Mudanças entre as edições de "A Bíblia"

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(Mt - Evangelho segundo Mateus)
(Gl Epístola aos Gálatas)
 
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=='''Básico sobre a Bíblia'''==
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==Básico sobre a Bíblia==
  
  
==='''COMO SÃO FEITAS AS CITAÇÕES BÍBLICAS?'''===  
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===COMO SÃO FEITAS AS CITAÇÕES BÍBLICAS?===  
  
 
Por exemplo, quando quisermos citar a Primeira Epístola aos Tessalonicenses, basta escrever '''1Ts.'''
 
Por exemplo, quando quisermos citar a Primeira Epístola aos Tessalonicenses, basta escrever '''1Ts.'''
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==='''ANTIGO TESTAMENTO'''===
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===ANTIGO TESTAMENTO===
  
===='''Pentateuco'''====
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====Pentateuco====
*Gn Livro da Gênese
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*Ex Livro do Êxodo  
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=====Gn. - Livro do Gêneses=====
*Lv Livro do Levítico  
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*Nm Livro dos Números  
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=====Êx. - Livro do Êxodo=====
*Dt Livro do Deuteronômio  
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=====Lv. - Livro do Levítico=====
===='''Históricos'''====
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*Js Livro de Josué  
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=====Nm. - Livro dos Números=====
*Jz Livro dos Juízes  
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*Rt Livro de Rute  
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=====Dt. - Livro do Deuteronômio=====
*1Sm 1º Livro de Samuel  
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*2Sm 2º Livro de Samuel  
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====Históricos====
*1Rs 1º Livro dos Reis  
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*2Rs 2º Livro dos Reis  
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=====Js. - Livro de Josué=====
*1Cr 1º Livro das Crônicas  
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*2Cr 2º Livro das Crônicas  
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=====Jz. - Livro dos Juízes=====
*Esd Livro de Esdras  
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=====Rt. - Livro de Rute=====
*Ne Livro de Neemias  
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=====1Sm. - 1º Livro de Samuel=====
*Tb Livro de Tobias  
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=====2Sm. - 2º Livro de Samuel=====
*Jud Livro de Judite  
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=====1Rs. - 1º Livro dos Reis=====
*Est Livro de Ester  
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=====2Rs. - 2º Livro dos Reis=====
*1Mc 1º Livro dos Macabeus  
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=====1Cr. - 1º Livro das Crônicas=====
*2Mc 2º Livro dos Macabeus
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=====2Cr. - 2º Livro das Crônicas=====
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=====Esd. - Livro de Esdras=====
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=====Ne. - Livro de Neemias=====
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=====Tb. - Livro de Tobias=====
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=====Jud. - Livro de Judite=====
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=====Est. - Livro de Ester=====
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=====1Mc. - 1º Livro dos Macabeus=====
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=====2Mc. - 2º Livro dos Macabeus=====
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====Sapienciais====
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=====Jó - Livro de Jó=====
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=====Sl. - Livro dos Salmos=====
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=====Pr. - Livro dos Provérbios=====
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=====Ecle. - Livro do Eclesiastes=====
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=====Ct. - Cântico dos Cânticos=====
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=====Sb. - Livro da Sabedoria=====
  
===='''Sapienciais'''====
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=====Eclo. - Livro do Eclesiástico=====
*Jó Livro de Jó
 
*Sl Livro dos Salmos
 
*Pr Livro dos Provérbios
 
*Ecl Livro do Eclesiastes
 
*Ct Cântico dos Cânticos
 
*Sb Livro da Sabedoria
 
*Eclo Livro do Eclesiástico
 
  
 
===='''Proféticos'''====
 
===='''Proféticos'''====
*Is Livro de Isaías
 
*Jr Livro de Jeremias
 
*Lm Livro das Lamentações
 
*Br Livro de Baruc
 
*Ez Livro de Ezequiel
 
*Dn Livro de Daniel
 
*Os Livro de Oséias
 
*Jl Livro de Joel
 
*Am Livro de Amós
 
*Ab Livro de Abdias
 
*Jn Livro de Jonas
 
*Mq Livro de Miquéias
 
*Na Livro de Naum
 
*Hab Livro de Habacuc
 
*Sf Livro de Sofonias
 
*Ag Livro de Ageu
 
*Zc Livro de Zacarias
 
*Ml Livro de Malaquias
 
  
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=====Is. - Livro de Isaías=====
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=====Jr. - Livro de Jeremias=====
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=====Lm. - Livro das Lamentações=====
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=====Br. - Livro de Baruc=====
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=====Ez. - Livro de Ezequiel=====
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=====Dn. - Livro de Daniel=====
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=====Os. - Livro de Oséias=====
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=====Jl. - Livro de Joel=====
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=====Am. - Livro de Amós=====
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=====Ab. - Livro de Abdias=====
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=====Jn. - Livro de Jonas=====
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=====Mq. - Livro de Miquéias=====
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=====Na. - Livro de Naum=====
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=====Hab. - Livro de Habacuc=====
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=====Sf. - Livro de Sofonias=====
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=====Ag. - Livro de Ageu=====
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=====Zc. - Livro de Zacarias=====
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=====Ml. - Livro de Malaquias=====
  
 
==='''NOVO TESTAMENTO'''===
 
==='''NOVO TESTAMENTO'''===
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====Evangelhos====
 
====Evangelhos====
  
=====Mt - Evangelho segundo Mateus=====
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=====Mt. - Evangelho segundo Mateus=====
  
 
   
 
   
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20. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.
 
20. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.
  
=====Mc - Evangelho segundo Marcos=====
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=====Mc. - Evangelho segundo Marcos=====
  
=====Lc - Evangelho segundo Lucas=====
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Capítulo 1
  
=====Jo - Evangelho segundo João=====
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1. Princípio da boa nova de Jesus Cristo, Filho de Deus. Conforme está escrito no profeta Isaías:
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2. Eis que envio o meu anjo diante de ti: ele preparará o teu caminho.
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3. Uma voz clama no deserto: Traçai o caminho do Senhor, aplanai as suas veredas (Mal 3,1; Is 40,3).
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4. João Batista apareceu no deserto e pregava um batismo de conversão para a remissão dos pecados.
 +
5. E saíam para ir ter com ele toda a Judéia, toda Jerusalém, e eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados.
 +
6. João andava vestido de pêlo de camelo e trazia um cinto de couro em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre.
 +
7. Ele pôs-se a proclamar: "Depois de mim vem outro mais poderoso do que eu, ante o qual não sou digno de me prostrar para desatar-lhe a correia do calçado.
 +
8. Eu vos batizei com água; ele, porém, vos batizará no Espírito Santo."
 +
9. Ora, naqueles dias veio Jesus de Nazaré, da Galiléia, e foi batizado por João no Jordão.
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10. No momento em que Jesus saía da água, João viu os céus abertos e descer o Espírito em forma de pomba sobre ele.
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11. E ouviu-se dos céus uma voz: "Tu és o meu Filho muito amado; em ti ponho minha afeição."
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12. E logo o Espírito o impeliu para o deserto.
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13. Aí esteve quarenta dias. Foi tentado pelo demônio e esteve em companhia dos animais selvagens. E os anjos o serviam.
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14. Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-se para a Galiléia. Pregava o Evangelho de Deus, e dizia:
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15. "Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho."
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16. Passando ao longo do mar da Galiléia, viu Simão e André, seu irmão, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores.
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17. Jesus disse-lhes: "Vinde após mim; eu vos farei pescadores de homens."
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18. Eles, no mesmo instante, deixaram as redes e seguiram-no.
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19. Uns poucos passos mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam numa barca, consertando as redes. E chamou-os logo.
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20. Eles deixaram na barca seu pai Zebedeu com os empregados e o seguiram.
 +
21. Dirigiram-se para Cafarnaum. E já no dia de sábado, Jesus entrou na sinagoga e pôs-se a ensinar.
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22. Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.
 +
23. Ora, na sinagoga deles achava-se um homem possesso de um espírito imundo, que gritou:
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24. "Que tens tu conosco, Jesus de Nazaré? Vieste perder-nos? Sei quem és: o Santo de Deus!
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25. Mas Jesus intimou-o, dizendo: "Cala-te, sai deste homem!"
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26. O espírito imundo agitou-o violentamente e, dando um grande grito, saiu.
 +
27. Ficaram todos tão admirados, que perguntavam uns aos outros: "Que é isto? Eis um ensinamento novo, e feito com autoridade; além disso, ele manda até nos espíritos imundos e lhe obedecem!"
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28. A sua fama divulgou-se logo por todos os arredores da Galiléia.
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29. Assim que saíram da sinagoga, dirigiram-se com Tiago e João à casa de Simão e André.
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30. A sogra de Simão estava de cama, com febre; e sem tardar, falaram-lhe a respeito dela.
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31. Aproximando-se ele, tomou-a pela mão e levantou-a; imediatamente a febre a deixou e ela pôs-se a servi-los.
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32. À tarde, depois do pôr-do-sol, levaram-lhe todos os enfermos e possessos do demônio.
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33. Toda a cidade estava reunida diante da porta.
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34. Ele curou muitos que estavam oprimidos de diversas doenças, e expulsou muitos demônios. Não lhes permitia falar, porque o conheciam.
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35. De manhã, tendo-se levantado muito antes do amanhecer, ele saiu e foi para um lugar deserto, e ali se pôs em oração.
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36. Simão e os seus companheiros saíram a procurá-lo.
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37. Encontraram-no e disseram-lhe: "Todos te procuram."
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38. E ele respondeu-lhes: "Vamos às aldeias vizinhas, para que eu pregue também lá, pois, para isso é que vim."
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39. Ele retirou-se dali, pregando em todas as sinagogas e por toda a Galiléia, e expulsando os demônios.
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40. Aproximou-se dele um leproso, suplicando-lhe de joelhos: "Se queres, podes limpar-me."
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41. Jesus compadeceu-se dele, estendeu a mão, tocou-o e lhe disse: "Eu quero, sê curado."
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42. E imediatamente desapareceu dele a lepra e foi purificado.
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43. Jesus o despediu imediatamente com esta severa admoestação:
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44. "Vê que não o digas a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e apresenta, pela tua purificação, a oferenda prescrita por Moisés para lhe servir de testemunho."
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45. Este homem, porém, logo que se foi, começou a propagar e divulgar o acontecido, de modo que Jesus não podia entrar publicamente numa cidade. Conservava-se fora, nos lugares despovoados; e de toda parte vinham ter com ele.
  
====At - Atos dos Apóstolos====
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Capítulo 2
  
Os ''Atos dos Apóstolos'' formam a sequência do terceiro Evangelho, e foram escritos pelo mesmo autor, Lucas, que, para redigí-los, utilizou tradições escritas e orais e escreveu, numa parte importante de sua narrativa, suas próprias memórias.
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1. Alguns dias depois, Jesus entrou novamente em Cafarnaum e souberam que ele estava em casa.
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2. Reuniu-se uma tal multidão, que não podiam encontrar lugar nem mesmo junto à porta. E ele os instruía.
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3. Trouxeram-lhe um paralítico, carregado por quatro homens.
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4. Como não pudessem apresentar-lho por causa da multidão, descobriram o teto por cima do lugar onde Jesus se achava e, por uma abertura, desceram o leito em que jazia o paralítico.
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5. Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: "Filho, perdoados te são os pecados."
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6. Ora, estavam ali sentados alguns escribas, que diziam uns aos outros:
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7. "Como pode este homem falar assim? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados senão Deus?"
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8. Mas Jesus, penetrando logo com seu espírito tios seus íntimos pensamentos, disse-lhes: "Por que pensais isto nos vossos corações?
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9. Que é mais fácil dizer ao paralítico: Os pecados te são perdoados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda?
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10. Ora, para que conheçais o poder concedido ao Filho dó homem sobre a terra (disse ao paralítico),
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11. eu te ordeno: levanta-te, toma o teu leito e vai para casa."
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12. No mesmo instante, ele se levantou e, tomando o. leito, foi-se embora à vista de todos. A, multidão inteira encheu-se de profunda admiração e puseram-se a louvar a Deus, dizendo: "Nunca vimos coisa semelhante."
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13. Jesus saiu de novo para perto do mar e toda a multidão foi ter com ele, e ele os ensinava.
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14. Quando ia passando, viu Levi, filho de Alfeu, sentado no posto da arrecadação e disse-lhe: "Segue-me." E Levi, levantando-se, seguiu-o.
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15. Em seguida, pôs-se à mesa na sua casa e muitos cobradores de impostos e pecadores tomaram lugar com ele e seus discípulos; com efeito, eram numerosos os que o seguiam.
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16. Os escribas, do partido dos fariseus,. vendo-o comer com as pessoas de má vida e publicamos, diziam aos seus discípulos: "Ele come com os publicamos e com gente de má vida? "
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17. Ouvindo-os, Jesus replicou: "Os sãos não precisam de médico, mas os enfermos; não vim chamar os justos, mas os pecadores."
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18. Ora, os discípulos de João e os fariseus jejuavam. Por isso, foram-lhe perguntar: "Por que jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, mas os teus discípulos não jejuam?"
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19. Jesus respondeu-lhes: "Podem porventura jejuar os convidados das núpcias, enquanto está com eles o esposo? Enquanto têm consigo o esposo, não lhes é -possível jejuar.
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20. Dias virão, porém, em que o esposo lhes será tirado, e então jejuarão.
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21. "Ninguém prega retalho de pano novo em roupa velha; do contrário, o remendo arranca novo pedaço da veste usada e torna-se pior o rasgão.
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22. E ninguém põe vinho novo em odres velhos; se o fizer, o vinho os arrebentará e perder-se-á juntamente com os odres mas para vinho novo, odres novos."
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23. Num dia de sábado, o Senhor caminhava pelos campos e seus discípulos, andando, começaram a colher espigas.
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24. Os fariseus observaram-lhe: "Vede! Por que fazem eles no sábado o que não é permitido?" Jesus respondeu-lhes:
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25. "Nunca lestes o que fez Davi, quando se achou em necessidade e teve fome, ele e os seus companheiros?
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26. Ele entrou na casa de Deus, sendo Abiatar príncipe dos sacerdotes, e comeu os pães da proposição, dos quais só aos sacerdotes era permitido comer, e os deu aos seus companheiros."
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27. E dizia-lhes: "O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado;
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28. e, para dizer tudo, o Filho do homem é senhor também do sábado."
  
Os ''Atos dos Apóstolos'' contam os acontecimentos que marcaram o nascimento da Igreja primitiva: a ascenção de Jesus, o Pentecostes, a primeira pregação em Jerusalém e na Palestina; em seguida, a conversão de Paulo e suas viagens missionárias através da Ásia Menor e da Grécia, sua prisão, seu processo e sua transferência para Roma. A narrativa termina bruscamente, sem falar da liberação do apóstolo e de suas viagens antes do martírio.
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Capítulo 3
  
O livro dos ''Atos dos Apóstolos'', em sua primeira parte, insiste antes de tudo na influência do Espírito Santo sobre o desenvolvimento das primeiras comunidades cristãs.  
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1. Noutra vez, entrou ele na sinagoga e achava-se ali um homem que tinha a mão seca.
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2. Ora, estavam-no observando se o curaria no dia de sábado, para o acusarem.
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3. Ele diz ao homem da mão seca: "Vem para o meio."
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4. Então lhes pergunta: "É permitido fazer o bem ou o mal no sábado? Salvar uma vida ou matar?" Mas eles se calavam.
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5. Então, relanceando um olhar indignado sobre eles, e contristado com a dureza de seus corações, diz ao homem: "Estende tua mão!" Ele estendeu-a e a mão foi curada.
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6. Saindo os fariseus dali, deliberaram logo com os herodianos como o haviam de perder.
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7. Jesus retirou-se com os seus discípulos para o mar, e seguia-o uma grande multidão, vinda da Galiléia.
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8. E da Judéia, de Jerusalém, da Iduméia, do além-Jordão e dos arredores de Tiro e de Sidônia veio a ele uma grande multidão, ao ouvir o que ele fazia.
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9. Ele ordenou a seus discípulos que lhe aprontassem uma barca, para que a multidão não o comprimisse.
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10. Curou a muitos, de modo que todos os que padeciam de algum mal se arrojavam a ele para o tocar.
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11. Quando os espíritos imundos o viam, prostravam-se diante dele e gritavam: Tu és o Filho de Deus!
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12. Ele os proibia severamente que o dessem a conhecer.
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13. Depois, subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram a ele.
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14. Designou doze dentre eles para ficar em sua companhia.
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15. Ele os enviaria a pregar, com o poder de expulsar os demônios.
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16. Escolheu estes doze: Simão, a quem pôs o nome de Pedro;
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17. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais pôs o nome de Boanerges, que quer dizer Filhos do Trovão.
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18. Ele escolheu também André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Tadeu, Simão, o Zelador;
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19. e Judas Iscariotes, que o entregou.
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20. Dirigiram-se em seguida a uma casa. Aí afluiu de novo tanta gente, que nem podiam tomar alimento.
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21. Quando os seus o souberam, saíram para o reter; pois diziam: "Ele está fora de si."
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22. Também os escribas, que haviam descido de Jerusalém, diziam: "Ele está possuído de Beelzebul: é pelo príncipe dos demônios que ele expele os demônios."
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23. Mas, havendo-os convocado, dizia-lhes em parábolas: "Como pode Satanás expulsar a Satanás?
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24. Pois, se um reino estiver dividido contra si mesmo, não pode durar.
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25. E se uma casa está dividida contra si mesma, tal casa não pode permanecer.
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26. E se Satanás se levanta contra si mesmo, está dividido e não poderá continuar, mas desaparecerá.
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27. Ninguém pode entrar na casa do homem forte e roubar-lhe os bens, se antes não o prender; e então saqueará sua casa.
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28. "Em verdade vos digo: todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, mesmo as suas blasfêmias;
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29. mas todo o que tiver blasfemado contra o Espírito Santo jamais terá perdão, mas será culpado de um pecado eterno."
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30. Jesus falava assim porque tinham dito: "Ele tem um espírito imundo."
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31. Chegaram sua mãe e seus irmãos e, estando do lado de fora, mandaram chamá-lo.
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32. Ora, a multidão estava sentada ao redor dele; e disseram-lhe: "Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e te procuram."
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33. Ele respondeu-lhes: "Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?"
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34. E, correndo o olhar sobre a multidão, que estava sentada ao redor dele, disse: "Eis aqui minha mãe e meus irmãos.
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35. Aquele que faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe."
  
Na segunda parte, ele se restringe a mostrar como Paulo, seguindo nisso o exemplo de Pedro, é o grande realizador da entrada em massa dos pagãos na Igreja.
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Capítulo 4
  
A leitura dos ''Atos dos Apóstolos'' - aliás fácil e atraente - é indispensável para uma boa inteligência das Epístolas de São Paulo.  
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1. Jesus pôs-se novamente a ensinar, à beira do mar, e aglomerou-se junto dele tão grande multidão, que ele teve de entrar numa barca, no mar, e toda a multidão ficou em terra na praia.
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2. E ensinava-lhes muitas coisas em parábolas. Dizia-lhes na sua doutrina:
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3. Ouvi: Saiu o semeador a semear.
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4. Enquanto lançava a semente, uma parte caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a comeram.
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5. Outra parte caiu no pedregulho, onde não havia muita terra; o grão germinou logo, porque a terra não era profunda;
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6. mas, assim que o sol despontou, queimou-se e, como não tivesse raiz, secou.
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7. Outra parte caiu entre os espinhos; estes cresceram, sufocaram-na e o grão não deu fruto.
 +
8. Outra caiu em terra boa e deu fruto, cresceu e desenvolveu-se; um grão rendeu trinta, outro sessenta e outro cem.
 +
9. E dizia: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!
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10. Quando se acharam a sós, os que o cercavam e os Doze indagaram dele o sentido da parábola.
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11. Ele disse-lhes: A vós é revelado o mistério do Reino de Deus, mas aos que são de fora tudo se lhes propõe em parábolas.
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12. Desse modo, eles olham sem ver, escutam sem compreender, sem que se convertam e lhes seja perdoado.
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13. E acrescentou: Não entendeis essa parábola? Como entendereis então todas as outras?
 +
14. O semeador semeia a palavra.
 +
15. Alguns se encontram à beira do caminho, onde ela é semeada; apenas a ouvem, vem Satanás tirar a palavra neles semeada.
 +
16. Outros recebem a semente em lugares pedregosos; quando a ouvem, recebem-na com alegria;
 +
17. mas não têm raiz em si, são inconstantes, e assim que se levanta uma tribulação ou uma perseguição por causa da palavra, eles tropeçam.
 +
18. Outros ainda recebem a semente entre os espinhos; ouvem a palavra,
 +
19. mas as preocupações mundanas, a ilusão das riquezas, as múltiplas cobiças sufocam-na e a tornam infrutífera.
 +
20. Aqueles que recebem a semente em terra boa escutam a palavra, acolhem-na e dão fruto, trinta, sessenta e cem por um.
 +
21. Dizia-lhes ainda: Traz-se porventura a candeia para ser colocada debaixo do alqueire ou debaixo da cama? Não é para ser posta no candeeiro?
 +
22. Porque nada há oculto que não deva ser descoberto, nada secreto que não deva ser publicado.
 +
23. Se alguém tem ouvidos para ouvir, que ouça.
 +
24. Ele prosseguiu: Atendei ao que ouvis: com a medida com que medirdes, vos medirão a vós, e ainda se vos acrescentará.
 +
25. Pois, ao que tem, se lhe dará; e ao que não tem, se lhe tirará até o que tem.
 +
26. Dizia também: O Reino de Deus é como um homem que lança a semente à terra.
 +
27. Dorme, levanta-se, de noite e de dia, e a semente brota e cresce, sem ele o perceber.
 +
28. Pois a terra por si mesma produz, primeiro a planta, depois a espiga e, por último, o grão abundante na espiga.
 +
29. Quando o fruto amadurece, ele mete-lhe a foice, porque é chegada a colheita.
 +
30. Dizia ele: A quem compararemos o Reino de Deus? Ou com que parábola o representaremos?
 +
31. É como o grão de mostarda que, quando é semeado, é a menor de todas as sementes.
 +
32. Mas, depois de semeado, cresce, torna-se maior que todas as hortaliças e estende de tal modo os seus ramos, que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra.
 +
33. Era por meio de numerosas parábolas desse gênero que ele lhes anunciava a palavra, conforme eram capazes de compreender.
 +
34. E não lhes falava, a não ser em parábolas; a sós, porém, explicava tudo a seus discípulos.
 +
35. À tarde daquele dia, disse-lhes: Passemos para o outro lado.
 +
36. Deixando o povo, levaram-no consigo na barca, assim como ele estava. Outras embarcações o escoltavam.
 +
37. Nisto surgiu uma grande tormenta e lançava as ondas dentro da barca, de modo que ela já se enchia de água.
 +
38. Jesus achava-se na popa, dormindo sobre um travesseiro. Eles acordaram-no e disseram-lhe: Mestre, não te importa que pereçamos?
 +
39. E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Silêncio! Cala-te! E cessou o vento e seguiu-se grande bonança.
 +
40. Ele disse-lhes: Como sois medrosos! Ainda não tendes fé?
 +
41. Eles ficaram penetrados de grande temor e cochichavam entre si: Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?
  
=====<font size="3">'''Prefácio'''</font>=====
+
 +
Capítulo 5
  
<font size="5">'''1)'''</font> "'''1.''' Em minha primeira narração, ó Teófilo, contei toda a seqüência das ações e dos ensinamentos de Jesus,
+
1. Passaram à outra margem do lago, ao território dos gerasenos.
'''2.''' desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo suas instruções aos apóstolos que escolhera, foi arrebatado (ao céu).
+
2. Assim que saíram da barca, um homem possesso do espírito imundo saiu do cemitério
'''3.''' E a eles se manifestou vivo depois de sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus.
+
3. onde tinha seu refúgio e veio-lhe ao encontro. Não podiam atá-lo nem com cadeia, mesmo nos sepulcros,
 +
4. pois tinha sido ligado muitas vezes com grilhões e cadeias, mas os despedaçara e ninguém o podia subjugar.
 +
5. Sempre, dia e noite, andava pelos sepulcros e nos montes, gritando e ferindo-se com pedras.
 +
6. Vendo Jesus de longe, correu e prostrou-se diante dele, gritando em alta voz:
 +
7. Que queres de mim, Jesus, Filho do Deus Altíssimo?Conjuro-te por Deus, que não me atormentes.
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8. É que Jesus lhe dizia: Espírito imundo, sai deste homem!
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9. Perguntou-lhe Jesus: Qual é o teu nome? Respondeu-lhe: Legião é o meu nome, porque somos muitos.
 +
10. E pediam-lhe com instância que não os lançasse fora daquela região.
 +
11. Ora, uma grande manada de porcos andava pastando ali junto do monte.
 +
12. E os espíritos suplicavam-lhe: Manda-nos para os porcos, para entrarmos neles.
 +
13. Jesus lhos permitiu. Então os espíritos imundos, tendo saído, entraram nos porcos; e a manada, de uns dois mil, precipitou-se no mar, afogando-se.
 +
14. Fugiram os pastores e narraram o fato na cidade e pelos arredores. Então saíram a ver o que tinha acontecido.
 +
15. Aproximaram-se de Jesus e viram o possesso assentado, coberto com seu manto e calmo, ele que tinha sido possuído pela Legião. E o pânico apoderou-se deles.
 +
16. As testemunhas do fato contaram-lhes como havia acontecido isso ao endemoninhado, e o caso dos porcos.
 +
17. Começaram então a rogar-lhe que se retirasse da sua região.
 +
18. Quando ele subia para a barca, veio o que tinha sido possesso e pediu-lhe permissão de acompanhá-lo.
 +
19. Jesus não o admitiu, mas disse-lhe: Vai para casa, para junto dos teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor fez por ti, e como se compadeceu de ti.
 +
20. Foi-se ele e começou a publicar, na Decápole, tudo o que Jesus lhe havia feito. E todos se admiravam.
 +
21. Tendo Jesus navegado outra vez para a margem oposta, de novo afluiu a ele uma grande multidão. Ele se achava à beira do mar, quando
 +
22. um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo, se apresentou e, à sua vista, lançou-se-lhe aos pés,
 +
23. rogando-lhe com insistência: Minha filhinha está nas últimas. Vem, impõe-lhe as mãos para que se salve e viva.
 +
24. Jesus foi com ele e grande multidão o seguia, comprimindo-o.
 +
25. Ora, havia ali uma mulher que já por doze anos padecia de um fluxo de sangue.
 +
26. Sofrera muito nas mãos de vários médicos, gastando tudo o que possuía, sem achar nenhum alívio; pelo contrário, piorava cada vez mais.
 +
27. Tendo ela ouvido falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe no manto.
 +
28. Dizia ela consigo: Se tocar, ainda que seja na orla do seu manto, estarei curada.
 +
29. Ora, no mesmo instante se lhe estancou a fonte de sangue, e ela teve a sensação de estar curada.
 +
30. Jesus percebeu imediatamente que saíra dele uma força e, voltando-se para o povo, perguntou: Quem tocou minhas vestes?
 +
31. Responderam-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te comprime e perguntas: Quem me tocou?
 +
32. E ele olhava em derredor para ver quem o fizera.
 +
33. Ora, a mulher, atemorizada e trêmula, sabendo o que nela se tinha passado, veio lançar-se-lhe aos pés e contou-lhe toda a verdade.
 +
34. Mas ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou. Vai em paz e sê curada do teu mal.
 +
35. Enquanto ainda falava, chegou alguém da casa do chefe da sinagoga, anunciando: Tua filha morreu. Para que ainda incomodas o Mestre?
 +
36. Ouvindo Jesus a notícia que era transmitida, dirigiu-se ao chefe da sinagoga: Não temas; crê somente.
 +
37. E não permitiu que ninguém o acompanhasse, senão Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago.
 +
38. Ao chegar à casa do chefe da sinagoga, viu o alvoroço e os que estavam chorando e fazendo grandes lamentações.
 +
39. Ele entrou e disse-lhes: Por que todo esse barulho e esses choros? A menina não morreu. Ela está dormindo.
 +
40. Mas riam-se dele. Contudo, tendo mandado sair todos, tomou o pai e a mãe da menina e os que levava consigo, e entrou onde a menina estava deitada.
 +
41. Segurou a mão da menina e disse-lhe: Talita cumi, que quer dizer: Menina, ordeno-te, levanta-te!
 +
42. E imediatamente a menina se levantou e se pôs a caminhar (pois contava doze anos). Eles ficaram assombrados.
 +
43. Ordenou-lhes severamente que ninguém o soubesse, e mandou que lhe dessem de comer.Jesus de Nazaré
  
<center><font size="3">'''A IMPLANTAÇÃO DA IGREJA DE CRISTO NA PALESTINA (1,4-12) - (ou "Atos de Pedro")'''</font></center>
+
 +
Capítulo 6
  
=====<font size="3">'''A Ascenção'''</font>=====
+
1. Depois, ele partiu dali e foi para a sua pátria, seguido de seus discípulos. 2 Quando chegou o dia de sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos o ouviam e, tomados de admiração, diziam: Donde lhe vem isso? Que sabedoria é essa que lhe foi dada, e como se operam por suas mãos tão grandes milagres?
'''4.''' E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa de seu Pai, que ouvistes, disse ele, da minha boca;
+
3. Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Não vivem aqui entre nós também suas irmãs? E ficaram perplexos a seu respeito.
'''5.''' porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias.
+
4. Mas Jesus disse-lhes: Um profeta só é desprezado na sua pátria, entre os seus parentes e na sua própria casa.
'''6.''' Assim reunidos, eles o interrogavam: Senhor, é porventura agora que ides instaurar o reino de Israel?
+
5. Não pôde fazer ali milagre algum. Curou apenas alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos.
'''7.''' Respondeu-lhes ele: Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder,
+
6. Admirava-se ele da desconfiança deles. E ensinando, percorria as aldeias circunvizinhas.
'''8.''' mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo.
+
7. Então chamou os Doze e começou a enviá-los, dois a dois; e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos.
'''9.''' Dizendo isso elevou-se da (terra) à vista deles e uma nuvem o ocultou aos seus olhos..
+
8. Ordenou-lhes que não levassem coisa alguma para o caminho, senão somente um bordão; nem pão, nem mochila, nem dinheiro no cinto;
'''10.''' Enquanto o acompanhavam com seus olhares, vendo-o afastar-se para o céu, eis que lhes apareceram dois homens vestidos de branco, que lhes disseram:
+
9. como calçado, unicamente sandálias, e que se não revestissem de duas túnicas.
'''11.''' Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu.
+
10. E disse-lhes: Em qualquer casa em que entrardes, ficai nela, até vos retirardes dali.
 +
11. Se em algum lugar não vos receberem nem vos escutarem, saí dali e sacudi o pó dos vossos pés em testemunho contra ele.
 +
12. Eles partiram e pregaram a penitência.
 +
13. Expeliam numerosos demônios, ungiam com óleo a muitos enfermos e os curavam.
 +
14. O rei Herodes ouviu falar de Jesus, cujo nome se tornara célebre. Dizia-se: João Batista ressurgiu dos mortos e por isso o poder de fazer milagres opera nele.
 +
15. Uns afirmavam: É Elias! Diziam outros: É um profeta como qualquer outro.
 +
16. Ouvindo isto, Herodes repetia: É João, a quem mandei decapitar. Ele ressuscitou!
 +
17. Pois o próprio Herodes mandara prender João e acorrentá-lo no cárcere, por causa de Herodíades, mulher de seu irmão Filipe, com a qual ele se tinha casado.
 +
18. João tinha dito a Herodes: Não te é permitido ter a mulher de teu irmão.
 +
19. Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, não o conseguindo, porém.
 +
20. Pois Herodes respeitava João, sabendo que era um homem justo e santo; protegia-o e, quando o ouvia, sentia-se embaraçado. Mas, mesmo assim, de boa mente o ouvia.
 +
21. Chegou, porém, um dia favorável em que Herodes, por ocasião do seu natalício, deu um banquete aos grandes de sua corte, aos seus oficiais e aos principais da Galiléia.
 +
22. A filha de Herodíades apresentou-se e pôs-se a dançar, com grande satisfação de Herodes e dos seus convivas. Disse o rei à moça: Pede-me o que quiseres, e eu to darei.
 +
23. E jurou-lhe: Tudo o que me pedires te darei, ainda que seja a metade do meu reino.
 +
24. Ela saiu e perguntou à sua mãe: Que hei de pedir? E a mãe respondeu: A cabeça de João Batista.
 +
25. Tornando logo a entrar apressadamente à presença do rei, exprimiu-lhe seu desejo: Quero que sem demora me dês a cabeça de João Batista.
 +
26. O rei entristeceu-se; todavia, por causa da sua promessa e dos convivas, não quis recusar.
 +
27. Sem tardar, enviou um carrasco com a ordem de trazer a cabeça de João. Ele foi, decapitou João no cárcere,
 +
28. trouxe a sua cabeça num prato e a deu à moça, e esta a entregou à sua mãe.
 +
29. Ouvindo isto, os seus discípulos foram tomar o seu corpo e o depositaram num sepulcro.
 +
30. Os apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-lhe tudo o que haviam feito e ensinado.
 +
31. Ele disse-lhes: Vinde à parte, para algum lugar deserto, e descansai um pouco. Porque eram muitos os que iam e vinham e nem tinham tempo para comer.
 +
32. Partiram na barca para um lugar solitário, à parte.
 +
33. Mas viram-nos partir. Por isso, muitos deles perceberam para onde iam, e de todas as cidades acorreram a pé para o lugar aonde se dirigiam, e chegaram primeiro que eles.
 +
34. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se dela, porque era como ovelhas que não têm pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas.
 +
35. A hora já estava bem avançada quando se achegaram a ele os seus discípulos e disseram: Este lugar é deserto, e já é tarde.
 +
36. Despede-os, para irem aos sítios e aldeias vizinhas a comprar algum alimento.
 +
37. Mas ele respondeu-lhes: Dai-lhes vós mesmos de comer. Replicaram-lhe: Iremos comprar duzentos denários de pão para dar-lhes de comer?
 +
38. Ele perguntou-lhes: Quantos pães tendes? Ide ver. Depois de se terem informado, disseram: Cinco, e dois peixes.
 +
39. Ordenou-lhes que mandassem todos sentar-se, em grupos, na relva verde.
 +
40. E assentaram-se em grupos de cem e de cinqüenta.
 +
41. Então tomou os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, abençoou-os, partiu-os e os deu a seus discípulos, para que lhos distribuíssem, e repartiu entre todos os dois peixes.
 +
42. Todos comeram e ficaram fartos.
 +
43. Recolheram do que sobrou doze cestos cheios de pedaços, e os restos dos peixes.
 +
44. Foram cinco mil os homens que haviam comido daqueles pães.
 +
45. Imediatamente ele obrigou os seus discípulos a subirem para a barca, para que chegassem antes dele à outra margem, em frente de Betsaida, enquanto ele mesmo despedia o povo.
 +
46. E despedido que foi o povo, retirou-se ao monte para orar.
 +
47. À noite, achava-se a barca no meio do lago e ele, a sós, em terra.
 +
48. Vendo-os se fatigarem em remar, sendo-lhes o vento contrário, foi ter com eles pela quarta vigília da noite, andando por cima do mar, e fez como se fosse passar ao lado deles.
 +
49. À vista de Jesus, caminhando sobre o mar, pensaram que fosse um fantasma e gritaram;
 +
50. pois todos o viram e se assustaram. Mas ele logo lhes falou: Tranqüilizai-vos, sou eu; não vos assusteis!
 +
51. E subiu para a barca, junto deles, e o vento cessou. Todos se achavam tomados de um extremo pavor,
 +
52. pois ainda não tinham compreendido o caso dos pães; os seus corações estavam insensíveis.
 +
53. Navegaram para o outro lado e chegaram à região de Genesaré, onde aportaram.
 +
54. Assim que saíram da barca, o povo o reconheceu.
 +
55. Percorrendo toda aquela região, começaram a levar, em leitos, os que padeciam de algum mal, para o lugar onde ouviam dizer que ele se encontrava.
 +
56. Onde quer que ele entrasse, fosse nas aldeias ou nos povoados, ou nas cidades, punham os enfermos nas ruas e pediam-lhe que os deixassem tocar ao menos na orla de suas vestes. E todos os que tocavam em Jesus ficavam sãos.
  
=====<font size="3">'''Os discípulos no cenáculo'''</font>=====
+
'''12.''' Voltaram eles então para Jerusalém do monte chamado das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, distante uma jornada de sábado.
+
Capítulo 7
'''13.''' Tendo entrado no cenáculo, subiram ao quarto de cima, onde costumavam permanecer. Eram eles: Pedro e João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelador, e Judas, irmão de Tiago.
 
'''14.''' Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele.
 
  
=====<font size="3">'''Eleição de Matias'''</font>=====
+
1. Os fariseus e alguns dos escribas vindos de Jerusalém tinham sereunido em torno dele.
'''15.''' Num daqueles dias, levantou-se Pedro no meio de seus irmãos, na assembléia reunida que constava de umas cento e vinte pessoas, e disse:
+
2. E perceberam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as lavar.
'''16.''' Irmãos, convinha que se cumprisse o que o Espírito Santo predisse na escritura pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus.
+
3. (Com efeito, os fariseus e todos os judeus, apegando-se à tradição dos antigos, não comem sem lavar cuidadosamente as mãos;
'''17.''' Ele era um dos nossos e teve parte no nosso ministério.
+
4. e, quando voltam do mercado, não comem sem ter feito abluções. E há muitos outros costumes que observam por tradição, como lavar os copos, os jarros e os pratos de metal.)
'''18.''' Este homem adquirira um campo com o salário de seu crime. Depois, tombando para a frente, arrebentou-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram.
+
5. Os fariseus e os escribas perguntaram-lhe: Por que não andam os teus discípulos conforme a tradição dos antigos, mas comem o pão com as mãos impuras?
'''19.''' (Tornou-se este fato conhecido dos habitantes de Jerusalém, de modo que aquele campo foi chamado na língua deles Hacéldama, isto é, Campo de Sangue.)
+
6. Jesus disse-lhes: Isaías com muita razão profetizou de vós, hipócritas, quando escreveu: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.
'''20.''' Pois está escrito no livro dos Salmos: Fique deserta a sua habitação, e não haja quem nela habite; e ainda mais: Que outro receba o seu cargo (Sl 68,26; 108,8).
+
7. Em vão, pois, me cultuam, porque ensinam doutrinas e preceitos humanos (29,13).
'''21.''' Convém que destes homens que têm estado em nossa companhia todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós,
+
8. Deixando o mandamento de Deus, vos apegais à tradição dos homens.
'''22.''' a começar do batismo de João até o dia em que do nosso meio foi arrebatado, um deles se torne conosco testemunha de sua Ressurreição.
+
9. E Jesus acrescentou: Na realidade, invalidais o mandamento de Deus para estabelecer a vossa tradição.
'''23.''' Propuseram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome Justo, e Matias.
+
10. Pois Moisés disse: Honra teu pai e tua mãe; e: Todo aquele que amaldiçoar pai ou mãe seja morto.
'''24.''' E oraram nestes termos: Ó Senhor, que conheces os corações de todos, mostra-nos qual destes dois escolheste
+
11. Vós, porém, dizeis: Se alguém disser ao pai ou à mãe: Qualquer coisa que de minha parte te pudesse ser útil é corban, isto é, oferta,
'''25.''' para tomar neste ministério e apostolado o lugar de Judas que se transviou, para ir para o seu próprio lugar.
+
12. e já não lhe deixais fazer coisa alguma a favor de seu pai ou de sua mãe,
'''26.''' Deitaram sorte e caiu a sorte em Matias, que foi incorporado aos onze apóstolos".
+
13. anulando a palavra de Deus por vossa tradição que vós vos transmitistes. E fazeis ainda muitas coisas semelhantes.
 +
14. Tendo chamado de novo a turba, dizia-lhes: Ouvi-me todos, e entendei.
 +
15. Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa manchar; mas o que sai do homem, isso é que mancha o homem.
 +
16. [bom entendedor meia palavra basta.]
 +
17. Quando deixou o povo e entrou em casa, os seus discípulos perguntaram-lhe acerca da parábola.
 +
18. Respondeu-lhes: Sois também vós assim ignorantes? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode tornar impuro,
 +
19. porque não lhe entra no coração, mas vai ao ventre e dali segue sua lei natural? Assim ele declarava puros todos os alimentos. E acrescentava:
 +
20. Ora, o que sai do homem, isso é que mancha o homem.
 +
21. Porque é do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos,
 +
22. adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez.
 +
23. Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem.
 +
24. Em seguida, deixando aquele lugar, foi para a terra de Tiro e de Sidônia. E tendo entrado numa casa, não quis que ninguém o soubesse. Mas não pôde ficar oculto,
 +
25. pois uma mulher, cuja filha possuía um espírito imundo, logo que soube que ele estava ali, entrou e caiu a seus pés.
 +
26. (Essa mulher era pagã, de origem siro-fenícia.) Ora, ela suplicava-lhe que expelisse de sua filha o demônio.
 +
27. Disse-lhe Jesus: Deixa primeiro que se fartem os filhos, porque não fica bem tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cães.
 +
28. Mas ela respondeu: É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos debaixo da mesa comem das migalhas dos filhos.
 +
29. Jesus respondeu-lhe: Por causa desta palavra, vai-te, que saiu o demônio de tua filha.
 +
30. Voltou ela para casa e achou a menina deitada na cama. O demônio havia saído.
 +
31. Ele deixou de novo as fronteiras de Tiro e foi por Sidônia ao mar da Galiléia, no meio do território da Decápole.
 +
32. Ora, apresentaram-lhe um surdo-mudo, rogando-lhe que lhe impusesse a mão.
 +
33. Jesus tomou-o à parte dentre o povo, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e tocou-lhe a língua com saliva.
 +
34. E levantou os olhos ao céu, deu um suspiro e disse-lhe: Éfeta!, que quer dizer abre-te!
 +
35. No mesmo instante os ouvidos se lhe abriram, a prisão da língua se lhe desfez e ele falava perfeitamente.
 +
36. Proibiu-lhes que o dissessem a alguém. Mas quanto mais lhes proibia, tanto mais o publicavam.
 +
37. E tanto mais se admiravam, dizendo: Ele fez bem todas as coisas. Fez ouvir os surdos e falar os mudos!
  
=====<font size="3">'''Vinda do Espírito Santo'''</font>=====
+
 +
Capítulo 8
  
<font size="5">'''2)'''</font> "'''1.''' Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar.
+
1. Naqueles dias, como fosse novamente numerosa a multidão, enão tivessem o que comer, Jesus convocou os discípulos e lhes disse:
'''2.''' De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados.
+
2. Tenho compaixão deste povo. Já há três dias perseveram comigo e não têm o que comer.
'''3.''' Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles.
+
3. Se os despedir em jejum para suas casas, desfalecerão no caminho; e alguns deles vieram de longe!
'''4.''' Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.
+
4. Seus discípulos responderam-lhe: Como poderá alguém fartá-los de pão aqui no deserto?
'''5.''' Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu.
+
5. Mas ele perguntou-lhes: Quantos pães tendes? Sete, responderam.
'''6.''' Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua.
+
6. Mandou então que o povo se assentasse no chão. Tomando os sete pães, deu graças, partiu-os e entregou-os a seus discípulos, para que os distribuíssem e eles os distribuíram ao povo.
'''7.''' Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam?
+
7. Tinham também alguns peixinhos. Ele os abençoou e mandou também distribuí-los.
'''8.''' Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?
+
8. Comeram e ficaram fartos, e dos pedaços que sobraram levantaram sete cestos.
'''9.''' Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia,
+
9. Ora, os que comeram eram cerca de quatro mil pessoas. Em seguida, Jesus os despediu.
'''10.''' a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos,
+
10. E embarcando depois com seus discípulos, foi para o território de Dalmanuta.
'''11.''' judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus!
+
11. Vieram os fariseus e puseram-se a disputar com ele e pediram-lhe um sinal do céu, para pô-lo à prova.
'''12.''' Estavam, pois, todos atônitos e, sem saber o que pensar, perguntavam uns aos outros: Que significam estas coisas?
+
12. Jesus, porém, suspirando no seu coração, disse: Por que pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo: jamais lhe será dado um sinal.
'''13.''' Outros, porém, escarnecendo, diziam: Estão todos embriagados de vinho doce.
+
13. Deixou-os e seguiu de barca para a outra margem.
 +
14. Aconteceu que eles haviam esquecido de levar pães consigo. Na barca havia um único pão.
 +
15. Jesus advertiu-os: Abri os olhos e acautelai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes!
 +
16. E eles comentavam entre si que era por não terem pão.
 +
17. Jesus percebeu-o e disse-lhes: Por que discutis por não terdes pão? Ainda não tendes refletido nem compreendido? Tendes, pois, o coração insensível?
 +
18. Tendo olhos, não vedes? E tendo ouvidos, não ouvis? Não vos lembrais mais?
 +
19. Ao partir eu os cinco pães entre os cinco mil, quantos cestos recolhestes
 +
cheios de pedaços? Responderam-lhe: Doze.
 +
20. E quando eu parti os sete pães entre os quatro mil homens, quantos cestos de pedaços levantastes? Sete, responderam-lhe.
 +
21. Jesus disse-lhes: Como é que ainda não entendeis?...
 +
22. Chegando eles a Betsaida, trouxeram-lhe um cego e suplicaram-lhe que o tocasse.
 +
23. Jesus tomou o cego pela mão e levou-o para fora da aldeia. Pôs-lhe saliva nos olhos e, impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa?
 +
24. O cego levantou os olhos e respondeu: Vejo os homens como árvores que andam.
 +
25. Em seguida, Jesus lhe impôs as mãos nos olhos e ele começou a ver e ficou curado, de modo que via distintamente de longe.
 +
26. E mandou-o para casa, dizendo-lhe: Não entres nem mesmo na aldeia.
 +
27. Jesus saiu com os seus discípulos para as aldeias de Cesaréia de Filipe, e pelo caminho perguntou-lhes: Quem dizem os homens que eu sou?
 +
28. Responderam-lhe os discípulos: João Batista; outros, Elias; outros, um dos profetas.
 +
29. Então perguntou-lhes Jesus: E vós, quem dizeis que eu sou? Respondeu Pedro: Tu és o Cristo.
 +
30. E ordenou-lhes severamente que a ninguém dissessem nada a respeito dele.
 +
31. E começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem padecesse muito, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas, e fosse morto, mas ressuscitasse depois de três dias.
 +
32. E falava-lhes abertamente dessas coisas. Pedro, tomando-o à parte, começou a repreendê-lo.
 +
33. Mas, voltando-se ele, olhou para os seus discípulos e repreendeu a Pedro: Afasta-te de mim, Satanás, porque teus sentimentos não são os de Deus, mas os dos homens.
 +
34. Em seguida, convocando a multidão juntamente com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.
 +
35. Porque o que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salvá-la-á.
 +
36. Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida?
 +
37. Ou que dará o homem em troca da sua vida?
 +
38. Porque, se nesta geração adúltera e pecadora alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os seus santos anjos.
  
=====<font size="3">'''Discurso de Pedro'''</font>=====
+
'''14.''' Pedro então, pondo-se de pé em companhia dos Onze, com voz forte lhes disse: Homens da Judéia e vós todos que habitais em Jerusalém: seja-vos isto conhecido e prestai atenção às minhas palavras.
+
Capítulo 9
'''15.''' Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, visto não ser ainda a hora terceira do dia.
+
 
'''16.''' Mas cumpre-se o que foi dito pelo profeta Joel:
+
1. E dizia-lhes: Em verdade vos digo: dos que aqui se acham, alguns há que não experimentarão a morte, enquanto não virem chegar o Reino de Deus com poder.
'''17.''' Acontecerá nos últimos dias - é Deus quem fala -, que derramarei do meu Espírito sobre todo ser vivo: profetizarão os vossos filhos e as vossas filhas. Os vossos jovens terão visões, e os vossos anciãos sonharão.
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2. Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João, e conduziu-os a sós a um alto monte. E
'''18.''' Sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei naqueles dias do meu Espírito e profetizarão.
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3. transfigurou-se diante deles. Suas vestes tornaram-se resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra as pode fazer assim tão brancas.
'''19.''' Farei aparecer prodígios em cima, no céu, e milagres embaixo, na terra: sangue fogo e vapor de fumaça.
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4. Apareceram-lhes Elias e Moisés, e falavam com Jesus.
'''20.''' O sol se converterá em trevas e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor.
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5. Pedro tomou a palavra: Mestre, é bom para nós estarmos aqui; faremos três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.
'''21.''' E então todo o que invocar o nome do Senhor será salvo (Jl 3,1-5).
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6. Com efeito, não sabia o que falava, porque estavam sobremaneira atemorizados.
'''22.''' Israelitas, ouvi estas palavras: Jesus de Nazaré, homem de quem Deus tem dado testemunho diante de vós com milagres, prodígios e sinais que Deus por ele realizou no meio de vós como vós mesmos o sabeis,
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7. Formou-se então uma nuvem que os encobriu com a sua sombra; e da nuvem veio uma voz: Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o.
'''23.''' depois de ter sido entregue, segundo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de ímpios.
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8. E olhando eles logo em derredor, já não viram ninguém, senão só a Jesus com eles.
'''24.''' Mas Deus o ressuscitou, rompendo os grilhões da morte, porque não era possível que ela o retivesse em seu poder.
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9. Ao descerem do monte, proibiu-lhes Jesus que contassem a quem quer que fosse o que tinham visto, até que o Filho do homem houvesse ressurgido dos mortos.
'''25.''' Pois dele diz Davi: Eu via sempre o Senhor perto de mim, pois ele está à minha direita, para que eu não seja abalado.
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10. E guardaram esta recomendação consigo, perguntando entre si o que significaria: Ser ressuscitado dentre os mortos.
'''26.''' Alegrou-se por isso o meu coração e a minha língua exultou. Sim, também a minha carne repousará na esperança,
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11. Depois lhe perguntaram: Por que dizem os fariseus e os escribas que primeiro deve voltar Elias?
'''27.''' pois não deixarás a minha alma na região dos mortos, nem permitirás que o teu santo conheça a corrupção.
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12. Respondeu-lhes: Elias deve voltar primeiro e restabelecer tudo em ordem. Como então está escrito acerca do Filho do homem que deve padecer muito e ser desprezado?
'''28.''' Fizeste-me conhecer os caminhos da vida, e me encherás de alegria com a visão de tua face (Sl 15,8-11).
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13. Mas digo-vos que também Elias já voltou e fizeram-lhe sofrer tudo quanto quiseram, como está escrito dele.
'''29.''' Irmãos, seja permitido dizer-vos com franqueza: do patriarca Davi dizemos que morreu e foi sepultado, e o seu sepulcro está entre nós até o dia de hoje.
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14. Depois, aproximando-se dos discípulos, viu ao redor deles grande multidão, e os escribas a discutir com eles.
30. Mas ele era profeta e sabia que Deus lhe havia jurado que um dos seus descendentes seria colocado no seu trono.
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15. Todo aquele povo, vendo de surpresa Jesus, acorreu a ele para saudá-lo.
'''31.''' É, portanto, a ressurreição de Cristo que ele previu e anunciou por estas palavras: Ele não foi abandonado na região dos mortos, e sua carne não conheceu a corrupção.
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16. Ele lhes perguntou: Que estais discutindo com eles?
'''32.''' A este Jesus, Deus o ressuscitou: do que todos nós somos testemunhas.
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17. Respondeu um homem dentre a multidão: Mestre, eu te trouxe meu filho, que tem um espírito mudo.
'''33.''' Exaltado pela direita de Deus, havendo recebido do Pai o Espírito Santo prometido, derramou-o como vós vedes e ouvis.
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18. Este, onde quer que o apanhe, lança-o por terra e ele espuma, range os dentes e fica endurecido. Roguei a teus discípulos que o expelissem, mas não o puderam.
'''34.''' Pois Davi pessoalmente não subiu ao céu, todavia diz: O Senhor disse a meu Senhor: Senta-te à minha direita
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19. Respondeu-lhes Jesus: Ó geração incrédula, até quando estarei convosco? Até quando vos hei de aturar? Trazei-mo cá!
'''35.''' até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés (Sl 109,1).
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20. Eles lho trouxeram. Assim que o menino avistou Jesus, o espírito o agitou fortemente. Caiu por terra e revolvia-se espumando.
'''36.''' Que toda a casa de Israel saiba, portanto, com a maior certeza de que este Jesus, que vós crucificastes, Deus o constituiu Senhor e Cristo.
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21. Jesus perguntou ao pai: Há quanto tempo lhe acontece isto? Desde a infância, respondeu-lhe.
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22. E o tem lançado muitas vezes ao fogo e à água, para o matar. Se tu, porém, podes alguma coisa, ajuda-nos, compadece-te de nós!
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23. Disse-lhe Jesus: Se podes alguma coisa!... Tudo é possível ao que crê.
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24. Imediatamente exclamou o pai do menino: Creio! Vem em socorro à minha falta de fé!
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25. Vendo Jesus que o povo afluía, intimou o espírito imundo e disse-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: sai deste menino e não tornes a entrar nele.
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26. E, gritando e maltratando-o extremamente, saiu. O menino ficou como morto, de modo que muitos diziam: Morreu...
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27. Jesus, porém, tomando-o pela mão, ergueu-o e ele levantou-se.
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28. Depois de entrar em casa, os seus discípulos perguntaram-lhe em particular: Por que não pudemos nós expeli-lo?
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29. Ele disse-lhes: Esta espécie de demônios não se pode expulsar senão pela oração.
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30. Tendo partido dali, atravessaram a Galiléia. Não queria, porém, que ninguém o soubesse.
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31. E ensinava os seus discípulos: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, e matá-lo-ão; e ressuscitará três dias depois de sua morte.
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32. Mas não entendiam estas palavras; e tinham medo de lho perguntar.
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33. Em seguida, voltaram para Cafarnaum. Quando já estava em casa, Jesus perguntou-lhes: De que faláveis pelo caminho?
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34. Mas eles calaram-se, porque pelo caminho haviam discutido entre si qual deles seria o maior.
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35. Sentando-se, chamou os Doze e disse-lhes: Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos.
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36. E tomando um menino, colocou-o no meio deles; abraçou-o e disse-lhes:
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37. Todo o que recebe um destes meninos em meu nome, a mim é que recebe; e todo o que recebe a mim, não me recebe, mas aquele que me enviou.
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38. João disse-lhe: Mestre, vimos alguém, que não nos segue, expulsar demônios em teu nome, e lho proibimos.
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39. Jesus, porém, disse-lhe: Não lho proibais, porque não há ninguém que faça um prodígio em meu nome e em seguida possa falar mal de mim.
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40. Pois quem não é contra nós, é a nosso favor.
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41. E quem vos der de beber um copo de água porque sois de Cristo, digo-vos em verdade: não perderá a sua recompensa.
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42. Mas todo o que fizer cair no pecado a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que uma pedra de moinho lhe fosse posta ao pescoço e o lançassem ao mar!
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43. Se a tua mão for para ti ocasião de queda, corta-a; melhor te é entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para a geena, para o fogo inextinguível
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44. [onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga].
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45. Se o teu pé for para ti ocasião de queda, corta-o fora; melhor te é entrares coxo na vida eterna do que, tendo dois pés, seres lançado à geena do fogo inextinguível
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46. [onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga].
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47. Se o teu olho for para ti ocasião de queda, arranca-o; melhor te é entrares com um olho de menos no Reino de Deus do que, tendo dois olhos, seres lançado à geena do fogo,
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48. onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga.
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49. Porque todo homem será salgado pelo fogo.
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50. O sal é uma boa coisa; mas se ele se tornar insípido, com que lhe restituireis o sabor? Tende sal em vós e vivei em paz uns com os outros.
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Capítulo 10
  
=====<font size="3">'''Primeiras conversões'''</font>=====
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1. Saindo dali, ele foi para a região da Judéia, além do Jordão. As multidões voltaram a segui-lo pelo caminho e de novo ele pôs-se a ensiná-las, como era seu costume.
'''37.''' Ao ouvirem essas coisas, ficaram compungidos no íntimo do coração e indagaram de Pedro e dos demais apóstolos: Que devemos fazer, irmãos?
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2. Chegaram os fariseus e perguntaram-lhe, para o pôr à prova, se era permitido ao homem repudiar sua mulher.
'''38.''' Pedro lhes respondeu: Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.
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3. Ele respondeu-lhes: "Que vos ordenou Moisés?"
'''39.''' Pois a promessa é para vós, para vossos filhos e para todos os que ouvirem de longe o apelo do Senhor, nosso Deus.
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4. Eles responderam: "Moisés permitiu escrever carta de divórcio e despedir a mulher."
'''40.''' Ainda com muitas outras palavras exortava-os, dizendo: Salvai-vos do meio dessa geração perversa!
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5. Continuou Jesus: "Foi devido à dureza do vosso coração que ele vos deu essa lei;
'''41.''' Os que receberam a sua palavra foram batizados. E naquele dia elevou-se a mais ou menos três mil o número dos adeptos.
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6. mas, no princípio da criação, Deus os fez homem e mulher.
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7. Por isso, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher;
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8. e os dois não serão senão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne.
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9. Não separe, pois, o homem o que Deus uniu."
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10. Em casa, os discípulos fizeram-lhe perguntas sobre o mesmo assunto.
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11. E ele disse-lhes: "Quem repudia sua mulher e se casa com outra, comete adultério contra a primeira.
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12. E se a mulher repudia o marido e se casa com outro, comete adultério."
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13. Apresentaram-lhe então crianças para que as tocasse; mas os discípulos repreendiam os que as apresentavam.
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14. Vendo-o, Jesus indignou-se e disse-lhes: "Deixai vir a mim os pequequinos e não os impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham.
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15. Em verdade vos digo: todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará."
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16. Em seguida, ele as abraçou e as abençoou, impondo-lhes as mãos.
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17. Tendo ele saído para se pôr a caminho, veio alguém correndo e, dobrando os joelhos diante dele, suplicou-lhe: "Bom Mestre, que farei para alcançara vida eterna?"
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18. Jesus disse-lhe: "Por que me chamas bom? Só Deus é bom.
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19. Conheces os mandamentos: não mates; não cometas adultério; não furtes; não digas falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe."
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20. Ele respondeu-lhe: "Mestre, tudo isto tenho observado desde a minha mocidade."
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21. Jesus fixou nele o olhar, amou-o e disse-lhe: "Uma só coisa te falta; vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me.
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22. Ele entristeceu-se com estas palavras e foi-se todo abatido, porque possuía muitos bens.
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23. E, olhando Jesus em derredor, disse a seus discípulos: "Quão dificilmente entrarão no Reino de Deus os ricos!"
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24. Os discípulos ficaram assombrados com suas palavras. Mas Jesus replicou: "Filhinhos, quão difícil é entrarem no Reino de Deus os que põem a sua confiança nas riquezas!
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25. É mais fácil passar o camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar o rico no Reino de Deus."
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26. Eles ainda mais se admiravam, dizendo a si próprios: "Quem pode então salvar-se?"
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27. Olhando Jesus para eles, disse: "Aos homens isto é impossível, mas não a Deus; pois a Deus tudo é possível.
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28. Pedro começou a dizer-lhe: "Eis que deixamos tudo e te seguimos."
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29. Respondeu-lhe Jesus. "Em verdade vos digo: ninguém há que tenha deixado casa ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras por causa de mim e por causa do Evangelho
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30. que não receba, já neste século, cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, com perseguições e no século vindouro a vida eterna.
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31. Muitos dos primeiros serão os últimos, e dos últimos serão os primeiros."
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32. Estavam a caminho de Jerusalém e Jesus ia adiante deles. Estavam perturbados e o seguiam com medo. E tomando novamente a si os Doze, começou a predizer-lhes as coisas que lhe haviam de acontecer:
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33. "Eis que subimos a Jerusalém e o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas; condená-lo-ão à morte e entregá-lo-ão aos gentios.
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34. Escarnecerão dele, cuspirão nele, açoitá-lo-ão, e hão de matá-lo; mas ao terceiro dia ele ressurgirá.
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35. Aproximaram-se de; Jesus Tiago e João, filhos de Zebedeu, e disseram-lhe: "Mestre, queremos que nos concedas tudo o que te pedirmos."
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36. "Que quereis que vos faça?"
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37. "Concede-nos que nos sentemos na tua glória, um à tua direita e outro à tua esquerda."
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38. "Não sabeis o que pedis, retorquiu Jesus. Podeis vós beber o cálice que eu vou beber, ou ser batizados no batismo em que eu vou ser batizado?"
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39. "Podemos", asseguraram eles. Jesus prosseguiu: "Vós bebereis o cálice que eu devo beber e sereis batizados no batismo em que eu devo ser batizado.
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40. Mas, quanto ao assentardes à minha direita ou à minha esquerda, isto não depende de mim: o lugar compete àqueles a quem está destinado."
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41. Ouvindo isto, os outros dez começaram a indignar-se contra Tiago e João.
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42. Jesus chamou-os e deu-lhes esta lição: "Sabeis que os que são considerados chefes das nações dominam sobre elas e os seus intendentes exercem poder sobre elas.
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43. Entre vós, porém, não será assim: todo o que quiser tornar-se grande entre vós, seja o vosso servo;
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44. e todo o que entre vós quiser ser o primeiro, seja escravo de todos.
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45. Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por muitos."
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46. Chegaram a Jericó. Ao sair dali Jesus, seus discípulos e numerosa multidão, estava sentado à beira do caminho, mendigando, Bartimeu, que era cego, filho de Timeu.
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47. Sabendo que era Jesus de Nazaré, começou a gritar: "Jesus, filho de Davi, em compaixão de mim!"
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48. Muitos o repreendiam, para que se calasse, mas ele gritava ainda mais alto: "Filho de Davi, tem compaixão de mim!"
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49. Jesus parou e disse: "Chamai-o" Chamaram o cego, dizendo-lhe: "Coragem! Levanta-te, ele te chama."
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50. Lançando fora a capa, o cego ergueu-se dum salto e foi ter com ele.
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51. Jesus, tomando a palavra, perguntou-lhe: "Que queres que te faça? Rabôni, respondeu-lhe o cego, que eu veja!
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52. Jesus disse-lhe: Vai, a tua fé te salvou." No mesmo instante, ele recuperou a vista e foi seguindo Jesus pelo caminho.
  
=====<font size="3">'''Virtudes dos primeiros cristãos'''</font>=====
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'''42.''' Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações.
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Capítulo 11
'''43.''' De todos eles se apoderou o temor, pois pelos apóstolos foram feitos também muitos prodígios e milagres em Jerusalém e o temor estava em todos os corações.
 
'''44.''' Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum.
 
'''45.''' Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um.
 
'''46.''' Unidos de coração freqüentavam todos os dias o templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração,
 
'''47.''' louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros que estavam a caminho da salvação".
 
  
=====<font size="3">'''Cura do coxo'''</font>=====
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1. Jesus e seus discípulos aproximavam-se de Jerusalém e chegaram aos arredores de Betfagé e de Betânia, perto do monte das Oliveiras. Desse lugar Jesus enviou dois dos seus discípulos,
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2. dizendo-lhes: "Ide à aldeia que está defronte de vós e, logo ao entrardes nela, achareis preso um jumentinho, em que não montou ainda homem algum; desprendei-o e trazei-mo.
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3. E se alguém vos perguntar: Que fazeis?, dizei: O Senhor precisa dele, mas daqui a pouco o devolverá."
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4. Indo eles, acharam o jumentinho atado fora, diante duma porta, na curva do caminho. Iam-no desprendendo,
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5. quando alguns dos que ali estavam perguntaram: "Ei, que estais fazendo? Por que soltais o jumentinho?"
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6. Responderam como Jesus lhes havia ordenado; e deixaram-no levar.
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7. Conduziram a Jesus o jumentinho, cobriram-no com seus mantos, e Jesus montou nele.
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8. Muitos estendiam seus mantos no caminho; outros cortavam ramos das árvores e espalhavam-nos, pelo chão.
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9. Tanto os que precediam como os que iam atrás clamavam: "Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!
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10. O Bendito o Rei?.que vai começar, o reino de Davi, nosso pai! Hosana no mais alto dos céus!"
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11. Jesus entrou em Jerusalém e dirigiu-se ao templo. Aí lançou-os olhos para tudo o que o cercava. Depois, como já fosse tarde, voltou para Betânia com os Doze.
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12. No outro dia, ao saírem de Betãnia, Jesus teve fome.
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l3 Avistou de longe uma figueira coberta de folhas e foi ver se encontrava nela algum fruto. Aproximou-se da árvore, mas só encontrou folhas pois não era tempo de figos.
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14. E disse à figueira: "Jamais alguém coma fruto de ti!" E os discípulos ouviram esta maldição.
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15. Chegaram a Jerusalém e Jesus entrou no templo. E começou a expulsar os que no templo vendiam e compravam; derrubou as mesas dos trocadores de moedas e as cadeiras dos que vendiam pombas.
 +
16. Não consentia que ninguém transportasse algum objeto pelo templo.
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17. E ensinava-lhes nestes termos: "`Não está porventura escrito: A minha casa chamar-se-á casa de oração para todas as nações (Is 56,7)? Mas vós fizestes dela um covil de ladrões (Jr 7,11).
 +
18. Os príncipes dos sacerdotes e os escribas ouviram-no e procuravam um modo de o matar. Temiam-no, porque todo o povo se admirava da sua doutrina.
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19. Quando já era tarde, saíram da cidade.
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20. No dia seguinte pela manhã, ao passarem junto da figueira, viram que ela secara até a raiz.
 +
21. Pedro lembrou-se do que se tinha passado na véspera e disse a Jesus: "`Olha, Mestre, como secou a figueira que amaldiçoaste!"
 +
22. Respondeu-lhes Jesus: "Tende fé em Deus.
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23. Em verdade vos declaro: todo o que disser a este monte: Levanta-te e lança-te ao mar, se não duvidar no seu coração, mas acreditar que sucederá tudo o que disser, obterá esse milagre.
 +
24. Por isso vos digo: tudo o que pedirdes na oração, crede que o tendes recebido, e ser-vos-á dado.
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25. E quando vos puserdes de pé para orar, perdoai, se tiverdes algum ressentimento contra alguém, para que também vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe os vossos pecados. [
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26. Mas se não perdoardes, tampouco vosso Pai que está nos céus vos perdoará os vossos pecados.]"
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27. Jesus e seus discípulos voltaram outra vez a Jerusalém. E andando Jesus pelo templo, acercaram-se dele os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos,
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28. e perguntaram-lhe: "Com que direito fazes isto? Quem te deu autoridade para fazer essas coisas?"
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29. Jesus respondeu-lhes: "Também eu vos farei uma pergunta; respondei-ma, e dir-vos-ei com que direito faço essas coisas.
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30. O batismo de João vinha do céu ou dos homens? Respondei-me."
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31. E discorriam lá consigo: "Se dissermos: Do céu, ele dirá: Por que razão, pois, não crestes nele?
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32. Se, ao contrário, dissermos: Dos homens, tememos o povo." Com efeito, tinham medo do povo, porque todos julgavam ser João deveras um profeta.
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33. Responderam a Jesus: "Não o sabemos." "E eu tampouco vos direi, disse Jesus, com que direito faço estas coisas."
  
<font size="5">'''3)'''</font> "'''1.''' Pedro e João iam subindo ao templo para rezar à hora nona.
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'''2.''' Nisto levavam um homem que era coxo de nascença e que punham todos os dias à porta do templo, chamada Formosa, para que pedisse esmolas aos que entravam no templo.
+
Capítulo 12
'''3.''' Quando ele viu que Pedro e João iam entrando no templo, implorou a eles uma esmola.
+
 
'''4.''' Pedro fitou nele os olhos, como também João, e disse: Olha para nós.
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1. E começou a falar-lhes em parábolas. Um homem plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar, edificou uma torre, arrendou-a a vinhateiros e ausentou-se daquela terra.
'''5.''' Ele os olhou com atenção esperando receber deles alguma coisa.
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2. A seu tempo enviou aos vinhateiros um servo, para receber deles uma parte do produto da vinha.
'''6.''' Pedro, porém, disse: Não tenho nem ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!
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3. Ora, eles prenderam-no, feriram-no e reenviaram-no de mãos vazias.
'''7.''' E tomando-o pela mão direita, levantou-o. Imediatamente os pés e os tornozelos se lhe firmaram. De um salto pôs-se de pé e andava.
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4. Enviou-lhes de novo outro servo; também este feriram na cabeça e o cobriram de afrontas.
'''8.''' Entrou com eles no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus.
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5. O senhor enviou-lhes ainda um terceiro, mas o mataram. E enviou outros mais, dos quais feriram uns e mataram outros.
'''9.''' Todo o povo o viu andar e louvar a Deus.
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6. Restava-lhe ainda seu filho único, a quem muito amava. Enviou-o também por último a ir ter com eles, dizendo: Terão respeito a meu filho!...
'''10.''' Reconheceram ser o mesmo coxo que se sentava para mendigar à porta Formosa do templo, e encheram-se de espanto e pasmo pelo que lhe tinha acontecido.
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7. Os vinhateiros, porém, disseram uns aos outros: Este é o herdeiro! Vinde, matemo-lo e será nossa a herança!
'''11.''' Como ele se conservava perto de Pedro e João, uma multidão de curiosos afluiu a eles no pórtico chamado Salomão.
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8. Agarrando-o, mataram-no e lançaram-no fora da vinha.
'''12.''' À vista disso, falou Pedro ao povo: Homens de Israel, por que vos admirais assim? Ou por que fitais os olhos em nós, como se por nossa própria virtude ou piedade tivéssemos feito este homem andar?
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9. Que fará, pois, o senhor da vinha? Virá e exterminará os vinhateiros e dará a vinha a outro.
'''13.''' O Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó, o Deus de nossos pais glorificou seu servo Jesus, que vós entregastes e negastes perante Pilatos, quando este resolvera soltá-lo.
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10. Nunca lestes estas palavras da Escritura: A pedra que os construtores
'''14.''' Mas vós renegastes o Santo e o Justo e pedistes que se vos desse um homicida.
+
rejeitaram veio a tornar-se pedra angular.
'''15.''' Matastes o Príncipe da vida, mas Deus o ressuscitou dentre os mortos: disso nós somos testemunhas.
+
11. Isto é obra do Senhor, e ela é admirável aos nossos olhos (Sal 117,22s)?
'''16.''' Em virtude da fé em seu nome foi que esse mesmo nome consolidou este homem, que vedes e conheceis. Foi a fé em Jesus que lhe deu essa cura perfeita, à vista de todos vós.
+
12. Procuravam prendê-lo, mas temiam o povo; porque tinham entendido que a respeito deles dissera esta parábola. E deixando-o, retiraram-se.
'''17.''' Agora, irmãos, sei que o fizestes por ignorância, como também os vossos chefes.
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13. Enviaram-lhe alguns fariseus e herodianos, para que o apanhassem em alguma palavra.
'''18.''' Deus, porém, assim cumpriu o que antes anunciara pela boca de todos os profetas: que o seu Cristo devia padecer.
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14. Aproximaram-se dele e disseram-lhe: Mestre, sabemos que és sincero e que não lisonjeias a ninguém; porque não olhas para as aparências dos homens, mas ensinas o caminho de Deus segundo a verdade. É permitido que se pague o imposto a César ou não? Devemos ou não pagá-lo?
'''19.''' Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos para serem apagados os vossos pecados.
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15. Conhecendo-lhes a hipocrisia, respondeu-lhes Jesus: Por que me quereis armar um laço? Mostrai-me um denário.
'''20.''' Virão, assim, da parte do Senhor os tempos de refrigério, e ele enviará aquele que vos é destinado: Cristo Jesus.
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16. Apresentaram-lho. E ele perguntou-lhes: De quem é esta imagem e a inscrição? De César, responderam-lhe.
'''21.''' É necessário, porém, que o céu o receba até os tempos da restauração universal, da qual falou Deus outrora pela boca dos seus santos profetas.
+
17. Jesus então lhes replicou. Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. E admiravam-se dele.
'''22.''' Já dissera Moisés: O Senhor, nosso Deus, vos suscitará dentre vossos irmãos um profeta semelhante a mim: a este ouvireis em tudo o que ele vos disser.
+
18. Ora, vieram ter com ele os saduceus, que afirmam não haver ressurreição, e perguntaram-lhe:
'''23.''' Todo aquele que não ouvir esse profeta será exterminado do meio do povo (Dt 18,15.19).
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19. Mestre, Moisés prescreveu-nos: Se morrer o irmão de alguém, e deixar mulher sem filhos, seu irmão despo-se a viúva e suscite posteridade a seu irmão.
'''24.''' Todos os profetas, que têm falado sucessivamente desde Samuel, anunciaram estes dias.
+
20. Ora, havia sete irmãos; o primeiro casou e morreu sem deixar descendência.
'''25.''' Vós sois filhos dos profetas e da aliança que Deus estabeleceu com os nossos pais, quando disse a Abraão: Na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra (Gn 22,18).
+
21. Então o segundo desposou a viúva, e morreu sem deixar posteridade. Do mesmo modo o terceiro.
'''26.''' Foi em primeiro lugar para vós que Deus suscitou o seu servo, para vos abençoar, a fim de que cada um se aparte da sua iniqüidade".
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22. E assim tomaram-na os sete, e não deixaram filhos. Por último, morreu também a mulher.
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23. Na ressurreição, a quem destes pertencerá a mulher? Pois os sete a tiveram por mulher.
 +
24. Jesus respondeu-lhes: Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus.
 +
25. Na ressurreição dos mortos, os homens não tomarão mulheres, nem as mulheres, maridos, mas serão como os anjos nos céus.
 +
26. Mas quanto à ressurreição dos mortos, não lestes no livro de Moisés como Deus lhe falou da sarça, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó (Êx 3, 6)?
 +
27. Ele não é Deus de mortos, senão de vivos. Portanto, estais muito errados.
 +
28. Achegou-se dele um dos escribas que os ouvira discutir e, vendo que lhes respondera bem, indagou dele: Qual é o primeiro de todos os mandamentos?
 +
29. Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é este: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor;
 +
30. amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito e de todas as tuas forças.
 +
31. Eis aqui o segundo: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Outro mandamento maior do que estes não existe.
 +
32. Disse-lhe o escriba: Perfeitamente, Mestre, disseste bem que Deus é um só e que não há outro além dele.
 +
33. E amá-lo de todo o coração, de todo o pensamento, de toda a alma e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, excede a todos os holocaustos e sacrifícios.
 +
34. Vendo Jesus que ele falara sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do Reino de Deus. E já ninguém ousava fazer-lhe perguntas.
 +
35. Continuava Jesus a ensinar no templo e propôs esta questão: Como dizem os escribas que Cristo é o filho de Davi?
 +
36. Pois o mesmo Davi diz, inspirado pelo Espírito Santo: Disse o Senhor a meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos sob os teus pés (Sal 109,1).
 +
37. Ora, se o próprio Davi o chama Senhor, como então é ele seu filho? E a grande multidão ouvia-o com satisfação.
 +
38. Ele lhes dizia em sua doutrina: Guardai-vos dos escribas que gostam
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de andar com roupas compridas, de ser cumprimentados nas praças públicas
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39. e de sentar-se nas primeiras cadeiras nas sinagogas e nos primeiros lugares nos banquetes.
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40. Eles devoram os bens das viúvas e dão aparência de longas orações. Estes terão um juízo mais rigoroso.
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41. Jesus sentou-se defronte do cofre de esmola e observava como o povo deitava dinheiro nele; muitos ricos depositavam grandes quantias.
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42. Chegando uma pobre viúva, lançou duas pequenas moedas, no valor de
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apenas um quadrante.
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43. E ele chamou os seus discípulos e disse-lhes: Em verdade vos digo: esta pobre viúva deitou mais do que todos os que lançaram no cofre,
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44. porque todos deitaram do que tinham em abundância; esta, porém, pôs, da sua indigência, tudo o que tinha para o seu sustento.
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Capítulo 13
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1. Saindo Jesus do templo, disse-lhe um dos seus discípulos:Mestre, olha que pedras e que construções!
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2. Jesus replicou-lhe: Vês este grande edifício? Não se deixará pedra sobre pedra que não seja demolida.
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3. E estando sentado no monte das Oliveiras, defronte do templo, perguntaram-lhe à parte Pedro, Tiago, João e André:
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4. Dize-nos, quando hão de suceder essas coisas? E por que sinal se saberá que tudo isso se vai realizar?
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5. Jesus pôs-se então a dizer-lhes: Cuidai que ninguém vos engane.
 +
6. Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu. E seduzirão a muitos.
 +
7. Quando ouvirdes falar de guerras e de rumores de guerra, não temais; porque é necessário que estas coisas aconteçam, mas não será ainda o fim.
 +
8. Levantar-se-ão nação contra nação e reino contra reino; e haverá terremotos em diversos lugares, e fome. Isto será o princípio das dores.
 +
9. Cuidai de vós mesmos; sereis arrastados diante dos tribunais e açoitados nas sinagogas, e comparecereis diante dos governadores e reis por minha causa, para dar testemunho de mim diante deles.
 +
10. Mas primeiro é necessário que o Evangelho seja pregado a todas as nações.
 +
11. Quando vos levarem para vos entregar, não premediteis no que haveis de dizer, mas dizei o que vos for inspirado naquela hora; porque não sois vós que falais, mas sim o Espírito Santo.
 +
12. O irmão entregará à morte o irmão, e o pai, o filho; e os filhos insurgir-se-ão contra os pais e dar-lhes-ão a morte.
 +
13. E sereis odiados de todos por causa de meu nome. Mas o que perseverar até o fim será salvo.
 +
14. Quando virdes a abominação da desolação no lugar onde não deve estar o leitor entenda , então os que estiverem na Judéia fujam para os montes;
 +
15. o que estiver sobre o terraço não desça nem entre em casa para dela levar alguma coisa;
 +
16. e o que se achar no campo não volte a buscar o seu manto.
 +
17. Ai das mulheres que naqueles dias estiverem grávidas e amamentando!
 +
18. Rogai para que isto não aconteça no inverno!
 +
19. Porque naqueles dias haverá tribulações tais, como não as houve desde o princípio do mundo que Deus criou até agora, nem haverá jamais.
 +
20. Se o Senhor não abreviasse aqueles dias, ninguém se salvaria; mas ele os abreviou em atenção aos eleitos que escolheu.
 +
21. E se então alguém vos disser: Eis, aqui está o Cristo; ou: Ei-lo acolá, não creiais.
 +
22. Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão sinais e portentos para seduzir, se possível for, até os escolhidos.
 +
23. Ficai de sobreaviso. Eis que vos preveni de tudo.
 +
24. Naqueles dias, depois dessa tribulação, o sol se escurecerá, a lua não dará o seu resplendor;
 +
25. cairão os astros do céu e as forças que estão no céu serão abaladas.
 +
26. Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória.
 +
27. Ele enviará os anjos, e reunirá os seus escolhidos dos quatro ventos, desde a extremidade da terra até a extremidade do céu.
 +
28. Compreendei por uma comparação tirada da figueira. Quando os seus ramos vão ficando tenros e brotam as folhas, sabeis que está perto o verão.
 +
29. Assim também quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do homem está próximo, às portas.
 +
30. Em verdade vos digo: não passará esta geração sem que tudo isto aconteça.
 +
31. Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão.
 +
32. A respeito, porém, daquele dia ou daquela hora, ninguém o sabe, nem os anjos do céu nem mesmo o Filho, mas somente o Pai.
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33. Ficai de sobreaviso, vigiai; porque não sabeis quando será o tempo.
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34. Será como um homem que, partindo em viagem, deixa a sua casa e delega sua autoridade aos seus servos, indicando o trabalho de cada um, e manda ao porteiro que vigie.
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35. Vigiai, pois, visto que não sabeis quando o senhor da casa voltará, se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã,
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36. para que, vindo de repente, não vos encontre dormindo.
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37. O que vos digo, digo a todos: vigiai!
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Capítulo 14
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1. Ora, dali a dois dias seria a festa da Páscoa e dos (pães) Ázimos; e os sumos sacerdotes e os escribas buscavam algum meio de prender Jesus à traição para matá-lo.
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2. Mas não durante a festa, diziam eles, para não haver talvez algum tumulto entre o povo.
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3. Jesus se achava em Betânia, em casa de Simão, o leproso. Quando ele se pôs à mesa, entrou uma mulher trazendo um vaso de alabastro cheio de um perfume de nardo puro, de grande preço, e, quebrando o vaso, derramou-lho sobre a cabeça.
 +
4. Alguns, porém, ficaram indignados e disseram entre si: Por que este desperdício de bálsamo?
 +
5. Poder-se-ia tê-lo vendido por mais de trezentos denários, e os dar aos pobres. E irritavam-se contra ela.
 +
6. Mas Jesus disse-lhes: Deixai-a. Por que a molestais? Ela me fez uma boa obra.
 +
7. Vós sempre tendes convosco os pobres e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem; mas a mim não me tendes sempre.
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8. Ela fez o que pode: embalsamou-me antecipadamente o corpo para a sepultura.
 +
9. Em verdade vos digo: onde quer que for pregado em todo o mundo o Evangelho, será contado para sua memória o que ela fez.
 +
10. Judas Iscariotes, um dos Doze, foi avistar-se com os sumos sacerdotes para lhes entregar Jesus.
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11. A esta notícia, eles alegraram-se e prometeram dar-lhe dinheiro. E ele buscava ocasião oportuna para o entregar.
 +
12. No primeiro dia dos Ázimos, em que se imolava a Páscoa, perguntaram-lhe os discípulos: Onde queres que preparemos a refeição da Páscoa?
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13. Ele enviou dois dos seus discípulos, dizendo: Ide à cidade, e sair-vos-á ao encontro um homem, carregando um cântaro de água.
 +
14. Segui-o e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: O Mestre pergunta: Onde está a sala em que devo comer a Páscoa com os meus discípulos?
 +
15. E ele vos mostrará uma grande sala no andar superior, mobiliada e pronta. Fazei ali os preparativos.
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16. Partiram os discípulos para a cidade e acharam tudo como Jesus lhes havia dito, e prepararam a Páscoa.
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17. Chegando a tarde, dirigiu-se ele para lá com os Doze.
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18. E enquanto estavam sentados à mesa e comiam, Jesus disse: Em verdade vos digo: um de vós que come comigo me há de entregar.
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19. Começaram a entristecer-se e a perguntar-lhe, um após outro: Porventura sou eu?
 +
20. Respondeu-lhes ele: É um dos Doze, que se serve comigo do mesmo prato.
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21. O Filho do homem vai, segundo o que dele está escrito, mas ai daquele homem por quem o Filho do homem for traído! Melhor lhe seria que nunca tivesse nascido...
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22. Durante a refeição, Jesus tomou o pão e, depois de o benzer, partiu-o e deu-lho, dizendo: Tomai, isto é o meu corpo.
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23. Em seguida, tomou o cálice, deu graças e apresentou-lho, e todos dele beberam.
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24. E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos.
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25. Em verdade vos digo: já não beberei do fruto da videira, até aquele dia em que o beberei de novo no Reino de Deus.
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26. Terminado o canto dos Salmos, saíram para o monte das Oliveiras.
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27. E Jesus disse-lhes: Vós todos vos escandalizareis, pois está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas serão dispersas (Zac 13,7).
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28. Mas depois que eu ressurgir, eu vos precederei na Galiléia.
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29. Entretanto, Pedro lhe respondeu: Ainda que todos se escandalizem de
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ti, eu, porém, nunca!
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30. Jesus disse-lhe: Em verdade te digo: hoje, nesta mesma noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes me terás negado.
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31. Mas Pedro repetia com maior ardor: Ainda que seja preciso morrer contigo, não te renegarei.E todos disseram o mesmo.
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32. Foram em seguida para o lugar chamado Getsêmani, e Jesus disse a seus discípulos: Sentai-vos aqui, enquanto vou orar.
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33. Levou consigo Pedro, Tiago e João; e começou a ter pavor e a angustiar-se.
 +
34. Disse-lhes: A minha alma está numa tristeza mortal; ficai aqui e vigiai.
 +
35. Adiantando-se alguns passos, prostrou-se com a face por terra e orava que, se fosse possível, passasse dele aquela hora.
 +
36. Aba! (Pai!), suplicava ele. Tudo te é possível; afasta de mim este cálice! Contudo, não se faça o que eu quero, senão o que tu queres.
 +
37. Em seguida, foi ter com seus discípulos e achou-os dormindo. Disse a Pedro: Simão, dormes? Não pudeste vigiar uma hora!
 +
38. Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. Pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca.
 +
39. Afastou-se outra vez e orou, dizendo as mesmas palavras.
 +
40. Voltando, achou-os de novo dormindo, porque seus olhos estavam pesados; e não sabiam o que lhe responder.
 +
41. Voltando pela terceira vez, disse-lhes: Dormi e descansai. Basta! Veio a hora! O Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores.
 +
42. Levantai-vos e vamos! Aproxima-se o que me há de entregar.
 +
43. Ainda falava, quando chegou Judas Iscariotes, um dos Doze, e com ele um bando armado de espadas e cacetes, enviado pelos sumos sacerdotes, escribas e anciãos.
 +
44. Ora, o traidor tinha-lhes dado o seguinte sinal: Aquele a quem eu beijar é ele. Prendei-o e levai-o com cuidado.
 +
45. Assim que ele se aproximou de Jesus, disse: Rabi!, e o beijou.
 +
46. Lançaram-lhe as mãos e o prenderam.
 +
47. Um dos circunstantes tirou da espada, feriu o servo do sumo sacerdote e decepou-lhe a orelha.
 +
48. Mas Jesus tomou a palavra e disse-lhes: Como a um bandido, saístes com espadas e cacetes para prender-me!
 +
49. Entretanto, todos os dias estava convosco, ensinando no templo, e não me prendestes. Mas isso acontece para que se cumpram as Escrituras.
 +
50. Então todos o abandonaram e fugiram.
 +
51. Seguia-o um jovem coberto somente de um pano de linho; e prenderam-no.
 +
52. Mas, lançando ele de si o pano de linho, escapou-lhes despido.
 +
53. Conduziram Jesus à casa do sumo sacerdote, onde se reuniram todos os sacerdotes, escribas e anciãos.
 +
54. Pedro o foi seguindo de longe até dentro do pátio. Sentou-se junto do fogo com os servos e aquecia-se.
 +
55. Os sumos sacerdotes e todo o conselho buscavam algum testemunho contra Jesus, para o condenar à morte, mas não o achavam.
 +
56. Muitos diziam falsos testemunhos contra ele, mas seus depoimentos não concordavam.
 +
57. Levantaram-se, então, alguns e deram esse falso testemunho contra ele:
 +
58. Ouvimo-lo dizer: Eu destruirei este templo, feito por mãos de homens, e em três dias edificarei outro, que não será feito por mãos de homens.
 +
59. Mas nem neste ponto eram coerentes os seus testemunhos.
 +
60. O sumo sacerdote levantou-se no meio da assembléia e perguntou a Jesus: Não respondes nada? O que é isto que dizem contra ti?
 +
61. Mas Jesus se calava e nada respondia. O sumo sacerdote tornou a perguntar-lhe: És tu o Cristo, o Filho de Deus bendito?
 +
62. Jesus respondeu: Eu o sou. E vereis o Filho do Homem sentado à direita do poder de Deus, vindo sobre as nuvens do céu.
 +
63. O sumo sacerdote rasgou então as suas vestes. Para que desejamos ainda testemunhas?!, exclamou ele.
 +
64. Ouvistes a blasfêmia! Que vos parece? E unanimemente o julgaram merecedor da morte.
 +
65. Alguns começaram a cuspir nele, a tapar-lhe o rosto, a dar-lhe socos e a dizer-lhe: Adivinha! Os servos igualmente davam-lhe bofetadas.
 +
66. Estando Pedro embaixo, no pátio, veio uma das criadas do sumo sacerdote.
 +
67. Ela fixou os olhos em Pedro, que se aquecia, e disse: Também tu estavas com Jesus de Nazaré.
 +
68. Ele negou: Não sei, nem compreendo o que dizes. E saiu para a entrada do pátio; e o galo cantou.
 +
69. A criada, que o vira, começou a dizer aos circunstantes: Este faz parte do grupo deles.
 +
70. Mas Pedro negou outra vez. Pouco depois, os que ali estavam diziam de novo a Pedro: Certamente tu és daqueles, pois és galileu.
 +
71. Então ele começou a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem de quem falais.
 +
72. E imediatamente cantou o galo pela segunda vez. Pedro lembrou-se da palavra que Jesus lhe havia dito: Antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás. E, lembrando-se disso, rompeu em soluços.
 +
 
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Capítulo 15
  
=====<font size="3">'''Prisão de Pedro e de João'''</font>=====
+
1. Logo pela manhã se reuniram os sumos sacerdotes com os anciãos, os escribas e com todo o conselho. E tendo amarrado Jesus, levaram-no e entregaram-no a Pilatos.
 +
2. Este lhe perguntou: És tu o rei dos judeus? Ele lhe respondeu: Sim.
 +
3. Os sumos sacerdotes acusavam-no de muitas coisas.
 +
4. Pilatos perguntou-lhe outra vez: Nada respondes? Vê de quantos delitos te acusam!
 +
5. Mas Jesus nada mais respondeu, de modo que Pilatos ficou admirado.
 +
6. Ora, costumava ele soltar-lhes em cada festa qualquer dos presos que pedissem.
 +
7. Havia na prisão um, chamado Barrabás, que fora preso com seus cúmplices, o qual na sedição perpetrara um homicídio.
 +
8. O povo que tinha subido começou a pedir-lhe aquilo que sempre lhes costumava conceder.
 +
9. Pilatos respondeu-lhes: Quereis que vos solte o rei dos judeus?
 +
10. (Porque sabia que os sumos sacerdotes o haviam entregue por inveja.)
 +
11. Mas os pontífices instigaram o povo para que pedissem de preferência que lhes soltasse Barrabás.
 +
12. Pilatos falou-lhes outra vez: E que quereis que eu faça daquele a quem chamais o rei dos judeus?
 +
13. Eles tornaram a gritar: Crucifica-o!
 +
14. Pilatos replicou: Mas que mal fez ele? Eles clamavam mais ainda: Crucifica-o!
 +
15. Querendo Pilatos satisfazer o povo, soltou-lhes Barrabás e entregou Jesus, depois de açoitado, para que fosse crucificado.
 +
16. Os soldados conduziram-no ao interior do pátio, isto é, ao pretório, onde convocaram toda a coorte.
 +
17. Vestiram Jesus de púrpura, teceram uma coroa de espinhos e a colocaram na sua cabeça.
 +
18. E começaram a saudá-lo: Salve, rei dos judeus!
 +
19. Davam-lhe na cabeça com uma vara, cuspiam nele e punham-se de joelhos como para homenageá-lo.
 +
20. Depois de terem escarnecido dele, tiraram-lhe a púrpura, deram-lhe de novo as vestes e conduziram-no fora para o crucificar.
 +
21. Passava por ali certo homem de Cirene, chamado Simão, que vinha do campo, pai de Alexandre e de Rufo, e obrigaram-no a que lhe levasse a cruz.
 +
22. Conduziram Jesus ao lugar chamado Gólgota, que quer dizer lugar do crânio.
 +
23. Deram-lhe de beber vinho misturado com mirra, mas ele não o aceitou.
 +
24. Depois de o terem crucificado, repartiram as suas vestes, tirando a sorte sobre elas, para ver o que tocaria a cada um.
 +
25. Era a hora terceira quando o crucificaram.
 +
26. A inscrição que motivava a sua condenação dizia: O rei dos judeus.
 +
27. Crucificaram com ele dois bandidos: um à sua direita e outro à esquerda.
 +
28. [Cumpriu-se assim a passagem da Escritura que diz: Ele foi contado entre os malfeitores (Is 53,12).]
 +
29. Os que iam passando injuriavam-no e abanavam a cabeça, dizendo: Olá! Tu que destróis o templo e o reedificas em três dias,
 +
30. salva-te a ti mesmo! Desce da cruz!
 +
31. Desta maneira, escarneciam dele também os sumos sacerdotes e os escribas, dizendo uns para os outros: Salvou a outros e a si mesmo não pode salvar!
 +
32. Que o Cristo, rei de Israel, desça agora da cruz, para que vejamos e creiamos! Também os que haviam sido crucificados com ele o insultavam.
 +
33. Desde a hora sexta até a hora nona, houve trevas por toda a terra.
 +
34. E à hora nona Jesus bradou em alta voz: Elói, Elói, lammá sabactáni?, que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?
 +
35. Ouvindo isto, alguns dos circunstantes diziam: Ele chama por Elias!
 +
36. Um deles correu e ensopou uma esponja em vinagre e, pondo-a na ponta de uma vara, deu-lho para beber, dizendo: Deixai, vejamos se Elias vem tirá-lo.
 +
37. Jesus deu um grande brado e expirou.
 +
38. O véu do templo rasgou-se então de alto a baixo em duas partes.
 +
39. O centurião que estava diante de Jesus, ao ver que ele tinha expirado assim, disse: Este homem era realmente o Filho de Deus.
 +
40. Achavam-se ali também umas mulheres, observando de longe, entre as quais Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José, e Salomé,
 +
41. que o tinham seguido e o haviam assistido, quando ele estava na Galiléia; e muitas outras que haviam subido juntamente com ele a Jerusalém.
 +
42. Quando já era tarde - era a Preparação, isto é‚ é a véspera do sábado -,
 +
43. veio José de Arimatéia, ilustre membro do conselho, que também esperava o Reino de Deus; ele foi resoluto à presença de Pilatos e pediu o corpo de Jesus.
 +
44. Pilatos admirou-se de que ele tivesse morrido tão depressa. E, chamando o centurião, perguntou se já havia muito tempo que Jesus tinha morrido.
 +
45. Obtida a resposta afirmativa do centurião, mandou dar-lhe o corpo.
 +
46. Depois de ter comprado um pano de linho, José tirou-o da cruz, envolveu-o no pano e depositou-o num sepulcro escavado na rocha, rolando uma pedra para fechar a entrada.
 +
47. Maria Madalena e Maria, mãe de José, observavam onde o depositavam.
  
<font size="5">'''4)'''</font> "1. Enquanto eles falavam ao povo, vieram os sacerdotes, o chefe do templo e os saduceus,
+
'''2.''' contrariados porque ensinavam ao povo e anunciavam, na pessoa de Jesus, a ressurreição dos mortos.
+
Capítulo 16
'''3.''' Prenderam-nos e os meteram no cárcere até o outro dia, pois já era tarde.
 
'''4.''' Muitos, porém, dos que tinham ouvido a pregação creram; e o número dos fiéis elevou-se a mais ou menos cinco mil.
 
'''5.''' No dia seguinte reuniram-se em Jerusalém os chefes do povo, os anciãos, os escribas,
 
'''6.''' com Anás, sumo sacerdote, Caifás, João, Alexandre e todos os que eram da linhagem pontifical.
 
'''7.''' Colocando-os no meio, perguntaram: Com que poder ou em que nome fizestes isso?
 
'''8.''' Então Pedro, cheio do Espírito Santo, respondeu-lhes: Chefes do povo e anciãos, ouvi-me:
 
'''9.''' se hoje somos interrogados a respeito do benefício feito a um enfermo, e em que nome foi ele curado,
 
'''10.''' ficai sabendo todos vós e todo o povo de Israel: foi em nome de Jesus Cristo Nazareno, que vós crucificastes, mas que Deus ressuscitou dos mortos. Por ele é que esse homem se acha são, em pé, diante de vós.
 
'''11.''' Esse Jesus, pedra que foi desprezada por vós, edificadores, tornou-se a pedra angular.
 
'''12.''' Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos.
 
'''13.''' Vendo eles a coragem de Pedro e de João, e considerando que eram homens sem estudo e sem instrução, admiravam-se. Reconheciam-nos como companheiros de Jesus.
 
'''14.''' Mas vendo com eles o homem que tinha sido curado, não puderam replicar.
 
'''15.''' Mandaram que se retirassem da sala do conselho, e conferenciaram entre si:
 
'''16.''' Que faremos destes homens? Porquanto o milagre por eles feito se tornou conhecido de todos os habitantes de Jerusalém, e não o podemos negar.
 
'''17.''' Todavia, para que esta notícia não se divulgue mais entre o povo, proibamos com ameaças, que no futuro falem a alguém nesse nome.
 
'''18.''' Chamaram-nos e ordenaram-lhes que absolutamente não falassem nem ensinassem em nome de Jesus.
 
'''19.''' Responderam-lhes Pedro e João: Julgai-o vós mesmos se é justo diante de Deus obedecermos a vós mais do que a Deus.
 
'''20.''' Não podemos deixar de falar das coisas que temos visto e ouvido.
 
'''21.''' Eles então, ameaçando-os de novo, soltaram-nos, não achando pretexto para os castigar por causa do povo, porque todos glorificavam a Deus pelo que tinha acontecido.
 
'''22.''' Pois já passava dos 40 anos o homem em quem se realizara essa cura milagrosa.
 
*<font size="3">'''Oração dos fiéis pelos apóstolos libertados'''</font>
 
'''23.''' Postos em liberdade, voltaram aos seus irmãos e referiram tudo quanto lhes tinham dito os sumos sacerdotes e os anciãos.
 
'''24.''' Ao ouvirem isso, levantaram unânimes a voz a Deus e disseram: Senhor, vós que fizestes o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há.
 
'''25.''' Vós que, pelo Espírito Santo, pela boca de nosso pai Davi, vosso servo, dissestes: Por que se agitam as nações, e imaginam os povos coisas vãs?
 
'''26.''' Levantam-se os reis da terra, e os príncipes se reúnem em conselho contra o Senhor e contra o seu Cristo (Sl 2,1s.).
 
'''27.''' Pois na verdade se uniram nesta cidade contra o vosso santo servo Jesus, que ungistes, Herodes e Pôncio Pilatos com as nações e com o povo de Israel,
 
'''28.''' para executarem o que a vossa mão e o vosso conselho predeterminaram que se fizesse.
 
'''29.''' Agora, pois, Senhor, olhai para as suas ameaças e concedei aos vossos servos que com todo o desassombro anunciem a vossa palavra.
 
'''30.''' Estendei a vossa mão para que se realizem curas, milagres e prodígios pelo nome de Jesus, vosso santo servo!
 
'''31.''' Mal acabavam de rezar, tremeu o lugar onde estavam reunidos. E todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciaram com intrepidez a palavra de Deus.
 
  
=====<font size="3">'''União dos primeiros fiéis'''</font>=====
+
1. Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir Jesus.
'''32.''' A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum.
+
2. E no primeiro dia da semana, foram muito cedo ao sepulcro, mal o sol havia despontado.
'''33.''' Com grande coragem os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. Em todos eles era grande a graça.
+
3. E diziam entre si: Quem nos há de remover a pedra da entrada do sepulcro?
'''34.''' Nem havia entre eles nenhum necessitado, porque todos os que possuíam terras e casas vendiam-nas,
+
4. Levantando os olhos, elas viram removida a pedra, que era muito grande.
'''35.''' e traziam o preço do que tinham vendido e depositavam-no aos pés dos apóstolos. Repartia-se então a cada um deles conforme a sua necessidade.
+
5. Entrando no sepulcro, viram, sentado do lado direito, um jovem, vestido de roupas brancas, e assustaram-se.
'''36.''' Assim José (a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé que quer dizer Filho da Consolação), levita natural de Chipre, possuía um campo.
+
6. Ele lhes falou: Não tenhais medo. Buscais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou, já não está aqui. Eis o lugar onde o depositaram.
'''37.''' Vendeu-o e trouxe o valor dele e depositou aos pés dos apóstolos".
+
7. Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galiléia. Lá o vereis como vos disse.
 +
8. Elas saíram do sepulcro e fugiram trêmulas e amedrontadas. E a ninguém disseram coisa alguma por causa do medo.
 +
9. Tendo Jesus ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana apareceu primeiramente a Maria de Magdala, de quem tinha expulsado sete demônios.
 +
10. Foi ela noticiá-lo aos que estiveram com ele, os quais estavam aflitos e chorosos.
 +
11. Quando souberam que Jesus vivia e que ela o tinha visto, não quiseram acreditar.
 +
12. Mais tarde, ele apareceu sob outra forma a dois entre eles que iam para o campo.
 +
13. Eles foram anunciá-lo aos demais. Mas estes tampouco acreditaram.
 +
14. Por fim apareceu aos Onze, quando estavam sentados à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, por não acreditarem nos que o tinham visto ressuscitado.
 +
15. E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura.
 +
16. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.
 +
17. Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas,
 +
18. manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados.
 +
19. Depois que o Senhor Jesus lhes falou, foi levado ao céu e está sentado à direita de Deus.
 +
20. Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.
  
=====<font size="3">'''Astúcia de Ananias e Safira'''</font>=====
+
=====Lc. - Evangelho segundo Lucas=====
  
<font size="5">'''5)'''</font> "'''1.''' Um certo homem chamado Ananias, de comum acordo com sua mulher Safira, vendeu um campo
+
Capítulo 1
'''2.''' e, combinando com ela, reteve uma parte da quantia da venda. Levando apenas a outra parte, depositou-a aos pés dos apóstolos.
 
'''3.''' Pedro, porém, disse: Ananias, por que tomou conta Satanás do teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e enganasses acerca do valor do campo?
 
'''4.''' Acaso não o podias conservar sem vendê-lo? E depois de vendido, não podias livremente dispor dessa quantia? Por que imaginaste isso em teu coração? Não foi aos homens que mentiste, mas a Deus.
 
'''5.''' Ao ouvir estas palavras, Ananias caiu morto. Apoderou-se grande terror de todos os que o ouviram.
 
'''6.''' Uns moços retiraram-no dali, levaram-no para fora e o enterraram.
 
'''7.''' Depois de umas três horas, entrou também sua mulher, nada sabendo do ocorrido.
 
'''8.''' Pedro perguntou-lhe: Dize-me, mulher. Foi por tanto que vendestes o vosso campo? Respondeu ela: Sim, por esse preço.
 
'''9.''' Replicou Pedro: Por que combinastes para pôr à prova o Espírito do Senhor? Estão ali à porta os pés daqueles que sepultaram teu marido. Hão de levar-te também a ti.
 
'''10.''' Imediatamente caiu aos seus pés e expirou. Entrando aqueles moços, acharam-na morta. Levaram-na para fora e a enterraram junto do seu marido.
 
'''11.''' Sobreveio grande pavor a toda a comunidade e a todos os que ouviram falar desse acontecimento.
 
  
=====<font size="3">'''Pregação e milagres dos apóstolos'''</font>=====
+
1. Muitos empreenderam compor uma história dos acontecimentos que se realizaram entre nós,
'''12.''' Enquanto isso, realizavam-se entre o povo pelas mãos dos apóstolos muitos milagres e prodígios. Reuniam-se eles todos unânimes no pórtico de Salomão.
+
2. como no-los transmitiram aqueles que foram desde o princípio testemunhas oculares e que se tornaram ministros da palavra.
'''13.''' Dos outros ninguém ousava juntar-se a eles, mas o povo lhes tributava grandes louvores.
+
3. Também a mim me pareceu bem, depois de haver diligentemente investigado tudo desde o princípio, escrevê-los para ti segundo a ordem, excelentíssimo Teófilo,
'''14.''' Cada vez mais aumentava a multidão dos homens e mulheres que acreditavam no Senhor.
+
4. para que conheças a solidez daqueles ensinamentos que tens recebido.
'''15.''' De maneira que traziam os doentes para as ruas e punham-nos em leitos e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles.
+
5. Nos tempos de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote por nome Zacarias, da classe de Abias; sua mulher, descendente de Aarão, chamava-se Isabel.
'''16.''' Também das cidades vizinhas de Jerusalém afluía muita gente, trazendo os enfermos e os atormentados por espíritos imundos, e todos eles eram curados.
+
6. Ambos eram justos diante de Deus e observavam irrepreensivelmente todos os mandamentos e preceitos do Senhor.
 +
7. Mas não tinham filho, porque Isabel era estéril e ambos de idade avançada.
 +
8. Ora, exercendo Zacarias diante de Deus as funções de sacerdote, na ordem da sua classe,
 +
9. coube-lhe por sorte, segundo o costume em uso entre os sacerdotes, entrar no santuário do Senhor e aí oferecer o perfume.
 +
10. Todo o povo estava de fora, à hora da oferenda do perfume.
 +
11. Apareceu-lhe então um anjo do Senhor, em pé, à direita do altar do perfume.
 +
12. Vendo-o, Zacarias ficou perturbado, e o temor assaltou-o.
 +
13. Mas o anjo disse-lhe: Não temas, Zacarias, porque foi ouvida a tua oração: Isabel, tua mulher, dar-te-á um filho, e chamá-lo-ás João.
 +
14. Ele será para ti motivo de gozo e alegria, e muitos se alegrarão com o seu nascimento;
 +
15. porque será grande diante do Senhor e não beberá vinho nem cerveja, e desde o ventre de sua mãe será cheio do Espírito Santo;
 +
16. ele converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus,
 +
17. e irá adiante de Deus com o espírito e poder de Elias para reconduzir os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem disposto.
 +
18. Zacarias perguntou ao anjo: Donde terei certeza disto? Pois sou velho e minha mulher é de idade avançada.
 +
19. O anjo respondeu-lhe: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado para te falar e te trazer esta feliz nova.
 +
20. Eis que ficarás mudo e não poderás falar até o dia em que estas coisas acontecerem, visto que não deste crédito às minhas palavras, que se hão de cumprir a seu tempo.
 +
21. No entanto, o povo estava esperando Zacarias; e admirava-se de ele se demorar tanto tempo no santuário.
 +
22. Ao sair, não lhes podia falar, e compreenderam que tivera no santuário uma visão. Ele lhes explicava isto por acenos; e permaneceu mudo.
 +
23. Decorridos os dias do seu ministério, retirou-se para sua casa.
 +
24. Algum tempo depois Isabel, sua mulher, concebeu; e por cinco meses se ocultava, dizendo:
 +
25. Eis a graça que o Senhor me fez, quando lançou os olhos sobre mim para tirar o meu opróbrio dentre os homens.
 +
26. No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré,
 +
27. a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria.
 +
28. Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.
 +
29. Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação.
 +
30. O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus.
 +
31. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus.
 +
32. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó,
 +
33. e o seu reino não terá fim.
 +
34. Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem?
 +
35. Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus.
 +
36. Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril,
 +
37. porque a Deus nenhuma coisa é impossível.
 +
38. Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela.
 +
39. Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá.
 +
40. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.
 +
41. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
 +
42. E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.
 +
43. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?
 +
44. Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio.
 +
45. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!
 +
46. E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor,
 +
47. meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador,
 +
48. porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações,
 +
49. porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.
 +
50. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem.
 +
51. Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos.
 +
52. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes.
 +
53. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos.
 +
54. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,
 +
55. conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre.
 +
56. Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa.
 +
57. Completando-se para Isabel o tempo de dar à luz, teve um filho.
 +
58. Os seus vizinhos e parentes souberam que o Senhor lhe manifestara a sua misericórdia, e congratulavam-se com ela.
 +
59. No oitavo dia, foram circuncidar o menino e o queriam chamar pelo nome de seu pai, Zacarias.
 +
60. Mas sua mãe interveio: Não, disse ela, ele se chamará João.
 +
61. Replicaram-lhe: Não há ninguém na tua família que se chame por este nome.
 +
62. E perguntavam por acenos ao seu pai como queria que se chamasse.
 +
63. Ele, pedindo uma tabuinha, escreveu nela as palavras: João é o seu nome. Todos ficaram pasmados.
 +
64. E logo se lhe abriu a boca e soltou-se-lhe a língua e ele falou, bendizendo a Deus.
 +
65. O temor apoderou-se de todos os seus vizinhos; o fato divulgou-se por todas as montanhas da Judéia.
 +
66. Todos os que o ouviam conservavam-no no coração, dizendo: Que será este menino? Porque a mão do Senhor estava com ele.
 +
67. Zacarias, seu pai, ficou cheio do Espírito Santo e profetizou, nestes termos:
 +
68. Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e resgatou o seu povo,
 +
69. e suscitou-nos um poderoso Salvador, na casa de Davi, seu servo
 +
70. (como havia anunciado, desde os primeiros tempos, mediante os seus santos profetas),
 +
71. para nos livrar dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos odeiam.
 +
72. Assim exerce a sua misericórdia com nossos pais, e se recorda de sua santa aliança,
 +
73. segundo o juramento que fez a nosso pai Abraão: de nos conceder que, sem temor,
 +
74. libertados de mãos inimigas, possamos servi-lo
 +
75. em santidade e justiça, em sua presença, todos os dias da nossa vida.
 +
76. E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e lhe prepararás o caminho,
 +
77. para dar ao seu povo conhecer a salvação, pelo perdão dos pecados.
 +
78. Graças à ternura e misericórdia de nosso Deus, que nos vai trazer do alto a visita do Sol nascente,
 +
79. que há de iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte e dirigir os nossos passos no caminho da paz.
 +
80. O menino foi crescendo e fortificava-se em espírito, e viveu nos desertos até o dia em que se apresentou diante de Israel.
  
=====<font size="3">'''Segunda prisão dos apóstolos'''</font>=====
+
'''17.''' Levantaram-se então os sumos sacerdotes e seus partidários (isto é, a seita dos saduceus) cheios de inveja,
+
Capítulo 2
'''18.''' e deitaram as mãos nos apóstolos e meteram-nos na cadeia pública.
 
'''19.''' Mas um anjo do Senhor abriu de noite as portas do cárcere e, conduzindo-os para fora, disse-lhes:
 
'''20.''' Ide e apresentai-vos no templo e pregai ao povo as palavras desta vida.
 
'''21.''' Obedecendo a essa ordem, eles entraram ao amanhecer, no templo, e puseram-se a ensinar. Enquanto isso, o sumo sacerdote e os seus partidários reuniram-se e convocaram o Grande Conselho e todos os anciãos de Israel, e mandaram trazer os apóstolos do cárcere.
 
'''22.''' Dirigiram-se para lá os guardas, mas ao abrirem o cárcere, não os encontraram, e voltaram a informar:
 
'''23.''' Achamos o cárcere fechado com toda segurança e os guardas de pé diante das portas, e, no entanto, abrindo-as, não achamos ninguém lá dentro.
 
'''24.''' A essa notícia, os sumos sacerdotes e o chefe do templo ficaram perplexos e indagaram entre si sobre o que significava isso.
 
'''25.''' Mas, nesse momento, alguém transmitiu-lhes esta notícia: Aqueles homens que metestes no cárcere estão no templo ensinando o povo!
 
'''26.''' Foi então o comandante do templo com seus guardas e trouxe-os sem violência, porque temiam ser apedrejados pelo povo.
 
'''27.''' Trouxeram-nos e os introduziram no Grande Conselho, onde o sumo sacerdote os interrogou, dizendo:
 
'''28.''' Expressamente vos ordenamos que não ensinásseis nesse nome. Não obstante isso, tendes enchido Jerusalém de vossa doutrina! Quereis fazer recair sobre nós o sangue deste homem!
 
'''29.''' Pedro e os apóstolos replicaram: Importa obedecer antes a Deus do que aos homens.
 
'''30.''' O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, que vós matastes, suspendendo-o num madeiro.
 
'''31.''' Deus elevou-o pela mão direita como Príncipe e Salvador, a fim de dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados.
 
'''32.''' Deste fato nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que lhe obedecem.
 
'''33.''' Ao ouvirem essas palavras, enfureceram-se e resolveram matá-los.
 
  
=====<font size="3">'''Libertação dos apóstolos, a conselho de Gamaliel'''</font>=====
+
1. Naqueles tempos apareceu um decreto de César Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra.
'''34.''' Levantou-se, porém, um membro do Grande Conselho. Era Gamaliel, um fariseu, doutor da lei, respeitado por todo o povo.
+
2. Este recenseamento foi feito antes do governo de Quirino, na Síria.
'''35.''' Mandou que se retirassem aqueles homens por um momento, e então lhes disse: Homens de Israel, considerai bem o que ides fazer com estes homens.
+
3. Todos iam alistar-se, cada um na sua cidade.
'''36.''' Faz algum tempo apareceu um certo Teudas, que se considerava um grande homem. A ele se associaram cerca de quatrocentos homens: foi morto e todos os seus partidários foram dispersados e reduzidos a nada.
+
4. Também José subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi,
'''37.''' Depois deste, levantou-se Judas, o galileu, nos dias do recenseamento, e arrastou o povo consigo, mas também ele pereceu e todos quantos o seguiam foram dispersados.
+
5. para se alistar com a sua esposa Maria, que estava grávida.
'''38.''' Agora, pois, eu vos aconselho: não vos metais com estes homens. Deixai-os! Se o seu projeto ou a sua obra provém de homens, por si mesma se destruirá;
+
6. Estando eles ali, completaram-se os dias dela.
'''39.''' mas se provier de Deus, não podereis desfazê-la. Vós vos arriscaríeis a entrar em luta contra o próprio Deus. Aceitaram o seu conselho.
+
7. E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria.
'''40.''' Chamaram os apóstolos e mandaram açoitá-los. Ordenaram-lhes então que não pregassem mais em nome de Jesus, e os soltaram.
+
8. Havia nos arredores uns pastores, que vigiavam e guardavam seu rebanho nos campos durante as vigílias da noite.
'''41.''' Eles saíram da sala do Grande Conselho, cheios de alegria, por terem sido achados dignos de sofrer afrontas pelo nome de Jesus.
+
9. Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu ao redor deles, e tiveram grande temor.
'''42.''' E todos os dias não cessavam de ensinar e de pregar o Evangelho de Jesus Cristo no templo e pelas casas".
+
10. O anjo disse-lhes: Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo:
 +
11. hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor.
 +
12. Isto vos servirá de sinal: achareis um recém-nascido envolto em faixas e posto numa manjedoura.
 +
13. E subitamente ao anjo se juntou uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus e dizia:
 +
14. Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens, objetos da benevolência (divina).
 +
15. Depois que os anjos os deixaram e voltaram para o céu, falaram os pastores uns com os outros: Vamos até Belém e vejamos o que se realizou e o que o Senhor nos manifestou.
 +
16. Foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura.
 +
17. Vendo-o, contaram o que se lhes havia dito a respeito deste menino.
 +
18. Todos os que os ouviam admiravam-se das coisas que lhes contavam os pastores.
 +
19. Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração.
 +
20. Voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, e que estava de acordo com o que lhes fora dito.
 +
21. Completados que foram os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, como lhe tinha chamado o anjo, antes de ser concebido no seio materno.
 +
22. Concluídos os dias da sua purificação segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentar ao Senhor,
 +
23. conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor (Ex 13,2);
 +
24. e para oferecerem o sacrifício prescrito pela lei do Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos.
 +
25. Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele.
 +
26. Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor.
 +
27. Impelido pelo Espírito Santo, foi ao templo. E tendo os pais apresentado o menino Jesus, para cumprirem a respeito dele os preceitos da lei,
 +
28. tomou-o em seus braços e louvou a Deus nestes termos:
 +
29. Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra.
 +
30. Porque os meus olhos viram a vossa salvação
 +
31. que preparastes diante de todos os povos,
 +
32. como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel.
 +
33. Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam.
 +
34. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições,
 +
35. a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma.
 +
36. Havia também uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser; era de idade avançada.
 +
37. Depois de ter vivido sete anos com seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações.
 +
38. Chegando ela à mesma hora, louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação.
 +
39. Após terem observado tudo segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, à sua cidade de Nazaré.
 +
40. O menino ia crescendo e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele.
 +
41. Seus pais iam todos os anos a Jerusalém para a festa da Páscoa.
 +
42. Tendo ele atingido doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa.
 +
43. Acabados os dias da festa, quando voltavam, ficou o menino Jesus em Jerusalém, sem que os seus pais o percebessem.
 +
44. Pensando que ele estivesse com os seus companheiros de comitiva, andaram caminho de um dia e o buscaram entre os parentes e conhecidos.
 +
45. Mas não o encontrando, voltaram a Jerusalém, à procura dele.
 +
46. Três dias depois o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os.
 +
47. Todos os que o ouviam estavam maravilhados da sabedoria de suas respostas.
 +
48. Quando eles o viram, ficaram admirados. E sua mãe disse-lhe: Meu filho, que nos fizeste?! Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição.
 +
49. Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?
 +
50. Eles, porém, não compreenderam o que ele lhes dissera.
 +
51. Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração.
 +
52. E Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens.
  
=====<font size="3">'''Eleição dos diáconos'''</font>=====
+
 +
Capítulo 3
  
<font size="5">'''6)'''</font> "'''1.''' Naqueles dias, como crescesse o número dos discípulos, houve queixas dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas teriam sido negligenciadas na distribuição diária.
+
1. No ano décimo quinto do reinado do imperador Tibério, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe tetrarca da Ituréia e da província de Traconites, e Lisânias tetrarca da Abilina,
'''2.''' Por isso, os Doze convocaram uma reunião dos discípulos e disseram: Não é razoável que abandonemos a palavra de Deus, para administrar.
+
2. sendo sumos sacerdotes Anás e Caifás, veio a palavra do Senhor no deserto a João, filho de Zacarias.
'''3.''' Portanto, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarregaremos este ofício.
+
3. Ele percorria toda a região do Jordão, pregando o batismo de arrependimento para remissão dos pecados,
'''4.''' Nós atenderemos sem cessar à oração e ao ministério da palavra.
+
4. como está escrito no livro das palavras do profeta Isaías (40,3ss.): Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.
'''5.''' Este parecer agradou a toda a reunião. Escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia.
+
5. Todo vale será aterrado, e todo monte e outeiro serão arrasados; tornar-se-á direito o que estiver torto, e os caminhos escabrosos serão aplainados.
'''6.''' Apresentaram-nos aos apóstolos, e estes, orando, impuseram-lhes as mãos.
+
6. Todo homem verá a salvação de Deus.
'''7.''' Divulgou-se sempre mais a palavra de Deus. Multiplicava-se consideravelmente o número dos discípulos em Jerusalém. Também grande número de sacerdotes aderia à fé.
+
7. Dizia, pois, ao povo que vinha para ser batizado por ele: Raça de víboras! Quem vos ensinou a fugir da ira iminente?
 +
8. Fazei, pois, uma conversão realmente frutuosa e não comeceis a dizer: Temos Abraão por pai. Pois vos digo: Deus tem poder para destas pedras suscitar filhos a Abraão.
 +
9. O machado já está posto à raiz das árvores. E toda árvore que não der fruto bom será cortada e lançada ao fogo.
 +
10. Perguntava-lhe a multidão: Que devemos fazer?
 +
11. Ele respondia: Quem tem duas túnicas dê uma ao que não tem; e quem tem o que comer, faça o mesmo.
 +
12. Também publicanos vieram para ser batizados, e perguntaram-lhe: Mestre, que devemos fazer?
 +
13. Ele lhes respondeu: Não exijais mais do que vos foi ordenado.
 +
14. Do mesmo modo, os soldados lhe perguntavam: E nós, que devemos fazer? Respondeu-lhes: Não pratiqueis violência nem defraudeis a ninguém, e contentai-vos com o vosso soldo.
 +
15. Ora, como o povo estivesse na expectativa, e como todos perguntassem em seus corações se talvez João fosse o Cristo,
 +
16. ele tomou a palavra, dizendo a todos: Eu vos batizo na água, mas eis que vem outro mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias; ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo.
 +
17. Ele tem a pá na mão e limpará a sua eira, e recolherá o trigo ao seu celeiro, mas queimará as palhas num fogo inextinguível.
 +
18. É assim que ele anunciava ao povo a boa nova, e dirigia-lhe ainda muitas outras exortações.
 +
19. Mas Herodes, o tetrarca, repreendido por ele por causa de Herodíades, mulher de seu irmão, e por causa de todos os crimes que praticara,
 +
20. acrescentou a todos eles também este: encerrou João no cárcere.
 +
21. Quando todo o povo ia sendo batizado, também Jesus o foi. E estando ele a orar, o céu se abriu
 +
22. e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como uma pomba; e veio do céu uma voz: Tu és o meu Filho bem-amado; em ti ponho minha afeição.
 +
23. Quando Jesus começou o seu ministério, tinha cerca de trinta anos, e era tido por filho de José, filho de Heli, filho de Matat,
 +
24. filho de Levi, filho de Melqui, filho de Jané, filho de José,
 +
25. filho de Matatias, filho de Amós, filho de Naum, filho de Hesli, filho de Nagé,
 +
26. filho de Maat, filho de Matatias, filho de Semei, filho de José, filho de Judá,
 +
27. filho de Joanã, filho de Resa, filho de Zorobabel, filho de Salatiel, filho de Neri,
 +
28. filho de Melqui, filho de Adi, filho de Cosã, filho de Elmadão, filho de Her,
 +
29. filho de Jesus, filho de Eliezer, filho de Jorim, filho de Matat, filho de Levi,
 +
30. filho de Simeão, filho de Judá, filho de José, filho de Jonão, filho de Eliacim,
 +
31. filho de Meléia, filho de Mena, filho de Matata, filho de Natã, filho de Davi,
 +
32. filho de Jessé, filho de Obed, filho de Booz, filho de Salmon, filho de Naason,
 +
33. filho de Aminadab, filho de Arão, filho de Esron, filho de Farés, filho de Judá,
 +
34. filho de Jacó, filho de Isaac, filho de Abraão, filho de Taré, filho de Nacor,
 +
35. filho de Sarug, filho de Ragau, filho de Faleg, filho de Eber, filho de Salé,
 +
36. filho de Cainã, filho de Arfaxad, filho de Sem, filho de Noé, filho de Lamec,
 +
37. filho de Matusalém, filho de Henoc, filho de Jared, filho de Malaleel, filho de Cainã,
 +
38. filho de Henós, filho de Set, filho de Adão, filho de Deus.
  
=====<font size="3">'''Prisão do diácono Estêvão'''</font>=====
+
'''8.''' Estêvão, cheio de graça e fortaleza, fazia grandes milagres e prodígios entre o povo.
+
Capítulo 4
'''9.''' Mas alguns da sinagoga, chamada dos Libertos, dos cirenenses, dos alexandrinos e dos que eram da Cilícia e da Ásia, levantaram-se para disputar com ele.
 
'''10.''' Não podiam, porém, resistir à sabedoria e ao Espírito que o inspirava.
 
'''11.''' Então subornaram alguns indivíduos para que dissessem que o tinham ouvido proferir palavras de blasfêmia contra Moisés e contra Deus.
 
'''12.''' Amotinaram assim o povo, os anciãos e os escribas e, investindo contra ele, agarraram-no e o levaram ao Grande Conselho.
 
'''13.''' Apresentaram falsas testemunhas que diziam: Esse homem não cessa de proferir palavras contra o lugar santo e contra a lei.
 
'''14.''' Nós o ouvimos dizer que Jesus de Nazaré há de destruir este lugar e há de mudar as tradições que Moisés nos legou.
 
'''15.''' Fixando nele os olhos, todos os membros do Grande Conselho viram o seu rosto semelhante ao de um anjo".
 
  
=====<font size="3">'''Discurso de Estêvão'''</font>=====
+
1. Cheio do Espírito Santo, voltou Jesus do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto,
 +
2. onde foi tentado pelo demônio durante quarenta dias. Durante este tempo ele nada comeu e, terminados estes dias, teve fome.
 +
3. Disse-lhe então o demônio: Se és o Filho de Deus, ordena a esta pedra que se torne pão.
 +
4. Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra de Deus (Dt 8,3).
 +
5. O demônio levou-o em seguida a um alto monte e mostrou-lhe num só momento todos os reinos da terra,
 +
6. e disse-lhe: Dar-te-ei todo este poder e a glória desses reinos, porque me foram dados, e dou-os a quem quero.
 +
7. Portanto, se te prostrares diante de mim, tudo será teu.
 +
8. Jesus disse-lhe: Está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e a ele só servirás (Dt 6,13).
 +
9. O demônio levou-o ainda a Jerusalém, ao ponto mais alto do templo, e disse-lhe: Se és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo;
 +
10. porque está escrito: Ordenou aos seus anjos a teu respeito que te guardassem.
 +
11. E que te sustivessem em suas mãos, para não ferires o teu pé nalguma pedra (Sl 90,11s.).
 +
12. Jesus disse: Foi dito: Não tentarás o Senhor teu Deus (Dt 6,16).
 +
13. Depois de tê-lo assim tentado de todos os modos, o demônio apartou-se dele até outra ocasião.
 +
14. Jesus então, cheio da força do Espírito, voltou para a Galiléia. E a sua fama divulgou-se por toda a região.
 +
15. Ele ensinava nas sinagogas e era aclamado por todos.
 +
16. Dirigiu-se a Nazaré, onde se havia criado. Entrou na sinagoga em dia de sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para ler.
 +
17. Foi-lhe dado o livro do profeta Isaías. Desenrolando o livro, escolheu a passagem onde está escrito (61,1s.):
 +
18. O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração,
 +
19. para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor.
 +
20. E enrolando o livro, deu-o ao ministro e sentou-se; todos quantos estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele.
 +
21. Ele começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu este oráculo que vós acabais de ouvir.
 +
22. Todos lhe davam testemunho e se admiravam das palavras de graça, que procediam da sua boca, e diziam: Não é este o filho de José?
 +
23. Então lhes disse: Sem dúvida me citareis este provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo; todas as maravilhas que fizeste em Cafarnaum, segundo ouvimos dizer, faze-o também aqui na tua pátria.
 +
24. E acrescentou: Em verdade vos digo: nenhum profeta é bem aceito na sua pátria.
 +
25. Em verdade vos digo: muitas viúvas havia em Israel, no tempo de Elias, quando se fechou o céu por três anos e meio e houve grande fome por toda a terra;
 +
26. mas a nenhuma delas foi mandado Elias, senão a uma viúva em Sarepta, na Sidônia.
 +
27. Igualmente havia muitos leprosos em Israel, no tempo do profeta Eliseu; mas nenhum deles foi limpo, senão o sírio Naamã.
 +
28. A estas palavras, encheram-se todos de cólera na sinagoga.
 +
29. Levantaram-se e lançaram-no fora da cidade; e conduziram-no até o alto do monte sobre o qual estava construída a sua cidade, e queriam precipitá-lo dali abaixo.
 +
30. Ele, porém, passou por entre eles e retirou-se.
 +
31. Desceu a Cafarnaum, cidade da Galiléia, e ali ensinava-os aos sábados.
 +
32. Maravilharam-se da sua doutrina, porque ele ensinava com autoridade.
 +
33. Estava na sinagoga um homem que tinha um demônio imundo, e exclamou em alta voz:
 +
34. Deixa-nos! Que temos nós contigo, Jesus de Nazaré? Vieste para nos perder? Sei quem és: o Santo de Deus!
 +
35. Mas Jesus replicou severamente: Cala-te e sai deste homem. O demônio lançou-o por terra no meio de todos e saiu dele, sem lhe fazer mal algum.
 +
36. Todos ficaram cheios de pavor e falavam uns com os outros: Que significa isso? Manda com poder e autoridade aos espíritos imundos, e eles saem?
 +
37. E corria a sua fama por todos os lugares da circunvizinhança.
 +
38. Saindo Jesus da sinagoga, entrou na casa de Simão. A sogra de Simão estava com febre alta; e pediram-lhe por ela.
 +
39. Inclinando-se sobre ela, ordenou ele à febre, e a febre deixou-a. Ela levantou-se imediatamente e pôs-se a servi-los.
 +
40. Depois do pôr-do-sol, todos os que tinham enfermos de diversas moléstias lhos traziam. Impondo-lhes a mão, os sarava.
 +
41. De muitos saíam os demônios, aos gritos, dizendo: Tu és o Filho de Deus. Mas ele repreendia-os severamente, não lhes permitindo falar, porque sabiam que ele era o Cristo.
 +
42. Ao amanhecer, ele saiu e retirou-se para um lugar afastado. As multidões o procuravam e foram até onde ele estava e queriam detê-lo, para que não as deixasse.
 +
43. Mas ele disse-lhes: É necessário que eu anuncie a boa nova do Reino de Deus também às outras cidades, pois essa é a minha missão.
 +
44. E andava pregando nas sinagogas da Galiléia.
  
<font size="5">'''7)'''</font> "'''1.''' Perguntou-lhe então o sumo sacerdote: É realmente assim?
+
'''2.''' Respondeu ele: Irmãos e pais, escutai. O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, quando estava na Mesopotâmia, antes de ir morar em Harã.
+
Capítulo 5
'''3.''' E disse-lhe: Sai de teu país e de tua parentela, e vai para a terra que eu te mostrar (Gn 12,1).
+
 
'''4.''' Ele saiu da terra dos caldeus, e foi habitar em Harã. Dali, depois que lhe faleceu o pai, Deus o fez passar para esta terra, em que vós agora habitais.
+
1. Estando Jesus um dia à margem do lago de Genesaré, o povo se comprimia em redor dele para ouvir a palavra de Deus.
'''5.''' Não lhe deu nela propriedade alguma, nem sequer um palmo de terra, mas prometeu dar-lha em posse, e depois dele à sua posteridade, quando ainda não tinha filho algum.
+
2. Vendo duas barcas estacionadas à beira do lago, - pois os pescadores haviam descido delas para consertar as redes -,
'''6.''' Eis como falou Deus: Tua descendência habitará em terra estranha e será reduzida à escravidão e maltratada pelo espaço de quatrocentos anos.
+
3. subiu a uma das barcas que era de Simão e pediu-lhe que a afastasse um pouco da terra; e sentado, ensinava da barca o povo.
'''7.''' Mas eu julgarei a nação que os dominar - diz o Senhor -, e eles sairão e me prestarão culto neste lugar (Gn 15,13s.; Ex 3,12).
+
4. Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar.
'''8.''' E deu-lhe a aliança da circuncisão. Assim, Abraão teve um filho, Isaac, e, passados oito dias, o circuncidou; e Isaac, a Jacó; e Jacó, os doze patriarcas.
+
5. Simão respondeu-lhe: Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos; mas por causa de tua palavra, lançarei a rede.
'''9.''' Os patriarcas, invejosos de José, venderam-no para o Egito. Mas Deus estava com ele.
+
6. Feito isto, apanharam peixes em tanta quantidade, que a rede se lhes rompia.
'''10.''' Livrou-o de todas as suas tribulações e deu-lhe graça e sabedoria diante do faraó, rei do Egito, que o fez governador do Egito e chefe de sua casa.
+
7. Acenaram aos companheiros, que estavam na outra barca, para que viessem ajudar. Eles vieram e encheram ambas as barcas, de modo que quase iam ao fundo.
'''11.''' Sobreveio depois uma fome a todo o Egito e Canaã. Grande era a tribulação, e os nossos pais não achavam o que comer.
+
8. Vendo isso, Simão Pedro caiu aos pés de Jesus e exclamou: Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador.
'''12.''' Mas quando Jacó soube que havia trigo no Egito, enviou pela primeira vez os nossos pais para .
+
9. É que tanto ele como seus companheiros estavam assombrados por causa da pesca que haviam feito.
'''13.''' Na segunda, foi José reconhecido por seus irmãos, e foi descoberta ao faraó a sua origem.
+
10. O mesmo acontecera a Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus companheiros. Então Jesus disse a Simão: Não temas; doravante serás pescador de homens.
'''14.''' Enviando mensageiros, José mandou vir seu pai Jacó com toda a sua família, que constava de setenta e cinco pessoas.
+
11. E atracando as barcas à terra, deixaram tudo e o seguiram.
'''15.''' Jacó desceu ao Egito e morreu ali, como também nossos pais.
+
12. Estando ele numa cidade, apareceu um homem cheio de lepra. Vendo Jesus, lançou-se com o rosto por terra e lhe suplicou: Senhor, se queres, podes limpar-me.
'''16.''' Seus corpos foram trasladados para Siquém, e foram postos no sepulcro que Abraão tinha comprado, a peso de dinheiro, dos filhos de Hemor, de Siquém.
+
13. Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: Eu quero; sê purificado! No mesmo instante desapareceu dele a lepra.
'''17.''' Aproximava-se o tempo em que devia realizar-se a promessa que Deus havia jurado a Abraão. O povo cresceu e se multiplicou no Egito
+
14. Ordenou-lhe Jesus que o não contasse a ninguém, dizendo-lhe, porém: Vai e mostra-te ao sacerdote, e oferece pela tua purificação o que Moisés prescreveu, para lhes servir de testemunho.
'''18.''' até que se levantou outro rei no Egito, o qual nada sabia de José.
+
15. Entretanto, espalhava-se mais e mais a sua fama e concorriam grandes multidões para o ouvir e ser curadas das suas enfermidades.
'''19.''' Este rei, usando de astúcia contra a nossa raça, maltratou nossos pais e obrigou-os a enjeitar seus filhos para privá-los da vida.
+
16. Mas ele costumava retirar-se a lugares solitários para orar.
'''20.''' Por este mesmo tempo, nasceu Moisés. Era belo aos olhos de Deus e por três meses foi criado na casa paterna.
+
17. Um dia estava ele ensinando. Ao seu derredor estavam sentados fariseus e doutores da lei, vindos de todas as localidades da Galiléia, da Judéia e de Jerusalém. E o poder do Senhor fazia-o realizar várias curas.
'''21.''' Depois, quando foi exposto, a filha do faraó o recolheu e o criou como seu próprio filho.
+
18. Apareceram algumas pessoas trazendo num leito um homem paralítico; e procuravam introduzi-lo na casa e pô-lo diante dele.
'''22.''' Moisés foi instruído em todas as ciências dos egípcios e tornou-se forte em palavras e obras.
+
19. Mas não achando por onde o introduzir, por causa da multidão, subiram ao telhado e por entre as telhas o arriaram com o leito ao meio da assembléia, diante de Jesus.
'''23.''' Quando completou 40 anos, veio-lhe à mente visitar seus irmãos, os filhos de Israel.
+
20. Vendo a fé que tinham, disse Jesus: Meu amigo, os teus pecados te são perdoados.
'''24.''' Viu que um deles era maltratado; tomou-lhe a defesa e vingou o que padecia a injúria, matando o egípcio.
+
21. Então os escribas e os fariseus começaram a pensar e a dizer consigo mesmos: Quem é este homem que profere blasfêmias? Quem pode perdoar pecados senão unicamente Deus?
'''25.''' Ele esperava que os seus irmãos compreendessem que Deus se servia de sua mão para livrá-los. Mas não o entenderam.
+
22. Jesus, porém, penetrando nos seus pensamentos, replicou-lhes: Que pensais nos vossos corações?
'''26.''' No dia seguinte, dois dentre eles brigavam, e ele procurou reconciliá-los: Amigos, disse ele, sois irmãos, por que vos maltratais um ao outro?
+
23. Que é mais fácil dizer: Perdoados te são os pecados; ou dizer: Levanta-te e anda?
'''27.''' Mas o que maltratava seu compatriota o repeliu: Quem te constituiu chefe ou juiz sobre nós?
+
24. Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder de perdoar pecados (disse ele ao paralítico), eu te ordeno: levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa.
'''28.''' Porventura queres tu matar-me, como ontem mataste o egípcio?
+
25. No mesmo instante, levantou-se ele à vista deles, tomou o leito e partiu para casa, glorificando a Deus.
'''29.''' A estas palavras, Moisés fugiu. E esteve como estrangeiro na terra de Madiã, onde teve dois filhos.
+
26. Todos ficaram transportados de entusiasmo e glorificavam a Deus; e tomados de temor, diziam: Hoje vimos coisas maravilhosas.
'''30.''' Passados quarenta anos, apareceu-lhe no deserto do monte Sinai um anjo, na chama duma sarça ardente.
+
27. Depois disso, ele saiu e viu sentado ao balcão um coletor de impostos, por nome Levi, e disse-lhe: Segue-me.
'''31.''' Moisés, admirado de uma tal visão, aproximou-se para a examinar. E a voz do Senhor lhe falou:
+
28. Deixando ele tudo, levantou-se e o seguiu.
'''32.''' Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó. Moisés, atemorizado, não ousava levantar os olhos.
+
29. Levi deu-lhe um grande banquete em sua casa; vários desses fiscais e outras pessoas estavam sentados à mesa com eles.
'''33.''' O Senhor lhe disse: Tira o teu calçado, porque o lugar onde estás é uma terra santa.
+
30. Os fariseus e os seus escribas puseram-se a criticar e a perguntar aos discípulos: Por que comeis e bebeis com os publicanos e pessoas de má vida?
'''34.''' Considerei a aflição do meu povo no Egito, ouvi os seus gemidos e desci para livrá-los. Vem, pois, agora e eu te enviarei ao Egito.
+
31. Respondeu-lhes Jesus: Não são os homens de boa saúde que necessitam de médico, mas sim os enfermos.
'''35.''' Este Moisés que desprezaram, dizendo: Quem te constituiu chefe ou juiz?, a este Deus enviou como chefe e libertador pela mão do anjo que lhe apareceu na sarça.
+
32. Não vim chamar à conversão os justos, mas sim os pecadores.
'''36.''' Ele os fez sair do Egito, operando prodígios e milagres na terra do Egito, no mar Vermelho e no deserto, por espaço de quarenta anos.
+
33. Eles então lhe disseram: Os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam com freqüência e fazem longas orações, mas os teus comem e bebem...
'''37.''' Foi este Moisés que disse aos filhos de Israel: Deus vos suscitará dentre os vossos irmãos um profeta como eu.
+
34. Jesus respondeu-lhes: Porventura podeis vós obrigar a jejuar os amigos do esposo, enquanto o esposo está com eles?
'''38.''' Este é o que esteve entre o povo congregado no deserto, e com o anjo que lhe falara no monte Sinai, e com os nossos pais; que recebeu palavras de vida para no-las transmitir.
+
35. Virão dias em que o esposo lhes será tirado; então jejuarão.
'''39.''' Nossos pais não lhe quiseram obedecer, mas o repeliram. Em seus corações voltaram-se para o Egito,
+
36. Propôs-lhes também esta comparação: Ninguém rasga um pedaço de roupa nova para remendar uma roupa velha, porque assim estragaria uma roupa nova. Além disso, o remendo novo não assentaria bem na roupa velha.
'''40.''' dizendo a Aarão: Faze-nos deuses, que vão diante de nós, porque quanto a este Moisés, que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que foi feito dele.
+
37. Também ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho novo arrebentará os odres e entornar-se-á, e perder-se-ão os odres;
'''41.''' Fizeram, naqueles dias, um bezerro de ouro e ofereceram um sacrifício ao ídolo, e se alegravam diante da obra das suas mãos.
+
38. mas o vinho novo deve-se pôr em odres novos, e assim ambos se conservam.
'''42.''' Mas Deus afastou-se e os abandonou ao culto dos astros do céu, como está escrito no livro dos profetas: Porventura, casa de Israel, vós me oferecestes vítimas e sacrifícios por quarenta anos no deserto?
+
39. Demais, ninguém que bebeu do vinho velho quer já do novo, porque diz: O vinho velho é melhor.
'''43.''' Aceitastes a tenda de Moloc e a estrela do vosso deus Renfão, figuras que vós fizestes para adorá-las! Assim eu vos deportarei para além da Babilônia (Am 5,25ss.).
+
 
'''44.''' A Arca da Aliança esteve com os nossos pais no deserto, como Deus ordenou a Moisés que a fizesse conforme o modelo que tinha visto.
+
'''45.''' Recebendo-a nossos pais, levaram-na sob a direção de Josué às terras dos pagãos, que Deus expulsou da presença de nossos pais. E ali ficou até o tempo de Davi.
+
Capítulo 6
'''46.''' Este encontrou graça diante de Deus e pediu que pudesse achar uma morada para o Deus de Jacó.
+
 
'''47.''' Salomão foi quem lhe edificou a casa.
+
1. Em dia de sábado, Jesus atravessava umas plantações; seus discípulos iam colhendo espigas (de trigo), as debulhavam na mão e comiam.
'''48.''' O Altíssimo, porém, não habita em casas construídas por mãos humanas. Como diz o profeta:
+
2. Alguns dos fariseus lhes diziam: Por que fazeis o que não é permitido no sábado?
'''49.''' O céu é o meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés. Que casa me edificareis vós?, diz o Senhor. Qual é o lugar do meu repouso?
+
3. Jesus respondeu: Acaso não tendes lido o que fez Davi, quando teve fome, ele e os seus companheiros;
'''50.''' Acaso não foi minha mão que fez tudo isto (Is 66,1s.)?
+
4. como entrou na casa de Deus e tomou os pães da proposição e deles comeu e deu de comer aos seus companheiros, se bem que só aos sacerdotes era permitido comê-los?
'''51.''' Homens de dura cerviz, e de corações e ouvidos incircuncisos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo. Como procederam os vossos pais, assim procedeis vós também!
+
5. E ajuntou: O Filho do Homem é senhor também do sábado.
'''52.''' A qual dos profetas não perseguiram os vossos pais? Mataram os que prediziam a vinda do Justo, do qual vós agora tendes sido traidores e homicidas.
+
6. Em outro dia de sábado, Jesus entrou na sinagoga e ensinava. Achava-se ali um homem que tinha a mão direita seca.
'''53.''' Vós que recebestes a lei pelo ministério dos anjos e não a guardastes...
+
7. Ora, os escribas e os fariseus observavam Jesus para ver se ele curaria no dia de sábado. Eles teriam então pretexto para acusá-lo.
 +
8. Mas Jesus conhecia os pensamentos deles e disse ao homem que tinha a mão seca: Levanta-te e põe-te em pé, aqui no meio. Ele se levantou e ficou em pé.
 +
9. Disse-lhes Jesus: Pergunto-vos se no sábado é permitido fazer o bem ou o mal; salvar a vida, ou deixá-la perecer.
 +
10. E relanceando os olhos sobre todos, disse ao homem: Estende tua mão. Ele a estendeu, e foi-lhe restabelecida a mão.
 +
11. Mas eles encheram-se de furor e indagavam uns aos outros o que fariam a Jesus.
 +
12. Naqueles dias, Jesus retirou-se a uma montanha para rezar, e passou aí toda a noite orando a Deus.
 +
13. Ao amanhecer, chamou os seus discípulos e escolheu doze dentre eles que chamou de apóstolos:
 +
14. Simão, a quem deu o sobrenome de Pedro; André, seu irmão; Tiago, João, Filipe, Bartolomeu,
 +
15. Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Simão, chamado Zelador;
 +
16. Judas, irmão de Tiago; e Judas Iscariotes, aquele que foi o traidor.
 +
17. Descendo com eles, parou numa planície. Aí se achava um grande número de seus discípulos e uma grande multidão de pessoas vindas da Judéia, de Jerusalém, da região marítima, de Tiro e Sidônia, que tinham vindo para ouvi-lo e ser curadas das suas enfermidades.
 +
18. E os que eram atormentados dos espíritos imundos ficavam livres.
 +
19. Todo o povo procurava tocá-lo, pois saía dele uma força que os curava a todos.
 +
20. Então ele ergueu os olhos para os seus discípulos e disse: Bem-aventurados vós que sois pobres, porque vosso é o Reino de Deus!
 +
21. Bem-aventurados vós que agora tendes fome, porque sereis fartos! Bem-aventurados vós que agora chorais, porque vos alegrareis!
 +
22. Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos ultrajarem, e quando repelirem o vosso nome como infame por causa do Filho do Homem!
 +
23. Alegrai-vos naquele dia e exultai, porque grande é o vosso galardão no céu. Era assim que os pais deles tratavam os profetas.
 +
24. Mas ai de vós, ricos, porque tendes a vossa consolação!
 +
25. Ai de vós, que estais fartos, porque vireis a ter fome! Ai de vós, que agora rides, porque gemereis e chorareis!
 +
26. Ai de vós, quando vos louvarem os homens, porque assim faziam os pais deles aos falsos profetas!
 +
27. Digo-vos a vós que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam,
 +
28. abençoai os que vos maldizem e orai pelos que vos injuriam.
 +
29. Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra. E ao que te tirar a capa, não impeças de levar também a túnica.
 +
30. Dá a todo o que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho reclames.
 +
31. O que quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles.
 +
32. Se amais os que vos amam, que recompensa mereceis? Também os pecadores amam aqueles que os amam.
 +
33. E se fazeis bem aos que vos fazem bem, que recompensa mereceis? Pois o mesmo fazem também os pecadores.
 +
34. Se emprestais àqueles de quem esperais receber, que recompensa mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para receberem outro tanto.
 +
35. Pelo contrário, amai os vossos inimigos, fazei bem e emprestai, sem daí esperar nada. E grande será a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, porque ele é bom para com os ingratos e maus.
 +
36. Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso.
 +
37. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados;
 +
38. dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também.
 +
39. Propôs-lhes também esta comparação: Pode acaso um cego guiar outro cego? Não cairão ambos na cova?
 +
40. O discípulo não é superior ao mestre; mas todo discípulo perfeito será como o seu mestre.
 +
41. Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão e não reparas na trave que está no teu olho?
 +
42. Ou como podes dizer a teu irmão: Deixa-me, irmão, tirar de teu olho o argueiro, quando tu não vês a trave no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e depois enxergarás para tirar o argueiro do olho de teu irmão.
 +
43. Uma árvore boa não dá frutos maus, uma árvore má não dá bom fruto.
 +
44. Porquanto cada árvore se conhece pelo seu fruto. Não se colhem figos dos espinheiros, nem se apanham uvas dos abrolhos.
 +
45. O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio.
 +
46. Por que me chamais: Senhor, Senhor... e não fazeis o que digo?
 +
47. Todo aquele que vem a mim ouve as minhas palavras e as pratica, eu vos mostrarei a quem é semelhante.
 +
48. É semelhante ao homem que, edificando uma casa, cavou bem fundo e pôs os alicerces sobre a rocha. As águas transbordaram, precipitaram-se as torrentes contra aquela casa e não a puderam abalar, porque ela estava bem construída.
 +
49. Mas aquele que as ouve e não as observa é semelhante ao homem que construiu a sua casa sobre a terra movediça, sem alicerces. A torrente investiu contra ela, e ela logo ruiu; e grande foi a ruína daquela casa.
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Capítulo 7
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1. Tendo Jesus concluído todos os seus discursos ao povo que o escutava, entrou em Cafarnaum.
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2. Havia lá um centurião que tinha um servo a quem muito estimava e que estava à morte.
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3. Tendo ouvido falar de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, rogando-lhe que o viesse curar.
 +
4. Aproximando-se eles de Jesus, rogavam-lhe encarecidamente: Ele bem merece que lhe faças este favor,
 +
5. pois é amigo da nossa nação e foi ele mesmo quem nos edificou uma sinagoga.
 +
6. Jesus então foi com eles. E já não estava longe da casa, quando o centurião lhe mandou dizer por amigos seus: Senhor, não te incomodes tanto assim, porque não sou digno de que entres em minha casa;
 +
7. por isso nem me achei digno de chegar-me a ti, mas dize somente uma palavra e o meu servo será curado.
 +
8. Pois também eu, simples subalterno, tenho soldados às minhas ordens; e digo a um: Vai ali! E ele vai; e a outro: Vem cá! E ele vem; e ao meu servo: Faze isto! E ele o faz.
 +
9. Ouvindo estas palavras, Jesus ficou admirado. E, voltando-se para o povo que o ia seguindo, disse: Em verdade vos digo: nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé.
 +
10. Voltando para a casa do centurião os que haviam sido enviados, encontraram o servo curado.
 +
11. No dia seguinte dirigiu-se Jesus a uma cidade chamada Naim. Iam com ele diversos discípulos e muito povo.
 +
12. Ao chegar perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto a ser sepultado, filho único de uma viúva; acompanhava-a muita gente da cidade.
 +
13. Vendo-a o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe: Não chores!
 +
14. E aproximando-se, tocou no esquife, e os que o levavam pararam. Disse Jesus: Moço, eu te ordeno, levanta-te.
 +
15. Sentou-se o que estivera morto e começou a falar, e Jesus entregou-o à sua mãe.
 +
16. Apoderou-se de todos o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta surgiu entre nós: Deus voltou os olhos para o seu povo.
 +
17. A notícia deste fato correu por toda a Judéia e por toda a circunvizinhança.
 +
18. Os discípulos de João referiram-lhe todas estas coisas.
 +
19. E João chamou dois dos seus discípulos e enviou-os a Jesus, perguntando: És tu o que há de vir ou devemos esperar por outro?
 +
20. Chegando estes homens a ele, disseram: João Batista enviou-nos a ti, perguntando: És tu o que há de vir ou devemos esperar por outro?
 +
21. Ora, naquele momento Jesus havia curado muitas pessoas de enfermidades, de doenças e de espíritos malignos, e dado a vista a muitos cegos.
 +
22. Respondeu-lhes ele: Ide anunciar a João o que tendes visto e ouvido: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, aos pobres é anunciado o Evangelho;
 +
23. e bem-aventurado é aquele para quem eu não for ocasião de queda!
 +
24. Depois que se retiraram os mensageiros de João, ele começou a falar de João ao povo: Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?
 +
25. Mas que fostes ver? Um homem vestido de roupas finas? Mas os que vestem roupas preciosas e vivem no luxo estão nos palácios dos reis.
 +
26. Mas, enfim, que fostes ver? Um profeta? Sim, digo-vos, e mais do que profeta.
 +
27. Este é aquele de quem está escrito: Eis que envio o meu mensageiro ante a tua face; ele preparará o teu caminho diante de ti (Ml 3,1).
 +
28. Pois vos digo: entre os nascidos de mulher não há maior que João. Entretanto, o menor no Reino de Deus é maior do que ele.
 +
29. Ouvindo-o todo o povo, e mesmo os publicanos, deram razão a Deus, fazendo-se batizar com o batismo de João.
 +
30. Os fariseus, porém, e os doutores da lei, recusando o seu batismo, frustraram o desígnio de Deus a seu respeito.
 +
31. A quem compararei os homens desta geração? Com quem se assemelham?
 +
32. São semelhantes a meninos que, sentados na praça, falam uns com os outros, dizendo: Tocamos a flauta e não dançastes; entoamos lamentações e não chorastes.
 +
33. Pois veio João Batista, que nem comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Ele está possuído do demônio.
 +
34. Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: Eis um comilão e beberrão, amigo dos publicanos e libertinos.
 +
35. Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos.
 +
36. Um fariseu convidou Jesus a ir comer com ele. Jesus entrou na casa dele e pôs-se à mesa.
 +
37. Uma mulher pecadora da cidade, quando soube que estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro cheio de perfume;
 +
38. e, estando a seus pés, por detrás dele, começou a chorar. Pouco depois suas lágrimas banhavam os pés do Senhor e ela os enxugava com os cabelos, beijava-os e os ungia com o perfume.
 +
39. Ao presenciar isto, o fariseu, que o tinha convidado, dizia consigo mesmo: Se este homem fosse profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que o toca, pois é pecadora.
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40. Então Jesus lhe disse: Simão, tenho uma coisa a dizer-te. Fala, Mestre, disse ele.
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41. Um credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinqüenta.
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42. Não tendo eles com que pagar, perdoou a ambos a sua dívida. Qual deles o amará mais?
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43. Simão respondeu: A meu ver, aquele a quem ele mais perdoou. Jesus replicou-lhe: Julgaste bem.
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44. E voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para lavar os pés; mas esta, com as suas lágrimas, regou-me os pés e enxugou-os com os seus cabelos.
 +
45. Não me deste o ósculo; mas esta, desde que entrou, não cessou de beijar-me os pés.
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46. Não me ungiste a cabeça com óleo; mas esta, com perfume, ungiu-me os pés.
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47. Por isso te digo: seus numerosos pecados lhe foram perdoados, porque ela tem demonstrado muito amor. Mas ao que pouco se perdoa, pouco ama.
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48. E disse a ela: Perdoados te são os pecados.
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49. Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer, então: Quem é este homem que até perdoa pecados?
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50. Mas Jesus, dirigindo-se à mulher, disse-lhe: Tua fé te salvou; vai em paz.
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Capítulo 8
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1. Depois disso, Jesus andava pelas cidades e aldeias anunciando a boa nova do Reino de Deus.
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2. Os Doze estavam com ele, como também algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios;
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3. Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes; Susana e muitas outras, que o assistiram com as suas posses.
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4. Havia se reunido uma grande multidão: eram pessoas vindas de várias cidades para junto dele. Ele lhes disse esta parábola:
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5. Saiu o semeador a semear a sua semente. E ao semear, parte da semente caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram.
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6. Outra caiu no pedregulho; e, tendo nascido, secou, por falta de umidade.
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7. Outra caiu entre os espinhos; cresceram com ela os espinhos, e sufocaram-na.
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8. Outra, porém, caiu em terra boa; tendo crescido, produziu fruto cem por um. Dito isto, Jesus acrescentou alteando a voz: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!
 +
9. Os seus discípulos perguntaram-lhe a significação desta parábola.
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10. Ele respondeu: A vós é concedido conhecer os mistérios do Reino de Deus, mas aos outros se lhes fala por parábolas; de forma que vendo não vejam, e ouvindo não entendam.
 +
11. Eis o que significa esta parábola: a semente é a palavra de Deus.
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12. Os que estão à beira do caminho são aqueles que ouvem; mas depois vem o demônio e lhes tira a palavra do coração, para que não creiam nem se salvem.
 +
13. Aqueles que a recebem em solo pedregoso são os ouvintes da palavra de Deus que a acolhem com alegria; mas não têm raiz, porque crêem até certo tempo, e na hora da provação a abandonam.
 +
14. A que caiu entre os espinhos, estes são os que ouvem a palavra, mas prosseguindo o caminho, são sufocados pelos cuidados, riquezas e prazeres da vida, e assim os seus frutos não amadurecem.
 +
15. A que caiu na terra boa são os que ouvem a palavra com coração reto e bom, retêm-na e dão fruto pela perseverança.
 +
16. Ninguém acende uma lâmpada e a cobre com um vaso ou a põe debaixo da cama; mas a põe sobre um castiçal, para iluminar os que entram.
 +
17. Porque não há coisa oculta que não acabe por se manifestar, nem secreta que não venha a ser descoberta.
 +
18. Vede, pois, como é que ouvis. Porque ao que tiver, lhe será dado; e ao que não tiver, até aquilo que julga ter lhe será tirado.
 +
19. A mãe e os irmãos de Jesus foram procurá-lo, mas não podiam chegar-se a ele por causa da multidão.
 +
20. Foi-lhe avisado: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e desejam ver-te.
 +
21. Ele lhes disse: Minha mãe e meus irmãos são estes, que ouvem a palavra de Deus e a observam.
 +
22. Num daqueles dias ele subiu com os seus discípulos a uma barca. Disse ele: Passemos à outra margem do lago. E eles partiram.
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23. Durante a travessia, Jesus adormeceu. Desabou então uma tempestade de vento sobre o lago. A barca enchia-se de água, e eles se achavam em perigo.
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24. Aproximaram-se dele então e o despertaram com este grito: Mestre, Mestre! Nós estamos perecendo! Levantou-se ele e ordenou aos ventos e à fúria da água que se acalmassem; e se acalmaram e logo veio a bonança. 25 Perguntou-lhes, então: Onde está a vossa fé? Eles, cheios de respeito e de profunda admiração, diziam uns aos outros: Quem é este, a quem os ventos e o mar obedecem?
 +
26. Navegaram para a região dos gerasenos, que está defronte da Galiléia.
 +
27. Mal saltou em terra, veio-lhe ao encontro um homem dessa região, possuído de muitos demônios; há muito tempo não se vestia nem parava em casa, mas habitava no cemitério.
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28. Ao ver Jesus, prostrou-se diante dele e gritou em alta voz: Por que te ocupas de mim, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te, não me atormentes!
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29. Porque Jesus ordenara ao espírito imundo que saísse do homem. Pois há muito tempo que se apoderara dele, e guardavam-no preso em cadeias e com grilhões nos pés, mas ele rompia as cadeias e era impelido pelo demônio para os desertos.
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30. Jesus perguntou-lhe: Qual é o teu nome? Ele respondeu: Legião! (Porque eram muitos os demônios que nele se ocultavam.)
 +
31. E pediam-lhe que não os mandasse ir para o abismo.
 +
32. Ora, andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos; rogaram-lhe os demônios que lhes permitisse entrar neles. Ele permitiu.
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33. Saíram, pois, os demônios do homem e entraram nos porcos; e a manada de porcos precipitou-se, pelo despenhadeiro, impetuosamente no lago e afogou-se.
 +
34. Quando aqueles que os guardavam viram o acontecido, fugiram e foram contá-lo na cidade e pelo campo.
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35. Saíram eles, pois, a ver o que havia ocorrido. Chegaram a Jesus e acharam a seus pés, sentado, vestido e calmo, o homem de quem haviam sido expulsos os demônios; e tomados de medo,
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36. ouviram das testemunhas a narração desse exorcismo.
 +
37. Então todo o povo da região dos gerasenos rogou a Jesus que se retirasse deles, pois estavam possuídos de grande temor. Jesus subiu à barca, para regressar.
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38. Nesse momento, pedia-lhe o homem, de quem tinham saído os demônios, para ficar com ele. Mas Jesus despediu-o, dizendo:
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39. Volta para casa, e conta quanto Deus te fez. E ele se foi, publicando por toda a cidade essas grandes coisas...
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40. À sua volta, Jesus foi recebido por uma multidão que o esperava.
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41. O chefe da sinagoga, chamado Jairo, foi ao seu encontro. Lançou-se a seus pés e rogou-lhe que fosse à sua casa,
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42. porque tinha uma filha única, de uns doze anos, que estava para morrer. Jesus dirigiu-se para lá, comprimido pelo povo.
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43. Ora, uma mulher que padecia dum fluxo de sangue havia doze anos, e tinha gasto com médicos todos os seus bens, sem que nenhum a pudesse curar,
 +
44. aproximou-se dele por detrás e tocou-lhe a orla do manto; e no mesmo instante lhe parou o fluxo de sangue.
 +
45. Jesus perguntou: Quem foi que me tocou? Como todos negassem, Pedro e os que com ele estavam disseram: Mestre, a multidão te aperta de todos os lados...
 +
46. Jesus replicou: Alguém me tocou, porque percebi sair de mim uma força.
 +
47. A mulher viu-se descoberta e foi tremendo e prostrou-se aos seus pés; e declarou diante de todo o povo o motivo por que o havia tocado, e como logo ficara curada.
 +
48. Jesus disse-lhe: Minha filha, tua fé te salvou; vai em paz.
 +
49. Enquanto ainda falava, veio alguém e disse ao chefe da sinagoga: Tua filha acaba de morrer; não incomodes mais o Mestre.
 +
50. Mas Jesus o ouviu e disse a Jairo: Não temas; crê somente e ela será salva.
 +
51. Quando Jesus chegou à casa, não deixou ninguém entrar com ele, senão Pedro, Tiago, João com o pai e a mãe da menina.
 +
52. Todos, entretanto, choravam e se lamentavam. Mas Jesus disse: Não choreis; a menina não morreu, mas dorme.
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53. Zombavam dele, pois sabiam bem que estava morta.
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54. Mas segurando ele a mão dela, disse em alta voz: Menina, levanta-te!
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55. Voltou-lhe a vida e ela levantou-se imediatamente. Jesus mandou que lhe dessem de comer.
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56. Seus pais ficaram tomados de pasmo; Jesus ordenou-lhes que não contassem a pessoa alguma o que se tinha passado.
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Capítulo 9
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1. Reunindo Jesus os doze apóstolos, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para curar enfermidades.
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2. Enviou-os a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos.
 +
3. Disse-lhes: Não leveis coisa alguma para o caminho, nem bordão, nem mochila, nem pão, nem dinheiro, nem tenhais duas túnicas.
 +
4. Em qualquer casa em que entrardes, ficai ali até que deixeis aquela localidade.
 +
5. Onde ninguém vos receber, deixai aquela cidade e em testemunho contra eles sacudi a poeira dos vossos pés.
 +
6. Partiram, pois, e percorriam as aldeias, pregando o Evangelho e fazendo curas por toda parte.
 +
7. O tetrarca Herodes ouviu falar de tudo o que Jesus fazia e ficou perplexo. Uns diziam: É João que ressurgiu dos mortos; outros: É Elias que apareceu;
 +
8. e ainda outros: É um dos antigos profetas que ressuscitou.
 +
9. Mas Herodes dizia: Eu degolei João. Quem é, pois, este, de quem ouço tais coisas? E procurava ocasião de vê-lo.
 +
10. Os apóstolos, ao voltarem, contaram a Jesus tudo o que haviam feito. Tomando-os ele consigo à parte, dirigiu-se a um lugar deserto para o lado de Betsaida.
 +
11. Logo que a multidão o soube, o foi seguindo; Jesus recebeu-os e falava-lhes do Reino de Deus. Restabelecia também a saúde dos doentes.
 +
12. Ora, o dia começava a declinar e os Doze foram dizer-lhe: Despede as turbas, para que vão pelas aldeias e sítios da vizinhança e procurem alimento e hospedagem, porque aqui estamos num lugar deserto.
 +
13. Jesus replicou-lhes: Dai-lhes vós mesmos de comer. Retrucaram eles: Não temos mais do que cinco pães e dois peixes, a menos que nós mesmos vamos e compremos mantimentos para todo este povo.
 +
14. (Pois eram quase cinco mil homens.) Jesus disse aos discípulos: Mandai-os sentar, divididos em grupos de cinqüenta.
 +
15. Assim o fizeram e todos se assentaram.
 +
16. Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos ao céu, abençoou-os, partiu-os e deu-os a seus discípulos, para que os servissem ao povo.
 +
17. E todos comeram e ficaram fartos. Do que sobrou recolheram ainda doze cestos de pedaços.
 +
18. Num dia em que ele estava a orar a sós com os discípulos, perguntou-lhes: Quem dizem que eu sou?
 +
19. Responderam-lhe: Uns dizem que és João Batista; outros, Elias; outros pensam que ressuscitou algum dos antigos profetas.
 +
20. Perguntou-lhes, então: E vós, quem dizeis que eu sou? Pedro respondeu: O Cristo de Deus.
 +
21. Ordenou-lhes energicamente que não o dissessem a ninguém.
 +
22. Ele acrescentou: É necessário que o Filho do Homem padeça muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas. É necessário que seja levado à morte e que ressuscite ao terceiro dia.
 +
23. Em seguida, dirigiu-se a todos: Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me.
 +
24. Porque, quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, salvá-la-á.
 +
25. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder-se a si mesmo e se causa a sua própria ruína?
 +
26. Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na sua glória, na glória de seu Pai e dos santos anjos.
 +
27. Em verdade vos digo: dos que aqui se acham, alguns há que não morrerão, até que vejam o Reino de Deus.
 +
28. Passados uns oitos dias, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e subiu ao monte para orar.
 +
29. Enquanto orava, transformou-se o seu rosto e as suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura.
 +
30. E eis que falavam com ele dois personagens: eram Moisés e Elias,
 +
31. que apareceram envoltos em glória, e falavam da morte dele, que se havia de cumprir em Jerusalém.
 +
32. Entretanto, Pedro e seus companheiros tinham-se deixado vencer pelo sono; ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois personagens em sua companhia.
 +
33. Quando estes se apartaram de Jesus, Pedro disse: Mestre, é bom estarmos aqui. Podemos levantar três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias!... Ele não sabia o que dizia.
 +
34. Enquanto ainda assim falava, veio uma nuvem e encobriu-os com a sua sombra; e os discípulos, vendo-os desaparecer na nuvem, tiveram um grande pavor.
 +
35. Então da nuvem saiu uma voz: Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o!
 +
36. E, enquanto ainda ressoava esta voz, achou-se Jesus sozinho. Os discípulos calaram-se e a ninguém disseram naqueles dias coisa alguma do que tinham visto.
 +
37. No dia seguinte, descendo eles do monte, veio ao encontro de Jesus uma grande multidão.
 +
38. Eis que um homem exclamou do meio da multidão: Mestre, rogo-te que olhes para meu filho, pois é o único que tenho.
 +
39. Um espírito se apodera dele e subitamente dá gritos, lança-o por terra, agita-o com violência, fá-lo espumar e só o larga depois de o deixar todo ofegante.
 +
40. Pedi a teus discípulos que o expelissem, mas não o puderam fazer.
 +
41. Respondeu Jesus: Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei convosco e vos aturarei? Traze cá teu filho.
 +
42. E quando ele ia chegando, o demônio lançou-o por terra e agitou-o violentamente. Mas Jesus intimou o espírito imundo, curou o menino e o restituiu a seu pai.
 +
43. Todos ficaram pasmados ante a grandeza de Deus. Como todos se admirassem de tudo o que Jesus fazia, disse ele a seus discípulos:
 +
44. Gravai nos vossos corações estas palavras: O Filho do Homem há de ser entregue às mãos dos homens!
 +
45. Eles, porém, não entendiam esta palavra e era-lhes obscura, de modo que não alcançaram o seu sentido; e tinham medo de lhe perguntar a este respeito.
 +
46. Veio-lhes então o pensamento de qual deles seria o maior.
 +
47. Penetrando Jesus nos pensamentos de seus corações, tomou um menino, colocou-o junto de si e disse-lhes:
 +
48. Todo o que recebe este menino em meu nome, a mim é que recebe; e quem recebe a mim, recebe aquele que me enviou; pois quem dentre vós for o menor, esse será grande.
 +
49. João tomou a palavra e disse: Mestre, vimos um homem que expelia demônios em teu nome, e nós lho proibimos, porque não é dos nossos.
 +
50. Mas Jesus lhe disse: Não lho proibais; porque, o que não é contra vós, é a vosso favor.
 +
51. Aproximando-se o tempo em que Jesus devia ser arrebatado deste mundo, ele resolveu dirigir-se a Jerusalém.
 +
52. Enviou diante de si mensageiros que, tendo partido, entraram em uma povoação dos samaritanos para lhe arranjar pousada.
 +
53. Mas não o receberam, por ele dar mostras de que ia para Jerusalém.
 +
54. Vendo isto, Tiago e João disseram: Senhor, queres que mandemos que desça fogo do céu e os consuma?
 +
55. Jesus voltou-se e repreendeu-os severamente. [Não sabeis de que espírito sois animados.
 +
56. O Filho do Homem não veio para perder as vidas dos homens, mas para salvá-las.] Foram então para outra povoação.
 +
57. Enquanto caminhavam, um homem lhe disse: Senhor, seguir-te-ei para onde quer que vás.
 +
58. Jesus replicou-lhe: As raposas têm covas e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.
 +
59. A outro disse: Segue-me. Mas ele pediu: Senhor, permite-me ir primeiro enterrar meu pai.
 +
60. Mas Jesus disse-lhe: Deixa que os mortos enterrem seus mortos; tu, porém, vai e anuncia o Reino de Deus.
 +
61. Um outro ainda lhe falou: Senhor, seguir-te-ei, mas permite primeiro que me despeça dos que estão em casa.
 +
62. Mas Jesus disse-lhe: Aquele que põe a mão no arado e olha para trás, não é apto para o Reino de Deus.
 +
 
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 +
Capítulo 10
 +
 
 +
1. Depois disso, designou o Senhor ainda setenta e dois outros discípulos e mandou-os, dois a dois, adiante de si, por todas as cidades e lugares para onde ele tinha de ir.
 +
2. Disse-lhes: Grande é a messe, mas poucos são os operários. Rogai ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe.
 +
3. Ide; eis que vos envio como cordeiros entre lobos.
 +
4. Não leveis bolsa nem mochila, nem calçado e a ninguém saudeis pelo caminho.
 +
5. Em toda casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz a esta casa!
 +
6. Se ali houver algum homem pacífico, repousará sobre ele a vossa paz; mas, se não houver, ela tornará para vós.
 +
7. Permanecei na mesma casa, comei e bebei do que eles tiverem, pois o operário é digno do seu salário. Não andeis de casa em casa.
 +
8. Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei o que se vos servir.
 +
9. Curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: O Reino de Deus está próximo.
 +
10. Mas se entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saindo pelas suas praças, dizei:
 +
11. Até o pó que se nos pegou da vossa cidade, sacudimos contra vós; sabei, contudo, que o Reino de Deus está próximo.
 +
12. Digo-vos: naqueles dias haverá um tratamento menos rigoroso para Sodoma.
 +
13. Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e Sidônia tivessem sido feitos os prodígios que foram realizados em vosso meio, há muito tempo teriam feito penitência, cobrindo-se de saco e cinza.
 +
14. Por isso haverá no dia do juízo menos rigor para Tiro e Sidônia do que para vós.
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15. E tu, Cafarnaum, que te elevas até o céu, serás precipitada até aos infernos.
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16. Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou.
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17. Voltaram alegres os setenta e dois, dizendo: Senhor, até os demônios se nos submetem em teu nome!
 +
18. Jesus disse-lhes: Vi Satanás cair do céu como um raio.
 +
19. Eis que vos dei poder para pisar serpentes, escorpiões e todo o poder do inimigo.
 +
20. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos estão sujeitos, mas alegrai-vos de que os vossos nomes estejam escritos nos céus.
 +
21. Naquele mesma hora, Jesus exultou de alegria no Espírito Santo e disse: Pai, Senhor do céu e da terra, eu te dou graças porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, bendigo-te porque assim foi do teu agrado.
 +
22. Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
 +
23. E voltou-se para os seus discípulos, e disse: Ditosos os olhos que vêem o que vós vedes,
 +
24. pois vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram.
 +
25. Levantou-se um doutor da lei e, para pô-lo à prova, perguntou: Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna?
 +
26. Disse-lhe Jesus: Que está escrito na lei? Como é que lês?
 +
27. Respondeu ele: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento (Dt 6,5); e a teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18).
 +
28. Falou-lhe Jesus: Respondeste bem; faze isto e viverás.
 +
29. Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: E quem é o meu próximo?
 +
30. Jesus então contou: Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de ladrões, que o despojaram; e depois de o terem maltratado com muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o meio morto.
 +
31. Por acaso desceu pelo mesmo caminho um sacerdote, viu-o e passou adiante.
 +
32. Igualmente um levita, chegando àquele lugar, viu-o e passou também adiante.
 +
33. Mas um samaritano que viajava, chegando àquele lugar, viu-o e moveu-se de compaixão.
 +
34. Aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; colocou-o sobre a sua própria montaria e levou-o a uma hospedaria e tratou dele.
 +
35. No dia seguinte, tirou dois denários e deu-os ao hospedeiro, dizendo-lhe: Trata dele e, quanto gastares a mais, na volta to pagarei.
 +
36. Qual destes três parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?
 +
37. Respondeu o doutor: Aquele que usou de misericórdia para com ele. Então Jesus lhe disse: Vai, e faze tu o mesmo.
 +
38. Estando Jesus em viagem, entrou numa aldeia, onde uma mulher, chamada Marta, o recebeu em sua casa.
 +
39. Tinha ela uma irmã por nome Maria, que se assentou aos pés do Senhor para ouvi-lo falar.
 +
40. Marta, toda preocupada na lida da casa, veio a Jesus e disse: Senhor, não te importas que minha irmã me deixe só a servir? Dize-lhe que me ajude.
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41. Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas;
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42. no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a boa parte, que lhe não será tirada.
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Capítulo 11
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1. Um dia, num certo lugar, estava Jesus a rezar. Terminando a oração, disse-lhe um de seus discípulos: Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos.
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2. Disse-lhes ele, então: Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso Reino;
 +
3. dai-nos hoje o pão necessário ao nosso sustento;
 +
4. perdoai-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos àqueles que nos ofenderam; e não nos deixeis cair em tentação.
 +
5. Em seguida, ele continuou: Se alguém de vós tiver um amigo e for procurá-lo à meia-noite, e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães,
 +
6. pois um amigo meu acaba de chegar à minha casa, de uma viagem, e não tenho nada para lhe oferecer;
 +
7. e se ele responder lá de dentro: Não me incomodes; a porta já está fechada, meus filhos e eu estamos deitados; não posso levantar-me para te dar os pães;
 +
8. eu vos digo: no caso de não se levantar para lhe dar os pães por ser seu amigo, certamente por causa da sua importunação se levantará e lhe dará quantos pães necessitar.
 +
9. E eu vos digo: pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.
 +
10. Pois todo aquele que pede, recebe; aquele que procura, acha; e ao que bater, se lhe abrirá.
 +
11. Se um filho pedir um pão, qual o pai entre vós que lhe dará uma pedra? Se ele pedir um peixe, acaso lhe dará uma serpente?
 +
12. Ou se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á porventura um escorpião?
 +
13. Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que lho pedirem.
 +
14. Jesus expelia um demônio que era mudo. Tendo o demônio saído, o mudo pôs-se a falar e a multidão ficou admirada.
 +
15. Mas alguns deles disseram: Ele expele os demônios por Beelzebul, príncipe dos demônios.
 +
16. E para pô-lo à prova, outros lhe pediam um sinal do céu.
 +
17. Penetrando nos seus pensamentos, disse-lhes Jesus: Todo o reino dividido contra si mesmo será destruído e seus edifícios cairão uns sobre os outros.
 +
18. Se, pois, Satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Pois dizeis que expulso os demônios por Beelzebul.
 +
19. Ora, se é por Beelzebul que expulso os demônios, por quem o expulsam vossos filhos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes!
 +
20. Mas se expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente é chegado a vós o Reino de Deus.
 +
21. Quando um homem forte guarda armado a sua casa, estão em segurança os bens que possui.
 +
22. Mas se sobrevier outro mais forte do que ele e o vencer, este lhe tirará todas as armas em que confiava, e repartirá os seus despojos.
 +
23. Quem não está comigo, está contra mim; quem não recolhe comigo, espalha.
 +
24. Quando um espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso; não o achando, diz: Voltarei à minha casa, donde saí.
 +
25. Chegando, acha-a varrida e adornada.
 +
26. Vai então e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele e entram e estabelecem-se ali. E a última condição desse homem vem a ser pior do que a primeira.
 +
27. Enquanto ele assim falava, uma mulher levantou a voz do meio do povo e lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe, e os peitos que te amamentaram!
 +
28. Mas Jesus replicou: Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam!
 +
29. Afluía o povo e ele continuou: Esta geração é uma geração perversa; pede um sinal, mas não se lhe dará outro sinal senão o sinal do profeta Jonas.
 +
30. Pois, como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim o Filho do Homem o será para esta geração.
 +
31. A rainha do meio-dia levantar-se-á no dia do juízo para condenar os homens desta geração, porque ela veio dos confins da terra ouvir a sabedoria de Salomão! Ora, aqui está quem é mais que Salomão.
 +
32. Os ninivitas levantar-se-ão no dia do juízo para condenar os homens desta geração, porque fizeram penitência com a pregação de Jonas. Ora, aqui está quem é mais do que Jonas.
 +
33. Ninguém acende uma lâmpada e a põe em lugar oculto ou debaixo da amassadeira, mas sobre um candeeiro, para alumiar os que entram.
 +
34. O olho é a lâmpada do corpo. Se teu olho é são, todo o corpo será bem iluminado; se, porém, estiver em mau estado, o teu corpo estará em trevas.
 +
35. Vê, pois, que a luz que está em ti não sejam trevas.
 +
36. Se, pois, todo o teu corpo estiver na luz, sem mistura de trevas, ele será inteiramente iluminado, como sob a brilhante luz de uma lâmpada.
 +
37. Enquanto Jesus falava, pediu-lhe um fariseu que fosse jantar em sua companhia. Ele entrou e pôs-se à mesa.
 +
38. Admirou-se o fariseu de que ele não se tivesse lavado antes de comer.
 +
39. Disse-lhe o Senhor: Vós, fariseus, limpais o que está por fora do vaso e do prato, mas o vosso interior está cheio de roubo e maldade!
 +
40. Insensatos! Quem fez o exterior não fez também o conteúdo?
 +
41. Dai antes em esmola o que possuís, e todas as coisas vos serão limpas.
 +
42. Ai de vós, fariseus, que pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de diversas ervas e desprezais a justiça e o amor de Deus. No entanto, era necessário praticar estas coisas, sem contudo deixar de fazer aquelas outras coisas.
 +
43. Ai de vós, fariseus, que gostais das primeiras cadeiras nas sinagogas e das saudações nas praças públicas!
 +
44. Ai de vós, que sois como os sepulcros que não aparecem, e sobre os quais os homens caminham sem o saber.
 +
45. Um dos doutores da lei lhe disse: Mestre, falando assim também a nós outros nos afrontas.
 +
46. Ele respondeu: Ai também de vós, doutores da lei, que carregais os homens com pesos que não podem levar, mas vós mesmos nem sequer com um dedo vosso tocais os fardos.
 +
47. Ai de vós, que edificais sepulcros para os profetas que vossos pais mataram.
 +
48. Vós servis assim de testemunhas das obras de vossos pais e as aprovais, porque em verdade eles os mataram, mas vós lhes edificais os sepulcros.
 +
49. Por isso, também disse a sabedoria de Deus: Enviar-lhes-ei profetas e apóstolos, mas eles darão a morte a uns e perseguirão a outros.
 +
50. E assim se pedirá conta a esta geração do sangue de todos os profetas derramado desde a criação do mundo,
 +
51. desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi assassinado entre o altar e o templo. Sim, declaro-vos que se pedirá conta disso a esta geração!
 +
52. Ai de vós, doutores da lei, que tomastes a chave da ciência, e vós mesmos não entrastes e impedistes aos que vinham para entrar.
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53. Depois que Jesus saiu dali, os escribas e fariseus começaram a importuná-lo fortemente e a persegui-lo com muitas perguntas,
 +
54. armando-lhe desta maneira ciladas, e procurando surpreendê-lo nalguma palavra de sua boca.
  
=====<font size="3">'''Morte de Estêvão'''</font>=====
+
'''54.''' Ao ouvir tais palavras, esbravejaram de raiva e rangiam os dentes contra ele.
+
Capítulo 12
'''55.''' Mas, cheio do Espírito Santo, Estêvão fitou o céu e viu a glória de Deus e Jesus de pé à direita de Deus:
 
'''56.''' Eis que vejo, disse ele, os céus abertos e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus.
 
'''57.''' Levantaram então um grande clamor, taparam os ouvidos e todos juntos se atiraram furiosos contra ele.
 
'''58.''' Lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram os seus mantos aos pés de um moço chamado Saulo.
 
'''59.''' E apedrejavam Estêvão, que orava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito.
 
'''60.''' Posto de joelhos, exclamou em alta voz: Senhor, não lhes leves em conta este pecado... A estas palavras, expirou.
 
<font size="5">'''8)'''</font> '''1.''' E Saulo havia aprovado a morte de Estêvão."
 
  
=====<font size="3">'''Perseguição e dispersão da comunidade'''</font>=====
+
1. Enquanto isso, os homens se tinham reunido aos milhares em torno de Jesus, de modo que se atropelavam uns aos outros. Jesus começou a dizer a seus discípulos: Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.
"Naquele dia, rompeu uma grande perseguição contra a comunidade de Jerusalém. Todos se dispersaram pelas regiões da Judéia e de Samaria, com exceção dos apóstolos.
+
2. Porque não há nada oculto que não venha a descobrir-se, e nada há escondido que não venha a ser conhecido.
'''2.''' Entretanto, alguns homens piedosos trataram de enterrar Estêvão e fizeram grande pranto a seu respeito.
+
3. Pois o que dissestes às escuras será dito à luz; e o que falastes ao ouvido, nos quartos, será publicado de cima dos telhados.
'''3.''' Saulo, porém, devastava a Igreja. Entrando pelas casas, arrancava delas homens e mulheres e os entregava à prisão.
+
4. Digo-vos a vós, meus amigos: não tenhais medo daqueles que matam o corpo e depois disto nada mais podem fazer.
 +
5. Mostrar-vos-ei a quem deveis temer: temei àquele que, depois de matar, tem poder de lançar no inferno; sim, eu vo-lo digo: temei a este.
 +
6. Não se vendem cinco pardais por dois asses? E, entretanto, nem um só deles passa despercebido diante de Deus.
 +
7. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois. Mais valor tendes vós do que numerosos pardais.
 +
8. Digo-vos: todo o que me reconhecer diante dos homens, também o Filho do Homem o reconhecerá diante dos anjos de Deus;
 +
9. mas quem me negar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus.
 +
10. Todo aquele que tiver falado contra o Filho do Homem obterá perdão, mas aquele que tiver blasfemado contra o Espírito Santo não alcançará perdão.
 +
11. Quando, porém, vos levarem às sinagogas, perante os magistrados e as autoridades, não vos preocupeis com o que haveis de falar em vossa defesa,
 +
12. porque o Espírito Santo vos inspirará naquela hora o que deveis dizer.
 +
13. Disse-lhe então alguém do meio do povo: Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança.
 +
14. Jesus respondeu-lhe: Meu amigo, quem me constituiu juiz ou árbitro entre vós?
 +
15. E disse então ao povo: Guardai-vos escrupulosamente de toda a avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas.
 +
16. E propôs-lhe esta parábola: Havia um homem rico cujos campos produziam muito.
 +
17. E ele refletia consigo: Que farei? Porque não tenho onde recolher a minha colheita.
 +
18. Disse então ele: Farei o seguinte: derrubarei os meus celeiros e construirei maiores; neles recolherei toda a minha colheita e os meus bens.
 +
19. E direi à minha alma: ó minha alma, tens muitos bens em depósito para muitíssimos anos; descansa, come, bebe e regala-te.
 +
20. Deus, porém, lhe disse: Insensato! Nesta noite ainda exigirão de ti a tua alma. E as coisas, que ajuntaste, de quem serão?
 +
21. Assim acontece ao homem que entesoura para si mesmo e não é rico para Deus.
 +
22. Jesus voltou-se então para seus discípulos: Portanto vos digo: não andeis preocupados com a vossa vida, pelo que haveis de comer; nem com o vosso corpo, pelo que haveis de vestir.
 +
23. A vida vale mais do que o sustento e o corpo mais do que as vestes.
 +
24. Considerai os corvos: eles não semeiam, nem ceifam, nem têm despensa, nem celeiro; entretanto, Deus os sustenta. Quanto mais valeis vós do que eles?
 +
25. Mas qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?
 +
26. Se vós, pois, não podeis fazer nem as mínimas coisas, por que estais preocupados com as outras?
 +
27. Considerai os lírios, como crescem; não fiam, nem tecem. Contudo, digo-vos: nem Salomão em toda a sua glória jamais se vestiu como um deles.
 +
28. Se Deus, portanto, veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã se lança ao fogo, quanto mais a vós, homens de fé pequenina!
 +
29. Não vos inquieteis com o que haveis de comer ou beber; e não andeis com vãs preocupações.
 +
30. Porque os homens do mundo é que se preocupam com todas estas coisas. Mas vosso Pai bem sabe que precisais de tudo isso.
 +
31. Buscai antes o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo.
 +
32. Não temais, pequeno rebanho, porque foi do agrado de vosso Pai dar-vos o Reino.
 +
33. Vendei o que possuís e dai esmolas; fazei para vós bolsas que não se gastam, um tesouro inesgotável nos céus, aonde não chega o ladrão e a traça não o destrói.
 +
34. Pois onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração.
 +
35. Estejam cingidos os vossos rins e acesas as vossas lâmpadas.
 +
36. Sede semelhantes a homens que esperam o seu senhor, ao voltar de uma festa, para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram.
 +
37. Bem-aventurados os servos a quem o senhor achar vigiando, quando vier! Em verdade vos digo: cingir-se-á, fá-los-á sentar à mesa e servi-los-á.
 +
38. Se vier na segunda ou se vier na terceira vigília e os achar vigilantes, felizes daqueles servos!
 +
39. Sabei, porém, isto: se o senhor soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria sem dúvida e não deixaria forçar a sua casa.
 +
40. Estai, pois, preparados, porque, à hora em que não pensais, virá o Filho do Homem.
 +
41. Disse-lhe Pedro: Senhor, propões esta parábola só a nós ou também a todos?
 +
42. O Senhor replicou: Qual é o administrador sábio e fiel que o senhor estabelecerá sobre os seus operários para lhes dar a seu tempo a sua medida de trigo?
 +
43. Feliz daquele servo que o senhor achar procedendo assim, quando vier!
 +
44. Em verdade vos digo: confiar-lhe-á todos os seus bens.
 +
45. Mas, se o tal administrador imaginar consigo: Meu senhor tardará a vir, e começar a espancar os servos e as servas, a comer, a beber e a embriagar-se,
 +
46. o senhor daquele servo virá no dia em que não o esperar e na hora em que ele não pensar, e o despedirá e o mandará ao destino dos infiéis.
 +
47. O servo que, apesar de conhecer a vontade de seu senhor, nada preparou e lhe desobedeceu será açoitado com numerosos golpes.
 +
48. Mas aquele que, ignorando a vontade de seu senhor, fizer coisas repreensíveis será açoitado com poucos golpes. Porque, a quem muito se deu, muito se exigirá. Quanto mais se confiar a alguém, dele mais se há de exigir.
 +
49. Eu vim lançar fogo à terra, e que tenho eu a desejar se ele já está aceso?
 +
50. Mas devo ser batizado num batismo; e quanto anseio até que ele se cumpra!
 +
51. Julgais que vim trazer paz à terra? Não, digo-vos, mas separação.
 +
52. Pois de ora em diante haverá numa mesma casa cinco pessoas divididas, três contra duas, e duas contra três;
 +
53. estarão divididos: o pai contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora, e a nora contra a sogra.
 +
54. Dizia ainda ao povo: Quando vedes levantar-se uma nuvem no poente, logo dizeis: Aí vem chuva. E assim sucede.
 +
55. Quando vedes soprar o vento do sul, dizeis: Haverá calor. E assim acontece.
 +
56. Hipócritas! Sabeis distinguir os aspectos do céu e da terra; como, pois, não sabeis reconhecer o tempo presente?
 +
57. Por que também não julgais por vós mesmos o que é justo?
 +
58. Ora, quando fores com o teu adversário ao magistrado, faze o possível para entrar em acordo com ele pelo caminho, a fim de que ele te não arraste ao juiz, e o juiz te entregue ao executor, e o executor te ponha na prisão.
 +
59. Digo-te: não sairás dali, até pagares o último centavo.
  
=====<font size="3">'''O diácono Filipe em Samaria'''</font>=====
+
'''4.''' Os que se haviam dispersado iam por toda parte, anunciando a palavra (de Deus).
+
Capítulo 13
'''5.''' Assim Filipe desceu à cidade de Samaria, pregando-lhes Cristo.
+
 
'''6.''' A multidão estava atenta ao que Filipe lhe dizia, escutando-o unanimemente e presenciando os prodígios que fazia.
+
1. Neste mesmo tempo contavam alguns o que tinha acontecido a certos galileus, cujo sangue Pilatos misturara com os seus sacrifícios.
'''7.''' Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam, levantando grandes brados. Igualmente foram curados muitos paralíticos e coxos.
+
2. Jesus toma a palavra e lhes pergunta: Pensais vós que estes galileus foram maiores pecadores do que todos os outros galileus, por terem sido tratados desse modo?
'''8.''' Por esse motivo, naquela cidade reinava grande alegria.
+
3. Não, digo-vos. Mas se não vos arrependerdes, perecereis todos do mesmo modo.
 +
4. Ou cuidais que aqueles dezoito homens, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, foram mais culpados do que todos os demais habitantes de Jerusalém?
 +
5. Não, digo-vos. Mas se não vos arrependerdes, perecereis todos do mesmo modo.
 +
6. Disse-lhes também esta comparação: Um homem havia plantado uma figueira na sua vinha, e, indo buscar fruto, não o achou.
 +
7. Disse ao viticultor: - Eis que três anos há que venho procurando fruto nesta figueira e não o acho. Corta-a; para que ainda ocupa inutilmente o terreno?
 +
8. Mas o viticultor respondeu: - Senhor, deixa-a ainda este ano; eu lhe cavarei em redor e lhe deitarei adubo.
 +
9. Talvez depois disto dê frutos. Caso contrário, cortá-la-ás.
 +
10. Estava Jesus ensinando na sinagoga em um sábado.
 +
11. Havia ali uma mulher que, havia dezoito anos, era possessa de um espírito que a detinha doente: andava curvada e não podia absolutamente erguer-se.
 +
12. Ao vê-la, Jesus a chamou e disse-lhe: Estás livre da tua doença.
 +
13. Impôs-lhe as mãos e no mesmo instante ela se endireitou, glorificando a Deus.
 +
14. Mas o chefe da sinagoga, indignado de ver que Jesus curava no sábado, disse ao povo: São seis os dias em que se deve trabalhar; vinde, pois, nestes dias para vos curar, mas não em dia de sábado.
 +
15. Hipócritas!, disse-lhes o Senhor. Não desamarra cada um de vós no sábado o seu boi ou o seu jumento da manjedoura, para os levar a beber?
 +
16. Esta filha de Abraão, que Satanás paralisava há dezoito anos, não devia ser livre desta prisão, em dia de sábado?
 +
17. Ao proferir estas palavras, todos os seus adversários se encheram de confusão, ao passo que todo o povo, à vista de todos os milagres que ele realizava, se entusiasmava.
 +
18. Jesus dizia ainda: A que é semelhante o Reino de Deus, e a que o compararei?
 +
19. É semelhante ao grão de mostarda que um homem tomou e semeou na sua horta, e que cresceu até se fazer uma grande planta e as aves do céu vieram fazer ninhos nos seus ramos.
 +
20. Disse ainda: A que direi que é semelhante o Reino de Deus?
 +
21. É semelhante ao fermento que uma mulher tomou e misturou em três medidas de farinha e toda a massa ficou levedada.
 +
22. Sempre em caminho para Jerusalém, Jesus ia atravessando cidades e aldeias e nelas ensinava.
 +
23. Alguém lhe perguntou: Senhor, são poucos os homens que se salvam? Ele respondeu:
 +
24. Procurai entrar pela porta estreita; porque, digo-vos, muitos procurarão entrar e não o conseguirão.
 +
25. Quando o pai de família tiver entrado e fechado a porta, e vós, de fora, começardes a bater à porta, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos, ele responderá: Digo-vos que não sei de onde sois.
 +
26. Direis então: Comemos e bebemos contigo e tu ensinaste em nossas praças.
 +
27. Ele, porém, vos dirá: Não sei de onde sois; apartai-vos de mim todos vós que sois malfeitores.
 +
28. Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac, Jacó e todos os profetas no Reino de Deus, e vós serdes lançados para fora.
 +
29. Virão do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e sentar-se-ão à mesa no Reino de Deus.
 +
30. Há últimos que serão os primeiros, e há primeiros que serão os últimos.
 +
31. No mesmo dia chegaram alguns dos fariseus, dizendo a Jesus: Sai e vai-te daqui, porque Herodes te quer matar.
 +
32. Disse-lhes ele: Ide dizer a essa raposa: eis que expulso demônios e faço curas hoje e amanhã; e ao terceiro dia terminarei a minha vida.
 +
33. É necessário, todavia, que eu caminhe hoje, amanhã e depois de amanhã, porque não é admissível que um profeta morra fora de Jerusalém.
 +
34. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os enviados de Deus, quantas vezes quis ajuntar os teus filhos, como a galinha abriga a sua ninhada debaixo das asas, mas não o quiseste!
 +
35. Eis que vos ficará deserta a vossa casa. Digo-vos, porém, que não me vereis até que venha o dia em que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor!
 +
 
 +
 +
Capítulo 14
  
=====<font size="3">'''Simão, o mago'''</font>=====
+
1. Jesus entrou num sábado em casa de um fariseu notável, para uma refeição; eles o observavam.
'''9.''' Ora, havia ali um homem, por nome Simão, que exercia magia na cidade, maravilhando o povo de Samaria, e fazia-se passar por um grande personagem.
+
2. Havia ali um homem hidrópico.
'''10.''' Todos lhe davam ouvidos, do menor até o maior, comentando: Este homem é o poder de Deus, chamado o Grande.
+
3. Jesus dirigiu-se aos doutores da lei e aos fariseus: É permitido ou não fazer curas no dia de sábado?
'''11.''' Eles o atendiam, porque por muito tempo os havia deslumbrado com as suas artes mágicas.
+
4. Eles nada disseram. Então Jesus, tomando o homem pela mão, curou-o e despediu-o.
'''12.''' Mas, depois que acreditaram em Filipe, que lhes anunciava o Reino de Deus e o nome de Jesus Cristo, homens e mulheres pediam o batismo.
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5. Depois, dirigindo-se a eles, disse: Qual de vós que, se lhe cair o jumento ou o boi num poço, não o tira imediatamente, mesmo em dia de sábado?
'''13.''' Simão também acreditou e foi batizado. Ele não abandonava Filipe, admirando, estupefato, os grandes milagres e prodígios que eram feitos.
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6. A isto nada lhe podiam replicar.
'''14.''' Os apóstolos que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João.
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7. Observando também como os convivas escolhiam os primeiros lugares, propôs-lhes a seguinte parábola:
'''15.''' Estes, assim que chegaram, fizeram oração pelos novos fiéis, a fim de receberem o Espírito Santo,
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8. Quando fores convidado às bodas, não te sentes no primeiro lugar, pois pode ser que seja convidada outra pessoa de mais consideração do que tu,
'''16.''' visto que não havia descido ainda sobre nenhum deles, mas tinham sido somente batizados em nome do Senhor Jesus.
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9. e vindo o que te convidou, te diga: Cede o lugar a este. Terias então a confusão de dever ocupar o último lugar.
'''17.''' Então os dois apóstolos lhes impuseram as mãos e receberam o Espírito Santo.
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10. Mas, quando fores convidado, vai tomar o último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, passa mais para cima. Então serás honrado na presença de todos os convivas.
'''18.''' Quando Simão viu que se dava o Espírito Santo por meio da imposição das mãos dos apóstolos, ofereceu-lhes dinheiro, dizendo:
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11. Porque todo aquele que se exaltar será humilhado, e todo aquele que se humilhar será exaltado.
'''19.''' Dai-me também este poder, para que todo aquele a quem impuser as mãos receba o Espírito Santo.
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12. Dizia igualmente ao que o tinha convidado: Quando deres alguma ceia, não convides os teus amigos, nem teus irmãos, nem os parentes, nem os vizinhos ricos. Porque, por sua vez, eles te convidarão e assim te retribuirão.
'''20.''' Pedro respondeu: Maldito seja o teu dinheiro e tu também, se julgas poder comprar o dom de Deus com dinheiro!
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13. Mas, quando deres uma ceia, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos.
'''21.''' Não terás direito nem parte alguma neste ministério, que o teu coração não é puro diante de Deus.
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14. Serás feliz porque eles não têm com que te retribuir, mas ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos.
'''22.''' Arrepende-te desta tua maldade e roga a Deus, para que, sendo possível, te seja perdoado este pensamento do teu coração.
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15. A estas palavras, disse a Jesus um dos convidados: Feliz daquele que se sentar à mesa no Reino de Deus!
'''23.''' Pois estou a ver-te no fel da amargura e nos laços da iniqüidade.
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16. Respondeu-lhe Jesus: Um homem deu uma grande ceia e convidou muitas pessoas.
'''24.''' Retorquiu Simão: Rogai vós por mim ao Senhor, para que nada do que haveis dito venha a cair sobre mim.
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17. E à hora da ceia, enviou seu servo para dizer aos convidados: Vinde, tudo já está preparado.
'''25.''' Os apóstolos, depois de terem dado testemunho e anunciado a palavra do Senhor, voltaram para Jerusalém e pregavam a boa nova em muitos lugares dos samaritanos.
+
18. Mas todos, um a um, começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um terreno e preciso sair para vê-lo; rogo-te me dês por escusado.
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19. Disse outro: Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las; rogo-te me dês por escusado.
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20. Disse também um outro: Casei-me e por isso não posso ir.
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21. Voltou o servo e referiu isto a seu senhor. Então, irado, o pai de família disse a seu servo: Sai, sem demora, pelas praças e pelas ruas da cidade e introduz aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos.
 +
22. Disse o servo: Senhor, está feito como ordenaste e ainda há lugar.
 +
23. O senhor ordenou: Sai pelos caminhos e atalhos e obriga todos a entrar, para que se encha a minha casa.
 +
24. Pois vos digo: nenhum daqueles homens, que foram convidados, provará a minha ceia.
 +
25. Muito povo acompanhava Jesus. Voltando-se, disse-lhes:
 +
26. Se alguém vem a mim e não odeia seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos, suas irmãs e até a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.
 +
27. E quem não carrega a sua cruz e me segue, não pode ser meu discípulo.
 +
28. Quem de vós, querendo fazer uma construção, antes não se senta para calcular os gastos que são necessários, a fim de ver se tem com que acabá-la?
 +
29. Para que, depois que tiver lançado os alicerces e não puder acabá-la, todos os que o virem não comecem a zombar dele,
 +
30. dizendo: Este homem principiou a edificar, mas não pode terminar.
 +
31. Ou qual é o rei que, estando para guerrear com outro rei, não se senta primeiro para considerar se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil?
 +
32. De outra maneira, quando o outro ainda está longe, envia-lhe embaixadores para tratar da paz.
 +
33. Assim, pois, qualquer um de vós que não renuncia a tudo o que possui não pode ser meu discípulo.
 +
34. O sal é uma coisa boa, mas se ele perder o seu sabor, com que o recuperará?
 +
35. Não servirá nem para a terra nem para adubo, mas lançar-se-á fora. O que tem ouvidos para ouvir, ouça!
  
=====<font size="3">'''Conversão do ministro da rainha da Etiópia'''</font>=====
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'''26.''' Um anjo do Senhor dirigiu-se a Filipe e disse: Levanta-te e vai para o sul, em direção do caminho que desce de Jerusalém a Gaza, a Deserta.
+
Capítulo 15
'''27.''' Filipe levantou-se e partiu. Ora, um etíope, eunuco, ministro da rainha Candace, da Etiópia, e superintendente de todos os seus tesouros, tinha ido a Jerusalém para adorar.
 
'''28.''' Voltava sentado em seu carro, lendo o profeta Isaías.
 
'''29.''' O Espírito disse a Filipe: Aproxima-te para bem perto deste carro.
 
'''30.''' Filipe aproximou-se e ouviu que o eunuco lia o profeta Isaías, e perguntou-lhe: Porventura entendes o que estás lendo?
 
'''31.''' Respondeu-lhe: Como é que posso, se não há alguém que mo explique? E rogou a Filipe que subisse e se sentasse junto dele.
 
'''32.''' A passagem da Escritura, que ia lendo, era esta: Como ovelha, foi levado ao matadouro; e como cordeiro mudo diante do que o tosquia, ele não abriu a sua boca.
 
'''33.''' Na sua humilhação foi consumado o seu julgamento. Quem poderá contar a sua descendência? Pois a sua vida foi tirada da terra (Is 53,7s.).
 
'''34.''' O eunuco disse a Filipe: Rogo-te que me digas de quem disse isto o profeta: de si mesmo ou de outrem?
 
'''35.''' Começou então Filipe a falar, e, principiando por essa passagem da Escritura, anunciou-lhe Jesus.
 
'''36.''' Continuando o caminho, encontraram água. Disse então o eunuco: Eis aí a água. Que impede que eu seja batizado?
 
'''37.''' [Filipe respondeu: Se crês de todo o coração, podes sê-lo. Eu creio, disse ele, que Jesus Cristo é o Filho de Deus.]
 
'''38.''' E mandou parar o carro. Ambos desceram à água e Filipe batizou o eunuco.
 
'''39.''' Mal saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe dos olhares do eunuco, que, cheio de alegria, continuou o seu caminho.
 
'''40.''' Filipe, entretanto, foi transportado a Azoto. Passando além, pregava o Evangelho em todas as cidades, até que chegou a Cesaréia".
 
  
=====<font size="3">'''Conversão de Saulo'''</font>=====
+
1. Aproximavam-se de Jesus os publicanos e os pecadores para ouvi-lo.
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2. Os fariseus e os escribas murmuravam: Este homem recebe e come com pessoas de má vida!
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3. Então lhes propôs a seguinte parábola:
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4. Quem de vós que, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?
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5. E depois de encontrá-la, a põe nos ombros, cheio de júbilo,
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6. e, voltando para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Regozijai-vos comigo, achei a minha ovelha que se havia perdido.
 +
7. Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.
 +
8. Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma delas, não acende a lâmpada, varre a casa e a busca diligentemente, até encontrá-la?
 +
9. E tendo-a encontrado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Regozijai-vos comigo, achei a dracma que tinha perdido.
 +
10. Digo-vos que haverá júbilo entre os anjos de Deus por um só pecador que se arrependa.
 +
11. Disse também: Um homem tinha dois filhos.
 +
12. O mais moço disse a seu pai: Meu pai, dá-me a parte da herança que me toca. O pai então repartiu entre eles os haveres.
 +
13. Poucos dias depois, ajuntando tudo o que lhe pertencia, partiu o filho mais moço para um país muito distante, e lá dissipou a sua fortuna, vivendo dissolutamente.
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14. Depois de ter esbanjado tudo, sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar penúria.
 +
15. Foi pôr-se ao serviço de um dos habitantes daquela região, que o mandou para os seus campos guardar os porcos.
 +
16. Desejava ele fartar-se das vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.
 +
17. Entrou então em si e refletiu: Quantos empregados há na casa de meu pai que têm pão em abundância... e eu, aqui, estou a morrer de fome!
 +
18. Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti;
 +
19. já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados.
 +
20. Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai. Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.
 +
21. O filho lhe disse, então: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.
 +
22. Mas o pai falou aos servos: Trazei-me depressa a melhor veste e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e calçado nos pés.
 +
23. Trazei também um novilho gordo e matai-o; comamos e façamos uma festa.
 +
24. Este meu filho estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado. E começaram a festa.
 +
25. O filho mais velho estava no campo. Ao voltar e aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças.
 +
26. Chamou um servo e perguntou-lhe o que havia.
 +
27. Ele lhe explicou: Voltou teu irmão. E teu pai mandou matar um novilho gordo, porque o reencontrou são e salvo.
 +
28. Encolerizou-se ele e não queria entrar, mas seu pai saiu e insistiu com ele.
 +
29. Ele, então, respondeu ao pai: Há tantos anos que te sirvo, sem jamais transgredir ordem alguma tua, e nunca me deste um cabrito para festejar com os meus amigos.
 +
30. E agora, que voltou este teu filho, que gastou os teus bens com as meretrizes, logo lhe mandaste matar um novilho gordo!
 +
31. Explicou-lhe o pai: Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu.
 +
32. Convinha, porém, fazermos festa, pois este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado.
  
<font size="5">'''9)'''</font> "'''1.''' Enquanto isso, Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Apresentou-se ao príncipe dos sacerdotes,
+
'''2.''' e pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, com o fim de levar presos a Jerusalém todos os homens e mulheres que achasse seguindo essa doutrina.
+
Capítulo 16
'''3.''' Durante a viagem, estando já perto de Damasco, subitamente o cercou uma luz resplandecente vinda do céu.
 
'''4.''' Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?
 
'''5.''' Saulo disse: Quem és, Senhor? Respondeu ele: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. [Duro te é recalcitrar contra o aguilhão.
 
'''6.''' Então, trêmulo e atônito, disse ele: Senhor, que queres que eu faça? Respondeu-lhe o Senhor:] Levanta-te, entra na cidade. Aí te será dito o que deves fazer.
 
'''7.''' Os homens que o acompanhavam enchiam-se de espanto, pois ouviam perfeitamente a voz, mas não viam ninguém.
 
'''8.''' Saulo levantou-se do chão. Abrindo, porém, os olhos, não via nada. Tomaram-no pela mão e o introduziram em Damasco,
 
'''9.''' onde esteve três dias sem ver, sem comer nem beber.
 
  
=====<font size="3">'''Batismo de Saulo por Ananias'''</font>=====
+
1. Jesus disse também a seus discípulos: Havia um homem rico que tinha um administrador. Este lhe foi denunciado de ter dissipado os seus bens.
'''10.''' Havia em Damasco um discípulo chamado Ananias. O Senhor, numa visão, lhe disse: Ananias! Eis-me aqui, Senhor, respondeu ele.
+
2. Ele chamou o administrador e lhe disse: Que é que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, pois já não poderás administrar meus bens.
'''11.''' O Senhor lhe ordenou: Levanta-te e vai à rua Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso, chamado Saulo; ele está orando.
+
3. O administrador refletiu então consigo: Que farei, visto que meu patrão me tira o emprego? Lavrar a terra? Não o posso. Mendigar? Tenho vergonha.
'''12.''' (Este via numa visão um homem, chamado Ananias, entrar e impor-lhe as mãos para recobrar a vista.)
+
4. Já sei o que fazer, para que haja quem me receba em sua casa, quando eu for despedido do emprego.
'''13.''' Ananias respondeu: Senhor, muitos já me falaram deste homem, quantos males fez aos teus fiéis em Jerusalém.
+
5. Chamou, pois, separadamente a cada um dos devedores de seu patrão e perguntou ao primeiro: Quanto deves a meu patrão?
'''14.''' E aqui ele tem poder dos príncipes dos sacerdotes para prender a todos aqueles que invocam o teu nome.
+
6. Ele respondeu: Cem medidas de azeite. Disse-lhe: Toma a tua conta, senta-te depressa e escreve: cinqüenta.
'''15.''' Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este homem é para mim um instrumento escolhido, que levará o meu nome diante das nações, dos reis e dos filhos de Israel.
+
7. Depois perguntou ao outro: Tu, quanto deves? Respondeu: Cem medidas de trigo. Disse-lhe o administrador: Toma os teus papéis e escreve: oitenta.
'''16.''' Eu lhe mostrarei tudo o que terá de padecer pelo meu nome.
+
8. E o proprietário admirou a astúcia do administrador, porque os filhos deste mundo são mais prudentes do que os filhos da luz no trato com seus semelhantes.
'''17.''' Ananias foi. Entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: Saulo, meu irmão, o Senhor, esse Jesus que te apareceu no caminho, enviou-me para que recobres a vista e fiques cheio do Espírito Santo.
+
9. Eu vos digo: fazei-vos amigos com a riqueza injusta, para que, no dia em que ela vos faltar, eles vos recebam nos tabernáculos eternos.
'''18.''' No mesmo instante caíram dos olhos de Saulo umas como escamas, e recuperou a vista. Levantou-se e foi batizado.
+
10. Aquele que é fiel nas coisas pequenas será também fiel nas coisas grandes. E quem é injusto nas coisas pequenas, sê-lo-á também nas grandes.
'''19.''' Depois tomou alimento e sentiu-se fortalecido.
+
11. Se, pois, não tiverdes sido fiéis nas riquezas injustas, quem vos confiará as verdadeiras?
 +
12. E se não fostes fiéis no alheio, quem vos dará o que é vosso?
 +
13. Nenhum servo pode servir a dois senhores: ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de aderir a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.
 +
14. Ora, ouviam tudo isto os fariseus, que eram avarentos, e zombavam dele.
 +
15. Jesus disse-lhes: Vós procurais parecer justos aos olhos dos homens, mas Deus vos conhece os corações; pois o que é elevado aos olhos dos homens é abominável aos olhos de Deus.
 +
16. A lei e os profetas duraram até João. Desde então é anunciado o Reino de Deus, e cada um faz violência para aí entrar.
 +
17. Mais facilmente, porém, passará o céu e a terra do que se perderá uma só letra da lei.
 +
18. Todo o que abandonar sua mulher e casar com outra, comete adultério; e quem se casar com a mulher rejeitada, comete adultério também.
 +
19. Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho finíssimo, e que todos os dias se banqueteava e se regalava.
 +
20. Havia também um mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que estava deitado à porta do rico.
 +
21. Ele avidamente desejava matar a fome com as migalhas que caíam da mesa do rico... Até os cães iam lamber-lhe as chagas.
 +
22. Ora, aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado.
 +
23. E estando ele nos tormentos do inferno, levantou os olhos e viu, ao longe, Abraão e Lázaro no seu seio.
 +
24. Gritou, então: - Pai Abraão, compadece-te de mim e manda Lázaro que molhe em água a ponta de seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois sou cruelmente atormentado nestas chamas.
 +
25. Abraão, porém, replicou: - Filho, lembra-te de que recebeste teus bens em vida, mas Lázaro, males; por isso ele agora aqui é consolado, mas tu estás em tormento.
 +
26. Além de tudo, há entre nós e vós um grande abismo, de maneira que, os que querem passar daqui para vós, não o podem, nem os de lá passar para cá.
 +
27. O rico disse: - Rogo-te então, pai, que mandes Lázaro à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos,
 +
28. para lhes testemunhar, que não aconteça virem também eles parar neste lugar de tormentos.
 +
29. Abraão respondeu: - Eles lá têm Moisés e os profetas; ouçam-nos!
 +
30. O rico replicou: - Não, pai Abraão; mas se for a eles algum dos mortos, arrepender-se-ão.
 +
31. Abraão respondeu-lhe: - Se não ouvirem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite algum dos mortos.
  
=====<font size="3">'''Primeiras pregações de Saulo em Damasco'''</font>=====
+
Demorou-se por alguns dias com os discípulos que se achavam em Damasco.
+
Capítulo 17
'''20.''' Imediatamente começou a proclamar pelas sinagogas que Jesus é o Filho de Deus.
 
'''21.''' Todos os seus ouvintes pasmavam e diziam: Este não é aquele que perseguia em Jerusalém os que invocam o nome de Jesus? Não veio cá só para levá-los presos aos sumos sacerdotes?
 
'''22.''' Saulo, porém, sentia crescer o seu poder e confundia os judeus de Damasco, demonstrando que Jesus é o Cristo.
 
'''23.''' Decorridos alguns dias, os judeus deliberaram, em conselho, matá-lo.
 
'''24.''' Estas intenções chegaram ao conhecimento de Saulo. Guardavam eles as portas de dia e de noite, para matá-lo.
 
'''25.''' Mas os discípulos, tomando-o de noite, fizeram-no descer pela muralha dentro de um cesto.
 
  
=====<font size="3">'''Apostolado de Saulo em Jerusalém'''</font>=====
+
1. Jesus disse também a seus discípulos: É impossível que não haja escândalos, mas ai daquele por quem eles vêm!
'''26.''' Chegando a Jerusalém, tentava ajuntar-se aos discípulos, mas todos o temiam, não querendo crer que se tivesse tornado discípulo.
+
2. Melhor lhe seria que se lhe atasse em volta do pescoço uma pedra de moinho e que fosse lançado ao mar, do que levar para o mal a um só destes pequeninos. Tomai cuidado de vós mesmos.
'''27.''' Então Barnabé, levando-o consigo, apresentou-o aos apóstolos e contou-lhes como Saulo vira o Senhor no caminho, e que lhe havia falado, e como em Damasco pregara, com desassombro, o nome de Jesus.
+
3. Se teu irmão pecar, repreende-o; se se arrepender, perdoa-lhe.
'''28.''' Daí por diante permaneceu com eles, saindo e entrando em Jerusalém, e pregando, destemidamente, o nome do Senhor.
+
4. Se pecar sete vezes no dia contra ti e sete vezes no dia vier procurar-te, dizendo: Estou arrependido, perdoar-lhe-ás.
'''29.''' Falava também e discutia com os helenistas. Mas estes procuravam matá-lo.
+
5. Os apóstolos disseram ao Senhor: Aumenta-nos a fé!
'''30.''' Os irmãos, informados disso, acompanharam-no até Cesaréia e dali o fizeram partir para Tarso.
+
6. Disse o Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar, e ela vos obedecerá.
 +
7. Qual de vós, tendo um servo ocupado em lavrar ou em guardar o gado, quando voltar do campo lhe dirá: Vem depressa sentar-te à mesa?
 +
8. E não lhe dirá ao contrário: Prepara-me a ceia, cinge-te e serve-me, enquanto como e bebo, e depois disto comerás e beberás tu?
 +
9. E se o servo tiver feito tudo o que lhe ordenara, porventura fica-lhe o senhor devendo alguma obrigação?
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10. Assim também vós, depois de terdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: Somos servos como quaisquer outros; fizemos o que devíamos fazer.
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11. Sempre em caminho para Jerusalém, Jesus passava pelos confins da Samaria e da Galiléia.
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12. Ao entrar numa aldeia, vieram-lhe ao encontro dez leprosos, que pararam ao longe e elevaram a voz, clamando:
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13. Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!
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14. Jesus viu-os e disse-lhes: Ide, mostrai-vos ao sacerdote. E quando eles iam andando, ficaram curados.
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15. Um deles, vendo-se curado, voltou, glorificando a Deus em alta voz.
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16. Prostrou-se aos pés de Jesus e lhe agradecia. E era um samaritano.
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17. Jesus lhe disse: Não ficaram curados todos os dez? Onde estão os outros nove?
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18. Não se achou senão este estrangeiro que voltasse para agradecer a Deus?!
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19. E acrescentou: Levanta-te e vai, tua fé te salvou.
 +
20. Os fariseus perguntaram um dia a Jesus quando viria o Reino de Deus. Respondeu-lhes: O Reino de Deus não virá de um modo ostensivo.
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21. Nem se dirá: Ei-lo aqui; ou: Ei-lo ali. Pois o Reino de Deus já está no meio de vós.
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22. Mais tarde ele explicou aos discípulos: Virão dias em que desejareis ver um só dia o Filho do Homem, e não o vereis.
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23. Então vos dirão: Ei-lo aqui; e: Ei-lo ali. Não deveis sair nem os seguir.
 +
24. Pois como o relâmpago, reluzindo numa extremidade do céu, brilha até a outra, assim será com o Filho do Homem no seu dia.
 +
25. É necessário, porém, que primeiro ele sofra muito e seja rejeitado por esta geração.
 +
26. Como ocorreu nos dias de Noé, acontecerá do mesmo modo nos dias do Filho do Homem.
 +
27. Comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. Veio o dilúvio e matou a todos.
 +
28. Também do mesmo modo como aconteceu nos dias de Lot. Os homens festejavam, compravam e vendiam, plantavam e edificavam.
 +
29. No dia em que Lot saiu de Sodoma, choveu fogo e enxofre do céu, que exterminou todos eles.
 +
30. Assim será no dia em que se manifestar o Filho do Homem.
 +
31. Naquele dia, quem estiver no terraço e tiver os seus bens em casa não desça para os tirar; da mesma forma, quem estiver no campo não torne atrás.
 +
32. Lembrai-vos da mulher de Lot.
 +
33. Todo o que procurar salvar a sua vida, perdê-la-á; mas todo o que a perder, encontrá-la-á.
 +
34. Digo-vos que naquela noite dois estarão numa cama: um será tomado e o outro será deixado;
 +
35. duas mulheres estarão moendo juntas: uma será tomada e a outra será deixada.
 +
36. Dois homens estarão no campo: um será tomado e o outro será deixado.
 +
37. Perguntaram-lhe os discípulos: Onde será isto, Senhor? Respondeu-lhes: Onde estiver o cadáver, ali se reunirão também as águias.
  
=====<font size="3">'''Período de tranquilidade'''</font>=====
+
'''31.''' A Igreja gozava então de paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria. Estabelecia-se ela caminhando no temor do Senhor, e a assistência do Espírito Santo a fazia crescer em número.
+
Capítulo 18
  
=====<font size="3">'''Milagre de Pedro em Lida'''</font>=====
+
1. Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo.
'''32.''' Pedro, que caminhava por toda parte, de cidade em cidade, desceu também aos fiéis que habitavam em Lida.
+
2. Havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava pessoa alguma.
'''33.''' Ali achou um homem chamado Enéias, que havia oito anos jazia paralítico num leito.
+
3. Na mesma cidade vivia também uma viúva que vinha com freqüência à sua presença para dizer-lhe: Faze-me justiça contra o meu adversário.
'''34.''' Disse-lhe Pedro: Enéias, Jesus Cristo te cura: levanta-te e faze tua cama. E levantou-se imediatamente.
+
4. Ele, porém, por muito tempo não o quis. Por fim, refletiu consigo: Eu não temo a Deus nem respeito os homens;
'''35.''' Viram-no todos os que habitavam em Lida e em Sarona, e converteram-se ao Senhor.
+
5. todavia, porque esta viúva me importuna, far-lhe-ei justiça, senão ela não cessará de me molestar.
 +
6. Prosseguiu o Senhor: Ouvis o que diz este juiz injusto?
 +
7. Por acaso não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que estão clamando por ele dia e noite? Porventura tardará em socorrê-los?
 +
8. Digo-vos que em breve lhes fará justiça. Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?
 +
9. Jesus lhes disse ainda esta parábola a respeito de alguns que se vangloriavam como se fossem justos, e desprezavam os outros:
 +
10. Subiram dois homens ao templo para orar. Um era fariseu; o outro, publicano.
 +
11. O fariseu, em pé, orava no seu interior desta forma: Graças te dou, ó Deus, que não sou como os demais homens: ladrões, injustos e adúlteros; nem como o publicano que está ali.
 +
12. Jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de todos os meus lucros.
 +
13. O publicano, porém, mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador!
 +
14. Digo-vos: este voltou para casa justificado, e não o outro. Pois todo o que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado.
 +
15. Trouxeram-lhe também criancinhas, para que ele as tocasse. Vendo isto, os discípulos as repreendiam.
 +
16. Jesus, porém, chamou-as e disse: Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas.
 +
17. Em verdade vos declaro: quem não receber o Reino de Deus como uma criancinha, nele não entrará.
 +
18. Um homem de posição perguntou então a Jesus: Bom Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna?
 +
19. Jesus respondeu-lhe: Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão só Deus.
 +
20. Conheces os mandamentos: não cometerás adultério; não matarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; honrarás pai e mãe.
 +
21. Disse ele: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade.
 +
22. A estas palavras, Jesus lhe falou: Ainda te falta uma coisa: vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me.
 +
23. Ouvindo isto, ele se entristeceu, pois era muito rico.
 +
24. Vendo-o entristecer-se, disse Jesus: Como é difícil aos ricos entrar no Reino de Deus!
 +
25. É mais fácil passar o camelo pelo fundo duma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus.
 +
26. Perguntaram os ouvintes: Quem então poderá salvar-se?
 +
27. Respondeu Jesus: O que é impossível aos homens é possível a Deus.
 +
28. Pedro então disse: Vê, nós abandonamos tudo e te seguimos.
 +
29. Jesus respondeu: Em verdade vos declaro: ninguém há que tenha abandonado, por amor do Reino de Deus, sua casa, sua mulher, seus irmãos, seus pais ou seus filhos,
 +
30. que não receba muito mais neste mundo e no mundo vindouro a vida eterna.
 +
31. Em seguida, Jesus tomou à parte os Doze e disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalém. Tudo o que foi escrito pelos profetas a respeito do Filho do Homem será cumprido.
 +
32. Ele será entregue aos pagãos. Hão de escarnecer dele, ultrajá-lo, desprezá-lo;
 +
33. bater-lhe-ão com varas e o farão morrer; e ao terceiro dia ressurgirá.
 +
34. Mas eles nada disto compreendiam, e estas palavras eram-lhes um enigma cujo sentido não podiam entender.
 +
35. Ao aproximar-se Jesus de Jericó, estava um cego sentado à beira do caminho, pedindo esmolas.
 +
36. Ouvindo o ruído da multidão que passava, perguntou o que havia.
 +
37. Responderam-lhe: É Jesus de Nazaré, que passa.
 +
38. Ele então exclamou: Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!
 +
39. Os que vinham na frente repreendiam-no rudemente para que se calasse. Mas ele gritava ainda mais forte: Filho de Davi, tem piedade de mim!
 +
40. Jesus parou e mandou que lho trouxessem. Chegando ele perto, perguntou-lhe:
 +
41. Que queres que te faça? Respondeu ele: Senhor, que eu veja.
 +
42. Jesus lhe disse: Vê! Tua fé te salvou.
 +
43. E imediatamente ficou vendo e seguia a Jesus, glorificando a Deus. Presenciando isto, todo o povo deu glória a Deus.
  
=====<font size="3">'''Ressurreição de uma mulher em Jope'''</font>=====
+
'''36.''' Em Jope havia uma discípula chamada Tabita - em grego, Dorcas. Esta era rica em boas obras e esmolas que dava.
+
Capítulo 19
'''37.''' Aconteceu que adoecera naqueles dias e veio a falecer. Depois de a terem lavado, levaram-na para o quarto de cima.
 
'''38.''' Ora, como Lida fica perto de Jope, os discípulos, ouvindo dizer que Pedro aí se encontrava, enviaram-lhe dois homens, rogando-lhe: Não te demores em vir ter conosco.
 
'''39.''' Pedro levantou-se imediatamente e foi com eles. Logo que chegou, conduziram-no ao quarto de cima. Cercavam-no todas as viúvas, chorando e mostrando-lhe as túnicas e os vestidos que Dorcas lhes fazia quando viva.
 
'''40.''' Pedro então, tendo feito todos sair, pôs-se de joelhos e orou. Voltando-se para o corpo, disse: Tabita, levanta-te! Ela abriu os olhos e, vendo Pedro, sentou-se.
 
'''41.''' Ele a fez levantar-se, estendendo-lhe a mão. Chamando os irmãos e as viúvas, entregou-lha viva.
 
'''42.''' Este fato espalhou-se por toda Jope e muitos creram no Senhor.
 
'''43.''' Pedro permaneceu ainda muitos dias em Jope, em casa dum curtidor, chamado Simão".
 
  
=====<font size="3">'''O centurião Cornélio, primeiro estrangeiro convertido'''</font>=====
+
1. Jesus entrou em Jericó e ia atravessando a cidade.
 +
2. Havia aí um homem muito rico chamado Zaqueu, chefe dos recebedores de impostos.
 +
3. Ele procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, porque era de baixa estatura.
 +
4. Ele correu adiande, subiu a um sicômoro para o ver, quando ele passasse por ali.
 +
5. Chegando Jesus àquele lugar e levantando os olhos, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque é preciso que eu fique hoje em tua casa.
 +
6. Ele desceu a toda a pressa e recebeu-o alegremente.
 +
7. Vendo isto, todos murmuravam e diziam: Ele vai hospedar-se em casa de um pecador...
 +
8. Zaqueu, entretanto, de pé diante do Senhor, disse-lhe: Senhor, vou dar a metade dos meus bens aos pobres e, se tiver defraudado alguém, restituirei o quádruplo.
 +
9. Disse-lhe Jesus: Hoje entrou a salvação nesta casa, porquanto também este é filho de Abraão.
 +
10. Pois o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.
 +
11. Ouviam-no falar. E como estava perto de Jerusalém, alguns se persuadiam de que o Reino de Deus se havia de manifestar brevemente; ele acrescentou esta parábola:
 +
12. Um homem ilustre foi para um país distante, a fim de ser investido da realeza e depois regressar.
 +
13. Chamou dez dos seus servos e deu-lhes dez minas, dizendo-lhes: Negociai até eu voltar.
 +
14. Mas os homens daquela região odiavam-no e enviaram atrás dele embaixadores, para protestarem: Não queremos que ele reine sobre nós.
 +
15. Quando, investido da dignidade real, voltou, mandou chamar os servos a quem confiara o dinheiro, a fim de saber quanto cada um tinha lucrado.
 +
16. Veio o primeiro: Senhor, a tua mina rendeu dez outras minas.
 +
17. Ele lhe disse: Muito bem, servo bom; porque foste fiel nas coisas pequenas, receberás o governo de dez cidades.
 +
18. Veio o segundo: Senhor, a tua mina rendeu cinco outras minas.
 +
19. Disse a este: Sê também tu governador de cinco cidades.
 +
20. Veio também o outro: Senhor, aqui tens a tua mina, que guardei embrulhada num lenço;
 +
21. pois tive medo de ti, por seres homem rigoroso, que tiras o que não puseste e ceifas o que não semeaste.
 +
22. Replicou-lhe ele: Servo mau, pelas tuas palavras te julgo. Sabias que sou rigoroso, que tiro o que não depositei e ceifo o que não semeei...
 +
23. Por que, pois, não puseste o meu dinheiro num banco? Na minha volta, eu o teria retirado com juros.
 +
24. E disse aos que estavam presentes: Tirai-lhe a mina, e dai-a ao que tem dez minas.
 +
25. Replicaram-lhe: Senhor, este já tem dez minas!...
 +
26. Eu vos declaro: a todo aquele que tiver, dar-se-lhe-á; mas, ao que não tiver, ser-lhe-á tirado até o que tem.
 +
27. Quanto aos que me odeiam, e que não me quiseram por rei, trazei-os e massacrai-os na minha presença.
 +
28. Depois destas palavras, Jesus os foi precedendo no caminho que sobe a Jerusalém.
 +
29. Chegando perto de Betfagé e de Betânia, junto do monte chamado das Oliveiras, Jesus enviou dois dos seus discípulos e disse-lhes:
 +
30. Ide a essa aldeia que está defronte de vós. Entrando nela, achareis um jumentinho atado, em que nunca montou pessoa alguma; desprendei-o e trazei-mo.
 +
31. Se alguém vos perguntar por que o soltais, responder-lhe-eis assim: O Senhor precisa dele.
 +
32. Partiram os dois discípulos e acharam tudo como Jesus tinha dito.
 +
33. Quando desprendiam o jumentinho, perguntaram-lhes seus donos: Por que fazeis isto?
 +
34. Eles responderam: O Senhor precisa dele.
 +
35. E trouxeram a Jesus o jumentinho, sobre o qual deitaram seus mantos e fizeram Jesus montar.
 +
36. À sua passagem, muitas pessoas estendiam seus mantos no caminho.
 +
37. Quando já se ia aproximando da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, tomada de alegria, começou a louvar a Deus em altas vozes, por todas as maravilhas que tinha visto.
 +
38. E dizia: Bendito o rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória no mais alto dos céus!
 +
39. Neste momento, alguns fariseus interpelaram a Jesus no meio da multidão: Mestre, repreende os teus discípulos.
 +
40. Ele respondeu: Digo-vos: se estes se calarem, clamarão as pedras!
 +
41. Aproximando-se ainda mais, Jesus contemplou Jerusalém e chorou sobre ela, dizendo:
 +
42. Oh! Se também tu, ao menos neste dia que te é dado, conhecesses o que te pode trazer a paz!... Mas não, isso está oculto aos teus olhos.
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43. Virão sobre ti dias em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, te sitiarão e te apertarão de todos os lados;
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44. destruir-te-ão a ti e a teus filhos que estiverem dentro de ti, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo em que foste visitada.
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45. Em seguida, entrou no templo e começou a expulsar os mercadores.
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46. Disse ele: Está escrito: A minha casa é casa de oração! Mas vós a fizestes um covil de ladrões (Is 56,7; Jr 7,11).
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47. Todos os dias ensinava no templo. Os príncipes dos sacerdotes, porém, os escribas e os chefes do povo procuravam tirar-lhe a vida.
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48. Mas não sabiam como realizá-lo, porque todo o povo ficava suspenso de admiração, quando o ouvia falar.
  
<font size="5">'''10)'''</font>
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Capítulo 20
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1. Num daqueles dias, Jesus ensinava no templo e anunciava ao povo a boa nova. Chegaram os príncipes dos sacerdotes e os escribas com os anciãos,
 +
2. e falaram-lhe: Dize-nos: com que direito fazes essas coisas, ou quem é que te deu essa autoridade?
 +
3. Jesus respondeu: Também eu vos farei uma pergunta.
 +
4. Respondei-me: o batismo de João era do céu ou dos homens?
 +
5. Eles começaram a raciocinar entre si, dizendo: Se dissermos: Do céu, ele dirá: Por que razão, pois, não crestes nele?
 +
6. Se, porém, dissermos: Dos homens, todo o povo nos apedrejará, porque está convencido de que João era profeta.
 +
7. Responderam por fim que não sabiam de onde era.
 +
8. Replicou-lhes também Jesus: Nem eu vos direi com que direito faço estas coisas.
 +
9. Então Jesus propôs-lhes esta parábola: Um homem plantou uma vinha, arrendou-a a vinhateiros e ausentou-se por muito tempo para uma terra estranha.
 +
10. No tempo da colheita, enviou um servo aos vinhateiros para que lhe dessem do produto da vinha. Estes o feriram e o reenviaram de mãos vazias.
 +
11. Tornou a enviar outro servo; eles feriram também a este, ultrajaram-no e despediram-no sem coisa alguma.
 +
12. Tornou a enviar um terceiro; feriram também este e expulsaram-no.
 +
13. Disse então o senhor da vinha: Que farei? Mandarei meu filho amado; talvez o respeitem.
 +
14. Vendo-o, porém, os vinhateiros discorriam entre si e diziam: Este é o herdeiro; matemo-lo, para que se torne nossa a herança.
 +
15. E lançaram-no fora da vinha e mataram-no. Que lhes fará, pois, o dono da vinha?
 +
16. Virá e exterminará estes vinhateiros e dará a vinha a outros. A estas palavras, disseram: Que Deus não o permita!
 +
17. Mas Jesus, fixando o olhar neles, disse-lhes: Que quer dizer então o que está escrito: A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se a pedra angular (Sl 117,22)?
 +
18. Todo o que cair sobre esta pedra ficará despedaçado; e sobre quem ela cair, este será esmagado!
 +
19. Naquela mesma hora os príncipes dos sacerdotes e os escribas procuraram prendê-lo, mas temeram o povo. Tinham compreendido que se referia a eles ao propor essa parábola.
 +
20. Puseram-se então a observá-lo e mandaram espiões que se disfarçassem em homens de bem, para armar-lhe ciladas e surpreendê-lo no que dizia, a fim de o entregarem à autoridade e ao poder do governador.
 +
21. Perguntaram-lhe eles: Mestre, sabemos que falas e ensinas com retidão e que, sem fazer acepção de pessoa alguma, ensinas o caminho de Deus segundo a verdade.
 +
22. É-nos permitido pagar o imposto ao imperador ou não?
 +
23. Jesus percebeu a astúcia e respondeu-lhes:
 +
24. Mostrai-me um denário. De quem leva a imagem e a inscrição? Responderam: De César.
 +
25. Então lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
 +
26. Assim não puderam surpreendê-lo em nenhuma de suas palavras diante do povo. Pelo contrário, admirados da sua resposta, tiveram que calar-se.
 +
27. Alguns saduceus - que negam a ressurreição - aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe:
 +
28. Mestre, Moisés prescreveu-nos: Se alguém morrer e deixar mulher, mas não deixar filhos, case-se com ela o irmão dele, e dê descendência a seu irmão.
 +
29. Ora, havia sete irmãos, o primeiro dos quais tomou uma mulher, mas morreu sem filhos.
 +
30. Casou-se com ela o segundo, mas também ele morreu sem filhos.
 +
31. Casou-se depois com ela o terceiro. E assim sucessivamente todos os sete, que morreram sem deixar filhos.
 +
32. Por fim, morreu também a mulher.
 +
33. Na ressurreição, de qual deles será a mulher? Porque os sete a tiveram por mulher.
 +
34. Jesus respondeu: Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento,
 +
35. mas os que serão julgados dignos do século futuro e da ressurreição dos mortos não terão mulher nem marido.
 +
36. Eles jamais poderão morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, porque são ressuscitados.
 +
37. Por outra parte, que os mortos hão de ressuscitar é o que Moisés revelou na passagem da sarça ardente (Ex 3,6), chamando ao Senhor: Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó .
 +
38. Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos; porque todos vivem para ele.
 +
39. Alguns dos escribas disseram, então: Mestre, falaste bem.
 +
40. E já não se atreviam a fazer-lhe pergunta alguma.
 +
41. Jesus perguntou-lhes: Como se pode dizer que Cristo é filho de Davi?
 +
42. Pois o próprio Davi, no livro dos Salmos, diz: Disse o Senhor a meu Senhor: Senta-te à minha direita,
 +
43. até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés (Sl 109,1).
 +
44. Portanto, Davi o chama de Senhor! Como, pois, é ele seu filho?
 +
45. Enquanto todo o povo o ouvia, disse a seus discípulos:
 +
46. Guardai-vos dos escribas, que querem andar de roupas compridas e gostam das saudações nas praças públicas, das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos primeiros lugares dos banquetes;
 +
47. que devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Eles receberão castigo mais rigoroso.
 +
 
 +
 +
Capítulo 21
 +
 
 +
1. Levantando os olhos, viu Jesus os ricos que deitavam as suas ofertas no cofre do templo.
 +
2. Viu também uma viúva pobrezinha deitar duas pequeninas moedas,
 +
3. e disse: Em verdade vos digo: esta pobre viúva pôs mais do que os outros.
 +
4. Pois todos aqueles lançaram nas ofertas de Deus o que lhes sobra; esta, porém, deu, da sua indigência, tudo o que lhe restava para o sustento.
 +
5. Como lhe chamassem a atenção para a construção do templo feito de belas pedras e recamado de ricos donativos, Jesus disse:
 +
6. Dias virão em que destas coisas que vedes não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído.
 +
7. Então o interrogaram: Mestre, quando acontecerá isso? E que sinal haverá para saber-se que isso se vai cumprir?
 +
8. Jesus respondeu: Vede que não sejais enganados. Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu; e ainda: O tempo está próximo. Não sigais após eles.
 +
9. Quando ouvirdes falar de guerras e de tumultos, não vos assusteis; porque é necessário que isso aconteça primeiro, mas não virá logo o fim.
 +
10. Disse-lhes também: Levantar-se-ão nação contra nação e reino contra reino.
 +
11. Haverá grandes terremotos por várias partes, fomes e pestes, e aparecerão fenômenos espantosos no céu.
 +
12. Mas, antes de tudo isso, vos lançarão as mãos e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, levando-vos à presença dos reis e dos governadores, por causa de mim.
 +
13. Isto vos acontecerá para que vos sirva de testemunho.
 +
14. Gravai bem no vosso espírito de não preparar vossa defesa,
 +
15. porque eu vos darei uma palavra cheia de sabedoria, à qual não poderão resistir nem contradizer os vossos adversários.
 +
16. Sereis entregues até por vossos pais, vossos irmãos, vossos parentes e vossos amigos, e matarão muitos de vós.
 +
17. Sereis odiados por todos por causa do meu nome.
 +
18. Entretanto, não se perderá um só cabelo da vossa cabeça.
 +
19. É pela vossa constância que alcançareis a vossa salvação.
 +
20. Quando virdes que Jerusalém foi sitiada por exércitos, então sabereis que está próxima a sua ruína.
 +
21. Os que então se acharem na Judéia fujam para os montes; os que estiverem dentro da cidade retirem-se; os que estiverem nos campos não entrem na cidade.
 +
22. Porque estes serão dias de castigo, para que se cumpra tudo o que está escrito.
 +
23. Ai das mulheres que, naqueles dias, estiverem grávidas ou amamentando, pois haverá grande angústia na terra e grande ira contra o povo.
 +
24. Cairão ao fio de espada e serão levados cativos para todas as nações, e Jerusalém será pisada pelos pagãos, até se completarem os tempos das nações pagãs.
 +
25. Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas.
 +
26. Os homens definharão de medo, na expectativa dos males que devem sobrevir a toda a terra. As próprias forças dos céus serão abaladas.
 +
27. Então verão o Filho do Homem vir sobre uma nuvem com grande glória e majestade.
 +
28. Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai as vossas cabeças; porque se aproxima a vossa libertação.
 +
29. Acrescentou ainda esta comparação: Olhai para a figueira e para as demais árvores.
 +
30. Quando elas lançam os brotos, vós julgais que está perto o verão.
 +
31. Assim também, quando virdes que vão sucedendo estas coisas, sabereis que está perto o Reino de Deus.
 +
32. Em verdade vos declaro: não passará esta geração sem que tudo isto se cumpra.
 +
33. Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão.
 +
34. Velai sobre vós mesmos, para que os vossos corações não se tornem pesados com o excesso do comer, com a embriaguez e com as preocupações da vida; para que aquele dia não vos apanhe de improviso.
 +
35. Como um laço cairá sobre aqueles que habitam a face de toda a terra.
 +
36. Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do Homem.
 +
37. Durante o dia Jesus ensinava no templo e, à tarde, saía para passar a noite no monte chamado das Oliveiras.
 +
38. E todo o povo ia de manhã cedo ter com ele, no templo, para ouvi-lo.
 +
 
 +
 +
Capítulo 22
 +
 
 +
1. Aproximava-se a festa dos pães sem fermento, chamada Páscoa.
 +
2. Os príncipes dos sacerdotes e os escribas buscavam um meio de matar Jesus, mas temiam o povo.
 +
3. Entretanto, Satanás entrou em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, um dos Doze.
 +
4. Judas foi procurar os príncipes dos sacerdotes e os oficiais para se entender com eles sobre o modo de lho entregar.
 +
5. Eles se alegraram com isso, e concordaram em lhe dar dinheiro.
 +
6. Também ele se obrigou. E buscava ocasião oportuna para o trair, sem que a multidão o soubesse.
 +
7. Raiou o dia dos pães sem fermento, em que se devia imolar a Páscoa.
 +
8. Jesus enviou Pedro e João, dizendo: Ide e preparai-nos a ceia da Páscoa.
 +
9. Perguntaram-lhe eles: Onde queres que a preparemos?
 +
10. Ele respondeu: Ao entrardes na cidade, encontrareis um homem carregando uma bilha de água; segui-o até a casa em que ele entrar,
 +
11. e direis ao dono da casa: O Mestre pergunta-te: Onde está a sala em que comerei a Páscoa com os meus discípulos?
 +
12. Ele vos mostrará no andar superior uma grande sala mobiliada, e ali fazei os preparativos.
 +
13. Foram, pois, e acharam tudo como Jesus lhes dissera; e prepararam a Páscoa.
 +
14. Chegada que foi a hora, Jesus pôs-se à mesa, e com ele os apóstolos.
 +
15. Disse-lhes: Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer.
 +
16. Pois vos digo: não tornarei a comê-la, até que ela se cumpra no Reino de Deus.
 +
17. Pegando o cálice, deu graças e disse: Tomai este cálice e distribuí-o entre vós.
 +
18. Pois vos digo: já não tornarei a beber do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus.
 +
19. Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.
 +
20. Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós...
 +
21. Entretanto, eis que a mão de quem me trai está à mesa comigo.
 +
22. O Filho do Homem vai, segundo o que está determinado, mas ai daquele homem por quem ele é traído!
 +
23. Perguntavam então os discípulos entre si quem deles seria o que tal haveria de fazer.
 +
24. Surgiu também entre eles uma discussão: qual deles seria o maior.
 +
25. E Jesus disse-lhes: Os reis dos pagãos dominam como senhores, e os que exercem sobre eles autoridade chamam-se benfeitores.
 +
26. Que não seja assim entre vós; mas o que entre vós é o maior, torne-se como o último; e o que governa seja como o servo.
 +
27. Pois qual é o maior: o que está sentado à mesa ou o que serve? Não é aquele que está sentado à mesa? Todavia, eu estou no meio de vós, como aquele que serve.
 +
28. E vós tendes permanecido comigo nas minhas provações;
 +
29. eu, pois, disponho do Reino a vosso favor, assim como meu Pai o dispôs a meu favor,
 +
30. para que comais e bebais à minha mesa no meu Reino e vos senteis em tronos, para julgar as doze tribos de Israel.
 +
31. Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo;
 +
32. mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos.
 +
33. Pedro disse-lhe: Senhor, estou pronto a ir contigo tanto para a prisão como para a morte.
 +
34. Jesus respondeu-lhe: Digo-te, Pedro, não cantará hoje o galo, até que três vezes hajas negado que me conheces.
 +
35. Depois ajuntou: Quando vos mandei sem bolsa, sem mochila e sem calçado, faltou-vos porventura alguma coisa? Eles responderam: Nada.
 +
36. Mas agora, disse-lhes ele, aquele que tem uma bolsa, tome-a; aquele que tem uma mochila, tome-a igualmente; e aquele que não tiver uma espada, venda sua capa para comprar uma.
 +
37. Pois vos digo: é necessário que se cumpra em mim ainda este oráculo: E foi contado entre os malfeitores (Is 53,12). Com efeito, aquilo que me diz respeito está próximo de se cumprir.
 +
38. Eles replicaram: Senhor, eis aqui duas espadas. Basta, respondeu ele.
 +
39. Conforme o seu costume, Jesus saiu dali e dirigiu-se para o monte das Oliveiras, seguido dos seus discípulos.
 +
40. Ao chegar àquele lugar, disse-lhes: Orai para que não caiais em tentação.
 +
41. Depois se afastou deles à distância de um tiro de pedra e, ajoelhando-se, orava:
 +
42. Pai, se é de teu agrado, afasta de mim este cálice! Não se faça, todavia, a minha vontade, mas sim a tua.
 +
43. Apareceu-lhe então um anjo do céu para confortá-lo.
 +
44. Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra.
 +
45. Depois de ter rezado, levantou-se, foi ter com os discípulos e achou-os adormecidos de tristeza.
 +
46. Disse-lhes: Por que dormis? Levantai-vos, orai, para não cairdes em tentação.
 +
47. Ele ainda falava, quando apareceu uma multidão de gente; e à testa deles vinha um dos Doze, que se chamava Judas. Achegou-se de Jesus para o beijar.
 +
48. Jesus perguntou-lhe: Judas, com um beijo trais o Filho do Homem!
 +
49. Os que estavam ao redor dele, vendo o que ia acontecer, perguntaram: Senhor, devemos atacá-los à espada?
 +
50. E um deles feriu o servo do príncipe dos sacerdotes, decepando-lhe a orelha direita.
 +
51. Mas Jesus interveio: Deixai, basta. E, tocando na orelha daquele homem, curou-o.
 +
52. Voltando-se para os príncipes dos sacerdotes, para os oficiais do templo e para os anciãos que tinham vindo contra ele, disse-lhes: Saístes armados de espadas e cacetes, como se viésseis contra um ladrão.
 +
53. Entretanto, eu estava todos os dias convosco no templo, e não estendestes as mãos contra mim; mas esta é a vossa hora e do poder das trevas.
 +
54. Prenderam-no então e conduziram-no à casa do príncipe dos sacerdotes. Pedro seguia-o de longe.
 +
55. Acenderam um fogo no meio do pátio, e sentaram-se em redor. Pedro veio sentar-se com eles.
 +
56. Uma criada percebeu-o sentado junto ao fogo, encarou-o de perto e disse: Também este homem estava com ele.
 +
57. Mas ele negou-o: Mulher, não o conheço.
 +
58. Pouco depois, viu-o outro e disse-lhe: Também tu és um deles. Pedro respondeu: Não, eu não o sou.
 +
59. Passada quase uma hora, afirmava um outro: Certamente também este homem estava com ele, pois também é galileu.
 +
60. Mas Pedro disse: Meu amigo, não sei o que queres dizer. E no mesmo instante, quando ainda falava, cantou o galo.
 +
61. Voltando-se o Senhor, olhou para Pedro. Então Pedro se lembrou da palavra do Senhor: Hoje, antes que o galo cante, negar-me-ás três vezes.
 +
62. Saiu dali e chorou amargamente.
 +
63. Entretanto, os homens que guardavam Jesus escarneciam dele e davam-lhe bofetadas.
 +
64. Cobriam-lhe o rosto e diziam: Adivinha quem te bateu!
 +
65. E injuriavam-no ainda de outros modos.
 +
66. Ao amanhecer, reuniram-se os anciãos do povo, os príncipes dos sacerdotes e os escribas, e mandaram trazer Jesus ao seu conselho.
 +
67. Perguntaram-lhe: Dize-nos se és o Cristo! Respondeu-lhes ele: Se eu vo-lo disser, não me acreditareis;
 +
68. e se vos fizer qualquer pergunta, não me respondereis.
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69. Mas, doravante, o Filho do Homem estará sentado à direita do poder de Deus.
 +
70. Então perguntaram todos: Logo, tu és o Filho de Deus? Respondeu: Sim, eu sou.
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71. Eles então exclamaram: Temos nós ainda necessidade de testemunho? Nós mesmos o ouvimos da sua boca.
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Capítulo 23
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1. Levantou-se a sessão e conduziram Jesus diante de Pilatos,
 +
2. e puseram-se a acusá-lo: Temos encontrado este homem excitando o povo à revolta, proibindo pagar imposto ao imperador e dizendo-se Messias e rei.
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3. Pilatos perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus? Jesus respondeu: Sim.
 +
4. Declarou Pilatos aos príncipes dos sacerdotes e ao povo: Eu não acho neste homem culpa alguma.
 +
5. Mas eles insistiam fortemente: Ele revoluciona o povo ensinando por toda a Judéia, a começar da Galiléia até aqui.
 +
6. A estas palavras, Pilatos perguntou se ele era galileu.
 +
7. E, quando soube que era da jurisdição de Herodes, enviou-o a Herodes, pois justamente naqueles dias se achava em Jerusalém.
 +
8. Herodes alegrou-se muito em ver Jesus, pois de longo tempo desejava vê-lo, por ter ouvido falar dele muitas coisas, e esperava presenciar algum milagre operado por ele.
 +
9. Dirigiu-lhe muitas perguntas, mas Jesus nada respondeu.
 +
10. Ali estavam os príncipes dos sacerdotes e os escribas, acusando-o com violência.
 +
11. Herodes, com a sua guarda, tratou-o com desprezo, escarneceu dele, mandou revesti-lo de uma túnica branca e reenviou-o a Pilatos.
 +
12. Naquele mesmo dia, Pilatos e Herodes fizeram as pazes, pois antes eram inimigos um do outro.
 +
13. Pilatos convocou então os príncipes dos sacerdotes, os magistrados e o povo, e disse-lhes:
 +
14. Apresentastes-me este homem como agitador do povo, mas, interrogando-o eu diante de vós, não o achei culpado de nenhum dos crimes de que o acusais.
 +
15. Nem tampouco Herodes, pois no-lo devolveu. Portanto, ele nada fez que mereça a morte.
 +
16. Por isso, soltá-lo-ei depois de o castigar.
 +
17. [Acontecia que em cada festa ele era obrigado a soltar-lhes um preso.]
 +
18. Todo o povo gritou a uma voz: À morte com este, e solta-nos Barrabás.
 +
19. (Este homem fora lançado ao cárcere devido a uma revolta levantada na cidade, por causa de um homicídio.)
 +
20. Pilatos, porém, querendo soltar Jesus, falou-lhes de novo,
 +
21. mas eles vociferavam: Crucifica-o! Crucifica-o!
 +
22. Pela terceira vez, Pilatos ainda interveio: Mas que mal fez ele, então? Não achei nele nada que mereça a morte; irei, portanto, castigá-lo e, depois, o soltarei.
 +
23. Mas eles instavam, reclamando em altas vozes que fosse crucificado, e os seus clamores recrudesciam.
 +
24. Pilatos pronunciou então a sentença que lhes satisfazia o desejo.
 +
25. Soltou-lhes aquele que eles reclamavam e que havia sido lançado ao cárcere por causa do homicídio e da revolta, e entregou Jesus à vontade deles.
 +
26. Enquanto o conduziam, detiveram um certo Simão de Cirene, que voltava do campo, e impuseram-lhe a cruz para que a carregasse atrás de Jesus.
 +
27. Seguia-o uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e o lamentavam.
 +
28. Voltando-se para elas, Jesus disse: Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos.
 +
29. Porque virão dias em que se dirá: Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram!
 +
30. Então dirão aos montes: Caí sobre nós! E aos outeiros: Cobri-nos!
 +
31. Porque, se eles fazem isto ao lenho verde, que acontecerá ao seco?
 +
32. Eram conduzidos ao mesmo tempo dois malfeitores para serem mortos com Jesus.
 +
33. Chegados que foram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, como também os ladrões, um à direita e outro à esquerda.
 +
34. E Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem. Eles dividiram as suas vestes e as sortearam.
 +
35. A multidão conservava-se lá e observava. Os príncipes dos sacerdotes escarneciam de Jesus, dizendo: Salvou a outros, que se salve a si próprio, se é o Cristo, o escolhido de Deus!
 +
36. Do mesmo modo zombavam dele os soldados. Aproximavam-se dele, ofereciam-lhe vinagre e diziam:
 +
37. Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo.
 +
38. Por cima de sua cabeça pendia esta inscrição: Este é o rei dos judeus.
 +
39. Um dos malfeitores, ali crucificados, blasfemava contra ele: Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós!
 +
40. Mas o outro o repreendeu: Nem sequer temes a Deus, tu que sofres no mesmo suplício?
 +
41. Para nós isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum.
 +
42. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino!
 +
43. Jesus respondeu-lhe: Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso.
 +
44. Era quase à hora sexta e em toda a terra houve trevas até a hora nona.
 +
45. Escureceu-se o sol e o véu do templo rasgou-se pelo meio.
 +
46. Jesus deu então um grande brado e disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, dizendo isso, expirou.
 +
47. Vendo o centurião o que acontecia, deu glória a Deus e disse: Na verdade, este homem era um justo.
 +
48. E toda a multidão dos que assistiam a este espetáculo e viam o que se passava, voltou batendo no peito.
 +
49. Os amigos de Jesus, como também as mulheres que o tinham seguido desde a Galiléia, conservavam-se a certa distância, e observavam estas coisas.
 +
50. Havia um homem, por nome José, membro do conselho, homem reto e justo.
 +
51. Ele não havia concordado com a decisão dos outros nem com os atos deles. Originário de Arimatéia, cidade da Judéia, esperava ele o Reino de Deus.
 +
52. Foi ter com Pilatos e lhe pediu o corpo de Jesus.
 +
53. Ele o desceu da cruz, envolveu-o num pano de linho e colocou-o num sepulcro, escavado na rocha, onde ainda ninguém havia sido depositado.
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54. Era o dia da Preparação e já ia principiar o sábado.
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55. As mulheres, que tinham vindo com Jesus da Galiléia, acompanharam José. Elas viram o túmulo e o modo como o corpo de Jesus ali fora depositado.
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56. Elas voltaram e prepararam aromas e bálsamos. No dia de sábado, observaram o preceito do repouso.
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Capítulo 24
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1. No primeiro dia da semana, muito cedo, dirigiram-se ao sepulcro com os aromas que haviam preparado.
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2. Acharam a pedra removida longe da abertura do sepulcro.
 +
3. Entraram, mas não encontraram o corpo do Senhor Jesus.
 +
4. Não sabiam elas o que pensar, quando apareceram em frente delas dois personagens com vestes resplandecentes.
 +
5. Como estivessem amedrontadas e voltassem o rosto para o chão, disseram-lhes eles: Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo?
 +
6. Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como ele vos disse, quando ainda estava na Galiléia:
 +
7. O Filho do Homem deve ser entregue nas mãos dos pecadores e crucificado, mas ressuscitará ao terceiro dia.
 +
8. Então elas se lembraram das palavras de Jesus.
 +
9. Voltando do sepulcro, contaram tudo isso aos Onze e a todos os demais.
 +
10. Eram elas Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago; as outras suas amigas relataram aos apóstolos a mesma coisa.
 +
11. Mas essas notícias pareciam-lhes como um delírio, e não lhes deram crédito.
 +
12. Contudo, Pedro correu ao sepulcro; inclinando-se para olhar, viu só os panos de linho na terra. Depois, retirou-se para a sua casa, admirado do que acontecera.
 +
13. Nesse mesmo dia, dois discípulos caminhavam para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios.
 +
14. Iam falando um com o outro de tudo o que se tinha passado.
 +
15. Enquanto iam conversando e discorrendo entre si, o mesmo Jesus aproximou-se deles e caminhava com eles.
 +
16. Mas os olhos estavam-lhes como que vendados e não o reconheceram.
 +
17. Perguntou-lhes, então: De que estais falando pelo caminho, e por que estais tristes?
 +
18. Um deles, chamado Cléofas, respondeu-lhe: És tu acaso o único forasteiro em Jerusalém que não sabe o que nela aconteceu estes dias?
 +
19. Perguntou-lhes ele: Que foi? Disseram: A respeito de Jesus de Nazaré... Era um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo.
 +
20. Os nossos sumos sacerdotes e os nossos magistrados o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram.
 +
21. Nós esperávamos que fosse ele quem havia de restaurar Israel e agora, além de tudo isto, é hoje o terceiro dia que essas coisas sucederam.
 +
22. É verdade que algumas mulheres dentre nós nos alarmaram. Elas foram ao sepulcro, antes do nascer do sol;
 +
23. e não tendo achado o seu corpo, voltaram, dizendo que tiveram uma visão de anjos, os quais asseguravam que está vivo.
 +
24. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e acharam assim como as mulheres tinham dito, mas a ele mesmo não viram.
 +
25. Jesus lhes disse: Ó gente sem inteligência! Como sois tardos de coração para crerdes em tudo o que anunciaram os profetas!
 +
26. Porventura não era necessário que Cristo sofresse essas coisas e assim entrasse na sua glória?
 +
27. E começando por Moisés, percorrendo todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava dito em todas as Escrituras.
 +
28. Aproximaram-se da aldeia para onde iam e ele fez como se quisesse passar adiante.
 +
29. Mas eles forçaram-no a parar: Fica conosco, já é tarde e já declina o dia. Entrou então com eles.
 +
30. Aconteceu que, estando sentado conjuntamente à mesa, ele tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e serviu-lho.
 +
31. Então se lhes abriram os olhos e o reconheceram... mas ele desapareceu.
 +
32. Diziam então um para o outro: Não se nos abrasava o coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?
 +
33. Levantaram-se na mesma hora e voltaram a Jerusalém. Aí acharam reunidos os Onze e os que com eles estavam.
 +
34. Todos diziam: O Senhor ressuscitou verdadeiramente e apareceu a Simão.
 +
35. Eles, por sua parte, contaram o que lhes havia acontecido no caminho e como o tinham reconhecido ao partir o pão.
 +
36. Enquanto ainda falavam dessas coisas, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: A paz esteja convosco!
 +
37. Perturbados e espantados, pensaram estar vendo um espírito.
 +
38. Mas ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que essas dúvidas nos vossos corações?
 +
39. Vede minhas mãos e meus pés, sou eu mesmo; apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho.
 +
40. E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés.
 +
41. Mas, vacilando eles ainda e estando transportados de alegria, perguntou: Tendes aqui alguma coisa para comer?
 +
42. Então ofereceram-lhe um pedaço de peixe assado.
 +
43. Ele tomou e comeu à vista deles.
 +
44. Depois lhes disse: Isto é o que vos dizia quando ainda estava convosco: era necessário que se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos profetas e nos Salmos.
 +
45. Abriu-lhes então o espírito, para que compreendessem as Escrituras, dizendo:
 +
46. Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia.
 +
47. E que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.
 +
48. Vós sois as testemunhas de tudo isso.
 +
49. Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto.
 +
50. Depois os levou para Betânia e, levantando as mãos, os abençoou.
 +
51. Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado ao céu.
 +
52. Depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo.
 +
53. E permaneciam no templo, louvando e bendizendo a Deus.
  
 +
=====Jo. - Evangelho segundo João=====
 
   
 
   
 +
Capítulo 1
 +
 +
1. No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus.
 +
2. Ele estava no princípio junto de Deus.
 +
3. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito.
 +
4. Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens.
 +
5. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
 +
6. Houve um homem, enviado por Deus, que se chamava João.
 +
7. Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele.
 +
8. Não era ele a luz, mas veio para dar testemunho da luz.
 +
9. [O Verbo] era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem.
 +
10. Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu.
 +
11. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam.
 +
12. Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus,
 +
13. os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus.
 +
14. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade.
 +
15. João dá testemunho dele, e exclama: Eis aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim é maior do que eu, porque existia antes de mim.
 +
16. Todos nós recebemos da sua plenitude graça sobre graça.
 +
17. Pois a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.
 +
18. Ninguém jamais viu Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou.
 +
19. Este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar-lhe: Quem és tu?
 +
20. Ele fez esta declaração que confirmou sem hesitar: Eu não sou o Cristo.
 +
21. Pois, então, quem és?, perguntaram-lhe eles. És tu Elias? Disse ele: Não o sou. És tu o profeta? Ele respondeu: Não.
 +
22. Perguntaram-lhe de novo: Dize-nos, afinal, quem és, para que possamos dar uma resposta aos que nos enviaram. Que dizes de ti mesmo?
 +
23. Ele respondeu: Eu sou a voz que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como o disse o profeta Isaías (40,3).
 +
24. Alguns dos emissários eram fariseus.
 +
25. Continuaram a perguntar-lhe: Como, pois, batizas, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?
 +
26. João respondeu: Eu batizo com água, mas no meio de vós está quem vós não conheceis.
 +
27. Esse é quem vem depois de mim; e eu não sou digno de lhe desatar a correia do calçado.
 +
28. Este diálogo se passou em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.
 +
29. No dia seguinte, João viu Jesus que vinha a ele e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
 +
30. É este de quem eu disse: Depois de mim virá um homem, que me é superior, porque existe antes de mim.
 +
31. Eu não o conhecia, mas, se vim batizar em água, é para que ele se torne conhecido em Israel.
 +
32. (João havia declarado: Vi o Espírito descer do céu em forma de uma pomba e repousar sobre ele.)
 +
33. Eu não o conhecia, mas aquele que me mandou batizar em água disse-me: Sobre quem vires descer e repousar o Espírito, este é quem batiza no Espírito Santo.
 +
34. Eu o vi e dou testemunho de que ele é o Filho de Deus.
 +
35. No dia seguinte, estava lá João outra vez com dois dos seus discípulos.
 +
36. E, avistando Jesus que ia passando, disse: Eis o Cordeiro de Deus.
 +
37. Os dois discípulos ouviram-no falar e seguiram Jesus.
 +
38. Voltando-se Jesus e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: Que procurais? Disseram-lhe: Rabi (que quer dizer Mestre), onde moras?
 +
39. Vinde e vede, respondeu-lhes ele. Foram aonde ele morava e ficaram com ele aquele dia. Era cerca da hora décima.
 +
40. André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido João e que o tinham seguido.
 +
41. Foi ele então logo à procura de seu irmão e disse-lhe: Achamos o Messias (que quer dizer o Cristo).
 +
42. Levou-o a Jesus, e Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de João; serás chamado Cefas (que quer dizer pedra).
 +
43. No dia seguinte, tinha Jesus a intenção de dirigir-se à Galiléia. Encontra Filipe e diz-lhe: Segue-me.
 +
44. (Filipe era natural de Betsaida, cidade de André e Pedro.)
 +
45. Filipe encontra Natanael e diz-lhe: Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei e que os profetas anunciaram: é Jesus de Nazaré, filho de José.
 +
46. Respondeu-lhe Natanael: Pode, porventura, vir coisa boa de Nazaré? Filipe retrucou: Vem e vê.
 +
47. Jesus vê Natanael, que lhe vem ao encontro, e diz: Eis um verdadeiro israelita, no qual não há falsidade.
 +
48. Natanael pergunta-lhe: Donde me conheces? Respondeu Jesus: Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas debaixo da figueira.
 +
49. Falou-lhe Natanael: Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel.
 +
50. Jesus replicou-lhe: Porque eu te disse que te vi debaixo da figueira, crês! Verás coisas maiores do que esta.
 +
51. E ajuntou: Em verdade, em verdade vos digo: vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.
  
Capítulo 10
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Capítulo 2
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1. Três dias depois, celebravam-se bodas em Caná da Galiléia, e achava-se ali a mãe de Jesus.
 +
2. Também foram convidados Jesus e os seus discípulos.
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3. Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: Eles já não têm vinho.
 +
4. Respondeu-lhe Jesus: Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou.
 +
5. Disse, então, sua mãe aos serventes: Fazei o que ele vos disser.
 +
6. Ora, achavam-se ali seis talhas de pedra para as purificações dos judeus, que continham cada qual duas ou três medidas.
 +
7. Jesus ordena-lhes: Enchei as talhas de água. Eles encheram-nas até em cima.
 +
8. Tirai agora , disse-lhes Jesus, e levai ao chefe dos serventes. E levaram.
 +
9. Logo que o chefe dos serventes provou da água tornada vinho, não sabendo de onde era (se bem que o soubessem os serventes, pois tinham tirado a água), chamou o noivo
 +
10. e disse-lhe: É costume servir primeiro o vinho bom e, depois, quando os convidados já estão quase embriagados, servir o menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora.
 +
11. Este foi o primeiro milagre de Jesus; realizou-o em Caná da Galiléia. Manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.
 +
12. Depois disso, desceu para Cafarnaum, com sua mãe, seus irmãos e seus discípulos; e ali só demoraram poucos dias.
 +
13. Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.
 +
14. Encontrou no templo os negociantes de bois, ovelhas e pombas, e mesas dos trocadores de moedas.
 +
15. Fez ele um chicote de cordas, expulsou todos do templo, como também as ovelhas e os bois, espalhou pelo chão o dinheiro dos trocadores e derrubou as mesas.
 +
16. Disse aos que vendiam as pombas: Tirai isto daqui e não façais da casa de meu Pai uma casa de negociantes.
 +
17. Lembraram-se então os seus discípulos do que está escrito: O zelo da tua casa me consome (Sl 68,10).
 +
18. Perguntaram-lhe os judeus: Que sinal nos apresentas tu, para procederes deste modo?
 +
19. Respondeu-lhes Jesus: Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias.
 +
20. Os judeus replicaram: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu hás de levantá-lo em três dias?!
 +
21. Mas ele falava do templo do seu corpo.
 +
22. Depois que ressurgiu dos mortos, os seus discípulos lembraram-se destas palavras e creram na Escritura e na palavra de Jesus.
 +
23. Enquanto Jesus celebrava em Jerusalém a festa da Páscoa, muitos creram no seu nome, à vista dos milagres que fazia.
 +
24. Mas Jesus mesmo não se fiava neles, porque os conhecia a todos.
 +
25. Ele não necessitava que alguém desse testemunho de nenhum homem, pois ele bem sabia o que havia no homem.
  
1. Havia em Cesaréia um homem, por nome Cornélio, centurião da coorte que se chamava Itálica.
+
2. Era religioso; ele e todos os de sua casa eram tementes a Deus. Dava muitas esmolas ao povo e orava constantemente.
+
Capítulo 3
3. Este homem viu claramente numa visão, pela hora nona do dia, aproximar-se dele um anjo de Deus e o chamar: Cornélio!
+
 
4. Cornélio fixou nele os olhos e, possuído de temor, perguntou: Que há, Senhor? O anjo replicou: As tuas orações e as tuas esmolas subiram à presença de Deus como uma oferta de lembrança.
+
1. Havia um homem entre os fariseus, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.
5. Agora envia homens a Jope e faze vir aqui um certo Simão, que tem por sobrenome Pedro.
+
2. Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe: Rabi, sabemos que és um Mestre vindo de Deus. Ninguém pode fazer esses milagres que fazes, se Deus não estiver com ele.
6. Ele se acha hospedado em casa de Simão, um curtidor, cuja casa fica junto ao mar.
+
3. Jesus replicou-lhe: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus.
7. Quando se retirou o anjo que lhe falara, chamou dois dos seus criados e um soldado temente ao Senhor, daqueles que estavam às suas ordens.
+
4. Nicodemos perguntou-lhe: Como pode um homem renascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda vez?
8. Contou-lhes tudo e enviou-os a Jope.
+
5. Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus.
9. No dia seguinte, enquanto estavam em viagem e se aproximavam da cidade - pelo meio-dia -, Pedro subiu ao terraço da casa para fazer oração.
+
6. O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito.
10. Então, como sentisse fome, quis comer. Mas, enquanto lho preparavam, caiu em êxtase.
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7. Não te maravilhes de que eu te tenha dito: Necessário vos é nascer de novo.
11. Viu o céu aberto e descer uma coisa parecida com uma grande toalha que baixava do céu à terra, segura pelas quatro pontas.
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8. O vento sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito.
12. Nela havia de todos os quadrúpedes, dos répteis da terra e das aves do céu.
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9. Replicou Nicodemos: Como se pode fazer isso?
13. Uma voz lhe falou: Levanta-te, Pedro! Mata e come.
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10. Disse Jesus: És doutor em Israel e ignoras estas coisas!...
14. Disse Pedro: De modo algum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma profana e impura.
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11. Em verdade, em verdade te digo: dizemos o que sabemos e damos testemunho do que vimos, mas não recebeis o nosso testemunho.
15. Esta voz lhe falou pela segunda vez: O que Deus purificou não chames tu de impuro.
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12. Se vos tenho falado das coisas terrenas e não me credes, como crereis se vos falar das celestiais?
16. Isto se repetiu três vezes e logo a toalha foi recolhida ao céu.
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13. Ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu, o Filho do Homem que está no céu.
17. Desconcertado, Pedro refletia consigo mesmo sobre o que significava a visão que tivera, quando os homens, enviados por Cornélio, se apresentaram à porta, perguntando pela casa de Simão.
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14. Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do Homem,
18. Eles chamaram e indagaram se ali estava hospedado Simão, com o sobrenome Pedro.
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15. para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna.
19. Enquanto Pedro refletia na visão, disse o Espírito: Eis aí três homens que te procuram.
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16. Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.
20. Levanta-te! Desce e vai com eles sem hesitar, porque sou eu quem os enviou.
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17. Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele.
21. Pedro desceu ao encontro dos homens e disse-lhes: Aqui me tendes, sou eu a quem buscais. Qual é o motivo por que viestes aqui?
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18. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado; por que não crê no nome do Filho único de Deus.
22. Responderam: O centurião Cornélio, homem justo e temente a Deus, o qual goza de excelente reputação entre todos os judeus, recebeu dum santo anjo o aviso de te mandar chamar à sua casa e de ouvir as tuas palavras.
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19. Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más.
23. Então Pedro os mandou entrar e hospedou-os. No dia seguinte, levantou-se e partiu com eles, e alguns dos irmãos de Jope o acompanharam.
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20. Porquanto todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas.
24. No outro dia chegaram a Cesaréia. Cornélio os estava esperando, tendo convidado os seus parentes e amigos mais íntimos.
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21. Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus.
25. Quando Pedro estava para entrar, Cornélio saiu a recebê-lo e prostrou-se aos seus pés para adorá-lo.
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22. Em seguida, foi Jesus com os seus discípulos para os campos da Judéia, e ali se deteve com eles, e batizava.
26. Pedro, porém, o ergueu, dizendo: Levanta-te! Também eu sou um homem!
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23. Também João batizava em Enon, perto de Salim, porque havia ali muita água, e muitos vinham e eram batizados.
27. E, falando com ele, entrou e achou ali muitas pessoas que se tinham reunido e disse:
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24. Pois João ainda não tinha sido lançado no cárcere.
28. Vós sabeis que é proibido a um judeu aproximar-se dum estrangeiro ou ir à sua casa. Todavia, Deus me mostrou que nenhum homem deve ser considerado profano ou impuro.
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25. Ora, surgiu uma discussão entre os discípulos de João e um judeu, a respeito da purificação.
29. Por isso vim sem hesitar, logo que fui chamado. Pergunto, pois, por que motivo me chamastes.
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26. Foram e disseram-lhe: Mestre, aquele que estava contigo além do Jordão, de quem tu deste testemunho, ei-lo que está batizando e todos vão ter com ele...
30. Disse Cornélio: Faz hoje quatro dias que estava eu a orar em minha casa, à hora nona, quando se pôs diante de mim um homem com vestes resplandecentes, que disse:
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27. João replicou: Ninguém pode atribuir-se a si mesmo senão o que lhe foi dado do céu.
31. Cornélio, a tua oração foi atendida e Deus se lembrou de tuas esmolas.
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28. Vós mesmos me sois testemunhas de que disse: Eu não sou o Cristo, mas fui enviado diante dele.
32. Envia alguém a Jope e manda vir Simão, que tem por sobrenome Pedro. Está hospedado perto do mar em casa do curtidor Simão.
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29. Aquele que tem a esposa é o esposo. O amigo do esposo, porém, que está presente e o ouve, regozija-se sobremodo com a voz do esposo. Nisso consiste a minha alegria, que agora se completa.
33. Por isso mandei chamar-te logo e felicito-te por teres vindo. Agora, pois, eis-nos todos reunidos na presença de Deus para ouvir tudo o que Deus te ordenou de nos dizer.
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30. Importa que ele cresça e que eu diminua.
34. Então Pedro tomou a palavra e disse: Em verdade, reconheço que Deus não faz distinção de pessoas,
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31. Aquele que vem de cima é superior a todos. Aquele que vem da terra é terreno e fala de coisas terrenas. Aquele que vem do céu é superior a todos.
35. mas em toda nação lhe é agradável aquele que o temer e fizer o que é justo.
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32. Ele testemunha as coisas que viu e ouviu, mas ninguém recebe o seu testemunho.
36. Deus enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando-lhes a boa nova da paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos.
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33. Aquele que recebe o seu testemunho confirma que Deus é verdadeiro.
37. Vós sabeis como tudo isso aconteceu na Judéia, depois de ter começado na Galiléia, após o batismo que João pregou.
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34. Com efeito, aquele que Deus enviou fala a linguagem de Deus, porque ele concede o Espírito sem medidas.
38. Vós sabeis como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com o poder, como ele andou fazendo o bem e curando todos os oprimidos do demônio, porque Deus estava com ele.
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35. O Pai ama o Filho e confiou-lhe todas as coisas.
39. E nós somos testemunhas de tudo o que fez na terra dos judeus e em Jerusalém. Eles o mataram, suspendendo-o num madeiro.
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36. Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; quem não crê no Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus.
40. Mas Deus o ressuscitou ao terceiro dia e permitiu que aparecesse,
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41. não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia predestinado, a nós que comemos e bebemos com ele, depois que ressuscitou.
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42. Ele nos mandou pregar ao povo e testemunhar que é ele quem foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos.
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Capítulo 4
43. Dele todos os profetas dão testemunho, anunciando que todos os que nele crêem recebem o perdão dos pecados por meio de seu nome.
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44. Estando Pedro ainda a falar, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a (santa) palavra.
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1. O Senhor soube que os fariseus tinham ouvido dizer que ele recrutava e batizava mais discípulos que João
45. Os fiéis da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, profundamente se admiraram, vendo que o dom do Espírito Santo era derramado também sobre os pagãos;
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2. (se bem que não era Jesus quem batizava, mas os seus discípulos).
46. pois eles os ouviam falar em outras línguas e glorificar a Deus.
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3. Deixou a Judéia e voltou para a Galiléia.
47. Então Pedro tomou a palavra: Porventura pode-se negar a água do batismo a estes que receberam o Espírito Santo como nós?
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4. Ora, devia passar por Samaria.
48. E mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Rogaram-lhe então que ficasse com eles por alguns dias.
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5. Chegou, pois, a uma localidade da Samaria, chamada Sicar, junto das terras que Jacó dera a seu filho José.
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6. Ali havia o poço de Jacó. E Jesus, fatigado da viagem, sentou-se à beira do poço. Era por volta do meio-dia.
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7. Veio uma mulher da Samaria tirar água. Pediu-lhe Jesus: Dá-me de beber.
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8. (Pois os discípulos tinham ido à cidade comprar mantimentos.)
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9. Aquela samaritana lhe disse: Sendo tu judeu, como pedes de beber a mim, que sou samaritana!... (Pois os judeus não se comunicavam com os samaritanos.)
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10. Respondeu-lhe Jesus: Se conhecesses o dom de Deus, e quem é que te diz: Dá-me de beber, certamente lhe pedirias tu mesma e ele te daria uma água viva.
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11. A mulher lhe replicou: Senhor, não tens com que tirá-la, e o poço é fundo... donde tens, pois, essa água viva?
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12. És, porventura, maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu e também os seus filhos e os seus rebanhos?
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13. Respondeu-lhe Jesus: Todo aquele que beber desta água tornará a ter sede,
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14. mas o que beber da água que eu lhe der jamais terá sede. Mas a água que eu lhe der virá a ser nele fonte de água, que jorrará até a vida eterna.
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15. A mulher suplicou: Senhor, dá-me desta água, para eu já não ter sede nem vir aqui tirá-la!
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16. Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e volta cá.
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17. A mulher respondeu: Não tenho marido. Disse Jesus: Tens razão em dizer que não tens marido.
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18. Tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu. Nisto disseste a verdade.
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19. Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que és profeta!...
 +
20. Nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar.
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21. Jesus respondeu: Mulher, acredita-me, vem a hora em que não adorareis o Pai, nem neste monte nem em Jerusalém.
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22. Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus.
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23. Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja.
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24. Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade.
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25. Respondeu a mulher: Sei que deve vir o Messias (que se chama Cristo); quando, pois, vier, ele nos fará conhecer todas as coisas.
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26. Disse-lhe Jesus: Sou eu, quem fala contigo.
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27. Nisso seus discípulos chegaram e maravilharam-se de que estivesse falando com uma mulher. Ninguém, todavia, perguntou: Que perguntas? Ou: Que falas com ela?
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28. A mulher deixou o seu cântaro, foi à cidade e disse àqueles homens:
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29. Vinde e vede um homem que me contou tudo o que tenho feito. Não seria ele, porventura, o Cristo?
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30. Eles saíram da cidade e vieram ter com Jesus.
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31. Entretanto, os discípulos lhe pediam: Mestre, come.
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32. Mas ele lhes disse: Tenho um alimento para comer que vós não conheceis.
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33. Os discípulos perguntavam uns aos outros: Alguém lhe teria trazido de comer?
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34. Disse-lhes Jesus: Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra.
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35. Não dizeis vós que ainda há quatro meses e vem a colheita? Eis que vos digo: levantai os vossos olhos e vede os campos, porque já estão brancos para a ceifa.
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36. O que ceifa recebe o salário e ajunta fruto para a vida eterna; assim o semeador e o ceifador juntamente se regozijarão.
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37. Porque eis que se pode dizer com toda verdade: Um é o que semeia outro é o que ceifa.
 +
38. Enviei-vos a ceifar onde não tendes trabalhado; outros trabalharam, e vós entrastes nos seus trabalhos.
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39. Muitos foram os samaritanos daquela cidade que creram nele por causa da palavra da mulher, que lhes declarara: Ele me disse tudo quanto tenho feito.
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40. Assim, quando os samaritanos foram ter com ele, pediram que ficasse com eles. Ele permaneceu ali dois dias.
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41. Ainda muitos outros creram nele por causa das suas palavras.
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42. E diziam à mulher: Já não é por causa da tua declaração que cremos, mas nós mesmos ouvimos e sabemos ser este verdadeiramente o Salvador do mundo.
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43. Passados os dois dias, Jesus partiu para a Galiléia.
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44. (Ele mesmo havia declarado que um profeta não é honrado na sua pátria.)
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45. Chegando à Galiléia, acolheram-no os galileus, porque tinham visto tudo o que fizera durante a festa em Jerusalém; pois também eles tinham ido à festa.
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46. Ele voltou, pois, a Caná da Galiléia, onde transformara água em vinho. Havia então em Cafarnaum um oficial do rei, cujo filho estava doente.
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47. Ao ouvir que Jesus vinha da Judéia para a Galiléia, foi a ele e rogou-lhe que descesse e curasse seu filho, que estava prestes a morrer.
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48. Disse-lhe Jesus: Se não virdes milagres e prodígios, não credes...
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49. Pediu-lhe o oficial: Senhor, desce antes que meu filho morra!
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50. Vai, disse-lhe Jesus, o teu filho está passando bem! O homem acreditou na palavra de Jesus e partiu.
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51. Enquanto ia descendo, os criados vieram-lhe ao encontro e lhe disseram: Teu filho está passando bem.
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52. Indagou então deles a hora em que se sentira melhor. Responderam-lhe: Ontem à sétima hora a febre o deixou.
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53. Reconheceu o pai ser a mesma hora em que Jesus dissera: Teu filho está passando bem. E creu tanto ele como toda a sua casa.
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54. Esse foi o segundo milagre que Jesus fez, depois de voltar da Judéia para a Galiléia.
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Capítulo 5
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1. Depois disso, houve uma festa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.
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2. Há em Jerusalém, junto à porta das Ovelhas, um tanque, chamado em hebraico Betesda, que tem cinco pórticos.
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3. Nestes pórticos jazia um grande número de enfermos, de cegos, de coxos e de paralíticos, que esperavam o movimento da água.
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4. [Pois de tempos em tempos um anjo do Senhor descia ao tanque e a água se punha em movimento. E o primeiro que entrasse no tanque, depois da agitação da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse.]
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5. Estava ali um homem enfermo havia trinta e oito anos.
 +
6. Vendo-o deitado e sabendo que já havia muito tempo que estava enfermo, perguntou-lhe Jesus: Queres ficar curado?
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7. O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água é agitada; enquanto vou, já outro desceu antes de mim.
 +
8. Ordenou-lhe Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e anda.
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9. No mesmo instante, aquele homem ficou curado, tomou o seu leito e foi andando. Ora, aquele dia era sábado.
 +
10. E os judeus diziam ao homem curado: E sábado, não te é permitido carregar o teu leito.
 +
11. Respondeu-lhes ele: Aquele que me curou disse: Toma o teu leito e anda.
 +
12. Perguntaram-lhe eles: Quem é o homem que te disse: Toma o teu leito e anda?
 +
13. O que havia sido curado, porém, não sabia quem era, porque Jesus se havia retirado da multidão que estava naquele lugar.
 +
14. Mais tarde, Jesus o achou no templo e lhe disse: Eis que ficaste são; já não peques, para não te acontecer coisa pior.
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15. Aquele homem foi então contar aos judeus que fora Jesus quem o havia curado.
 +
16. Por esse motivo, os judeus perseguiam Jesus, porque fazia esses milagres no dia de sábado.
 +
17. Mas ele lhes disse: Meu Pai continua agindo até agora, e eu ajo também.
 +
18. Por esta razão os judeus, com maior ardor, procuravam tirar-lhe a vida, porque não somente violava o repouso do sábado, mas afirmava ainda que Deus era seu Pai e se fazia igual a Deus.
 +
19. Jesus tomou a palavra e disse-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: o Filho de si mesmo não pode fazer coisa alguma; ele só faz o que vê fazer o Pai; e tudo o que o Pai faz, o faz também semelhantemente o Filho.
 +
20. Pois o Pai ama o Filho e mostra-lhe tudo o que faz; e maiores obras do que esta lhe mostrará, para que fiqueis admirados.
 +
21. Com efeito, como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, assim também o Filho dá vida a quem ele quer.
 +
22. Assim também o Pai não julga ninguém, mas entregou todo o julgamento ao Filho.
 +
23. Desse modo, todos honrarão o Filho, bem como honram o Pai. Aquele que não honra o Filho, não honra o Pai, que o enviou.
 +
24. Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida.
 +
25. Em verdade, em verdade vos digo: vem a hora, e já está aí, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão.
 +
26. Pois como o Pai tem a vida em si mesmo, assim também deu ao Filho o ter a vida em si mesmo,
 +
27. e lhe conferiu o poder de julgar, porque é o Filho do Homem.
 +
28. Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que se acham nos sepulcros sairão deles ao som de sua voz:
 +
29. os que praticaram o bem irão para a ressurreição da vida, e aqueles que praticaram o mal ressuscitarão para serem condenados.
 +
30. De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.
 +
31. Se eu der testemunho de mim mesmo, não é digno de fé o meu testemunho.
 +
32. Há outro que dá testemunho de mim, e sei que é digno de fé o testemunho que dá de mim.
 +
33. Vós enviastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade.
 +
34. Não invoco, porém, o testemunho de homem algum. Digo-vos essas coisas, a fim de que sejais salvos.
 +
35. João era uma lâmpada que arde e ilumina; vós, porém, só por uma hora quisestes alegrar-vos com a sua luz.
 +
36. Mas tenho maior testemunho do que o de João, porque as obras que meu Pai me deu para executar - essas mesmas obras que faço - testemunham a meu respeito que o Pai me enviou.
 +
37. E o Pai que me enviou, ele mesmo deu testemunho de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz nem vistes a sua face...
 +
38. e não tendes a sua palavra permanente em vós, pois não credes naquele que ele enviou.
 +
39. Vós perscrutais as Escrituras, julgando encontrar nelas a vida eterna. Pois bem! São elas mesmas que dão testemunho de mim.
 +
40. E vós não quereis vir a mim para que tenhais a vida...
 +
41. Não espero a minha glória dos homens,
 +
42. mas sei que não tendes em vós o amor de Deus.
 +
43. Vim em nome de meu Pai, mas não me recebeis. Se vier outro em seu próprio nome, haveis de recebê-lo...
 +
44. Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros, e não buscais a glória que é só de Deus?
 +
45. Não julgueis que vos hei de acusar diante do Pai; há quem vos acusa: Moisés, no qual colocais a vossa esperança.
 +
46. Pois se crêsseis em Moisés, certamente creríeis em mim, porque ele escreveu a meu respeito.
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47. Mas, se não acreditais nos seus escritos, como acreditareis nas minhas palavras?
  
 
   
 
   
Capítulo 11
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Capítulo 6
  
1. Os apóstolos e os irmãos da Judéia ouviram dizer que também os pagãos haviam recebido a palavra de Deus.
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1. Depois disso, atravessou Jesus o lago da Galiléia (que é o de Tiberíades.)
2. E, quando Pedro subiu a Jerusalém, os fiéis que eram da circuncisão repreenderam-no:
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2. Seguia-o uma grande multidão, porque via os milagres que fazia em beneficio dos enfermos.
3. Por que entraste em casa de incircuncisos e comeste com eles?
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3. Jesus subiu a um monte e ali se sentou com seus discípulos.
4. Mas Pedro fez-lhes uma exposição de tudo o que acontecera, dizendo:
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4. Aproximava-se a Páscoa, festa dos judeus.
5. Eu estava orando na cidade de Jope e, arrebatado em espírito, tive uma visão: uma coisa, à maneira duma grande toalha, presa pelas quatro pontas, descia do céu até perto de mim.
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5. Jesus levantou os olhos sobre aquela grande multidão que vinha ter com ele e disse a Filipe: Onde compraremos pão para que todos estes tenham o que comer?
6. Olhei-a atentamente e distingui claramente quadrúpedes terrestres, feras, répteis e aves do céu.
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6. Falava assim para o experimentar, pois bem sabia o que havia de fazer.
7. Ouvi também uma voz que me dizia: Levanta-te, Pedro! Mata e come.
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7. Filipe respondeu-lhe: Duzentos denários de pão não lhes bastam, para que cada um receba um pedaço.
8. Eu, porém, disse: De nenhum modo, Senhor, pois nunca entrou em minha boca coisa profana ou impura.
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8. Um dos seus discípulos, chamado André, irmão de Simão Pedro, disse-lhe:
9. Outra vez falou a voz do céu: O que Deus purificou não chames tu de impuro.
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9. Está aqui um menino que tem cinco pães de cevada e dois peixes... mas que é isto para tanta gente?
10. Isto aconteceu três vezes e tudo tornou a ser levado ao céu.
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10. Disse Jesus: Fazei-os assentar. Ora, havia naquele lugar muita relva. Sentaram-se aqueles homens em número de uns cinco mil.
11. Nisso chegaram três homens à casa onde eu estava, enviados a mim de Cesaréia.
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11. Jesus tomou os pães e rendeu graças. Em seguida, distribuiu-os às pessoas que estavam sentadas, e igualmente dos peixes lhes deu quanto queriam.
12. O Espírito me disse que fosse com eles sem hesitar. Foram comigo também os seis irmãos aqui presentes e entramos na casa de Cornélio.
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12. Estando eles saciados, disse aos discípulos: Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca.
13. Este nos referiu então como em casa tinha visto um anjo diante de si, que lhe dissera: Envia alguém a Jope e chama Simão, que tem por sobrenome Pedro.
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13. Eles os recolheram e, dos pedaços dos cinco pães de cevada que sobraram, encheram doze cestos.
14. Ele te dirá as palavras pelas quais serás salvo tu e toda a tua casa.
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14. À vista desse milagre de Jesus, aquela gente dizia: Este é verdadeiramente o profeta que há de vir ao mundo.
15. Apenas comecei a falar, quando desceu o Espírito Santo sobre eles, como no princípio descera também sobre nós.
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15. Jesus, percebendo que queriam arrebatá-lo e fazê-lo rei, tornou a retirar-se sozinho para o monte.
16. Lembrei-me então das palavras do Senhor, quando disse: João batizou em água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo.
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16. Chegada a tarde, os seus discípulos desceram à margem do lago.
17. Pois, se Deus lhes deu a mesma graça que a nós, que cremos no Senhor Jesus Cristo, com que direito me oporia eu a Deus?
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17. Subindo a uma barca, atravessaram o lago rumo a Cafarnaum. Era já escuro, e Jesus ainda não se tinha reunido a eles.
18. Depois de terem ouvido essas palavras, eles se calaram e deram glória a Deus, dizendo: Portanto, também aos pagãos concedeu Deus o arrependimento que conduz à vida!
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18. O mar, entretanto, se agitava, porque soprava um vento rijo.
19. Entretanto, aqueles que foram dispersados pela perseguição que houve no tempo de Estêvão chegaram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, pregando a palavra só aos judeus.
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19. Tendo eles remado uns vinte e cinco ou trinta estádios, viram Jesus que se aproximava da barca, andando sobre as águas, e ficaram atemorizados.
20. Alguns deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene, entrando em Antioquia, dirigiram-se também aos gregos, anunciando-lhes o Evangelho do Senhor Jesus.
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20. Mas ele lhes disse: Sou eu, não temais.
21. A mão do Senhor estava com eles e grande foi o número dos que receberam a fé e se converteram ao Senhor.
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21. Quiseram recebê-lo na barca, mas pouco depois a barca chegou ao seu destino.
22. A notícia dessas coisas chegou aos ouvidos da Igreja de Jerusalém. Enviaram então Barnabé até Antioquia.
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22. No dia seguinte, a multidão que tinha ficado do outro lado do mar percebeu que Jesus não tinha subido com seus discípulos na única barca que lá estava, mas que eles tinham partido sozinhos.
23. Ao chegar lá, alegrou-se, vendo a graça de Deus, e a todos exortava a perseverar no Senhor com firmeza de coração,
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23. Nesse meio tempo, outras barcas chegaram de Tiberíades, perto do lugar onde tinham comido o pão, depois de o Senhor ter dado graças.
24. pois era um homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé. Assim uma grande multidão uniu-se ao Senhor.
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24. E, reparando a multidão que nem Jesus nem os seus discípulos estavam ali, entrou nas barcas e foi até Cafarnaum à sua procura.
25. Em seguida, partiu Barnabé para Tarso, à procura de Saulo. Achou-o e levou-o para Antioquia.
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25. Encontrando-o na outra margem do lago, perguntaram-lhe: Mestre, quando chegaste aqui?
26. Durante um ano inteiro eles tomaram parte nas reuniões da comunidade e instruíram grande multidão, de maneira que em Antioquia é que os discípulos, pela primeira vez, foram chamados pelo nome de cristãos.
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26. Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: buscais-me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes fartos.
27. Por aqueles dias desceram alguns profetas de Jerusalém a Antioquia.
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27. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a vida eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois nele Deus Pai imprimiu o seu sinal.
28. Um deles, chamado Ágabo, levantou-se e deu a entender pelo Espírito que haveria uma grande fome em toda a terra. Esta, com efeito, veio no reinado de Cláudio.
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28. Perguntaram-lhe: Que faremos para praticar as obras de Deus?
29. Os discípulos resolveram, cada um conforme as suas posses, enviar socorro aos irmãos da Judéia.
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29. Respondeu-lhes Jesus: A obra de Deus é esta: que creiais naquele que ele enviou.
30. Assim o fizeram e o enviaram aos anciãos por intermédio de Barnabé e Saulo.
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30. Perguntaram eles: Que milagre fazes tu, para que o vejamos e creiamos em ti? Qual é a tua obra?
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31. Nossos pais comeram o maná no deserto, segundo o que está escrito: Deu-lhes de comer o pão vindo do céu (Sl 77,24).
 +
32. Jesus respondeu-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu, mas o meu Pai é quem vos dá o verdadeiro pão do céu;
 +
33. porque o pão de Deus é o pão que desce do céu e dá vida ao mundo.
 +
34. Disseram-lhe: Senhor, dá-nos sempre deste pão!
 +
35. Jesus replicou: Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede.
 +
36. Mas já vos disse: Vós me vedes e não credes...
 +
37. Todo aquele que o Pai me dá virá a mim, e o que vem a mim não o lançarei fora.
 +
38. Pois desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.
 +
39. Ora, esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não deixe perecer nenhum daqueles que me deu, mas que os ressuscite no último dia.
 +
40. Esta é a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.
 +
41. Murmuravam então dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu.
 +
42. E perguntavam: Porventura não é ele Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe conhecemos? Como, pois, diz ele: Desci do céu?
 +
43. Respondeu-lhes Jesus: Não murmureis entre vós.
 +
44. Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu hei de ressuscitá-lo no último dia.
 +
45. Está escrito nos profetas: Todos serão ensinados por Deus (Is 54,13). Assim, todo aquele que ouviu o Pai e foi por ele instruído vem a mim.
 +
46. Não que alguém tenha visto o Pai, pois só aquele que vem de Deus, esse é que viu o Pai.
 +
47. Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna.
 +
48. Eu sou o pão da vida.
 +
49. Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram.
 +
50. Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer.
 +
51. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo.
 +
52. A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne?
 +
53. Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos.
 +
54. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.
 +
55. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida.
 +
56. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.
 +
57. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim.
 +
58. Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente.
 +
59. Tal foi o ensinamento de Jesus na sinagoga de Cafarnaum.
 +
60. Muitos dos seus discípulos, ouvindo-o, disseram: Isto é muito duro! Quem o pode admitir?
 +
61. Sabendo Jesus que os discípulos murmuravam por isso, perguntou-lhes: Isso vos escandaliza?
 +
62. Que será, quando virdes subir o Filho do Homem para onde ele estava antes?...
 +
63. O espírito é que vivifica, a carne de nada serve. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida.
 +
64. Mas há alguns entre vós que não crêem... Pois desde o princípio Jesus sabia quais eram os que não criam e quem o havia de trair.
 +
65. Ele prosseguiu: Por isso vos disse: Ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lho for concedido.
 +
66. Desde então, muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam com ele.
 +
67. Então Jesus perguntou aos Doze: Quereis vós também retirar-vos?
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68. Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.
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69. E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus!
 +
70. Jesus acrescentou: Não vos escolhi eu todos os doze? Contudo, um de vós é um demônio!...
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71. Ele se referia a Judas, filho de Simão Iscariotes, porque era quem o havia de entregar não obstante ser um dos Doze.
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Capítulo 7
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1. Depois disso, Jesus percorria a Galiléia. Ele não queria deter-se na Judéia, porque os judeus procuravam tirar-lhe a vida.
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2. Aproximava-se a festa dos judeus chamada dos Tabernáculos.
 +
3. Seus irmãos disseram-lhe: Parte daqui e vai para a Judéia, a fim de que também os teus discípulos vejam as obras que fazes.
 +
4. Pois quem deseja ser conhecido em público não faz coisa alguma ocultamente. Já que fazes essas obras, revela-te ao mundo.
 +
5. Com efeito, nem mesmo os seus irmãos acreditavam nele.
 +
6. Disse-lhes Jesus: O meu tempo ainda não chegou, mas para vós a hora é sempre favorável.
 +
7. O mundo não vos pode odiar, mas odeia-me, porque eu testemunho contra ele que as suas obras são más.
 +
8. Subi vós para a festa. Quanto a mim, eu não irei, porque ainda não chegou o meu tempo.
 +
9. Dito isto, permaneceu na Galiléia.
 +
10. Mas quando os seus irmãos tinham subido, então subiu também ele à festa, não em público, mas despercebidamente.
 +
11. Buscavam-no os judeus durante a festa e perguntavam: Onde está ele?
 +
12. E na multidão só se discutia a respeito dele. Uns diziam: É homem de bem. Outros, porém, diziam: Não é; ele seduz o povo.
 +
13. Ninguém, contudo, ousava falar dele livremente com medo dos judeus.
 +
14. Lá pelo meio da festa, Jesus subiu ao templo e pôs-se a ensinar.
 +
15. Os judeus se admiravam e diziam: Este homem não fez estudos. Donde lhe vem, pois, este conhecimento das Escrituras?
 +
16. Respondeu-lhes Jesus: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou.
 +
17. Se alguém quiser cumprir a vontade de Deus, distinguirá se a minha doutrina é de Deus ou se falo de mim mesmo.
 +
18. Quem fala por própria autoridade busca a própria glória, mas quem procura a glória de quem o enviou é digno de fé e nele não há impostura alguma.
 +
19. Acaso não foi Moisés quem vos deu a lei? No entanto, ninguém de vós cumpre a lei!...
 +
20. Por que procurais tirar-me a vida? Respondeu o povo: Tens um demônio! Quem procura tirar-te a vida?
 +
21. Replicou Jesus: Fiz uma só obra, e todos vós vos maravilhais!
 +
22. Moisés vos deu a circuncisão (se bem que ela não é de Moisés, mas dos patriarcas), e até no sábado circuncidais um homem!
 +
23. Se um homem recebe a circuncisão em dia de sábado, e isso sem violar a Lei de Moisés, por que vos indignais comigo, que tenho curado um homem em todo o seu corpo em dia de sábado?
 +
24. Não julgueis pela aparência, mas julgai conforme a justiça.
 +
25. Algumas das pessoas de Jerusalém diziam: Não é este aquele a quem procuram tirar a vida?
 +
26. Todavia, ei-lo que fala em público e não lhe dizem coisa alguma. Porventura reconheceram de fato as autoridades que ele é o Cristo?
 +
27. Mas este nós sabemos de onde vem. Do Cristo, porém, quando vier, ninguém saberá de onde seja.
 +
28. Enquanto ensinava no templo, Jesus exclamou: Ah! Vós me conheceis e sabeis de onde eu sou!... Entretanto, não vim de mim mesmo, mas é verdadeiro aquele que me enviou, e vós não o conheceis.
 +
29. Eu o conheço, porque venho dele e ele me enviou.
 +
30. Procuraram prendê-lo, mas ninguém lhe deitou as mãos, porque ainda não era chegada a sua hora.
 +
31. Muitos do povo, porém, creram nele e perguntavam: Quando vier o Cristo, fará mais milagres do que este faz?
 +
32. Os fariseus ouviram esse murmúrio que circulava entre o povo a respeito de Jesus. Então, de acordo com eles, os príncipes dos sacerdotes enviaram guardas para prendê-lo.
 +
33. Disse Jesus: Ainda por um pouco de tempo estou convosco e então vou para aquele que me enviou.
 +
34. Buscar-me-eis sem me achar, nem podereis ir para onde estou.
 +
35. Os judeus perguntavam entre si: Para onde irá ele, que o não possamos achar? Porventura irá para o meio dos judeus dispersos entre os gregos, para tornar-se o doutor dos estrangeiros?
 +
36. Que significam essas palavras que nos disse: Buscar-me-eis sem me achar, e onde estou para lá não podereis ir?
 +
37. No último dia, que é o principal dia de festa, estava Jesus de pé e clamava: Se alguém tiver sede, venha a mim e beba.
 +
38. Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva (Zc 14,8; Is 58,11).
 +
39. Dizia isso, referindo-se ao Espírito que haviam de receber os que cressem nele, pois ainda não fora dado o Espírito, visto que Jesus ainda não tinha sido glorificado.
 +
40. Ouvindo essas palavras, alguns daquela multidão diziam: Este é realmente o profeta.
 +
41. Outros diziam: Este é o Cristo. Mas outros protestavam: É acaso da Galiléia que há de vir o Cristo?
 +
42. Não diz a Escritura: O Cristo há de vir da família de Davi, e da aldeia de Belém, onde vivia Davi?
 +
43. Houve por isso divisão entre o povo por causa dele.
 +
44. Alguns deles queriam prendê-lo, mas ninguém lhe lançou as mãos.
 +
45. Voltaram os guardas para junto dos príncipes dos sacerdotes e fariseus, que lhes perguntaram: Por que não o trouxestes?
 +
46. Os guardas responderam: Jamais homem algum falou como este homem!...
 +
47. Replicaram os fariseus: Porventura também vós fostes seduzidos?
 +
48. Há, acaso, alguém dentre as autoridades ou fariseus que acreditou nele?
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49. Este poviléu que não conhece a lei é amaldiçoado!...
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50. Replicou-lhes Nicodemos, um deles, o mesmo que de noite o fora procurar:
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51. Condena acaso a nossa lei algum homem, antes de o ouvir e conhecer o que ele faz?
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52. Responderam-lhe: Porventura és também tu galileu? Informa-te bem e verás que da Galiléia não saiu profeta.
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53. E voltaram, cada um para sua casa.
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Capítulo 8
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1. Dirigiu-se Jesus para o monte das Oliveiras.
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2. Ao romper da manhã, voltou ao templo e todo o povo veio a ele. Assentou-se e começou a ensinar.
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3. Os escribas e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher que fora apanhada em adultério.
 +
4. Puseram-na no meio da multidão e disseram a Jesus: Mestre, agora mesmo esta mulher foi apanhada em adultério.
 +
5. Moisés mandou-nos na lei que apedrejássemos tais mulheres. Que dizes tu a isso?
 +
6. Perguntavam-lhe isso, a fim de pô-lo à prova e poderem acusá-lo. Jesus, porém, se inclinou para a frente e escrevia com o dedo na terra.
 +
7. Como eles insistissem, ergueu-se e disse-lhes: Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra.
 +
8. Inclinando-se novamente, escrevia na terra.
 +
9. A essas palavras, sentindo-se acusados pela sua própria consciência, eles se foram retirando um por um, até o último, a começar pelos mais idosos, de sorte que Jesus ficou sozinho, com a mulher diante dele.
 +
10. Então ele se ergueu e vendo ali apenas a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou?
 +
11. Respondeu ela: Ninguém, Senhor. Disse-lhe então Jesus: Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar.
 +
12. Falou-lhes outra vez Jesus: Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.
 +
13. A isso, os fariseus lhe disseram: Tu dás testemunho de ti mesmo; teu testemunho não é digno de fé.
 +
14. Respondeu-lhes Jesus: Embora eu dê testemunho de mim mesmo, o meu testemunho é digno de fé, porque sei de onde vim e para onde vou; mas vós não sabeis de onde venho nem para onde vou.
 +
15. Vós julgais segundo a aparência; eu não julgo ninguém.
 +
16. E, se julgo, o meu julgamento é conforme a verdade, porque não estou sozinho, mas comigo está o Pai que me enviou.
 +
17. Ora, na vossa lei está escrito: O testemunho de duas pessoas é digno de fé (Dt 19,15).
 +
18. Eu dou testemunho de mim mesmo; e meu Pai, que me enviou, o dá também.
 +
19. Perguntaram-lhe: Onde está teu Pai? Respondeu Jesus: Não conheceis nem a mim nem a meu Pai; se me conhecêsseis, certamente conheceríeis também a meu Pai.
 +
20. Estas palavras proferiu Jesus ensinando no templo, junto aos cofres de esmola. Mas ninguém o prendeu, porque ainda não era chegada a sua hora.
 +
21. Jesus disse-lhes: Eu me vou, e procurar-me-eis e morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, vós não podeis ir.
 +
22. Perguntavam os judeus: Será que ele se vai matar, pois diz: Para onde eu vou, vós não podeis ir?
 +
23. Ele lhes disse: Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo.
 +
24. Por isso vos disse: morrereis no vosso pecado; porque, se não crerdes o que eu sou, morrereis no vosso pecado.
 +
25. Quem és tu?, perguntaram-lhe eles então. Jesus respondeu: Exatamente o que eu vos declaro.
 +
26. Tenho muitas coisas a dizer e a julgar a vosso respeito, mas o que me enviou é verdadeiro e o que dele ouvi eu o digo ao mundo.
 +
27. Eles, porém, não compreenderam que ele lhes falava do Pai.
 +
28. Jesus então lhes disse: Quando tiverdes levantado o Filho do Homem, então conhecereis quem sou e que nada faço de mim mesmo, mas falo do modo como o Pai me ensinou.
 +
29. Aquele que me enviou está comigo; ele não me deixou sozinho, porque faço sempre o que é do seu agrado.
 +
30. Tendo proferido essas palavras, muitos creram nele.
 +
31. E Jesus dizia aos judeus que nele creram: Se permanecerdes na minha palavra, sereis meus verdadeiros discípulos;
 +
32. conhecereis a verdade e a verdade vos livrará.
 +
33. Replicaram-lhe: Somos descendentes de Abraão e jamais fomos escravos de alguém. Como dizes tu: Sereis livres?
 +
34. Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo.
 +
35. Ora, o escravo não fica na casa para sempre, mas o filho sim, fica para sempre.
 +
36. Se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres.
 +
37. Bem sei que sois a raça de Abraão; mas quereis matar-me, porque a minha palavra não penetra em vós.
 +
38. Eu falo o que vi junto de meu Pai; e vós fazeis o que aprendestes de vosso pai.
 +
39. Nosso pai, replicaram eles, é Abraão. Disse-lhes Jesus: Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão.
 +
40. Mas, agora, procurais tirar-me a vida, a mim que vos falei a verdade que ouvi de Deus! Isso Abraão não o fez.
 +
41. Vós fazeis as obras de vosso pai. Retrucaram-lhe eles: Nós não somos filhos da fornicação; temos um só pai: Deus.
 +
42. Jesus replicou: Se Deus fosse vosso pai, vós me amaríeis, porque eu saí de Deus. É dele que eu provenho, porque não vim de mim mesmo, mas foi ele quem me enviou.
 +
43. Por que não compreendeis a minha linguagem? É porque não podeis ouvir a minha palavra.
 +
44. Vós tendes como pai o demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.
 +
45. Mas eu, porque vos digo a verdade, não me credes.
 +
46. Quem de vós me acusará de pecado? Se vos falo a verdade, por que me não credes?
 +
47. Quem é de Deus ouve as palavras de Deus, e se vós não as ouvis é porque não sois de Deus.
 +
48. Responderam então os judeus: Não dizemos com razão que és samaritano, e que estás possesso de um demônio?
 +
49. Respondeu-lhes Jesus: Eu não estou possesso de demônio, mas honro a meu Pai. Vós, porém, me ultrajais!
 +
50. Não busco a minha glória. Há quem a busque e ele fará justiça.
 +
51. Em verdade, em verdade vos digo: se alguém guardar a minha palavra, não verá jamais a morte.
 +
52. Disseram-lhe os judeus: Agora vemos que és possuído de um demônio. Abraão morreu, e também os profetas. E tu dizes que, se alguém guardar a tua palavra, jamais provará a morte...
 +
53. És acaso maior do que nosso pai Abraão? E, entretanto, ele morreu... e os profetas também. Quem pretendes ser?
 +
54. Respondeu Jesus: Se me glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; meu Pai é quem me glorifica, aquele que vós dizeis ser o vosso Deus
 +
55. e, contudo, não o conheceis. Eu, porém, o conheço e, se dissesse que não o conheço, seria mentiroso como vós. Mas conheço-o e guardo a sua palavra.
 +
56. Abraão, vosso pai, exultou com o pensamento de ver o meu dia. Viu-o e ficou cheio de alegria.
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57. Os judeus lhe disseram: Não tens ainda cinqüenta anos e viste Abraão!...
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58. Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: antes que Abraão fosse, eu sou.
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59. A essas palavras, pegaram então em pedras para lhas atirar. Jesus, porém, se ocultou e saiu do templo.
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Capítulo 9
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1. Caminhando, viu Jesus um cego de nascença.
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2. Os seus discípulos indagaram dele: Mestre, quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego?
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3. Jesus respondeu: Nem este pecou nem seus pais, mas é necessário que nele se manifestem as obras de Deus.
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4. Enquanto for dia, cumpre-me terminar as obras daquele que me enviou. Virá a noite, na qual já ninguém pode trabalhar.
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5. Por isso, enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.
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6. Dito isso, cuspiu no chão, fez um pouco de lodo com a saliva e com o lodo ungiu os olhos do cego.
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7. Depois lhe disse: Vai, lava-te na piscina de Siloé (esta palavra significa emissário). O cego foi, lavou-se e voltou vendo.
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8. Então os vizinhos e aqueles que antes o tinham visto mendigar perguntavam: Não é este aquele que, sentado, mendigava?
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9. Respondiam alguns: É ele. Outros contestavam: De nenhum modo, é um parecido com ele. Ele, porém, dizia: Sou eu mesmo.
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10. Perguntaram-lhe, então: Como te foram abertos os olhos?
 +
11. Respondeu ele: Aquele homem que se chama Jesus fez lodo, ungiu-me os olhos e disse-me: Vai à piscina de Siloé e lava-te. Fui, lavei-me e vejo.
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12. Interrogaram-no: Onde está esse homem? Respondeu: Não o sei.
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13. Levaram então o que fora cego aos fariseus.
 +
14. Ora, era sábado quando Jesus fez o lodo e lhe abriu os olhos.
 +
15. Os fariseus indagaram dele novamente de que modo ficara vendo. Respondeu-lhes: Pôs-me lodo nos olhos, lavei-me e vejo.
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16. Diziam alguns dos fariseus: Este homem não é o enviado de Deus, pois não guarda sábado. Outros replicavam: Como pode um pecador fazer tais prodígios? E havia desacordo entre eles.
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17. Perguntaram ainda ao cego: Que dizes tu daquele que te abriu os olhos? É um profeta, respondeu ele.
 +
18. Mas os judeus não quiseram admitir que aquele homem tivesse sido cego e que tivesse recobrado a vista, até que chamaram seus pais.
 +
19. E os interrogaram: É este o vosso filho? Afirmais que ele nasceu cego? Pois como é que agora vê?
 +
20. Seus pais responderam: Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego.
 +
21. Mas não sabemos como agora ficou vendo, nem quem lhe abriu os olhos. Perguntai-o a ele. Tem idade. Que ele mesmo explique.
 +
22. Seus pais disseram isso porque temiam os judeus, pois os judeus tinham ameaçado expulsar da sinagoga todo aquele que reconhecesse Jesus como o Cristo.
 +
23. Por isso é que seus pais responderam: Ele tem idade, perguntai-lho.
 +
24. Tornaram a chamar o homem que fora cego, dizendo-lhe: Dá glória a Deus! Nós sabemos que este homem é pecador.
 +
25. Disse-lhes ele: Se esse homem é pecador, não o sei... Sei apenas isto: sendo eu antes cego, agora vejo.
 +
26. Perguntaram-lhe ainda uma vez: Que foi que ele te fez? Como te abriu os olhos?
 +
27. Respondeu-lhes: Eu já vo-lo disse e não me destes ouvidos. Por que quereis tornar a ouvir? Quereis vós, porventura, tornar-vos também seus discípulos?...
 +
28. Então eles o cobriram de injúrias e lhe disseram: Tu que és discípulo dele! Nós somos discípulos de Moisés.
 +
29. Sabemos que Deus falou a Moisés, mas deste não sabemos de onde ele é.
 +
30. Respondeu aquele homem: O que é de admirar em tudo isso é que não saibais de onde ele é, e entretanto ele me abriu os olhos.
 +
31. Sabemos, porém, que Deus não ouve a pecadores, mas atende a quem lhe presta culto e faz a sua vontade.
 +
32. Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença.
 +
33. Se esse homem não fosse de Deus, não poderia fazer nada.
 +
34. Responderam-lhe eles: Tu nasceste todo em pecado e nos ensinas?... E expulsaram-no.
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35. Jesus soube que o tinham expulsado e, havendo-o encontrado, perguntou-lhe: Crês no Filho do Homem?
 +
36. Respondeu ele: Quem é ele, Senhor, para que eu creia nele?
 +
37. Disse-lhe Jesus: Tu o vês, é o mesmo que fala contigo!
 +
38. Creio, Senhor, disse ele. E, prostrando-se, o adorou.
 +
39. Jesus então disse: Vim a este mundo para fazer uma discriminação: os que não vêem vejam, e os que vêem se tornem cegos.
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40. Alguns dos fariseus, que estavam com ele, ouviram-no e perguntaram-lhe: Também nós somos, acaso, cegos?...
 +
41. Respondeu-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado, mas agora pretendeis ver, e o vosso pecado subsiste.
 +
 
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Capítulo 10
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 +
1. Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador.
 +
2. Mas quem entra pela porta é o pastor das ovelhas.
 +
3. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz à pastagem.
 +
4. Depois de conduzir todas as suas ovelhas para fora, vai adiante delas; e as ovelhas seguem-no, pois lhe conhecem a voz.
 +
5. Mas não seguem o estranho; antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.
 +
6. Jesus disse-lhes essa parábola, mas não entendiam do que ele queria falar.
 +
7. Jesus tornou a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas.
 +
8. Todos quantos vieram antes de mim foram ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os ouviram.
 +
9. Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo; tanto entrará como sairá e encontrará pastagem.
 +
10. O ladrão não vem senão para furtar, matar e destruir. Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância.
 +
11. Eu sou o bom pastor. O bom pastor expõe a sua vida pelas ovelhas.
 +
12. O mercenário, porém, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, quando vê que o lobo vem vindo, abandona as ovelhas e foge; o lobo rouba e dispersa as ovelhas.
 +
13. O mercenário, porém, foge, porque é mercenário e não se importa com as ovelhas.
 +
14. Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim,
 +
15. como meu Pai me conhece e eu conheço o Pai. Dou a minha vida pelas minhas ovelhas.
 +
16. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor.
 +
17. O Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar.
 +
18. Ninguém a tira de mim, mas eu a dou de mim mesmo e tenho o poder de a dar, como tenho o poder de a reassumir. Tal é a ordem que recebi de meu Pai.
 +
19. A propósito dessas palavras, originou-se nova divisão entre os judeus.
 +
20. Muitos deles diziam: Ele está possuído do demônio. Ele delira. Por que o escutais vós?
 +
21. Outros diziam: Estas palavras não são de quem está endemoninhado. Acaso pode o demônio abrir os olhos a um cego?
 +
22. Celebrava-se em Jerusalém a festa da Dedicação. Era inverno.
 +
23. Jesus passeava no templo, no pórtico de Salomão.
 +
24. Os judeus rodearam-no e perguntaram-lhe: Até quando nos deixarás na incerteza? Se tu és o Cristo, dize-nos claramente.
 +
25. Jesus respondeu-lhes : Eu vo-lo digo, mas não credes. As obras que faço em nome de meu Pai, estas dão testemunho de mim.
 +
26. Entretanto, não credes, porque não sois das minhas ovelhas.
 +
27. As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem.
 +
28. Eu llhes dou a vida eterna; elas jamais hão de perecer, e ninguém as roubará de minha mão.
 +
29. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém as pode arrebatar da mão de meu Pai.
 +
30. Eu e o Pai somos um.
 +
31. Os judeus pegaram pela segunda vez em pedras para o apedejar.
 +
32. Disse-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas da parte de meu Pai. Por qual dessas obras me apedrejais?
 +
33. Os judeus responderam-lhe: Não é por causa de alguma boa obra que te queremos apedrejar, mas por uma blasfêmia, porque, sendo homem, te fazes Deus.
 +
34. Replicou-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Vós sois deuses (Sl 81,6)?
 +
35. Se a lei chama deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (ora, a Escritura não pode ser desprezada),
 +
36. como acusais de blasfemo aquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, porque eu disse: Sou o Filho de Deus?
 +
37. Se eu não faço as obras de meu Pai, não me creiais.
 +
38. Mas se as faço, e se não quiserdes crer em mim, crede nas minhas obras, para que saibais e reconheçais que o Pai está em mim e eu no Pai.
 +
39. Procuraram então prendê-lo, mas ele se esquivou das suas mãos.
 +
40. Ele se retirou novamente para além do Jordão, para o lugar onde João começara a batizar, e lá permaneceu.
 +
41. Muitos foram a ele e diziam: João não fez milagre algum,
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42. mas tudo o que João falou deste homem era verdade. E muitos acreditaram nele.
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Capítulo 11
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1. Lázaro caiu doente em Betânia, onde estavam Maria e sua irmã Marta.
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2. Maria era quem ungira o Senhor com o óleo perfumado e lhe enxugara os pés com os seus cabelos. E Lázaro, que estava enfermo, era seu irmão.
 +
3. Suas irmãs mandaram, pois, dizer a Jesus: Senhor, aquele que tu amas está enfermo.
 +
4. A estas palavras, disse-lhes Jesus: Esta enfermidade não causará a morte, mas tem por finalidade a glória de Deus. Por ela será glorificado o Filho de Deus.
 +
5. Ora, Jesus amava Marta, Maria, sua irmã, e Lázaro.
 +
6. Mas, embora tivesse ouvido que ele estava enfermo, demorou-se ainda dois dias no mesmo lugar.
 +
7. Depois, disse a seus discípulos: Voltemos para a Judéia.
 +
8. Mestre, responderam eles, há pouco os judeus te queriam apedrejar, e voltas para lá?
 +
9. Jesus respondeu: Não são doze as horas do dia? Quem caminha de dia não tropeça, porque vê a luz deste mundo.
 +
10. Mas quem anda de noite tropeça, porque lhe falta a luz.
 +
11. Depois destas palavras, ele acrescentou: Lázaro, nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo.
 +
12. Disseram-lhe os seus discípulos: Senhor, se ele dorme, há de sarar.
 +
13. Jesus, entretanto, falara da sua morte, mas eles pensavam que falasse do sono como tal.
 +
14. Então Jesus lhes declarou abertamente: Lázaro morreu.
 +
15. Alegro-me por vossa causa, por não ter estado lá, para que creiais. Mas vamos a ele.
 +
16. A isso Tomé, chamado Dídimo, disse aos seus condiscípulos: Vamos também nós, para morrermos com ele.
 +
17. À chegada de Jesus, já havia quatro dias que Lázaro estava no sepulcro.
 +
18. Ora, Betânia distava de Jerusalém cerca de quinze estádios.
 +
19. Muitos judeus tinham vindo a Marta e a Maria, para lhes apresentar condolências pela morte de seu irmão.
 +
20. Mal soube Marta da vinda de Jesus, saiu-lhe ao encontro. Maria, porém, estava sentada em casa.
 +
21. Marta disse a Jesus: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido!
 +
22. Mas sei também, agora, que tudo o que pedires a Deus, Deus to concederá.
 +
23. Disse-lhe Jesus: Teu irmão ressurgirá.
 +
24. Respondeu-lhe Marta: Sei que há de ressurgir na ressurreição no último dia.
 +
25. Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.
 +
26. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá. Crês nisto?
 +
27. Respondeu ela: Sim, Senhor. Eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que devia vir ao mundo.
 +
28. A essas palavras, ela foi chamar sua irmã Maria, dizendo-lhe baixinho: O Mestre está aí e te chama.
 +
29. Apenas ela o ouviu, levantou-se imediatamente e foi ao encontro dele.
 +
30. (Pois Jesus não tinha chegado à aldeia, mas estava ainda naquele lugar onde Marta o tinha encontrado.)
 +
31. Os judeus que estavam com ela em casa, em visita de pêsames, ao verem Maria levantar-se depressa e sair, seguiram-na, crendo que ela ia ao sepulcro para ali chorar.
 +
32. Quando, porém, Maria chegou onde Jesus estava e o viu, lançou-se aos seus pés e disse-lhe: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido!
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33. Ao vê-la chorar assim, como também todos os judeus que a acompanhavam, Jesus ficou intensamente comovido em espírito. E, sob o impulso de profunda emoção,
 +
34. perguntou: Onde o pusestes? Responderam-lhe: Senhor, vinde ver.
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35. Jesus pôs-se a chorar.
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36. Observaram por isso os judeus: Vede como ele o amava!
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37. Mas alguns deles disseram: Não podia ele, que abriu os olhos do cego de nascença, fazer com que este não morresse?
 +
38. Tomado, novamente, de profunda emoção, Jesus foi ao sepulcro. Era uma gruta, coberta por uma pedra.
 +
39. Jesus ordenou: Tirai a pedra. Disse-lhe Marta, irmã do morto: Senhor, já cheira mal, pois há quatro dias que ele está aí...
 +
40. Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu: Se creres, verás a glória de Deus? Tiraram, pois, a pedra.
 +
41. Levantando Jesus os olhos ao alto, disse: Pai, rendo-te graças, porque me ouviste.
 +
42. Eu bem sei que sempre me ouves, mas falo assim por causa do povo que está em roda, para que creiam que tu me enviaste.
 +
43. Depois destas palavras, exclamou em alta voz: Lázaro, vem para fora!
 +
44. E o morto saiu, tendo os pés e as mãos ligados com faixas, e o rosto coberto por um sudário. Ordenou então Jesus: Desligai-o e deixai-o ir.
 +
45. Muitos dos judeus, que tinham vindo a Marta e Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele.
 +
46. Alguns deles, porém, foram aos fariseus e lhes contaram o que Jesus realizara.
 +
47. Os pontífices e os fariseus convocaram o conselho e disseram: Que faremos? Esse homem multiplica os milagres.
 +
48. Se o deixarmos proceder assim, todos crerão nele, e os romanos virão e arruinarão a nossa cidade e toda a nação.
 +
49. Um deles, chamado Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano, disse-lhes: Vós não entendeis nada!
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50. Nem considerais que vos convém que morra um só homem pelo povo, e que não pereça toda a nação.
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51. E ele não disse isso por si mesmo, mas, como era o sumo sacerdote daquele ano, profetizava que Jesus havia de morrer pela nação,
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52. e não somente pela nação, mas também para que fossem reconduzidos à unidade os filhos de Deus dispersos.
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53. E desde aquele momento resolveram tirar-lhe a vida.
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54. Em conseqüência disso, Jesus já não andava em público entre os judeus. Retirou-se para uma região vizinha do deserto, a uma cidade chamada Efraim, e ali se detinha com seus discípulos.
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55. Estava próxima a Páscoa dos judeus, e muita gente de todo o país subia a Jerusalém antes da Páscoa para se purificar.
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56. Procuravam Jesus e falavam uns com os outros no templo: Que vos parece? Achais que ele não virá à festa?
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57. Mas os sumos sacerdotes e os fariseus tinham dado ordem para que todo aquele que soubesse onde ele estava o denunciasse, para o prenderem.
  
 
   
 
   
 
Capítulo 12
 
Capítulo 12
  
1. Por aquele mesmo tempo, o rei Herodes mandou prender alguns membros da Igreja para os maltratar.
+
1. Seis dias antes da Páscoa, foi Jesus a Betânia, onde vivia Lázaro, que ele ressuscitara.
2. Assim foi que matou à espada Tiago, irmão de João.
+
2. Deram ali uma ceia em sua honra. Marta servia e Lázaro era um dos convivas.
3. Vendo que isto agradava aos judeus, mandou prender Pedro. Eram então os dias dos pães sem fermento.
+
3. Tomando Maria uma libra de bálsamo de nardo puro, de grande preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa encheu-se do perfume do bálsamo.
4. Mandou prendê-lo e lançou-o no cárcere, entregando-o à guarda de quatro grupos, de quatro soldados cada um, com a intenção de apresentá-lo ao povo depois da Páscoa.
+
4. Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de trair, disse:
5. Pedro estava assim encerrado na prisão, mas a Igreja orava sem cessar por ele a Deus.
+
5. Por que não se vendeu este bálsamo por trezentos denários e não se deu aos pobres?
6. Ora, quando Herodes estava para o apresentar, naquela mesma noite dormia Pedro entre dois soldados, ligado com duas cadeias. Os guardas, à porta, vigiavam o cárcere.
+
6. Dizia isso não porque ele se interessasse pelos pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, furtava o que nela lançavam.
7. De repente, apresentou-se um anjo do Senhor, e uma luz brilhou no recinto. Tocando no lado de Pedro, o anjo despertou-o: Levanta-te depressa, disse ele. Caíram-lhe as cadeias das mãos.
+
7. Jesus disse: Deixai-a; ela guardou este perfume para o dia da minha sepultura.
8. O anjo ordenou: Cinge-te e calça as tuas sandálias. Ele assim o fez. O anjo acrescentou: Cobre-te com a tua capa e segue-me.
+
8. Pois sempre tereis convosco os pobres, mas a mim nem sempre me tereis.
9. Pedro saiu e seguiu-o, sem saber se era real o que se fazia por meio do anjo. Julgava estar sonhando.
+
9. Uma grande multidão de judeus veio a saber que Jesus lá estava; e chegou, não somente por causa de Jesus, mas ainda para ver Lázaro, que ele ressuscitara.
10. Passaram o primeiro e o segundo postos da guarda. Chegaram ao portão de ferro, que para a cidade, o qual se lhes abriu por si mesmo. Saíram e tomaram juntos uma rua. Em seguida, de súbito, o anjo desapareceu.
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10. Mas os príncipes dos sacerdotes resolveram tirar a vida também a Lázaro,
11. Então Pedro tornou a si e disse: Agora vejo que o Senhor mandou verdadeiramente o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de tudo o que esperava o povo dos judeus.
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11. porque muitos judeus, por causa dele, se afastavam e acreditavam em Jesus.
12. Refletiu um momento e dirigiu-se para a casa de Maria, mãe de João, que tem por sobrenome Marcos, onde muitos se tinham reunido e faziam oração.
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12. No dia seguinte, uma grande multidão que tinha vindo à festa em Jerusalém ouviu dizer que Jesus se ia aproximando.
13. Quando bateu à porta de entrada, uma criada, chamada Rode, adiantou-se para escutar.
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13. Saíram-lhe ao encontro com ramos de palmas, exclamando: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor, o rei de Israel!
14. Mal reconheceu a voz de Pedro, de tanta alegria não abriu a porta, mas, correndo para dentro, foi anunciar que era Pedro que estava à porta.
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14. Tendo Jesus encontrado um jumentinho, montou nele, segundo o que está escrito:
15. Disseram-lhe: Estás louca! Mas ela persistia em afirmar que era verdade. Diziam eles: Então é o seu anjo.
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15. Não temas, filha de Sião, eis que vem o teu rei montado num filho de jumenta (Zc 9,9).
16. Pedro continuava a bater. Afinal abriram a porta, viram-no e ficaram atônitos.
+
16. Os seus discípulos a princípio não compreendiam essas coisas, mas, quando Jesus foi glorificado, então se lembraram de que isto estava escrito a seu respeito e de que assim lho fizeram.
17. Ele, acenando-lhes com a mão que se calassem, contou como o Senhor o havia livrado da prisão, e disse: Comunicai-o a Tiago e aos irmãos. Em seguida, saiu dali e retirou-se para outro lugar.
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17. A multidão, pois, que se achava com ele, quando chamara Lázaro do sepulcro e o ressuscitara, aclamava-o.
18. Logo que amanheceu, houve um sobressalto pouco comum entre os soldados sobre o que acontecera a Pedro.
+
18. Por isso o povo lhe saía ao encontro, porque tinha ouvido que Jesus fizera aquele milagre.
19. Herodes, procurando-o e não o achando, instaurou um processo contra os guardas e mandou supliciá-los. Em seguida, desceu da Judéia para Cesaréia, onde permaneceu.
+
19. Mas os fariseus disseram entre si: Vede! Nada adiantamos! Reparai que todo mundo corre após ele!
20. Estava Herodes em conflito com os habitantes de Tiro e de Sidônia. Estes, porém, de comum acordo, se apresentaram a ele, e, com o favor de Blasto, que era camareiro do rei, pediram a paz. (Porque a sua região era abastecida por ele.)
+
20. Havia alguns gregos entre os que subiram para adorar durante a festa.
21. No dia marcado, Herodes, vestido em traje real, sentou-se no tribunal e lhes dirigiu uma alocução.
+
21. Estes se aproximaram de Filipe (aquele de Betsaida da Galiléia) e rogaram-lhe: Senhor, quiséramos ver Jesus.
22. O povo aplaudia: É a voz de um deus, e não de um homem!
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22. Filipe foi e falou com André. Então André e Filipe o disseram ao Senhor.
23. No mesmo instante, o anjo do Senhor o feriu, por ele não haver dado honra a Deus. E, roído de vermes, expirou.
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23. Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado.
24. Entretanto, a palavra de Deus crescia e se espalhava sempre mais.
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24. Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto.
25. Tendo Barnabé e Saulo concluído a sua missão, voltaram de Jerusalém (a Antioquia), levando consigo João, que tem por sobrenome Marcos.
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25. Quem ama a sua vida, perdê-la-á; mas quem odeia a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna.
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26. Se alguém me quer servir, siga-me; e, onde eu estiver, estará ali também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará.
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27. Presentemente, a minha alma está perturbada. Mas que direi?... Pai, salva-me desta hora... Mas é exatamente para isso que vim a esta hora.
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28. Pai, glorifica o teu nome! Nisto veio do céu uma voz: Já o glorifiquei e tornarei a glorificá-lo.
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29. Ora, a multidão que ali estava, ao ouvir isso, dizia ter havido um trovão. Outros replicavam: Um anjo falou-lhe.
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30. Jesus disse: Essa voz não veio por mim, mas sim por vossa causa.
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31. Agora é o juízo deste mundo; agora será lançado fora o príncipe deste mundo.
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32. E quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim.
 +
33. Dizia, porém, isto, significando de que morte havia de morrer.
 +
34. A multidão respondeu-lhe: Nós temos ouvido da lei que o Cristo permanece para sempre. Como dizes tu: Importa que o Filho do Homem seja levantado? Quem é esse Filho do Homem?
 +
35. Respondeu-lhes Jesus: Ainda por pouco tempo a luz estará em vosso meio. Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos surpreendam; e quem caminha nas trevas não sabe para onde vai.
 +
36. Enquanto tendes a luz, crede na luz, e assim vos tornareis filhos da luz. Jesus disse essas coisas, retirou-se e ocultou-se longe deles.
 +
37. Embora tivesse feito tantos milagres na presença deles, não acreditavam nele.
 +
38. Assim se cumpria o oráculo do profeta Isaías: Senhor, quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor (Is 53,1)?
 +
39. Aliás, não podiam crer, porque outra vez disse Isaías:
 +
40. Ele cegou-lhes os olhos, endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos nem entendam com o coração e se convertam e eu os sare (Is 6,10).
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41. Assim se exprimiu Isaías, quando teve a visão de sua glória e dele falou.
 +
42. Não obstante, também muitos dos chefes creram nele, mas por causa dos fariseus não o manifestavam, para não serem expulsos da sinagoga.
 +
43. Assim preferiram a glória dos homens àquela que vem de Deus.
 +
44. Entretanto, Jesus exclamou em voz alta: Aquele que crê em mim, crê não em mim, mas naquele que me enviou;
 +
45. e aquele que me vê, vê aquele que me enviou.
 +
46. Eu vim como luz ao mundo; assim, todo aquele que crer em mim não ficará nas trevas.
 +
47. Se alguém ouve as minhas palavras e não as guarda, eu não o condenarei, porque não vim para condenar o mundo, mas para salvá-lo.
 +
48. Quem me despreza e não recebe as minhas palavras, tem quem o julgue; a palavra que anunciei julgá-lo-á no último dia.
 +
49. Em verdade, não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, ele mesmo me prescreveu o que devo dizer e o que devo ensinar.
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50. E sei que o seu mandamento é vida eterna. Portanto, o que digo, digo-o segundo me falou o Pai.
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Capítulo 13
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1. Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou.
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2. Durante a ceia, - quando o demônio já tinha lançado no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de traí-lo -,
 +
3. sabendo Jesus que o Pai tudo lhe dera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava,
 +
4. levantou-se da mesa, depôs as suas vestes e, pegando duma toalha, cingiu-se com ela.
 +
5. Em seguida, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido.
 +
6. Chegou a Simão Pedro. Mas Pedro lhe disse: Senhor, queres lavar-me os pés!...
 +
7. Respondeu-lhe Jesus: O que faço não compreendes agora, mas compreendê-lo-ás em breve.
 +
8. Disse-lhe Pedro: Jamais me lavarás os pés!... Respondeu-lhe Jesus: Se eu não tos lavar, não terás parte comigo.
 +
9. Exclamou então Simão Pedro: Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça.
 +
10. Disse-lhe Jesus: Aquele que tomou banho não tem necessidade de lavar-se; está inteiramente puro. Ora, vós estais puros, mas nem todos!...
 +
11. Pois sabia quem o havia de trair; por isso, disse: Nem todos estais puros.
 +
12. Depois de lhes lavar os pés e tomar as suas vestes, sentou-se novamente à mesa e perguntou-lhes: Sabeis o que vos fiz?
 +
13. Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou.
 +
14. Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros.
 +
15. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós.
 +
16. Em verdade, em verdade vos digo: o servo não é maior do que o seu Senhor, nem o enviado é maior do que aquele que o enviou.
 +
17. Se compreenderdes estas coisas, sereis felizes, sob condição de as praticardes.
 +
18. Não digo isso de vós todos; conheço os que escolhi, mas é preciso que se cumpra esta palavra da Escritura: Aquele que come o pão comigo levantou contra mim o seu calcanhar (Sl 40,10).
 +
19. Desde já vo-lo digo, antes que aconteça, para que, quando acontecer, creiais e reconheçais quem sou eu.
 +
20. Em verdade, em verdade vos digo: quem recebe aquele que eu enviei recebe a mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou.
 +
21. Dito isso, Jesus ficou perturbado em seu espírito e declarou abertamente: Em verdade, em verdade vos digo: um de vós me há de trair!...
 +
22. Os discípulos olhavam uns para os outros, sem saber de quem falava.
 +
23. Um dos discípulos, a quem Jesus amava, estava à mesa reclinado ao peito de Jesus.
 +
24. Simão Pedro acenou-lhe para dizer-lhe: Dize-nos, de quem é que ele fala.
 +
25. Reclinando-se este mesmo discípulo sobre o peito de Jesus, interrogou-o: Senhor, quem é?
 +
26. Jesus respondeu: É aquele a quem eu der o pão embebido. Em seguida, molhou o pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes.
 +
27. Logo que ele o engoliu, Satanás entrou nele. Jesus disse-lhe, então: O que queres fazer, faze-o depressa.
 +
28. Mas ninguém dos que estavam à mesa soube por que motivo lho dissera.
 +
29. Pois, como Judas tinha a bolsa, pensavam alguns que Jesus lhe falava: Compra aquilo de que temos necessidade para a festa. Ou: Dá alguma coisa aos pobres.
 +
30. Tendo Judas recebido o bocado de pão, apressou-se em sair. E era noite...
 +
31. Logo que Judas saiu, Jesus disse: Agora é glorificado o Filho do Homem, e Deus é glorificado nele.
 +
32. Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará em breve.
 +
33. Filhinhos meus, por um pouco apenas ainda estou convosco. Vós me haveis de procurar, mas como disse aos judeus, também vos digo agora a vós: para onde eu vou, vós não podeis ir.
 +
34. Dou-vos um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros.
 +
35. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.
 +
36. Perguntou-lhe Simão Pedro: Senhor, para onde vais? Jesus respondeu-lhe: Para onde vou, não podes seguir-me agora, mas seguir-me-ás mais tarde.
 +
37. Pedro tornou a perguntar: Senhor, por que te não posso seguir agora? Darei a minha vida por ti!
 +
38. Respondeu-lhe Jesus: Darás a tua vida por mim!... Em verdade, em verdade te digo: não cantará o galo até que me negues três vezes.
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Capítulo 14
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 +
1. Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim.
 +
2. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar.
 +
3. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais.
 +
4. E vós conheceis o caminho para ir aonde vou.
 +
5. Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?
 +
6. Jesus lhe respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.
 +
7. Se me conhecêsseis, também certamente conheceríeis meu Pai; desde agora já o conheceis, pois o tendes visto.
 +
8. Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta.
 +
9. Respondeu Jesus: Há tanto tempo que estou convosco e não me conheceste, Filipe! Aquele que me viu, viu também o Pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai...
 +
10. Não credes que estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que vos digo não as digo de mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é que realiza as suas próprias obras.
 +
11. Crede-me: estou no Pai, e o Pai em mim. Crede-o ao menos por causa destas obras.
 +
12. Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas, porque vou para junto do Pai.
 +
13. E tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.
 +
14. Qualquer coisa que me pedirdes em meu nome, vo-lo farei.
 +
15. Se me amais, guardareis os meus mandamentos.
 +
16. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco.
 +
17. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós.
 +
18. Não vos deixarei órfãos. Voltarei a vós.
 +
19. Ainda um pouco de tempo e o mundo já não me verá. Vós, porém, me tornareis a ver, porque eu vivo e vós vivereis.
 +
20. Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim e eu em vós.
 +
21. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama. E aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e manifestar-me-ei a ele.
 +
22. Pergunta-lhe Judas, não o Iscariotes: Senhor, por que razão hás de manifestar-te a nós e não ao mundo?
 +
23. Respondeu-lhe Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada.
 +
24. Aquele que não me ama não guarda as minhas palavras. A palavra que tendes ouvido não é minha, mas sim do Pai que me enviou.
 +
25. Disse-vos estas coisas enquanto estou convosco.
 +
26. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito.
 +
27. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize!
 +
28. Ouvistes que eu vos disse: Vou e volto a vós. Se me amardes, certamente haveis de alegrar-vos, que vou para junto do Pai, porque o Pai é maior do que eu.
 +
29. E disse-vos agora estas coisas, antes que aconteçam, para que creiais quando acontecerem.
 +
30. Já não falarei muito convosco, porque vem o príncipe deste mundo; mas ele não tem nada em mim.
 +
31. O mundo, porém, deve saber que amo o Pai e procedo como o Pai me ordenou. Levantai-vos, vamo-nos daqui.
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Capítulo 15
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1. Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará;
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2. e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto.
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3. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado.
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4. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim.
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5. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.
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6. Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á.
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7. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito.
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8. Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.
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9. Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor.
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10. Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor.
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11. Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa.
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12. Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo.
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13. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos.
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14. Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando.
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15. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai.
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16. Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda.
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17. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros.
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18. Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós.
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19. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia.
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20. Lembrai-vos da palavra que vos disse: O servo não é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir. Se guardaram a minha palavra, hão de guardar também a vossa.
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21. Mas vos farão tudo isso por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou.
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22. Se eu não viesse e não lhes tivesse falado, não teriam pecado; mas agora não há desculpa para o seu pecado.
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23. Aquele que me odeia, odeia também a meu Pai.
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24. Se eu não tivesse feito entre eles obras, como nenhum outro fez, não teriam pecado; mas agora as viram e odiaram a mim e a meu Pai.
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25. Mas foi para que se cumpra a palavra que está escrita na sua lei: Odiaram-me sem motivo (Sl 34,19; 68,5).
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26. Quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim.
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27. Também vós dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio
  
 
   
 
   
Capítulo 13
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Capítulo 16
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1. Disse-vos essas coisas para vos preservar de alguma queda.
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2. Expulsar-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que todo aquele que vos tirar a vida julgará prestar culto a Deus.
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3. Procederão deste modo porque não conheceram o Pai, nem a mim.
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4. Disse-vos, porém, essas palavras para que, quando chegar a hora, vos lembreis de que vo-lo anunciei. E não vo-las disse desde o princípio, porque estava convosco.
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5. Agora vou para aquele que me enviou, e ninguém de vós me pergunta: Para onde vais?
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6. Mas porque vos falei assim, a tristeza encheu o vosso coração.
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7. Entretanto, digo-vos a verdade: convém a vós que eu vá! Porque, se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se eu for, vo-lo enviarei.
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8. E, quando ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do juízo.
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9. Convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em mim.
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10. Ele o convencerá a respeito da justiça, porque eu me vou para junto do meu Pai e vós já não me vereis;
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11. ele o convencerá a respeito do juízo, que consiste em que o príncipe deste mundo já está julgado e condenado.
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12. Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora.
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13. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão.
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14. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará.
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15. Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse: Há de receber do que é meu, e vo-lo anunciará.
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16. Ainda um pouco de tempo, e já me não vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver, porque vou para junto do Pai.
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17. Nisso alguns dos seus discípulos perguntavam uns aos outros: Que é isso que ele nos diz: Ainda um pouco de tempo, e não me vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver? E que significa também: Eu vou para o Pai?
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18. Diziam então: Que significa este pouco de tempo de que fala? Não sabemos o que ele quer dizer.
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19. Jesus notou que lho queriam perguntar e disse-lhes: Perguntais uns aos outros acerca do que eu disse: Ainda um pouco de tempo, e não me vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver.
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20. Em verdade, em verdade vos digo: haveis de lamentar e chorar, mas o mundo se há de alegrar. E haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza se há de transformar em alegria.
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21. Quando a mulher está para dar à luz, sofre porque veio a sua hora. Mas, depois que deu à luz a criança, já não se lembra da aflição, por causa da alegria que sente de haver nascido um homem no mundo.
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22. Assim também vós: sem dúvida, agora estais tristes, mas hei de ver-vos outra vez, e o vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará a vossa alegria.
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23. Naquele dia não me perguntareis mais coisa alguma.
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Em verdade, em verdade vos digo: o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará.
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24. Até agora não pedistes nada em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja perfeita.
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25. Disse-vos essas coisas em termos figurados e obscuros. Vem a hora em que já não vos falarei por meio de comparações e parábolas, mas vos falarei abertamente a respeito do Pai.
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26. Naquele dia pedireis em meu nome, e já não digo que rogarei ao Pai por vós.
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27. Pois o mesmo Pai vos ama, porque vós me amastes e crestes que saí de Deus.
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28. Saí do Pai e vim ao mundo. Agora deixo o mundo e volto para junto do Pai.
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29. Disseram-lhe os seus discípulos: Eis que agora falas claramente e a tua linguagem já não é figurada e obscura.
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30. Agora sabemos que conheces todas as coisas e que não necessitas que alguém te pergunte. Por isso, cremos que saíste de Deus.
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31. Jesus replicou-lhes: Credes agora!...
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32. Eis que vem a hora, e ela já veio, em que sereis espalhados, cada um para o seu lado, e me deixareis sozinho. Mas não estou só, porque o Pai está comigo.
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33. Referi-vos essas coisas para que tenhais a paz em mim. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo.
  
1. Havia então na Igreja de Antioquia profetas e doutores, entre eles Barnabé, Simão, apelidado o Negro, Lúcio de Cirene, Manaém, companheiro de infância do tetrarca Herodes, e Saulo.
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2. Enquanto celebravam o culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado.
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Capítulo 17
3. Então, jejuando e orando, impuseram-lhes as mãos e os despediram.
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4. Enviados assim pelo Espírito Santo, foram a Selêucia e dali navegaram para a ilha de Chipre.
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1. Jesus afirmou essas coisas e depois, levantando os olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora. Glorifica teu Filho, para que teu Filho glorifique a ti;
5. Chegados a Salamina, pregavam a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus. Tinham com eles João para auxiliá-los.
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2. e para que, pelo poder que lhe conferiste sobre toda criatura, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe entregaste.
6. Percorreram toda a ilha até Pafos e acharam um judeu chamado Barjesus, mago e falso profeta,
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3. Ora, a vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste.
7. que vivia na companhia do procônsul Sérgio Paulo, homem sensato. Este chamou Barnabé e Saulo, e exprimiu-lhes o desejo de ouvir a palavra de Deus.
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4. Eu te glorifiquei na terra. Terminei a obra que me deste para fazer.
8. Mas Élimas, o Mago - pois assim é interpretado o seu nome -, se lhes opunha, procurando desviar da fé o procônsul.
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5. Agora, pois, Pai, glorifica-me junto de ti, concedendo-me a glória que tive junto de ti, antes que o mundo fosse criado.
9. Então Saulo, chamado também Paulo, cheio do Espírito Santo, cravou nele os olhos e disse-lhe:
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6. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus e deste-mos e guardaram a tua palavra.
10. Filho do demônio, cheio de todo engano e de toda astúcia, inimigo de toda justiça, não cessas de perverter os caminhos retos do Senhor!
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7. Agora eles reconheceram que todas as coisas que me deste procedem de ti.
11. Eis que agora está sobre ti a mão do Senhor e ficarás cego. Não verás o sol até nova ordem! Caíram logo sobre ele a escuridão e as trevas, e, andando à roda, buscava quem lhe desse a mão.
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8. Porque eu lhes transmiti as palavras que tu me confiaste e eles as receberam e reconheceram verdadeiramente que saí de ti, e creram que tu me enviaste.
12. À vista deste prodígio, o procônsul abraçou a fé, admirando vivamente a doutrina do Senhor.
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9. Por eles é que eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.
13. Paulo e os seus companheiros navegaram de Pafos e chegaram a Perge, na Panfília, de onde João, apartando-se deles, voltou para Jerusalém.
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10. Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu. Neles sou glorificado.
14. Mas eles, deixando Perge, foram para Antioquia da Pisídia. Ali entraram em dia de sábado na sinagoga, e sentaram-se.
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11. Já não estou no mundo, mas eles estão ainda no mundo; eu, porém, vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me encarregaste de fazer conhecer, a fim de que sejam um como nós.
15. Depois da leitura da lei e dos profetas, mandaram-lhes dizer os chefes da sinagoga: Irmãos, se tendes alguma palavra de exortação ao povo, falai-a.
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12. Enquanto eu estava com eles, eu os guardava em teu nome, que me incumbiste de fazer conhecido. Conservei os que me deste, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura.
16. Paulo levantou-se, fez um sinal com a mão e falou: Homens de Israel e vós que temeis a Deus, ouvi.
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13. Mas, agora, vou para junto de ti. Dirijo-te esta oração enquanto estou no mundo para que eles tenham a plenitude da minha alegria.
17. O Deus do povo de Israel escolheu nossos pais e exaltou este povo no tempo em que habitava na terra do Egito, de onde os tirou com o poder de seu braço.
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14. Dei-lhes a tua palavra, mas o mundo os odeia, porque eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo.
18. Por espaço de quarenta anos alimentou-os no deserto.
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15. Não peço que os tires do mundo, mas sim que os preserves do mal.
19. Destruiu sete nações na terra de Canaã e distribuiu-lhes por sorte aquela terra durante quase quatrocentos e cinqüenta anos.
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16. Eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo.
20. Em seguida, lhes deu juízes até o profeta Samuel.
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17. Santifica-os pela verdade. A tua palavra é a verdade.
21. Pediram então um rei, e Deus lhes deu, por quarenta anos, Saul, filho de Cis, da tribo de Benjamim.
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18. Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.
22. Depois, Deus o rejeitou e mandou-lhes Davi como rei, de quem deu este testemunho: Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará todas as minhas vontades.
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19. Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade.
23. De sua descendência, conforme a promessa, Deus fez sair para Israel o Salvador Jesus.
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20. Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em mim.
24. João tinha pregado, desde antes da sua vinda, o batismo do arrependimento a todo o povo de Israel.
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21. Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste.
25. Terminando a sua carreira, dizia: Eu não sou aquele que vós pensais, mas após mim virá aquele de quem não sou digno de desatar o calçado.
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22. Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam um, como nós somos um:
26. Irmãos, filhos de Abraão, e os que entre vós temem a Deus: a nós é que foi dirigida a mensagem de salvação.
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23. eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e