 +
15. Quem tem ouvidos, ouça.
 +
16. A quem hei de comparar esta geração? É semelhante a meninos sentados nas praças que gritam aos seus companheiros:
 +
17. Tocamos a flauta e não dançais, cantamos uma lamentação e não chorais.
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18. João veio; ele não bebia e não comia, e disseram: Ele está possesso de um demônio.
 +
19. O Filho do Homem vem, come e bebe, e dizem: É um comilão e beberrão, amigo dos publicanos e dos devassos. Mas a sabedoria foi justificada por seus filhos.
 +
20. Depois Jesus começou a censurar as cidades, onde tinha feito grande número de seus milagres, por terem recusado arrepender-se:
 +
21. Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e a cinza.
 +
22. Por isso vos digo: no dia do juízo, haverá menor rigor para Tiro e para Sidônia que para vós!
 +
23. E tu, Cafarnaum, serás elevada até o céu? Não! Serás atirada até o inferno! Porque, se Sodoma tivesse visto os milagres que foram feitos dentro dos teus muros, subsistiria até este dia.
 +
24. Por isso te digo: no dia do juízo, haverá menor rigor para Sodoma do que para ti!
 +
25. Por aquele tempo, Jesus pronunciou estas palavras: Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos.
 +
26. Sim, Pai, eu te bendigo, porque assim foi do teu agrado.
 +
27. Todas as coisas me foram dadas por meu Pai; ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo.
 +
28. Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei.
 +
29. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas.
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30. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve.
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Capítulo 12
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1. Atravessava Jesus os campos de trigo num dia de sábado. Seus discípulos, tendo fome, começaram a arrancar as espigas para comê-las.
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2. Vendo isto, os fariseus disseram-lhe: Eis que teus discípulos fazem o que é proibido no dia de sábado.
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3. Jesus respondeu-lhes: Não lestes o que fez Davi num dia em que teve fome, ele e seus companheiros,
 +
4. como entrou na casa de Deus e comeu os pães da proposição? Ora, nem a ele nem àqueles que o acompanhavam era permitido comer esses pães reservados só aos sacerdotes.
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5. Não lestes na lei que, nos dias de sábado, os sacerdotes transgridem no templo o descanso do sábado e não se tornam culpados?
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6. Ora, eu vos declaro que aqui está quem é maior que o templo.
 +
7. Se compreendêsseis o sentido destas palavras: Quero a misericórdia e não o sacrifício... não condenaríeis os inocentes.
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8. Porque o Filho do Homem é senhor também do sábado.
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9. Partindo dali, Jesus entrou na sinagoga.
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10. Encontrava-se lá um homem que tinha a mão seca. Alguém perguntou a Jesus: É permitido curar no dia de sábado? Isto para poder acusá-lo.
 +
11. Jesus respondeu-lhe: Há alguém entre vós que, tendo uma única ovelha e se esta cair num poço no dia de sábado, não a irá procurar e retirar?
 +
12. Não vale o homem muito mais que uma ovelha? É permitido, pois, fazer o bem no dia de sábado.
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13. Disse, então, àquele homem: Estende a mão. Ele a estendeu e ela tornou-se sã como a outra.
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14. Os fariseus saíram dali e deliberaram sobre os meios de o matar.
 +
15. Jesus soube disso e afastou-se daquele lugar. Uma grande multidão o seguiu, e ele curou todos os seus doentes.
 +
16. Proibia-lhes formalmente falar disso,
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17. para que se cumprisse o anunciado pelo profeta Isaías:
 +
18. Eis o meu servo a quem escolhi, meu bem-amado em quem minha alma pôs toda sua a afeição. Farei repousar sobre ele o meu Espírito e ele anunciará a justiça aos pagãos.
 +
19. Ele não disputará, não elevará sua voz; ninguém ouvirá sua voz nas praças públicas.
 +
20. Não quebrará o caniço rachado, nem apagará a mecha que ainda fumega, até que faça triunfar a justiça.
 +
21. Em seu nome as nações pagãs porão sua esperança (Is 42,1-4).
 +
22. Apresentaram-lhe, depois, um possesso cego e mudo. Jesus o curou de tal modo, que este falava e via.
 +
23. A multidão, admirada, dizia: Não será este o filho de Davi?
 +
24. Mas, ouvindo isto, os fariseus responderam: É por Beelzebul, chefe dos demônios, que ele os expulsa.
 +
25. Jesus, porém, penetrando nos seus pensamentos, disse: Todo reino dividido contra si mesmo será destruído. Toda cidade, toda casa dividida contra si mesma não pode subsistir.
 +
26. Se Satanás expele Satanás, está dividido contra si mesmo. Como, pois, subsistirá o seu reino?
 +
27. E se eu expulso os demônios por Beelzebul, por quem é que vossos filhos os expulsam? Por isso, eles mesmos serão vossos juízes.
 +
28. Mas, se é pelo Espírito de Deus que expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus.
 +
29. Como pode alguém penetrar na casa de um homem forte e roubar-lhe os bens, sem ter primeiro amarrado este homem forte? Só então pode roubar sua casa.
 +
30. Quem não está comigo está contra mim; e quem não ajunta comigo, espalha.
 +
31. Por isso, eu vos digo: todo pecado e toda blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não lhes será perdoada.
 +
32. Todo o que tiver falado contra o Filho do Homem será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste século nem no século vindouro.
 +
33. Ou dizeis que a árvore é boa e seu fruto bom, ou dizeis que é má e seu fruto, mau; porque é pelo fruto que se conhece a árvore.
 +
34. Raça de víboras, maus como sois, como podeis dizer coisas boas? Porque a boca fala do que lhe transborda do coração.
 +
35. O homem de bem tira boas coisas de seu bom tesouro. O mau, porém, tira coisas más de seu mau tesouro.
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36. Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido.
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37. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado.
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38. Então alguns escribas e fariseus tomaram a palavra: Mestre, quiséramos ver-te fazer um milagre.
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39. Respondeu-lhes Jesus: Esta geração adúltera e perversa pede um sinal, mas não lhe será dado outro sinal do que aquele do profeta Jonas:
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40. do mesmo modo que Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe, assim o Filho do Homem ficará três dias e três noites no seio da terra.
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41. No dia do juízo, os ninivitas se levantarão com esta raça e a condenarão, porque fizeram penitência à voz de Jonas. Ora, aqui está quem é mais do que Jonas.
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42. No dia do juízo, a rainha do Sul se levantará com esta raça e a condenará, porque veio das extremidades da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. Ora, aqui está quem é mais do que Salomão.
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43. Quando o espírito impuro sai de um homem, ei-lo errante por lugares áridos à procura de um repouso que não acha.
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44. Diz ele, então: Voltarei para a casa donde saí. E, voltando, encontra-a vazia, limpa e enfeitada.
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45. Vai, então, buscar sete outros espíritos piores que ele, e entram nessa casa e se estabelecem aí; e o último estado daquele homem torna-se pior que o primeiro. Tal será a sorte desta geração perversa.
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46. Jesus falava ainda à multidão, quando veio sua mãe e seus irmãos e esperavam do lado de fora a ocasião de lhe falar.
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47. Disse-lhe alguém: Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar-te.
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48. Jesus respondeu-lhe: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?
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49. E, apontando com a mão para os seus discípulos, acrescentou: Eis aqui minha mãe e meus irmãos.
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50. Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.
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Capítulo 13
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1. Naquele dia, saiu Jesus e sentou-se à beira do lago.
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2. Acercou-se dele, porém, uma tal multidão, que precisou entrar numa barca. Nela se assentou, enquanto a multidão ficava à margem.
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3. E seus discursos foram uma série de parábolas.
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4. Disse ele: Um semeador saiu a semear. E, semeando, parte da semente caiu ao longo do caminho; os pássaros vieram e a comeram.
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5. Outra parte caiu em solo pedregoso, onde não havia muita terra, e nasceu logo, porque a terra era pouco profunda.
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6. Logo, porém, que o sol nasceu, queimou-se, por falta de raízes.
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7. Outras sementes caíram entre os espinhos: os espinhos cresceram e as sufocaram.
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8. Outras, enfim, caíram em terra boa: deram frutos, cem por um, sessenta por um, trinta por um.
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9. Aquele que tem ouvidos, ouça.
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10. Os discípulos aproximaram-se dele, então, para dizer-lhe: Por que lhes falas em parábolas?
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11. Respondeu Jesus: Porque a vós é dado compreender os mistérios do Reino dos céus, mas a eles não.
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12. Ao que tem, se lhe dará e terá em abundância, mas ao que não tem será tirado até mesmo o que tem.
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13. Eis por que lhes falo em parábolas: para que, vendo, não vejam e, ouvindo, não ouçam nem compreendam.
 +
14. Assim se cumpre para eles o que foi dito pelo profeta Isaías: Ouvireis com vossos ouvidos e não entendereis, olhareis com vossos olhos e não vereis,
 +
15. porque o coração deste povo se endureceu: taparam os seus ouvidos e fecharam os seus olhos, para que seus olhos não vejam e seus ouvidos não ouçam, nem seu coração compreenda; para que não se convertam e eu os sare (Is 6,9s).
 +
16. Mas, quanto a vós, bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem! Ditosos os vossos ouvidos, porque ouvem!
 +
17. Eu vos declaro, em verdade: muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não ouviram.
 +
18. Ouvi, pois, o sentido da parábola do semeador:
 +
19. quando um homem ouve a palavra do Reino e não a entende, o Maligno vem e arranca o que foi semeado no seu coração. Este é aquele que recebeu a semente à beira do caminho.
 +
20. O solo pedregoso em que ela caiu é aquele que acolhe com alegria a palavra ouvida,
 +
21. mas não tem raízes, é inconstante: sobrevindo uma tribulação ou uma perseguição por causa da palavra, logo encontra uma ocasião de queda.
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22. O terreno que recebeu a semente entre os espinhos representa aquele que ouviu bem a palavra, mas nele os cuidados do mundo e a sedução das riquezas a sufocam e a tornam infrutuosa.
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23. A terra boa semeada é aquele que ouve a palavra e a compreende, e produz fruto: cem por um, sessenta por um, trinta por um.
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24. Jesus propôs-lhes outra parábola: O Reino dos céus é semelhante a um homem que tinha semeado boa semente em seu campo.
 +
25. Na hora, porém, em que os homens repousavam, veio o seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e partiu.
 +
26. O trigo cresceu e deu fruto, mas apareceu também o joio.
 +
27. Os servidores do pai de família vieram e disseram-lhe: - Senhor, não semeaste bom trigo em teu campo? Donde vem, pois, o joio?
 +
28. Disse-lhes ele: - Foi um inimigo que fez isto! Replicaram-lhe: - Queres que vamos e o arranquemos?
 +
29. - Não, disse ele; arrancando o joio, arriscais a tirar também o trigo.
 +
30. Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos ceifadores: arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar. Recolhei depois o trigo no meu celeiro.
 +
31. Em seguida, propôs-lhes outra parábola: O Reino dos céus é comparado a um grão de mostarda que um homem toma e semeia em seu campo.
 +
32. É esta a menor de todas as sementes, mas, quando cresce, torna-se um arbusto maior que todas as hortaliças, de sorte que os pássaros vêm aninhar-se em seus ramos.
 +
33. Disse-lhes, por fim, esta outra parábola. O Reino dos céus é comparado ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha e que faz fermentar toda a massa.
 +
34. Tudo isto disse Jesus à multidão em forma de parábola. De outro modo não lhe falava,
 +
35. para que se cumprisse a profecia: Abrirei a boca para ensinar em parábolas; revelarei coisas ocultas desde a criação (Sl 77,2).
 +
36. Então despediu a multidão. Em seguida, entrou de novo na casa e seus discípulos agruparam-se ao redor dele para perguntar-lhe: Explica-nos a parábola do joio no campo.
 +
37. Jesus respondeu: O que semeia a boa semente é o Filho do Homem.
 +
38. O campo é o mundo. A boa semente são os filhos do Reino. O joio são os filhos do Maligno.
 +
39. O inimigo, que o semeia, é o demônio. A colheita é o fim do mundo. Os ceifadores são os anjos.
 +
40. E assim como se recolhe o joio para jogá-lo no fogo, assim será no fim do mundo.
 +
41. O Filho do Homem enviará seus anjos, que retirarão de seu Reino todos os escândalos e todos os que fazem o mal
 +
42. e os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes.
 +
43. Então, no Reino de seu Pai, os justos resplandecerão como o sol. Aquele que tem ouvidos, ouça.
 +
44. O Reino dos céus é também semelhante a um tesouro escondido num campo. Um homem o encontra, mas o esconde de novo. E, cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem para comprar aquele campo.
 +
45. O Reino dos céus é ainda semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas.
 +
46. Encontrando uma de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra.
 +
47. O Reino dos céus é semelhante ainda a uma rede que, jogada ao mar, recolhe peixes de toda espécie.
 +
48. Quando está repleta, os pescadores puxam-na para a praia, sentam-se e separam nos cestos o que é bom e jogam fora o que não presta.
 +
49. Assim será no fim do mundo: os anjos virão separar os maus do meio dos justos
 +
50. e os arrojarão na fornalha, onde haverá choro e ranger de dentes.
 +
51. Compreendestes tudo isto? Sim, Senhor, responderam eles.
 +
52. Por isso, todo escriba instruído nas coisas do Reino dos céus é comparado a um pai de família que tira de seu tesouro coisas novas e velhas.
 +
53. Após ter exposto as parábolas, Jesus partiu.
 +
54. Foi para a sua cidade e ensinava na sinagoga, de modo que todos diziam admirados: Donde lhe vem esta sabedoria e esta força miraculosa?
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55. Não é este o filho do carpinteiro? Não é Maria sua mãe? Não são seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?
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56. E suas irmãs, não vivem todas entre nós? Donde lhe vem, pois, tudo isso?
 +
57. E não sabiam o que dizer dele. Disse-lhes, porém, Jesus: É só em sua pátria e em sua família que um profeta é menosprezado.
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58. E, por causa da falta de confiança deles, operou ali poucos milagres.
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Capítulo 14
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1. Por aquela mesma época, o tetrarca Herodes ouviu falar de Jesus.
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2. E disse aos seus cortesãos: É João Batista que ressuscitou. É por isso que ele faz tantos milagres.
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3. Com efeito, Herodes havia mandado prender e acorrentar João, e o tinha mandado meter na prisão por causa de Herodíades, esposa de seu irmão Filipe.
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4. João lhe tinha dito: Não te é permitido tomá-la por mulher!
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5. De boa mente o mandaria matar; temia, porém, o povo que considerava João um profeta.
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6. Mas, na festa de aniversário de nascimento de Herodes, a filha de Herodíades dançou no meio dos convidados e agradou a Herodes.
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7. Por isso, ele prometeu com juramento dar-lhe tudo o que lhe pedisse.
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8. Por instigação de sua mãe, ela respondeu: Dá-me aqui, neste prato, a cabeça de João Batista.
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9. O rei entristeceu-se, mas como havia jurado diante dos convidados, ordenou que lha dessem;
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10. e mandou decapitar João na sua prisão.
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11. A cabeça foi trazida num prato e dada à moça, que a entregou à sua mãe.
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12. Vieram, então, os discípulos de João transladar seu corpo, e o enterraram. Depois foram dar a notícia a Jesus.
 +
13. A essa notícia, Jesus partiu dali numa barca para se retirar a um lugar deserto, mas o povo soube e a multidão das cidades o seguiu a pé.
 +
14. Quando desembarcou, vendo Jesus essa numerosa multidão, moveu-se de compaixão para ela e curou seus doentes.
 +
15. Caía a tarde. Agrupados em volta dele, os discípulos disseram-lhe: Este lugar é deserto e a hora é avançada. Despede esta gente para que vá comprar víveres na aldeia.
 +
16. Jesus, porém, respondeu: Não é necessário: dai-lhe vós mesmos de comer.
 +
17. Mas, disseram eles, nós não temos aqui mais que cinco pães e dois peixes. _
 +
18. Trazei-mos, disse-lhes ele.
 +
19. Mandou, então, a multidão assentar-se na relva, tomou os cinco pães e os dois peixes e, elevando os olhos ao céu, abençoou-os. Partindo em seguida os pães, deu-os aos seus discípulos, que os distribuíram ao povo.
 +
20. Todos comeram e ficaram fartos, e, dos pedaços que sobraram, recolheram doze cestos cheios.
 +
21. Ora, os convivas foram aproximadamente cinco mil homens, sem contar as mulheres e crianças.
 +
22. Logo depois, Jesus obrigou seus discípulos a entrar na barca e a passar antes dele para a outra margem, enquanto ele despedia a multidão.
 +
23. Feito isso, subiu à montanha para orar na solidão. E, chegando a noite,
 +
estava lá sozinho.
 +
24. Entretanto, já a boa distância da margem, a barca era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário.
 +
25. Pela quarta vigília da noite, Jesus veio a eles, caminhando sobre o mar.
 +
26. Quando os discípulos o perceberam caminhando sobre as águas, ficaram com medo: É um fantasma! disseram eles, soltando gritos de terror.
 +
27. Mas Jesus logo lhes disse: Tranqüilizai-vos, sou eu. Não tenhais medo!
 +
28. Pedro tomou a palavra e falou: Senhor, se és tu, manda-me ir sobre as águas até junto de ti!
 +
29. Ele disse-lhe: Vem! Pedro saiu da barca e caminhava sobre as águas ao encontro de Jesus.
 +
30. Mas, redobrando a violência do vento, teve medo e, começando a afundar, gritou: Senhor, salva-me!
 +
31. No mesmo instante, Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e lhe disse: Homem de pouca fé, por que duvidaste?
 +
32. Apenas tinham subido para a barca, o vento cessou.
 +
33. Então aqueles que estavam na barca prostraram-se diante dele e disseram: Tu és verdadeiramente o Filho de Deus.
 +
34. E, tendo atravessado, chegaram a Genesaré.
 +
35. As pessoas do lugar o reconheceram e mandaram anunciar por todos os arredores. Apresentaram-lhe, então, todos os doentes,
 +
36. rogando-lhe que ao menos deixasse tocar na orla de sua veste. E, todos aqueles que nele tocaram, foram curados.
 +
 
 +
 +
Capítulo 15
  
=====<font size="3">'''Morte de Estêvão'''</font>=====
+
1. Alguns fariseus e escribas de Jerusalém vieram um dia ter com Jesus e lhe disseram:
'''54.''' Ao ouvir tais palavras, esbravejaram de raiva e rangiam os dentes contra ele.
+
2. Por que transgridem teus discípulos a tradição dos antigos? Nem mesmo lavam as mãos antes de comer.
'''55.''' Mas, cheio do Espírito Santo, Estêvão fitou o céu e viu a glória de Deus e Jesus de pé à direita de Deus:
+
3. Jesus respondeu-lhes: E vós, por que violais os preceitos de Deus, por causa de vossa tradição?
'''56.''' Eis que vejo, disse ele, os céus abertos e o Filho do Homem, de , à direita de Deus.
+
4. Deus disse: Honra teu pai e tua mãe; aquele que amaldiçoar seu pai ou sua mãe será castigado de morte (Ex 20,12; 21,17).
'''57.''' Levantaram então um grande clamor, taparam os ouvidos e todos juntos se atiraram furiosos contra ele.
+
5. Mas vós dizeis: Aquele que disser a seu pai ou a sua mãe: aquilo com que eu vos poderia assistir, já ofereci a Deus,
'''58.''' Lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram os seus mantos aos pés de um moço chamado Saulo.
+
6. esse já não é obrigado a socorrer de outro modo a seus pais. Assim, por causa de vossa tradição, anulais a palavra de Deus.
'''59.''' E apedrejavam Estêvão, que orava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito.
+
7. Hipócritas! É bem de vós que fala o profeta Isaías:
'''60.''' Posto de joelhos, exclamou em alta voz: Senhor, não lhes leves em conta este pecado... A estas palavras, expirou.
+
8. Este povo somente me honra com os lábios; seu coração, porém, está longe de mim.
<font size="5">'''8)'''</font> '''1.''' E Saulo havia aprovado a morte de Estêvão."
+
9. Vão é o culto que me prestam, porque ensinam preceitos que só vêm dos homens (Is 29,13).
 +
10. Depois, reuniu os assistentes e disse-lhes:
 +
11. Ouvi e compreendei. Não é aquilo que entra pela boca que mancha o homem, mas aquilo que sai dele. Eis o que mancha o homem.
 +
12. Então se aproximaram dele seus discípulos e disseram-lhe: Sabes que os fariseus se escandalizaram com as palavras que ouviram?
 +
13. Jesus respondeu: Toda planta que meu Pai celeste não plantou será arrancada pela raiz.
 +
14. Deixai-os. São cegos e guias de cegos. Ora, se um cego conduz a outro, tombarão ambos na mesma vala.
 +
15. Tomando então a palavra, Pedro disse: Explica-nos esta parábola.
 +
16. Jesus respondeu: Sois também vós de tão pouca compreensão?
 +
17. Não compreendeis que tudo o que entra pela boca vai ao ventre e depois é lançado num lugar secreto?
 +
18. Ao contrário, aquilo que sai da boca provém do coração, e é isso o que mancha o homem.
 +
19. Porque é do coração que provêm os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias.
 +
20. Eis o que mancha o homem. Comer, porém, sem ter lavado as mãos, isso não mancha o homem.
 +
21. Jesus partiu dali e retirou-se para os arredores de Tiro e Sidônia.
 +
22. E eis que uma cananéia, originária daquela terra, gritava: Senhor, filho
 +
de Davi, tem piedade de mim! Minha filha está cruelmente atormentada por um demônio.
 +
23. Jesus não lhe respondeu palavra alguma. Seus discípulos vieram a ele e lhe disseram com insistência: Despede-a, ela nos persegue com seus gritos.
 +
24. Jesus respondeu-lhes: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.
 +
25. Mas aquela mulher veio prostrar-se diante dele, dizendo: Senhor, ajuda-me!
 +
26. Jesus respondeu-lhe: Não convém jogar aos cachorrinhos o pão dos filhos. _
 +
27. Certamente, Senhor, replicou-lhe ela; mas os cachorrinhos ao menos comem as migalhas que caem da mesa de seus donos...
 +
28. Disse-lhe, então, Jesus: Ó mulher, grande é tua fé! Seja-te feito como desejas. E na mesma hora sua filha ficou curada.
 +
29. Jesus saiu daquela região e voltou para perto do mar da Galiléia. Subiu a uma colina e sentou-se ali.
 +
30. Então numerosa multidão aproximou-se dele, trazendo consigo mudos, cegos, coxos, aleijados e muitos outros enfermos. Puseram-nos aos seus pés e ele os curou,
 +
31. de sorte que o povo estava admirado ante o espetáculo dos mudos que falavam, daqueles aleijados curados, de coxos que andavam, dos cegos que viam; e glorificavam ao Deus de Israel.
 +
32. Jesus, porém, reuniu os seus discípulos e disse-lhes: Tenho piedade esta multidão: eis que há três dias está perto de mim e não tem nada para comer. Não quero despedi-la em jejum, para que não desfaleça no caminho.
 +
33. Disseram-lhe os discípulos: De que maneira procuraremos neste lugar deserto pão bastante para saciar tal multidão?
 +
34. Pergunta-lhes Jesus: Quantos pães tendes? Sete, e alguns peixinhos, responderam eles.
 +
35. Mandou, então, a multidão assentar-se no chão,
 +
36. tomou os sete pães e os peixes e abençoou-os. Depois os partiu e os deu aos discípulos, que os distribuíram à multidão.
 +
37. Todos comeram e ficaram saciados, e, dos pedaços que restaram, encheram sete cestos.
 +
38. Ora, os que se alimentaram foram quatro mil homens, sem contar as mulheres e as crianças.
 +
39. Jesus então despediu o povo, subiu para a barca e retornou à região de Magadã.
  
=====<font size="3">'''Perseguição e dispersão da comunidade'''</font>=====
+
"Naquele dia, rompeu uma grande perseguição contra a comunidade de Jerusalém. Todos se dispersaram pelas regiões da Judéia e de Samaria, com exceção dos apóstolos.
+
Capítulo 16
'''2.''' Entretanto, alguns homens piedosos trataram de enterrar Estêvão e fizeram grande pranto a seu respeito.
 
'''3.''' Saulo, porém, devastava a Igreja. Entrando pelas casas, arrancava delas homens e mulheres e os entregava à prisão.
 
  
=====<font size="3">'''O diácono Filipe em Samaria'''</font>=====
+
1. Os fariseus e os saduceus achegaram-se a Jesus para submetê-lo à prova e pediram-lhe que lhes mostrasse um milagre do céu.
'''4.''' Os que se haviam dispersado iam por toda parte, anunciando a palavra (de Deus).
+
2. Ele lhes respondeu: Quando vem a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está avermelhado.
'''5.''' Assim Filipe desceu à cidade de Samaria, pregando-lhes Cristo.
+
3. E de manhã: Hoje haverá tormenta, porque o céu está de um vermelho sombrio.
'''6.''' A multidão estava atenta ao que Filipe lhe dizia, escutando-o unanimemente e presenciando os prodígios que fazia.
+
4. Hipócritas! Sabeis distinguir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos? Essa raça perversa e adúltera pede um milagre! Mas não lhe será dado outro sinal senão o de Jonas! Depois, deixando-os, partiu.
'''7.''' Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam, levantando grandes brados. Igualmente foram curados muitos paralíticos e coxos.
+
5. Ora, passando para a outra margem do lago, os discípulos haviam esquecido de levar pão.
'''8.''' Por esse motivo, naquela cidade reinava grande alegria.
+
6. Jesus disse-lhes: Guardai-vos com cuidado do fermento dos fariseus e dos saduceus.
 +
7. Eles pensavam: É que não trouxemos pão...
 +
8. Jesus, penetrando nos seus pensamentos, disse-lhes: Homens de pouca fé! Por que julgais que vos falei por não terdes pão?
 +
9. Ainda não compreendeis? Nem vos lembrais dos cinco pães e dos cinco mil homens, e de quantos cestos recolhestes?
 +
10. Nem dos sete pães para os quatro mil homens e de quantos cestos enchestes?
 +
11. Por que não compreendeis que não é do pão que eu vos falava, quando vos disse: Guardai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus?
 +
12. Então entenderam que não dissera que se guardassem do fermento do pão, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus.
 +
13. Chegando ao território de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: No dizer do povo, quem é o Filho do Homem?
 +
14. Responderam: Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas.
 +
15. Disse-lhes Jesus: E vós quem dizeis que eu sou?
 +
16. Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!
 +
17. Jesus então lhe disse: Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus.
 +
18. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
 +
19. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.
 +
20. Depois, ordenou aos seus discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Cristo.
 +
21. Desde então, Jesus começou a manifestar a seus discípulos que precisava ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas; seria morto e ressuscitaria ao terceiro dia.
 +
22. Pedro então começou a interpelá-lo e protestar nestes termos: Que Deus não permita isto, Senhor! Isto não te acontecerá!
 +
23. Mas Jesus, voltando-se para ele, disse-lhe: Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um escândalo; teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens!
 +
24. Em seguida, Jesus disse a seus discípulos: Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.
 +
25. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobrá-la-á.
 +
26. Que servirá a um homem ganhar o mundo inteiro, se vem a prejudicar a sua vida? Ou que dará um homem em troca de sua vida?...
 +
27. Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai com seus anjos, e então recompensará a cada um segundo suas obras.
 +
28. Em verdade vos declaro: muitos destes que aqui estão não verão a morte, sem que tenham visto o Filho do Homem voltar na majestade de seu Reino.
  
=====<font size="3">'''Simão, o mago'''</font>=====
+
'''9.''' Ora, havia ali um homem, por nome Simão, que exercia magia na cidade, maravilhando o povo de Samaria, e fazia-se passar por um grande personagem.
+
Capítulo 17
'''10.''' Todos lhe davam ouvidos, do menor até o maior, comentando: Este homem é o poder de Deus, chamado o Grande.
+
 
'''11.''' Eles o atendiam, porque por muito tempo os havia deslumbrado com as suas artes mágicas.
+
1. Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte a uma alta montanha.
'''12.''' Mas, depois que acreditaram em Filipe, que lhes anunciava o Reino de Deus e o nome de Jesus Cristo, homens e mulheres pediam o batismo.
+
2. Lá se transfigurou na presença deles: seu rosto brilhou como o sol, suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura.
'''13.''' Simão também acreditou e foi batizado. Ele não abandonava Filipe, admirando, estupefato, os grandes milagres e prodígios que eram feitos.
+
3. E eis que apareceram Moisés e Elias conversando com ele.
'''14.''' Os apóstolos que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João.
+
4. Pedro tomou então a palavra e disse-lhe: Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias. Falava ele ainda, quando veio uma nuvem luminosa e os envolveu. E daquela nuvem fez-se ouvir uma voz que dizia: Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda minha afeição; ouvi-o.
'''15.''' Estes, assim que chegaram, fizeram oração pelos novos fiéis, a fim de receberem o Espírito Santo,
+
6. Ouvindo esta voz, os discípulos caíram com a face por terra e tiveram medo.
'''16.''' visto que não havia descido ainda sobre nenhum deles, mas tinham sido somente batizados em nome do Senhor Jesus.
+
7. Mas Jesus aproximou-se deles e tocou-os, dizendo: Levantai-vos e não temais.
'''17.''' Então os dois apóstolos lhes impuseram as mãos e receberam o Espírito Santo.
+
8. Eles levantaram os olhos e não viram mais ninguém, senão unicamente Jesus.
'''18.''' Quando Simão viu que se dava o Espírito Santo por meio da imposição das mãos dos apóstolos, ofereceu-lhes dinheiro, dizendo:
+
9. E, quando desciam, Jesus lhes fez esta proibição: Não conteis a ninguém o que vistes, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos.
'''19.''' Dai-me também este poder, para que todo aquele a quem impuser as mãos receba o Espírito Santo.
+
10. Em seguida, os discípulos o interrogaram: Por que dizem os escribas que Elias deve voltar primeiro?
'''20.''' Pedro respondeu: Maldito seja o teu dinheiro e tu também, se julgas poder comprar o dom de Deus com dinheiro!
+
11. Jesus respondeu-lhes: Elias, de fato, deve voltar e restabelecer todas as coisas.
'''21.''' Não terás direito nem parte alguma neste ministério, já que o teu coração não é puro diante de Deus.
+
12. Mas eu vos digo que Elias já veio, mas não o conheceram; antes, fizeram com ele quanto quiseram. Do mesmo modo farão sofrer o Filho do Homem.
'''22.''' Arrepende-te desta tua maldade e roga a Deus, para que, sendo possível, te seja perdoado este pensamento do teu coração.
+
13. Os discípulos compreenderam, então, que ele lhes falava de João Batista.
'''23.''' Pois estou a ver-te no fel da amargura e nos laços da iniqüidade.
+
14. E, quando eles se reuniram ao povo, um homem aproximou-se deles e prostrou-se diante de Jesus,
'''24.''' Retorquiu Simão: Rogai vós por mim ao Senhor, para que nada do que haveis dito venha a cair sobre mim.
+
15. dizendo: Senhor, tem piedade de meu filho, porque é lunático e sofre muito: ora cai no fogo, ora na água...
'''25.''' Os apóstolos, depois de terem dado testemunho e anunciado a palavra do Senhor, voltaram para Jerusalém e pregavam a boa nova em muitos lugares dos samaritanos.
+
16. Já o apresentei a teus discípulos, mas eles não o puderam curar.
 +
17. Respondeu Jesus: Raça incrédula e perversa, até quando estarei convosco? Até quando hei de aturar-vos? Trazei-mo.
 +
18. Jesus ameaçou o demônio e este saiu do menino, que ficou curado na mesma hora.
 +
19. Então os discípulos lhe perguntaram em particular: Por que não pudemos nós expulsar este demônio?
 +
20. Jesus respondeu-lhes: Por causa de vossa falta de fé. Em verdade vos digo: se tiverdes fé, como um grão de mostarda, direis a esta montanha: Transporta-te daqui para lá, e ela irá; e nada vos será impossível. Quanto a esta espécie de demônio, se pode expulsar à força de oração e de jejum.
 +
21. Enquanto caminhava pela Galiléia, Jesus lhes disse: O Filho do Homem deve ser entregue nas mãos dos homens.
 +
22. Matá-lo-ão, mas ao terceiro dia ressuscitará. E eles ficaram profundamente aflitos.
 +
23. Logo que chegaram a Cafarnaum, aqueles que cobravam o imposto da didracma aproximaram-se de Pedro e lhe perguntaram: Teu mestre não paga a didracma?
 +
24. Paga sim, respondeu Pedro. Mas quando chegaram à casa, Jesus preveniu-o, dizendo: Que te parece, Simão? Os reis da terra, de quem recebem os tributos ou os impostos? De seus filhos ou dos estrangeiros?
 +
25. Pedro respondeu: Dos estrangeiros. Jesus replicou: Os filhos, então, estão isentos.
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26. Mas não convém escandalizá-los. Vai ao mar, lança o anzol, e ao primeiro peixe que pegares abrirás a boca e encontrarás um estatere. Toma-o e dá-o por mim e por ti.
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Capítulo 18
  
=====<font size="3">'''Conversão do ministro da rainha da Etiópia'''</font>=====
+
1. Neste momento os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: Quem é o maior no Reino dos céus?
'''26.''' Um anjo do Senhor dirigiu-se a Filipe e disse: Levanta-te e vai para o sul, em direção do caminho que desce de Jerusalém a Gaza, a Deserta.
+
2. Jesus chamou uma criancinha, colocou-a no meio deles e disse:
'''27.''' Filipe levantou-se e partiu. Ora, um etíope, eunuco, ministro da rainha Candace, da Etiópia, e superintendente de todos os seus tesouros, tinha ido a Jerusalém para adorar.
+
3. Em verdade vos declaro: se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos céus.
'''28.''' Voltava sentado em seu carro, lendo o profeta Isaías.
+
4. Aquele que se fizer humilde como esta criança será maior no Reino dos céus.
'''29.''' O Espírito disse a Filipe: Aproxima-te para bem perto deste carro.
+
5. E o que recebe em meu nome a um menino como este, é a mim que recebe.
'''30.''' Filipe aproximou-se e ouviu que o eunuco lia o profeta Isaías, e perguntou-lhe: Porventura entendes o que estás lendo?
+
6. Mas, se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que crêem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar.
'''31.''' Respondeu-lhe: Como é que posso, se não há alguém que mo explique? E rogou a Filipe que subisse e se sentasse junto dele.
+
7. Ai do mundo por causa dos escândalos! Eles são inevitáveis, mas ai do homem que os causa!
'''32.''' A passagem da Escritura, que ia lendo, era esta: Como ovelha, foi levado ao matadouro; e como cordeiro mudo diante do que o tosquia, ele não abriu a sua boca.
+
8. Por isso, se tua mão ou teu pé te fazem cair em pecado, corta-os e lança-os longe de ti: é melhor para ti entrares na vida coxo ou manco que, tendo dois pés e duas mãos, seres lançado no fogo eterno.
'''33.''' Na sua humilhação foi consumado o seu julgamento. Quem poderá contar a sua descendência? Pois a sua vida foi tirada da terra (Is 53,7s.).
+
9. Se teu olho te leva ao pecado, arranca-o e lança-o longe de ti: é melhor para ti entrares na vida cego de um olho que seres jogado com teus dois olhos no fogo da geena.
'''34.''' O eunuco disse a Filipe: Rogo-te que me digas de quem disse isto o profeta: de si mesmo ou de outrem?
+
10. Guardai-vos de menosprezar um só destes pequenos, porque eu vos digo que seus anjos no céu contemplam sem cessar a face de meu Pai que está nos céus.
'''35.''' Começou então Filipe a falar, e, principiando por essa passagem da Escritura, anunciou-lhe Jesus.
+
11. [Porque o Filho do Homem veio salvar o que estava perdido.]
'''36.''' Continuando o caminho, encontraram água. Disse então o eunuco: Eis aí a água. Que impede que eu seja batizado?
+
12. Que vos parece? Um homem possui cem ovelhas: uma delas se desgarra. Não deixa ele as noventa e nove na montanha, para ir buscar aquela que se desgarrou?
'''37.''' [Filipe respondeu: Se crês de todo o coração, podes sê-lo. Eu creio, disse ele, que Jesus Cristo é o Filho de Deus.]
+
13. E se a encontra, sente mais júbilo do que pelas noventa e nove que não se desgarraram.
'''38.''' E mandou parar o carro. Ambos desceram à água e Filipe batizou o eunuco.
+
14. Assim é a vontade de vosso Pai celeste, que não se perca um só destes pequeninos.
'''39.''' Mal saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe dos olhares do eunuco, que, cheio de alegria, continuou o seu caminho.
+
15. Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão.
'''40.''' Filipe, entretanto, foi transportado a Azoto. Passando além, pregava o Evangelho em todas as cidades, até que chegou a Cesaréia".
+
16. Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas.
 +
17. Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano.
 +
18. Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu.
 +
19. Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus.
 +
20. Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.
 +
21. Então Pedro se aproximou dele e disse: Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?
 +
22. Respondeu Jesus: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
 +
23. Por isso, o Reino dos céus é comparado a um rei que quis ajustar contas com seus servos.
 +
24. Quando começou a ajustá-las, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos.
 +
25. Como ele não tinha com que pagar, seu senhor ordenou que fosse vendido, ele, sua mulher, seus filhos e todos os seus bens para pagar a dívida.
 +
26. Este servo, então, prostrou-se por terra diante dele e suplicava-lhe: Dá-me um prazo, e eu te pagarei tudo!
 +
27. Cheio de compaixão, o senhor o deixou ir embora e perdoou-lhe a dívida.
 +
28. Apenas saiu dali, encontrou um de seus companheiros de serviço que lhe devia cem denários. Agarrou-o na garganta e quase o estrangulou, dizendo: Paga o que me deves!
 +
29. O outro caiu-lhe aos pés e pediu-lhe: Dá-me um prazo e eu te pagarei!
 +
30. Mas, sem nada querer ouvir, este homem o fez lançar na prisão, até que tivesse pago sua dívida.
 +
31. Vendo isto, os outros servos, profundamente tristes, vieram contar a seu senhor o que se tinha passado.
 +
32. Então o senhor o chamou e lhe disse: Servo mau, eu te perdoei toda a dívida porque me suplicaste.
 +
33. Não devias também tu compadecer-te de teu companheiro de serviço, como eu tive piedade de ti?
 +
34. E o senhor, encolerizado, entregou-o aos algozes, até que pagasse toda a sua dívida.
 +
35. Assim vos tratará meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, de todo seu coração.
  
=====<font size="3">'''Conversão de Saulo'''</font>=====
+
 +
Capítulo 19
  
<font size="5">'''9)'''</font> "'''1.''' Enquanto isso, Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Apresentou-se ao príncipe dos sacerdotes,
+
1. Após esses discursos, Jesus deixou a Galiléia e veio para a Judéia, além do Jordão.
'''2.''' e pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, com o fim de levar presos a Jerusalém todos os homens e mulheres que achasse seguindo essa doutrina.
+
2. Uma grande multidão o seguiu e ele curou seus doentes.
'''3.''' Durante a viagem, estando já perto de Damasco, subitamente o cercou uma luz resplandecente vinda do céu.
+
3. Os fariseus vieram perguntar-lhe para pô-lo à prova: É permitido a um homem rejeitar sua mulher por um motivo qualquer?
'''4.''' Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?
+
4. Respondeu-lhes Jesus: Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse:
'''5.''' Saulo disse: Quem és, Senhor? Respondeu ele: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. [Duro te é recalcitrar contra o aguilhão.
+
5. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne?
'''6.''' Então, trêmulo e atônito, disse ele: Senhor, que queres que eu faça? Respondeu-lhe o Senhor:] Levanta-te, entra na cidade. Aí te será dito o que deves fazer.
+
6. Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu.
'''7.''' Os homens que o acompanhavam enchiam-se de espanto, pois ouviam perfeitamente a voz, mas não viam ninguém.
+
7. Disseram-lhe eles: Por que, então, Moisés ordenou dar um documento de divórcio à mulher, ao rejeitá-la?
'''8.''' Saulo levantou-se do chão. Abrindo, porém, os olhos, não via nada. Tomaram-no pela mão e o introduziram em Damasco,
+
8. Jesus respondeu-lhes: É por causa da dureza de vosso coração que Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres; mas no começo não foi assim.
'''9.''' onde esteve três dias sem ver, sem comer nem beber.
+
9. Ora, eu vos declaro que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de matrimônio falso, e desposa uma outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério.
 +
10. Seus discípulos disseram-lhe: Se tal é a condição do homem a respeito da mulher, é melhor não se casar!
 +
11. Respondeu ele: Nem todos são capazes de compreender o sentido desta palavra, mas somente aqueles a quem foi dado.
 +
12. Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda.
 +
13. Foram-lhe, então, apresentadas algumas criancinhas para que pusesse as mãos sobre elas e orasse por elas. Os discípulos, porém, as afastavam.
 +
14. Disse-lhes Jesus: Deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham.
 +
15. E, depois de impor-lhes as mãos, continuou seu caminho.
 +
16. Um jovem aproximou-se de Jesus e lhe perguntou: Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna? Disse-lhe Jesus:
 +
17. Por que me perguntas a respeito do que se deve fazer de bom? Só Deus é bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos.
 +
18. Quais?, perguntou ele. Jesus respondeu: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho,
 +
19. honra teu pai e tua mãe, amarás teu próximo como a ti mesmo.
 +
20. Disse-lhe o jovem: Tenho observado tudo isto desde a minha infância. Que me falta ainda?
 +
21. Respondeu Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me!
 +
22. Ouvindo estas palavras, o jovem foi embora muito triste, porque possuía muitos bens.
 +
23. Jesus disse então aos seus discípulos: Em verdade vos declaro: é difícil para um rico entrar no Reino dos céus!
 +
24. Eu vos repito: é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus.
 +
25. A estas palavras seus discípulos, pasmados, perguntaram: Quem poderá então salvar-se?
 +
26. Jesus olhou para eles e disse: Aos homens isto é impossível, mas a Deus tudo é possível.
 +
27. Pedro então, tomando a palavra, disse-lhe: Eis que deixamos tudo para te seguir. Que haverá então para nós?
 +
28. Respondeu Jesus: Em verdade vos declaro: no dia da renovação do mundo, quando o Filho do Homem estiver sentado no trono da glória, vós, que me haveis seguido, estareis sentados em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel.
 +
29. E todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna.
 +
30. Muitos dos primeiros serão os últimos e muitos dos últimos serão os primeiros.
 +
 
 +
 +
Capítulo 20
  
=====<font size="3">'''Batismo de Saulo por Ananias'''</font>=====
+
1. Com efeito, o Reino dos céus é semelhante a um pai de família que saiu ao romper da manhã, a fim de contratar operários para sua vinha.
'''10.''' Havia em Damasco um discípulo chamado Ananias. O Senhor, numa visão, lhe disse: Ananias! Eis-me aqui, Senhor, respondeu ele.
+
2. Ajustou com eles um denário por dia e enviou-os para sua vinha.
'''11.''' O Senhor lhe ordenou: Levanta-te e vai à rua Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso, chamado Saulo; ele está orando.
+
3. Cerca da terceira hora, saiu ainda e viu alguns que estavam na praça sem fazer nada.
'''12.''' (Este via numa visão um homem, chamado Ananias, entrar e impor-lhe as mãos para recobrar a vista.)
+
4. Disse-lhes ele: - Ide também vós para minha vinha e vos darei o justo salário.
'''13.''' Ananias respondeu: Senhor, muitos já me falaram deste homem, quantos males fez aos teus fiéis em Jerusalém.
+
5. Eles foram. À sexta hora saiu de novo e igualmente pela nona hora, e fez o mesmo.
'''14.''' E aqui ele tem poder dos príncipes dos sacerdotes para prender a todos aqueles que invocam o teu nome.
+
6. Finalmente, pela undécima hora, encontrou ainda outros na praça e perguntou-lhes: - Por que estais todo o dia sem fazer nada?
'''15.''' Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este homem é para mim um instrumento escolhido, que levará o meu nome diante das nações, dos reis e dos filhos de Israel.
+
7. Eles responderam: - É porque ninguém nos contratou. Disse-lhes ele, então: - Ide vós também para minha vinha.
'''16.''' Eu lhe mostrarei tudo o que terá de padecer pelo meu nome.
+
8. Ao cair da tarde, o senhor da vinha disse a seu feitor: - Chama os operários e paga-lhes, começando pelos últimos até os primeiros.
'''17.''' Ananias foi. Entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: Saulo, meu irmão, o Senhor, esse Jesus que te apareceu no caminho, enviou-me para que recobres a vista e fiques cheio do Espírito Santo.
+
9. Vieram aqueles da undécima hora e receberam cada qual um denário.
'''18.''' No mesmo instante caíram dos olhos de Saulo umas como escamas, e recuperou a vista. Levantou-se e foi batizado.
+
10. Chegando por sua vez os primeiros, julgavam que haviam de receber mais. Mas só receberam cada qual um denário.
'''19.''' Depois tomou alimento e sentiu-se fortalecido.
+
11. Ao receberem, murmuravam contra o pai de família, dizendo:
 +
12. - Os últimos só trabalharam uma hora... e deste-lhes tanto como a nós, que suportamos o peso do dia e do calor.
 +
13. O senhor, porém, observou a um deles: - Meu amigo, não te faço injustiça. Não contrataste comigo um denário?
 +
14. Toma o que é teu e vai-te. Eu quero dar a este último tanto quanto a ti.
 +
15. Ou não me é permitido fazer dos meus bens o que me apraz? Porventura vês com maus olhos que eu seja bom?
 +
16. Assim, pois, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos. [ Muitos serão os chamados, mas poucos os escolhidos.]
 +
17. Subindo para Jerusalém, durante o caminho, Jesus tomou à parte os Doze e disse-lhes:
 +
18. Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte.
 +
19. E o entregarão aos pagãos para ser exposto às suas zombarias, açoitado e crucificado; mas ao terceiro dia ressuscitará.
 +
20. Nisso aproximou-se a mãe dos filhos de Zebedeu com seus filhos e prostrou-se diante de Jesus para lhe fazer uma súplica.
 +
21. Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela respondeu: Ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda.
 +
22. Jesus disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu devo beber? Sim, disseram-lhe.
 +
23. De fato, bebereis meu cálice. Quanto, porém, ao sentar-vos à minha direita ou à minha esquerda, isto não depende de mim vo-lo conceder. Esses lugares cabem àqueles aos quais meu Pai os reservou.
 +
24. Os dez outros, que haviam ouvido tudo, indignaram-se contra os dois irmãos.
 +
25. Jesus, porém, os chamou e lhes disse: Sabeis que os chefes das nações as subjugam, e que os grandes as governam com autoridade.
 +
26. Não seja assim entre vós. Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça vosso servo.
 +
27. E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo.
 +
28. Assim como o Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por uma multidão.
 +
29. Ao sair de Jericó, uma grande multidão o seguiu.
 +
30. Dois cegos, sentados à beira do caminho, ouvindo dizer que Jesus passava, começaram a gritar: Senhor, filho de Davi, tem piedade de nós!
 +
31. A multidão, porém, os repreendia para que se calassem. Mas eles gritavam ainda mais forte: Senhor, filho de Davi, tem piedade de nós!
 +
32. Jesus parou, chamou-os e perguntou-lhes: Que quereis que eu vos faça?
 +
33. Senhor, que nossos olhos se abram!
 +
34. Jesus, cheio de compaixão, tocou-lhes os olhos. Instantaneamente recobraram a vista e puseram-se a segui-lo.
  
=====<font size="3">'''Primeiras pregações de Saulo em Damasco'''</font>=====
+
Demorou-se por alguns dias com os discípulos que se achavam em Damasco.
+
Capítulo 21
'''20.''' Imediatamente começou a proclamar pelas sinagogas que Jesus é o Filho de Deus.
 
'''21.''' Todos os seus ouvintes pasmavam e diziam: Este não é aquele que perseguia em Jerusalém os que invocam o nome de Jesus? Não veio cá só para levá-los presos aos sumos sacerdotes?
 
'''22.''' Saulo, porém, sentia crescer o seu poder e confundia os judeus de Damasco, demonstrando que Jesus é o Cristo.
 
'''23.''' Decorridos alguns dias, os judeus deliberaram, em conselho, matá-lo.
 
'''24.''' Estas intenções chegaram ao conhecimento de Saulo. Guardavam eles as portas de dia e de noite, para matá-lo.
 
'''25.''' Mas os discípulos, tomando-o de noite, fizeram-no descer pela muralha dentro de um cesto.
 
  
=====<font size="3">'''Apostolado de Saulo em Jerusalém'''</font>=====
+
1. Aproximavam-se de Jerusalém. Quando chegaram a Betfagé, perto do monte das Oliveiras, Jesus enviou dois de seus discípulos,
'''26.''' Chegando a Jerusalém, tentava ajuntar-se aos discípulos, mas todos o temiam, não querendo crer que se tivesse tornado discípulo.
+
2. dizendo-lhes: Ide à aldeia que está defronte. Encontrareis logo uma jumenta amarrada e com ela seu jumentinho. Desamarrai-os e trazei-mos.
'''27.''' Então Barnabé, levando-o consigo, apresentou-o aos apóstolos e contou-lhes como Saulo vira o Senhor no caminho, e que lhe havia falado, e como em Damasco pregara, com desassombro, o nome de Jesus.
+
3. Se alguém vos disser qualquer coisa, respondei-lhe que o Senhor necessita deles e que ele sem demora os devolverá.
'''28.''' Daí por diante permaneceu com eles, saindo e entrando em Jerusalém, e pregando, destemidamente, o nome do Senhor.
+
4. Assim, neste acontecimento, cumpria-se o oráculo do profeta:
'''29.''' Falava também e discutia com os helenistas. Mas estes procuravam matá-lo.
+
5. Dizei à filha de Sião: Eis que teu rei vem a ti, cheio de doçura, montado numa jumenta, num jumentinho, filho da que leva o jugo (Zc 9,9).
'''30.''' Os irmãos, informados disso, acompanharam-no até Cesaréia e dali o fizeram partir para Tarso.
+
6. Os discípulos foram e executaram a ordem de Jesus.
 +
7. Trouxeram a jumenta e o jumentinho, cobriram-nos com seus mantos e fizeram-no montar.
 +
8. Então a multidão estendia os mantos pelo caminho, cortava ramos de árvores e espalhava-os pela estrada.
 +
9. E toda aquela multidão, que o precedia e que o seguia, clamava: Hosana ao filho de Davi! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!
 +
10. Quando ele entrou em Jerusalém, alvoroçou-se toda a cidade, perguntando: Quem é este?
 +
11. A multidão respondia: É Jesus, o profeta de Nazaré da Galiléia.
 +
12. Jesus entrou no templo e expulsou dali todos aqueles que se entregavam ao comércio. Derrubou as mesas dos cambistas e os bancos dos negociantes de pombas,
 +
13. e disse-lhes: Está escrito: Minha casa é uma casa de oração (Is 56,7), mas vós fizestes dela um covil de ladrões (Jr 7,11)!
 +
14. Os cegos e os coxos vieram a ele no templo e ele os curou,
 +
15. com grande indignação dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas que assistiam a seus milagres e ouviam os meninos gritar no templo: Hosana ao filho de Davi!
 +
16. Disseram-lhe eles: Ouves o que dizem eles? Perfeitamente, respondeu-lhes Jesus. Nunca lestes estas palavras: Da boca dos meninos e das crianças de peito tirastes o vosso louvor (Sl 8,3)?
 +
17. Depois os deixou e saiu da cidade para hospedar-se em Betânia.
 +
18. De manhã, voltando à cidade, teve fome.
 +
19. Vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela, mas só achou nela folhas; e disse-lhe: Jamais nasça fruto de ti!
 +
20. E imediatamente a figueira secou. À vista disto, os discípulos ficaram estupefatos e disseram: Como ficou seca num instante a figueira?!
 +
21. Respondeu-lhes Jesus: Em verdade vos declaro que, se tiverdes fé e não hesitardes, não só fareis o que foi feito a esta figueira, mas ainda se disserdes a esta montanha: Levanta-te daí e atira-te ao mar, isso se fará...
 +
22. Tudo o que pedirdes com fé na oração, vós o alcançareis.
 +
23. Dirigiu-se Jesus ao templo. E, enquanto ensinava, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo aproximaram-se e perguntaram-lhe: Com que direito fazes isso? Quem te deu esta autoridade?
 +
24. Respondeu-lhes Jesus: Eu vos proporei também uma questão. Se responderdes, eu vos direi com que direito o faço.
 +
25. Donde procedia o batismo de João: do céu ou dos homens? Ora, eles raciocinavam entre si: Se respondermos: Do céu, ele nos dirá: Por que não crestes nele?
 +
26. E se dissermos: Dos homens, é de temer-se a multidão, porque todo o mundo considera João como profeta.
 +
27. Responderam a Jesus: Não sabemos. Pois eu tampouco vos digo, retorquiu Jesus, com que direito faço estas coisas.
 +
28. Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: - Meu filho, vai trabalhar hoje na vinha.
 +
29. Respondeu ele: - Não quero. Mas, em seguida, tocado de arrependimento, foi.
 +
30. Dirigindo-se depois ao outro, disse-lhe a mesma coisa. O filho respondeu: - Sim, pai! Mas não foi.
 +
31. Qual dos dois fez a vontade do pai? O primeiro, responderam-lhe. E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo: os publicanos e as meretrizes vos precedem no Reino de Deus!
 +
32. João veio a vós no caminho da justiça e não crestes nele. Os publicanos, porém, e as prostitutas creram nele. E vós, vendo isto, nem fostes tocados de arrependimento para crerdes nele.
 +
33. Ouvi outra parábola: havia um pai de família que plantou uma vinha. Cercou-a com uma sebe, cavou um lagar e edificou uma torre. E, tendo-a arrendado a lavradores, deixou o país.
 +
34. Vindo o tempo da colheita, enviou seus servos aos lavradores para recolher o produto de sua vinha.
 +
35. Mas os lavradores agarraram os servos, feriram um, mataram outro e apedrejaram o terceiro.
 +
36. Enviou outros servos em maior número que os primeiros, e fizeram-lhes o mesmo.
 +
37. Enfim, enviou seu próprio filho, dizendo: Hão de respeitar meu filho.
 +
38. Os lavradores, porém, vendo o filho, disseram uns aos outros: Eis o herdeiro! Matemo-lo e teremos a sua herança!
 +
39. Lançaram-lhe as mãos, conduziram-no para fora da vinha e o assassinaram.
 +
40. Pois bem: quando voltar o senhor da vinha, que fará ele àqueles lavradores?
 +
41. Responderam-lhe: Mandará matar sem piedade aqueles miseráveis e arrendará sua vinha a outros lavradores que lhe pagarão o produto em seu tempo.
 +
42. Jesus acrescentou: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular; isto é obra do Senhor, e é admirável aos nossos olhos (Sl 117,22)?
 +
43. Por isso vos digo: ser-vos-á tirado o Reino de Deus, e será dado a um povo que produzirá os frutos dele.
 +
44. [Aquele que tropeçar nesta pedra, far-se-á em pedaços; e aquele sobre quem ela cair será esmagado.]
 +
45. Ouvindo isto, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus compreenderam que era deles que Jesus falava.
 +
46. E procuravam prendê-lo; mas temeram o povo, que o tinha por um profeta.
  
=====<font size="3">'''Período de tranquilidade'''</font>=====
+
'''31.''' A Igreja gozava então de paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria. Estabelecia-se ela caminhando no temor do Senhor, e a assistência do Espírito Santo a fazia crescer em número.
+
Capítulo 22
  
=====<font size="3">'''Milagre de Pedro em Lida'''</font>=====
+
1. Jesus tornou a falar-lhes por meio de parábolas:
'''32.''' Pedro, que caminhava por toda parte, de cidade em cidade, desceu também aos fiéis que habitavam em Lida.
+
2. O Reino dos céus é comparado a um rei que celebrava as bodas do seu filho.
'''33.''' Ali achou um homem chamado Enéias, que havia oito anos jazia paralítico num leito.
+
3. Enviou seus servos para chamar os convidados, mas eles não quiseram vir.
'''34.''' Disse-lhe Pedro: Enéias, Jesus Cristo te cura: levanta-te e faze tua cama. E levantou-se imediatamente.
+
4. Enviou outros ainda, dizendo-lhes: Dizei aos convidados que já está preparado o meu banquete; meus bois e meus animais cevados estão mortos, tudo está preparado. Vinde às bodas!
'''35.''' Viram-no todos os que habitavam em Lida e em Sarona, e converteram-se ao Senhor.
+
5. Mas, sem se importarem com aquele convite, foram-se, um a seu campo e outro para seu negócio.
 +
6. Outros lançaram mãos de seus servos, insultaram-nos e os mataram.
 +
7. O rei soube e indignou-se em extremo. Enviou suas tropas, matou aqueles assassinos e incendiou-lhes a cidade.
 +
8. Disse depois a seus servos: O festim está pronto, mas os convidados não foram dignos.
 +
9. Ide às encruzilhadas e convidai para as bodas todos quantos achardes.
 +
10. Espalharam-se eles pelos caminhos e reuniram todos quantos acharam, maus e bons, de modo que a sala do banquete ficou repleta de convidados.
 +
11. O rei entrou para vê-los e viu ali um homem que não trazia a veste nupcial.
 +
12. Perguntou-lhe: Meu amigo, como entraste aqui, sem a veste nupcial? O homem não proferiu palavra alguma.
 +
13. Disse então o rei aos servos: Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes.
 +
14. Porque muitos são os chamados, e poucos os escolhidos.
 +
15. Reuniram-se então os fariseus para deliberar entre si sobre a maneira de surpreender Jesus nas suas próprias palavras.
 +
16. Enviaram seus discípulos com os herodianos, que lhe disseram: Mestre, sabemos que és verdadeiro e ensinas o caminho de Deus em toda a verdade, sem te preocupares com ninguém, porque não olhas para a aparência dos homens.
 +
17. Dize-nos, pois, o que te parece: É permitido ou não pagar o imposto a César?
 +
18. Jesus, percebendo a sua malícia, respondeu: Por que me tentais, hipócritas?
 +
19. Mostrai-me a moeda com que se paga o imposto! Apresentaram-lhe um denário.
 +
20. Perguntou Jesus: De quem é esta imagem e esta inscrição?
 +
21. De César, responderam-lhe. Disse-lhes então Jesus: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
 +
22. Esta resposta encheu-os de admiração e, deixando-o, retiraram-se.
 +
23. Naquele mesmo dia, os saduceus, que negavam a ressurreição, interrogaram-no:
 +
24. Mestre, Moisés disse: Se um homem morrer sem filhos, seu irmão case-se com a sua viúva e dê-lhe assim uma posteridade (Dt 25,5).
 +
25. Ora, havia entre nós sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu. Como não tinha filhos, deixou sua mulher ao seu irmão.
 +
26. O mesmo sucedeu ao segundo, depois ao terceiro, até o sétimo.
 +
27. Por sua vez, depois deles todos, morreu também a mulher.
 +
28. Na ressurreição, de qual dos sete será a mulher, uma vez que todos a tiveram?
 +
29. Respondeu-lhes Jesus: Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus.
 +
30. Na ressurreição, os homens não terão mulheres nem as mulheres, maridos; mas serão como os anjos de Deus no céu.
 +
31. Quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que Deus vos disse:
 +
32. Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó (Ex 3,6)? Ora, ele não é Deus dos mortos, mas Deus dos vivos.
 +
33. E, ouvindo esta doutrina, as turbas se enchiam de grande admiração.
 +
34. Sabendo os fariseus que Jesus reduzira ao silêncio os saduceus, reuniram-se
 +
35. e um deles, doutor da lei, fez-lhe esta pergunta para pô-lo à prova:
 +
36. Mestre, qual é o maior mandamento da lei?
 +
37. Respondeu Jesus: Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito (Dt 6,5).
 +
38. Este é o maior e o primeiro mandamento.
 +
39. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18).
 +
40. Nesses dois mandamentos se resumem toda a lei e os profetas.
 +
41. Como os fariseus se agrupassem, Jesus interrogou-os:
 +
42. Que pensais vós de Cristo? De quem é filho? Responderam: De Davi!
 +
43. Como então, prosseguiu Jesus, Davi, falando sob inspiração do Espírito, chama-o Senhor, dizendo:
 +
44. O Senhor disse a meu Senhor: Senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos por escabelo dos teus pés (Sl 109,1)?
 +
45. Se, pois, Davi o chama Senhor, como é ele seu filho?
 +
46. Ninguém pôde responder-lhe nada. E, depois daquele dia, ninguém mais ousou interrogá-lo.
  
=====<font size="3">'''Ressurreição de uma mulher em Jope'''</font>=====
+
'''36.''' Em Jope havia uma discípula chamada Tabita - em grego, Dorcas. Esta era rica em boas obras e esmolas que dava.
+
Capítulo 23
'''37.''' Aconteceu que adoecera naqueles dias e veio a falecer. Depois de a terem lavado, levaram-na para o quarto de cima.
+
 
'''38.''' Ora, como Lida fica perto de Jope, os discípulos, ouvindo dizer que Pedro aí se encontrava, enviaram-lhe dois homens, rogando-lhe: Não te demores em vir ter conosco.
+
1. Dirigindo-se, então, Jesus à multidão e aos seus discípulos,disse:
'''39.''' Pedro levantou-se imediatamente e foi com eles. Logo que chegou, conduziram-no ao quarto de cima. Cercavam-no todas as viúvas, chorando e mostrando-lhe as túnicas e os vestidos que Dorcas lhes fazia quando viva.
+
2. Os escribas e os fariseus sentaram-se na cadeira de Moisés.
'''40.''' Pedro então, tendo feito todos sair, pôs-se de joelhos e orou. Voltando-se para o corpo, disse: Tabita, levanta-te! Ela abriu os olhos e, vendo Pedro, sentou-se.
+
3. Observai e fazei tudo o que eles dizem, mas não façais como eles, pois dizem e não fazem.
'''41.''' Ele a fez levantar-se, estendendo-lhe a mão. Chamando os irmãos e as viúvas, entregou-lha viva.
+
4. Atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros dos homens, mas não querem movê-los sequer com o dedo.
'''42.''' Este fato espalhou-se por toda Jope e muitos creram no Senhor.
+
5. Fazem todas as suas ações para serem vistos pelos homens, por isso trazem largas faixas e longas franjas nos seus mantos.
'''43.''' Pedro permaneceu ainda muitos dias em Jope, em casa dum curtidor, chamado Simão".
+
6. Gostam dos primeiros lugares nos banquetes e das primeiras cadeiras nas sinagogas.
 +
7. Gostam de ser saudados nas praças públicas e de ser chamados rabi pelos homens.
 +
8. Mas vós não vos façais chamar rabi, porque um só é o vosso preceptor, e vós sois todos irmãos.
 +
9. E a ninguém chameis de pai sobre a terra, porque um só é vosso Pai, aquele que está nos céus.
 +
10. Nem vos façais chamar de mestres, porque só tendes um Mestre, o Cristo.
 +
11. O maior dentre vós será vosso servo.
 +
12. Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado.
 +
13. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Vós fechais aos homens o Reino dos céus. Vós mesmos não entrais e nem deixais que entrem os que querem entrar.
 +
14. [Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Devorais as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Por isso, sereis castigados com muito maior rigor.]
 +
15. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Percorreis mares e terras para fazer um prosélito e, quando o conseguis, fazeis dele um filho do inferno duas vezes pior que vós mesmos.
 +
16. Ai de vós, guias cegos! Vós dizeis: Se alguém jura pelo templo, isto não é nada; mas se jura pelo tesouro do templo, é obrigado pelo seu juramento.
 +
17. Insensatos, cegos! Qual é o maior: o ouro ou o templo que santifica o ouro?
 +
18. E dizeis ainda: Se alguém jura pelo altar, não é nada; mas se jura pela oferta que está sobre ele, é obrigado.
 +
19. Cegos! Qual é o maior: a oferta ou o altar que santifica a oferta?
 +
20. Aquele que jura pelo altar, jura ao mesmo tempo por tudo o que está sobre ele.
 +
21. Aquele que jura pelo templo, jura ao mesmo tempo por aquele que nele habita.
 +
22. E aquele que jura pelo céu, jura ao mesmo tempo pelo trono de Deus, e por aquele que nele está sentado.
 +
23. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia, a fidelidade. Eis o que era preciso praticar em primeiro lugar, sem contudo deixar o restante.
 +
24. Guias cegos! Filtrais um mosquito e engolis um camelo.
 +
25. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Limpais por fora o copo e o prato e por dentro estais cheios de roubo e de intemperança.
 +
26. Fariseu cego! Limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o que está fora fique limpo.
 +
27. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Sois semelhantes aos sepulcros caiados: por fora parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos, de cadáveres e de toda espécie de podridão.
 +
28. Assim também vós: por fora pareceis justos aos olhos dos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade.
 +
29. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Edificais sepulcros aos profetas, adornais os monumentos dos justos
 +
30. e dizeis: Se tivéssemos vivido no tempo de nossos pais, não teríamos manchado nossas mãos como eles no sangue dos profetas...
 +
31. Testemunhais assim contra vós mesmos que sois de fato os filhos dos assassinos dos profetas.
 +
32. Acabai, pois, de encher a medida de vossos pais!
 +
33. Serpentes! Raça de víboras! Como escapareis ao castigo do inferno?
 +
34. Vede, eu vos envio profetas, sábios, doutores. Matareis e crucificareis uns e açoitareis outros nas vossas sinagogas. Persegui-los-eis de cidade em cidade,
 +
35. para que caia sobre vós todos o sangue inocente derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem matastes entre o templo e o altar.
 +
36. Em verdade vos digo: todos esses crimes pesam sobre esta raça.
 +
37. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas aqueles que te são enviados! Quantas vezes eu quis reunir teus filhos, como a galinha reúne seus pintinhos debaixo de suas asas... e tu não quiseste!
 +
38. Pois bem, a vossa casa vos é deixada deserta.
 +
39. Porque eu vos digo: já não me vereis de hoje em diante, até que digais: Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor.
 +
 
 +
 +
Capítulo 24
 +
 
 +
1. Ao sair do templo, os discípulos aproximaram-se de Jesus e fizeram-no apreciar as construções.
 +
2. Jesus, porém, respondeu-lhes: Vedes todos estes edifícios? Em verdade vos declaro: não ficará aqui pedra sobre pedra; tudo será destruído.
 +
3. Indo ele assentar-se no monte das Oliveiras, achegaram-se os discípulos e, estando a sós com ele, perguntaram-lhe: Quando acontecerá isto? E qual será o sinal de tua volta e do fim do mundo?
 +
4. Respondeu-lhes Jesus: Cuidai que ninguém vos seduza.
 +
5. Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu o Cristo. E seduzirão a muitos.
 +
6. Ouvireis falar de guerras e de rumores de guerra. Atenção: que isso não vos perturbe, porque é preciso que isso aconteça. Mas ainda não será o fim.
 +
7. Levantar-se-á nação contra nação, reino contra reino, e haverá fome, peste e grandes desgraças em diversos lugares.
 +
8. Tudo isto será apenas o início das dores.
 +
9. Então sereis entregues aos tormentos, matar-vos-ão e sereis por minha causa objeto de ódio para todas as nações.
 +
10. Muitos sucumbirão, trair-se-ão mutuamente e mutuamente se odiarão.
 +
11. Levantar-se-ão muitos falsos profetas e seduzirão a muitos.
 +
12. E, ante o progresso crescente da iniqüidade, a caridade de muitos esfriará.
 +
13. Entretanto, aquele que perseverar até o fim será salvo.
 +
14. Este Evangelho do Reino será pregado pelo mundo inteiro para servir de testemunho a todas as nações, e então chegará o fim.
 +
15. Quando virdes estabelecida no lugar santo a abominação da desolação que foi predita pelo profeta Daniel (9,27) - o leitor entenda bem -
 +
16. então os habitantes da Judéia fujam para as montanhas.
 +
17. Aquele que está no terraço da casa não desça para tomar o que está em sua casa.
 +
18. E aquele que está no campo não volte para buscar suas vestimentas.
 +
19. Ai das mulheres que estiverem grávidas ou amamentarem naqueles dias!
 +
20. Rogai para que vossa fuga não seja no inverno, nem em dia de sábado;
 +
21. porque então a tribulação será tão grande como nunca foi vista, desde o começo do mundo até o presente, nem jamais será.
 +
22. Se aqueles dias não fossem abreviados, criatura alguma escaparia; mas por causa dos escolhidos, aqueles dias serão abreviados.
 +
23. Então se alguém vos disser: Eis, aqui está o Cristo! Ou: Ei-lo acolá!, não creiais.
 +
24. Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão milagres a ponto de seduzir, se isto fosse possível, até mesmo os escolhidos.
 +
25. Eis que estais prevenidos.
 +
26. Se, pois, vos disserem: Vinde, ele está no deserto, não saiais. Ou: Lá está ele em casa, não o creiais.
 +
27. Porque, como o relâmpago parte do oriente e ilumina até o ocidente, assim será a volta do Filho do Homem.
 +
28. Onde houver um cadáver, aí se ajuntarão os abutres.
 +
29. Logo após estes dias de tribulação, o sol escurecerá, a lua não terá claridade, cairão do céu as estrelas e as potências dos céus serão abaladas.
 +
30. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem. Todas as tribos da terra baterão no peito e verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu cercado de glória e de majestade.
 +
31. Ele enviará seus anjos com estridentes trombetas, e juntarão seus escolhidos dos quatro ventos, duma extremidade do céu à outra.
 +
32. Compreendei isto pela comparação da figueira: quando seus ramos estão tenros e crescem as folhas, pressentis que o verão está próximo.
 +
33. Do mesmo modo, quando virdes tudo isto, sabei que o Filho do Homem está próximo, à porta.
 +
34. Em verdade vos declaro: não passará esta geração antes que tudo isto aconteça.
 +
35. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão.
 +
36. Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém o sabe, nem mesmo os anjos do céu, mas somente o Pai.
 +
37. Assim como foi nos tempos de Noé, assim acontecerá na vinda do Filho do Homem.
 +
38. Nos dias que precederam o dilúvio, comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca.
 +
39. E os homens de nada sabiam, até o momento em que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim será também na volta do Filho do Homem.
 +
40. Dois homens estarão no campo: um será tomado, o outro será deixado.
 +
41. Duas mulheres estarão moendo no mesmo moinho: uma será tomada a outra será deixada.
 +
42. Vigiai, pois, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor.
 +
43. Sabei que se o pai de família soubesse em que hora da noite viria o ladrão, vigiaria e não deixaria arrombar a sua casa.
 +
44. Por isso, estai também vós preparados porque o Filho do Homem virá numa hora em que menos pensardes.
 +
45. Quem é, pois, o servo fiel e prudente que o Senhor constituiu sobre os de sua família, para dar-lhes o alimento no momento oportuno?
 +
46. Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, na sua volta, encontrar procedendo assim!
 +
47. Em verdade vos digo: ele o estabelecerá sobre todos os seus bens.
 +
48. Mas, se é um mau servo que imagina consigo:
 +
49. - Meu senhor tarda a vir, e se põe a bater em seus companheiros e a comer e a beber com os ébrios,
 +
50. o senhor desse servo virá no dia em que ele não o espera e na hora em que ele não sabe,
 +
51. e o despedirá e o mandará ao destino dos hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes.
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Capítulo 25
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1. Então o Reino dos céus será semelhante a dez virgens, que saíram com suas lâmpadas ao encontro do esposo.
 +
2. Cinco dentre elas eram tolas e cinco, prudentes.
 +
3. Tomando suas lâmpadas, as tolas não levaram óleo consigo.
 +
4. As prudentes, todavia, levaram de reserva vasos de óleo junto com as lâmpadas.
 +
5. Tardando o esposo, cochilaram todas e adormeceram.
 +
6. No meio da noite, porém, ouviu-se um clamor: Eis o esposo, ide-lhe ao encontro.
 +
7. E as virgens levantaram-se todas e prepararam suas lâmpadas.
 +
8. As tolas disseram às prudentes: Dai-nos de vosso óleo, porque nossas lâmpadas se estão apagando.
 +
9. As prudentes responderam: Não temos o suficiente para nós e para vós; é preferível irdes aos vendedores, a fim de o comprardes para vós.
 +
10. Ora, enquanto foram comprar, veio o esposo. As que estavam preparadas entraram com ele para a sala das bodas e foi fechada a porta.
 +
11. Mais tarde, chegaram também as outras e diziam: Senhor, senhor, abre-nos!
 +
12. Mas ele respondeu: Em verdade vos digo: não vos conheço!
 +
13. Vigiai, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora.
 +
14. Será também como um homem que, tendo de viajar, reuniu seus servos e lhes confiou seus bens.
 +
15. A um deu cinco talentos; a outro, dois; e a outro, um, segundo a capacidade de cada um. Depois partiu.
 +
16. Logo em seguida, o que recebeu cinco talentos negociou com eles; fê-los produzir, e ganhou outros cinco.
 +
17. Do mesmo modo, o que recebeu dois, ganhou outros dois.
 +
18. Mas, o que recebeu apenas um, foi cavar a terra e escondeu o dinheiro de seu senhor.
 +
19. Muito tempo depois, o senhor daqueles servos voltou e pediu-lhes contas.
 +
20. O que recebeu cinco talentos, aproximou-se e apresentou outros cinco: - Senhor, disse-lhe, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco que ganhei.'
 +
21. Disse-lhe seu senhor: - Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor.
 +
22. O que recebeu dois talentos, adiantou-se também e disse: - Senhor, confiaste-me dois talentos; eis aqui os dois outros que lucrei.
 +
23. Disse-lhe seu senhor: - Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor.
 +
24. Veio, por fim, o que recebeu só um talento: - Senhor, disse-lhe, sabia que és um homem duro, que colhes onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste.
 +
25. Por isso, tive medo e fui esconder teu talento na terra. Eis aqui, toma o que te pertence.
 +
26. Respondeu-lhe seu senhor: - Servo mau e preguiçoso! Sabias que colho onde não semeei e que recolho onde não espalhei.
 +
27. Devias, pois, levar meu dinheiro ao banco e, à minha volta, eu receberia com os juros o que é meu.
 +
28. Tirai-lhe este talento e dai-o ao que tem dez.
 +
29. Dar-se-á ao que tem e terá em abundância. Mas ao que não tem, tirar-se-á mesmo aquilo que julga ter.
 +
30. E a esse servo inútil, jogai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.
 +
31. Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso.
 +
32. Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.
 +
33. Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda.
 +
34. Então o Rei dirá aos que estão à direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo,
 +
35. porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes;
 +
36. nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim.
 +
37. Perguntar-lhe-ão os justos: - Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber?
 +
38. Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos?
 +
39. Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar?
 +
40. Responderá o Rei: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes.
 +
41. Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: - Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos.
 +
42. Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber;
 +
43. era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes.
 +
44. Também estes lhe perguntarão: - Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e não te socorremos?
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45. E ele responderá: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer.
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46. E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna.
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Capítulo 26
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1. Quando Jesus acabou todos esses discursos, disse a seus discípulos:
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2. Sabeis que daqui a dois dias será a Páscoa, e o Filho do Homem será traído para ser crucificado.
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3. Então os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo reuniram-se no pátio do sumo sacerdote, chamado Caifás,
 +
4. e deliberaram sobre os meios de prender Jesus por astúcia e de o matar.
 +
5. E diziam: Sobretudo, não seja durante a festa. Poderá haver um tumulto entre o povo.
 +
6. Encontrava-se Jesus em Betânia, na casa de Simão, o leproso.
 +
7. Estando à mesa, aproximou-se dele uma mulher com um vaso de alabastro, cheio de perfume muito caro, e derramou-o na sua cabeça.
 +
8. Vendo isto, os discípulos disseram indignados: Para que este desperdício?
 +
9. Poder-se-ia vender este perfume por um bom preço e dar o dinheiro aos pobres.
 +
10. Jesus ouviu-os e disse-lhes: Por que molestais esta mulher? É uma ação boa o que ela me fez.
 +
11. Pobres vós tereis sempre convosco. A mim, porém, nem sempre me tereis.
 +
12. Derramando esse perfume em meu corpo, ela o fez em vista da minha sepultura.
 +
13. Em verdade eu vos digo: em toda parte onde for pregado este Evangelho pelo mundo inteiro, será contado em sua memória o que ela fez.
 +
14. Então um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes e perguntou-lhes:
 +
15. Que quereis dar-me e eu vo-lo entregarei. Ajustaram com ele trinta moedas de prata.
 +
16. E desde aquele instante, procurava uma ocasião favorável para entregar Jesus.
 +
17. No primeiro dia dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: Onde queres que preparemos a ceia pascal?
 +
18. Respondeu-lhes Jesus: Ide à cidade, à casa de um tal, e dizei-lhe: O Mestre manda dizer-te: Meu tempo está próximo. É em tua casa que celebrarei a Páscoa com meus discípulos.
 +
19. Os discípulos fizeram o que Jesus tinha ordenado e prepararam a Páscoa.
 +
20. Ao declinar da tarde, pôs-se Jesus à mesa com os doze discípulos.
 +
21. Durante a ceia, disse: Em verdade vos digo: um de vós me há de trair.
 +
22. Com profunda aflição, cada um começou a perguntar: Sou eu, Senhor?
 +
23. Respondeu ele: Aquele que pôs comigo a mão no prato, esse me trairá.
 +
24. O Filho do Homem vai, como dele está escrito. Mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído! Seria melhor para esse homem que jamais tivesse nascido!
 +
25. Judas, o traidor, tomou a palavra e perguntou: Mestre, serei eu? Sim, disse Jesus.
 +
26. Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo.
 +
27. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos,
 +
28. porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados.
 +
29. Digo-vos: doravante não beberei mais desse fruto da vinha até o dia em que o beberei de novo convosco no Reino de meu Pai.
 +
30. Depois do canto dos Salmos, dirigiram-se eles para o monte das Oliveiras.
 +
31. Disse-lhes então Jesus: Esta noite serei para todos vós uma ocasião de queda; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersadas (Zc 13,7).
 +
32. Mas, depois da minha Ressurreição, eu vos precederei na Galiléia.
 +
33. Pedro interveio: Mesmo que sejas para todos uma ocasião de queda, para mim jamais o serás.
 +
34. Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo: nesta noite mesma, antes que o galo cante, três vezes me negarás.
 +
35. Respondeu-lhe Pedro: Mesmo que seja necessário morrer contigo, jamais te negarei! E todos os outros discípulos diziam-lhe o mesmo.
 +
36. Retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar.
 +
37. E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se.
 +
38. Disse-lhes, então: Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo.
 +
39. Adiantou-se um pouco e, prostrando-se com a face por terra, assim rezou: Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres.
 +
40. Foi ter então com os discípulos e os encontrou dormindo. E disse a Pedro: Então não pudestes vigiar uma hora comigo...
 +
41. Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.
 +
42. Afastou-se pela segunda vez e orou, dizendo: Meu Pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, faça-se a tua vontade!
 +
43. Voltou ainda e os encontrou novamente dormindo, porque seus olhos estavam pesados.
 +
44. Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras.
 +
45. Voltou então para os seus discípulos e disse-lhes: Dormi agora e repousai! Chegou a hora: o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores...
 +
46. Levantai-vos, vamos! Aquele que me trai está perto daqui.
 +
47. Jesus ainda falava, quando veio Judas, um dos Doze, e com ele uma multidão de gente armada de espadas e cacetes, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo.
 +
48. O traidor combinara com eles este sinal: Aquele que eu beijar, é ele. Prendei-o!
 +
49. Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse: Salve, Mestre. E beijou-o.
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50. Disse-lhe Jesus: É, então, para isso que vens aqui? Em seguida, adiantaram-se eles e lançaram mão em Jesus para prendê-lo.
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51. Mas um dos companheiros de Jesus desembainhou a espada e feriu um servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha.
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52. Jesus, no entanto, lhe disse: Embainha tua espada, porque todos aqueles que usarem da espada, pela espada morrerão.
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53. Crês tu que não posso invocar meu Pai e ele não me enviaria imediatamente mais de doze legiões de anjos?
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54. Mas como se cumpririam então as Escrituras, segundo as quais é preciso que seja assim?
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55. Depois, voltando-se para a turba, falou: Saístes armados de espadas e
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porretes para prender-me, como se eu fosse um malfeitor. Entretanto, todos os dias estava eu sentado entre vós ensinando no templo e não me prendestes.
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56. Mas tudo isto aconteceu porque era necessário que se cumprissem os oráculos dos profetas. Então os discípulos o abandonaram e fugiram.
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57. Os que haviam prendido Jesus levaram-no à casa do sumo sacerdote Caifás, onde estavam reunidos os escribas e os anciãos do povo.
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58. Pedro seguia-o de longe, até o pátio do sumo sacerdote. Entrou e sentou-se junto aos criados para ver como terminaria aquilo.
 +
59. Enquanto isso, os príncipes dos sacerdotes e todo o conselho procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de o levarem à morte.
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60. Mas não o conseguiram, embora se apresentassem muitas falsas testemunhas.
 +
61. Por fim, apresentaram-se duas testemunhas, que disseram: Este homem disse: Posso destruir o templo de Deus e reedificá-lo em três dias.
 +
62. Levantou-se o sumo sacerdote e lhe perguntou: Nada tens a responder ao que essa gente depõe contra ti?
 +
63. Jesus, no entanto, permanecia calado. Disse-lhe o sumo sacerdote: Por Deus vivo, conjuro-te que nos digas se és o Cristo, o Filho de Deus?
 +
64. Jesus respondeu: Sim. Além disso, eu vos declaro que vereis doravante o Filho do Homem sentar-se à direita do Todo-poderoso, e voltar sobre as nuvens do céu.
 +
65. A estas palavras, o sumo sacerdote rasgou suas vestes, exclamando: Que necessidade temos ainda de testemunhas? Acabastes de ouvir a blasfêmia!
 +
66. Qual o vosso parecer? Eles responderam: Merece a morte!
 +
67. Cuspiram-lhe então na face, bateram-lhe com os punhos e deram-lhe tapas,
 +
68. dizendo: Adivinha, ó Cristo: quem te bateu?
 +
69. Enquanto isso, Pedro estava sentado no pátio. Aproximou-se dele uma das servas, dizendo: Também tu estavas com Jesus, o Galileu.
 +
70. Mas ele negou publicamente, nestes termos: Não sei o que dizes.
 +
71. Dirigia-se ele para a porta, a fim de sair, quando outra criada o viu e disse aos que lá estavam: Este homem também estava com Jesus de Nazaré.
 +
72. Pedro, pela segunda vez, negou com juramento: Eu nem conheço tal homem.
 +
73. Pouco depois, os que ali estavam aproximaram-se de Pedro e disseram: Sim, tu és daqueles; teu modo de falar te dá a conhecer.
 +
74. Pedro então começou a fazer imprecações, jurando que nem sequer conhecia tal homem. E, neste momento, cantou o galo.
 +
75. Pedro recordou-se do que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante, negar-me-ás três vezes. E saindo, chorou amargamente.
  
=====<font size="3">'''O centurião Cornélio, primeiro estrangeiro convertido'''</font>=====
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Capítulo 27
  
<font size="5">'''10)'''</font>
+
1. Chegando a manhã, todos os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo reuniram-se em conselho para entregar Jesus à morte.
 +
2. Ligaram-no e o levaram ao governador Pilatos.
 +
3. Judas, o traidor, vendo-o então condenado, tomado de remorsos, foi devolver aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos as trinta moedas de prata,
 +
4. dizendo-lhes: Pequei, entregando o sangue de um justo. Responderam-lhe: Que nos importa? Isto é lá contigo!
 +
5. Ele jogou então no templo as moedas de prata, saiu e foi enforcar-se.
 +
6. Os príncipes dos sacerdotes tomaram o dinheiro e disseram: Não é permitido lançá-lo no tesouro sagrado, porque se trata de preço de sangue.
 +
7. Depois de haverem deliberado, compraram com aquela soma o campo do Oleiro, para que ali se fizesse um cemitério de estrangeiros.
 +
8. Esta é a razão por que aquele terreno é chamado, ainda hoje, Campo de Sangue.
 +
9. Assim se cumpriu a profecia do profeta Jeremias: Eles receberam trinta moedas de prata, preço daquele cujo valor foi estimado pelos filhos de Israel;
 +
10. e deram-no pelo campo do Oleiro, como o Senhor me havia prescrito.
 +
11. Jesus compareceu diante do governador, que o interrogou: És o rei dos judeus? Sim, respondeu-lhe Jesus.
 +
12. Ele, porém, nada respondia às acusações dos príncipes dos sacerdotes e dos anciãos.
 +
13. Perguntou-lhe Pilatos: Não ouves todos os testemunhos que levantam contra ti?
 +
14. Mas, para grande admiração do governador, não quis responder a nenhuma acusação.
 +
15. Era costume que o governador soltasse um preso a pedido do povo em cada festa de Páscoa.
 +
16. Ora, havia naquela ocasião um prisioneiro famoso, chamado Barrabás.
 +
17. Pilatos dirigiu-se ao povo reunido: Qual quereis que eu vos solte: Barrabás ou Jesus, que se chama Cristo?
 +
18. (Ele sabia que tinham entregue Jesus por inveja.)
 +
19. Enquanto estava sentado no tribunal, sua mulher lhe mandou dizer: Nada faças a esse justo. Fui hoje atormentada por um sonho que lhe diz respeito.
 +
20. Mas os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram o povo que pedisse a libertação de Barrabás e fizesse morrer Jesus.
 +
21. O governador tomou então a palavra: Qual dos dois quereis que eu vos solte? Responderam: Barrabás!
 +
22. Pilatos perguntou: Que farei então de Jesus, que é chamado o Cristo? Todos responderam: Seja crucificado!
 +
23. O governador tornou a perguntar: Mas que mal fez ele? E gritavam ainda mais forte: Seja crucificado!
 +
24. Pilatos viu que nada adiantava, mas que, ao contrário, o tumulto crescia. Fez com que lhe trouxessem água, lavou as mãos diante do povo e disse: Sou inocente do sangue deste homem. Isto é lá convosco!
 +
25. E todo o povo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos!
 +
26. Libertou então Barrabás, mandou açoitar Jesus e lho entregou para ser crucificado.
 +
27. Os soldados do governador conduziram Jesus para o pretório e rodearam-no com todo o pelotão.
 +
28. Arrancaram-lhe as vestes e colocaram-lhe um manto escarlate.
 +
29. Depois, trançaram uma coroa de espinhos, meteram-lha na cabeça e puseram-lhe na mão uma vara. Dobrando os joelhos diante dele, diziam com escárnio: Salve, rei dos judeus!
 +
30. Cuspiam-lhe no rosto e, tomando da vara, davam-lhe golpes na cabeça.
 +
31. Depois de escarnecerem dele, tiraram-lhe o manto e entregaram-lhe as vestes. Em seguida, levaram-no para o crucificar.
 +
32. Saindo, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, a quem obrigaram a levar a cruz de Jesus.
 +
33. Chegaram ao lugar chamado Gólgota, isto é, lugar do crânio.
 +
34. Deram-lhe de beber vinho misturado com fel. Ele provou, mas se recusou a beber.
 +
35. Depois de o haverem crucificado, dividiram suas vestes entre si, tirando a sorte. Cumpriu-se assim a profecia do profeta: Repartiram entre si minhas vestes e sobre meu manto lançaram a sorte (Sl 21,19).
 +
36. Sentaram-se e montaram guarda.
 +
37. Por cima de sua cabeça penduraram um escrito trazendo o motivo de sua crucificação: Este é Jesus, o rei dos judeus.
 +
38. Ao mesmo tempo foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita e outro à sua esquerda.
 +
39. Os que passavam o injuriavam, sacudiam a cabeça e diziam:
 +
40. Tu, que destróis o templo e o reconstróis em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!
 +
41. Os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos também zombavam dele:
 +
42. Ele salvou a outros e não pode salvar-se a si mesmo! Se é rei de Israel, desça agora da cruz e nós creremos nele!
 +
43. Confiou em Deus, Deus o livre agora, se o ama, porque ele disse: Eu sou o Filho de Deus!
 +
44. E os ladrões, crucificados com ele, também o ultrajavam.
 +
45. Desde a hora sexta até a nona, cobriu-se toda a terra de trevas.
 +
46. Próximo da hora nona, Jesus exclamou em voz forte: Eli, Eli, lammá sabactáni? - o que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?
 +
47. A estas palavras, alguns dos que lá estavam diziam: Ele chama por Elias.
 +
48. Imediatamente um deles tomou uma esponja, embebeu-a em vinagre e apresentou-lha na ponta de uma vara para que bebesse.
 +
49. Os outros diziam: Deixa! Vejamos se Elias virá socorrê-lo.
 +
50. Jesus de novo lançou um grande brado, e entregou a alma.
 +
51. E eis que o véu do templo se rasgou em duas partes de alto a baixo, a terra tremeu, fenderam-se as rochas.
 +
52. Os sepulcros se abriram e os corpos de muitos justos ressuscitaram.
 +
53. Saindo de suas sepulturas, entraram na Cidade Santa depois da ressurreição de Jesus e apareceram a muitas pessoas.
 +
54. O centurião e seus homens que montavam guarda a Jesus, diante do estremecimento da terra e de tudo o que se passava, disseram entre si, possuídos de grande temor: Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus!
 +
55. Havia ali também algumas mulheres que de longe olhavam; tinham seguido Jesus desde a Galiléia para o servir.
 +
56. Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.
 +
57. À tardinha, um homem rico de Arimatéia, chamado José, que era também discípulo de Jesus,
 +
58. foi procurar Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos cedeu-o.
 +
59. José tomou o corpo, envolveu-o num lençol branco
 +
60. e o depositou num sepulcro novo, que tinha mandado talhar para si na rocha. Depois rolou uma grande pedra à entrada do sepulcro e foi-se embora.
 +
61. Maria Madalena e a outra Maria ficaram lá, sentadas defronte do túmulo.
 +
62. No dia seguinte - isto é, o dia seguinte ao da Preparação -, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus dirigiram-se todos juntos à casa de Pilatos.
 +
63. E disseram-lhe: Senhor, nós nos lembramos de que aquele impostor disse, enquanto vivia: Depois de três dias ressuscitarei.
 +
64. Ordena, pois, que seu sepulcro seja guardado até o terceiro dia. Os seus
 +
discípulos poderiam vir roubar o corpo e dizer ao povo: Ressuscitou dos mortos. E esta última impostura seria pior que a primeira.
 +
65. Respondeu Pilatos: Tendes uma guarda. Ide e guardai-o como o entendeis.
 +
66. Foram, pois, e asseguraram o sepulcro, selando a pedra e colocando guardas.
  
 
   
 
   
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Capítulo 28
 +
 +
1. Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo.
 +
2. E eis que houve um violento tremor de terra: um anjo do Senhor desceu do céu, rolou a pedra e sentou-se sobre ela.
 +
3. Resplandecia como relâmpago e suas vestes eram brancas como a neve.
 +
4. Vendo isto, os guardas pensaram que morreriam de pavor.
 +
5. Mas o anjo disse às mulheres: Não temais! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado.
 +
6. Não está aqui: ressuscitou como disse. Vinde e vede o lugar em que ele repousou.
 +
7. Ide depressa e dizei aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos. Ele vos precede na Galiléia. Lá o haveis de rever, eu vo-lo disse.
 +
8. Elas se afastaram prontamente do túmulo com certo receio, mas ao mesmo tempo com alegria, e correram a dar a boa nova aos discípulos.
 +
9. Nesse momento, Jesus apresentou-se diante delas e disse-lhes: Salve! Aproximaram-se elas e, prostradas diante dele, beijaram-lhe os pés.
 +
10. Disse-lhes Jesus: Não temais! Ide dizer aos meus irmãos que se dirijam à Galiléia, pois é lá que eles me verão.
 +
11. Enquanto elas voltavam, alguns homens da guarda já estavam na cidade para anunciar o acontecimento aos príncipes dos sacerdotes.
 +
12. Reuniram-se estes em conselho com os anciãos. Deram aos soldados uma importante soma de dinheiro, ordenando-lhes:
 +
13. Vós direis que seus discípulos vieram retirá-lo à noite, enquanto dormíeis.
 +
14. Se o governador vier a sabê-lo, nós o acalmaremos e vos tiraremos de dificuldades.
 +
15. Os soldados receberam o dinheiro e seguiram suas instruções. E esta versão é ainda hoje espalhada entre os judeus.
 +
16. Os onze discípulos foram para a Galiléia, para a montanha que Jesus lhes tinha designado.
 +
17. Quando o viram, adoraram-no; entretanto, alguns hesitavam ainda.
 +
18. Mas Jesus, aproximando-se, lhes disse: Toda autoridade me foi dada no céu e na terra.
 +
19. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
 +
20. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.
  
Capítulo 10
+
=====Mc. - Evangelho segundo Marcos=====
  
1. Havia em Cesaréia um homem, por nome Cornélio, centurião da coorte que se chamava Itálica.
+
2. Era religioso; ele e todos os de sua casa eram tementes a Deus. Dava muitas esmolas ao povo e orava constantemente.
+
Capítulo 1
3. Este homem viu claramente numa visão, pela hora nona do dia, aproximar-se dele um anjo de Deus e o chamar: Cornélio!
+
 
4. Cornélio fixou nele os olhos e, possuído de temor, perguntou: Que há, Senhor? O anjo replicou: As tuas orações e as tuas esmolas subiram à presença de Deus como uma oferta de lembrança.
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1. Princípio da boa nova de Jesus Cristo, Filho de Deus. Conforme está escrito no profeta Isaías:
5. Agora envia homens a Jope e faze vir aqui um certo Simão, que tem por sobrenome Pedro.
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2. Eis que envio o meu anjo diante de ti: ele preparará o teu caminho.
6. Ele se acha hospedado em casa de Simão, um curtidor, cuja casa fica junto ao mar.
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3. Uma voz clama no deserto: Traçai o caminho do Senhor, aplanai as suas veredas (Mal 3,1; Is 40,3).
7. Quando se retirou o anjo que lhe falara, chamou dois dos seus criados e um soldado temente ao Senhor, daqueles que estavam às suas ordens.
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4. João Batista apareceu no deserto e pregava um batismo de conversão para a remissão dos pecados.
8. Contou-lhes tudo e enviou-os a Jope.
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5. E saíam para ir ter com ele toda a Judéia, toda Jerusalém, e eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados.
9. No dia seguinte, enquanto estavam em viagem e se aproximavam da cidade - pelo meio-dia -, Pedro subiu ao terraço da casa para fazer oração.
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6. João andava vestido de pêlo de camelo e trazia um cinto de couro em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre.
10. Então, como sentisse fome, quis comer. Mas, enquanto lho preparavam, caiu em êxtase.
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7. Ele pôs-se a proclamar: "Depois de mim vem outro mais poderoso do que eu, ante o qual não sou digno de me prostrar para desatar-lhe a correia do calçado.
11. Viu o céu aberto e descer uma coisa parecida com uma grande toalha que baixava do céu à terra, segura pelas quatro pontas.
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8. Eu vos batizei com água; ele, porém, vos batizará no Espírito Santo."
12. Nela havia de todos os quadrúpedes, dos répteis da terra e das aves do céu.
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9. Ora, naqueles dias veio Jesus de Nazaré, da Galiléia, e foi batizado por João no Jordão.
13. Uma voz lhe falou: Levanta-te, Pedro! Mata e come.
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10. No momento em que Jesus saía da água, João viu os céus abertos e descer o Espírito em forma de pomba sobre ele.
14. Disse Pedro: De modo algum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma profana e impura.
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11. E ouviu-se dos céus uma voz: "Tu és o meu Filho muito amado; em ti ponho minha afeição."
15. Esta voz lhe falou pela segunda vez: O que Deus purificou não chames tu de impuro.
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12. E logo o Espírito o impeliu para o deserto.
16. Isto se repetiu três vezes e logo a toalha foi recolhida ao céu.
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13. Aí esteve quarenta dias. Foi tentado pelo demônio e esteve em companhia dos animais selvagens. E os anjos o serviam.
17. Desconcertado, Pedro refletia consigo mesmo sobre o que significava a visão que tivera, quando os homens, enviados por Cornélio, se apresentaram à porta, perguntando pela casa de Simão.
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14. Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-se para a Galiléia. Pregava o Evangelho de Deus, e dizia:
18. Eles chamaram e indagaram se ali estava hospedado Simão, com o sobrenome Pedro.
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15. "Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho."
19. Enquanto Pedro refletia na visão, disse o Espírito: Eis aí três homens que te procuram.
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16. Passando ao longo do mar da Galiléia, viu Simão e André, seu irmão, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores.
20. Levanta-te! Desce e vai com eles sem hesitar, porque sou eu quem os enviou.
+
17. Jesus disse-lhes: "Vinde após mim; eu vos farei pescadores de homens."
21. Pedro desceu ao encontro dos homens e disse-lhes: Aqui me tendes, sou eu a quem buscais. Qual é o motivo por que viestes aqui?
+
18. Eles, no mesmo instante, deixaram as redes e seguiram-no.
22. Responderam: O centurião Cornélio, homem justo e temente a Deus, o qual goza de excelente reputação entre todos os judeus, recebeu dum santo anjo o aviso de te mandar chamar à sua casa e de ouvir as tuas palavras.
+
19. Uns poucos passos mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam numa barca, consertando as redes. E chamou-os logo.
23. Então Pedro os mandou entrar e hospedou-os. No dia seguinte, levantou-se e partiu com eles, e alguns dos irmãos de Jope o acompanharam.
+
20. Eles deixaram na barca seu pai Zebedeu com os empregados e o seguiram.
24. No outro dia chegaram a Cesaréia. Cornélio os estava esperando, tendo convidado os seus parentes e amigos mais íntimos.
+
21. Dirigiram-se para Cafarnaum. E já no dia de sábado, Jesus entrou na sinagoga e pôs-se a ensinar.
25. Quando Pedro estava para entrar, Cornélio saiu a recebê-lo e prostrou-se aos seus pés para adorá-lo.
+
22. Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.
26. Pedro, porém, o ergueu, dizendo: Levanta-te! Também eu sou um homem!
+
23. Ora, na sinagoga deles achava-se um homem possesso de um espírito imundo, que gritou:
27. E, falando com ele, entrou e achou ali muitas pessoas que se tinham reunido e disse:
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24. "Que tens tu conosco, Jesus de Nazaré? Vieste perder-nos? Sei quem és: o Santo de Deus!
28. Vós sabeis que é proibido a um judeu aproximar-se dum estrangeiro ou ir à sua casa. Todavia, Deus me mostrou que nenhum homem deve ser considerado profano ou impuro.
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25. Mas Jesus intimou-o, dizendo: "Cala-te, sai deste homem!"
29. Por isso vim sem hesitar, logo que fui chamado. Pergunto, pois, por que motivo me chamastes.
+
26. O espírito imundo agitou-o violentamente e, dando um grande grito, saiu.
30. Disse Cornélio: Faz hoje quatro dias que estava eu a orar em minha casa, à hora nona, quando se pôs diante de mim um homem com vestes resplandecentes, que disse:
+
27. Ficaram todos tão admirados, que perguntavam uns aos outros: "Que é isto? Eis um ensinamento novo, e feito com autoridade; além disso, ele manda até nos espíritos imundos e lhe obedecem!"
31. Cornélio, a tua oração foi atendida e Deus se lembrou de tuas esmolas.
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28. A sua fama divulgou-se logo por todos os arredores da Galiléia.
32. Envia alguém a Jope e manda vir Simão, que tem por sobrenome Pedro. Está hospedado perto do mar em casa do curtidor Simão.
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29. Assim que saíram da sinagoga, dirigiram-se com Tiago e João à casa de Simão e André.
33. Por isso mandei chamar-te logo e felicito-te por teres vindo. Agora, pois, eis-nos todos reunidos na presença de Deus para ouvir tudo o que Deus te ordenou de nos dizer.
+
30. A sogra de Simão estava de cama, com febre; e sem tardar, falaram-lhe a respeito dela.
34. Então Pedro tomou a palavra e disse: Em verdade, reconheço que Deus não faz distinção de pessoas,
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31. Aproximando-se ele, tomou-a pela mão e levantou-a; imediatamente a febre a deixou e ela pôs-se a servi-los.
35. mas em toda nação lhe é agradável aquele que o temer e fizer o que é justo.
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32. À tarde, depois do pôr-do-sol, levaram-lhe todos os enfermos e possessos do demônio.
36. Deus enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando-lhes a boa nova da paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos.
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33. Toda a cidade estava reunida diante da porta.
37. Vós sabeis como tudo isso aconteceu na Judéia, depois de ter começado na Galiléia, após o batismo que João pregou.
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34. Ele curou muitos que estavam oprimidos de diversas doenças, e expulsou muitos demônios. Não lhes permitia falar, porque o conheciam.
38. Vós sabeis como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com o poder, como ele andou fazendo o bem e curando todos os oprimidos do demônio, porque Deus estava com ele.
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35. De manhã, tendo-se levantado muito antes do amanhecer, ele saiu e foi para um lugar deserto, e ali se pôs em oração.
39. E nós somos testemunhas de tudo o que fez na terra dos judeus e em Jerusalém. Eles o mataram, suspendendo-o num madeiro.
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36. Simão e os seus companheiros saíram a procurá-lo.
40. Mas Deus o ressuscitou ao terceiro dia e permitiu que aparecesse,
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37. Encontraram-no e disseram-lhe: "Todos te procuram."
41. não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia predestinado, a nós que comemos e bebemos com ele, depois que ressuscitou.
+
38. E ele respondeu-lhes: "Vamos às aldeias vizinhas, para que eu pregue também lá, pois, para isso é que vim."
42. Ele nos mandou pregar ao povo e testemunhar que é ele quem foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos.
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39. Ele retirou-se dali, pregando em todas as sinagogas e por toda a Galiléia, e expulsando os demônios.
43. Dele todos os profetas dão testemunho, anunciando que todos os que nele crêem recebem o perdão dos pecados por meio de seu nome.
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40. Aproximou-se dele um leproso, suplicando-lhe de joelhos: "Se queres, podes limpar-me."
44. Estando Pedro ainda a falar, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a (santa) palavra.
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41. Jesus compadeceu-se dele, estendeu a mão, tocou-o e lhe disse: "Eu quero, sê curado."
45. Os fiéis da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, profundamente se admiraram, vendo que o dom do Espírito Santo era derramado também sobre os pagãos;
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42. E imediatamente desapareceu dele a lepra e foi purificado.
46. pois eles os ouviam falar em outras línguas e glorificar a Deus.
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43. Jesus o despediu imediatamente com esta severa admoestação:
47. Então Pedro tomou a palavra: Porventura pode-se negar a água do batismo a estes que receberam o Espírito Santo como nós?
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44. "Vê que não o digas a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e apresenta, pela tua purificação, a oferenda prescrita por Moisés para lhe servir de testemunho."
48. E mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Rogaram-lhe então que ficasse com eles por alguns dias.
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45. Este homem, porém, logo que se foi, começou a propagar e divulgar o acontecido, de modo que Jesus não podia entrar publicamente numa cidade. Conservava-se fora, nos lugares despovoados; e de toda parte vinham ter com ele.
  
 
   
 
   
Capítulo 11
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Capítulo 2
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1. Alguns dias depois, Jesus entrou novamente em Cafarnaum e souberam que ele estava em casa.
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2. Reuniu-se uma tal multidão, que não podiam encontrar lugar nem mesmo junto à porta. E ele os instruía.
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3. Trouxeram-lhe um paralítico, carregado por quatro homens.
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4. Como não pudessem apresentar-lho por causa da multidão, descobriram o teto por cima do lugar onde Jesus se achava e, por uma abertura, desceram o leito em que jazia o paralítico.
 +
5. Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: "Filho, perdoados te são os pecados."
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6. Ora, estavam ali sentados alguns escribas, que diziam uns aos outros:
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7. "Como pode este homem falar assim? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados senão Deus?"
 +
8. Mas Jesus, penetrando logo com seu espírito tios seus íntimos pensamentos, disse-lhes: "Por que pensais isto nos vossos corações?
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9. Que é mais fácil dizer ao paralítico: Os pecados te são perdoados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda?
 +
10. Ora, para que conheçais o poder concedido ao Filho dó homem sobre a terra (disse ao paralítico),
 +
11. eu te ordeno: levanta-te, toma o teu leito e vai para casa."
 +
12. No mesmo instante, ele se levantou e, tomando o. leito, foi-se embora à vista de todos. A, multidão inteira encheu-se de profunda admiração e puseram-se a louvar a Deus, dizendo: "Nunca vimos coisa semelhante."
 +
13. Jesus saiu de novo para perto do mar e toda a multidão foi ter com ele, e ele os ensinava.
 +
14. Quando ia passando, viu Levi, filho de Alfeu, sentado no posto da arrecadação e disse-lhe: "Segue-me." E Levi, levantando-se, seguiu-o.
 +
15. Em seguida, pôs-se à mesa na sua casa e muitos cobradores de impostos e pecadores tomaram lugar com ele e seus discípulos; com efeito, eram numerosos os que o seguiam.
 +
16. Os escribas, do partido dos fariseus,. vendo-o comer com as pessoas de má vida e publicamos, diziam aos seus discípulos: "Ele come com os publicamos e com gente de má vida? "
 +
17. Ouvindo-os, Jesus replicou: "Os sãos não precisam de médico, mas os enfermos; não vim chamar os justos, mas os pecadores."
 +
18. Ora, os discípulos de João e os fariseus jejuavam. Por isso, foram-lhe perguntar: "Por que jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, mas os teus discípulos não jejuam?"
 +
19. Jesus respondeu-lhes: "Podem porventura jejuar os convidados das núpcias, enquanto está com eles o esposo? Enquanto têm consigo o esposo, não lhes é -possível jejuar.
 +
20. Dias virão, porém, em que o esposo lhes será tirado, e então jejuarão.
 +
21. "Ninguém prega retalho de pano novo em roupa velha; do contrário, o remendo arranca novo pedaço da veste usada e torna-se pior o rasgão.
 +
22. E ninguém põe vinho novo em odres velhos; se o fizer, o vinho os arrebentará e perder-se-á juntamente com os odres mas para vinho novo, odres novos."
 +
23. Num dia de sábado, o Senhor caminhava pelos campos e seus discípulos, andando, começaram a colher espigas.
 +
24. Os fariseus observaram-lhe: "Vede! Por que fazem eles no sábado o que não é permitido?" Jesus respondeu-lhes:
 +
25. "Nunca lestes o que fez Davi, quando se achou em necessidade e teve fome, ele e os seus companheiros?
 +
26. Ele entrou na casa de Deus, sendo Abiatar príncipe dos sacerdotes, e comeu os pães da proposição, dos quais só aos sacerdotes era permitido comer, e os deu aos seus companheiros."
 +
27. E dizia-lhes: "O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado;
 +
28. e, para dizer tudo, o Filho do homem é senhor também do sábado."
  
1. Os apóstolos e os irmãos da Judéia ouviram dizer que também os pagãos haviam recebido a palavra de Deus.
+
2. E, quando Pedro subiu a Jerusalém, os fiéis que eram da circuncisão repreenderam-no:
+
Capítulo 3
3. Por que entraste em casa de incircuncisos e comeste com eles?
+
 
4. Mas Pedro fez-lhes uma exposição de tudo o que acontecera, dizendo:
+
1. Noutra vez, entrou ele na sinagoga e achava-se ali um homem que tinha a mão seca.
5. Eu estava orando na cidade de Jope e, arrebatado em espírito, tive uma visão: uma coisa, à maneira duma grande toalha, presa pelas quatro pontas, descia do céu até perto de mim.
+
2. Ora, estavam-no observando se o curaria no dia de sábado, para o acusarem.
6. Olhei-a atentamente e distingui claramente quadrúpedes terrestres, feras, répteis e aves do céu.
+
3. Ele diz ao homem da mão seca: "Vem para o meio."
7. Ouvi também uma voz que me dizia: Levanta-te, Pedro! Mata e come.
+
4. Então lhes pergunta: "É permitido fazer o bem ou o mal no sábado? Salvar uma vida ou matar?" Mas eles se calavam.
8. Eu, porém, disse: De nenhum modo, Senhor, pois nunca entrou em minha boca coisa profana ou impura.
+
5. Então, relanceando um olhar indignado sobre eles, e contristado com a dureza de seus corações, diz ao homem: "Estende tua mão!" Ele estendeu-a e a mão foi curada.
9. Outra vez falou a voz do céu: O que Deus purificou não chames tu de impuro.
+
6. Saindo os fariseus dali, deliberaram logo com os herodianos como o haviam de perder.  
10. Isto aconteceu três vezes e tudo tornou a ser levado ao céu.
+
7. Jesus retirou-se com os seus discípulos para o mar, e seguia-o uma grande multidão, vinda da Galiléia.
11. Nisso chegaram três homens à casa onde eu estava, enviados a mim de Cesaréia.
+
8. E da Judéia, de Jerusalém, da Iduméia, do além-Jordão e dos arredores de Tiro e de Sidônia veio a ele uma grande multidão, ao ouvir o que ele fazia.
12. O Espírito me disse que fosse com eles sem hesitar. Foram comigo também os seis irmãos aqui presentes e entramos na casa de Cornélio.
+
9. Ele ordenou a seus discípulos que lhe aprontassem uma barca, para que a multidão não o comprimisse.
13. Este nos referiu então como em casa tinha visto um anjo diante de si, que lhe dissera: Envia alguém a Jope e chama Simão, que tem por sobrenome Pedro.
+
10. Curou a muitos, de modo que todos os que padeciam de algum mal se arrojavam a ele para o tocar.
14. Ele te dirá as palavras pelas quais serás salvo tu e toda a tua casa.
+
11. Quando os espíritos imundos o viam, prostravam-se diante dele e gritavam: Tu és o Filho de Deus!
15. Apenas comecei a falar, quando desceu o Espírito Santo sobre eles, como no princípio descera também sobre nós.
+
12. Ele os proibia severamente que o dessem a conhecer.
16. Lembrei-me então das palavras do Senhor, quando disse: João batizou em água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo.
+
13. Depois, subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram a ele.
17. Pois, se Deus lhes deu a mesma graça que a nós, que cremos no Senhor Jesus Cristo, com que direito me oporia eu a Deus?
+
14. Designou doze dentre eles para ficar em sua companhia.
18. Depois de terem ouvido essas palavras, eles se calaram e deram glória a Deus, dizendo: Portanto, também aos pagãos concedeu Deus o arrependimento que conduz à vida!
+
15. Ele os enviaria a pregar, com o poder de expulsar os demônios.
19. Entretanto, aqueles que foram dispersados pela perseguição que houve no tempo de Estêvão chegaram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, pregando a palavra só aos judeus.
+
16. Escolheu estes doze: Simão, a quem pôs o nome de Pedro;
20. Alguns deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene, entrando em Antioquia, dirigiram-se também aos gregos, anunciando-lhes o Evangelho do Senhor Jesus.
+
17. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais pôs o nome de Boanerges, que quer dizer Filhos do Trovão.
21. A mão do Senhor estava com eles e grande foi o número dos que receberam a fé e se converteram ao Senhor.
+
18. Ele escolheu também André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Tadeu, Simão, o Zelador;
22. A notícia dessas coisas chegou aos ouvidos da Igreja de Jerusalém. Enviaram então Barnabé até Antioquia.
+
19. e Judas Iscariotes, que o entregou.
23. Ao chegar lá, alegrou-se, vendo a graça de Deus, e a todos exortava a perseverar no Senhor com firmeza de coração,
+
20. Dirigiram-se em seguida a uma casa. Aí afluiu de novo tanta gente, que nem podiam tomar alimento.
24. pois era um homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé. Assim uma grande multidão uniu-se ao Senhor.
+
21. Quando os seus o souberam, saíram para o reter; pois diziam: "Ele está fora de si."
25. Em seguida, partiu Barnabé para Tarso, à procura de Saulo. Achou-o e levou-o para Antioquia.
+
22. Também os escribas, que haviam descido de Jerusalém, diziam: "Ele está possuído de Beelzebul: é pelo príncipe dos demônios que ele expele os demônios."
26. Durante um ano inteiro eles tomaram parte nas reuniões da comunidade e instruíram grande multidão, de maneira que em Antioquia é que os discípulos, pela primeira vez, foram chamados pelo nome de cristãos.
+
23. Mas, havendo-os convocado, dizia-lhes em parábolas: "Como pode Satanás expulsar a Satanás?
27. Por aqueles dias desceram alguns profetas de Jerusalém a Antioquia.
+
24. Pois, se um reino estiver dividido contra si mesmo, não pode durar.
28. Um deles, chamado Ágabo, levantou-se e deu a entender pelo Espírito que haveria uma grande fome em toda a terra. Esta, com efeito, veio no reinado de Cláudio.
+
25. E se uma casa está dividida contra si mesma, tal casa não pode permanecer.
29. Os discípulos resolveram, cada um conforme as suas posses, enviar socorro aos irmãos da Judéia.
+
26. E se Satanás se levanta contra si mesmo, está dividido e não poderá continuar, mas desaparecerá.
30. Assim o fizeram e o enviaram aos anciãos por intermédio de Barnabé e Saulo.
+
27. Ninguém pode entrar na casa do homem forte e roubar-lhe os bens, se antes não o prender; e então saqueará sua casa.
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28. "Em verdade vos digo: todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, mesmo as suas blasfêmias;
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29. mas todo o que tiver blasfemado contra o Espírito Santo jamais terá perdão, mas será culpado de um pecado eterno."
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30. Jesus falava assim porque tinham dito: "Ele tem um espírito imundo."
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31. Chegaram sua mãe e seus irmãos e, estando do lado de fora, mandaram chamá-lo.
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32. Ora, a multidão estava sentada ao redor dele; e disseram-lhe: "Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e te procuram."
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33. Ele respondeu-lhes: "Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?"
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34. E, correndo o olhar sobre a multidão, que estava sentada ao redor dele, disse: "Eis aqui minha mãe e meus irmãos.
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35. Aquele que faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe."
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Capítulo 4
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1. Jesus pôs-se novamente a ensinar, à beira do mar, e aglomerou-se junto dele tão grande multidão, que ele teve de entrar numa barca, no mar, e toda a multidão ficou em terra na praia.
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2. E ensinava-lhes muitas coisas em parábolas. Dizia-lhes na sua doutrina:
 +
3. Ouvi: Saiu o semeador a semear.
 +
4. Enquanto lançava a semente, uma parte caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a comeram.
 +
5. Outra parte caiu no pedregulho, onde não havia muita terra; o grão germinou logo, porque a terra não era profunda;
 +
6. mas, assim que o sol despontou, queimou-se e, como não tivesse raiz, secou.
 +
7. Outra parte caiu entre os espinhos; estes cresceram, sufocaram-na e o grão não deu fruto.
 +
8. Outra caiu em terra boa e deu fruto, cresceu e desenvolveu-se; um grão rendeu trinta, outro sessenta e outro cem.
 +
9. E dizia: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!
 +
10. Quando se acharam a sós, os que o cercavam e os Doze indagaram dele o sentido da parábola.
 +
11. Ele disse-lhes: A vós é revelado o mistério do Reino de Deus, mas aos que são de fora tudo se lhes propõe em parábolas.
 +
12. Desse modo, eles olham sem ver, escutam sem compreender, sem que se convertam e lhes seja perdoado.
 +
13. E acrescentou: Não entendeis essa parábola? Como entendereis então todas as outras?
 +
14. O semeador semeia a palavra.
 +
15. Alguns se encontram à beira do caminho, onde ela é semeada; apenas a ouvem, vem Satanás tirar a palavra neles semeada.
 +
16. Outros recebem a semente em lugares pedregosos; quando a ouvem, recebem-na com alegria;
 +
17. mas não têm raiz em si, são inconstantes, e assim que se levanta uma tribulação ou uma perseguição por causa da palavra, eles tropeçam.
 +
18. Outros ainda recebem a semente entre os espinhos; ouvem a palavra,
 +
19. mas as preocupações mundanas, a ilusão das riquezas, as múltiplas cobiças sufocam-na e a tornam infrutífera.
 +
20. Aqueles que recebem a semente em terra boa escutam a palavra, acolhem-na e dão fruto, trinta, sessenta e cem por um.
 +
21. Dizia-lhes ainda: Traz-se porventura a candeia para ser colocada debaixo do alqueire ou debaixo da cama? Não é para ser posta no candeeiro?
 +
22. Porque nada há oculto que não deva ser descoberto, nada secreto que não deva ser publicado.
 +
23. Se alguém tem ouvidos para ouvir, que ouça.
 +
24. Ele prosseguiu: Atendei ao que ouvis: com a medida com que medirdes, vos medirão a vós, e ainda se vos acrescentará.
 +
25. Pois, ao que tem, se lhe dará; e ao que não tem, se lhe tirará até o que tem.
 +
26. Dizia também: O Reino de Deus é como um homem que lança a semente à terra.
 +
27. Dorme, levanta-se, de noite e de dia, e a semente brota e cresce, sem ele o perceber.
 +
28. Pois a terra por si mesma produz, primeiro a planta, depois a espiga e, por último, o grão abundante na espiga.
 +
29. Quando o fruto amadurece, ele mete-lhe a foice, porque é chegada a colheita.
 +
30. Dizia ele: A quem compararemos o Reino de Deus? Ou com que parábola o representaremos?
 +
31. É como o grão de mostarda que, quando é semeado, é a menor de todas as sementes.
 +
32. Mas, depois de semeado, cresce, torna-se maior que todas as hortaliças e estende de tal modo os seus ramos, que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra.
 +
33. Era por meio de numerosas parábolas desse gênero que ele lhes anunciava a palavra, conforme eram capazes de compreender.
 +
34. E não lhes falava, a não ser em parábolas; a sós, porém, explicava tudo a seus discípulos.
 +
35. À tarde daquele dia, disse-lhes: Passemos para o outro lado.
 +
36. Deixando o povo, levaram-no consigo na barca, assim como ele estava. Outras embarcações o escoltavam.
 +
37. Nisto surgiu uma grande tormenta e lançava as ondas dentro da barca, de modo que ela já se enchia de água.
 +
38. Jesus achava-se na popa, dormindo sobre um travesseiro. Eles acordaram-no e disseram-lhe: Mestre, não te importa que pereçamos?
 +
39. E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Silêncio! Cala-te! E cessou o vento e seguiu-se grande bonança.
 +
40. Ele disse-lhes: Como sois medrosos! Ainda não tendes fé?
 +
41. Eles ficaram penetrados de grande temor e cochichavam entre si: Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?
  
 
   
 
   
Capítulo 12
+
Capítulo 5
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1. Passaram à outra margem do lago, ao território dos gerasenos.
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2. Assim que saíram da barca, um homem possesso do espírito imundo saiu do cemitério
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3. onde tinha seu refúgio e veio-lhe ao encontro. Não podiam atá-lo nem com cadeia, mesmo nos sepulcros,
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4. pois tinha sido ligado muitas vezes com grilhões e cadeias, mas os despedaçara e ninguém o podia subjugar.
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5. Sempre, dia e noite, andava pelos sepulcros e nos montes, gritando e ferindo-se com pedras.
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6. Vendo Jesus de longe, correu e prostrou-se diante dele, gritando em alta voz:
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7. Que queres de mim, Jesus, Filho do Deus Altíssimo?Conjuro-te por Deus, que não me atormentes.
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8. É que Jesus lhe dizia: Espírito imundo, sai deste homem!
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9. Perguntou-lhe Jesus: Qual é o teu nome? Respondeu-lhe: Legião é o meu nome, porque somos muitos.
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10. E pediam-lhe com instância que não os lançasse fora daquela região.
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11. Ora, uma grande manada de porcos andava pastando ali junto do monte.
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12. E os espíritos suplicavam-lhe: Manda-nos para os porcos, para entrarmos neles.
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13. Jesus lhos permitiu. Então os espíritos imundos, tendo saído, entraram nos porcos; e a manada, de uns dois mil, precipitou-se no mar, afogando-se.
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14. Fugiram os pastores e narraram o fato na cidade e pelos arredores. Então saíram a ver o que tinha acontecido.
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15. Aproximaram-se de Jesus e viram o possesso assentado, coberto com seu manto e calmo, ele que tinha sido possuído pela Legião. E o pânico apoderou-se deles.
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16. As testemunhas do fato contaram-lhes como havia acontecido isso ao endemoninhado, e o caso dos porcos.
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17. Começaram então a rogar-lhe que se retirasse da sua região.
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18. Quando ele subia para a barca, veio o que tinha sido possesso e pediu-lhe permissão de acompanhá-lo.
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19. Jesus não o admitiu, mas disse-lhe: Vai para casa, para junto dos teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor fez por ti, e como se compadeceu de ti.
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20. Foi-se ele e começou a publicar, na Decápole, tudo o que Jesus lhe havia feito. E todos se admiravam.
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21. Tendo Jesus navegado outra vez para a margem oposta, de novo afluiu a ele uma grande multidão. Ele se achava à beira do mar, quando
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22. um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo, se apresentou e, à sua vista, lançou-se-lhe aos pés,
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23. rogando-lhe com insistência: Minha filhinha está nas últimas. Vem, impõe-lhe as mãos para que se salve e viva.
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24. Jesus foi com ele e grande multidão o seguia, comprimindo-o.
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25. Ora, havia ali uma mulher que já por doze anos padecia de um fluxo de sangue.
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26. Sofrera muito nas mãos de vários médicos, gastando tudo o que possuía, sem achar nenhum alívio; pelo contrário, piorava cada vez mais.
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27. Tendo ela ouvido falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe no manto.
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28. Dizia ela consigo: Se tocar, ainda que seja na orla do seu manto, estarei curada.
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29. Ora, no mesmo instante se lhe estancou a fonte de sangue, e ela teve a sensação de estar curada.
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30. Jesus percebeu imediatamente que saíra dele uma força e, voltando-se para o povo, perguntou: Quem tocou minhas vestes?
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31. Responderam-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te comprime e perguntas: Quem me tocou?
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32. E ele olhava em derredor para ver quem o fizera.
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33. Ora, a mulher, atemorizada e trêmula, sabendo o que nela se tinha passado, veio lançar-se-lhe aos pés e contou-lhe toda a verdade.
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34. Mas ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou. Vai em paz e sê curada do teu mal.
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35. Enquanto ainda falava, chegou alguém da casa do chefe da sinagoga, anunciando: Tua filha morreu. Para que ainda incomodas o Mestre?
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36. Ouvindo Jesus a notícia que era transmitida, dirigiu-se ao chefe da sinagoga: Não temas; crê somente.
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37. E não permitiu que ninguém o acompanhasse, senão Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago.
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38. Ao chegar à casa do chefe da sinagoga, viu o alvoroço e os que estavam chorando e fazendo grandes lamentações.
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39. Ele entrou e disse-lhes: Por que todo esse barulho e esses choros? A menina não morreu. Ela está dormindo.
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40. Mas riam-se dele. Contudo, tendo mandado sair todos, tomou o pai e a mãe da menina e os que levava consigo, e entrou onde a menina estava deitada.
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41. Segurou a mão da menina e disse-lhe: Talita cumi, que quer dizer: Menina, ordeno-te, levanta-te!
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42. E imediatamente a menina se levantou e se pôs a caminhar (pois contava doze anos). Eles ficaram assombrados.
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43. Ordenou-lhes severamente que ninguém o soubesse, e mandou que lhe dessem de comer.Jesus de Nazaré
  
1. Por aquele mesmo tempo, o rei Herodes mandou prender alguns membros da Igreja para os maltratar.
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2. Assim foi que matou à espada Tiago, irmão de João.
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Capítulo 6
3. Vendo que isto agradava aos judeus, mandou prender Pedro. Eram então os dias dos pães sem fermento.
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4. Mandou prendê-lo e lançou-o no cárcere, entregando-o à guarda de quatro grupos, de quatro soldados cada um, com a intenção de apresentá-lo ao povo depois da Páscoa.
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1. Depois, ele partiu dali e foi para a sua pátria, seguido de seus discípulos. 2 Quando chegou o dia de sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos o ouviam e, tomados de admiração, diziam: Donde lhe vem isso? Que sabedoria é essa que lhe foi dada, e como se operam por suas mãos tão grandes milagres?
5. Pedro estava assim encerrado na prisão, mas a Igreja orava sem cessar por ele a Deus.
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3. Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Não vivem aqui entre nós também suas irmãs? E ficaram perplexos a seu respeito.
6. Ora, quando Herodes estava para o apresentar, naquela mesma noite dormia Pedro entre dois soldados, ligado com duas cadeias. Os guardas, à porta, vigiavam o cárcere.
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4. Mas Jesus disse-lhes: Um profeta só é desprezado na sua pátria, entre os seus parentes e na sua própria casa.
7. De repente, apresentou-se um anjo do Senhor, e uma luz brilhou no recinto. Tocando no lado de Pedro, o anjo despertou-o: Levanta-te depressa, disse ele. Caíram-lhe as cadeias das mãos.
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5. Não pôde fazer ali milagre algum. Curou apenas alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos.
8. O anjo ordenou: Cinge-te e calça as tuas sandálias. Ele assim o fez. O anjo acrescentou: Cobre-te com a tua capa e segue-me.
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6. Admirava-se ele da desconfiança deles. E ensinando, percorria as aldeias circunvizinhas.
9. Pedro saiu e seguiu-o, sem saber se era real o que se fazia por meio do anjo. Julgava estar sonhando.
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7. Então chamou os Doze e começou a enviá-los, dois a dois; e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos.
10. Passaram o primeiro e o segundo postos da guarda. Chegaram ao portão de ferro, que para a cidade, o qual se lhes abriu por si mesmo. Saíram e tomaram juntos uma rua. Em seguida, de súbito, o anjo desapareceu.
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8. Ordenou-lhes que não levassem coisa alguma para o caminho, senão somente um bordão; nem pão, nem mochila, nem dinheiro no cinto;
11. Então Pedro tornou a si e disse: Agora vejo que o Senhor mandou verdadeiramente o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de tudo o que esperava o povo dos judeus.
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9. como calçado, unicamente sandálias, e que se não revestissem de duas túnicas.
12. Refletiu um momento e dirigiu-se para a casa de Maria, mãe de João, que tem por sobrenome Marcos, onde muitos se tinham reunido e faziam oração.
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10. E disse-lhes: Em qualquer casa em que entrardes, ficai nela, até vos retirardes dali.
13. Quando bateu à porta de entrada, uma criada, chamada Rode, adiantou-se para escutar.
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11. Se em algum lugar não vos receberem nem vos escutarem, saí dali e sacudi o pó dos vossos pés em testemunho contra ele.
14. Mal reconheceu a voz de Pedro, de tanta alegria não abriu a porta, mas, correndo para dentro, foi anunciar que era Pedro que estava à porta.
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12. Eles partiram e pregaram a penitência.
15. Disseram-lhe: Estás louca! Mas ela persistia em afirmar que era verdade. Diziam eles: Então é o seu anjo.
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13. Expeliam numerosos demônios, ungiam com óleo a muitos enfermos e os curavam.
16. Pedro continuava a bater. Afinal abriram a porta, viram-no e ficaram atônitos.
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14. O rei Herodes ouviu falar de Jesus, cujo nome se tornara célebre. Dizia-se: João Batista ressurgiu dos mortos e por isso o poder de fazer milagres opera nele.
17. Ele, acenando-lhes com a mão que se calassem, contou como o Senhor o havia livrado da prisão, e disse: Comunicai-o a Tiago e aos irmãos. Em seguida, saiu dali e retirou-se para outro lugar.
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15. Uns afirmavam: É Elias! Diziam outros: É um profeta como qualquer outro.
18. Logo que amanheceu, houve um sobressalto pouco comum entre os soldados sobre o que acontecera a Pedro.
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16. Ouvindo isto, Herodes repetia: É João, a quem mandei decapitar. Ele ressuscitou!
19. Herodes, procurando-o e não o achando, instaurou um processo contra os guardas e mandou supliciá-los. Em seguida, desceu da Judéia para Cesaréia, onde permaneceu.
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17. Pois o próprio Herodes mandara prender João e acorrentá-lo no cárcere, por causa de Herodíades, mulher de seu irmão Filipe, com a qual ele se tinha casado.
20. Estava Herodes em conflito com os habitantes de Tiro e de Sidônia. Estes, porém, de comum acordo, se apresentaram a ele, e, com o favor de Blasto, que era camareiro do rei, pediram a paz. (Porque a sua região era abastecida por ele.)
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18. João tinha dito a Herodes: Não te é permitido ter a mulher de teu irmão.
21. No dia marcado, Herodes, vestido em traje real, sentou-se no tribunal e lhes dirigiu uma alocução.
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19. Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, não o conseguindo, porém.
22. O povo aplaudia: É a voz de um deus, e não de um homem!
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20. Pois Herodes respeitava João, sabendo que era um homem justo e santo; protegia-o e, quando o ouvia, sentia-se embaraçado. Mas, mesmo assim, de boa mente o ouvia.
23. No mesmo instante, o anjo do Senhor o feriu, por ele não haver dado honra a Deus. E, roído de vermes, expirou.
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21. Chegou, porém, um dia favorável em que Herodes, por ocasião do seu natalício, deu um banquete aos grandes de sua corte, aos seus oficiais e aos principais da Galiléia.
24. Entretanto, a palavra de Deus crescia e se espalhava sempre mais.
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22. A filha de Herodíades apresentou-se e pôs-se a dançar, com grande satisfação de Herodes e dos seus convivas. Disse o rei à moça: Pede-me o que quiseres, e eu to darei.
25. Tendo Barnabé e Saulo concluído a sua missão, voltaram de Jerusalém (a Antioquia), levando consigo João, que tem por sobrenome Marcos.
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23. E jurou-lhe: Tudo o que me pedires te darei, ainda que seja a metade do meu reino.
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24. Ela saiu e perguntou à sua mãe: Que hei de pedir? E a mãe respondeu: A cabeça de João Batista.
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25. Tornando logo a entrar apressadamente à presença do rei, exprimiu-lhe seu desejo: Quero que sem demora me dês a cabeça de João Batista.
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26. O rei entristeceu-se; todavia, por causa da sua promessa e dos convivas, não quis recusar.
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27. Sem tardar, enviou um carrasco com a ordem de trazer a cabeça de João. Ele foi, decapitou João no cárcere,
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28. trouxe a sua cabeça num prato e a deu à moça, e esta a entregou à sua mãe.
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29. Ouvindo isto, os seus discípulos foram tomar o seu corpo e o depositaram num sepulcro.
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30. Os apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-lhe tudo o que haviam feito e ensinado.
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31. Ele disse-lhes: Vinde à parte, para algum lugar deserto, e descansai um pouco. Porque eram muitos os que iam e vinham e nem tinham tempo para comer.
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32. Partiram na barca para um lugar solitário, à parte.
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33. Mas viram-nos partir. Por isso, muitos deles perceberam para onde iam, e de todas as cidades acorreram a pé para o lugar aonde se dirigiam, e chegaram primeiro que eles.
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34. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se dela, porque era como ovelhas que não têm pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas.
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35. A hora já estava bem avançada quando se achegaram a ele os seus discípulos e disseram: Este lugar é deserto, e já é tarde.
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36. Despede-os, para irem aos sítios e aldeias vizinhas a comprar algum alimento.
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37. Mas ele respondeu-lhes: Dai-lhes vós mesmos de comer. Replicaram-lhe: Iremos comprar duzentos denários de pão para dar-lhes de comer?
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38. Ele perguntou-lhes: Quantos pães tendes? Ide ver. Depois de se terem informado, disseram: Cinco, e dois peixes.
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39. Ordenou-lhes que mandassem todos sentar-se, em grupos, na relva verde.
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40. E assentaram-se em grupos de cem e de cinqüenta.
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41. Então tomou os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, abençoou-os, partiu-os e os deu a seus discípulos, para que lhos distribuíssem, e repartiu entre todos os dois peixes.
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42. Todos comeram e ficaram fartos.
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43. Recolheram do que sobrou doze cestos cheios de pedaços, e os restos dos peixes.
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44. Foram cinco mil os homens que haviam comido daqueles pães.
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45. Imediatamente ele obrigou os seus discípulos a subirem para a barca, para que chegassem antes dele à outra margem, em frente de Betsaida, enquanto ele mesmo despedia o povo.
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46. E despedido que foi o povo, retirou-se ao monte para orar.
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47. À noite, achava-se a barca no meio do lago e ele, a sós, em terra.
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48. Vendo-os se fatigarem em remar, sendo-lhes o vento contrário, foi ter com eles pela quarta vigília da noite, andando por cima do mar, e fez como se fosse passar ao lado deles.
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49. À vista de Jesus, caminhando sobre o mar, pensaram que fosse um fantasma e gritaram;
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50. pois todos o viram e se assustaram. Mas ele logo lhes falou: Tranqüilizai-vos, sou eu; não vos assusteis!
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51. E subiu para a barca, junto deles, e o vento cessou. Todos se achavam tomados de um extremo pavor,
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52. pois ainda não tinham compreendido o caso dos pães; os seus corações estavam insensíveis.
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53. Navegaram para o outro lado e chegaram à região de Genesaré, onde aportaram.
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54. Assim que saíram da barca, o povo o reconheceu.
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55. Percorrendo toda aquela região, começaram a levar, em leitos, os que padeciam de algum mal, para o lugar onde ouviam dizer que ele se encontrava.
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56. Onde quer que ele entrasse, fosse nas aldeias ou nos povoados, ou nas cidades, punham os enfermos nas ruas e pediam-lhe que os deixassem tocar ao menos na orla de suas vestes. E todos os que tocavam em Jesus ficavam sãos.
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Capítulo 7
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1. Os fariseus e alguns dos escribas vindos de Jerusalém tinham sereunido em torno dele.
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2. E perceberam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as lavar.
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3. (Com efeito, os fariseus e todos os judeus, apegando-se à tradição dos antigos, não comem sem lavar cuidadosamente as mãos;
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4. e, quando voltam do mercado, não comem sem ter feito abluções. E há muitos outros costumes que observam por tradição, como lavar os copos, os jarros e os pratos de metal.)
 +
5. Os fariseus e os escribas perguntaram-lhe: Por que não andam os teus discípulos conforme a tradição dos antigos, mas comem o pão com as mãos impuras?
 +
6. Jesus disse-lhes: Isaías com muita razão profetizou de vós, hipócritas, quando escreveu: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.
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7. Em vão, pois, me cultuam, porque ensinam doutrinas e preceitos humanos (29,13).
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8. Deixando o mandamento de Deus, vos apegais à tradição dos homens.
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9. E Jesus acrescentou: Na realidade, invalidais o mandamento de Deus para estabelecer a vossa tradição.
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10. Pois Moisés disse: Honra teu pai e tua mãe; e: Todo aquele que amaldiçoar pai ou mãe seja morto.
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11. Vós, porém, dizeis: Se alguém disser ao pai ou à mãe: Qualquer coisa que de minha parte te pudesse ser útil é corban, isto é, oferta,
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12. e já não lhe deixais fazer coisa alguma a favor de seu pai ou de sua mãe,
 +
13. anulando a palavra de Deus por vossa tradição que vós vos transmitistes. E fazeis ainda muitas coisas semelhantes.
 +
14. Tendo chamado de novo a turba, dizia-lhes: Ouvi-me todos, e entendei.
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15. Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa manchar; mas o que sai do homem, isso é que mancha o homem.
 +
16. [bom entendedor meia palavra basta.]
 +
17. Quando deixou o povo e entrou em casa, os seus discípulos perguntaram-lhe acerca da parábola.
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18. Respondeu-lhes: Sois também vós assim ignorantes? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode tornar impuro,
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19. porque não lhe entra no coração, mas vai ao ventre e dali segue sua lei natural? Assim ele declarava puros todos os alimentos. E acrescentava:
 +
20. Ora, o que sai do homem, isso é que mancha o homem.
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21. Porque é do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos,
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22. adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez.
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23. Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem.
 +
24. Em seguida, deixando aquele lugar, foi para a terra de Tiro e de Sidônia. E tendo entrado numa casa, não quis que ninguém o soubesse. Mas não pôde ficar oculto,
 +
25. pois uma mulher, cuja filha possuía um espírito imundo, logo que soube que ele estava ali, entrou e caiu a seus pés.
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26. (Essa mulher era pagã, de origem siro-fenícia.) Ora, ela suplicava-lhe que expelisse de sua filha o demônio.
 +
27. Disse-lhe Jesus: Deixa primeiro que se fartem os filhos, porque não fica bem tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cães.
 +
28. Mas ela respondeu: É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos debaixo da mesa comem das migalhas dos filhos.
 +
29. Jesus respondeu-lhe: Por causa desta palavra, vai-te, que saiu o demônio de tua filha.
 +
30. Voltou ela para casa e achou a menina deitada na cama. O demônio havia saído.
 +
31. Ele deixou de novo as fronteiras de Tiro e foi por Sidônia ao mar da Galiléia, no meio do território da Decápole.
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32. Ora, apresentaram-lhe um surdo-mudo, rogando-lhe que lhe impusesse a mão.
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33. Jesus tomou-o à parte dentre o povo, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e tocou-lhe a língua com saliva.
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34. E levantou os olhos ao céu, deu um suspiro e disse-lhe: Éfeta!, que quer dizer abre-te!
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35. No mesmo instante os ouvidos se lhe abriram, a prisão da língua se lhe desfez e ele falava perfeitamente.
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36. Proibiu-lhes que o dissessem a alguém. Mas quanto mais lhes proibia, tanto mais o publicavam.
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37. E tanto mais se admiravam, dizendo: Ele fez bem todas as coisas. Fez ouvir os surdos e falar os mudos!
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Capítulo 8
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1. Naqueles dias, como fosse novamente numerosa a multidão, enão tivessem o que comer, Jesus convocou os discípulos e lhes disse:
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2. Tenho compaixão deste povo. Já há três dias perseveram comigo e não têm o que comer.
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3. Se os despedir em jejum para suas casas, desfalecerão no caminho; e alguns deles vieram de longe!
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4. Seus discípulos responderam-lhe: Como poderá alguém fartá-los de pão aqui no deserto?
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5. Mas ele perguntou-lhes: Quantos pães tendes? Sete, responderam.
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6. Mandou então que o povo se assentasse no chão. Tomando os sete pães, deu graças, partiu-os e entregou-os a seus discípulos, para que os distribuíssem e eles os distribuíram ao povo.
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7. Tinham também alguns peixinhos. Ele os abençoou e mandou também distribuí-los.
 +
8. Comeram e ficaram fartos, e dos pedaços que sobraram levantaram sete cestos.
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9. Ora, os que comeram eram cerca de quatro mil pessoas. Em seguida, Jesus os despediu.
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10. E embarcando depois com seus discípulos, foi para o território de Dalmanuta.
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11. Vieram os fariseus e puseram-se a disputar com ele e pediram-lhe um sinal do céu, para pô-lo à prova.
 +
12. Jesus, porém, suspirando no seu coração, disse: Por que pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo: jamais lhe será dado um sinal.
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13. Deixou-os e seguiu de barca para a outra margem.
 +
14. Aconteceu que eles haviam esquecido de levar pães consigo. Na barca havia um único pão.
 +
15. Jesus advertiu-os: Abri os olhos e acautelai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes!
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16. E eles comentavam entre si que era por não terem pão.
 +
17. Jesus percebeu-o e disse-lhes: Por que discutis por não terdes pão? Ainda não tendes refletido nem compreendido? Tendes, pois, o coração insensível?
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18. Tendo olhos, não vedes? E tendo ouvidos, não ouvis? Não vos lembrais mais?
 +
19. Ao partir eu os cinco pães entre os cinco mil, quantos cestos recolhestes
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cheios de pedaços? Responderam-lhe: Doze.
 +
20. E quando eu parti os sete pães entre os quatro mil homens, quantos cestos de pedaços levantastes? Sete, responderam-lhe.
 +
21. Jesus disse-lhes: Como é que ainda não entendeis?...
 +
22. Chegando eles a Betsaida, trouxeram-lhe um cego e suplicaram-lhe que o tocasse.
 +
23. Jesus tomou o cego pela mão e levou-o para fora da aldeia. Pôs-lhe saliva nos olhos e, impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa?
 +
24. O cego levantou os olhos e respondeu: Vejo os homens como árvores que andam.
 +
25. Em seguida, Jesus lhe impôs as mãos nos olhos e ele começou a ver e ficou curado, de modo que via distintamente de longe.
 +
26. E mandou-o para casa, dizendo-lhe: Não entres nem mesmo na aldeia.
 +
27. Jesus saiu com os seus discípulos para as aldeias de Cesaréia de Filipe, e pelo caminho perguntou-lhes: Quem dizem os homens que eu sou?
 +
28. Responderam-lhe os discípulos: João Batista; outros, Elias; outros, um dos profetas.
 +
29. Então perguntou-lhes Jesus: E vós, quem dizeis que eu sou? Respondeu Pedro: Tu és o Cristo.
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30. E ordenou-lhes severamente que a ninguém dissessem nada a respeito dele.
 +
31. E começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem padecesse muito, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas, e fosse morto, mas ressuscitasse depois de três dias.
 +
32. E falava-lhes abertamente dessas coisas. Pedro, tomando-o à parte, começou a repreendê-lo.
 +
33. Mas, voltando-se ele, olhou para os seus discípulos e repreendeu a Pedro: Afasta-te de mim, Satanás, porque teus sentimentos não são os de Deus, mas os dos homens.
 +
34. Em seguida, convocando a multidão juntamente com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.
 +
35. Porque o que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salvá-la-á.
 +
36. Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida?
 +
37. Ou que dará o homem em troca da sua vida?
 +
38. Porque, se nesta geração adúltera e pecadora alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os seus santos anjos.
  
 
   
 
   
Capítulo 13
+
Capítulo 9
 +
 
 +
1. E dizia-lhes: Em verdade vos digo: dos que aqui se acham, alguns há que não experimentarão a morte, enquanto não virem chegar o Reino de Deus com poder.
 +
2. Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João, e conduziu-os a sós a um alto monte. E
 +
3. transfigurou-se diante deles. Suas vestes tornaram-se resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra as pode fazer assim tão brancas.
 +
4. Apareceram-lhes Elias e Moisés, e falavam com Jesus.
 +
5. Pedro tomou a palavra: Mestre, é bom para nós estarmos aqui; faremos três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.
 +
6. Com efeito, não sabia o que falava, porque estavam sobremaneira atemorizados.
 +
7. Formou-se então uma nuvem que os encobriu com a sua sombra; e da nuvem veio uma voz: Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o.
 +
8. E olhando eles logo em derredor, já não viram ninguém, senão só a Jesus com eles.
 +
9. Ao descerem do monte, proibiu-lhes Jesus que contassem a quem quer que fosse o que tinham visto, até que o Filho do homem houvesse ressurgido dos mortos.
 +
10. E guardaram esta recomendação consigo, perguntando entre si o que significaria: Ser ressuscitado dentre os mortos.
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11. Depois lhe perguntaram: Por que dizem os fariseus e os escribas que primeiro deve voltar Elias?
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12. Respondeu-lhes: Elias deve voltar primeiro e restabelecer tudo em ordem. Como então está escrito acerca do Filho do homem que deve padecer muito e ser desprezado?
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13. Mas digo-vos que também Elias já voltou e fizeram-lhe sofrer tudo quanto quiseram, como está escrito dele.
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14. Depois, aproximando-se dos discípulos, viu ao redor deles grande multidão, e os escribas a discutir com eles.
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15. Todo aquele povo, vendo de surpresa Jesus, acorreu a ele para saudá-lo.
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16. Ele lhes perguntou: Que estais discutindo com eles?
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17. Respondeu um homem dentre a multidão: Mestre, eu te trouxe meu filho, que tem um espírito mudo.
 +
18. Este, onde quer que o apanhe, lança-o por terra e ele espuma, range os dentes e fica endurecido. Roguei a teus discípulos que o expelissem, mas não o puderam.
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19. Respondeu-lhes Jesus: Ó geração incrédula, até quando estarei convosco? Até quando vos hei de aturar? Trazei-mo cá!
 +
20. Eles lho trouxeram. Assim que o menino avistou Jesus, o espírito o agitou fortemente. Caiu por terra e revolvia-se espumando.
 +
21. Jesus perguntou ao pai: Há quanto tempo lhe acontece isto? Desde a infância, respondeu-lhe.
 +
22. E o tem lançado muitas vezes ao fogo e à água, para o matar. Se tu, porém, podes alguma coisa, ajuda-nos, compadece-te de nós!
 +
23. Disse-lhe Jesus: Se podes alguma coisa!... Tudo é possível ao que crê.
 +
24. Imediatamente exclamou o pai do menino: Creio! Vem em socorro à minha falta de fé!
 +
25. Vendo Jesus que o povo afluía, intimou o espírito imundo e disse-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: sai deste menino e não tornes a entrar nele.
 +
26. E, gritando e maltratando-o extremamente, saiu. O menino ficou como morto, de modo que muitos diziam: Morreu...
 +
27. Jesus, porém, tomando-o pela mão, ergueu-o e ele levantou-se.
 +
28. Depois de entrar em casa, os seus discípulos perguntaram-lhe em particular: Por que não pudemos nós expeli-lo?
 +
29. Ele disse-lhes: Esta espécie de demônios não se pode expulsar senão pela oração.
 +
30. Tendo partido dali, atravessaram a Galiléia. Não queria, porém, que ninguém o soubesse.
 +
31. E ensinava os seus discípulos: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, e matá-lo-ão; e ressuscitará três dias depois de sua morte.
 +
32. Mas não entendiam estas palavras; e tinham medo de lho perguntar.
 +
33. Em seguida, voltaram para Cafarnaum. Quando já estava em casa, Jesus perguntou-lhes: De que faláveis pelo caminho?
 +
34. Mas eles calaram-se, porque pelo caminho haviam discutido entre si qual deles seria o maior.
 +
35. Sentando-se, chamou os Doze e disse-lhes: Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos.
 +
36. E tomando um menino, colocou-o no meio deles; abraçou-o e disse-lhes:
 +
37. Todo o que recebe um destes meninos em meu nome, a mim é que recebe; e todo o que recebe a mim, não me recebe, mas aquele que me enviou.
 +
38. João disse-lhe: Mestre, vimos alguém, que não nos segue, expulsar demônios em teu nome, e lho proibimos.
 +
39. Jesus, porém, disse-lhe: Não lho proibais, porque não há ninguém que faça um prodígio em meu nome e em seguida possa falar mal de mim.
 +
40. Pois quem não é contra nós, é a nosso favor.
 +
41. E quem vos der de beber um copo de água porque sois de Cristo, digo-vos em verdade: não perderá a sua recompensa.
 +
42. Mas todo o que fizer cair no pecado a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que uma pedra de moinho lhe fosse posta ao pescoço e o lançassem ao mar!
 +
43. Se a tua mão for para ti ocasião de queda, corta-a; melhor te é entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para a geena, para o fogo inextinguível
 +
44. [onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga].
 +
45. Se o teu pé for para ti ocasião de queda, corta-o fora; melhor te é entrares coxo na vida eterna do que, tendo dois pés, seres lançado à geena do fogo inextinguível
 +
46. [onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga].
 +
47. Se o teu olho for para ti ocasião de queda, arranca-o; melhor te é entrares com um olho de menos no Reino de Deus do que, tendo dois olhos, seres lançado à geena do fogo,
 +
48. onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga.
 +
49. Porque todo homem será salgado pelo fogo.
 +
50. O sal é uma boa coisa; mas se ele se tornar insípido, com que lhe restituireis o sabor? Tende sal em vós e vivei em paz uns com os outros.
  
1. Havia então na Igreja de Antioquia profetas e doutores, entre eles Barnabé, Simão, apelidado o Negro, Lúcio de Cirene, Manaém, companheiro de infância do tetrarca Herodes, e Saulo.
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2. Enquanto celebravam o culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado.
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Capítulo 10
3. Então, jejuando e orando, impuseram-lhes as mãos e os despediram.
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4. Enviados assim pelo Espírito Santo, foram a Selêucia e dali navegaram para a ilha de Chipre.
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1. Saindo dali, ele foi para a região da Judéia, além do Jordão. As multidões voltaram a segui-lo pelo caminho e de novo ele pôs-se a ensiná-las, como era seu costume.
5. Chegados a Salamina, pregavam a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus. Tinham com eles João para auxiliá-los.
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2. Chegaram os fariseus e perguntaram-lhe, para o pôr à prova, se era permitido ao homem repudiar sua mulher.
6. Percorreram toda a ilha até Pafos e acharam um judeu chamado Barjesus, mago e falso profeta,
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3. Ele respondeu-lhes: "Que vos ordenou Moisés?"
7. que vivia na companhia do procônsul Sérgio Paulo, homem sensato. Este chamou Barnabé e Saulo, e exprimiu-lhes o desejo de ouvir a palavra de Deus.
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4. Eles responderam: "Moisés permitiu escrever carta de divórcio e despedir a mulher."
8. Mas Élimas, o Mago - pois assim é interpretado o seu nome -, se lhes opunha, procurando desviar da fé o procônsul.
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5. Continuou Jesus: "Foi devido à dureza do vosso coração que ele vos deu essa lei;
9. Então Saulo, chamado também Paulo, cheio do Espírito Santo, cravou nele os olhos e disse-lhe:
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6. mas, no princípio da criação, Deus os fez homem e mulher.
10. Filho do demônio, cheio de todo engano e de toda astúcia, inimigo de toda justiça, não cessas de perverter os caminhos retos do Senhor!
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7. Por isso, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher;
11. Eis que agora está sobre ti a mão do Senhor e ficarás cego. Não verás o sol até nova ordem! Caíram logo sobre ele a escuridão e as trevas, e, andando à roda, buscava quem lhe desse a mão.
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8. e os dois não serão senão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne.
12. À vista deste prodígio, o procônsul abraçou a fé, admirando vivamente a doutrina do Senhor.
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9. Não separe, pois, o homem o que Deus uniu."
13. Paulo e os seus companheiros navegaram de Pafos e chegaram a Perge, na Panfília, de onde João, apartando-se deles, voltou para Jerusalém.
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10. Em casa, os discípulos fizeram-lhe perguntas sobre o mesmo assunto.
14. Mas eles, deixando Perge, foram para Antioquia da Pisídia. Ali entraram em dia de sábado na sinagoga, e sentaram-se.
+
11. E ele disse-lhes: "Quem repudia sua mulher e se casa com outra, comete adultério contra a primeira.
15. Depois da leitura da lei e dos profetas, mandaram-lhes dizer os chefes da sinagoga: Irmãos, se tendes alguma palavra de exortação ao povo, falai-a.
+
12. E se a mulher repudia o marido e se casa com outro, comete adultério."
16. Paulo levantou-se, fez um sinal com a mão e falou: Homens de Israel e vós que temeis a Deus, ouvi.
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13. Apresentaram-lhe então crianças para que as tocasse; mas os discípulos repreendiam os que as apresentavam.
17. O Deus do povo de Israel escolheu nossos pais e exaltou este povo no tempo em que habitava na terra do Egito, de onde os tirou com o poder de seu braço.
+
14. Vendo-o, Jesus indignou-se e disse-lhes: "Deixai vir a mim os pequequinos e não os impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham.
18. Por espaço de quarenta anos alimentou-os no deserto.
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15. Em verdade vos digo: todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará."
19. Destruiu sete nações na terra de Canaã e distribuiu-lhes por sorte aquela terra durante quase quatrocentos e cinqüenta anos.
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16. Em seguida, ele as abraçou e as abençoou, impondo-lhes as mãos.
20. Em seguida, lhes deu juízes até o profeta Samuel.
+
17. Tendo ele saído para se pôr a caminho, veio alguém correndo e, dobrando os joelhos diante dele, suplicou-lhe: "Bom Mestre, que farei para alcançara vida eterna?"
21. Pediram então um rei, e Deus lhes deu, por quarenta anos, Saul, filho de Cis, da tribo de Benjamim.
+
18. Jesus disse-lhe: "Por que me chamas bom? Só Deus é bom.
22. Depois, Deus o rejeitou e mandou-lhes Davi como rei, de quem deu este testemunho: Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará todas as minhas vontades.
+
19. Conheces os mandamentos: não mates; não cometas adultério; não furtes; não digas falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe."
23. De sua descendência, conforme a promessa, Deus fez sair para Israel o Salvador Jesus.
+
20. Ele respondeu-lhe: "Mestre, tudo isto tenho observado desde a minha mocidade."
24. João tinha pregado, desde antes da sua vinda, o batismo do arrependimento a todo o povo de Israel.
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21. Jesus fixou nele o olhar, amou-o e disse-lhe: "Uma só coisa te falta; vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me.
25. Terminando a sua carreira, dizia: Eu não sou aquele que vós pensais, mas após mim virá aquele de quem não sou digno de desatar o calçado.
+
22. Ele entristeceu-se com estas palavras e foi-se todo abatido, porque possuía muitos bens.
26. Irmãos, filhos de Abraão, e os que entre vós temem a Deus: a nós é que foi dirigida a mensagem de salvação.
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23. E, olhando Jesus em derredor, disse a seus discípulos: "Quão dificilmente entrarão no Reino de Deus os ricos!"
27. Com efeito, os habitantes de Jerusalém e os seus magistrados não conheceram Jesus, e, sentenciando-o, cumpriram os oráculos dos profetas, que cada sábado são lidos.
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24. Os discípulos ficaram assombrados com suas palavras. Mas Jesus replicou: "Filhinhos, quão difícil é entrarem no Reino de Deus os que põem a sua confiança nas riquezas!
28. Embora não achassem nele culpa alguma de morte, pediram a Pilatos que lhe tirasse a vida.
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25. É mais fácil passar o camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar o rico no Reino de Deus."
29. Depois de realizarem todas as coisas que dele estavam escritas, tirando-o do madeiro, puseram-no num sepulcro.
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26. Eles ainda mais se admiravam, dizendo a si próprios: "Quem pode então salvar-se?"
30. Mas Deus o ressuscitou dentre os mortos.
+
27. Olhando Jesus para eles, disse: "Aos homens isto é impossível, mas não a Deus; pois a Deus tudo é possível.
31. Durante muitos dias apareceu àqueles que com ele subiram da Galiléia a Jerusalém, os quais até agora são testemunhas dele junto ao povo.
+
28. Pedro começou a dizer-lhe: "Eis que deixamos tudo e te seguimos."
32. Nós vos anunciamos: a promessa feita a nossos pais,
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29. Respondeu-lhe Jesus. "Em verdade vos digo: ninguém há que tenha deixado casa ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras por causa de mim e por causa do Evangelho
33. Deus a tem cumprido diante de nós, seus filhos, suscitando Jesus, como também está escrito no Salmo segundo: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei (Sl 2,7).
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30. que não receba, já neste século, cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, com perseguições e no século vindouro a vida eterna.
34. Que Deus o ressuscitou dentre os mortos, para nunca mais tornar à corrupção, ele o declarou desta maneira: Eu vos darei as coisas sagradas prometidas a Davi (Is 55,3).
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31. Muitos dos primeiros serão os últimos, e dos últimos serão os primeiros."
35. E diz também noutra passagem: Não permitirás que teu Santo experimente a corrupção (Sl 15,10).
+
32. Estavam a caminho de Jerusalém e Jesus ia adiante deles. Estavam perturbados e o seguiam com medo. E tomando novamente a si os Doze, começou a predizer-lhes as coisas que lhe haviam de acontecer:
36. Ora, Davi, depois de ter servido em vida aos desígnios de Deus, morreu. Foi reunido a seus pais e experimentou a corrupção.
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33. "Eis que subimos a Jerusalém e o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas; condená-lo-ão à morte e entregá-lo-ão aos gentios.
37. Mas aquele a quem Deus ressuscitou não experimentou a corrupção.
+
34. Escarnecerão dele, cuspirão nele, açoitá-lo-ão, e hão de matá-lo; mas ao terceiro dia ele ressurgirá.
38. Sabei, pois, irmãos, que por ele se vos anuncia a remissão dos pecados.
+
35. Aproximaram-se de; Jesus Tiago e João, filhos de Zebedeu, e disseram-lhe: "Mestre, queremos que nos concedas tudo o que te pedirmos."
39. Todo aquele que crê é justificado por ele de tudo aquilo que não pôde ser pela Lei de Moisés.
+
36. "Que quereis que vos faça?"
40. Cuidai, pois, que não venha sobre vós o que foi dito pelos profetas:
+
37. "Concede-nos que nos sentemos na tua glória, um à tua direita e outro à tua esquerda."
41. Vede, ó desprezadores, pasmai e morrei de espanto. Pois eu vou realizar uma obra em vossos dias, obra a que não creríeis, se alguém vo-la contasse (Hab 1,5).
+
38. "Não sabeis o que pedis, retorquiu Jesus. Podeis vós beber o cálice que eu vou beber, ou ser batizados no batismo em que eu vou ser batizado?"
42. Ao saírem, rogavam que lhes repetissem essas palavras no sábado seguinte.
+
39. "Podemos", asseguraram eles. Jesus prosseguiu: "Vós bebereis o cálice que eu devo beber e sereis batizados no batismo em que eu devo ser batizado.
43. Depois que a assembléia terminou, muitos judeus e prosélitos devotos seguiram Paulo e Barnabé, os quais com muitas palavras os exortavam a perseverar na graça de Deus.
+
40. Mas, quanto ao assentardes à minha direita ou à minha esquerda, isto não depende de mim: o lugar compete àqueles a quem está destinado."
44. No sábado seguinte, afluiu quase toda a cidade para ouvir a palavra de Deus.
+
41. Ouvindo isto, os outros dez começaram a indignar-se contra Tiago e João.
45. Os judeus, vendo a multidão, encheram-se de inveja e puseram-se a protestar com injúrias contra o que Paulo falava.
+
42. Jesus chamou-os e deu-lhes esta lição: "Sabeis que os que são considerados chefes das nações dominam sobre elas e os seus intendentes exercem poder sobre elas.
46. Então Paulo e Barnabé disseram-lhes resolutamente: Era a vós que em primeiro lugar se devia anunciar a palavra de Deus. Mas, porque a rejeitais e vos julgais indignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os pagãos.
+
43. Entre vós, porém, não será assim: todo o que quiser tornar-se grande entre vós, seja o vosso servo;
47. Porque o Senhor assim no-lo mandou: Eu te estabeleci para seres luz das nações, e levares a salvação até os confins da terra (Is 49,6).
+
44. e todo o que entre vós quiser ser o primeiro, seja escravo de todos.
48. Estas palavras encheram de alegria os pagãos que glorificavam a palavra do Senhor. Todos os que estavam predispostos para a vida eterna fizeram ato de fé.
+
45. Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por muitos."
49. Divulgava-se, assim, a palavra do Senhor por toda a região.
+
46. Chegaram a Jericó. Ao sair dali Jesus, seus discípulos e numerosa multidão, estava sentado à beira do caminho, mendigando, Bartimeu, que era cego, filho de Timeu.
50. Mas os judeus instigaram certas mulheres religiosas da aristocracia e os principais da cidade, que excitaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé e os expulsaram do seu território.
+
47. Sabendo que era Jesus de Nazaré, começou a gritar: "Jesus, filho de Davi, em compaixão de mim!"
51. Estes sacudiram contra eles o pó dos seus pés, e foram a Icônio.
+
48. Muitos o repreendiam, para que se calasse, mas ele gritava ainda mais alto: "Filho de Davi, tem compaixão de mim!"
52. Os discípulos, por sua vez, estavam cheios de alegria e do Espírito Santo.
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49. Jesus parou e disse: "Chamai-o" Chamaram o cego, dizendo-lhe: "Coragem! Levanta-te, ele te chama."
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50. Lançando fora a capa, o cego ergueu-se dum salto e foi ter com ele.
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51. Jesus, tomando a palavra, perguntou-lhe: "Que queres que te faça? Rabôni, respondeu-lhe o cego, que eu veja!
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52. Jesus disse-lhe: Vai, a tua fé te salvou." No mesmo instante, ele recuperou a vista e foi seguindo Jesus pelo caminho.
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Capítulo 11
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1. Jesus e seus discípulos aproximavam-se de Jerusalém e chegaram aos arredores de Betfagé e de Betânia, perto do monte das Oliveiras. Desse lugar Jesus enviou dois dos seus discípulos,
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2. dizendo-lhes: "Ide à aldeia que está defronte de vós e, logo ao entrardes nela, achareis preso um jumentinho, em que não montou ainda homem algum; desprendei-o e trazei-mo.
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3. E se alguém vos perguntar: Que fazeis?, dizei: O Senhor precisa dele, mas daqui a pouco o devolverá."
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4. Indo eles, acharam o jumentinho atado fora, diante duma porta, na curva do caminho. Iam-no desprendendo,
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5. quando alguns dos que ali estavam perguntaram: "Ei, que estais fazendo? Por que soltais o jumentinho?"
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6. Responderam como Jesus lhes havia ordenado; e deixaram-no levar.
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7. Conduziram a Jesus o jumentinho, cobriram-no com seus mantos, e Jesus montou nele.
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8. Muitos estendiam seus mantos no caminho; outros cortavam ramos das árvores e espalhavam-nos, pelo chão.
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9. Tanto os que precediam como os que iam atrás clamavam: "Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!
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10. O Bendito o Rei?.que vai começar, o reino de Davi, nosso pai! Hosana no mais alto dos céus!"
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11. Jesus entrou em Jerusalém e dirigiu-se ao templo. Aí lançou-os olhos para tudo o que o cercava. Depois, como já fosse tarde, voltou para Betânia com os Doze.
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12. No outro dia, ao saírem de Betãnia, Jesus teve fome.
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l3 Avistou de longe uma figueira coberta de folhas e foi ver se encontrava nela algum fruto. Aproximou-se da árvore, mas só encontrou folhas pois não era tempo de figos.
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14. E disse à figueira: "Jamais alguém coma fruto de ti!" E os discípulos ouviram esta maldição.
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15. Chegaram a Jerusalém e Jesus entrou no templo. E começou a expulsar os que no templo vendiam e compravam; derrubou as mesas dos trocadores de moedas e as cadeiras dos que vendiam pombas.
 +
16. Não consentia que ninguém transportasse algum objeto pelo templo.
 +
17. E ensinava-lhes nestes termos: "`Não está porventura escrito: A minha casa chamar-se-á casa de oração para todas as nações (Is 56,7)? Mas vós fizestes dela um covil de ladrões (Jr 7,11).
 +
18. Os príncipes dos sacerdotes e os escribas ouviram-no e procuravam um modo de o matar. Temiam-no, porque todo o povo se admirava da sua doutrina.
 +
19. Quando já era tarde, saíram da cidade.
 +
20. No dia seguinte pela manhã, ao passarem junto da figueira, viram que ela secara até a raiz.
 +
21. Pedro lembrou-se do que se tinha passado na véspera e disse a Jesus: "`Olha, Mestre, como secou a figueira que amaldiçoaste!"
 +
22. Respondeu-lhes Jesus: "Tende fé em Deus.
 +
23. Em verdade vos declaro: todo o que disser a este monte: Levanta-te e lança-te ao mar, se não duvidar no seu coração, mas acreditar que sucederá tudo o que disser, obterá esse milagre.
 +
24. Por isso vos digo: tudo o que pedirdes na oração, crede que o tendes recebido, e ser-vos-á dado.
 +
25. E quando vos puserdes de pé para orar, perdoai, se tiverdes algum ressentimento contra alguém, para que também vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe os vossos pecados. [
 +
26. Mas se não perdoardes, tampouco vosso Pai que está nos céus vos perdoará os vossos pecados.]"
 +
27. Jesus e seus discípulos voltaram outra vez a Jerusalém. E andando Jesus pelo templo, acercaram-se dele os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos,
 +
28. e perguntaram-lhe: "Com que direito fazes isto? Quem te deu autoridade para fazer essas coisas?"
 +
29. Jesus respondeu-lhes: "Também eu vos farei uma pergunta; respondei-ma, e dir-vos-ei com que direito faço essas coisas.
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30. O batismo de João vinha do céu ou dos homens? Respondei-me."
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31. E discorriam lá consigo: "Se dissermos: Do céu, ele dirá: Por que razão, pois, não crestes nele?
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32. Se, ao contrário, dissermos: Dos homens, tememos o povo." Com efeito, tinham medo do povo, porque todos julgavam ser João deveras um profeta.
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33. Responderam a Jesus: "Não o sabemos." "E eu tampouco vos direi, disse Jesus, com que direito faço estas coisas."
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Capítulo 12
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1. E começou a falar-lhes em parábolas. Um homem plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar, edificou uma torre, arrendou-a a vinhateiros e ausentou-se daquela terra.
 +
2. A seu tempo enviou aos vinhateiros um servo, para receber deles uma parte do produto da vinha.
 +
3. Ora, eles prenderam-no, feriram-no e reenviaram-no de mãos vazias.
 +
4. Enviou-lhes de novo outro servo; também este feriram na cabeça e o cobriram de afrontas.
 +
5. O senhor enviou-lhes ainda um terceiro, mas o mataram. E enviou outros mais, dos quais feriram uns e mataram outros.
 +
6. Restava-lhe ainda seu filho único, a quem muito amava. Enviou-o também por último a ir ter com eles, dizendo: Terão respeito a meu filho!...
 +
7. Os vinhateiros, porém, disseram uns aos outros: Este é o herdeiro! Vinde, matemo-lo e será nossa a herança!
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8. Agarrando-o, mataram-no e lançaram-no fora da vinha.
 +
9. Que fará, pois, o senhor da vinha? Virá e exterminará os vinhateiros e dará a vinha a outro.
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10. Nunca lestes estas palavras da Escritura: A pedra que os construtores
 +
rejeitaram veio a tornar-se pedra angular.
 +
11. Isto é obra do Senhor, e ela é admirável aos nossos olhos (Sal 117,22s)?
 +
12. Procuravam prendê-lo, mas temiam o povo; porque tinham entendido que a respeito deles dissera esta parábola. E deixando-o, retiraram-se.
 +
13. Enviaram-lhe alguns fariseus e herodianos, para que o apanhassem em alguma palavra.
 +
14. Aproximaram-se dele e disseram-lhe: Mestre, sabemos que és sincero e que não lisonjeias a ninguém; porque não olhas para as aparências dos homens, mas ensinas o caminho de Deus segundo a verdade. É permitido que se pague o imposto a César ou não? Devemos ou não pagá-lo?
 +
15. Conhecendo-lhes a hipocrisia, respondeu-lhes Jesus: Por que me quereis armar um laço? Mostrai-me um denário.
 +
16. Apresentaram-lho. E ele perguntou-lhes: De quem é esta imagem e a inscrição? De César, responderam-lhe.
 +
17. Jesus então lhes replicou. Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. E admiravam-se dele.
 +
18. Ora, vieram ter com ele os saduceus, que afirmam não haver ressurreição, e perguntaram-lhe:
 +
19. Mestre, Moisés prescreveu-nos: Se morrer o irmão de alguém, e deixar mulher sem filhos, seu irmão despo-se a viúva e suscite posteridade a seu irmão.
 +
20. Ora, havia sete irmãos; o primeiro casou e morreu sem deixar descendência.
 +
21. Então o segundo desposou a viúva, e morreu sem deixar posteridade. Do mesmo modo o terceiro.
 +
22. E assim tomaram-na os sete, e não deixaram filhos. Por último, morreu também a mulher.
 +
23. Na ressurreição, a quem destes pertencerá a mulher? Pois os sete a tiveram por mulher.
 +
24. Jesus respondeu-lhes: Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus.
 +
25. Na ressurreição dos mortos, os homens não tomarão mulheres, nem as mulheres, maridos, mas serão como os anjos nos céus.
 +
26. Mas quanto à ressurreição dos mortos, não lestes no livro de Moisés como Deus lhe falou da sarça, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó (Êx 3, 6)?
 +
27. Ele não é Deus de mortos, senão de vivos. Portanto, estais muito errados.
 +
28. Achegou-se dele um dos escribas que os ouvira discutir e, vendo que lhes respondera bem, indagou dele: Qual é o primeiro de todos os mandamentos?
 +
29. Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é este: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor;
 +
30. amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito e de todas as tuas forças.
 +
31. Eis aqui o segundo: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Outro mandamento maior do que estes não existe.
 +
32. Disse-lhe o escriba: Perfeitamente, Mestre, disseste bem que Deus é um só e que não há outro além dele.
 +
33. E amá-lo de todo o coração, de todo o pensamento, de toda a alma e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, excede a todos os holocaustos e sacrifícios.
 +
34. Vendo Jesus que ele falara sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do Reino de Deus. E já ninguém ousava fazer-lhe perguntas.
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35. Continuava Jesus a ensinar no templo e propôs esta questão: Como dizem os escribas que Cristo é o filho de Davi?
 +
36. Pois o mesmo Davi diz, inspirado pelo Espírito Santo: Disse o Senhor a meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos sob os teus pés (Sal 109,1).
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37. Ora, se o próprio Davi o chama Senhor, como então é ele seu filho? E a grande multidão ouvia-o com satisfação.
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38. Ele lhes dizia em sua doutrina: Guardai-vos dos escribas que gostam
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de andar com roupas compridas, de ser cumprimentados nas praças públicas
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39. e de sentar-se nas primeiras cadeiras nas sinagogas e nos primeiros lugares nos banquetes.
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40. Eles devoram os bens das viúvas e dão aparência de longas orações. Estes terão um juízo mais rigoroso.
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41. Jesus sentou-se defronte do cofre de esmola e observava como o povo deitava dinheiro nele; muitos ricos depositavam grandes quantias.
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42. Chegando uma pobre viúva, lançou duas pequenas moedas, no valor de
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apenas um quadrante.
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43. E ele chamou os seus discípulos e disse-lhes: Em verdade vos digo: esta pobre viúva deitou mais do que todos os que lançaram no cofre,
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44. porque todos deitaram do que tinham em abundância; esta, porém, pôs, da sua indigência, tudo o que tinha para o seu sustento.
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Capítulo 13
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1. Saindo Jesus do templo, disse-lhe um dos seus discípulos:Mestre, olha que pedras e que construções!
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2. Jesus replicou-lhe: Vês este grande edifício? Não se deixará pedra sobre pedra que não seja demolida.
 +
3. E estando sentado no monte das Oliveiras, defronte do templo, perguntaram-lhe à parte Pedro, Tiago, João e André:
 +
4. Dize-nos, quando hão de suceder essas coisas? E por que sinal se saberá que tudo isso se vai realizar?
 +
5. Jesus pôs-se então a dizer-lhes: Cuidai que ninguém vos engane.
 +
6. Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu. E seduzirão a muitos.
 +
7. Quando ouvirdes falar de guerras e de rumores de guerra, não temais; porque é necessário que estas coisas aconteçam, mas não será ainda o fim.
 +
8. Levantar-se-ão nação contra nação e reino contra reino; e haverá terremotos em diversos lugares, e fome. Isto será o princípio das dores.
 +
9. Cuidai de vós mesmos; sereis arrastados diante dos tribunais e açoitados nas sinagogas, e comparecereis diante dos governadores e reis por minha causa, para dar testemunho de mim diante deles.
 +
10. Mas primeiro é necessário que o Evangelho seja pregado a todas as nações.
 +
11. Quando vos levarem para vos entregar, não premediteis no que haveis de dizer, mas dizei o que vos for inspirado naquela hora; porque não sois vós que falais, mas sim o Espírito Santo.
 +
12. O irmão entregará à morte o irmão, e o pai, o filho; e os filhos insurgir-se-ão contra os pais e dar-lhes-ão a morte.
 +
13. E sereis odiados de todos por causa de meu nome. Mas o que perseverar até o fim será salvo.
 +
14. Quando virdes a abominação da desolação no lugar onde não deve estar o leitor entenda , então os que estiverem na Judéia fujam para os montes;
 +
15. o que estiver sobre o terraço não desça nem entre em casa para dela levar alguma coisa;
 +
16. e o que se achar no campo não volte a buscar o seu manto.
 +
17. Ai das mulheres que naqueles dias estiverem grávidas e amamentando!
 +
18. Rogai para que isto não aconteça no inverno!
 +
19. Porque naqueles dias haverá tribulações tais, como não as houve desde o princípio do mundo que Deus criou até agora, nem haverá jamais.
 +
20. Se o Senhor não abreviasse aqueles dias, ninguém se salvaria; mas ele os abreviou em atenção aos eleitos que escolheu.
 +
21. E se então alguém vos disser: Eis, aqui está o Cristo; ou: Ei-lo acolá, não creiais.
 +
22. Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão sinais e portentos para seduzir, se possível for, até os escolhidos.
 +
23. Ficai de sobreaviso. Eis que vos preveni de tudo.
 +
24. Naqueles dias, depois dessa tribulação, o sol se escurecerá, a lua não dará o seu resplendor;
 +
25. cairão os astros do céu e as forças que estão no céu serão abaladas.
 +
26. Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória.
 +
27. Ele enviará os anjos, e reunirá os seus escolhidos dos quatro ventos, desde a extremidade da terra até a extremidade do céu.
 +
28. Compreendei por uma comparação tirada da figueira. Quando os seus ramos vão ficando tenros e brotam as folhas, sabeis que está perto o verão.
 +
29. Assim também quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do homem está próximo, às portas.
 +
30. Em verdade vos digo: não passará esta geração sem que tudo isto aconteça.
 +
31. Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão.
 +
32. A respeito, porém, daquele dia ou daquela hora, ninguém o sabe, nem os anjos do céu nem mesmo o Filho, mas somente o Pai.
 +
33. Ficai de sobreaviso, vigiai; porque não sabeis quando será o tempo.
 +
34. Será como um homem que, partindo em viagem, deixa a sua casa e delega sua autoridade aos seus servos, indicando o trabalho de cada um, e manda ao porteiro que vigie.
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35. Vigiai, pois, visto que não sabeis quando o senhor da casa voltará, se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã,
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36. para que, vindo de repente, não vos encontre dormindo.
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37. O que vos digo, digo a todos: vigiai!
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Capítulo 14
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1. Ora, dali a dois dias seria a festa da Páscoa e dos (pães) Ázimos; e os sumos sacerdotes e os escribas buscavam algum meio de prender Jesus à traição para matá-lo.
 +
2. Mas não durante a festa, diziam eles, para não haver talvez algum tumulto entre o povo.
 +
3. Jesus se achava em Betânia, em casa de Simão, o leproso. Quando ele se pôs à mesa, entrou uma mulher trazendo um vaso de alabastro cheio de um perfume de nardo puro, de grande preço, e, quebrando o vaso, derramou-lho sobre a cabeça.
 +
4. Alguns, porém, ficaram indignados e disseram entre si: Por que este desperdício de bálsamo?
 +
5. Poder-se-ia tê-lo vendido por mais de trezentos denários, e os dar aos pobres. E irritavam-se contra ela.
 +
6. Mas Jesus disse-lhes: Deixai-a. Por que a molestais? Ela me fez uma boa obra.
 +
7. Vós sempre tendes convosco os pobres e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem; mas a mim não me tendes sempre.
 +
8. Ela fez o que pode: embalsamou-me antecipadamente o corpo para a sepultura.
 +
9. Em verdade vos digo: onde quer que for pregado em todo o mundo o Evangelho, será contado para sua memória o que ela fez.
 +
10. Judas Iscariotes, um dos Doze, foi avistar-se com os sumos sacerdotes para lhes entregar Jesus.
 +
11. A esta notícia, eles alegraram-se e prometeram dar-lhe dinheiro. E ele buscava ocasião oportuna para o entregar.
 +
12. No primeiro dia dos Ázimos, em que se imolava a Páscoa, perguntaram-lhe os discípulos: Onde queres que preparemos a refeição da Páscoa?
 +
13. Ele enviou dois dos seus discípulos, dizendo: Ide à cidade, e sair-vos-á ao encontro um homem, carregando um cântaro de água.
 +
14. Segui-o e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: O Mestre pergunta: Onde está a sala em que devo comer a Páscoa com os meus discípulos?
 +
15. E ele vos mostrará uma grande sala no andar superior, mobiliada e pronta. Fazei ali os preparativos.
 +
16. Partiram os discípulos para a cidade e acharam tudo como Jesus lhes havia dito, e prepararam a Páscoa.
 +
17. Chegando a tarde, dirigiu-se ele para lá com os Doze.
 +
18. E enquanto estavam sentados à mesa e comiam, Jesus disse: Em verdade vos digo: um de vós que come comigo me há de entregar.
 +
19. Começaram a entristecer-se e a perguntar-lhe, um após outro: Porventura sou eu?
 +
20. Respondeu-lhes ele: É um dos Doze, que se serve comigo do mesmo prato.
 +
21. O Filho do homem vai, segundo o que dele está escrito, mas ai daquele homem por quem o Filho do homem for traído! Melhor lhe seria que nunca tivesse nascido...
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22. Durante a refeição, Jesus tomou o pão e, depois de o benzer, partiu-o e deu-lho, dizendo: Tomai, isto é o meu corpo.
 +
23. Em seguida, tomou o cálice, deu graças e apresentou-lho, e todos dele beberam.
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24. E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos.
 +
25. Em verdade vos digo: já não beberei do fruto da videira, até aquele dia em que o beberei de novo no Reino de Deus.
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26. Terminado o canto dos Salmos, saíram para o monte das Oliveiras.
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27. E Jesus disse-lhes: Vós todos vos escandalizareis, pois está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas serão dispersas (Zac 13,7).
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28. Mas depois que eu ressurgir, eu vos precederei na Galiléia.
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29. Entretanto, Pedro lhe respondeu: Ainda que todos se escandalizem de
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ti, eu, porém, nunca!
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30. Jesus disse-lhe: Em verdade te digo: hoje, nesta mesma noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes me terás negado.
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31. Mas Pedro repetia com maior ardor: Ainda que seja preciso morrer contigo, não te renegarei.E todos disseram o mesmo.
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32. Foram em seguida para o lugar chamado Getsêmani, e Jesus disse a seus discípulos: Sentai-vos aqui, enquanto vou orar.
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33. Levou consigo Pedro, Tiago e João; e começou a ter pavor e a angustiar-se.
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34. Disse-lhes: A minha alma está numa tristeza mortal; ficai aqui e vigiai.
 +
35. Adiantando-se alguns passos, prostrou-se com a face por terra e orava que, se fosse possível, passasse dele aquela hora.
 +
36. Aba! (Pai!), suplicava ele. Tudo te é possível; afasta de mim este cálice! Contudo, não se faça o que eu quero, senão o que tu queres.
 +
37. Em seguida, foi ter com seus discípulos e achou-os dormindo. Disse a Pedro: Simão, dormes? Não pudeste vigiar uma hora!
 +
38. Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. Pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca.
 +
39. Afastou-se outra vez e orou, dizendo as mesmas palavras.
 +
40. Voltando, achou-os de novo dormindo, porque seus olhos estavam pesados; e não sabiam o que lhe responder.
 +
41. Voltando pela terceira vez, disse-lhes: Dormi e descansai. Basta! Veio a hora! O Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores.
 +
42. Levantai-vos e vamos! Aproxima-se o que me há de entregar.
 +
43. Ainda falava, quando chegou Judas Iscariotes, um dos Doze, e com ele um bando armado de espadas e cacetes, enviado pelos sumos sacerdotes, escribas e anciãos.
 +
44. Ora, o traidor tinha-lhes dado o seguinte sinal: Aquele a quem eu beijar é ele. Prendei-o e levai-o com cuidado.
 +
45. Assim que ele se aproximou de Jesus, disse: Rabi!, e o beijou.
 +
46. Lançaram-lhe as mãos e o prenderam.
 +
47. Um dos circunstantes tirou da espada, feriu o servo do sumo sacerdote e decepou-lhe a orelha.
 +
48. Mas Jesus tomou a palavra e disse-lhes: Como a um bandido, saístes com espadas e cacetes para prender-me!
 +
49. Entretanto, todos os dias estava convosco, ensinando no templo, e não me prendestes. Mas isso acontece para que se cumpram as Escrituras.
 +
50. Então todos o abandonaram e fugiram.
 +
51. Seguia-o um jovem coberto somente de um pano de linho; e prenderam-no.
 +
52. Mas, lançando ele de si o pano de linho, escapou-lhes despido.
 +
53. Conduziram Jesus à casa do sumo sacerdote, onde se reuniram todos os sacerdotes, escribas e anciãos.
 +
54. Pedro o foi seguindo de longe até dentro do pátio. Sentou-se junto do fogo com os servos e aquecia-se.
 +
55. Os sumos sacerdotes e todo o conselho buscavam algum testemunho contra Jesus, para o condenar à morte, mas não o achavam.
 +
56. Muitos diziam falsos testemunhos contra ele, mas seus depoimentos não concordavam.
 +
57. Levantaram-se, então, alguns e deram esse falso testemunho contra ele:
 +
58. Ouvimo-lo dizer: Eu destruirei este templo, feito por mãos de homens, e em três dias edificarei outro, que não será feito por mãos de homens.
 +
59. Mas nem neste ponto eram coerentes os seus testemunhos.
 +
60. O sumo sacerdote levantou-se no meio da assembléia e perguntou a Jesus: Não respondes nada? O que é isto que dizem contra ti?
 +
61. Mas Jesus se calava e nada respondia. O sumo sacerdote tornou a perguntar-lhe: És tu o Cristo, o Filho de Deus bendito?
 +
62. Jesus respondeu: Eu o sou. E vereis o Filho do Homem sentado à direita do poder de Deus, vindo sobre as nuvens do céu.
 +
63. O sumo sacerdote rasgou então as suas vestes. Para que desejamos ainda testemunhas?!, exclamou ele.
 +
64. Ouvistes a blasfêmia! Que vos parece? E unanimemente o julgaram merecedor da morte.
 +
65. Alguns começaram a cuspir nele, a tapar-lhe o rosto, a dar-lhe socos e a dizer-lhe: Adivinha! Os servos igualmente davam-lhe bofetadas.
 +
66. Estando Pedro embaixo, no pátio, veio uma das criadas do sumo sacerdote.
 +
67. Ela fixou os olhos em Pedro, que se aquecia, e disse: Também tu estavas com Jesus de Nazaré.
 +
68. Ele negou: Não sei, nem compreendo o que dizes. E saiu para a entrada do pátio; e o galo cantou.
 +
69. A criada, que o vira, começou a dizer aos circunstantes: Este faz parte do grupo deles.
 +
70. Mas Pedro negou outra vez. Pouco depois, os que ali estavam diziam de novo a Pedro: Certamente tu és daqueles, pois és galileu.
 +
71. Então ele começou a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem de quem falais.
 +
72. E imediatamente cantou o galo pela segunda vez. Pedro lembrou-se da palavra que Jesus lhe havia dito: Antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás. E, lembrando-se disso, rompeu em soluços.
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Capítulo 15
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1. Logo pela manhã se reuniram os sumos sacerdotes com os anciãos, os escribas e com todo o conselho. E tendo amarrado Jesus, levaram-no e entregaram-no a Pilatos.
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2. Este lhe perguntou: És tu o rei dos judeus? Ele lhe respondeu: Sim.
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3. Os sumos sacerdotes acusavam-no de muitas coisas.
 +
4. Pilatos perguntou-lhe outra vez: Nada respondes? Vê de quantos delitos te acusam!
 +
5. Mas Jesus nada mais respondeu, de modo que Pilatos ficou admirado.
 +
6. Ora, costumava ele soltar-lhes em cada festa qualquer dos presos que pedissem.
 +
7. Havia na prisão um, chamado Barrabás, que fora preso com seus cúmplices, o qual na sedição perpetrara um homicídio.
 +
8. O povo que tinha subido começou a pedir-lhe aquilo que sempre lhes costumava conceder.
 +
9. Pilatos respondeu-lhes: Quereis que vos solte o rei dos judeus?
 +
10. (Porque sabia que os sumos sacerdotes o haviam entregue por inveja.)
 +
11. Mas os pontífices instigaram o povo para que pedissem de preferência que lhes soltasse Barrabás.
 +
12. Pilatos falou-lhes outra vez: E que quereis que eu faça daquele a quem chamais o rei dos judeus?
 +
13. Eles tornaram a gritar: Crucifica-o!
 +
14. Pilatos replicou: Mas que mal fez ele? Eles clamavam mais ainda: Crucifica-o!
 +
15. Querendo Pilatos satisfazer o povo, soltou-lhes Barrabás e entregou Jesus, depois de açoitado, para que fosse crucificado.
 +
16. Os soldados conduziram-no ao interior do pátio, isto é, ao pretório, onde convocaram toda a coorte.
 +
17. Vestiram Jesus de púrpura, teceram uma coroa de espinhos e a colocaram na sua cabeça.
 +
18. E começaram a saudá-lo: Salve, rei dos judeus!
 +
19. Davam-lhe na cabeça com uma vara, cuspiam nele e punham-se de joelhos como para homenageá-lo.
 +
20. Depois de terem escarnecido dele, tiraram-lhe a púrpura, deram-lhe de novo as vestes e conduziram-no fora para o crucificar.
 +
21. Passava por ali certo homem de Cirene, chamado Simão, que vinha do campo, pai de Alexandre e de Rufo, e obrigaram-no a que lhe levasse a cruz.
 +
22. Conduziram Jesus ao lugar chamado Gólgota, que quer dizer lugar do crânio.
 +
23. Deram-lhe de beber vinho misturado com mirra, mas ele não o aceitou.
 +
24. Depois de o terem crucificado, repartiram as suas vestes, tirando a sorte sobre elas, para ver o que tocaria a cada um.
 +
25. Era a hora terceira quando o crucificaram.
 +
26. A inscrição que motivava a sua condenação dizia: O rei dos judeus.
 +
27. Crucificaram com ele dois bandidos: um à sua direita e outro à esquerda.
 +
28. [Cumpriu-se assim a passagem da Escritura que diz: Ele foi contado entre os malfeitores (Is 53,12).]
 +
29. Os que iam passando injuriavam-no e abanavam a cabeça, dizendo: Olá! Tu que destróis o templo e o reedificas em três dias,
 +
30. salva-te a ti mesmo! Desce da cruz!
 +
31. Desta maneira, escarneciam dele também os sumos sacerdotes e os escribas, dizendo uns para os outros: Salvou a outros e a si mesmo não pode salvar!
 +
32. Que o Cristo, rei de Israel, desça agora da cruz, para que vejamos e creiamos! Também os que haviam sido crucificados com ele o insultavam.
 +
33. Desde a hora sexta até a hora nona, houve trevas por toda a terra.
 +
34. E à hora nona Jesus bradou em alta voz: Elói, Elói, lammá sabactáni?, que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?
 +
35. Ouvindo isto, alguns dos circunstantes diziam: Ele chama por Elias!
 +
36. Um deles correu e ensopou uma esponja em vinagre e, pondo-a na ponta de uma vara, deu-lho para beber, dizendo: Deixai, vejamos se Elias vem tirá-lo.
 +
37. Jesus deu um grande brado e expirou.
 +
38. O véu do templo rasgou-se então de alto a baixo em duas partes.
 +
39. O centurião que estava diante de Jesus, ao ver que ele tinha expirado assim, disse: Este homem era realmente o Filho de Deus.
 +
40. Achavam-se ali também umas mulheres, observando de longe, entre as quais Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José, e Salomé,
 +
41. que o tinham seguido e o haviam assistido, quando ele estava na Galiléia; e muitas outras que haviam subido juntamente com ele a Jerusalém.
 +
42. Quando já era tarde - era a Preparação, isto é‚ é a véspera do sábado -,
 +
43. veio José de Arimatéia, ilustre membro do conselho, que também esperava o Reino de Deus; ele foi resoluto à presença de Pilatos e pediu o corpo de Jesus.
 +
44. Pilatos admirou-se de que ele tivesse morrido tão depressa. E, chamando o centurião, perguntou se já havia muito tempo que Jesus tinha morrido.
 +
45. Obtida a resposta afirmativa do centurião, mandou dar-lhe o corpo.
 +
46. Depois de ter comprado um pano de linho, José tirou-o da cruz, envolveu-o no pano e depositou-o num sepulcro escavado na rocha, rolando uma pedra para fechar a entrada.
 +
47. Maria Madalena e Maria, mãe de José, observavam onde o depositavam.
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Capítulo 16
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1. Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir Jesus.
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2. E no primeiro dia da semana, foram muito cedo ao sepulcro, mal o sol havia despontado.
 +
3. E diziam entre si: Quem nos há de remover a pedra da entrada do sepulcro?
 +
4. Levantando os olhos, elas viram removida a pedra, que era muito grande.
 +
5. Entrando no sepulcro, viram, sentado do lado direito, um jovem, vestido de roupas brancas, e assustaram-se.
 +
6. Ele lhes falou: Não tenhais medo. Buscais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou, já não está aqui. Eis o lugar onde o depositaram.
 +
7. Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galiléia. Lá o vereis como vos disse.
 +
8. Elas saíram do sepulcro e fugiram trêmulas e amedrontadas. E a ninguém disseram coisa alguma por causa do medo.
 +
9. Tendo Jesus ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana apareceu primeiramente a Maria de Magdala, de quem tinha expulsado sete demônios.
 +
10. Foi ela noticiá-lo aos que estiveram com ele, os quais estavam aflitos e chorosos.
 +
11. Quando souberam que Jesus vivia e que ela o tinha visto, não quiseram acreditar.
 +
12. Mais tarde, ele apareceu sob outra forma a dois entre eles que iam para o campo.
 +
13. Eles foram anunciá-lo aos demais. Mas estes tampouco acreditaram.
 +
14. Por fim apareceu aos Onze, quando estavam sentados à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, por não acreditarem nos que o tinham visto ressuscitado.
 +
15. E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura.
 +
16. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.
 +
17. Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas,
 +
18. manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados.
 +
19. Depois que o Senhor Jesus lhes falou, foi levado ao céu e está sentado à direita de Deus.
 +
20. Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.
 +
 
 +
=====Lc. - Evangelho segundo Lucas=====
 +
 
 +
Capítulo 1
 +
 
 +
1. Muitos empreenderam compor uma história dos acontecimentos que se realizaram entre nós,
 +
2. como no-los transmitiram aqueles que foram desde o princípio testemunhas oculares e que se tornaram ministros da palavra.
 +
3. Também a mim me pareceu bem, depois de haver diligentemente investigado tudo desde o princípio, escrevê-los para ti segundo a ordem, excelentíssimo Teófilo,
 +
4. para que conheças a solidez daqueles ensinamentos que tens recebido.
 +
5. Nos tempos de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote por nome Zacarias, da classe de Abias; sua mulher, descendente de Aarão, chamava-se Isabel.
 +
6. Ambos eram justos diante de Deus e observavam irrepreensivelmente todos os mandamentos e preceitos do Senhor.
 +
7. Mas não tinham filho, porque Isabel era estéril e ambos de idade avançada.
 +
8. Ora, exercendo Zacarias diante de Deus as funções de sacerdote, na ordem da sua classe,
 +
9. coube-lhe por sorte, segundo o costume em uso entre os sacerdotes, entrar no santuário do Senhor e aí oferecer o perfume.
 +
10. Todo o povo estava de fora, à hora da oferenda do perfume.
 +
11. Apareceu-lhe então um anjo do Senhor, em pé, à direita do altar do perfume.
 +
12. Vendo-o, Zacarias ficou perturbado, e o temor assaltou-o.
 +
13. Mas o anjo disse-lhe: Não temas, Zacarias, porque foi ouvida a tua oração: Isabel, tua mulher, dar-te-á um filho, e chamá-lo-ás João.
 +
14. Ele será para ti motivo de gozo e alegria, e muitos se alegrarão com o seu nascimento;
 +
15. porque será grande diante do Senhor e não beberá vinho nem cerveja, e desde o ventre de sua mãe será cheio do Espírito Santo;
 +
16. ele converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus,
 +
17. e irá adiante de Deus com o espírito e poder de Elias para reconduzir os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem disposto.
 +
18. Zacarias perguntou ao anjo: Donde terei certeza disto? Pois sou velho e minha mulher é de idade avançada.
 +
19. O anjo respondeu-lhe: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado para te falar e te trazer esta feliz nova.
 +
20. Eis que ficarás mudo e não poderás falar até o dia em que estas coisas acontecerem, visto que não deste crédito às minhas palavras, que se hão de cumprir a seu tempo.
 +
21. No entanto, o povo estava esperando Zacarias; e admirava-se de ele se demorar tanto tempo no santuário.
 +
22. Ao sair, não lhes podia falar, e compreenderam que tivera no santuário uma visão. Ele lhes explicava isto por acenos; e permaneceu mudo.
 +
23. Decorridos os dias do seu ministério, retirou-se para sua casa.
 +
24. Algum tempo depois Isabel, sua mulher, concebeu; e por cinco meses se ocultava, dizendo:
 +
25. Eis a graça que o Senhor me fez, quando lançou os olhos sobre mim para tirar o meu opróbrio dentre os homens.
 +
26. No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré,
 +
27. a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria.
 +
28. Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.
 +
29. Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação.
 +
30. O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus.
 +
31. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus.
 +
32. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó,
 +
33. e o seu reino não terá fim.
 +
34. Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem?
 +
35. Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus.
 +
36. Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril,
 +
37. porque a Deus nenhuma coisa é impossível.
 +
38. Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela.
 +
39. Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá.
 +
40. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.
 +
41. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
 +
42. E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.
 +
43. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?
 +
44. Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio.
 +
45. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!
 +
46. E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor,
 +
47. meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador,
 +
48. porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações,
 +
49. porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.
 +
50. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem.
 +
51. Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos.
 +
52. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes.
 +
53. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos.
 +
54. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,
 +
55. conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre.
 +
56. Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa.
 +
57. Completando-se para Isabel o tempo de dar à luz, teve um filho.
 +
58. Os seus vizinhos e parentes souberam que o Senhor lhe manifestara a sua misericórdia, e congratulavam-se com ela.
 +
59. No oitavo dia, foram circuncidar o menino e o queriam chamar pelo nome de seu pai, Zacarias.
 +
60. Mas sua mãe interveio: Não, disse ela, ele se chamará João.
 +
61. Replicaram-lhe: Não há ninguém na tua família que se chame por este nome.
 +
62. E perguntavam por acenos ao seu pai como queria que se chamasse.
 +
63. Ele, pedindo uma tabuinha, escreveu nela as palavras: João é o seu nome. Todos ficaram pasmados.
 +
64. E logo se lhe abriu a boca e soltou-se-lhe a língua e ele falou, bendizendo a Deus.
 +
65. O temor apoderou-se de todos os seus vizinhos; o fato divulgou-se por todas as montanhas da Judéia.
 +
66. Todos os que o ouviam conservavam-no no coração, dizendo: Que será este menino? Porque a mão do Senhor estava com ele.
 +
67. Zacarias, seu pai, ficou cheio do Espírito Santo e profetizou, nestes termos:
 +
68. Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e resgatou o seu povo,
 +
69. e suscitou-nos um poderoso Salvador, na casa de Davi, seu servo
 +
70. (como havia anunciado, desde os primeiros tempos, mediante os seus santos profetas),
 +
71. para nos livrar dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos odeiam.
 +
72. Assim exerce a sua misericórdia com nossos pais, e se recorda de sua santa aliança,
 +
73. segundo o juramento que fez a nosso pai Abraão: de nos conceder que, sem temor,
 +
74. libertados de mãos inimigas, possamos servi-lo
 +
75. em santidade e justiça, em sua presença, todos os dias da nossa vida.
 +
76. E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e lhe prepararás o caminho,
 +
77. para dar ao seu povo conhecer a salvação, pelo perdão dos pecados.
 +
78. Graças à ternura e misericórdia de nosso Deus, que nos vai trazer do alto a visita do Sol nascente,
 +
79. que há de iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte e dirigir os nossos passos no caminho da paz.
 +
80. O menino foi crescendo e fortificava-se em espírito, e viveu nos desertos até o dia em que se apresentou diante de Israel.
  
 
   
 
   
Capítulo 14
+
Capítulo 2
  
1. Em Icônio, Paulo e Barnabé, segundo seu costume, entraram na sinagoga dos judeus e ali pregaram, de tal modo que uma grande multidão de judeus e de gregos se converteu à fé.
+
1. Naqueles tempos apareceu um decreto de César Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra.
2. Mas os judeus, que tinham permanecido incrédulos, excitaram os ânimos dos pagãos contra os irmãos.
+
2. Este recenseamento foi feito antes do governo de Quirino, na Síria.
3. Não obstante, eles se demoraram ali por muito tempo, falando com desassombro e confiança no Senhor, que dava testemunho à palavra da sua graça pelos milagres e prodígios que ele operava por mãos dos apóstolos.
+
3. Todos iam alistar-se, cada um na sua cidade.
4. A população da cidade achava-se dividida: uns eram pelos judeus, outros pelos apóstolos.
+
4. Também José subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi,
5. Mas como se tivesse levantado um motim dos gentios e dos judeus, com os seus chefes, para os ultrajar e apedrejar,
+
5. para se alistar com a sua esposa Maria, que estava grávida.
6. ao saberem disso, fugiram para as cidades da Licaônia, Listra e Derbe e suas circunvizinhanças.
+
6. Estando eles ali, completaram-se os dias dela.
7. Ali pregaram o Evangelho.
+
7. E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria.
8. Em Listra vivia um homem aleijado das pernas, coxo de nascença, que nunca tinha andado.
+
8. Havia nos arredores uns pastores, que vigiavam e guardavam seu rebanho nos campos durante as vigílias da noite.
9. Sentado, ele ouvia Paulo pregar. Este, fixando nele os olhos e vendo que tinha fé para ser curado,
+
9. Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu ao redor deles, e tiveram grande temor.
10. disse em alta voz: Levanta-te direito sobre os teus pés! Ele deu um salto e pôs-se a andar.
+
10. O anjo disse-lhes: Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo:
11. Vendo a multidão o que Paulo fizera, levantou a voz, gritando em língua licaônica: Deuses em figura de homens baixaram a nós!
+
11. hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor.
12. Chamavam a Barnabé Zeus e a Paulo Hermes, porque era este quem dirigia a palavra.
+
12. Isto vos servirá de sinal: achareis um recém-nascido envolto em faixas e posto numa manjedoura.
13. Um sacerdote de Zeus Propóleos trouxe para as portas touros ornados de grinaldas, querendo, de acordo com todo o povo, sacrificar-lhos.
+
13. E subitamente ao anjo se juntou uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus e dizia:
14. Mas os apóstolos Barnabé e Paulo, ao perceberem isso, rasgaram as suas vestes e saltaram no meio da multidão:
+
14. Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens, objetos da benevolência (divina).
15. Homens, clamavam eles, por que fazeis isso? Também nós somos homens, da mesma condição que vós, e pregamos justamente para que vos convertais das coisas vãs ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo quanto neles há.
+
15. Depois que os anjos os deixaram e voltaram para o céu, falaram os pastores uns com os outros: Vamos até Belém e vejamos o que se realizou e o que o Senhor nos manifestou.
16. Ele permitiu nos tempos passados que todas as nações seguissem os seus caminhos.
+
16. Foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura.
17. Contudo, nunca deixou de dar testemunho de si mesmo, por seus benefícios: dando-vos do céu as chuvas e os tempos férteis, concedendo abundante alimento e enchendo os vossos corações de alegria.
+
17. Vendo-o, contaram o que se lhes havia dito a respeito deste menino.
18. Apesar dessas palavras, não foi sem dificuldade que contiveram a multidão de sacrificar a eles.
+
18. Todos os que os ouviam admiravam-se das coisas que lhes contavam os pastores.
19. Sobrevieram, porém, alguns judeus de Antioquia e de Icônio que persuadiram a multidão. Apedrejaram Paulo e, dando-o por morto, arrastaram-no para fora da cidade.
+
19. Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração.
20. Os discípulos o rodearam. Ele se levantou e entrou na cidade. No dia seguinte, partiu com Barnabé para Derbe.
+
20. Voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, e que estava de acordo com o que lhes fora dito.
21. Depois de ter pregado o Evangelho à cidade de Derbe, onde ganharam muitos discípulos, voltaram para Listra, Icônio e Antioquia (da Pisídia).
+
21. Completados que foram os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, como lhe tinha chamado o anjo, antes de ser concebido no seio materno.
22. Confirmavam as almas dos discípulos e exortavam-nos a perseverar na fé, dizendo que é necessário entrarmos no Reino de Deus por meio de muitas tribulações.
+
22. Concluídos os dias da sua purificação segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentar ao Senhor,
23. Em cada igreja instituíram anciãos e, após orações com jejuns, encomendaram-nos ao Senhor, em quem tinham confiado.
+
23. conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor (Ex 13,2);
24. Atravessaram a Pisídia e chegaram a Panfília.
+
24. e para oferecerem o sacrifício prescrito pela lei do Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos.
25. Depois de ter anunciado a palavra do Senhor em Perge, desceram a Atália.
+
25. Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele.
26. Dali navegaram para Antioquia (da Síria), de onde tinham partido, encomendados à graça de Deus para a obra que estavam a completar.
+
26. Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor.
27. Ali chegados, reuniram a igreja e contaram quão grandes coisas Deus fizera com eles, e como abrira a porta da fé aos gentios.
+
27. Impelido pelo Espírito Santo, foi ao templo. E tendo os pais apresentado o menino Jesus, para cumprirem a respeito dele os preceitos da lei,
28. Demoraram-se com os discípulos longo tempo.
+
28. tomou-o em seus braços e louvou a Deus nestes termos:
 +
29. Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra.
 +
30. Porque os meus olhos viram a vossa salvação
 +
31. que preparastes diante de todos os povos,
 +
32. como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel.
 +
33. Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam.
 +
34. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições,
 +
35. a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma.
 +
36. Havia também uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser; era de idade avançada.
 +
37. Depois de ter vivido sete anos com seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações.
 +
38. Chegando ela à mesma hora, louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação.
 +
39. Após terem observado tudo segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, à sua cidade de Nazaré.
 +
40. O menino ia crescendo e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele.
 +
41. Seus pais iam todos os anos a Jerusalém para a festa da Páscoa.
 +
42. Tendo ele atingido doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa.
 +
43. Acabados os dias da festa, quando voltavam, ficou o menino Jesus em Jerusalém, sem que os seus pais o percebessem.
 +
44. Pensando que ele estivesse com os seus companheiros de comitiva, andaram caminho de um dia e o buscaram entre os parentes e conhecidos.
 +
45. Mas não o encontrando, voltaram a Jerusalém, à procura dele.
 +
46. Três dias depois o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os.
 +
47. Todos os que o ouviam estavam maravilhados da sabedoria de suas respostas.
 +
48. Quando eles o viram, ficaram admirados. E sua mãe disse-lhe: Meu filho, que nos fizeste?! Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição.
 +
49. Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?
 +
50. Eles, porém, não compreenderam o que ele lhes dissera.
 +
51. Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração.
 +
52. E Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens.
 +
 
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Capítulo 3
 +
 
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1. No ano décimo quinto do reinado do imperador Tibério, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe tetrarca da Ituréia e da província de Traconites, e Lisânias tetrarca da Abilina,
 +
2. sendo sumos sacerdotes Anás e Caifás, veio a palavra do Senhor no deserto a João, filho de Zacarias.
 +
3. Ele percorria toda a região do Jordão, pregando o batismo de arrependimento para remissão dos pecados,
 +
4. como está escrito no livro das palavras do profeta Isaías (40,3ss.): Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.
 +
5. Todo vale será aterrado, e todo monte e outeiro serão arrasados; tornar-se-á direito o que estiver torto, e os caminhos escabrosos serão aplainados.
 +
6. Todo homem verá a salvação de Deus.
 +
7. Dizia, pois, ao povo que vinha para ser batizado por ele: Raça de víboras! Quem vos ensinou a fugir da ira iminente?
 +
8. Fazei, pois, uma conversão realmente frutuosa e não comeceis a dizer: Temos Abraão por pai. Pois vos digo: Deus tem poder para destas pedras suscitar filhos a Abraão.
 +
9. O machado já está posto à raiz das árvores. E toda árvore que não der fruto bom será cortada e lançada ao fogo.
 +
10. Perguntava-lhe a multidão: Que devemos fazer?
 +
11. Ele respondia: Quem tem duas túnicas dê uma ao que não tem; e quem tem o que comer, faça o mesmo.
 +
12. Também publicanos vieram para ser batizados, e perguntaram-lhe: Mestre, que devemos fazer?
 +
13. Ele lhes respondeu: Não exijais mais do que vos foi ordenado.
 +
14. Do mesmo modo, os soldados lhe perguntavam: E nós, que devemos fazer? Respondeu-lhes: Não pratiqueis violência nem defraudeis a ninguém, e contentai-vos com o vosso soldo.
 +
15. Ora, como o povo estivesse na expectativa, e como todos perguntassem em seus corações se talvez João fosse o Cristo,
 +
16. ele tomou a palavra, dizendo a todos: Eu vos batizo na água, mas eis que vem outro mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias; ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo.
 +
17. Ele tem a pá na mão e limpará a sua eira, e recolherá o trigo ao seu celeiro, mas queimará as palhas num fogo inextinguível.
 +
18. É assim que ele anunciava ao povo a boa nova, e dirigia-lhe ainda muitas outras exortações.
 +
19. Mas Herodes, o tetrarca, repreendido por ele por causa de Herodíades, mulher de seu irmão, e por causa de todos os crimes que praticara,
 +
20. acrescentou a todos eles também este: encerrou João no cárcere.
 +
21. Quando todo o povo ia sendo batizado, também Jesus o foi. E estando ele a orar, o céu se abriu
 +
22. e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como uma pomba; e veio do céu uma voz: Tu és o meu Filho bem-amado; em ti ponho minha afeição.
 +
23. Quando Jesus começou o seu ministério, tinha cerca de trinta anos, e era tido por filho de José, filho de Heli, filho de Matat,
 +
24. filho de Levi, filho de Melqui, filho de Jané, filho de José,
 +
25. filho de Matatias, filho de Amós, filho de Naum, filho de Hesli, filho de Nagé,
 +
26. filho de Maat, filho de Matatias, filho de Semei, filho de José, filho de Judá,
 +
27. filho de Joanã, filho de Resa, filho de Zorobabel, filho de Salatiel, filho de Neri,
 +
28. filho de Melqui, filho de Adi, filho de Cosã, filho de Elmadão, filho de Her,
 +
29. filho de Jesus, filho de Eliezer, filho de Jorim, filho de Matat, filho de Levi,
 +
30. filho de Simeão, filho de Judá, filho de José, filho de Jonão, filho de Eliacim,
 +
31. filho de Meléia, filho de Mena, filho de Matata, filho de Natã, filho de Davi,
 +
32. filho de Jessé, filho de Obed, filho de Booz, filho de Salmon, filho de Naason,
 +
33. filho de Aminadab, filho de Arão, filho de Esron, filho de Farés, filho de Judá,
 +
34. filho de Jacó, filho de Isaac, filho de Abraão, filho de Taré, filho de Nacor,
 +
35. filho de Sarug, filho de Ragau, filho de Faleg, filho de Eber, filho de Salé,
 +
36. filho de Cainã, filho de Arfaxad, filho de Sem, filho de Noé, filho de Lamec,
 +
37. filho de Matusalém, filho de Henoc, filho de Jared, filho de Malaleel, filho de Cainã,
 +
38. filho de Henós, filho de Set, filho de Adão, filho de Deus.
 +
 
 +
 +
Capítulo 4
 +
 
 +
1. Cheio do Espírito Santo, voltou Jesus do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto,
 +
2. onde foi tentado pelo demônio durante quarenta dias. Durante este tempo ele nada comeu e, terminados estes dias, teve fome.
 +
3. Disse-lhe então o demônio: Se és o Filho de Deus, ordena a esta pedra que se torne pão.
 +
4. Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra de Deus (Dt 8,3).
 +
5. O demônio levou-o em seguida a um alto monte e mostrou-lhe num só momento todos os reinos da terra,
 +
6. e disse-lhe: Dar-te-ei todo este poder e a glória desses reinos, porque me foram dados, e dou-os a quem quero.
 +
7. Portanto, se te prostrares diante de mim, tudo será teu.
 +
8. Jesus disse-lhe: Está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e a ele só servirás (Dt 6,13).
 +
9. O demônio levou-o ainda a Jerusalém, ao ponto mais alto do templo, e disse-lhe: Se és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo;
 +
10. porque está escrito: Ordenou aos seus anjos a teu respeito que te guardassem.
 +
11. E que te sustivessem em suas mãos, para não ferires o teu pé nalguma pedra (Sl 90,11s.).
 +
12. Jesus disse: Foi dito: Não tentarás o Senhor teu Deus (Dt 6,16).
 +
13. Depois de tê-lo assim tentado de todos os modos, o demônio apartou-se dele até outra ocasião.
 +
14. Jesus então, cheio da força do Espírito, voltou para a Galiléia. E a sua fama divulgou-se por toda a região.
 +
15. Ele ensinava nas sinagogas e era aclamado por todos.
 +
16. Dirigiu-se a Nazaré, onde se havia criado. Entrou na sinagoga em dia de sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para ler.
 +
17. Foi-lhe dado o livro do profeta Isaías. Desenrolando o livro, escolheu a passagem onde está escrito (61,1s.):
 +
18. O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração,
 +
19. para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor.
 +
20. E enrolando o livro, deu-o ao ministro e sentou-se; todos quantos estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele.
 +
21. Ele começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu este oráculo que vós acabais de ouvir.
 +
22. Todos lhe davam testemunho e se admiravam das palavras de graça, que procediam da sua boca, e diziam: Não é este o filho de José?
 +
23. Então lhes disse: Sem dúvida me citareis este provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo; todas as maravilhas que fizeste em Cafarnaum, segundo ouvimos dizer, faze-o também aqui na tua pátria.
 +
24. E acrescentou: Em verdade vos digo: nenhum profeta é bem aceito na sua pátria.
 +
25. Em verdade vos digo: muitas viúvas havia em Israel, no tempo de Elias, quando se fechou o céu por três anos e meio e houve grande fome por toda a terra;
 +
26. mas a nenhuma delas foi mandado Elias, senão a uma viúva em Sarepta, na Sidônia.
 +
27. Igualmente havia muitos leprosos em Israel, no tempo do profeta Eliseu; mas nenhum deles foi limpo, senão o sírio Naamã.
 +
28. A estas palavras, encheram-se todos de cólera na sinagoga.
 +
29. Levantaram-se e lançaram-no fora da cidade; e conduziram-no até o alto do monte sobre o qual estava construída a sua cidade, e queriam precipitá-lo dali abaixo.
 +
30. Ele, porém, passou por entre eles e retirou-se.
 +
31. Desceu a Cafarnaum, cidade da Galiléia, e ali ensinava-os aos sábados.
 +
32. Maravilharam-se da sua doutrina, porque ele ensinava com autoridade.
 +
33. Estava na sinagoga um homem que tinha um demônio imundo, e exclamou em alta voz:
 +
34. Deixa-nos! Que temos nós contigo, Jesus de Nazaré? Vieste para nos perder? Sei quem és: o Santo de Deus!
 +
35. Mas Jesus replicou severamente: Cala-te e sai deste homem. O demônio lançou-o por terra no meio de todos e saiu dele, sem lhe fazer mal algum.
 +
36. Todos ficaram cheios de pavor e falavam uns com os outros: Que significa isso? Manda com poder e autoridade aos espíritos imundos, e eles saem?
 +
37. E corria a sua fama por todos os lugares da circunvizinhança.
 +
38. Saindo Jesus da sinagoga, entrou na casa de Simão. A sogra de Simão estava com febre alta; e pediram-lhe por ela.
 +
39. Inclinando-se sobre ela, ordenou ele à febre, e a febre deixou-a. Ela levantou-se imediatamente e pôs-se a servi-los.
 +
40. Depois do pôr-do-sol, todos os que tinham enfermos de diversas moléstias lhos traziam. Impondo-lhes a mão, os sarava.
 +
41. De muitos saíam os demônios, aos gritos, dizendo: Tu és o Filho de Deus. Mas ele repreendia-os severamente, não lhes permitindo falar, porque sabiam que ele era o Cristo.
 +
42. Ao amanhecer, ele saiu e retirou-se para um lugar afastado. As multidões o procuravam e foram até onde ele estava e queriam detê-lo, para que não as deixasse.
 +
43. Mas ele disse-lhes: É necessário que eu anuncie a boa nova do Reino de Deus também às outras cidades, pois essa é a minha missão.
 +
44. E andava pregando nas sinagogas da Galiléia.
  
 
   
 
   
Capítulo 15
+
Capítulo 5
 +
 
 +
1. Estando Jesus um dia à margem do lago de Genesaré, o povo se comprimia em redor dele para ouvir a palavra de Deus.
 +
2. Vendo duas barcas estacionadas à beira do lago, - pois os pescadores haviam descido delas para consertar as redes -,
 +
3. subiu a uma das barcas que era de Simão e pediu-lhe que a afastasse um pouco da terra; e sentado, ensinava da barca o povo.
 +
4. Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar.
 +
5. Simão respondeu-lhe: Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos; mas por causa de tua palavra, lançarei a rede.
 +
6. Feito isto, apanharam peixes em tanta quantidade, que a rede se lhes rompia.
 +
7. Acenaram aos companheiros, que estavam na outra barca, para que viessem ajudar. Eles vieram e encheram ambas as barcas, de modo que quase iam ao fundo.
 +
8. Vendo isso, Simão Pedro caiu aos pés de Jesus e exclamou: Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador.
 +
9. É que tanto ele como seus companheiros estavam assombrados por causa da pesca que haviam feito.
 +
10. O mesmo acontecera a Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus companheiros. Então Jesus disse a Simão: Não temas; doravante serás pescador de homens.
 +
11. E atracando as barcas à terra, deixaram tudo e o seguiram.
 +
12. Estando ele numa cidade, apareceu um homem cheio de lepra. Vendo Jesus, lançou-se com o rosto por terra e lhe suplicou: Senhor, se queres, podes limpar-me.
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13. Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: Eu quero; sê purificado! No mesmo instante desapareceu dele a lepra.
 +
14. Ordenou-lhe Jesus que o não contasse a ninguém, dizendo-lhe, porém: Vai e mostra-te ao sacerdote, e oferece pela tua purificação o que Moisés prescreveu, para lhes servir de testemunho.
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15. Entretanto, espalhava-se mais e mais a sua fama e concorriam grandes multidões para o ouvir e ser curadas das suas enfermidades.
 +
16. Mas ele costumava retirar-se a lugares solitários para orar.
 +
17. Um dia estava ele ensinando. Ao seu derredor estavam sentados fariseus e doutores da lei, vindos de todas as localidades da Galiléia, da Judéia e de Jerusalém. E o poder do Senhor fazia-o realizar várias curas.
 +
18. Apareceram algumas pessoas trazendo num leito um homem paralítico; e procuravam introduzi-lo na casa e pô-lo diante dele.
 +
19. Mas não achando por onde o introduzir, por causa da multidão, subiram ao telhado e por entre as telhas o arriaram com o leito ao meio da assembléia, diante de Jesus.
 +
20. Vendo a fé que tinham, disse Jesus: Meu amigo, os teus pecados te são perdoados.
 +
21. Então os escribas e os fariseus começaram a pensar e a dizer consigo mesmos: Quem é este homem que profere blasfêmias? Quem pode perdoar pecados senão unicamente Deus?
 +
22. Jesus, porém, penetrando nos seus pensamentos, replicou-lhes: Que pensais nos vossos corações?
 +
23. Que é mais fácil dizer: Perdoados te são os pecados; ou dizer: Levanta-te e anda?
 +
24. Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder de perdoar pecados (disse ele ao paralítico), eu te ordeno: levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa.
 +
25. No mesmo instante, levantou-se ele à vista deles, tomou o leito e partiu para casa, glorificando a Deus.
 +
26. Todos ficaram transportados de entusiasmo e glorificavam a Deus; e tomados de temor, diziam: Hoje vimos coisas maravilhosas.
 +
27. Depois disso, ele saiu e viu sentado ao balcão um coletor de impostos, por nome Levi, e disse-lhe: Segue-me.
 +
28. Deixando ele tudo, levantou-se e o seguiu.
 +
29. Levi deu-lhe um grande banquete em sua casa; vários desses fiscais e outras pessoas estavam sentados à mesa com eles.
 +
30. Os fariseus e os seus escribas puseram-se a criticar e a perguntar aos discípulos: Por que comeis e bebeis com os publicanos e pessoas de má vida?
 +
31. Respondeu-lhes Jesus: Não são os homens de boa saúde que necessitam de médico, mas sim os enfermos.
 +
32. Não vim chamar à conversão os justos, mas sim os pecadores.
 +
33. Eles então lhe disseram: Os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam com freqüência e fazem longas orações, mas os teus comem e bebem...
 +
34. Jesus respondeu-lhes: Porventura podeis vós obrigar a jejuar os amigos do esposo, enquanto o esposo está com eles?
 +
35. Virão dias em que o esposo lhes será tirado; então jejuarão.
 +
36. Propôs-lhes também esta comparação: Ninguém rasga um pedaço de roupa nova para remendar uma roupa velha, porque assim estragaria uma roupa nova. Além disso, o remendo novo não assentaria bem na roupa velha.
 +
37. Também ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho novo arrebentará os odres e entornar-se-á, e perder-se-ão os odres;
 +
38. mas o vinho novo deve-se pôr em odres novos, e assim ambos se conservam.
 +
39. Demais, ninguém que bebeu do vinho velho quer já do novo, porque diz: O vinho velho é melhor.
  
1. Alguns homens, descendo da Judéia, puseram-se a ensinar aos irmãos o seguinte: Se não vos circuncidais, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos.
+
2. Originou-se então grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, e resolveu-se que estes dois, com alguns outros irmãos, fossem tratar desta questão com os apóstolos e os anciãos em Jerusalém.
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Capítulo 6
3. Acompanhados (algum tempo) dos membros da comunidade, tomaram o caminho que atravessa a Fenícia e Samaria. Contaram a todos os irmãos a conversão dos gentios, o que causou a todos grande alegria.
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4. Chegando a Jerusalém, foram recebidos pela comunidade, pelos apóstolos e anciãos, a quem contaram tudo o que Deus tinha feito com eles.
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1. Em dia de sábado, Jesus atravessava umas plantações; seus discípulos iam colhendo espigas (de trigo), as debulhavam na mão e comiam.
5. Mas levantaram-se alguns que antes de ter abraçado a fé eram da seita dos fariseus, dizendo que era necessário circuncidar os pagãos e impor-lhes a observância da Lei de Moisés.
+
2. Alguns dos fariseus lhes diziam: Por que fazeis o que não é permitido no sábado?
6. Reuniram-se os apóstolos e os anciãos para tratar desta questão.
+
3. Jesus respondeu: Acaso não tendes lido o que fez Davi, quando teve fome, ele e os seus companheiros;
7. Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou-se e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem.
+
4. como entrou na casa de Deus e tomou os pães da proposição e deles comeu e deu de comer aos seus companheiros, se bem que só aos sacerdotes era permitido comê-los?
8. Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a seu respeito, dando-lhes o Espírito Santo, da mesma forma que a nós.
+
5. E ajuntou: O Filho do Homem é senhor também do sábado.
9. Nem fez distinção alguma entre nós e eles, purificando pela fé os seus corações.
+
6. Em outro dia de sábado, Jesus entrou na sinagoga e ensinava. Achava-se ali um homem que tinha a mão direita seca.
10. Por que, pois, provocais agora a Deus, impondo aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?
+
7. Ora, os escribas e os fariseus observavam Jesus para ver se ele curaria no dia de sábado. Eles teriam então pretexto para acusá-lo.
11. Nós cremos que pela graça do Senhor Jesus seremos salvos, exatamente como eles.
+
8. Mas Jesus conhecia os pensamentos deles e disse ao homem que tinha a mão seca: Levanta-te e põe-te em pé, aqui no meio. Ele se levantou e ficou em pé.
12. Toda a assembléia o ouviu silenciosamente. Em seguida, ouviram Barnabé e Paulo contar quantos milagres e prodígios Deus fizera por meio deles entre os gentios.
+
9. Disse-lhes Jesus: Pergunto-vos se no sábado é permitido fazer o bem ou o mal; salvar a vida, ou deixá-la perecer.
13. Depois de terminarem, Tiago tomou a palavra: Irmãos, ouvi-me, disse ele.
+
10. E relanceando os olhos sobre todos, disse ao homem: Estende tua mão. Ele a estendeu, e foi-lhe restabelecida a mão.
14. Simão narrou como Deus começou a olhar para as nações pagãs para tirar delas um povo que trouxesse o seu nome.
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11. Mas eles encheram-se de furor e indagavam uns aos outros o que fariam a Jesus.
15. Ora, com isto concordam as palavras dos profetas, como está escrito:
+
12. Naqueles dias, Jesus retirou-se a uma montanha para rezar, e passou aí toda a noite orando a Deus.
16. Depois disto voltarei, e reedificarei o tabernáculo de Davi que caiu. E reedificarei as suas ruínas, e o levantarei
+
13. Ao amanhecer, chamou os seus discípulos e escolheu doze dentre eles que chamou de apóstolos:
17. para que o resto dos homens busque o Senhor, e todas as nações, sobre as quais tem sido invocado o meu nome.
+
14. Simão, a quem deu o sobrenome de Pedro; André, seu irmão; Tiago, João, Filipe, Bartolomeu,
18. Assim fala o Senhor que faz estas coisas, coisas que ele conheceu desde a eternidade (Am 9,11s.).
+
15. Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Simão, chamado Zelador;
19. Por isso, julgo que não se devem inquietar os que dentre os gentios se convertem a Deus.
+
16. Judas, irmão de Tiago; e Judas Iscariotes, aquele que foi o traidor.
20. Mas que se lhes escreva somente que se abstenham das carnes oferecidas aos ídolos, da impureza, das carnes sufocadas e do sangue.
+
17. Descendo com eles, parou numa planície. Aí se achava um grande número de seus discípulos e uma grande multidão de pessoas vindas da Judéia, de Jerusalém, da região marítima, de Tiro e Sidônia, que tinham vindo para ouvi-lo e ser curadas das suas enfermidades.
21. Porque Moisés, desde muitas gerações, tem em cada cidade seus pregadores, pois que ele é lido nas sinagogas todos os sábados.
+
18. E os que eram atormentados dos espíritos imundos ficavam livres.
22. Então pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos com toda a comunidade escolher homens dentre eles e enviá-los a Antioquia com Paulo e Barnabé: Judas, que tinha o sobrenome de Barsabás, e Silas, homens notáveis entre os irmãos.
+
19. Todo o povo procurava tocá-lo, pois saía dele uma força que os curava a todos.
23. Por seu intermédio enviaram a seguinte carta: "Os apóstolos e os anciãos aos irmãos de origem pagã, em Antioquia, na Síria e Cilícia, saúde!
+
20. Então ele ergueu os olhos para os seus discípulos e disse: Bem-aventurados vós que sois pobres, porque vosso é o Reino de Deus!
24. Temos ouvido que alguns dentre nós vos têm perturbado com palavras, transtornando os vossos espíritos, sem lhes termos dado semelhante incumbência.
+
21. Bem-aventurados vós que agora tendes fome, porque sereis fartos! Bem-aventurados vós que agora chorais, porque vos alegrareis!
25. Assim nós nos reunimos e decidimos escolher delegados e enviá-los a vós, com os nossos amados Barnabé e Paulo,
+
22. Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos ultrajarem, e quando repelirem o vosso nome como infame por causa do Filho do Homem!
26. homens que têm exposto suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo.
+
23. Alegrai-vos naquele dia e exultai, porque grande é o vosso galardão no céu. Era assim que os pais deles tratavam os profetas.
27. Enviamos, portanto, Judas e Silas que de viva voz vos exporão as mesmas coisas.
+
24. Mas ai de vós, ricos, porque tendes a vossa consolação!
28. Com efeito, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do seguinte indispensável:
+
25. Ai de vós, que estais fartos, porque vireis a ter fome! Ai de vós, que agora rides, porque gemereis e chorareis!
29. que vos abstenhais das carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da impureza. Dessas coisas fareis bem de vos guardar conscienciosamente. Adeus!
+
26. Ai de vós, quando vos louvarem os homens, porque assim faziam os pais deles aos falsos profetas!
30. Tendo-se despedido, a delegação dirigiu-se a Antioquia. Ali reuniram a assembléia e entregaram a carta.
+
27. Digo-vos a vós que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam,
31. À sua leitura, todos se alegraram com o estímulo que ela trazia.
+
28. abençoai os que vos maldizem e orai pelos que vos injuriam.
32. Judas e Silas, que eram também profetas, dirigiam aos irmãos muitas palavras de exortação e de animação.
+
29. Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra. E ao que te tirar a capa, não impeças de levar também a túnica.
33. Demoraram-se ali por algum tempo. Foram depois pelos irmãos despedidos em paz, voltando aos que lhos tinham enviado.
+
30. Dá a todo o que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho reclames.
34. [A Silas contudo, pareceu bem ficar ali, e Judas partiu sozinho.]
+
31. O que quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles.
35. Paulo e Barnabé detiveram-se também em Antioquia, ensinando e pregando com muitos outros a palavra do Senhor.
+
32. Se amais os que vos amam, que recompensa mereceis? Também os pecadores amam aqueles que os amam.
36. Ao termo de alguns dias, disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar os irmãos por todas as cidades onde temos pregado a palavra do Senhor, para ver como estão passando.
+
33. E se fazeis bem aos que vos fazem bem, que recompensa mereceis? Pois o mesmo fazem também os pecadores.
37. Barnabé queria levar consigo também João, que tinha por sobrenome Marcos.
+
34. Se emprestais àqueles de quem esperais receber, que recompensa mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para receberem outro tanto.
38. Paulo, porém, achava que não devia ser admitido quem se tinha separado deles em Panfília e não os havia acompanhado no ministério.
+
35. Pelo contrário, amai os vossos inimigos, fazei bem e emprestai, sem daí esperar nada. E grande será a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, porque ele é bom para com os ingratos e maus.
39. Houve tal discussão que se separaram um do outro, e Barnabé, levando consigo Marcos, navegou para Chipre.
+
36. Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso.
40. Paulo, porém, tendo escolhido Silas, e depois de ter sido recomendado pelos irmãos à graça do Senhor, partiu. Ele percorreu a Síria, a Cilícia, confirmando as comunidades.
+
37. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados;
 +
38. dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também.
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39. Propôs-lhes também esta comparação: Pode acaso um cego guiar outro cego? Não cairão ambos na cova?
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40. O discípulo não é superior ao mestre; mas todo discípulo perfeito será como o seu mestre.
 +
41. Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão e não reparas na trave que está no teu olho?
 +
42. Ou como podes dizer a teu irmão: Deixa-me, irmão, tirar de teu olho o argueiro, quando tu não vês a trave no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e depois enxergarás para tirar o argueiro do olho de teu irmão.
 +
43. Uma árvore boa não dá frutos maus, uma árvore má não dá bom fruto.
 +
44. Porquanto cada árvore se conhece pelo seu fruto. Não se colhem figos dos espinheiros, nem se apanham uvas dos abrolhos.
 +
45. O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio.
 +
46. Por que me chamais: Senhor, Senhor... e não fazeis o que digo?
 +
47. Todo aquele que vem a mim ouve as minhas palavras e as pratica, eu vos mostrarei a quem é semelhante.
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48. É semelhante ao homem que, edificando uma casa, cavou bem fundo e pôs os alicerces sobre a rocha. As águas transbordaram, precipitaram-se as torrentes contra aquela casa e não a puderam abalar, porque ela estava bem construída.
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49. Mas aquele que as ouve e não as observa é semelhante ao homem que construiu a sua casa sobre a terra movediça, sem alicerces. A torrente investiu contra ela, e ela logo ruiu; e grande foi a ruína daquela casa.
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Capítulo 7
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1. Tendo Jesus concluído todos os seus discursos ao povo que o escutava, entrou em Cafarnaum.
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2. Havia lá um centurião que tinha um servo a quem muito estimava e que estava à morte.
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3. Tendo ouvido falar de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, rogando-lhe que o viesse curar.
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4. Aproximando-se eles de Jesus, rogavam-lhe encarecidamente: Ele bem merece que lhe faças este favor,
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5. pois é amigo da nossa nação e foi ele mesmo quem nos edificou uma sinagoga.
 +
6. Jesus então foi com eles. E já não estava longe da casa, quando o centurião lhe mandou dizer por amigos seus: Senhor, não te incomodes tanto assim, porque não sou digno de que entres em minha casa;
 +
7. por isso nem me achei digno de chegar-me a ti, mas dize somente uma palavra e o meu servo será curado.
 +
8. Pois também eu, simples subalterno, tenho soldados às minhas ordens; e digo a um: Vai ali! E ele vai; e a outro: Vem cá! E ele vem; e ao meu servo: Faze isto! E ele o faz.
 +
9. Ouvindo estas palavras, Jesus ficou admirado. E, voltando-se para o povo que o ia seguindo, disse: Em verdade vos digo: nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé.
 +
10. Voltando para a casa do centurião os que haviam sido enviados, encontraram o servo curado.
 +
11. No dia seguinte dirigiu-se Jesus a uma cidade chamada Naim. Iam com ele diversos discípulos e muito povo.
 +
12. Ao chegar perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto a ser sepultado, filho único de uma viúva; acompanhava-a muita gente da cidade.
 +
13. Vendo-a o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe: Não chores!
 +
14. E aproximando-se, tocou no esquife, e os que o levavam pararam. Disse Jesus: Moço, eu te ordeno, levanta-te.
 +
15. Sentou-se o que estivera morto e começou a falar, e Jesus entregou-o à sua mãe.
 +
16. Apoderou-se de todos o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta surgiu entre nós: Deus voltou os olhos para o seu povo.
 +
17. A notícia deste fato correu por toda a Judéia e por toda a circunvizinhança.
 +
18. Os discípulos de João referiram-lhe todas estas coisas.
 +
19. E João chamou dois dos seus discípulos e enviou-os a Jesus, perguntando: És tu o que há de vir ou devemos esperar por outro?
 +
20. Chegando estes homens a ele, disseram: João Batista enviou-nos a ti, perguntando: És tu o que há de vir ou devemos esperar por outro?
 +
21. Ora, naquele momento Jesus havia curado muitas pessoas de enfermidades, de doenças e de espíritos malignos, e dado a vista a muitos cegos.
 +
22. Respondeu-lhes ele: Ide anunciar a João o que tendes visto e ouvido: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, aos pobres é anunciado o Evangelho;
 +
23. e bem-aventurado é aquele para quem eu não for ocasião de queda!
 +
24. Depois que se retiraram os mensageiros de João, ele começou a falar de João ao povo: Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?
 +
25. Mas que fostes ver? Um homem vestido de roupas finas? Mas os que vestem roupas preciosas e vivem no luxo estão nos palácios dos reis.
 +
26. Mas, enfim, que fostes ver? Um profeta? Sim, digo-vos, e mais do que profeta.
 +
27. Este é aquele de quem está escrito: Eis que envio o meu mensageiro ante a tua face; ele preparará o teu caminho diante de ti (Ml 3,1).
 +
28. Pois vos digo: entre os nascidos de mulher não há maior que João. Entretanto, o menor no Reino de Deus é maior do que ele.
 +
29. Ouvindo-o todo o povo, e mesmo os publicanos, deram razão a Deus, fazendo-se batizar com o batismo de João.
 +
30. Os fariseus, porém, e os doutores da lei, recusando o seu batismo, frustraram o desígnio de Deus a seu respeito.
 +
31. A quem compararei os homens desta geração? Com quem se assemelham?
 +
32. São semelhantes a meninos que, sentados na praça, falam uns com os outros, dizendo: Tocamos a flauta e não dançastes; entoamos lamentações e não chorastes.
 +
33. Pois veio João Batista, que nem comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Ele está possuído do demônio.
 +
34. Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: Eis um comilão e beberrão, amigo dos publicanos e libertinos.
 +
35. Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos.
 +
36. Um fariseu convidou Jesus a ir comer com ele. Jesus entrou na casa dele e pôs-se à mesa.
 +
37. Uma mulher pecadora da cidade, quando soube que estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro cheio de perfume;
 +
38. e, estando a seus pés, por detrás dele, começou a chorar. Pouco depois suas lágrimas banhavam os pés do Senhor e ela os enxugava com os cabelos, beijava-os e os ungia com o perfume.
 +
39. Ao presenciar isto, o fariseu, que o tinha convidado, dizia consigo mesmo: Se este homem fosse profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que o toca, pois é pecadora.
 +
40. Então Jesus lhe disse: Simão, tenho uma coisa a dizer-te. Fala, Mestre, disse ele.
 +
41. Um credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinqüenta.
 +
42. Não tendo eles com que pagar, perdoou a ambos a sua dívida. Qual deles o amará mais?
 +
43. Simão respondeu: A meu ver, aquele a quem ele mais perdoou. Jesus replicou-lhe: Julgaste bem.
 +
44. E voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para lavar os pés; mas esta, com as suas lágrimas, regou-me os pés e enxugou-os com os seus cabelos.
 +
45. Não me deste o ósculo; mas esta, desde que entrou, não cessou de beijar-me os pés.
 +
46. Não me ungiste a cabeça com óleo; mas esta, com perfume, ungiu-me os pés.
 +
47. Por isso te digo: seus numerosos pecados lhe foram perdoados, porque ela tem demonstrado muito amor. Mas ao que pouco se perdoa, pouco ama.
 +
48. E disse a ela: Perdoados te são os pecados.
 +
49. Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer, então: Quem é este homem que até perdoa pecados?
 +
50. Mas Jesus, dirigindo-se à mulher, disse-lhe: Tua fé te salvou; vai em paz.
  
 
   
 
   
Capítulo 16
+
Capítulo 8
  
1. Chegou a Derbe e depois a Listra. Havia ali um discípulo, chamado Timóteo, filho de uma judia cristã, mas de pai grego,
+
1. Depois disso, Jesus andava pelas cidades e aldeias anunciando a boa nova do Reino de Deus.
2. que gozava de ótima reputação junto dos irmãos de Listra e de Icônio.
+
2. Os Doze estavam com ele, como também algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios;
3. Paulo quis que ele fosse em sua companhia. Ao tomá-lo consigo, circuncidou-o, por causa dos judeus daqueles lugares, pois todos sabiam que o seu pai era grego.
+
3. Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes; Susana e muitas outras, que o assistiram com as suas posses.
4. Nas cidades pelas quais passavam, ensinavam que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém.
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4. Havia se reunido uma grande multidão: eram pessoas vindas de várias cidades para junto dele. Ele lhes disse esta parábola:
5. Assim as igrejas eram confirmadas na fé, e cresciam em número dia a dia.
+
5. Saiu o semeador a semear a sua semente. E ao semear, parte da semente caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram.
6. Atravessando em seguida a Frígia e a província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra de Deus na (província da) Ásia.
+
6. Outra caiu no pedregulho; e, tendo nascido, secou, por falta de umidade.
7. Ao chegarem aos confins da Mísia, tencionavam seguir para a Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu.
+
7. Outra caiu entre os espinhos; cresceram com ela os espinhos, e sufocaram-na.
8. Depois de haverem atravessado rapidamente a Mísia, desceram a Trôade.
+
8. Outra, porém, caiu em terra boa; tendo crescido, produziu fruto cem por um. Dito isto, Jesus acrescentou alteando a voz: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!
9. De noite, Paulo teve uma visão: um macedônio, em , diante dele, lhe rogava: Passa à Macedônia, e vem em nosso auxílio!
+
9. Os seus discípulos perguntaram-lhe a significação desta parábola.
10. Assim que teve essa visão, procuramos partir para a Macedônia, certos de que Deus nos chamava a pregar-lhes o Evangelho.
+
10. Ele respondeu: A vós é concedido conhecer os mistérios do Reino de Deus, mas aos outros se lhes fala por parábolas; de forma que vendo não vejam, e ouvindo não entendam.
11. Embarcados em Trôade, fomos diretamente à Samotrácia e no outro dia a Neápolis;
+
11. Eis o que significa esta parábola: a semente é a palavra de Deus.
12. e dali a Filipos, que é a cidade principal daquele distrito da Macedônia, uma colônia (romana). Nesta cidade nos detivemos por alguns dias.
+
12. Os que estão à beira do caminho são aqueles que ouvem; mas depois vem o demônio e lhes tira a palavra do coração, para que não creiam nem se salvem.
13. No sábado, saímos fora da porta para junto do rio, onde pensávamos haver lugar de oração. Aí nos assentamos e falávamos às mulheres que se haviam reunido.
+
13. Aqueles que a recebem em solo pedregoso são os ouvintes da palavra de Deus que a acolhem com alegria; mas não têm raiz, porque crêem até certo tempo, e na hora da provação a abandonam.
14. Uma mulher, chamada Lídia, da cidade dos tiatirenos, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava. O Senhor abriu-lhe o coração, para atender às coisas que Paulo dizia.
+
14. A que caiu entre os espinhos, estes são os que ouvem a palavra, mas prosseguindo o caminho, são sufocados pelos cuidados, riquezas e prazeres da vida, e assim os seus frutos não amadurecem.
15. Foi batizada juntamente com a sua família e fez-nos este pedido: Se julgais que tenho fé no Senhor, entrai em minha casa e ficai comigo. E obrigou-nos a isso.
+
15. A que caiu na terra boa são os que ouvem a palavra com coração reto e bom, retêm-na e dão fruto pela perseverança.
16. Certo dia, quando íamos à oração, eis que nos veio ao encontro uma moça escrava que tinha o espírito de Pitão, a qual com as suas adivinhações dava muito lucro a seus senhores.
+
16. Ninguém acende uma lâmpada e a cobre com um vaso ou a põe debaixo da cama; mas a põe sobre um castiçal, para iluminar os que entram.
17. Pondo-se a seguir a Paulo e a nós, gritava: Estes homens são servos do Deus Altíssimo, que vos anunciam o caminho da salvação.
+
17. Porque não há coisa oculta que não acabe por se manifestar, nem secreta que não venha a ser descoberta.
18. Repetiu isto por muitos dias. Por fim, Paulo enfadou-se. Voltou-se para ela e disse ao espírito: Ordeno-te em nome de Jesus Cristo que saias dela. E na mesma hora ele saiu.
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18. Vede, pois, como é que ouvis. Porque ao que tiver, lhe será dado; e ao que não tiver, até aquilo que julga ter lhe será tirado.
19. Vendo seus amos que se lhes esvaecera a esperança do lucro, pegaram Paulo e Silas e levaram-nos ao foro, à presença das autoridades.
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19. A mãe e os irmãos de Jesus foram procurá-lo, mas não podiam chegar-se a ele por causa da multidão.
20. Em seguida, apresentaram-nos aos magistrados, acusando: Estes homens são judeus; amotinam a nossa cidade.
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20. Foi-lhe avisado: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e desejam ver-te.
21. E pregam um modo de vida que nós, romanos, não podemos admitir nem seguir.
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21. Ele lhes disse: Minha mãe e meus irmãos são estes, que ouvem a palavra de Deus e a observam.
22. O povo insurgiu-se contra eles. Os magistrados mandaram arrancar-lhes as vestes para açoitá-los com varas.
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22. Num daqueles dias ele subiu com os seus discípulos a uma barca. Disse ele: Passemos à outra margem do lago. E eles partiram.
23. Depois de lhes terem feito muitas chagas, meteram-nos na prisão, mandando ao carcereiro que os guardasse com segurança.
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23. Durante a travessia, Jesus adormeceu. Desabou então uma tempestade de vento sobre o lago. A barca enchia-se de água, e eles se achavam em perigo.
24. Este, conforme a ordem recebida, meteu-os na prisão inferior e prendeu-lhes os pés ao cepo.
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24. Aproximaram-se dele então e o despertaram com este grito: Mestre, Mestre! Nós estamos perecendo! Levantou-se ele e ordenou aos ventos e à fúria da água que se acalmassem; e se acalmaram e logo veio a bonança. 25 Perguntou-lhes, então: Onde está a vossa fé? Eles, cheios de respeito e de profunda admiração, diziam uns aos outros: Quem é este, a quem os ventos e o mar obedecem?
25. Pela meia-noite, Paulo e Silas rezavam e cantavam um hino a Deus, e os prisioneiros os escutavam.
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26. Navegaram para a região dos gerasenos, que está defronte da Galiléia.
26. Subitamente, sentiu-se um terremoto tão grande que se abalaram até os fundamentos do cárcere. Abriram-se logo todas as portas e soltaram-se as algemas de todos.
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27. Mal saltou em terra, veio-lhe ao encontro um homem dessa região, possuído de muitos demônios; há muito tempo não se vestia nem parava em casa, mas habitava no cemitério.
27. Acordou o carcereiro e, vendo abertas as portas do cárcere, supôs que os presos haviam fugido. Tirou da espada e queria matar-se.
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28. Ao ver Jesus, prostrou-se diante dele e gritou em alta voz: Por que te ocupas de mim, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te, não me atormentes!
28. Mas Paulo bradou em alta voz: Não te faças nenhum mal, pois estamos todos aqui.
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29. Porque Jesus ordenara ao espírito imundo que saísse do homem. Pois há muito tempo que se apoderara dele, e guardavam-no preso em cadeias e com grilhões nos pés, mas ele rompia as cadeias e era impelido pelo demônio para os desertos.
29. Então o carcereiro pediu luz, entrou e lançou-se trêmulo aos pés de Paulo e Silas.
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30. Jesus perguntou-lhe: Qual é o teu nome? Ele respondeu: Legião! (Porque eram muitos os demônios que nele se ocultavam.)
30. Depois os conduziu para fora e perguntou-lhes: Senhores, que devo fazer para me salvar?
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31. E pediam-lhe que não os mandasse ir para o abismo.
31. Disseram-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua família.
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32. Ora, andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos; rogaram-lhe os demônios que lhes permitisse entrar neles. Ele permitiu.
32. Anunciaram-lhe a palavra de Deus, a ele e a todos os que estavam em sua casa.
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33. Saíram, pois, os demônios do homem e entraram nos porcos; e a manada de porcos precipitou-se, pelo despenhadeiro, impetuosamente no lago e afogou-se.
33. Então, naquela mesma hora da noite, ele cuidou deles e lavou-lhes as chagas. Imediatamente foi batizado, ele e toda a sua família.
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34. Quando aqueles que os guardavam viram o acontecido, fugiram e foram contá-lo na cidade e pelo campo.
34. Em seguida, ele os fez subir para sua casa, pôs-lhes a mesa e alegrou-se com toda a sua casa por haver crido em Deus.
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35. Saíram eles, pois, a ver o que havia ocorrido. Chegaram a Jesus e acharam a seus pés, sentado, vestido e calmo, o homem de quem haviam sido expulsos os demônios; e tomados de medo,
35. Quando amanheceu, os magistrados mandaram os lictores dizer: Solta esses homens.
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36. ouviram das testemunhas a narração desse exorcismo.
36. O carcereiro transmitiu essa mensagem a Paulo: Os magistrados mandaram-me dizer que vos ponha em liberdade. Saí, pois, e ide em paz.
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37. Então todo o povo da região dos gerasenos rogou a Jesus que se retirasse deles, pois estavam possuídos de grande temor. Jesus subiu à barca, para regressar.
37. Mas Paulo replicou: Sem nenhum julgamento nos açoitaram publicamente, a nós que somos cidadãos romanos, e meteram-nos no cárcere, e agora nos lançam fora ocultamente... Não há de ser assim! Mas venham e soltem-nos pessoalmente!
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38. Nesse momento, pedia-lhe o homem, de quem tinham saído os demônios, para ficar com ele. Mas Jesus despediu-o, dizendo:
38. Os lictores deram parte dessas palavras aos magistrados. Estes temeram, ao ouvir dizer que eram romanos.
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39. Volta para casa, e conta quanto Deus te fez. E ele se foi, publicando por toda a cidade essas grandes coisas...
39. Foram e lhes falaram brandamente. Pedindo desculpas, rogavam-lhes que se retirassem da cidade.
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40. À sua volta, Jesus foi recebido por uma multidão que o esperava.
40. Saindo do cárcere, entraram em casa de Lídia, onde reviram e consolaram os irmãos. Depois partiram.
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41. O chefe da sinagoga, chamado Jairo, foi ao seu encontro. Lançou-se a seus pés e rogou-lhe que fosse à sua casa,
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42. porque tinha uma filha única, de uns doze anos, que estava para morrer. Jesus dirigiu-se para lá, comprimido pelo povo.
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43. Ora, uma mulher que padecia dum fluxo de sangue havia doze anos, e tinha gasto com médicos todos os seus bens, sem que nenhum a pudesse curar,
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44. aproximou-se dele por detrás e tocou-lhe a orla do manto; e no mesmo instante lhe parou o fluxo de sangue.
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45. Jesus perguntou: Quem foi que me tocou? Como todos negassem, Pedro e os que com ele estavam disseram: Mestre, a multidão te aperta de todos os lados...
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46. Jesus replicou: Alguém me tocou, porque percebi sair de mim uma força.
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47. A mulher viu-se descoberta e foi tremendo e prostrou-se aos seus pés; e declarou diante de todo o povo o motivo por que o havia tocado, e como logo ficara curada.
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48. Jesus disse-lhe: Minha filha, tua fé te salvou; vai em paz.
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49. Enquanto ainda falava, veio alguém e disse ao chefe da sinagoga: Tua filha acaba de morrer; não incomodes mais o Mestre.
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50. Mas Jesus o ouviu e disse a Jairo: Não temas; crê somente e ela será salva.
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51. Quando Jesus chegou à casa, não deixou ninguém entrar com ele, senão Pedro, Tiago, João com o pai e a mãe da menina.
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52. Todos, entretanto, choravam e se lamentavam. Mas Jesus disse: Não choreis; a menina não morreu, mas dorme.
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53. Zombavam dele, pois sabiam bem que estava morta.
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54. Mas segurando ele a mão dela, disse em alta voz: Menina, levanta-te!
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55. Voltou-lhe a vida e ela levantou-se imediatamente. Jesus mandou que lhe dessem de comer.
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56. Seus pais ficaram tomados de pasmo; Jesus ordenou-lhes que não contassem a pessoa alguma o que se tinha passado.
  
 
   
 
   
Capítulo 17
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Capítulo 9
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1. Reunindo Jesus os doze apóstolos, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para curar enfermidades.
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2. Enviou-os a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos.
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3. Disse-lhes: Não leveis coisa alguma para o caminho, nem bordão, nem mochila, nem pão, nem dinheiro, nem tenhais duas túnicas.
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4. Em qualquer casa em que entrardes, ficai ali até que deixeis aquela localidade.
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5. Onde ninguém vos receber, deixai aquela cidade e em testemunho contra eles sacudi a poeira dos vossos pés.
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6. Partiram, pois, e percorriam as aldeias, pregando o Evangelho e fazendo curas por toda parte.
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7. O tetrarca Herodes ouviu falar de tudo o que Jesus fazia e ficou perplexo. Uns diziam: É João que ressurgiu dos mortos; outros: É Elias que apareceu;
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8. e ainda outros: É um dos antigos profetas que ressuscitou.
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9. Mas Herodes dizia: Eu degolei João. Quem é, pois, este, de quem ouço tais coisas? E procurava ocasião de vê-lo.
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10. Os apóstolos, ao voltarem, contaram a Jesus tudo o que haviam feito. Tomando-os ele consigo à parte, dirigiu-se a um lugar deserto para o lado de Betsaida.
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11. Logo que a multidão o soube, o foi seguindo; Jesus recebeu-os e falava-lhes do Reino de Deus. Restabelecia também a saúde dos doentes.
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12. Ora, o dia começava a declinar e os Doze foram dizer-lhe: Despede as turbas, para que vão pelas aldeias e sítios da vizinhança e procurem alimento e hospedagem, porque aqui estamos num lugar deserto.
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13. Jesus replicou-lhes: Dai-lhes vós mesmos de comer. Retrucaram eles: Não temos mais do que cinco pães e dois peixes, a menos que nós mesmos vamos e compremos mantimentos para todo este povo.
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14. (Pois eram quase cinco mil homens.) Jesus disse aos discípulos: Mandai-os sentar, divididos em grupos de cinqüenta.
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15. Assim o fizeram e todos se assentaram.
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16. Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos ao céu, abençoou-os, partiu-os e deu-os a seus discípulos, para que os servissem ao povo.
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17. E todos comeram e ficaram fartos. Do que sobrou recolheram ainda doze cestos de pedaços.
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18. Num dia em que ele estava a orar a sós com os discípulos, perguntou-lhes: Quem dizem que eu sou?
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19. Responderam-lhe: Uns dizem que és João Batista; outros, Elias; outros pensam que ressuscitou algum dos antigos profetas.
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20. Perguntou-lhes, então: E vós, quem dizeis que eu sou? Pedro respondeu: O Cristo de Deus.
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21. Ordenou-lhes energicamente que não o dissessem a ninguém.
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22. Ele acrescentou: É necessário que o Filho do Homem padeça muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas. É necessário que seja levado à morte e que ressuscite ao terceiro dia.
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23. Em seguida, dirigiu-se a todos: Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me.
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24. Porque, quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, salvá-la-á.
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25. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder-se a si mesmo e se causa a sua própria ruína?
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26. Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na sua glória, na glória de seu Pai e dos santos anjos.
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27. Em verdade vos digo: dos que aqui se acham, alguns há que não morrerão, até que vejam o Reino de Deus.
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28. Passados uns oitos dias, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e subiu ao monte para orar.
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29. Enquanto orava, transformou-se o seu rosto e as suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura.
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30. E eis que falavam com ele dois personagens: eram Moisés e Elias,
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31. que apareceram envoltos em glória, e falavam da morte dele, que se havia de cumprir em Jerusalém.
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32. Entretanto, Pedro e seus companheiros tinham-se deixado vencer pelo sono; ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois personagens em sua companhia.
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33. Quando estes se apartaram de Jesus, Pedro disse: Mestre, é bom estarmos aqui. Podemos levantar três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias!... Ele não sabia o que dizia.
 +
34. Enquanto ainda assim falava, veio uma nuvem e encobriu-os com a sua sombra; e os discípulos, vendo-os desaparecer na nuvem, tiveram um grande pavor.
 +
35. Então da nuvem saiu uma voz: Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o!
 +
36. E, enquanto ainda ressoava esta voz, achou-se Jesus sozinho. Os discípulos calaram-se e a ninguém disseram naqueles dias coisa alguma do que tinham visto.
 +
37. No dia seguinte, descendo eles do monte, veio ao encontro de Jesus uma grande multidão.
 +
38. Eis que um homem exclamou do meio da multidão: Mestre, rogo-te que olhes para meu filho, pois é o único que tenho.
 +
39. Um espírito se apodera dele e subitamente dá gritos, lança-o por terra, agita-o com violência, fá-lo espumar e só o larga depois de o deixar todo ofegante.
 +
40. Pedi a teus discípulos que o expelissem, mas não o puderam fazer.
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41. Respondeu Jesus: Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei convosco e vos aturarei? Traze cá teu filho.
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42. E quando ele ia chegando, o demônio lançou-o por terra e agitou-o violentamente. Mas Jesus intimou o espírito imundo, curou o menino e o restituiu a seu pai.
 +
43. Todos ficaram pasmados ante a grandeza de Deus. Como todos se admirassem de tudo o que Jesus fazia, disse ele a seus discípulos:
 +
44. Gravai nos vossos corações estas palavras: O Filho do Homem há de ser entregue às mãos dos homens!
 +
45. Eles, porém, não entendiam esta palavra e era-lhes obscura, de modo que não alcançaram o seu sentido; e tinham medo de lhe perguntar a este respeito.
 +
46. Veio-lhes então o pensamento de qual deles seria o maior.
 +
47. Penetrando Jesus nos pensamentos de seus corações, tomou um menino, colocou-o junto de si e disse-lhes:
 +
48. Todo o que recebe este menino em meu nome, a mim é que recebe; e quem recebe a mim, recebe aquele que me enviou; pois quem dentre vós for o menor, esse será grande.
 +
49. João tomou a palavra e disse: Mestre, vimos um homem que expelia demônios em teu nome, e nós lho proibimos, porque não é dos nossos.
 +
50. Mas Jesus lhe disse: Não lho proibais; porque, o que não é contra vós, é a vosso favor.
 +
51. Aproximando-se o tempo em que Jesus devia ser arrebatado deste mundo, ele resolveu dirigir-se a Jerusalém.
 +
52. Enviou diante de si mensageiros que, tendo partido, entraram em uma povoação dos samaritanos para lhe arranjar pousada.
 +
53. Mas não o receberam, por ele dar mostras de que ia para Jerusalém.
 +
54. Vendo isto, Tiago e João disseram: Senhor, queres que mandemos que desça fogo do céu e os consuma?
 +
55. Jesus voltou-se e repreendeu-os severamente. [Não sabeis de que espírito sois animados.
 +
56. O Filho do Homem não veio para perder as vidas dos homens, mas para salvá-las.] Foram então para outra povoação.
 +
57. Enquanto caminhavam, um homem lhe disse: Senhor, seguir-te-ei para onde quer que vás.
 +
58. Jesus replicou-lhe: As raposas têm covas e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.
 +
59. A outro disse: Segue-me. Mas ele pediu: Senhor, permite-me ir primeiro enterrar meu pai.
 +
60. Mas Jesus disse-lhe: Deixa que os mortos enterrem seus mortos; tu, porém, vai e anuncia o Reino de Deus.
 +
61. Um outro ainda lhe falou: Senhor, seguir-te-ei, mas permite primeiro que me despeça dos que estão em casa.
 +
62. Mas Jesus disse-lhe: Aquele que põe a mão no arado e olha para trás, não é apto para o Reino de Deus.
  
1. Passaram por Anfípolis e Apolônia e chegaram a Tessalônica, onde havia uma sinagoga de judeus.
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2. Paulo dirigiu-se a eles, segundo o seu costume, e por três sábados disputou com eles.
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Capítulo 10
3. Explicava e demonstrava, à base das Escrituras, que era necessário que Cristo padecesse e ressurgisse dos mortos. E este Cristo é Jesus que eu vos anuncio.
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4. Alguns deles creram e associaram-se a Paulo e Silas, como também uma grande multidão de prosélitos gentios, e não poucas mulheres de destaque.
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1. Depois disso, designou o Senhor ainda setenta e dois outros discípulos e mandou-os, dois a dois, adiante de si, por todas as cidades e lugares para onde ele tinha de ir.
5. Os judeus, tomados de inveja, ajuntaram alguns homens da plebe e com esta gente amotinaram a cidade. Assaltaram a casa de Jasão, procurando-os para os entregar ao povo.
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2. Disse-lhes: Grande é a messe, mas poucos são os operários. Rogai ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe.
6. Mas como não os achassem, arrastaram Jasão e alguns irmãos à presença dos magistrados, clamando: Estes homens amotinam todo o mundo. Estão agora aqui! E Jasão os acolheu!
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3. Ide; eis que vos envio como cordeiros entre lobos.
7. Todos eles contrariam os decretos de César, proclamando outro rei: Jesus.
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4. Não leveis bolsa nem mochila, nem calçado e a ninguém saudeis pelo caminho.
8. Assim excitavam o povo e os magistrados.
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5. Em toda casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz a esta casa!
9. E só depois de receberem uma caução de Jasão e dos outros é que os deixaram ir.
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6. Se ali houver algum homem pacífico, repousará sobre ele a vossa paz; mas, se não houver, ela tornará para vós.
10. Logo que se fez noite, os irmãos enviaram Paulo e Silas para Beréia. Quando ali chegaram, entraram na sinagoga dos judeus.
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7. Permanecei na mesma casa, comei e bebei do que eles tiverem, pois o operário é digno do seu salário. Não andeis de casa em casa.
11. Estes eram mais nobres do que os de Tessalônica e receberam a palavra com ansioso desejo, indagando todos os dias, nas Escrituras, se essas coisas eram de fato assim.
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8. Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei o que se vos servir.
12. Muitos deles creram, como também muitas mulheres gregas da aristocracia, e não poucos homens.
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9. Curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: O Reino de Deus está próximo.
13. Mas os judeus de Tessalônica, sabendo que também em Beréia tinha sido pregada por Paulo a palavra de Deus, foram para lá agitar e sublevar o povo.
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10. Mas se entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saindo pelas suas praças, dizei:
14. Então os irmãos fizeram que Paulo se retirasse e fosse até o mar, ao passo que Silas e Timóteo ficaram ali.
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11. Até o pó que se nos pegou da vossa cidade, sacudimos contra vós; sabei, contudo, que o Reino de Deus está próximo.
15. Os que conduziam Paulo levaram-no até Atenas. De lá voltaram e transmitiram para Silas e Timóteo a ordem de que fossem ter com ele o mais cedo possível.
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12. Digo-vos: naqueles dias haverá um tratamento menos rigoroso para Sodoma.
16. Enquanto Paulo os esperava em Atenas, à vista da cidade entregue à idolatria, o seu coração enchia-se de amargura.
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13. Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e Sidônia tivessem sido feitos os prodígios que foram realizados em vosso meio, há muito tempo teriam feito penitência, cobrindo-se de saco e cinza.
17. Disputava na sinagoga com os judeus e prosélitos, e todos os dias, na praça, com os que ali se encontravam.
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14. Por isso haverá no dia do juízo menos rigor para Tiro e Sidônia do que para vós.
18. Alguns filósofos epicureus e estóicos conversaram com ele. Diziam uns: Que quer dizer esse tagarela? Outros: Parece que é pregador de novos deuses. Pois lhes anunciava Jesus e a Ressurreição.
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15. E tu, Cafarnaum, que te elevas até o céu, serás precipitada até aos infernos.
19. Tomaram-no consigo e levaram-no ao Areópago, e lhe perguntaram: Podemos saber que nova doutrina é essa que pregas?
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16. Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou.
20. Pois o que nos trazes aos ouvidos nos parece muito estranho. Queremos saber o que vem a ser isso.
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17. Voltaram alegres os setenta e dois, dizendo: Senhor, até os demônios se nos submetem em teu nome!
21. Ora (como se sabe), todos os atenienses e os forasteiros que ali se fixaram não se ocupavam de outra coisa senão a de dizer ou de ouvir as últimas novidades.
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18. Jesus disse-lhes: Vi Satanás cair do céu como um raio.
22. Paulo, em pé no meio do Areópago, disse: Homens de Atenas, em tudo vos vejo muitíssimo religiosos.
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19. Eis que vos dei poder para pisar serpentes, escorpiões e todo o poder do inimigo.
23. Percorrendo a cidade e considerando os monumentos do vosso culto, encontrei também um altar com esta inscrição: A um Deus desconhecido. O que adorais sem o conhecer, eu vo-lo anuncio!
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20. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos estão sujeitos, mas alegrai-vos de que os vossos nomes estejam escritos nos céus.
24. O Deus, que fez o mundo e tudo o que nele há, é o Senhor do céu e da terra, e não habita em templos feitos por mãos humanas.
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21. Naquele mesma hora, Jesus exultou de alegria no Espírito Santo e disse: Pai, Senhor do céu e da terra, eu te dou graças porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, bendigo-te porque assim foi do teu agrado.
25. Nem é servido por mãos de homens, como se necessitasse de alguma coisa, porque é ele quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas.
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22. Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
26. Ele fez nascer de um só homem todo o gênero humano, para que habitasse sobre toda a face da terra. Fixou aos povos os tempos e os limites da sua habitação.
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23. E voltou-se para os seus discípulos, e disse: Ditosos os olhos que vêem o que vós vedes,
27. Tudo isso para que procurem a Deus e se esforcem por encontrá-lo como que às apalpadelas, pois na verdade ele não está longe de cada um de nós.
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24. pois vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram.
28. Porque é nele que temos a vida, o movimento e o ser, como até alguns dos vossos poetas disseram: Nós somos também de sua raça...
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25. Levantou-se um doutor da lei e, para pô-lo à prova, perguntou: Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna?
29. Se, pois, somos da raça de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra lavrada por arte e gênio dos homens.
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26. Disse-lhe Jesus: Que está escrito na lei? Como é que lês?
30. Deus, porém, não levando em conta os tempos da ignorância, convida agora a todos os homens de todos os lugares a se arrependerem.
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27. Respondeu ele: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento (Dt 6,5); e a teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18).
31. Porquanto fixou o dia em que há de julgar o mundo com justiça, pelo ministério de um homem que para isso destinou. Para todos deu como garantia disso o fato de tê-lo ressuscitado dentre os mortos.
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28. Falou-lhe Jesus: Respondeste bem; faze isto e viverás.
32. Quando o ouviram falar de ressurreição dos mortos, uns zombavam e outros diziam: A respeito disso te ouviremos outra vez.
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29.