Mudanças entre as edições de "A Bíblia"

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(Mc - Evangelho segundo Marcos)
(Gl Epístola aos Gálatas)
 
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=='''Básico sobre a Bíblia'''==
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==Básico sobre a Bíblia==
  
  
==='''COMO SÃO FEITAS AS CITAÇÕES BÍBLICAS?'''===  
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===COMO SÃO FEITAS AS CITAÇÕES BÍBLICAS?===  
  
 
Por exemplo, quando quisermos citar a Primeira Epístola aos Tessalonicenses, basta escrever '''1Ts.'''
 
Por exemplo, quando quisermos citar a Primeira Epístola aos Tessalonicenses, basta escrever '''1Ts.'''
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==='''ANTIGO TESTAMENTO'''===
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===ANTIGO TESTAMENTO===
  
===='''Pentateuco'''====
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====Pentateuco====
*Gn Livro da Gênese
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*Ex Livro do Êxodo  
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=====Gn. - Livro do Gêneses=====
*Lv Livro do Levítico  
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*Nm Livro dos Números  
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=====Êx. - Livro do Êxodo=====
*Dt Livro do Deuteronômio  
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=====Lv. - Livro do Levítico=====
===='''Históricos'''====
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*Js Livro de Josué  
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=====Nm. - Livro dos Números=====
*Jz Livro dos Juízes  
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*Rt Livro de Rute  
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=====Dt. - Livro do Deuteronômio=====
*1Sm 1º Livro de Samuel  
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*2Sm 2º Livro de Samuel  
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====Históricos====
*1Rs 1º Livro dos Reis  
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*2Rs 2º Livro dos Reis  
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=====Js. - Livro de Josué=====
*1Cr 1º Livro das Crônicas  
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*2Cr 2º Livro das Crônicas  
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=====Jz. - Livro dos Juízes=====
*Esd Livro de Esdras  
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=====Rt. - Livro de Rute=====
*Ne Livro de Neemias  
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=====1Sm. - 1º Livro de Samuel=====
*Tb Livro de Tobias  
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=====2Sm. - 2º Livro de Samuel=====
*Jud Livro de Judite  
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=====1Rs. - 1º Livro dos Reis=====
*Est Livro de Ester  
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=====2Rs. - 2º Livro dos Reis=====
*1Mc 1º Livro dos Macabeus  
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=====1Cr. - 1º Livro das Crônicas=====
*2Mc 2º Livro dos Macabeus
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=====2Cr. - 2º Livro das Crônicas=====
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=====Esd. - Livro de Esdras=====
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=====Ne. - Livro de Neemias=====
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=====Tb. - Livro de Tobias=====
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=====Jud. - Livro de Judite=====
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=====Est. - Livro de Ester=====
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=====1Mc. - 1º Livro dos Macabeus=====
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=====2Mc. - 2º Livro dos Macabeus=====
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====Sapienciais====
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=====Jó - Livro de Jó=====
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=====Sl. - Livro dos Salmos=====
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=====Pr. - Livro dos Provérbios=====
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=====Ecle. - Livro do Eclesiastes=====
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=====Ct. - Cântico dos Cânticos=====
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=====Sb. - Livro da Sabedoria=====
  
===='''Sapienciais'''====
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=====Eclo. - Livro do Eclesiástico=====
*Jó Livro de Jó
 
*Sl Livro dos Salmos
 
*Pr Livro dos Provérbios
 
*Ecl Livro do Eclesiastes
 
*Ct Cântico dos Cânticos
 
*Sb Livro da Sabedoria
 
*Eclo Livro do Eclesiástico
 
  
 
===='''Proféticos'''====
 
===='''Proféticos'''====
*Is Livro de Isaías
 
*Jr Livro de Jeremias
 
*Lm Livro das Lamentações
 
*Br Livro de Baruc
 
*Ez Livro de Ezequiel
 
*Dn Livro de Daniel
 
*Os Livro de Oséias
 
*Jl Livro de Joel
 
*Am Livro de Amós
 
*Ab Livro de Abdias
 
*Jn Livro de Jonas
 
*Mq Livro de Miquéias
 
*Na Livro de Naum
 
*Hab Livro de Habacuc
 
*Sf Livro de Sofonias
 
*Ag Livro de Ageu
 
*Zc Livro de Zacarias
 
*Ml Livro de Malaquias
 
  
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=====Is. - Livro de Isaías=====
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=====Jr. - Livro de Jeremias=====
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=====Lm. - Livro das Lamentações=====
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=====Br. - Livro de Baruc=====
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=====Ez. - Livro de Ezequiel=====
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=====Dn. - Livro de Daniel=====
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=====Os. - Livro de Oséias=====
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=====Jl. - Livro de Joel=====
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=====Am. - Livro de Amós=====
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=====Ab. - Livro de Abdias=====
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=====Jn. - Livro de Jonas=====
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=====Mq. - Livro de Miquéias=====
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=====Na. - Livro de Naum=====
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=====Hab. - Livro de Habacuc=====
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=====Sf. - Livro de Sofonias=====
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=====Ag. - Livro de Ageu=====
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=====Zc. - Livro de Zacarias=====
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=====Ml. - Livro de Malaquias=====
  
 
==='''NOVO TESTAMENTO'''===
 
==='''NOVO TESTAMENTO'''===
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====Evangelhos====
 
====Evangelhos====
  
=====Mt - Evangelho segundo Mateus=====
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=====Mt. - Evangelho segundo Mateus=====
  
 
   
 
   
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20. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.
 
20. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.
  
=====Mc - Evangelho segundo Marcos=====
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=====Mc. - Evangelho segundo Marcos=====
  
 
   
 
   
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20. Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.
 
20. Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.
  
=====Lc - Evangelho segundo Lucas=====
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=====Lc. - Evangelho segundo Lucas=====
  
=====Jo - Evangelho segundo João=====
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Capítulo 1
  
====At - Atos dos Apóstolos====
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1. Muitos empreenderam compor uma história dos acontecimentos que se realizaram entre nós,
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2. como no-los transmitiram aqueles que foram desde o princípio testemunhas oculares e que se tornaram ministros da palavra.
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3. Também a mim me pareceu bem, depois de haver diligentemente investigado tudo desde o princípio, escrevê-los para ti segundo a ordem, excelentíssimo Teófilo,
 +
4. para que conheças a solidez daqueles ensinamentos que tens recebido.
 +
5. Nos tempos de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote por nome Zacarias, da classe de Abias; sua mulher, descendente de Aarão, chamava-se Isabel.
 +
6. Ambos eram justos diante de Deus e observavam irrepreensivelmente todos os mandamentos e preceitos do Senhor.
 +
7. Mas não tinham filho, porque Isabel era estéril e ambos de idade avançada.
 +
8. Ora, exercendo Zacarias diante de Deus as funções de sacerdote, na ordem da sua classe,
 +
9. coube-lhe por sorte, segundo o costume em uso entre os sacerdotes, entrar no santuário do Senhor e aí oferecer o perfume.
 +
10. Todo o povo estava de fora, à hora da oferenda do perfume.
 +
11. Apareceu-lhe então um anjo do Senhor, em pé, à direita do altar do perfume.
 +
12. Vendo-o, Zacarias ficou perturbado, e o temor assaltou-o.
 +
13. Mas o anjo disse-lhe: Não temas, Zacarias, porque foi ouvida a tua oração: Isabel, tua mulher, dar-te-á um filho, e chamá-lo-ás João.
 +
14. Ele será para ti motivo de gozo e alegria, e muitos se alegrarão com o seu nascimento;
 +
15. porque será grande diante do Senhor e não beberá vinho nem cerveja, e desde o ventre de sua mãe será cheio do Espírito Santo;
 +
16. ele converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus,
 +
17. e irá adiante de Deus com o espírito e poder de Elias para reconduzir os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem disposto.
 +
18. Zacarias perguntou ao anjo: Donde terei certeza disto? Pois sou velho e minha mulher é de idade avançada.
 +
19. O anjo respondeu-lhe: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado para te falar e te trazer esta feliz nova.
 +
20. Eis que ficarás mudo e não poderás falar até o dia em que estas coisas acontecerem, visto que não deste crédito às minhas palavras, que se hão de cumprir a seu tempo.
 +
21. No entanto, o povo estava esperando Zacarias; e admirava-se de ele se demorar tanto tempo no santuário.
 +
22. Ao sair, não lhes podia falar, e compreenderam que tivera no santuário uma visão. Ele lhes explicava isto por acenos; e permaneceu mudo.
 +
23. Decorridos os dias do seu ministério, retirou-se para sua casa.
 +
24. Algum tempo depois Isabel, sua mulher, concebeu; e por cinco meses se ocultava, dizendo:
 +
25. Eis a graça que o Senhor me fez, quando lançou os olhos sobre mim para tirar o meu opróbrio dentre os homens.
 +
26. No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré,
 +
27. a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria.
 +
28. Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.
 +
29. Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação.
 +
30. O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus.
 +
31. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus.
 +
32. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó,
 +
33. e o seu reino não terá fim.
 +
34. Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem?
 +
35. Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus.
 +
36. Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril,
 +
37. porque a Deus nenhuma coisa é impossível.
 +
38. Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela.
 +
39. Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá.
 +
40. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.
 +
41. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
 +
42. E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.
 +
43. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?
 +
44. Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio.
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45. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!
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46. E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor,
 +
47. meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador,
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48. porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações,
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49. porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.
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50. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem.
 +
51. Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos.
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52. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes.
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53. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos.
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54. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,
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55. conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre.
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56. Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa.
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57. Completando-se para Isabel o tempo de dar à luz, teve um filho.
 +
58. Os seus vizinhos e parentes souberam que o Senhor lhe manifestara a sua misericórdia, e congratulavam-se com ela.
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59. No oitavo dia, foram circuncidar o menino e o queriam chamar pelo nome de seu pai, Zacarias.
 +
60. Mas sua mãe interveio: Não, disse ela, ele se chamará João.
 +
61. Replicaram-lhe: Não há ninguém na tua família que se chame por este nome.
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62. E perguntavam por acenos ao seu pai como queria que se chamasse.
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63. Ele, pedindo uma tabuinha, escreveu nela as palavras: João é o seu nome. Todos ficaram pasmados.
 +
64. E logo se lhe abriu a boca e soltou-se-lhe a língua e ele falou, bendizendo a Deus.
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65. O temor apoderou-se de todos os seus vizinhos; o fato divulgou-se por todas as montanhas da Judéia.
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66. Todos os que o ouviam conservavam-no no coração, dizendo: Que será este menino? Porque a mão do Senhor estava com ele.
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67. Zacarias, seu pai, ficou cheio do Espírito Santo e profetizou, nestes termos:
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68. Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e resgatou o seu povo,
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69. e suscitou-nos um poderoso Salvador, na casa de Davi, seu servo
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70. (como havia anunciado, desde os primeiros tempos, mediante os seus santos profetas),
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71. para nos livrar dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos odeiam.
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72. Assim exerce a sua misericórdia com nossos pais, e se recorda de sua santa aliança,
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73. segundo o juramento que fez a nosso pai Abraão: de nos conceder que, sem temor,
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74. libertados de mãos inimigas, possamos servi-lo
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75. em santidade e justiça, em sua presença, todos os dias da nossa vida.
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76. E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e lhe prepararás o caminho,
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77. para dar ao seu povo conhecer a salvação, pelo perdão dos pecados.
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78. Graças à ternura e misericórdia de nosso Deus, que nos vai trazer do alto a visita do Sol nascente,
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79. que há de iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte e dirigir os nossos passos no caminho da paz.
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80. O menino foi crescendo e fortificava-se em espírito, e viveu nos desertos até o dia em que se apresentou diante de Israel.
  
Os ''Atos dos Apóstolos'' formam a sequência do terceiro Evangelho, e foram escritos pelo mesmo autor, Lucas, que, para redigí-los, utilizou tradições escritas e orais e escreveu, numa parte importante de sua narrativa, suas próprias memórias.
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Capítulo 2
  
Os ''Atos dos Apóstolos'' contam os acontecimentos que marcaram o nascimento da Igreja primitiva: a ascenção de Jesus, o Pentecostes, a primeira pregação em Jerusalém e na Palestina; em seguida, a conversão de Paulo e suas viagens missionárias através da Ásia Menor e da Grécia, sua prisão, seu processo e sua transferência para Roma. A narrativa termina bruscamente, sem falar da liberação do apóstolo e de suas viagens antes do martírio.
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1. Naqueles tempos apareceu um decreto de César Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra.
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2. Este recenseamento foi feito antes do governo de Quirino, na Síria.
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3. Todos iam alistar-se, cada um na sua cidade.
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4. Também José subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi,
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5. para se alistar com a sua esposa Maria, que estava grávida.
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6. Estando eles ali, completaram-se os dias dela.
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7. E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria.
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8. Havia nos arredores uns pastores, que vigiavam e guardavam seu rebanho nos campos durante as vigílias da noite.
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9. Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu ao redor deles, e tiveram grande temor.
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10. O anjo disse-lhes: Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo:
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11. hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor.
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12. Isto vos servirá de sinal: achareis um recém-nascido envolto em faixas e posto numa manjedoura.
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13. E subitamente ao anjo se juntou uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus e dizia:
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14. Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens, objetos da benevolência (divina).
 +
15. Depois que os anjos os deixaram e voltaram para o céu, falaram os pastores uns com os outros: Vamos até Belém e vejamos o que se realizou e o que o Senhor nos manifestou.
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16. Foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura.
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17. Vendo-o, contaram o que se lhes havia dito a respeito deste menino.
 +
18. Todos os que os ouviam admiravam-se das coisas que lhes contavam os pastores.
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19. Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração.
 +
20. Voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, e que estava de acordo com o que lhes fora dito.
 +
21. Completados que foram os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, como lhe tinha chamado o anjo, antes de ser concebido no seio materno.
 +
22. Concluídos os dias da sua purificação segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentar ao Senhor,
 +
23. conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor (Ex 13,2);
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24. e para oferecerem o sacrifício prescrito pela lei do Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos.
 +
25. Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele.
 +
26. Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor.
 +
27. Impelido pelo Espírito Santo, foi ao templo. E tendo os pais apresentado o menino Jesus, para cumprirem a respeito dele os preceitos da lei,
 +
28. tomou-o em seus braços e louvou a Deus nestes termos:
 +
29. Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra.
 +
30. Porque os meus olhos viram a vossa salvação
 +
31. que preparastes diante de todos os povos,
 +
32. como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel.
 +
33. Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam.
 +
34. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições,
 +
35. a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma.
 +
36. Havia também uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser; era de idade avançada.
 +
37. Depois de ter vivido sete anos com seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações.
 +
38. Chegando ela à mesma hora, louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação.
 +
39. Após terem observado tudo segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, à sua cidade de Nazaré.
 +
40. O menino ia crescendo e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele.
 +
41. Seus pais iam todos os anos a Jerusalém para a festa da Páscoa.
 +
42. Tendo ele atingido doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa.
 +
43. Acabados os dias da festa, quando voltavam, ficou o menino Jesus em Jerusalém, sem que os seus pais o percebessem.
 +
44. Pensando que ele estivesse com os seus companheiros de comitiva, andaram caminho de um dia e o buscaram entre os parentes e conhecidos.
 +
45. Mas não o encontrando, voltaram a Jerusalém, à procura dele.
 +
46. Três dias depois o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os.
 +
47. Todos os que o ouviam estavam maravilhados da sabedoria de suas respostas.
 +
48. Quando eles o viram, ficaram admirados. E sua mãe disse-lhe: Meu filho, que nos fizeste?! Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição.
 +
49. Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?
 +
50. Eles, porém, não compreenderam o que ele lhes dissera.
 +
51. Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração.
 +
52. E Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens.
  
O livro dos ''Atos dos Apóstolos'', em sua primeira parte, insiste antes de tudo na influência do Espírito Santo sobre o desenvolvimento das primeiras comunidades cristãs.
+
 +
Capítulo 3
  
Na segunda parte, ele se restringe a mostrar como Paulo, seguindo nisso o exemplo de Pedro, é o grande realizador da entrada em massa dos pagãos na Igreja.
+
1. No ano décimo quinto do reinado do imperador Tibério, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe tetrarca da Ituréia e da província de Traconites, e Lisânias tetrarca da Abilina,
 +
2. sendo sumos sacerdotes Anás e Caifás, veio a palavra do Senhor no deserto a João, filho de Zacarias.
 +
3. Ele percorria toda a região do Jordão, pregando o batismo de arrependimento para remissão dos pecados,
 +
4. como está escrito no livro das palavras do profeta Isaías (40,3ss.): Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.
 +
5. Todo vale será aterrado, e todo monte e outeiro serão arrasados; tornar-se-á direito o que estiver torto, e os caminhos escabrosos serão aplainados.
 +
6. Todo homem verá a salvação de Deus.
 +
7. Dizia, pois, ao povo que vinha para ser batizado por ele: Raça de víboras! Quem vos ensinou a fugir da ira iminente?
 +
8. Fazei, pois, uma conversão realmente frutuosa e não comeceis a dizer: Temos Abraão por pai. Pois vos digo: Deus tem poder para destas pedras suscitar filhos a Abraão.
 +
9. O machado já está posto à raiz das árvores. E toda árvore que não der fruto bom será cortada e lançada ao fogo.
 +
10. Perguntava-lhe a multidão: Que devemos fazer?
 +
11. Ele respondia: Quem tem duas túnicas dê uma ao que não tem; e quem tem o que comer, faça o mesmo.
 +
12. Também publicanos vieram para ser batizados, e perguntaram-lhe: Mestre, que devemos fazer?
 +
13. Ele lhes respondeu: Não exijais mais do que vos foi ordenado.
 +
14. Do mesmo modo, os soldados lhe perguntavam: E nós, que devemos fazer? Respondeu-lhes: Não pratiqueis violência nem defraudeis a ninguém, e contentai-vos com o vosso soldo.
 +
15. Ora, como o povo estivesse na expectativa, e como todos perguntassem em seus corações se talvez João fosse o Cristo,
 +
16. ele tomou a palavra, dizendo a todos: Eu vos batizo na água, mas eis que vem outro mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias; ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo.
 +
17. Ele tem a pá na mão e limpará a sua eira, e recolherá o trigo ao seu celeiro, mas queimará as palhas num fogo inextinguível.
 +
18. É assim que ele anunciava ao povo a boa nova, e dirigia-lhe ainda muitas outras exortações.
 +
19. Mas Herodes, o tetrarca, repreendido por ele por causa de Herodíades, mulher de seu irmão, e por causa de todos os crimes que praticara,
 +
20. acrescentou a todos eles também este: encerrou João no cárcere.
 +
21. Quando todo o povo ia sendo batizado, também Jesus o foi. E estando ele a orar, o céu se abriu
 +
22. e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como uma pomba; e veio do céu uma voz: Tu és o meu Filho bem-amado; em ti ponho minha afeição.
 +
23. Quando Jesus começou o seu ministério, tinha cerca de trinta anos, e era tido por filho de José, filho de Heli, filho de Matat,
 +
24. filho de Levi, filho de Melqui, filho de Jané, filho de José,
 +
25. filho de Matatias, filho de Amós, filho de Naum, filho de Hesli, filho de Nagé,
 +
26. filho de Maat, filho de Matatias, filho de Semei, filho de José, filho de Judá,
 +
27. filho de Joanã, filho de Resa, filho de Zorobabel, filho de Salatiel, filho de Neri,
 +
28. filho de Melqui, filho de Adi, filho de Cosã, filho de Elmadão, filho de Her,
 +
29. filho de Jesus, filho de Eliezer, filho de Jorim, filho de Matat, filho de Levi,
 +
30. filho de Simeão, filho de Judá, filho de José, filho de Jonão, filho de Eliacim,
 +
31. filho de Meléia, filho de Mena, filho de Matata, filho de Natã, filho de Davi,
 +
32. filho de Jessé, filho de Obed, filho de Booz, filho de Salmon, filho de Naason,
 +
33. filho de Aminadab, filho de Arão, filho de Esron, filho de Farés, filho de Judá,
 +
34. filho de Jacó, filho de Isaac, filho de Abraão, filho de Taré, filho de Nacor,
 +
35. filho de Sarug, filho de Ragau, filho de Faleg, filho de Eber, filho de Salé,
 +
36. filho de Cainã, filho de Arfaxad, filho de Sem, filho de Noé, filho de Lamec,
 +
37. filho de Matusalém, filho de Henoc, filho de Jared, filho de Malaleel, filho de Cainã,
 +
38. filho de Henós, filho de Set, filho de Adão, filho de Deus.
  
A leitura dos ''Atos dos Apóstolos'' - aliás fácil e atraente - é indispensável para uma boa inteligência das Epístolas de São Paulo.
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Capítulo 4
  
=====<font size="3">'''Prefácio'''</font>=====
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1. Cheio do Espírito Santo, voltou Jesus do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto,
 +
2. onde foi tentado pelo demônio durante quarenta dias. Durante este tempo ele nada comeu e, terminados estes dias, teve fome.
 +
3. Disse-lhe então o demônio: Se és o Filho de Deus, ordena a esta pedra que se torne pão.
 +
4. Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra de Deus (Dt 8,3).
 +
5. O demônio levou-o em seguida a um alto monte e mostrou-lhe num só momento todos os reinos da terra,
 +
6. e disse-lhe: Dar-te-ei todo este poder e a glória desses reinos, porque me foram dados, e dou-os a quem quero.
 +
7. Portanto, se te prostrares diante de mim, tudo será teu.
 +
8. Jesus disse-lhe: Está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e a ele só servirás (Dt 6,13).
 +
9. O demônio levou-o ainda a Jerusalém, ao ponto mais alto do templo, e disse-lhe: Se és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo;
 +
10. porque está escrito: Ordenou aos seus anjos a teu respeito que te guardassem.
 +
11. E que te sustivessem em suas mãos, para não ferires o teu pé nalguma pedra (Sl 90,11s.).
 +
12. Jesus disse: Foi dito: Não tentarás o Senhor teu Deus (Dt 6,16).
 +
13. Depois de tê-lo assim tentado de todos os modos, o demônio apartou-se dele até outra ocasião.
 +
14. Jesus então, cheio da força do Espírito, voltou para a Galiléia. E a sua fama divulgou-se por toda a região.
 +
15. Ele ensinava nas sinagogas e era aclamado por todos.
 +
16. Dirigiu-se a Nazaré, onde se havia criado. Entrou na sinagoga em dia de sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para ler.
 +
17. Foi-lhe dado o livro do profeta Isaías. Desenrolando o livro, escolheu a passagem onde está escrito (61,1s.):
 +
18. O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração,
 +
19. para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor.
 +
20. E enrolando o livro, deu-o ao ministro e sentou-se; todos quantos estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele.
 +
21. Ele começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu este oráculo que vós acabais de ouvir.
 +
22. Todos lhe davam testemunho e se admiravam das palavras de graça, que procediam da sua boca, e diziam: Não é este o filho de José?
 +
23. Então lhes disse: Sem dúvida me citareis este provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo; todas as maravilhas que fizeste em Cafarnaum, segundo ouvimos dizer, faze-o também aqui na tua pátria.
 +
24. E acrescentou: Em verdade vos digo: nenhum profeta é bem aceito na sua pátria.
 +
25. Em verdade vos digo: muitas viúvas havia em Israel, no tempo de Elias, quando se fechou o céu por três anos e meio e houve grande fome por toda a terra;
 +
26. mas a nenhuma delas foi mandado Elias, senão a uma viúva em Sarepta, na Sidônia.
 +
27. Igualmente havia muitos leprosos em Israel, no tempo do profeta Eliseu; mas nenhum deles foi limpo, senão o sírio Naamã.
 +
28. A estas palavras, encheram-se todos de cólera na sinagoga.
 +
29. Levantaram-se e lançaram-no fora da cidade; e conduziram-no até o alto do monte sobre o qual estava construída a sua cidade, e queriam precipitá-lo dali abaixo.
 +
30. Ele, porém, passou por entre eles e retirou-se.
 +
31. Desceu a Cafarnaum, cidade da Galiléia, e ali ensinava-os aos sábados.
 +
32. Maravilharam-se da sua doutrina, porque ele ensinava com autoridade.
 +
33. Estava na sinagoga um homem que tinha um demônio imundo, e exclamou em alta voz:
 +
34. Deixa-nos! Que temos nós contigo, Jesus de Nazaré? Vieste para nos perder? Sei quem és: o Santo de Deus!
 +
35. Mas Jesus replicou severamente: Cala-te e sai deste homem. O demônio lançou-o por terra no meio de todos e saiu dele, sem lhe fazer mal algum.
 +
36. Todos ficaram cheios de pavor e falavam uns com os outros: Que significa isso? Manda com poder e autoridade aos espíritos imundos, e eles saem?
 +
37. E corria a sua fama por todos os lugares da circunvizinhança.
 +
38. Saindo Jesus da sinagoga, entrou na casa de Simão. A sogra de Simão estava com febre alta; e pediram-lhe por ela.
 +
39. Inclinando-se sobre ela, ordenou ele à febre, e a febre deixou-a. Ela levantou-se imediatamente e pôs-se a servi-los.
 +
40. Depois do pôr-do-sol, todos os que tinham enfermos de diversas moléstias lhos traziam. Impondo-lhes a mão, os sarava.
 +
41. De muitos saíam os demônios, aos gritos, dizendo: Tu és o Filho de Deus. Mas ele repreendia-os severamente, não lhes permitindo falar, porque sabiam que ele era o Cristo.
 +
42. Ao amanhecer, ele saiu e retirou-se para um lugar afastado. As multidões o procuravam e foram até onde ele estava e queriam detê-lo, para que não as deixasse.
 +
43. Mas ele disse-lhes: É necessário que eu anuncie a boa nova do Reino de Deus também às outras cidades, pois essa é a minha missão.
 +
44. E andava pregando nas sinagogas da Galiléia.
  
<font size="5">'''1)'''</font> "'''1.''' Em minha primeira narração, ó Teófilo, contei toda a seqüência das ações e dos ensinamentos de Jesus,
+
'''2.''' desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo suas instruções aos apóstolos que escolhera, foi arrebatado (ao céu).
+
Capítulo 5
'''3.''' E a eles se manifestou vivo depois de sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus.
 
  
<center><font size="3">'''A IMPLANTAÇÃO DA IGREJA DE CRISTO NA PALESTINA (1,4-12) - (ou "Atos de Pedro")'''</font></center>
+
1. Estando Jesus um dia à margem do lago de Genesaré, o povo se comprimia em redor dele para ouvir a palavra de Deus.
 +
2. Vendo duas barcas estacionadas à beira do lago, - pois os pescadores haviam descido delas para consertar as redes -,
 +
3. subiu a uma das barcas que era de Simão e pediu-lhe que a afastasse um pouco da terra; e sentado, ensinava da barca o povo.
 +
4. Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar.
 +
5. Simão respondeu-lhe: Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos; mas por causa de tua palavra, lançarei a rede.
 +
6. Feito isto, apanharam peixes em tanta quantidade, que a rede se lhes rompia.
 +
7. Acenaram aos companheiros, que estavam na outra barca, para que viessem ajudar. Eles vieram e encheram ambas as barcas, de modo que quase iam ao fundo.
 +
8. Vendo isso, Simão Pedro caiu aos pés de Jesus e exclamou: Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador.
 +
9. É que tanto ele como seus companheiros estavam assombrados por causa da pesca que haviam feito.
 +
10. O mesmo acontecera a Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus companheiros. Então Jesus disse a Simão: Não temas; doravante serás pescador de homens.
 +
11. E atracando as barcas à terra, deixaram tudo e o seguiram.
 +
12. Estando ele numa cidade, apareceu um homem cheio de lepra. Vendo Jesus, lançou-se com o rosto por terra e lhe suplicou: Senhor, se queres, podes limpar-me.
 +
13. Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: Eu quero; sê purificado! No mesmo instante desapareceu dele a lepra.
 +
14. Ordenou-lhe Jesus que o não contasse a ninguém, dizendo-lhe, porém: Vai e mostra-te ao sacerdote, e oferece pela tua purificação o que Moisés prescreveu, para lhes servir de testemunho.
 +
15. Entretanto, espalhava-se mais e mais a sua fama e concorriam grandes multidões para o ouvir e ser curadas das suas enfermidades.
 +
16. Mas ele costumava retirar-se a lugares solitários para orar.
 +
17. Um dia estava ele ensinando. Ao seu derredor estavam sentados fariseus e doutores da lei, vindos de todas as localidades da Galiléia, da Judéia e de Jerusalém. E o poder do Senhor fazia-o realizar várias curas.
 +
18. Apareceram algumas pessoas trazendo num leito um homem paralítico; e procuravam introduzi-lo na casa e pô-lo diante dele.
 +
19. Mas não achando por onde o introduzir, por causa da multidão, subiram ao telhado e por entre as telhas o arriaram com o leito ao meio da assembléia, diante de Jesus.
 +
20. Vendo a fé que tinham, disse Jesus: Meu amigo, os teus pecados te são perdoados.
 +
21. Então os escribas e os fariseus começaram a pensar e a dizer consigo mesmos: Quem é este homem que profere blasfêmias? Quem pode perdoar pecados senão unicamente Deus?
 +
22. Jesus, porém, penetrando nos seus pensamentos, replicou-lhes: Que pensais nos vossos corações?
 +
23. Que é mais fácil dizer: Perdoados te são os pecados; ou dizer: Levanta-te e anda?
 +
24. Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder de perdoar pecados (disse ele ao paralítico), eu te ordeno: levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa.
 +
25. No mesmo instante, levantou-se ele à vista deles, tomou o leito e partiu para casa, glorificando a Deus.
 +
26. Todos ficaram transportados de entusiasmo e glorificavam a Deus; e tomados de temor, diziam: Hoje vimos coisas maravilhosas.
 +
27. Depois disso, ele saiu e viu sentado ao balcão um coletor de impostos, por nome Levi, e disse-lhe: Segue-me.
 +
28. Deixando ele tudo, levantou-se e o seguiu.
 +
29. Levi deu-lhe um grande banquete em sua casa; vários desses fiscais e outras pessoas estavam sentados à mesa com eles.
 +
30. Os fariseus e os seus escribas puseram-se a criticar e a perguntar aos discípulos: Por que comeis e bebeis com os publicanos e pessoas de má vida?
 +
31. Respondeu-lhes Jesus: Não são os homens de boa saúde que necessitam de médico, mas sim os enfermos.
 +
32. Não vim chamar à conversão os justos, mas sim os pecadores.
 +
33. Eles então lhe disseram: Os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam com freqüência e fazem longas orações, mas os teus comem e bebem...
 +
34. Jesus respondeu-lhes: Porventura podeis vós obrigar a jejuar os amigos do esposo, enquanto o esposo está com eles?
 +
35. Virão dias em que o esposo lhes será tirado; então jejuarão.
 +
36. Propôs-lhes também esta comparação: Ninguém rasga um pedaço de roupa nova para remendar uma roupa velha, porque assim estragaria uma roupa nova. Além disso, o remendo novo não assentaria bem na roupa velha.
 +
37. Também ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho novo arrebentará os odres e entornar-se-á, e perder-se-ão os odres;
 +
38. mas o vinho novo deve-se pôr em odres novos, e assim ambos se conservam.
 +
39. Demais, ninguém que bebeu do vinho velho quer já do novo, porque diz: O vinho velho é melhor.
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Capítulo 6
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1. Em dia de sábado, Jesus atravessava umas plantações; seus discípulos iam colhendo espigas (de trigo), as debulhavam na mão e comiam.
 +
2. Alguns dos fariseus lhes diziam: Por que fazeis o que não é permitido no sábado?
 +
3. Jesus respondeu: Acaso não tendes lido o que fez Davi, quando teve fome, ele e os seus companheiros;
 +
4. como entrou na casa de Deus e tomou os pães da proposição e deles comeu e deu de comer aos seus companheiros, se bem que só aos sacerdotes era permitido comê-los?
 +
5. E ajuntou: O Filho do Homem é senhor também do sábado.
 +
6. Em outro dia de sábado, Jesus entrou na sinagoga e ensinava. Achava-se ali um homem que tinha a mão direita seca.
 +
7. Ora, os escribas e os fariseus observavam Jesus para ver se ele curaria no dia de sábado. Eles teriam então pretexto para acusá-lo.
 +
8. Mas Jesus conhecia os pensamentos deles e disse ao homem que tinha a mão seca: Levanta-te e põe-te em pé, aqui no meio. Ele se levantou e ficou em pé.
 +
9. Disse-lhes Jesus: Pergunto-vos se no sábado é permitido fazer o bem ou o mal; salvar a vida, ou deixá-la perecer.
 +
10. E relanceando os olhos sobre todos, disse ao homem: Estende tua mão. Ele a estendeu, e foi-lhe restabelecida a mão.
 +
11. Mas eles encheram-se de furor e indagavam uns aos outros o que fariam a Jesus.
 +
12. Naqueles dias, Jesus retirou-se a uma montanha para rezar, e passou aí toda a noite orando a Deus.
 +
13. Ao amanhecer, chamou os seus discípulos e escolheu doze dentre eles que chamou de apóstolos:
 +
14. Simão, a quem deu o sobrenome de Pedro; André, seu irmão; Tiago, João, Filipe, Bartolomeu,
 +
15. Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Simão, chamado Zelador;
 +
16. Judas, irmão de Tiago; e Judas Iscariotes, aquele que foi o traidor.
 +
17. Descendo com eles, parou numa planície. Aí se achava um grande número de seus discípulos e uma grande multidão de pessoas vindas da Judéia, de Jerusalém, da região marítima, de Tiro e Sidônia, que tinham vindo para ouvi-lo e ser curadas das suas enfermidades.
 +
18. E os que eram atormentados dos espíritos imundos ficavam livres.
 +
19. Todo o povo procurava tocá-lo, pois saía dele uma força que os curava a todos.
 +
20. Então ele ergueu os olhos para os seus discípulos e disse: Bem-aventurados vós que sois pobres, porque vosso é o Reino de Deus!
 +
21. Bem-aventurados vós que agora tendes fome, porque sereis fartos! Bem-aventurados vós que agora chorais, porque vos alegrareis!
 +
22. Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos ultrajarem, e quando repelirem o vosso nome como infame por causa do Filho do Homem!
 +
23. Alegrai-vos naquele dia e exultai, porque grande é o vosso galardão no céu. Era assim que os pais deles tratavam os profetas.
 +
24. Mas ai de vós, ricos, porque tendes a vossa consolação!
 +
25. Ai de vós, que estais fartos, porque vireis a ter fome! Ai de vós, que agora rides, porque gemereis e chorareis!
 +
26. Ai de vós, quando vos louvarem os homens, porque assim faziam os pais deles aos falsos profetas!
 +
27. Digo-vos a vós que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam,
 +
28. abençoai os que vos maldizem e orai pelos que vos injuriam.
 +
29. Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra. E ao que te tirar a capa, não impeças de levar também a túnica.
 +
30. Dá a todo o que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho reclames.
 +
31. O que quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles.
 +
32. Se amais os que vos amam, que recompensa mereceis? Também os pecadores amam aqueles que os amam.
 +
33. E se fazeis bem aos que vos fazem bem, que recompensa mereceis? Pois o mesmo fazem também os pecadores.
 +
34. Se emprestais àqueles de quem esperais receber, que recompensa mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para receberem outro tanto.
 +
35. Pelo contrário, amai os vossos inimigos, fazei bem e emprestai, sem daí esperar nada. E grande será a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, porque ele é bom para com os ingratos e maus.
 +
36. Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso.
 +
37. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados;
 +
38. dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também.
 +
39. Propôs-lhes também esta comparação: Pode acaso um cego guiar outro cego? Não cairão ambos na cova?
 +
40. O discípulo não é superior ao mestre; mas todo discípulo perfeito será como o seu mestre.
 +
41. Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão e não reparas na trave que está no teu olho?
 +
42. Ou como podes dizer a teu irmão: Deixa-me, irmão, tirar de teu olho o argueiro, quando tu não vês a trave no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e depois enxergarás para tirar o argueiro do olho de teu irmão.
 +
43. Uma árvore boa não dá frutos maus, uma árvore má não dá bom fruto.
 +
44. Porquanto cada árvore se conhece pelo seu fruto. Não se colhem figos dos espinheiros, nem se apanham uvas dos abrolhos.
 +
45. O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio.
 +
46. Por que me chamais: Senhor, Senhor... e não fazeis o que digo?
 +
47. Todo aquele que vem a mim ouve as minhas palavras e as pratica, eu vos mostrarei a quem é semelhante.
 +
48. É semelhante ao homem que, edificando uma casa, cavou bem fundo e pôs os alicerces sobre a rocha. As águas transbordaram, precipitaram-se as torrentes contra aquela casa e não a puderam abalar, porque ela estava bem construída.
 +
49. Mas aquele que as ouve e não as observa é semelhante ao homem que construiu a sua casa sobre a terra movediça, sem alicerces. A torrente investiu contra ela, e ela logo ruiu; e grande foi a ruína daquela casa.
  
=====<font size="3">'''A Ascenção'''</font>=====
+
'''4.''' E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa de seu Pai, que ouvistes, disse ele, da minha boca;
+
Capítulo 7
'''5.''' porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias.
 
'''6.''' Assim reunidos, eles o interrogavam: Senhor, é porventura agora que ides instaurar o reino de Israel?
 
'''7.''' Respondeu-lhes ele: Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder,
 
'''8.''' mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo.
 
'''9.''' Dizendo isso elevou-se da (terra) à vista deles e uma nuvem o ocultou aos seus olhos..
 
'''10.''' Enquanto o acompanhavam com seus olhares, vendo-o afastar-se para o céu, eis que lhes apareceram dois homens vestidos de branco, que lhes disseram:
 
'''11.''' Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu.
 
  
=====<font size="3">'''Os discípulos no cenáculo'''</font>=====
+
1. Tendo Jesus concluído todos os seus discursos ao povo que o escutava, entrou em Cafarnaum.
'''12.''' Voltaram eles então para Jerusalém do monte chamado das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, distante uma jornada de sábado.
+
2. Havia lá um centurião que tinha um servo a quem muito estimava e que estava à morte.
'''13.''' Tendo entrado no cenáculo, subiram ao quarto de cima, onde costumavam permanecer. Eram eles: Pedro e João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelador, e Judas, irmão de Tiago.
+
3. Tendo ouvido falar de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, rogando-lhe que o viesse curar.
'''14.''' Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele.
+
4. Aproximando-se eles de Jesus, rogavam-lhe encarecidamente: Ele bem merece que lhe faças este favor,
 +
5. pois é amigo da nossa nação e foi ele mesmo quem nos edificou uma sinagoga.
 +
6. Jesus então foi com eles. E já não estava longe da casa, quando o centurião lhe mandou dizer por amigos seus: Senhor, não te incomodes tanto assim, porque não sou digno de que entres em minha casa;
 +
7. por isso nem me achei digno de chegar-me a ti, mas dize somente uma palavra e o meu servo será curado.
 +
8. Pois também eu, simples subalterno, tenho soldados às minhas ordens; e digo a um: Vai ali! E ele vai; e a outro: Vem cá! E ele vem; e ao meu servo: Faze isto! E ele o faz.
 +
9. Ouvindo estas palavras, Jesus ficou admirado. E, voltando-se para o povo que o ia seguindo, disse: Em verdade vos digo: nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé.
 +
10. Voltando para a casa do centurião os que haviam sido enviados, encontraram o servo curado.
 +
11. No dia seguinte dirigiu-se Jesus a uma cidade chamada Naim. Iam com ele diversos discípulos e muito povo.
 +
12. Ao chegar perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto a ser sepultado, filho único de uma viúva; acompanhava-a muita gente da cidade.
 +
13. Vendo-a o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe: Não chores!
 +
14. E aproximando-se, tocou no esquife, e os que o levavam pararam. Disse Jesus: Moço, eu te ordeno, levanta-te.
 +
15. Sentou-se o que estivera morto e começou a falar, e Jesus entregou-o à sua mãe.
 +
16. Apoderou-se de todos o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta surgiu entre nós: Deus voltou os olhos para o seu povo.
 +
17. A notícia deste fato correu por toda a Judéia e por toda a circunvizinhança.
 +
18. Os discípulos de João referiram-lhe todas estas coisas.
 +
19. E João chamou dois dos seus discípulos e enviou-os a Jesus, perguntando: És tu o que há de vir ou devemos esperar por outro?
 +
20. Chegando estes homens a ele, disseram: João Batista enviou-nos a ti, perguntando: És tu o que há de vir ou devemos esperar por outro?
 +
21. Ora, naquele momento Jesus havia curado muitas pessoas de enfermidades, de doenças e de espíritos malignos, e dado a vista a muitos cegos.
 +
22. Respondeu-lhes ele: Ide anunciar a João o que tendes visto e ouvido: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, aos pobres é anunciado o Evangelho;
 +
23. e bem-aventurado é aquele para quem eu não for ocasião de queda!
 +
24. Depois que se retiraram os mensageiros de João, ele começou a falar de João ao povo: Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?
 +
25. Mas que fostes ver? Um homem vestido de roupas finas? Mas os que vestem roupas preciosas e vivem no luxo estão nos palácios dos reis.
 +
26. Mas, enfim, que fostes ver? Um profeta? Sim, digo-vos, e mais do que profeta.
 +
27. Este é aquele de quem está escrito: Eis que envio o meu mensageiro ante a tua face; ele preparará o teu caminho diante de ti (Ml 3,1).
 +
28. Pois vos digo: entre os nascidos de mulher não há maior que João. Entretanto, o menor no Reino de Deus é maior do que ele.
 +
29. Ouvindo-o todo o povo, e mesmo os publicanos, deram razão a Deus, fazendo-se batizar com o batismo de João.
 +
30. Os fariseus, porém, e os doutores da lei, recusando o seu batismo, frustraram o desígnio de Deus a seu respeito.
 +
31. A quem compararei os homens desta geração? Com quem se assemelham?
 +
32. São semelhantes a meninos que, sentados na praça, falam uns com os outros, dizendo: Tocamos a flauta e não dançastes; entoamos lamentações e não chorastes.
 +
33. Pois veio João Batista, que nem comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Ele está possuído do demônio.
 +
34. Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: Eis um comilão e beberrão, amigo dos publicanos e libertinos.
 +
35. Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos.
 +
36. Um fariseu convidou Jesus a ir comer com ele. Jesus entrou na casa dele e pôs-se à mesa.
 +
37. Uma mulher pecadora da cidade, quando soube que estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro cheio de perfume;
 +
38. e, estando a seus pés, por detrás dele, começou a chorar. Pouco depois suas lágrimas banhavam os pés do Senhor e ela os enxugava com os cabelos, beijava-os e os ungia com o perfume.
 +
39. Ao presenciar isto, o fariseu, que o tinha convidado, dizia consigo mesmo: Se este homem fosse profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que o toca, pois é pecadora.
 +
40. Então Jesus lhe disse: Simão, tenho uma coisa a dizer-te. Fala, Mestre, disse ele.
 +
41. Um credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinqüenta.
 +
42. Não tendo eles com que pagar, perdoou a ambos a sua dívida. Qual deles o amará mais?
 +
43. Simão respondeu: A meu ver, aquele a quem ele mais perdoou. Jesus replicou-lhe: Julgaste bem.
 +
44. E voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para lavar os pés; mas esta, com as suas lágrimas, regou-me os pés e enxugou-os com os seus cabelos.
 +
45. Não me deste o ósculo; mas esta, desde que entrou, não cessou de beijar-me os pés.
 +
46. Não me ungiste a cabeça com óleo; mas esta, com perfume, ungiu-me os pés.
 +
47. Por isso te digo: seus numerosos pecados lhe foram perdoados, porque ela tem demonstrado muito amor. Mas ao que pouco se perdoa, pouco ama.
 +
48. E disse a ela: Perdoados te são os pecados.
 +
49. Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer, então: Quem é este homem que até perdoa pecados?
 +
50. Mas Jesus, dirigindo-se à mulher, disse-lhe: Tua fé te salvou; vai em paz.
  
=====<font size="3">'''Eleição de Matias'''</font>=====
+
'''15.''' Num daqueles dias, levantou-se Pedro no meio de seus irmãos, na assembléia reunida que constava de umas cento e vinte pessoas, e disse:
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Capítulo 8
'''16.''' Irmãos, convinha que se cumprisse o que o Espírito Santo predisse na escritura pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus.
 
'''17.''' Ele era um dos nossos e teve parte no nosso ministério.
 
'''18.''' Este homem adquirira um campo com o salário de seu crime. Depois, tombando para a frente, arrebentou-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram.
 
'''19.''' (Tornou-se este fato conhecido dos habitantes de Jerusalém, de modo que aquele campo foi chamado na língua deles Hacéldama, isto é, Campo de Sangue.)
 
'''20.''' Pois está escrito no livro dos Salmos: Fique deserta a sua habitação, e não haja quem nela habite; e ainda mais: Que outro receba o seu cargo (Sl 68,26; 108,8).
 
'''21.''' Convém que destes homens que têm estado em nossa companhia todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós,
 
'''22.''' a começar do batismo de João até o dia em que do nosso meio foi arrebatado, um deles se torne conosco testemunha de sua Ressurreição.
 
'''23.''' Propuseram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome Justo, e Matias.
 
'''24.''' E oraram nestes termos: Ó Senhor, que conheces os corações de todos, mostra-nos qual destes dois escolheste
 
'''25.''' para tomar neste ministério e apostolado o lugar de Judas que se transviou, para ir para o seu próprio lugar.
 
'''26.''' Deitaram sorte e caiu a sorte em Matias, que foi incorporado aos onze apóstolos".
 
  
=====<font size="3">'''Vinda do Espírito Santo'''</font>=====
+
1. Depois disso, Jesus andava pelas cidades e aldeias anunciando a boa nova do Reino de Deus.
 +
2. Os Doze estavam com ele, como também algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios;
 +
3. Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes; Susana e muitas outras, que o assistiram com as suas posses.
 +
4. Havia se reunido uma grande multidão: eram pessoas vindas de várias cidades para junto dele. Ele lhes disse esta parábola:
 +
5. Saiu o semeador a semear a sua semente. E ao semear, parte da semente caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram.
 +
6. Outra caiu no pedregulho; e, tendo nascido, secou, por falta de umidade.
 +
7. Outra caiu entre os espinhos; cresceram com ela os espinhos, e sufocaram-na.
 +
8. Outra, porém, caiu em terra boa; tendo crescido, produziu fruto cem por um. Dito isto, Jesus acrescentou alteando a voz: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!
 +
9. Os seus discípulos perguntaram-lhe a significação desta parábola.
 +
10. Ele respondeu: A vós é concedido conhecer os mistérios do Reino de Deus, mas aos outros se lhes fala por parábolas; de forma que vendo não vejam, e ouvindo não entendam.
 +
11. Eis o que significa esta parábola: a semente é a palavra de Deus.
 +
12. Os que estão à beira do caminho são aqueles que ouvem; mas depois vem o demônio e lhes tira a palavra do coração, para que não creiam nem se salvem.
 +
13. Aqueles que a recebem em solo pedregoso são os ouvintes da palavra de Deus que a acolhem com alegria; mas não têm raiz, porque crêem até certo tempo, e na hora da provação a abandonam.
 +
14. A que caiu entre os espinhos, estes são os que ouvem a palavra, mas prosseguindo o caminho, são sufocados pelos cuidados, riquezas e prazeres da vida, e assim os seus frutos não amadurecem.
 +
15. A que caiu na terra boa são os que ouvem a palavra com coração reto e bom, retêm-na e dão fruto pela perseverança.
 +
16. Ninguém acende uma lâmpada e a cobre com um vaso ou a põe debaixo da cama; mas a põe sobre um castiçal, para iluminar os que entram.
 +
17. Porque não há coisa oculta que não acabe por se manifestar, nem secreta que não venha a ser descoberta.
 +
18. Vede, pois, como é que ouvis. Porque ao que tiver, lhe será dado; e ao que não tiver, até aquilo que julga ter lhe será tirado.
 +
19. A mãe e os irmãos de Jesus foram procurá-lo, mas não podiam chegar-se a ele por causa da multidão.
 +
20. Foi-lhe avisado: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e desejam ver-te.
 +
21. Ele lhes disse: Minha mãe e meus irmãos são estes, que ouvem a palavra de Deus e a observam.
 +
22. Num daqueles dias ele subiu com os seus discípulos a uma barca. Disse ele: Passemos à outra margem do lago. E eles partiram.
 +
23. Durante a travessia, Jesus adormeceu. Desabou então uma tempestade de vento sobre o lago. A barca enchia-se de água, e eles se achavam em perigo.
 +
24. Aproximaram-se dele então e o despertaram com este grito: Mestre, Mestre! Nós estamos perecendo! Levantou-se ele e ordenou aos ventos e à fúria da água que se acalmassem; e se acalmaram e logo veio a bonança. 25 Perguntou-lhes, então: Onde está a vossa fé? Eles, cheios de respeito e de profunda admiração, diziam uns aos outros: Quem é este, a quem os ventos e o mar obedecem?
 +
26. Navegaram para a região dos gerasenos, que está defronte da Galiléia.
 +
27. Mal saltou em terra, veio-lhe ao encontro um homem dessa região, possuído de muitos demônios; há muito tempo não se vestia nem parava em casa, mas habitava no cemitério.
 +
28. Ao ver Jesus, prostrou-se diante dele e gritou em alta voz: Por que te ocupas de mim, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te, não me atormentes!
 +
29. Porque Jesus ordenara ao espírito imundo que saísse do homem. Pois há muito tempo que se apoderara dele, e guardavam-no preso em cadeias e com grilhões nos pés, mas ele rompia as cadeias e era impelido pelo demônio para os desertos.
 +
30. Jesus perguntou-lhe: Qual é o teu nome? Ele respondeu: Legião! (Porque eram muitos os demônios que nele se ocultavam.)
 +
31. E pediam-lhe que não os mandasse ir para o abismo.
 +
32. Ora, andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos; rogaram-lhe os demônios que lhes permitisse entrar neles. Ele permitiu.
 +
33. Saíram, pois, os demônios do homem e entraram nos porcos; e a manada de porcos precipitou-se, pelo despenhadeiro, impetuosamente no lago e afogou-se.
 +
34. Quando aqueles que os guardavam viram o acontecido, fugiram e foram contá-lo na cidade e pelo campo.
 +
35. Saíram eles, pois, a ver o que havia ocorrido. Chegaram a Jesus e acharam a seus pés, sentado, vestido e calmo, o homem de quem haviam sido expulsos os demônios; e tomados de medo,
 +
36. ouviram das testemunhas a narração desse exorcismo.
 +
37. Então todo o povo da região dos gerasenos rogou a Jesus que se retirasse deles, pois estavam possuídos de grande temor. Jesus subiu à barca, para regressar.
 +
38. Nesse momento, pedia-lhe o homem, de quem tinham saído os demônios, para ficar com ele. Mas Jesus despediu-o, dizendo:
 +
39. Volta para casa, e conta quanto Deus te fez. E ele se foi, publicando por toda a cidade essas grandes coisas...
 +
40. À sua volta, Jesus foi recebido por uma multidão que o esperava.
 +
41. O chefe da sinagoga, chamado Jairo, foi ao seu encontro. Lançou-se a seus pés e rogou-lhe que fosse à sua casa,
 +
42. porque tinha uma filha única, de uns doze anos, que estava para morrer. Jesus dirigiu-se para lá, comprimido pelo povo.
 +
43. Ora, uma mulher que padecia dum fluxo de sangue havia doze anos, e tinha gasto com médicos todos os seus bens, sem que nenhum a pudesse curar,
 +
44. aproximou-se dele por detrás e tocou-lhe a orla do manto; e no mesmo instante lhe parou o fluxo de sangue.
 +
45. Jesus perguntou: Quem foi que me tocou? Como todos negassem, Pedro e os que com ele estavam disseram: Mestre, a multidão te aperta de todos os lados...
 +
46. Jesus replicou: Alguém me tocou, porque percebi sair de mim uma força.
 +
47. A mulher viu-se descoberta e foi tremendo e prostrou-se aos seus pés; e declarou diante de todo o povo o motivo por que o havia tocado, e como logo ficara curada.
 +
48. Jesus disse-lhe: Minha filha, tua fé te salvou; vai em paz.
 +
49. Enquanto ainda falava, veio alguém e disse ao chefe da sinagoga: Tua filha acaba de morrer; não incomodes mais o Mestre.
 +
50. Mas Jesus o ouviu e disse a Jairo: Não temas; crê somente e ela será salva.
 +
51. Quando Jesus chegou à casa, não deixou ninguém entrar com ele, senão Pedro, Tiago, João com o pai e a mãe da menina.
 +
52. Todos, entretanto, choravam e se lamentavam. Mas Jesus disse: Não choreis; a menina não morreu, mas dorme.
 +
53. Zombavam dele, pois sabiam bem que estava morta.
 +
54. Mas segurando ele a mão dela, disse em alta voz: Menina, levanta-te!
 +
55. Voltou-lhe a vida e ela levantou-se imediatamente. Jesus mandou que lhe dessem de comer.
 +
56. Seus pais ficaram tomados de pasmo; Jesus ordenou-lhes que não contassem a pessoa alguma o que se tinha passado.
  
<font size="5">'''2)'''</font> "'''1.''' Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar.
+
'''2.''' De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados.
+
Capítulo 9
'''3.''' Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles.
 
'''4.''' Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.
 
'''5.''' Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu.
 
'''6.''' Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua.
 
'''7.''' Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam?
 
'''8.''' Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?
 
'''9.''' Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia,
 
'''10.''' a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos,
 
'''11.''' judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus!
 
'''12.''' Estavam, pois, todos atônitos e, sem saber o que pensar, perguntavam uns aos outros: Que significam estas coisas?
 
'''13.''' Outros, porém, escarnecendo, diziam: Estão todos embriagados de vinho doce.
 
  
=====<font size="3">'''Discurso de Pedro'''</font>=====
+
1. Reunindo Jesus os doze apóstolos, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para curar enfermidades.
'''14.''' Pedro então, pondo-se de pé em companhia dos Onze, com voz forte lhes disse: Homens da Judéia e vós todos que habitais em Jerusalém: seja-vos isto conhecido e prestai atenção às minhas palavras.
+
2. Enviou-os a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos.
'''15.''' Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, visto não ser ainda a hora terceira do dia.
+
3. Disse-lhes: Não leveis coisa alguma para o caminho, nem bordão, nem mochila, nem pão, nem dinheiro, nem tenhais duas túnicas.
'''16.''' Mas cumpre-se o que foi dito pelo profeta Joel:
+
4. Em qualquer casa em que entrardes, ficai ali até que deixeis aquela localidade.
'''17.''' Acontecerá nos últimos dias - é Deus quem fala -, que derramarei do meu Espírito sobre todo ser vivo: profetizarão os vossos filhos e as vossas filhas. Os vossos jovens terão visões, e os vossos anciãos sonharão.
+
5. Onde ninguém vos receber, deixai aquela cidade e em testemunho contra eles sacudi a poeira dos vossos pés.
'''18.''' Sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei naqueles dias do meu Espírito e profetizarão.
+
6. Partiram, pois, e percorriam as aldeias, pregando o Evangelho e fazendo curas por toda parte.
'''19.''' Farei aparecer prodígios em cima, no céu, e milagres embaixo, na terra: sangue fogo e vapor de fumaça.
+
7. O tetrarca Herodes ouviu falar de tudo o que Jesus fazia e ficou perplexo. Uns diziam: É João que ressurgiu dos mortos; outros: É Elias que apareceu;
'''20.''' O sol se converterá em trevas e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor.
+
8. e ainda outros: É um dos antigos profetas que ressuscitou.
'''21.''' E então todo o que invocar o nome do Senhor será salvo (Jl 3,1-5).
+
9. Mas Herodes dizia: Eu degolei João. Quem é, pois, este, de quem ouço tais coisas? E procurava ocasião de vê-lo.
'''22.''' Israelitas, ouvi estas palavras: Jesus de Nazaré, homem de quem Deus tem dado testemunho diante de vós com milagres, prodígios e sinais que Deus por ele realizou no meio de vós como vós mesmos o sabeis,
+
10. Os apóstolos, ao voltarem, contaram a Jesus tudo o que haviam feito. Tomando-os ele consigo à parte, dirigiu-se a um lugar deserto para o lado de Betsaida.
'''23.''' depois de ter sido entregue, segundo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de ímpios.
+
11. Logo que a multidão o soube, o foi seguindo; Jesus recebeu-os e falava-lhes do Reino de Deus. Restabelecia também a saúde dos doentes.
'''24.''' Mas Deus o ressuscitou, rompendo os grilhões da morte, porque não era possível que ela o retivesse em seu poder.
+
12. Ora, o dia começava a declinar e os Doze foram dizer-lhe: Despede as turbas, para que vão pelas aldeias e sítios da vizinhança e procurem alimento e hospedagem, porque aqui estamos num lugar deserto.
'''25.''' Pois dele diz Davi: Eu via sempre o Senhor perto de mim, pois ele está à minha direita, para que eu não seja abalado.
+
13. Jesus replicou-lhes: Dai-lhes vós mesmos de comer. Retrucaram eles: Não temos mais do que cinco pães e dois peixes, a menos que nós mesmos vamos e compremos mantimentos para todo este povo.
'''26.''' Alegrou-se por isso o meu coração e a minha língua exultou. Sim, também a minha carne repousará na esperança,
+
14. (Pois eram quase cinco mil homens.) Jesus disse aos discípulos: Mandai-os sentar, divididos em grupos de cinqüenta.
'''27.''' pois não deixarás a minha alma na região dos mortos, nem permitirás que o teu santo conheça a corrupção.
+
15. Assim o fizeram e todos se assentaram.
'''28.''' Fizeste-me conhecer os caminhos da vida, e me encherás de alegria com a visão de tua face (Sl 15,8-11).
+
16. Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos ao céu, abençoou-os, partiu-os e deu-os a seus discípulos, para que os servissem ao povo.
'''29.''' Irmãos, seja permitido dizer-vos com franqueza: do patriarca Davi dizemos que morreu e foi sepultado, e o seu sepulcro está entre nós até o dia de hoje.
+
17. E todos comeram e ficaram fartos. Do que sobrou recolheram ainda doze cestos de pedaços.
30. Mas ele era profeta e sabia que Deus lhe havia jurado que um dos seus descendentes seria colocado no seu trono.
+
18. Num dia em que ele estava a orar a sós com os discípulos, perguntou-lhes: Quem dizem que eu sou?
'''31.''' É, portanto, a ressurreição de Cristo que ele previu e anunciou por estas palavras: Ele não foi abandonado na região dos mortos, e sua carne não conheceu a corrupção.
+
19. Responderam-lhe: Uns dizem que és João Batista; outros, Elias; outros pensam que ressuscitou algum dos antigos profetas.
'''32.''' A este Jesus, Deus o ressuscitou: do que todos nós somos testemunhas.
+
20. Perguntou-lhes, então: E vós, quem dizeis que eu sou? Pedro respondeu: O Cristo de Deus.
'''33.''' Exaltado pela direita de Deus, havendo recebido do Pai o Espírito Santo prometido, derramou-o como vós vedes e ouvis.
+
21. Ordenou-lhes energicamente que não o dissessem a ninguém.
'''34.''' Pois Davi pessoalmente não subiu ao céu, todavia diz: O Senhor disse a meu Senhor: Senta-te à minha direita
+
22. Ele acrescentou: É necessário que o Filho do Homem padeça muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas. É necessário que seja levado à morte e que ressuscite ao terceiro dia.
'''35.''' até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés (Sl 109,1).
+
23. Em seguida, dirigiu-se a todos: Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me.
'''36.''' Que toda a casa de Israel saiba, portanto, com a maior certeza de que este Jesus, que vós crucificastes, Deus o constituiu Senhor e Cristo.
+
24. Porque, quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, salvá-la-á.
 +
25. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder-se a si mesmo e se causa a sua própria ruína?
 +
26. Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na sua glória, na glória de seu Pai e dos santos anjos.
 +
27. Em verdade vos digo: dos que aqui se acham, alguns há que não morrerão, até que vejam o Reino de Deus.
 +
28. Passados uns oitos dias, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e subiu ao monte para orar.
 +
29. Enquanto orava, transformou-se o seu rosto e as suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura.
 +
30. E eis que falavam com ele dois personagens: eram Moisés e Elias,
 +
31. que apareceram envoltos em glória, e falavam da morte dele, que se havia de cumprir em Jerusalém.
 +
32. Entretanto, Pedro e seus companheiros tinham-se deixado vencer pelo sono; ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois personagens em sua companhia.
 +
33. Quando estes se apartaram de Jesus, Pedro disse: Mestre, é bom estarmos aqui. Podemos levantar três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias!... Ele não sabia o que dizia.
 +
34. Enquanto ainda assim falava, veio uma nuvem e encobriu-os com a sua sombra; e os discípulos, vendo-os desaparecer na nuvem, tiveram um grande pavor.
 +
35. Então da nuvem saiu uma voz: Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o!
 +
36. E, enquanto ainda ressoava esta voz, achou-se Jesus sozinho. Os discípulos calaram-se e a ninguém disseram naqueles dias coisa alguma do que tinham visto.
 +
37. No dia seguinte, descendo eles do monte, veio ao encontro de Jesus uma grande multidão.
 +
38. Eis que um homem exclamou do meio da multidão: Mestre, rogo-te que olhes para meu filho, pois é o único que tenho.
 +
39. Um espírito se apodera dele e subitamente dá gritos, lança-o por terra, agita-o com violência, fá-lo espumar e só o larga depois de o deixar todo ofegante.
 +
40. Pedi a teus discípulos que o expelissem, mas não o puderam fazer.
 +
41. Respondeu Jesus: Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei convosco e vos aturarei? Traze cá teu filho.
 +
42. E quando ele ia chegando, o demônio lançou-o por terra e agitou-o violentamente. Mas Jesus intimou o espírito imundo, curou o menino e o restituiu a seu pai.
 +
43. Todos ficaram pasmados ante a grandeza de Deus. Como todos se admirassem de tudo o que Jesus fazia, disse ele a seus discípulos:
 +
44. Gravai nos vossos corações estas palavras: O Filho do Homem há de ser entregue às mãos dos homens!
 +
45. Eles, porém, não entendiam esta palavra e era-lhes obscura, de modo que não alcançaram o seu sentido; e tinham medo de lhe perguntar a este respeito.
 +
46. Veio-lhes então o pensamento de qual deles seria o maior.
 +
47. Penetrando Jesus nos pensamentos de seus corações, tomou um menino, colocou-o junto de si e disse-lhes:
 +
48. Todo o que recebe este menino em meu nome, a mim é que recebe; e quem recebe a mim, recebe aquele que me enviou; pois quem dentre vós for o menor, esse será grande.
 +
49. João tomou a palavra e disse: Mestre, vimos um homem que expelia demônios em teu nome, e nós lho proibimos, porque não é dos nossos.
 +
50. Mas Jesus lhe disse: Não lho proibais; porque, o que não é contra vós, é a vosso favor.
 +
51. Aproximando-se o tempo em que Jesus devia ser arrebatado deste mundo, ele resolveu dirigir-se a Jerusalém.
 +
52. Enviou diante de si mensageiros que, tendo partido, entraram em uma povoação dos samaritanos para lhe arranjar pousada.
 +
53. Mas não o receberam, por ele dar mostras de que ia para Jerusalém.
 +
54. Vendo isto, Tiago e João disseram: Senhor, queres que mandemos que desça fogo do céu e os consuma?
 +
55. Jesus voltou-se e repreendeu-os severamente. [Não sabeis de que espírito sois animados.
 +
56. O Filho do Homem não veio para perder as vidas dos homens, mas para salvá-las.] Foram então para outra povoação.
 +
57. Enquanto caminhavam, um homem lhe disse: Senhor, seguir-te-ei para onde quer que vás.
 +
58. Jesus replicou-lhe: As raposas têm covas e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.
 +
59. A outro disse: Segue-me. Mas ele pediu: Senhor, permite-me ir primeiro enterrar meu pai.
 +
60. Mas Jesus disse-lhe: Deixa que os mortos enterrem seus mortos; tu, porém, vai e anuncia o Reino de Deus.
 +
61. Um outro ainda lhe falou: Senhor, seguir-te-ei, mas permite primeiro que me despeça dos que estão em casa.
 +
62. Mas Jesus disse-lhe: Aquele que põe a mão no arado e olha para trás, não é apto para o Reino de Deus.
 +
 
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Capítulo 10
 +
 
 +
1. Depois disso, designou o Senhor ainda setenta e dois outros discípulos e mandou-os, dois a dois, adiante de si, por todas as cidades e lugares para onde ele tinha de ir.
 +
2. Disse-lhes: Grande é a messe, mas poucos são os operários. Rogai ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe.
 +
3. Ide; eis que vos envio como cordeiros entre lobos.
 +
4. Não leveis bolsa nem mochila, nem calçado e a ninguém saudeis pelo caminho.
 +
5. Em toda casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz a esta casa!
 +
6. Se ali houver algum homem pacífico, repousará sobre ele a vossa paz; mas, se não houver, ela tornará para vós.
 +
7. Permanecei na mesma casa, comei e bebei do que eles tiverem, pois o operário é digno do seu salário. Não andeis de casa em casa.
 +
8. Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei o que se vos servir.
 +
9. Curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: O Reino de Deus está próximo.
 +
10. Mas se entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saindo pelas suas praças, dizei:
 +
11. Até o pó que se nos pegou da vossa cidade, sacudimos contra vós; sabei, contudo, que o Reino de Deus está próximo.
 +
12. Digo-vos: naqueles dias haverá um tratamento menos rigoroso para Sodoma.
 +
13. Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e Sidônia tivessem sido feitos os prodígios que foram realizados em vosso meio, há muito tempo teriam feito penitência, cobrindo-se de saco e cinza.
 +
14. Por isso haverá no dia do juízo menos rigor para Tiro e Sidônia do que para vós.
 +
15. E tu, Cafarnaum, que te elevas até o céu, serás precipitada até aos infernos.
 +
16. Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou.
 +
17. Voltaram alegres os setenta e dois, dizendo: Senhor, até os demônios se nos submetem em teu nome!
 +
18. Jesus disse-lhes: Vi Satanás cair do céu como um raio.
 +
19. Eis que vos dei poder para pisar serpentes, escorpiões e todo o poder do inimigo.
 +
20. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos estão sujeitos, mas alegrai-vos de que os vossos nomes estejam escritos nos céus.
 +
21. Naquele mesma hora, Jesus exultou de alegria no Espírito Santo e disse: Pai, Senhor do céu e da terra, eu te dou graças porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, bendigo-te porque assim foi do teu agrado.
 +
22. Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
 +
23. E voltou-se para os seus discípulos, e disse: Ditosos os olhos que vêem o que vós vedes,
 +
24. pois vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram.
 +
25. Levantou-se um doutor da lei e, para pô-lo à prova, perguntou: Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna?
 +
26. Disse-lhe Jesus: Que está escrito na lei? Como é que lês?
 +
27. Respondeu ele: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento (Dt 6,5); e a teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18).
 +
28. Falou-lhe Jesus: Respondeste bem; faze isto e viverás.
 +
29. Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: E quem é o meu próximo?
 +
30. Jesus então contou: Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de ladrões, que o despojaram; e depois de o terem maltratado com muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o meio morto.
 +
31. Por acaso desceu pelo mesmo caminho um sacerdote, viu-o e passou adiante.
 +
32. Igualmente um levita, chegando àquele lugar, viu-o e passou também adiante.
 +
33. Mas um samaritano que viajava, chegando àquele lugar, viu-o e moveu-se de compaixão.
 +
34. Aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; colocou-o sobre a sua própria montaria e levou-o a uma hospedaria e tratou dele.
 +
35. No dia seguinte, tirou dois denários e deu-os ao hospedeiro, dizendo-lhe: Trata dele e, quanto gastares a mais, na volta to pagarei.
 +
36. Qual destes três parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?
 +
37. Respondeu o doutor: Aquele que usou de misericórdia para com ele. Então Jesus lhe disse: Vai, e faze tu o mesmo.
 +
38. Estando Jesus em viagem, entrou numa aldeia, onde uma mulher, chamada Marta, o recebeu em sua casa.
 +
39. Tinha ela uma irmã por nome Maria, que se assentou aos pés do Senhor para ouvi-lo falar.
 +
40. Marta, toda preocupada na lida da casa, veio a Jesus e disse: Senhor, não te importas que minha irmã me deixe só a servir? Dize-lhe que me ajude.
 +
41. Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas;
 +
42. no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a boa parte, que lhe não será tirada.
 +
 
 +
 +
Capítulo 11
 +
 
 +
1. Um dia, num certo lugar, estava Jesus a rezar. Terminando a oração, disse-lhe um de seus discípulos: Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos.
 +
2. Disse-lhes ele, então: Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso Reino;
 +
3. dai-nos hoje o pão necessário ao nosso sustento;
 +
4. perdoai-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos àqueles que nos ofenderam; e não nos deixeis cair em tentação.
 +
5. Em seguida, ele continuou: Se alguém de vós tiver um amigo e for procurá-lo à meia-noite, e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães,
 +
6. pois um amigo meu acaba de chegar à minha casa, de uma viagem, e não tenho nada para lhe oferecer;
 +
7. e se ele responder lá de dentro: Não me incomodes; a porta já está fechada, meus filhos e eu estamos deitados; não posso levantar-me para te dar os pães;
 +
8. eu vos digo: no caso de não se levantar para lhe dar os pães por ser seu amigo, certamente por causa da sua importunação se levantará e lhe dará quantos pães necessitar.
 +
9. E eu vos digo: pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.
 +
10. Pois todo aquele que pede, recebe; aquele que procura, acha; e ao que bater, se lhe abrirá.
 +
11. Se um filho pedir um pão, qual o pai entre vós que lhe dará uma pedra? Se ele pedir um peixe, acaso lhe dará uma serpente?
 +
12. Ou se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á porventura um escorpião?
 +
13. Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que lho pedirem.
 +
14. Jesus expelia um demônio que era mudo. Tendo o demônio saído, o mudo pôs-se a falar e a multidão ficou admirada.
 +
15. Mas alguns deles disseram: Ele expele os demônios por Beelzebul, príncipe dos demônios.
 +
16. E para pô-lo à prova, outros lhe pediam um sinal do céu.
 +
17. Penetrando nos seus pensamentos, disse-lhes Jesus: Todo o reino dividido contra si mesmo será destruído e seus edifícios cairão uns sobre os outros.
 +
18. Se, pois, Satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Pois dizeis que expulso os demônios por Beelzebul.
 +
19. Ora, se é por Beelzebul que expulso os demônios, por quem o expulsam vossos filhos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes!
 +
20. Mas se expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente é chegado a vós o Reino de Deus.
 +
21. Quando um homem forte guarda armado a sua casa, estão em segurança os bens que possui.
 +
22. Mas se sobrevier outro mais forte do que ele e o vencer, este lhe tirará todas as armas em que confiava, e repartirá os seus despojos.
 +
23. Quem não está comigo, está contra mim; quem não recolhe comigo, espalha.
 +
24. Quando um espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso; não o achando, diz: Voltarei à minha casa, donde saí.
 +
25. Chegando, acha-a varrida e adornada.
 +
26. Vai então e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele e entram e estabelecem-se ali. E a última condição desse homem vem a ser pior do que a primeira.
 +
27. Enquanto ele assim falava, uma mulher levantou a voz do meio do povo e lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe, e os peitos que te amamentaram!
 +
28. Mas Jesus replicou: Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam!
 +
29. Afluía o povo e ele continuou: Esta geração é uma geração perversa; pede um sinal, mas não se lhe dará outro sinal senão o sinal do profeta Jonas.
 +
30. Pois, como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim o Filho do Homem o será para esta geração.
 +
31. A rainha do meio-dia levantar-se-á no dia do juízo para condenar os homens desta geração, porque ela veio dos confins da terra ouvir a sabedoria de Salomão! Ora, aqui está quem é mais que Salomão.
 +
32. Os ninivitas levantar-se-ão no dia do juízo para condenar os homens desta geração, porque fizeram penitência com a pregação de Jonas. Ora, aqui está quem é mais do que Jonas.
 +
33. Ninguém acende uma lâmpada e a põe em lugar oculto ou debaixo da amassadeira, mas sobre um candeeiro, para alumiar os que entram.
 +
34. O olho é a lâmpada do corpo. Se teu olho é são, todo o corpo será bem iluminado; se, porém, estiver em mau estado, o teu corpo estará em trevas.
 +
35. Vê, pois, que a luz que está em ti não sejam trevas.
 +
36. Se, pois, todo o teu corpo estiver na luz, sem mistura de trevas, ele será inteiramente iluminado, como sob a brilhante luz de uma lâmpada.
 +
37. Enquanto Jesus falava, pediu-lhe um fariseu que fosse jantar em sua companhia. Ele entrou e pôs-se à mesa.
 +
38. Admirou-se o fariseu de que ele não se tivesse lavado antes de comer.
 +
39. Disse-lhe o Senhor: Vós, fariseus, limpais o que está por fora do vaso e do prato, mas o vosso interior está cheio de roubo e maldade!
 +
40. Insensatos! Quem fez o exterior não fez também o conteúdo?
 +
41. Dai antes em esmola o que possuís, e todas as coisas vos serão limpas.
 +
42. Ai de vós, fariseus, que pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de diversas ervas e desprezais a justiça e o amor de Deus. No entanto, era necessário praticar estas coisas, sem contudo deixar de fazer aquelas outras coisas.
 +
43. Ai de vós, fariseus, que gostais das primeiras cadeiras nas sinagogas e das saudações nas praças públicas!
 +
44. Ai de vós, que sois como os sepulcros que não aparecem, e sobre os quais os homens caminham sem o saber.
 +
45. Um dos doutores da lei lhe disse: Mestre, falando assim também a nós outros nos afrontas.
 +
46. Ele respondeu: Ai também de vós, doutores da lei, que carregais os homens com pesos que não podem levar, mas vós mesmos nem sequer com um dedo vosso tocais os fardos.
 +
47. Ai de vós, que edificais sepulcros para os profetas que vossos pais mataram.
 +
48. Vós servis assim de testemunhas das obras de vossos pais e as aprovais, porque em verdade eles os mataram, mas vós lhes edificais os sepulcros.
 +
49. Por isso, também disse a sabedoria de Deus: Enviar-lhes-ei profetas e apóstolos, mas eles darão a morte a uns e perseguirão a outros.
 +
50. E assim se pedirá conta a esta geração do sangue de todos os profetas derramado desde a criação do mundo,
 +
51. desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi assassinado entre o altar e o templo. Sim, declaro-vos que se pedirá conta disso a esta geração!
 +
52. Ai de vós, doutores da lei, que tomastes a chave da ciência, e vós mesmos não entrastes e impedistes aos que vinham para entrar.
 +
53. Depois que Jesus saiu dali, os escribas e fariseus começaram a importuná-lo fortemente e a persegui-lo com muitas perguntas,
 +
54. armando-lhe desta maneira ciladas, e procurando surpreendê-lo nalguma palavra de sua boca.
  
=====<font size="3">'''Primeiras conversões'''</font>=====
+
'''37.''' Ao ouvirem essas coisas, ficaram compungidos no íntimo do coração e indagaram de Pedro e dos demais apóstolos: Que devemos fazer, irmãos?
+
Capítulo 12
'''38.''' Pedro lhes respondeu: Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.
 
'''39.''' Pois a promessa é para vós, para vossos filhos e para todos os que ouvirem de longe o apelo do Senhor, nosso Deus.
 
'''40.''' Ainda com muitas outras palavras exortava-os, dizendo: Salvai-vos do meio dessa geração perversa!
 
'''41.''' Os que receberam a sua palavra foram batizados. E naquele dia elevou-se a mais ou menos três mil o número dos adeptos.
 
  
=====<font size="3">'''Virtudes dos primeiros cristãos'''</font>=====
+
1. Enquanto isso, os homens se tinham reunido aos milhares em torno de Jesus, de modo que se atropelavam uns aos outros. Jesus começou a dizer a seus discípulos: Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.
'''42.''' Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações.
+
2. Porque não há nada oculto que não venha a descobrir-se, e nada há escondido que não venha a ser conhecido.
'''43.''' De todos eles se apoderou o temor, pois pelos apóstolos foram feitos também muitos prodígios e milagres em Jerusalém e o temor estava em todos os corações.
+
3. Pois o que dissestes às escuras será dito à luz; e o que falastes ao ouvido, nos quartos, será publicado de cima dos telhados.
'''44.''' Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum.
+
4. Digo-vos a vós, meus amigos: não tenhais medo daqueles que matam o corpo e depois disto nada mais podem fazer.
'''45.''' Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um.
+
5. Mostrar-vos-ei a quem deveis temer: temei àquele que, depois de matar, tem poder de lançar no inferno; sim, eu vo-lo digo: temei a este.
'''46.''' Unidos de coração freqüentavam todos os dias o templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração,
+
6. Não se vendem cinco pardais por dois asses? E, entretanto, nem um só deles passa despercebido diante de Deus.
'''47.''' louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros que estavam a caminho da salvação".
+
7. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois. Mais valor tendes vós do que numerosos pardais.
 +
8. Digo-vos: todo o que me reconhecer diante dos homens, também o Filho do Homem o reconhecerá diante dos anjos de Deus;
 +
9. mas quem me negar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus.
 +
10. Todo aquele que tiver falado contra o Filho do Homem obterá perdão, mas aquele que tiver blasfemado contra o Espírito Santo não alcançará perdão.
 +
11. Quando, porém, vos levarem às sinagogas, perante os magistrados e as autoridades, não vos preocupeis com o que haveis de falar em vossa defesa,
 +
12. porque o Espírito Santo vos inspirará naquela hora o que deveis dizer.
 +
13. Disse-lhe então alguém do meio do povo: Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança.
 +
14. Jesus respondeu-lhe: Meu amigo, quem me constituiu juiz ou árbitro entre vós?
 +
15. E disse então ao povo: Guardai-vos escrupulosamente de toda a avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas.
 +
16. E propôs-lhe esta parábola: Havia um homem rico cujos campos produziam muito.
 +
17. E ele refletia consigo: Que farei? Porque não tenho onde recolher a minha colheita.
 +
18. Disse então ele: Farei o seguinte: derrubarei os meus celeiros e construirei maiores; neles recolherei toda a minha colheita e os meus bens.
 +
19. E direi à minha alma: ó minha alma, tens muitos bens em depósito para muitíssimos anos; descansa, come, bebe e regala-te.
 +
20. Deus, porém, lhe disse: Insensato! Nesta noite ainda exigirão de ti a tua alma. E as coisas, que ajuntaste, de quem serão?
 +
21. Assim acontece ao homem que entesoura para si mesmo e não é rico para Deus.
 +
22. Jesus voltou-se então para seus discípulos: Portanto vos digo: não andeis preocupados com a vossa vida, pelo que haveis de comer; nem com o vosso corpo, pelo que haveis de vestir.
 +
23. A vida vale mais do que o sustento e o corpo mais do que as vestes.
 +
24. Considerai os corvos: eles não semeiam, nem ceifam, nem têm despensa, nem celeiro; entretanto, Deus os sustenta. Quanto mais valeis vós do que eles?
 +
25. Mas qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?
 +
26. Se vós, pois, não podeis fazer nem as mínimas coisas, por que estais preocupados com as outras?
 +
27. Considerai os lírios, como crescem; não fiam, nem tecem. Contudo, digo-vos: nem Salomão em toda a sua glória jamais se vestiu como um deles.
 +
28. Se Deus, portanto, veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã se lança ao fogo, quanto mais a vós, homens de fé pequenina!
 +
29. Não vos inquieteis com o que haveis de comer ou beber; e não andeis com vãs preocupações.
 +
30. Porque os homens do mundo é que se preocupam com todas estas coisas. Mas vosso Pai bem sabe que precisais de tudo isso.
 +
31. Buscai antes o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo.
 +
32. Não temais, pequeno rebanho, porque foi do agrado de vosso Pai dar-vos o Reino.
 +
33. Vendei o que possuís e dai esmolas; fazei para vós bolsas que não se gastam, um tesouro inesgotável nos céus, aonde não chega o ladrão e a traça não o destrói.
 +
34. Pois onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração.
 +
35. Estejam cingidos os vossos rins e acesas as vossas lâmpadas.
 +
36. Sede semelhantes a homens que esperam o seu senhor, ao voltar de uma festa, para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram.
 +
37. Bem-aventurados os servos a quem o senhor achar vigiando, quando vier! Em verdade vos digo: cingir-se-á, fá-los-á sentar à mesa e servi-los-á.
 +
38. Se vier na segunda ou se vier na terceira vigília e os achar vigilantes, felizes daqueles servos!
 +
39. Sabei, porém, isto: se o senhor soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria sem dúvida e não deixaria forçar a sua casa.
 +
40. Estai, pois, preparados, porque, à hora em que não pensais, virá o Filho do Homem.
 +
41. Disse-lhe Pedro: Senhor, propões esta parábola só a nós ou também a todos?
 +
42. O Senhor replicou: Qual é o administrador sábio e fiel que o senhor estabelecerá sobre os seus operários para lhes dar a seu tempo a sua medida de trigo?
 +
43. Feliz daquele servo que o senhor achar procedendo assim, quando vier!
 +
44. Em verdade vos digo: confiar-lhe-á todos os seus bens.
 +
45. Mas, se o tal administrador imaginar consigo: Meu senhor tardará a vir, e começar a espancar os servos e as servas, a comer, a beber e a embriagar-se,
 +
46. o senhor daquele servo virá no dia em que não o esperar e na hora em que ele não pensar, e o despedirá e o mandará ao destino dos infiéis.
 +
47. O servo que, apesar de conhecer a vontade de seu senhor, nada preparou e lhe desobedeceu será açoitado com numerosos golpes.
 +
48. Mas aquele que, ignorando a vontade de seu senhor, fizer coisas repreensíveis será açoitado com poucos golpes. Porque, a quem muito se deu, muito se exigirá. Quanto mais se confiar a alguém, dele mais se há de exigir.
 +
49. Eu vim lançar fogo à terra, e que tenho eu a desejar se ele já está aceso?
 +
50. Mas devo ser batizado num batismo; e quanto anseio até que ele se cumpra!
 +
51. Julgais que vim trazer paz à terra? Não, digo-vos, mas separação.
 +
52. Pois de ora em diante haverá numa mesma casa cinco pessoas divididas, três contra duas, e duas contra três;
 +
53. estarão divididos: o pai contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora, e a nora contra a sogra.
 +
54. Dizia ainda ao povo: Quando vedes levantar-se uma nuvem no poente, logo dizeis: Aí vem chuva. E assim sucede.
 +
55. Quando vedes soprar o vento do sul, dizeis: Haverá calor. E assim acontece.
 +
56. Hipócritas! Sabeis distinguir os aspectos do céu e da terra; como, pois, não sabeis reconhecer o tempo presente?
 +
57. Por que também não julgais por vós mesmos o que é justo?
 +
58. Ora, quando fores com o teu adversário ao magistrado, faze o possível para entrar em acordo com ele pelo caminho, a fim de que ele te não arraste ao juiz, e o juiz te entregue ao executor, e o executor te ponha na prisão.
 +
59. Digo-te: não sairás dali, até pagares o último centavo.
  
=====<font size="3">'''Cura do coxo'''</font>=====
+
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Capítulo 13
  
<font size="5">'''3)'''</font> "'''1.''' Pedro e João iam subindo ao templo para rezar à hora nona.
+
1. Neste mesmo tempo contavam alguns o que tinha acontecido a certos galileus, cujo sangue Pilatos misturara com os seus sacrifícios.
'''2.''' Nisto levavam um homem que era coxo de nascença e que punham todos os dias à porta do templo, chamada Formosa, para que pedisse esmolas aos que entravam no templo.
+
2. Jesus toma a palavra e lhes pergunta: Pensais vós que estes galileus foram maiores pecadores do que todos os outros galileus, por terem sido tratados desse modo?
'''3.''' Quando ele viu que Pedro e João iam entrando no templo, implorou a eles uma esmola.
+
3. Não, digo-vos. Mas se não vos arrependerdes, perecereis todos do mesmo modo.
'''4.''' Pedro fitou nele os olhos, como também João, e disse: Olha para nós.
+
4. Ou cuidais que aqueles dezoito homens, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, foram mais culpados do que todos os demais habitantes de Jerusalém?
'''5.''' Ele os olhou com atenção esperando receber deles alguma coisa.
+
5. Não, digo-vos. Mas se não vos arrependerdes, perecereis todos do mesmo modo.
'''6.''' Pedro, porém, disse: Não tenho nem ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!
+
6. Disse-lhes também esta comparação: Um homem havia plantado uma figueira na sua vinha, e, indo buscar fruto, não o achou.
'''7.''' E tomando-o pela mão direita, levantou-o. Imediatamente os pés e os tornozelos se lhe firmaram. De um salto pôs-se de pé e andava.
+
7. Disse ao viticultor: - Eis que três anos há que venho procurando fruto nesta figueira e não o acho. Corta-a; para que ainda ocupa inutilmente o terreno?
'''8.''' Entrou com eles no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus.
+
8. Mas o viticultor respondeu: - Senhor, deixa-a ainda este ano; eu lhe cavarei em redor e lhe deitarei adubo.
'''9.''' Todo o povo o viu andar e louvar a Deus.
+
9. Talvez depois disto dê frutos. Caso contrário, cortá-la-ás.
'''10.''' Reconheceram ser o mesmo coxo que se sentava para mendigar à porta Formosa do templo, e encheram-se de espanto e pasmo pelo que lhe tinha acontecido.
+
10. Estava Jesus ensinando na sinagoga em um sábado.
'''11.''' Como ele se conservava perto de Pedro e João, uma multidão de curiosos afluiu a eles no pórtico chamado Salomão.
+
11. Havia ali uma mulher que, havia dezoito anos, era possessa de um espírito que a detinha doente: andava curvada e não podia absolutamente erguer-se.
'''12.''' À vista disso, falou Pedro ao povo: Homens de Israel, por que vos admirais assim? Ou por que fitais os olhos em nós, como se por nossa própria virtude ou piedade tivéssemos feito este homem andar?
+
12. Ao vê-la, Jesus a chamou e disse-lhe: Estás livre da tua doença.
'''13.''' O Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó, o Deus de nossos pais glorificou seu servo Jesus, que vós entregastes e negastes perante Pilatos, quando este resolvera soltá-lo.
+
13. Impôs-lhe as mãos e no mesmo instante ela se endireitou, glorificando a Deus.
'''14.''' Mas vós renegastes o Santo e o Justo e pedistes que se vos desse um homicida.
+
14. Mas o chefe da sinagoga, indignado de ver que Jesus curava no sábado, disse ao povo: São seis os dias em que se deve trabalhar; vinde, pois, nestes dias para vos curar, mas não em dia de sábado.
'''15.''' Matastes o Príncipe da vida, mas Deus o ressuscitou dentre os mortos: disso nós somos testemunhas.
+
15. Hipócritas!, disse-lhes o Senhor. Não desamarra cada um de vós no sábado o seu boi ou o seu jumento da manjedoura, para os levar a beber?
'''16.''' Em virtude da fé em seu nome foi que esse mesmo nome consolidou este homem, que vedes e conheceis. Foi a fé em Jesus que lhe deu essa cura perfeita, à vista de todos vós.
+
16. Esta filha de Abraão, que Satanás paralisava há dezoito anos, não devia ser livre desta prisão, em dia de sábado?
'''17.''' Agora, irmãos, sei que o fizestes por ignorância, como também os vossos chefes.
+
17. Ao proferir estas palavras, todos os seus adversários se encheram de confusão, ao passo que todo o povo, à vista de todos os milagres que ele realizava, se entusiasmava.
'''18.''' Deus, porém, assim cumpriu o que antes anunciara pela boca de todos os profetas: que o seu Cristo devia padecer.
+
18. Jesus dizia ainda: A que é semelhante o Reino de Deus, e a que o compararei?
'''19.''' Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos para serem apagados os vossos pecados.
+
19. É semelhante ao grão de mostarda que um homem tomou e semeou na sua horta, e que cresceu até se fazer uma grande planta e as aves do céu vieram fazer ninhos nos seus ramos.
'''20.''' Virão, assim, da parte do Senhor os tempos de refrigério, e ele enviará aquele que vos é destinado: Cristo Jesus.
+
20. Disse ainda: A que direi que é semelhante o Reino de Deus?
'''21.''' É necessário, porém, que o céu o receba até os tempos da restauração universal, da qual falou Deus outrora pela boca dos seus santos profetas.
+
21. É semelhante ao fermento que uma mulher tomou e misturou em três medidas de farinha e toda a massa ficou levedada.
'''22.''' Já dissera Moisés: O Senhor, nosso Deus, vos suscitará dentre vossos irmãos um profeta semelhante a mim: a este ouvireis em tudo o que ele vos disser.
+
22. Sempre em caminho para Jerusalém, Jesus ia atravessando cidades e aldeias e nelas ensinava.
'''23.''' Todo aquele que não ouvir esse profeta será exterminado do meio do povo (Dt 18,15.19).
+
23. Alguém lhe perguntou: Senhor, são poucos os homens que se salvam? Ele respondeu:
'''24.''' Todos os profetas, que têm falado sucessivamente desde Samuel, anunciaram estes dias.
+
24. Procurai entrar pela porta estreita; porque, digo-vos, muitos procurarão entrar e não o conseguirão.
'''25.''' Vós sois filhos dos profetas e da aliança que Deus estabeleceu com os nossos pais, quando disse a Abraão: Na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra (Gn 22,18).
+
25. Quando o pai de família tiver entrado e fechado a porta, e vós, de fora, começardes a bater à porta, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos, ele responderá: Digo-vos que não sei de onde sois.
'''26.''' Foi em primeiro lugar para vós que Deus suscitou o seu servo, para vos abençoar, a fim de que cada um se aparte da sua iniqüidade".
+
26. Direis então: Comemos e bebemos contigo e tu ensinaste em nossas praças.
 +
27. Ele, porém, vos dirá: Não sei de onde sois; apartai-vos de mim todos vós que sois malfeitores.
 +
28. Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac, Jacó e todos os profetas no Reino de Deus, e vós serdes lançados para fora.
 +
29. Virão do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e sentar-se-ão à mesa no Reino de Deus.
 +
30. Há últimos que serão os primeiros, e há primeiros que serão os últimos.
 +
31. No mesmo dia chegaram alguns dos fariseus, dizendo a Jesus: Sai e vai-te daqui, porque Herodes te quer matar.
 +
32. Disse-lhes ele: Ide dizer a essa raposa: eis que expulso demônios e faço curas hoje e amanhã; e ao terceiro dia terminarei a minha vida.
 +
33. É necessário, todavia, que eu caminhe hoje, amanhã e depois de amanhã, porque não é admissível que um profeta morra fora de Jerusalém.
 +
34. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os enviados de Deus, quantas vezes quis ajuntar os teus filhos, como a galinha abriga a sua ninhada debaixo das asas, mas não o quiseste!
 +
35. Eis que vos ficará deserta a vossa casa. Digo-vos, porém, que não me vereis até que venha o dia em que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor!
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Capítulo 14
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1. Jesus entrou num sábado em casa de um fariseu notável, para uma refeição; eles o observavam.
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2. Havia ali um homem hidrópico.
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3. Jesus dirigiu-se aos doutores da lei e aos fariseus: É permitido ou não fazer curas no dia de sábado?
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4. Eles nada disseram. Então Jesus, tomando o homem pela mão, curou-o e despediu-o.
 +
5. Depois, dirigindo-se a eles, disse: Qual de vós que, se lhe cair o jumento ou o boi num poço, não o tira imediatamente, mesmo em dia de sábado?
 +
6. A isto nada lhe podiam replicar.
 +
7. Observando também como os convivas escolhiam os primeiros lugares, propôs-lhes a seguinte parábola:
 +
8. Quando fores convidado às bodas, não te sentes no primeiro lugar, pois pode ser que seja convidada outra pessoa de mais consideração do que tu,
 +
9. e vindo o que te convidou, te diga: Cede o lugar a este. Terias então a confusão de dever ocupar o último lugar.
 +
10. Mas, quando fores convidado, vai tomar o último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, passa mais para cima. Então serás honrado na presença de todos os convivas.
 +
11. Porque todo aquele que se exaltar será humilhado, e todo aquele que se humilhar será exaltado.
 +
12. Dizia igualmente ao que o tinha convidado: Quando deres alguma ceia, não convides os teus amigos, nem teus irmãos, nem os parentes, nem os vizinhos ricos. Porque, por sua vez, eles te convidarão e assim te retribuirão.
 +
13. Mas, quando deres uma ceia, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos.
 +
14. Serás feliz porque eles não têm com que te retribuir, mas ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos.
 +
15. A estas palavras, disse a Jesus um dos convidados: Feliz daquele que se sentar à mesa no Reino de Deus!
 +
16. Respondeu-lhe Jesus: Um homem deu uma grande ceia e convidou muitas pessoas.
 +
17. E à hora da ceia, enviou seu servo para dizer aos convidados: Vinde, tudo já está preparado.
 +
18. Mas todos, um a um, começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um terreno e preciso sair para vê-lo; rogo-te me dês por escusado.
 +
19. Disse outro: Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las; rogo-te me dês por escusado.
 +
20. Disse também um outro: Casei-me e por isso não posso ir.
 +
21. Voltou o servo e referiu isto a seu senhor. Então, irado, o pai de família disse a seu servo: Sai, sem demora, pelas praças e pelas ruas da cidade e introduz aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos.
 +
22. Disse o servo: Senhor, está feito como ordenaste e ainda há lugar.
 +
23. O senhor ordenou: Sai pelos caminhos e atalhos e obriga todos a entrar, para que se encha a minha casa.
 +
24. Pois vos digo: nenhum daqueles homens, que foram convidados, provará a minha ceia.
 +
25. Muito povo acompanhava Jesus. Voltando-se, disse-lhes:
 +
26. Se alguém vem a mim e não odeia seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos, suas irmãs e até a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.
 +
27. E quem não carrega a sua cruz e me segue, não pode ser meu discípulo.
 +
28. Quem de vós, querendo fazer uma construção, antes não se senta para calcular os gastos que são necessários, a fim de ver se tem com que acabá-la?
 +
29. Para que, depois que tiver lançado os alicerces e não puder acabá-la, todos os que o virem não comecem a zombar dele,
 +
30. dizendo: Este homem principiou a edificar, mas não pode terminar.
 +
31. Ou qual é o rei que, estando para guerrear com outro rei, não se senta primeiro para considerar se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil?
 +
32. De outra maneira, quando o outro ainda está longe, envia-lhe embaixadores para tratar da paz.
 +
33. Assim, pois, qualquer um de vós que não renuncia a tudo o que possui não pode ser meu discípulo.
 +
34. O sal é uma coisa boa, mas se ele perder o seu sabor, com que o recuperará?
 +
35. Não servirá nem para a terra nem para adubo, mas lançar-se-á fora. O que tem ouvidos para ouvir, ouça!
 +
 
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Capítulo 15
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1. Aproximavam-se de Jesus os publicanos e os pecadores para ouvi-lo.
 +
2. Os fariseus e os escribas murmuravam: Este homem recebe e come com pessoas de má vida!
 +
3. Então lhes propôs a seguinte parábola:
 +
4. Quem de vós que, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?
 +
5. E depois de encontrá-la, a põe nos ombros, cheio de júbilo,
 +
6. e, voltando para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Regozijai-vos comigo, achei a minha ovelha que se havia perdido.
 +
7. Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.
 +
8. Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma delas, não acende a lâmpada, varre a casa e a busca diligentemente, até encontrá-la?
 +
9. E tendo-a encontrado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Regozijai-vos comigo, achei a dracma que tinha perdido.
 +
10. Digo-vos que haverá júbilo entre os anjos de Deus por um só pecador que se arrependa.
 +
11. Disse também: Um homem tinha dois filhos.
 +
12. O mais moço disse a seu pai: Meu pai, dá-me a parte da herança que me toca. O pai então repartiu entre eles os haveres.
 +
13. Poucos dias depois, ajuntando tudo o que lhe pertencia, partiu o filho mais moço para um país muito distante, e lá dissipou a sua fortuna, vivendo dissolutamente.
 +
14. Depois de ter esbanjado tudo, sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar penúria.
 +
15. Foi pôr-se ao serviço de um dos habitantes daquela região, que o mandou para os seus campos guardar os porcos.
 +
16. Desejava ele fartar-se das vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.
 +
17. Entrou então em si e refletiu: Quantos empregados há na casa de meu pai que têm pão em abundância... e eu, aqui, estou a morrer de fome!
 +
18. Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti;
 +
19. já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados.
 +
20. Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai. Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.
 +
21. O filho lhe disse, então: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; não sou digno de ser chamado teu filho.
 +
22. Mas o pai falou aos servos: Trazei-me depressa a melhor veste e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e calçado nos pés.
 +
23. Trazei também um novilho gordo e matai-o; comamos e façamos uma festa.
 +
24. Este meu filho estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado. E começaram a festa.
 +
25. O filho mais velho estava no campo. Ao voltar e aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças.
 +
26. Chamou um servo e perguntou-lhe o que havia.
 +
27. Ele lhe explicou: Voltou teu irmão. E teu pai mandou matar um novilho gordo, porque o reencontrou são e salvo.
 +
28. Encolerizou-se ele e não queria entrar, mas seu pai saiu e insistiu com ele.
 +
29. Ele, então, respondeu ao pai: Há tantos anos que te sirvo, sem jamais transgredir ordem alguma tua, e nunca me deste um cabrito para festejar com os meus amigos.
 +
30. E agora, que voltou este teu filho, que gastou os teus bens com as meretrizes, logo lhe mandaste matar um novilho gordo!
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31. Explicou-lhe o pai: Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu.
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32. Convinha, porém, fazermos festa, pois este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado.
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Capítulo 16
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1. Jesus disse também a seus discípulos: Havia um homem rico que tinha um administrador. Este lhe foi denunciado de ter dissipado os seus bens.
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2. Ele chamou o administrador e lhe disse: Que é que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, pois já não poderás administrar meus bens.
 +
3. O administrador refletiu então consigo: Que farei, visto que meu patrão me tira o emprego? Lavrar a terra? Não o posso. Mendigar? Tenho vergonha.
 +
4. Já sei o que fazer, para que haja quem me receba em sua casa, quando eu for despedido do emprego.
 +
5. Chamou, pois, separadamente a cada um dos devedores de seu patrão e perguntou ao primeiro: Quanto deves a meu patrão?
 +
6. Ele respondeu: Cem medidas de azeite. Disse-lhe: Toma a tua conta, senta-te depressa e escreve: cinqüenta.
 +
7. Depois perguntou ao outro: Tu, quanto deves? Respondeu: Cem medidas de trigo. Disse-lhe o administrador: Toma os teus papéis e escreve: oitenta.
 +
8. E o proprietário admirou a astúcia do administrador, porque os filhos deste mundo são mais prudentes do que os filhos da luz no trato com seus semelhantes.
 +
9. Eu vos digo: fazei-vos amigos com a riqueza injusta, para que, no dia em que ela vos faltar, eles vos recebam nos tabernáculos eternos.
 +
10. Aquele que é fiel nas coisas pequenas será também fiel nas coisas grandes. E quem é injusto nas coisas pequenas, sê-lo-á também nas grandes.
 +
11. Se, pois, não tiverdes sido fiéis nas riquezas injustas, quem vos confiará as verdadeiras?
 +
12. E se não fostes fiéis no alheio, quem vos dará o que é vosso?
 +
13. Nenhum servo pode servir a dois senhores: ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de aderir a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.
 +
14. Ora, ouviam tudo isto os fariseus, que eram avarentos, e zombavam dele.
 +
15. Jesus disse-lhes: Vós procurais parecer justos aos olhos dos homens, mas Deus vos conhece os corações; pois o que é elevado aos olhos dos homens é abominável aos olhos de Deus.
 +
16. A lei e os profetas duraram até João. Desde então é anunciado o Reino de Deus, e cada um faz violência para aí entrar.
 +
17. Mais facilmente, porém, passará o céu e a terra do que se perderá uma só letra da lei.
 +
18. Todo o que abandonar sua mulher e casar com outra, comete adultério; e quem se casar com a mulher rejeitada, comete adultério também.
 +
19. Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho finíssimo, e que todos os dias se banqueteava e se regalava.
 +
20. Havia também um mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que estava deitado à porta do rico.
 +
21. Ele avidamente desejava matar a fome com as migalhas que caíam da mesa do rico... Até os cães iam lamber-lhe as chagas.
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22. Ora, aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado.
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23. E estando ele nos tormentos do inferno, levantou os olhos e viu, ao longe, Abraão e Lázaro no seu seio.
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24. Gritou, então: - Pai Abraão, compadece-te de mim e manda Lázaro que molhe em água a ponta de seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois sou cruelmente atormentado nestas chamas.
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25. Abraão, porém, replicou: - Filho, lembra-te de que recebeste teus bens em vida, mas Lázaro, males; por isso ele agora aqui é consolado, mas tu estás em tormento.
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26. Além de tudo, há entre nós e vós um grande abismo, de maneira que, os que querem passar daqui para vós, não o podem, nem os de lá passar para cá.
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27. O rico disse: - Rogo-te então, pai, que mandes Lázaro à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos,
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28. para lhes testemunhar, que não aconteça virem também eles parar neste lugar de tormentos.
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29. Abraão respondeu: - Eles lá têm Moisés e os profetas; ouçam-nos!
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30. O rico replicou: - Não, pai Abraão; mas se for a eles algum dos mortos, arrepender-se-ão.
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31. Abraão respondeu-lhe: - Se não ouvirem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite algum dos mortos.
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Capítulo 17
  
=====<font size="3">'''Prisão de Pedro e de João'''</font>=====
+
1. Jesus disse também a seus discípulos: É impossível que não haja escândalos, mas ai daquele por quem eles vêm!
 +
2. Melhor lhe seria que se lhe atasse em volta do pescoço uma pedra de moinho e que fosse lançado ao mar, do que levar para o mal a um só destes pequeninos. Tomai cuidado de vós mesmos.
 +
3. Se teu irmão pecar, repreende-o; se se arrepender, perdoa-lhe.
 +
4. Se pecar sete vezes no dia contra ti e sete vezes no dia vier procurar-te, dizendo: Estou arrependido, perdoar-lhe-ás.
 +
5. Os apóstolos disseram ao Senhor: Aumenta-nos a fé!
 +
6. Disse o Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar, e ela vos obedecerá.
 +
7. Qual de vós, tendo um servo ocupado em lavrar ou em guardar o gado, quando voltar do campo lhe dirá: Vem depressa sentar-te à mesa?
 +
8. E não lhe dirá ao contrário: Prepara-me a ceia, cinge-te e serve-me, enquanto como e bebo, e depois disto comerás e beberás tu?
 +
9. E se o servo tiver feito tudo o que lhe ordenara, porventura fica-lhe o senhor devendo alguma obrigação?
 +
10. Assim também vós, depois de terdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: Somos servos como quaisquer outros; fizemos o que devíamos fazer.
 +
11. Sempre em caminho para Jerusalém, Jesus passava pelos confins da Samaria e da Galiléia.
 +
12. Ao entrar numa aldeia, vieram-lhe ao encontro dez leprosos, que pararam ao longe e elevaram a voz, clamando:
 +
13. Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!
 +
14. Jesus viu-os e disse-lhes: Ide, mostrai-vos ao sacerdote. E quando eles iam andando, ficaram curados.
 +
15. Um deles, vendo-se curado, voltou, glorificando a Deus em alta voz.
 +
16. Prostrou-se aos pés de Jesus e lhe agradecia. E era um samaritano.
 +
17. Jesus lhe disse: Não ficaram curados todos os dez? Onde estão os outros nove?
 +
18. Não se achou senão este estrangeiro que voltasse para agradecer a Deus?!
 +
19. E acrescentou: Levanta-te e vai, tua fé te salvou.
 +
20. Os fariseus perguntaram um dia a Jesus quando viria o Reino de Deus. Respondeu-lhes: O Reino de Deus não virá de um modo ostensivo.
 +
21. Nem se dirá: Ei-lo aqui; ou: Ei-lo ali. Pois o Reino de Deus já está no meio de vós.
 +
22. Mais tarde ele explicou aos discípulos: Virão dias em que desejareis ver um só dia o Filho do Homem, e não o vereis.
 +
23. Então vos dirão: Ei-lo aqui; e: Ei-lo ali. Não deveis sair nem os seguir.
 +
24. Pois como o relâmpago, reluzindo numa extremidade do céu, brilha até a outra, assim será com o Filho do Homem no seu dia.
 +
25. É necessário, porém, que primeiro ele sofra muito e seja rejeitado por esta geração.
 +
26. Como ocorreu nos dias de Noé, acontecerá do mesmo modo nos dias do Filho do Homem.
 +
27. Comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. Veio o dilúvio e matou a todos.
 +
28. Também do mesmo modo como aconteceu nos dias de Lot. Os homens festejavam, compravam e vendiam, plantavam e edificavam.
 +
29. No dia em que Lot saiu de Sodoma, choveu fogo e enxofre do céu, que exterminou todos eles.
 +
30. Assim será no dia em que se manifestar o Filho do Homem.
 +
31. Naquele dia, quem estiver no terraço e tiver os seus bens em casa não desça para os tirar; da mesma forma, quem estiver no campo não torne atrás.
 +
32. Lembrai-vos da mulher de Lot.
 +
33. Todo o que procurar salvar a sua vida, perdê-la-á; mas todo o que a perder, encontrá-la-á.
 +
34. Digo-vos que naquela noite dois estarão numa cama: um será tomado e o outro será deixado;
 +
35. duas mulheres estarão moendo juntas: uma será tomada e a outra será deixada.
 +
36. Dois homens estarão no campo: um será tomado e o outro será deixado.
 +
37. Perguntaram-lhe os discípulos: Onde será isto, Senhor? Respondeu-lhes: Onde estiver o cadáver, ali se reunirão também as águias.
  
<font size="5">'''4)'''</font> "1. Enquanto eles falavam ao povo, vieram os sacerdotes, o chefe do templo e os saduceus,
+
'''2.''' contrariados porque ensinavam ao povo e anunciavam, na pessoa de Jesus, a ressurreição dos mortos.
+
Capítulo 18
'''3.''' Prenderam-nos e os meteram no cárcere até o outro dia, pois já era tarde.
+
 
'''4.''' Muitos, porém, dos que tinham ouvido a pregação creram; e o número dos fiéis elevou-se a mais ou menos cinco mil.
+
1. Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo.
'''5.''' No dia seguinte reuniram-se em Jerusalém os chefes do povo, os anciãos, os escribas,
+
2. Havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava pessoa alguma.
'''6.''' com Anás, sumo sacerdote, Caifás, João, Alexandre e todos os que eram da linhagem pontifical.
+
3. Na mesma cidade vivia também uma viúva que vinha com freqüência à sua presença para dizer-lhe: Faze-me justiça contra o meu adversário.
'''7.''' Colocando-os no meio, perguntaram: Com que poder ou em que nome fizestes isso?
+
4. Ele, porém, por muito tempo não o quis. Por fim, refletiu consigo: Eu não temo a Deus nem respeito os homens;
'''8.''' Então Pedro, cheio do Espírito Santo, respondeu-lhes: Chefes do povo e anciãos, ouvi-me:
+
5. todavia, porque esta viúva me importuna, far-lhe-ei justiça, senão ela não cessará de me molestar.
'''9.''' se hoje somos interrogados a respeito do benefício feito a um enfermo, e em que nome foi ele curado,
+
6. Prosseguiu o Senhor: Ouvis o que diz este juiz injusto?
'''10.''' ficai sabendo todos vós e todo o povo de Israel: foi em nome de Jesus Cristo Nazareno, que vós crucificastes, mas que Deus ressuscitou dos mortos. Por ele é que esse homem se acha são, em pé, diante de vós.
+
7. Por acaso não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que estão clamando por ele dia e noite? Porventura tardará em socorrê-los?
'''11.''' Esse Jesus, pedra que foi desprezada por vós, edificadores, tornou-se a pedra angular.
+
8. Digo-vos que em breve lhes fará justiça. Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?
'''12.''' Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos.
+
9. Jesus lhes disse ainda esta parábola a respeito de alguns que se vangloriavam como se fossem justos, e desprezavam os outros:
'''13.''' Vendo eles a coragem de Pedro e de João, e considerando que eram homens sem estudo e sem instrução, admiravam-se. Reconheciam-nos como companheiros de Jesus.
+
10. Subiram dois homens ao templo para orar. Um era fariseu; o outro, publicano.
'''14.''' Mas vendo com eles o homem que tinha sido curado, não puderam replicar.
+
11. O fariseu, em pé, orava no seu interior desta forma: Graças te dou, ó Deus, que não sou como os demais homens: ladrões, injustos e adúlteros; nem como o publicano que está ali.
'''15.''' Mandaram que se retirassem da sala do conselho, e conferenciaram entre si:
+
12. Jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de todos os meus lucros.
'''16.''' Que faremos destes homens? Porquanto o milagre por eles feito se tornou conhecido de todos os habitantes de Jerusalém, e não o podemos negar.
+
13. O publicano, porém, mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador!
'''17.''' Todavia, para que esta notícia não se divulgue mais entre o povo, proibamos com ameaças, que no futuro falem a alguém nesse nome.
+
14. Digo-vos: este voltou para casa justificado, e não o outro. Pois todo o que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado.
'''18.''' Chamaram-nos e ordenaram-lhes que absolutamente não falassem nem ensinassem em nome de Jesus.
+
15. Trouxeram-lhe também criancinhas, para que ele as tocasse. Vendo isto, os discípulos as repreendiam.
'''19.''' Responderam-lhes Pedro e João: Julgai-o vós mesmos se é justo diante de Deus obedecermos a vós mais do que a Deus.
+
16. Jesus, porém, chamou-as e disse: Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas.
'''20.''' Não podemos deixar de falar das coisas que temos visto e ouvido.
+
17. Em verdade vos declaro: quem não receber o Reino de Deus como uma criancinha, nele não entrará.
'''21.''' Eles então, ameaçando-os de novo, soltaram-nos, não achando pretexto para os castigar por causa do povo, porque todos glorificavam a Deus pelo que tinha acontecido.
+
18. Um homem de posição perguntou então a Jesus: Bom Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna?
'''22.''' Pois já passava dos 40 anos o homem em quem se realizara essa cura milagrosa.
+
19. Jesus respondeu-lhe: Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão só Deus.
*<font size="3">'''Oração dos fiéis pelos apóstolos libertados'''</font>
+
20. Conheces os mandamentos: não cometerás adultério; não matarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; honrarás pai e mãe.
'''23.''' Postos em liberdade, voltaram aos seus irmãos e referiram tudo quanto lhes tinham dito os sumos sacerdotes e os anciãos.
+
21. Disse ele: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade.
'''24.''' Ao ouvirem isso, levantaram unânimes a voz a Deus e disseram: Senhor, vós que fizestes o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há.
+
22. A estas palavras, Jesus lhe falou: Ainda te falta uma coisa: vende tudo o que tens, -o aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me.
'''25.''' Vós que, pelo Espírito Santo, pela boca de nosso pai Davi, vosso servo, dissestes: Por que se agitam as nações, e imaginam os povos coisas vãs?
+
23. Ouvindo isto, ele se entristeceu, pois era muito rico.
'''26.''' Levantam-se os reis da terra, e os príncipes se reúnem em conselho contra o Senhor e contra o seu Cristo (Sl 2,1s.).
+
24. Vendo-o entristecer-se, disse Jesus: Como é difícil aos ricos entrar no Reino de Deus!
'''27.''' Pois na verdade se uniram nesta cidade contra o vosso santo servo Jesus, que ungistes, Herodes e Pôncio Pilatos com as nações e com o povo de Israel,
+
25. É mais fácil passar o camelo pelo fundo duma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus.
'''28.''' para executarem o que a vossa mão e o vosso conselho predeterminaram que se fizesse.
+
26. Perguntaram os ouvintes: Quem então poderá salvar-se?
'''29.''' Agora, pois, Senhor, olhai para as suas ameaças e concedei aos vossos servos que com todo o desassombro anunciem a vossa palavra.
+
27. Respondeu Jesus: O que é impossível aos homens é possível a Deus.
'''30.''' Estendei a vossa mão para que se realizem curas, milagres e prodígios pelo nome de Jesus, vosso santo servo!
+
28. Pedro então disse: Vê, nós abandonamos tudo e te seguimos.
'''31.''' Mal acabavam de rezar, tremeu o lugar onde estavam reunidos. E todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciaram com intrepidez a palavra de Deus.
+
29. Jesus respondeu: Em verdade vos declaro: ninguém há que tenha abandonado, por amor do Reino de Deus, sua casa, sua mulher, seus irmãos, seus pais ou seus filhos,
 +
30. que não receba muito mais neste mundo e no mundo vindouro a vida eterna.
 +
31. Em seguida, Jesus tomou à parte os Doze e disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalém. Tudo o que foi escrito pelos profetas a respeito do Filho do Homem será cumprido.
 +
32. Ele será entregue aos pagãos. Hão de escarnecer dele, ultrajá-lo, desprezá-lo;
 +
33. bater-lhe-ão com varas e o farão morrer; e ao terceiro dia ressurgirá.
 +
34. Mas eles nada disto compreendiam, e estas palavras eram-lhes um enigma cujo sentido não podiam entender.
 +
35. Ao aproximar-se Jesus de Jericó, estava um cego sentado à beira do caminho, pedindo esmolas.
 +
36. Ouvindo o ruído da multidão que passava, perguntou o que havia.
 +
37. Responderam-lhe: É Jesus de Nazaré, que passa.
 +
38. Ele então exclamou: Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!
 +
39. Os que vinham na frente repreendiam-no rudemente para que se calasse. Mas ele gritava ainda mais forte: Filho de Davi, tem piedade de mim!
 +
40. Jesus parou e mandou que lho trouxessem. Chegando ele perto, perguntou-lhe:
 +
41. Que queres que te faça? Respondeu ele: Senhor, que eu veja.
 +
42. Jesus lhe disse: Vê! Tua fé te salvou.
 +
43. E imediatamente ficou vendo e seguia a Jesus, glorificando a Deus. Presenciando isto, todo o povo deu glória a Deus.
  
=====<font size="3">'''União dos primeiros fiéis'''</font>=====
+
'''32.''' A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum.
+
Capítulo 19
'''33.''' Com grande coragem os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. Em todos eles era grande a graça.
 
'''34.''' Nem havia entre eles nenhum necessitado, porque todos os que possuíam terras e casas vendiam-nas,
 
'''35.''' e traziam o preço do que tinham vendido e depositavam-no aos pés dos apóstolos. Repartia-se então a cada um deles conforme a sua necessidade.
 
'''36.''' Assim José (a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé que quer dizer Filho da Consolação), levita natural de Chipre, possuía um campo.
 
'''37.''' Vendeu-o e trouxe o valor dele e depositou aos pés dos apóstolos".
 
  
=====<font size="3">'''Astúcia de Ananias e Safira'''</font>=====
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1. Jesus entrou em Jericó e ia atravessando a cidade.
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2. Havia aí um homem muito rico chamado Zaqueu, chefe dos recebedores de impostos.
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3. Ele procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, porque era de baixa estatura.
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4. Ele correu adiande, subiu a um sicômoro para o ver, quando ele passasse por ali.
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5. Chegando Jesus àquele lugar e levantando os olhos, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque é preciso que eu fique hoje em tua casa.
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6. Ele desceu a toda a pressa e recebeu-o alegremente.
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7. Vendo isto, todos murmuravam e diziam: Ele vai hospedar-se em casa de um pecador...
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8. Zaqueu, entretanto, de pé diante do Senhor, disse-lhe: Senhor, vou dar a metade dos meus bens aos pobres e, se tiver defraudado alguém, restituirei o quádruplo.
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9. Disse-lhe Jesus: Hoje entrou a salvação nesta casa, porquanto também este é filho de Abraão.
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10. Pois o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.
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11. Ouviam-no falar. E como estava perto de Jerusalém, alguns se persuadiam de que o Reino de Deus se havia de manifestar brevemente; ele acrescentou esta parábola:
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12. Um homem ilustre foi para um país distante, a fim de ser investido da realeza e depois regressar.
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13. Chamou dez dos seus servos e deu-lhes dez minas, dizendo-lhes: Negociai até eu voltar.
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14. Mas os homens daquela região odiavam-no e enviaram atrás dele embaixadores, para protestarem: Não queremos que ele reine sobre nós.
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15. Quando, investido da dignidade real, voltou, mandou chamar os servos a quem confiara o dinheiro, a fim de saber quanto cada um tinha lucrado.
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16. Veio o primeiro: Senhor, a tua mina rendeu dez outras minas.
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17. Ele lhe disse: Muito bem, servo bom; porque foste fiel nas coisas pequenas, receberás o governo de dez cidades.
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18. Veio o segundo: Senhor, a tua mina rendeu cinco outras minas.
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19. Disse a este: Sê também tu governador de cinco cidades.
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20. Veio também o outro: Senhor, aqui tens a tua mina, que guardei embrulhada num lenço;
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21. pois tive medo de ti, por seres homem rigoroso, que tiras o que não puseste e ceifas o que não semeaste.
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22. Replicou-lhe ele: Servo mau, pelas tuas palavras te julgo. Sabias que sou rigoroso, que tiro o que não depositei e ceifo o que não semeei...
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23. Por que, pois, não puseste o meu dinheiro num banco? Na minha volta, eu o teria retirado com juros.
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24. E disse aos que estavam presentes: Tirai-lhe a mina, e dai-a ao que tem dez minas.
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25. Replicaram-lhe: Senhor, este já tem dez minas!...
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26. Eu vos declaro: a todo aquele que tiver, dar-se-lhe-á; mas, ao que não tiver, ser-lhe-á tirado até o que tem.
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27. Quanto aos que me odeiam, e que não me quiseram por rei, trazei-os e massacrai-os na minha presença.
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28. Depois destas palavras, Jesus os foi precedendo no caminho que sobe a Jerusalém.
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29. Chegando perto de Betfagé e de Betânia, junto do monte chamado das Oliveiras, Jesus enviou dois dos seus discípulos e disse-lhes:
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30. Ide a essa aldeia que está defronte de vós. Entrando nela, achareis um jumentinho atado, em que nunca montou pessoa alguma; desprendei-o e trazei-mo.
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31. Se alguém vos perguntar por que o soltais, responder-lhe-eis assim: O Senhor precisa dele.
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32. Partiram os dois discípulos e acharam tudo como Jesus tinha dito.
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33. Quando desprendiam o jumentinho, perguntaram-lhes seus donos: Por que fazeis isto?
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34. Eles responderam: O Senhor precisa dele.
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35. E trouxeram a Jesus o jumentinho, sobre o qual deitaram seus mantos e fizeram Jesus montar.
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36. À sua passagem, muitas pessoas estendiam seus mantos no caminho.
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37. Quando já se ia aproximando da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, tomada de alegria, começou a louvar a Deus em altas vozes, por todas as maravilhas que tinha visto.
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38. E dizia: Bendito o rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória no mais alto dos céus!
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39. Neste momento, alguns fariseus interpelaram a Jesus no meio da multidão: Mestre, repreende os teus discípulos.
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40. Ele respondeu: Digo-vos: se estes se calarem, clamarão as pedras!
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41. Aproximando-se ainda mais, Jesus contemplou Jerusalém e chorou sobre ela, dizendo:
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42. Oh! Se também tu, ao menos neste dia que te é dado, conhecesses o que te pode trazer a paz!... Mas não, isso está oculto aos teus olhos.
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43. Virão sobre ti dias em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, te sitiarão e te apertarão de todos os lados;
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44. destruir-te-ão a ti e a teus filhos que estiverem dentro de ti, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo em que foste visitada.
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45. Em seguida, entrou no templo e começou a expulsar os mercadores.
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46. Disse ele: Está escrito: A minha casa é casa de oração! Mas vós a fizestes um covil de ladrões (Is 56,7; Jr 7,11).
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47. Todos os dias ensinava no templo. Os príncipes dos sacerdotes, porém, os escribas e os chefes do povo procuravam tirar-lhe a vida.
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48. Mas não sabiam como realizá-lo, porque todo o povo ficava suspenso de admiração, quando o ouvia falar.
  
<font size="5">'''5)'''</font> "'''1.''' Um certo homem chamado Ananias, de comum acordo com sua mulher Safira, vendeu um campo
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'''2.''' e, combinando com ela, reteve uma parte da quantia da venda. Levando apenas a outra parte, depositou-a aos pés dos apóstolos.
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Capítulo 20
'''3.''' Pedro, porém, disse: Ananias, por que tomou conta Satanás do teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e enganasses acerca do valor do campo?
 
'''4.''' Acaso não o podias conservar sem vendê-lo? E depois de vendido, não podias livremente dispor dessa quantia? Por que imaginaste isso em teu coração? Não foi aos homens que mentiste, mas a Deus.
 
'''5.''' Ao ouvir estas palavras, Ananias caiu morto. Apoderou-se grande terror de todos os que o ouviram.
 
'''6.''' Uns moços retiraram-no dali, levaram-no para fora e o enterraram.
 
'''7.''' Depois de umas três horas, entrou também sua mulher, nada sabendo do ocorrido.
 
'''8.''' Pedro perguntou-lhe: Dize-me, mulher. Foi por tanto que vendestes o vosso campo? Respondeu ela: Sim, por esse preço.
 
'''9.''' Replicou Pedro: Por que combinastes para pôr à prova o Espírito do Senhor? Estão ali à porta os pés daqueles que sepultaram teu marido. Hão de levar-te também a ti.
 
'''10.''' Imediatamente caiu aos seus pés e expirou. Entrando aqueles moços, acharam-na morta. Levaram-na para fora e a enterraram junto do seu marido.
 
'''11.''' Sobreveio grande pavor a toda a comunidade e a todos os que ouviram falar desse acontecimento.
 
  
=====<font size="3">'''Pregação e milagres dos apóstolos'''</font>=====
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1. Num daqueles dias, Jesus ensinava no templo e anunciava ao povo a boa nova. Chegaram os príncipes dos sacerdotes e os escribas com os anciãos,
'''12.''' Enquanto isso, realizavam-se entre o povo pelas mãos dos apóstolos muitos milagres e prodígios. Reuniam-se eles todos unânimes no pórtico de Salomão.
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2. e falaram-lhe: Dize-nos: com que direito fazes essas coisas, ou quem é que te deu essa autoridade?
'''13.''' Dos outros ninguém ousava juntar-se a eles, mas o povo lhes tributava grandes louvores.
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3. Jesus respondeu: Também eu vos farei uma pergunta.
'''14.''' Cada vez mais aumentava a multidão dos homens e mulheres que acreditavam no Senhor.
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4. Respondei-me: o batismo de João era do céu ou dos homens?
'''15.''' De maneira que traziam os doentes para as ruas e punham-nos em leitos e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles.
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5. Eles começaram a raciocinar entre si, dizendo: Se dissermos: Do céu, ele dirá: Por que razão, pois, não crestes nele?
'''16.''' Também das cidades vizinhas de Jerusalém afluía muita gente, trazendo os enfermos e os atormentados por espíritos imundos, e todos eles eram curados.
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6. Se, porém, dissermos: Dos homens, todo o povo nos apedrejará, porque está convencido de que João era profeta.
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7. Responderam por fim que não sabiam de onde era.
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8. Replicou-lhes também Jesus: Nem eu vos direi com que direito faço estas coisas.
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9. Então Jesus propôs-lhes esta parábola: Um homem plantou uma vinha, arrendou-a a vinhateiros e ausentou-se por muito tempo para uma terra estranha.
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10. No tempo da colheita, enviou um servo aos vinhateiros para que lhe dessem do produto da vinha. Estes o feriram e o reenviaram de mãos vazias.
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11. Tornou a enviar outro servo; eles feriram também a este, ultrajaram-no e despediram-no sem coisa alguma.
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12. Tornou a enviar um terceiro; feriram também este e expulsaram-no.
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13. Disse então o senhor da vinha: Que farei? Mandarei meu filho amado; talvez o respeitem.
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14. Vendo-o, porém, os vinhateiros discorriam entre si e diziam: Este é o herdeiro; matemo-lo, para que se torne nossa a herança.
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15. E lançaram-no fora da vinha e mataram-no. Que lhes fará, pois, o dono da vinha?
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16. Virá e exterminará estes vinhateiros e dará a vinha a outros. A estas palavras, disseram: Que Deus não o permita!
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17. Mas Jesus, fixando o olhar neles, disse-lhes: Que quer dizer então o que está escrito: A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se a pedra angular (Sl 117,22)?
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18. Todo o que cair sobre esta pedra ficará despedaçado; e sobre quem ela cair, este será esmagado!
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19. Naquela mesma hora os príncipes dos sacerdotes e os escribas procuraram prendê-lo, mas temeram o povo. Tinham compreendido que se referia a eles ao propor essa parábola.
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20. Puseram-se então a observá-lo e mandaram espiões que se disfarçassem em homens de bem, para armar-lhe ciladas e surpreendê-lo no que dizia, a fim de o entregarem à autoridade e ao poder do governador.
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21. Perguntaram-lhe eles: Mestre, sabemos que falas e ensinas com retidão e que, sem fazer acepção de pessoa alguma, ensinas o caminho de Deus segundo a verdade.
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22. É-nos permitido pagar o imposto ao imperador ou não?
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23. Jesus percebeu a astúcia e respondeu-lhes:
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24. Mostrai-me um denário. De quem leva a imagem e a inscrição? Responderam: De César.
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25. Então lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
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26. Assim não puderam surpreendê-lo em nenhuma de suas palavras diante do povo. Pelo contrário, admirados da sua resposta, tiveram que calar-se.
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27. Alguns saduceus - que negam a ressurreição - aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe:
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28. Mestre, Moisés prescreveu-nos: Se alguém morrer e deixar mulher, mas não deixar filhos, case-se com ela o irmão dele, e dê descendência a seu irmão.
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29. Ora, havia sete irmãos, o primeiro dos quais tomou uma mulher, mas morreu sem filhos.
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30. Casou-se com ela o segundo, mas também ele morreu sem filhos.
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31. Casou-se depois com ela o terceiro. E assim sucessivamente todos os sete, que morreram sem deixar filhos.
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32. Por fim, morreu também a mulher.
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33. Na ressurreição, de qual deles será a mulher? Porque os sete a tiveram por mulher.
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34. Jesus respondeu: Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento,
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35. mas os que serão julgados dignos do século futuro e da ressurreição dos mortos não terão mulher nem marido.
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36. Eles jamais poderão morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, porque são ressuscitados.
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37. Por outra parte, que os mortos hão de ressuscitar é o que Moisés revelou na passagem da sarça ardente (Ex 3,6), chamando ao Senhor: Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó .
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38. Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos; porque todos vivem para ele.
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39. Alguns dos escribas disseram, então: Mestre, falaste bem.
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40. E já não se atreviam a fazer-lhe pergunta alguma.
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41. Jesus perguntou-lhes: Como se pode dizer que Cristo é filho de Davi?
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42. Pois o próprio Davi, no livro dos Salmos, diz: Disse o Senhor a meu Senhor: Senta-te à minha direita,
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43. até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés (Sl 109,1).
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44. Portanto, Davi o chama de Senhor! Como, pois, é ele seu filho?
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45. Enquanto todo o povo o ouvia, disse a seus discípulos:
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46. Guardai-vos dos escribas, que querem andar de roupas compridas e gostam das saudações nas praças públicas, das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos primeiros lugares dos banquetes;
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47. que devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Eles receberão castigo mais rigoroso.
  
=====<font size="3">'''Segunda prisão dos apóstolos'''</font>=====
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'''17.''' Levantaram-se então os sumos sacerdotes e seus partidários (isto é, a seita dos saduceus) cheios de inveja,
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Capítulo 21
'''18.''' e deitaram as mãos nos apóstolos e meteram-nos na cadeia pública.
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'''19.''' Mas um anjo do Senhor abriu de noite as portas do cárcere e, conduzindo-os para fora, disse-lhes:
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1. Levantando os olhos, viu Jesus os ricos que deitavam as suas ofertas no cofre do templo.
'''20.''' Ide e apresentai-vos no templo e pregai ao povo as palavras desta vida.
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2. Viu também uma viúva pobrezinha deitar duas pequeninas moedas,
'''21.''' Obedecendo a essa ordem, eles entraram ao amanhecer, no templo, e puseram-se a ensinar. Enquanto isso, o sumo sacerdote e os seus partidários reuniram-se e convocaram o Grande Conselho e todos os anciãos de Israel, e mandaram trazer os apóstolos do cárcere.
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3. e disse: Em verdade vos digo: esta pobre viúva pôs mais do que os outros.
'''22.''' Dirigiram-se para lá os guardas, mas ao abrirem o cárcere, não os encontraram, e voltaram a informar:
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4. Pois todos aqueles lançaram nas ofertas de Deus o que lhes sobra; esta, porém, deu, da sua indigência, tudo o que lhe restava para o sustento.
'''23.''' Achamos o cárcere fechado com toda segurança e os guardas de pé diante das portas, e, no entanto, abrindo-as, não achamos ninguém lá dentro.
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5. Como lhe chamassem a atenção para a construção do templo feito de belas pedras e recamado de ricos donativos, Jesus disse:
'''24.''' A essa notícia, os sumos sacerdotes e o chefe do templo ficaram perplexos e indagaram entre si sobre o que significava isso.
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6. Dias virão em que destas coisas que vedes não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído.
'''25.''' Mas, nesse momento, alguém transmitiu-lhes esta notícia: Aqueles homens que metestes no cárcere estão no templo ensinando o povo!
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7. Então o interrogaram: Mestre, quando acontecerá isso? E que sinal haverá para saber-se que isso se vai cumprir?
'''26.''' Foi então o comandante do templo com seus guardas e trouxe-os sem violência, porque temiam ser apedrejados pelo povo.
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8. Jesus respondeu: Vede que não sejais enganados. Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu; e ainda: O tempo está próximo. Não sigais após eles.
'''27.''' Trouxeram-nos e os introduziram no Grande Conselho, onde o sumo sacerdote os interrogou, dizendo:
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9. Quando ouvirdes falar de guerras e de tumultos, não vos assusteis; porque é necessário que isso aconteça primeiro, mas não virá logo o fim.
'''28.''' Expressamente vos ordenamos que não ensinásseis nesse nome. Não obstante isso, tendes enchido Jerusalém de vossa doutrina! Quereis fazer recair sobre nós o sangue deste homem!
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10. Disse-lhes também: Levantar-se-ão nação contra nação e reino contra reino.
'''29.''' Pedro e os apóstolos replicaram: Importa obedecer antes a Deus do que aos homens.
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11. Haverá grandes terremotos por várias partes, fomes e pestes, e aparecerão fenômenos espantosos no céu.
'''30.''' O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, que vós matastes, suspendendo-o num madeiro.
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12. Mas, antes de tudo isso, vos lançarão as mãos e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, levando-vos à presença dos reis e dos governadores, por causa de mim.
'''31.''' Deus elevou-o pela mão direita como Príncipe e Salvador, a fim de dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados.
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13. Isto vos acontecerá para que vos sirva de testemunho.
'''32.''' Deste fato nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que lhe obedecem.
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14. Gravai bem no vosso espírito de não preparar vossa defesa,
'''33.''' Ao ouvirem essas palavras, enfureceram-se e resolveram matá-los.
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15. porque eu vos darei uma palavra cheia de sabedoria, à qual não poderão resistir nem contradizer os vossos adversários.
 +
16. Sereis entregues até por vossos pais, vossos irmãos, vossos parentes e vossos amigos, e matarão muitos de vós.
 +
17. Sereis odiados por todos por causa do meu nome.
 +
18. Entretanto, não se perderá um só cabelo da vossa cabeça.
 +
19. É pela vossa constância que alcançareis a vossa salvação.
 +
20. Quando virdes que Jerusalém foi sitiada por exércitos, então sabereis que está próxima a sua ruína.
 +
21. Os que então se acharem na Judéia fujam para os montes; os que estiverem dentro da cidade retirem-se; os que estiverem nos campos não entrem na cidade.
 +
22. Porque estes serão dias de castigo, para que se cumpra tudo o que está escrito.
 +
23. Ai das mulheres que, naqueles dias, estiverem grávidas ou amamentando, pois haverá grande angústia na terra e grande ira contra o povo.
 +
24. Cairão ao fio de espada e serão levados cativos para todas as nações, e Jerusalém será pisada pelos pagãos, até se completarem os tempos das nações pagãs.
 +
25. Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas.
 +
26. Os homens definharão de medo, na expectativa dos males que devem sobrevir a toda a terra. As próprias forças dos céus serão abaladas.
 +
27. Então verão o Filho do Homem vir sobre uma nuvem com grande glória e majestade.
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28. Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai as vossas cabeças; porque se aproxima a vossa libertação.
 +
29. Acrescentou ainda esta comparação: Olhai para a figueira e para as demais árvores.
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30. Quando elas lançam os brotos, vós julgais que está perto o verão.
 +
31. Assim também, quando virdes que vão sucedendo estas coisas, sabereis que está perto o Reino de Deus.
 +
32. Em verdade vos declaro: não passará esta geração sem que tudo isto se cumpra.
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33. Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão.
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34. Velai sobre vós mesmos, para que os vossos corações não se tornem pesados com o excesso do comer, com a embriaguez e com as preocupações da vida; para que aquele dia não vos apanhe de improviso.
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35. Como um laço cairá sobre aqueles que habitam a face de toda a terra.
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36. Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do Homem.
 +
37. Durante o dia Jesus ensinava no templo e, à tarde, saía para passar a noite no monte chamado das Oliveiras.
 +
38. E todo o povo ia de manhã cedo ter com ele, no templo, para ouvi-lo.
 +
 
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 +
Capítulo 22
  
=====<font size="3">'''Libertação dos apóstolos, a conselho de Gamaliel'''</font>=====
+
1. Aproximava-se a festa dos pães sem fermento, chamada Páscoa.
'''34.''' Levantou-se, porém, um membro do Grande Conselho. Era Gamaliel, um fariseu, doutor da lei, respeitado por todo o povo.
+
2. Os príncipes dos sacerdotes e os escribas buscavam um meio de matar Jesus, mas temiam o povo.
'''35.''' Mandou que se retirassem aqueles homens por um momento, e então lhes disse: Homens de Israel, considerai bem o que ides fazer com estes homens.
+
3. Entretanto, Satanás entrou em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, um dos Doze.
'''36.''' Faz algum tempo apareceu um certo Teudas, que se considerava um grande homem. A ele se associaram cerca de quatrocentos homens: foi morto e todos os seus partidários foram dispersados e reduzidos a nada.
+
4. Judas foi procurar os príncipes dos sacerdotes e os oficiais para se entender com eles sobre o modo de lho entregar.
'''37.''' Depois deste, levantou-se Judas, o galileu, nos dias do recenseamento, e arrastou o povo consigo, mas também ele pereceu e todos quantos o seguiam foram dispersados.
+
5. Eles se alegraram com isso, e concordaram em lhe dar dinheiro.
'''38.''' Agora, pois, eu vos aconselho: não vos metais com estes homens. Deixai-os! Se o seu projeto ou a sua obra provém de homens, por si mesma se destruirá;
+
6. Também ele se obrigou. E buscava ocasião oportuna para o trair, sem que a multidão o soubesse.
'''39.''' mas se provier de Deus, não podereis desfazê-la. Vós vos arriscaríeis a entrar em luta contra o próprio Deus. Aceitaram o seu conselho.
+
7. Raiou o dia dos pães sem fermento, em que se devia imolar a Páscoa.
'''40.''' Chamaram os apóstolos e mandaram açoitá-los. Ordenaram-lhes então que não pregassem mais em nome de Jesus, e os soltaram.
+
8. Jesus enviou Pedro e João, dizendo: Ide e preparai-nos a ceia da Páscoa.
'''41.''' Eles saíram da sala do Grande Conselho, cheios de alegria, por terem sido achados dignos de sofrer afrontas pelo nome de Jesus.
+
9. Perguntaram-lhe eles: Onde queres que a preparemos?
'''42.''' E todos os dias não cessavam de ensinar e de pregar o Evangelho de Jesus Cristo no templo e pelas casas".
+
10. Ele respondeu: Ao entrardes na cidade, encontrareis um homem carregando uma bilha de água; segui-o até a casa em que ele entrar,
 +
11. e direis ao dono da casa: O Mestre pergunta-te: Onde está a sala em que comerei a Páscoa com os meus discípulos?
 +
12. Ele vos mostrará no andar superior uma grande sala mobiliada, e ali fazei os preparativos.
 +
13. Foram, pois, e acharam tudo como Jesus lhes dissera; e prepararam a Páscoa.
 +
14. Chegada que foi a hora, Jesus pôs-se à mesa, e com ele os apóstolos.
 +
15. Disse-lhes: Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer.
 +
16. Pois vos digo: não tornarei a comê-la, até que ela se cumpra no Reino de Deus.
 +
17. Pegando o cálice, deu graças e disse: Tomai este cálice e distribuí-o entre vós.
 +
18. Pois vos digo: já não tornarei a beber do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus.
 +
19. Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.
 +
20. Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós...
 +
21. Entretanto, eis que a mão de quem me trai está à mesa comigo.
 +
22. O Filho do Homem vai, segundo o que está determinado, mas ai daquele homem por quem ele é traído!
 +
23. Perguntavam então os discípulos entre si quem deles seria o que tal haveria de fazer.
 +
24. Surgiu também entre eles uma discussão: qual deles seria o maior.
 +
25. E Jesus disse-lhes: Os reis dos pagãos dominam como senhores, e os que exercem sobre eles autoridade chamam-se benfeitores.
 +
26. Que não seja assim entre vós; mas o que entre vós é o maior, torne-se como o último; e o que governa seja como o servo.
 +
27. Pois qual é o maior: o que está sentado à mesa ou o que serve? Não é aquele que está sentado à mesa? Todavia, eu estou no meio de vós, como aquele que serve.
 +
28. E vós tendes permanecido comigo nas minhas provações;
 +
29. eu, pois, disponho do Reino a vosso favor, assim como meu Pai o dispôs a meu favor,
 +
30. para que comais e bebais à minha mesa no meu Reino e vos senteis em tronos, para julgar as doze tribos de Israel.
 +
31. Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo;
 +
32. mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos.
 +
33. Pedro disse-lhe: Senhor, estou pronto a ir contigo tanto para a prisão como para a morte.
 +
34. Jesus respondeu-lhe: Digo-te, Pedro, não cantará hoje o galo, até que três vezes hajas negado que me conheces.
 +
35. Depois ajuntou: Quando vos mandei sem bolsa, sem mochila e sem calçado, faltou-vos porventura alguma coisa? Eles responderam: Nada.
 +
36. Mas agora, disse-lhes ele, aquele que tem uma bolsa, tome-a; aquele que tem uma mochila, tome-a igualmente; e aquele que não tiver uma espada, venda sua capa para comprar uma.
 +
37. Pois vos digo: é necessário que se cumpra em mim ainda este oráculo: E foi contado entre os malfeitores (Is 53,12). Com efeito, aquilo que me diz respeito está próximo de se cumprir.
 +
38. Eles replicaram: Senhor, eis aqui duas espadas. Basta, respondeu ele.
 +
39. Conforme o seu costume, Jesus saiu dali e dirigiu-se para o monte das Oliveiras, seguido dos seus discípulos.
 +
40. Ao chegar àquele lugar, disse-lhes: Orai para que não caiais em tentação.
 +
41. Depois se afastou deles à distância de um tiro de pedra e, ajoelhando-se, orava:
 +
42. Pai, se é de teu agrado, afasta de mim este cálice! Não se faça, todavia, a minha vontade, mas sim a tua.
 +
43. Apareceu-lhe então um anjo do céu para confortá-lo.
 +
44. Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra.
 +
45. Depois de ter rezado, levantou-se, foi ter com os discípulos e achou-os adormecidos de tristeza.
 +
46. Disse-lhes: Por que dormis? Levantai-vos, orai, para não cairdes em tentação.
 +
47. Ele ainda falava, quando apareceu uma multidão de gente; e à testa deles vinha um dos Doze, que se chamava Judas. Achegou-se de Jesus para o beijar.
 +
48. Jesus perguntou-lhe: Judas, com um beijo trais o Filho do Homem!
 +
49. Os que estavam ao redor dele, vendo o que ia acontecer, perguntaram: Senhor, devemos atacá-los à espada?
 +
50. E um deles feriu o servo do príncipe dos sacerdotes, decepando-lhe a orelha direita.
 +
51. Mas Jesus interveio: Deixai, basta. E, tocando na orelha daquele homem, curou-o.
 +
52. Voltando-se para os príncipes dos sacerdotes, para os oficiais do templo e para os anciãos que tinham vindo contra ele, disse-lhes: Saístes armados de espadas e cacetes, como se viésseis contra um ladrão.
 +
53. Entretanto, eu estava todos os dias convosco no templo, e não estendestes as mãos contra mim; mas esta é a vossa hora e do poder das trevas.
 +
54. Prenderam-no então e conduziram-no à casa do príncipe dos sacerdotes. Pedro seguia-o de longe.
 +
55. Acenderam um fogo no meio do pátio, e sentaram-se em redor. Pedro veio sentar-se com eles.
 +
56. Uma criada percebeu-o sentado junto ao fogo, encarou-o de perto e disse: Também este homem estava com ele.
 +
57. Mas ele negou-o: Mulher, não o conheço.
 +
58. Pouco depois, viu-o outro e disse-lhe: Também tu és um deles. Pedro respondeu: Não, eu não o sou.
 +
59. Passada quase uma hora, afirmava um outro: Certamente também este homem estava com ele, pois também é galileu.
 +
60. Mas Pedro disse: Meu amigo, não sei o que queres dizer. E no mesmo instante, quando ainda falava, cantou o galo.
 +
61. Voltando-se o Senhor, olhou para Pedro. Então Pedro se lembrou da palavra do Senhor: Hoje, antes que o galo cante, negar-me-ás três vezes.
 +
62. Saiu dali e chorou amargamente.
 +
63. Entretanto, os homens que guardavam Jesus escarneciam dele e davam-lhe bofetadas.
 +
64. Cobriam-lhe o rosto e diziam: Adivinha quem te bateu!
 +
65. E injuriavam-no ainda de outros modos.
 +
66. Ao amanhecer, reuniram-se os anciãos do povo, os príncipes dos sacerdotes e os escribas, e mandaram trazer Jesus ao seu conselho.
 +
67. Perguntaram-lhe: Dize-nos se és o Cristo! Respondeu-lhes ele: Se eu vo-lo disser, não me acreditareis;
 +
68. e se vos fizer qualquer pergunta, não me respondereis.
 +
69. Mas, doravante, o Filho do Homem estará sentado à direita do poder de Deus.
 +
70. Então perguntaram todos: Logo, tu és o Filho de Deus? Respondeu: Sim, eu sou.
 +
71. Eles então exclamaram: Temos nós ainda necessidade de testemunho? Nós mesmos o ouvimos da sua boca.
  
=====<font size="3">'''Eleição dos diáconos'''</font>=====
+
 +
Capítulo 23
  
<font size="5">'''6)'''</font> "'''1.''' Naqueles dias, como crescesse o número dos discípulos, houve queixas dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas teriam sido negligenciadas na distribuição diária.
+
1. Levantou-se a sessão e conduziram Jesus diante de Pilatos,
'''2.''' Por isso, os Doze convocaram uma reunião dos discípulos e disseram: Não é razoável que abandonemos a palavra de Deus, para administrar.
+
2. e puseram-se a acusá-lo: Temos encontrado este homem excitando o povo à revolta, proibindo pagar imposto ao imperador e dizendo-se Messias e rei.
'''3.''' Portanto, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarregaremos este ofício.
+
3. Pilatos perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus? Jesus respondeu: Sim.
'''4.''' Nós atenderemos sem cessar à oração e ao ministério da palavra.
+
4. Declarou Pilatos aos príncipes dos sacerdotes e ao povo: Eu não acho neste homem culpa alguma.
'''5.''' Este parecer agradou a toda a reunião. Escolheram Estêvão, homem cheio de e do Espírito Santo; Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia.
+
5. Mas eles insistiam fortemente: Ele revoluciona o povo ensinando por toda a Judéia, a começar da Galiléia até aqui.
'''6.''' Apresentaram-nos aos apóstolos, e estes, orando, impuseram-lhes as mãos.
+
6. A estas palavras, Pilatos perguntou se ele era galileu.
'''7.''' Divulgou-se sempre mais a palavra de Deus. Multiplicava-se consideravelmente o número dos discípulos em Jerusalém. Também grande número de sacerdotes aderia à fé.
+
7. E, quando soube que era da jurisdição de Herodes, enviou-o a Herodes, pois justamente naqueles dias se achava em Jerusalém.
 +
8. Herodes alegrou-se muito em ver Jesus, pois de longo tempo desejava vê-lo, por ter ouvido falar dele muitas coisas, e esperava presenciar algum milagre operado por ele.
 +
9. Dirigiu-lhe muitas perguntas, mas Jesus nada respondeu.
 +
10. Ali estavam os príncipes dos sacerdotes e os escribas, acusando-o com violência.
 +
11. Herodes, com a sua guarda, tratou-o com desprezo, escarneceu dele, mandou revesti-lo de uma túnica branca e reenviou-o a Pilatos.
 +
12. Naquele mesmo dia, Pilatos e Herodes fizeram as pazes, pois antes eram inimigos um do outro.
 +
13. Pilatos convocou então os príncipes dos sacerdotes, os magistrados e o povo, e disse-lhes:
 +
14. Apresentastes-me este homem como agitador do povo, mas, interrogando-o eu diante de vós, não o achei culpado de nenhum dos crimes de que o acusais.
 +
15. Nem tampouco Herodes, pois no-lo devolveu. Portanto, ele nada fez que mereça a morte.
 +
16. Por isso, soltá-lo-ei depois de o castigar.
 +
17. [Acontecia que em cada festa ele era obrigado a soltar-lhes um preso.]
 +
18. Todo o povo gritou a uma voz: À morte com este, e solta-nos Barrabás.
 +
19. (Este homem fora lançado ao cárcere devido a uma revolta levantada na cidade, por causa de um homicídio.)
 +
20. Pilatos, porém, querendo soltar Jesus, falou-lhes de novo,
 +
21. mas eles vociferavam: Crucifica-o! Crucifica-o!
 +
22. Pela terceira vez, Pilatos ainda interveio: Mas que mal fez ele, então? Não achei nele nada que mereça a morte; irei, portanto, castigá-lo e, depois, o soltarei.
 +
23. Mas eles instavam, reclamando em altas vozes que fosse crucificado, e os seus clamores recrudesciam.
 +
24. Pilatos pronunciou então a sentença que lhes satisfazia o desejo.
 +
25. Soltou-lhes aquele que eles reclamavam e que havia sido lançado ao cárcere por causa do homicídio e da revolta, e entregou Jesus à vontade deles.
 +
26. Enquanto o conduziam, detiveram um certo Simão de Cirene, que voltava do campo, e impuseram-lhe a cruz para que a carregasse atrás de Jesus.
 +
27. Seguia-o uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e o lamentavam.
 +
28. Voltando-se para elas, Jesus disse: Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos.
 +
29. Porque virão dias em que se dirá: Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram!
 +
30. Então dirão aos montes: Caí sobre nós! E aos outeiros: Cobri-nos!
 +
31. Porque, se eles fazem isto ao lenho verde, que acontecerá ao seco?
 +
32. Eram conduzidos ao mesmo tempo dois malfeitores para serem mortos com Jesus.
 +
33. Chegados que foram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, como também os ladrões, um à direita e outro à esquerda.
 +
34. E Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem. Eles dividiram as suas vestes e as sortearam.
 +
35. A multidão conservava-se lá e observava. Os príncipes dos sacerdotes escarneciam de Jesus, dizendo: Salvou a outros, que se salve a si próprio, se é o Cristo, o escolhido de Deus!
 +
36. Do mesmo modo zombavam dele os soldados. Aproximavam-se dele, ofereciam-lhe vinagre e diziam:
 +
37. Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo.
 +
38. Por cima de sua cabeça pendia esta inscrição: Este é o rei dos judeus.
 +
39. Um dos malfeitores, ali crucificados, blasfemava contra ele: Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós!
 +
40. Mas o outro o repreendeu: Nem sequer temes a Deus, tu que sofres no mesmo suplício?
 +
41. Para nós isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum.
 +
42. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino!
 +
43. Jesus respondeu-lhe: Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso.
 +
44. Era quase à hora sexta e em toda a terra houve trevas até a hora nona.
 +
45. Escureceu-se o sol e o véu do templo rasgou-se pelo meio.
 +
46. Jesus deu então um grande brado e disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, dizendo isso, expirou.
 +
47. Vendo o centurião o que acontecia, deu glória a Deus e disse: Na verdade, este homem era um justo.
 +
48. E toda a multidão dos que assistiam a este espetáculo e viam o que se passava, voltou batendo no peito.
 +
49. Os amigos de Jesus, como também as mulheres que o tinham seguido desde a Galiléia, conservavam-se a certa distância, e observavam estas coisas.
 +
50. Havia um homem, por nome José, membro do conselho, homem reto e justo.
 +
51. Ele não havia concordado com a decisão dos outros nem com os atos deles. Originário de Arimatéia, cidade da Judéia, esperava ele o Reino de Deus.
 +
52. Foi ter com Pilatos e lhe pediu o corpo de Jesus.
 +
53. Ele o desceu da cruz, envolveu-o num pano de linho e colocou-o num sepulcro, escavado na rocha, onde ainda ninguém havia sido depositado.
 +
54. Era o dia da Preparação e já ia principiar o sábado.
 +
55. As mulheres, que tinham vindo com Jesus da Galiléia, acompanharam José. Elas viram o túmulo e o modo como o corpo de Jesus ali fora depositado.
 +
56. Elas voltaram e prepararam aromas e bálsamos. No dia de sábado, observaram o preceito do repouso.
  
=====<font size="3">'''Prisão do diácono Estêvão'''</font>=====
+
'''8.''' Estêvão, cheio de graça e fortaleza, fazia grandes milagres e prodígios entre o povo.
+
Capítulo 24
'''9.''' Mas alguns da sinagoga, chamada dos Libertos, dos cirenenses, dos alexandrinos e dos que eram da Cilícia e da Ásia, levantaram-se para disputar com ele.
 
'''10.''' Não podiam, porém, resistir à sabedoria e ao Espírito que o inspirava.
 
'''11.''' Então subornaram alguns indivíduos para que dissessem que o tinham ouvido proferir palavras de blasfêmia contra Moisés e contra Deus.
 
'''12.''' Amotinaram assim o povo, os anciãos e os escribas e, investindo contra ele, agarraram-no e o levaram ao Grande Conselho.
 
'''13.''' Apresentaram falsas testemunhas que diziam: Esse homem não cessa de proferir palavras contra o lugar santo e contra a lei.
 
'''14.''' Nós o ouvimos dizer que Jesus de Nazaré há de destruir este lugar e há de mudar as tradições que Moisés nos legou.
 
'''15.''' Fixando nele os olhos, todos os membros do Grande Conselho viram o seu rosto semelhante ao de um anjo".
 
  
=====<font size="3">'''Discurso de Estêvão'''</font>=====
+
1. No primeiro dia da semana, muito cedo, dirigiram-se ao sepulcro com os aromas que haviam preparado.
 +
2. Acharam a pedra removida longe da abertura do sepulcro.
 +
3. Entraram, mas não encontraram o corpo do Senhor Jesus.
 +
4. Não sabiam elas o que pensar, quando apareceram em frente delas dois personagens com vestes resplandecentes.
 +
5. Como estivessem amedrontadas e voltassem o rosto para o chão, disseram-lhes eles: Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo?
 +
6. Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como ele vos disse, quando ainda estava na Galiléia:
 +
7. O Filho do Homem deve ser entregue nas mãos dos pecadores e crucificado, mas ressuscitará ao terceiro dia.
 +
8. Então elas se lembraram das palavras de Jesus.
 +
9. Voltando do sepulcro, contaram tudo isso aos Onze e a todos os demais.
 +
10. Eram elas Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago; as outras suas amigas relataram aos apóstolos a mesma coisa.
 +
11. Mas essas notícias pareciam-lhes como um delírio, e não lhes deram crédito.
 +
12. Contudo, Pedro correu ao sepulcro; inclinando-se para olhar, viu só os panos de linho na terra. Depois, retirou-se para a sua casa, admirado do que acontecera.
 +
13. Nesse mesmo dia, dois discípulos caminhavam para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios.
 +
14. Iam falando um com o outro de tudo o que se tinha passado.
 +
15. Enquanto iam conversando e discorrendo entre si, o mesmo Jesus aproximou-se deles e caminhava com eles.
 +
16. Mas os olhos estavam-lhes como que vendados e não o reconheceram.
 +
17. Perguntou-lhes, então: De que estais falando pelo caminho, e por que estais tristes?
 +
18. Um deles, chamado Cléofas, respondeu-lhe: És tu acaso o único forasteiro em Jerusalém que não sabe o que nela aconteceu estes dias?
 +
19. Perguntou-lhes ele: Que foi? Disseram: A respeito de Jesus de Nazaré... Era um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo.
 +
20. Os nossos sumos sacerdotes e os nossos magistrados o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram.
 +
21. Nós esperávamos que fosse ele quem havia de restaurar Israel e agora, além de tudo isto, é hoje o terceiro dia que essas coisas sucederam.
 +
22. É verdade que algumas mulheres dentre nós nos alarmaram. Elas foram ao sepulcro, antes do nascer do sol;
 +
23. e não tendo achado o seu corpo, voltaram, dizendo que tiveram uma visão de anjos, os quais asseguravam que está vivo.
 +
24. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e acharam assim como as mulheres tinham dito, mas a ele mesmo não viram.
 +
25. Jesus lhes disse: Ó gente sem inteligência! Como sois tardos de coração para crerdes em tudo o que anunciaram os profetas!
 +
26. Porventura não era necessário que Cristo sofresse essas coisas e assim entrasse na sua glória?
 +
27. E começando por Moisés, percorrendo todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava dito em todas as Escrituras.
 +
28. Aproximaram-se da aldeia para onde iam e ele fez como se quisesse passar adiante.
 +
29. Mas eles forçaram-no a parar: Fica conosco, já é tarde e já declina o dia. Entrou então com eles.
 +
30. Aconteceu que, estando sentado conjuntamente à mesa, ele tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e serviu-lho.
 +
31. Então se lhes abriram os olhos e o reconheceram... mas ele desapareceu.
 +
32. Diziam então um para o outro: Não se nos abrasava o coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?
 +
33. Levantaram-se na mesma hora e voltaram a Jerusalém. Aí acharam reunidos os Onze e os que com eles estavam.
 +
34. Todos diziam: O Senhor ressuscitou verdadeiramente e apareceu a Simão.
 +
35. Eles, por sua parte, contaram o que lhes havia acontecido no caminho e como o tinham reconhecido ao partir o pão.
 +
36. Enquanto ainda falavam dessas coisas, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: A paz esteja convosco!
 +
37. Perturbados e espantados, pensaram estar vendo um espírito.
 +
38. Mas ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que essas dúvidas nos vossos corações?
 +
39. Vede minhas mãos e meus pés, sou eu mesmo; apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho.
 +
40. E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés.
 +
41. Mas, vacilando eles ainda e estando transportados de alegria, perguntou: Tendes aqui alguma coisa para comer?
 +
42. Então ofereceram-lhe um pedaço de peixe assado.
 +
43. Ele tomou e comeu à vista deles.
 +
44. Depois lhes disse: Isto é o que vos dizia quando ainda estava convosco: era necessário que se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos profetas e nos Salmos.
 +
45. Abriu-lhes então o espírito, para que compreendessem as Escrituras, dizendo:
 +
46. Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia.
 +
47. E que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.
 +
48. Vós sois as testemunhas de tudo isso.
 +
49. Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto.
 +
50. Depois os levou para Betânia e, levantando as mãos, os abençoou.
 +
51. Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado ao céu.
 +
52. Depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo.
 +
53. E permaneciam no templo, louvando e bendizendo a Deus.
  
<font size="5">'''7)'''</font> "'''1.''' Perguntou-lhe então o sumo sacerdote: É realmente assim?
+
=====Jo. - Evangelho segundo João=====
'''2.''' Respondeu ele: Irmãos e pais, escutai. O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, quando estava na Mesopotâmia, antes de ir morar em Harã.
+
'''3.''' E disse-lhe: Sai de teu país e de tua parentela, e vai para a terra que eu te mostrar (Gn 12,1).
+
Capítulo 1
'''4.''' Ele saiu da terra dos caldeus, e foi habitar em Harã. Dali, depois que lhe faleceu o pai, Deus o fez passar para esta terra, em que vós agora habitais.
+
 
'''5.''' Não lhe deu nela propriedade alguma, nem sequer um palmo de terra, mas prometeu dar-lha em posse, e depois dele à sua posteridade, quando ainda não tinha filho algum.
+
1. No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus.
'''6.''' Eis como falou Deus: Tua descendência habitará em terra estranha e será reduzida à escravidão e maltratada pelo espaço de quatrocentos anos.
+
2. Ele estava no princípio junto de Deus.
'''7.''' Mas eu julgarei a nação que os dominar - diz o Senhor -, e eles sairão e me prestarão culto neste lugar (Gn 15,13s.; Ex 3,12).
+
3. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito.
'''8.''' E deu-lhe a aliança da circuncisão. Assim, Abraão teve um filho, Isaac, e, passados oito dias, o circuncidou; e Isaac, a Jacó; e Jacó, os doze patriarcas.
+
4. Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens.
'''9.''' Os patriarcas, invejosos de José, venderam-no para o Egito. Mas Deus estava com ele.
+
5. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
'''10.''' Livrou-o de todas as suas tribulações e deu-lhe graça e sabedoria diante do faraó, rei do Egito, que o fez governador do Egito e chefe de sua casa.
+
6. Houve um homem, enviado por Deus, que se chamava João.
'''11.''' Sobreveio depois uma fome a todo o Egito e Canaã. Grande era a tribulação, e os nossos pais não achavam o que comer.
+
7. Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele.
'''12.''' Mas quando Jacó soube que havia trigo no Egito, enviou pela primeira vez os nossos pais para lá.
+
8. Não era ele a luz, mas veio para dar testemunho da luz.
'''13.''' Na segunda, foi José reconhecido por seus irmãos, e foi descoberta ao faraó a sua origem.
+
9. [O Verbo] era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem.
'''14.''' Enviando mensageiros, José mandou vir seu pai Jacó com toda a sua família, que constava de setenta e cinco pessoas.
+
10. Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu.
'''15.''' Jacó desceu ao Egito e morreu ali, como também nossos pais.
+
11. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam.
'''16.''' Seus corpos foram trasladados para Siquém, e foram postos no sepulcro que Abraão tinha comprado, a peso de dinheiro, dos filhos de Hemor, de Siquém.
+
12. Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus,
'''17.''' Aproximava-se o tempo em que devia realizar-se a promessa que Deus havia jurado a Abraão. O povo cresceu e se multiplicou no Egito
+
13. os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus.
'''18.''' até que se levantou outro rei no Egito, o qual nada sabia de José.
+
14. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade.
'''19.''' Este rei, usando de astúcia contra a nossa raça, maltratou nossos pais e obrigou-os a enjeitar seus filhos para privá-los da vida.
+
15. João dá testemunho dele, e exclama: Eis aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim é maior do que eu, porque existia antes de mim.
'''20.''' Por este mesmo tempo, nasceu Moisés. Era belo aos olhos de Deus e por três meses foi criado na casa paterna.
+
16. Todos nós recebemos da sua plenitude graça sobre graça.
'''21.''' Depois, quando foi exposto, a filha do faraó o recolheu e o criou como seu próprio filho.
+
17. Pois a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.
'''22.''' Moisés foi instruído em todas as ciências dos egípcios e tornou-se forte em palavras e obras.
+
18. Ninguém jamais viu Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou.
'''23.''' Quando completou 40 anos, veio-lhe à mente visitar seus irmãos, os filhos de Israel.
+
19. Este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar-lhe: Quem és tu?
'''24.''' Viu que um deles era maltratado; tomou-lhe a defesa e vingou o que padecia a injúria, matando o egípcio.
+
20. Ele fez esta declaração que confirmou sem hesitar: Eu não sou o Cristo.
'''25.''' Ele esperava que os seus irmãos compreendessem que Deus se servia de sua mão para livrá-los. Mas não o entenderam.
+
21. Pois, então, quem és?, perguntaram-lhe eles. És tu Elias? Disse ele: Não o sou. És tu o profeta? Ele respondeu: Não.
'''26.''' No dia seguinte, dois dentre eles brigavam, e ele procurou reconciliá-los: Amigos, disse ele, sois irmãos, por que vos maltratais um ao outro?
+
22. Perguntaram-lhe de novo: Dize-nos, afinal, quem és, para que possamos dar uma resposta aos que nos enviaram. Que dizes de ti mesmo?
'''27.''' Mas o que maltratava seu compatriota o repeliu: Quem te constituiu chefe ou juiz sobre nós?
+
23. Ele respondeu: Eu sou a voz que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como o disse o profeta Isaías (40,3).
'''28.''' Porventura queres tu matar-me, como ontem mataste o egípcio?
+
24. Alguns dos emissários eram fariseus.
'''29.''' A estas palavras, Moisés fugiu. E esteve como estrangeiro na terra de Madiã, onde teve dois filhos.
+
25. Continuaram a perguntar-lhe: Como, pois, batizas, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?
'''30.''' Passados quarenta anos, apareceu-lhe no deserto do monte Sinai um anjo, na chama duma sarça ardente.
+
26. João respondeu: Eu batizo com água, mas no meio de vós está quem vós não conheceis.
'''31.''' Moisés, admirado de uma tal visão, aproximou-se para a examinar. E a voz do Senhor lhe falou:
+
27. Esse é quem vem depois de mim; e eu não sou digno de lhe desatar a correia do calçado.
'''32.''' Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó. Moisés, atemorizado, não ousava levantar os olhos.
+
28. Este diálogo se passou em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.
'''33.''' O Senhor lhe disse: Tira o teu calçado, porque o lugar onde estás é uma terra santa.
+
29. No dia seguinte, João viu Jesus que vinha a ele e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
'''34.''' Considerei a aflição do meu povo no Egito, ouvi os seus gemidos e desci para livrá-los. Vem, pois, agora e eu te enviarei ao Egito.
+
30. É este de quem eu disse: Depois de mim virá um homem, que me é superior, porque existe antes de mim.
'''35.''' Este Moisés que desprezaram, dizendo: Quem te constituiu chefe ou juiz?, a este Deus enviou como chefe e libertador pela mão do anjo que lhe apareceu na sarça.
+
31. Eu não o conhecia, mas, se vim batizar em água, é para que ele se torne conhecido em Israel.
'''36.''' Ele os fez sair do Egito, operando prodígios e milagres na terra do Egito, no mar Vermelho e no deserto, por espaço de quarenta anos.
+
32. (João havia declarado: Vi o Espírito descer do céu em forma de uma pomba e repousar sobre ele.)
'''37.''' Foi este Moisés que disse aos filhos de Israel: Deus vos suscitará dentre os vossos irmãos um profeta como eu.
+
33. Eu não o conhecia, mas aquele que me mandou batizar em água disse-me: Sobre quem vires descer e repousar o Espírito, este é quem batiza no Espírito Santo.
'''38.''' Este é o que esteve entre o povo congregado no deserto, e com o anjo que lhe falara no monte Sinai, e com os nossos pais; que recebeu palavras de vida para no-las transmitir.
+
34. Eu o vi e dou testemunho de que ele é o Filho de Deus.
'''39.''' Nossos pais não lhe quiseram obedecer, mas o repeliram. Em seus corações voltaram-se para o Egito,
+
35. No dia seguinte, estava lá João outra vez com dois dos seus discípulos.
'''40.''' dizendo a Aarão: Faze-nos deuses, que vão diante de nós, porque quanto a este Moisés, que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que foi feito dele.
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36. E, avistando Jesus que ia passando, disse: Eis o Cordeiro de Deus.
'''41.''' Fizeram, naqueles dias, um bezerro de ouro e ofereceram um sacrifício ao ídolo, e se alegravam diante da obra das suas mãos.
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37. Os dois discípulos ouviram-no falar e seguiram Jesus.
'''42.''' Mas Deus afastou-se e os abandonou ao culto dos astros do céu, como está escrito no livro dos profetas: Porventura, casa de Israel, vós me oferecestes vítimas e sacrifícios por quarenta anos no deserto?
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38. Voltando-se Jesus e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: Que procurais? Disseram-lhe: Rabi (que quer dizer Mestre), onde moras?
'''43.''' Aceitastes a tenda de Moloc e a estrela do vosso deus Renfão, figuras que vós fizestes para adorá-las! Assim eu vos deportarei para além da Babilônia (Am 5,25ss.).
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39. Vinde e vede, respondeu-lhes ele. Foram aonde ele morava e ficaram com ele aquele dia. Era cerca da hora décima.
'''44.''' A Arca da Aliança esteve com os nossos pais no deserto, como Deus ordenou a Moisés que a fizesse conforme o modelo que tinha visto.
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40. André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido João e que o tinham seguido.
'''45.''' Recebendo-a nossos pais, levaram-na sob a direção de Josué às terras dos pagãos, que Deus expulsou da presença de nossos pais. E ali ficou até o tempo de Davi.
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41. Foi ele então logo à procura de seu irmão e disse-lhe: Achamos o Messias (que quer dizer o Cristo).
'''46.''' Este encontrou graça diante de Deus e pediu que pudesse achar uma morada para o Deus de Jacó.
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42. Levou-o a Jesus, e Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de João; serás chamado Cefas (que quer dizer pedra).
'''47.''' Salomão foi quem lhe edificou a casa.
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43. No dia seguinte, tinha Jesus a intenção de dirigir-se à Galiléia. Encontra Filipe e diz-lhe: Segue-me.
'''48.''' O Altíssimo, porém, não habita em casas construídas por mãos humanas. Como diz o profeta:
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44. (Filipe era natural de Betsaida, cidade de André e Pedro.)
'''49.''' O céu é o meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés. Que casa me edificareis vós?, diz o Senhor. Qual é o lugar do meu repouso?
+
45. Filipe encontra Natanael e diz-lhe: Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei e que os profetas anunciaram: é Jesus de Nazaré, filho de José.
'''50.''' Acaso não foi minha mão que fez tudo isto (Is 66,1s.)?
+
46. Respondeu-lhe Natanael: Pode, porventura, vir coisa boa de Nazaré? Filipe retrucou: Vem e .
'''51.''' Homens de dura cerviz, e de corações e ouvidos incircuncisos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo. Como procederam os vossos pais, assim procedeis vós também!
+
47. Jesus vê Natanael, que lhe vem ao encontro, e diz: Eis um verdadeiro israelita, no qual não há falsidade.
'''52.''' A qual dos profetas não perseguiram os vossos pais? Mataram os que prediziam a vinda do Justo, do qual vós agora tendes sido traidores e homicidas.
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48. Natanael pergunta-lhe: Donde me conheces? Respondeu Jesus: Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas debaixo da figueira.
'''53.''' Vós que recebestes a lei pelo ministério dos anjos e não a guardastes...
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49. Falou-lhe Natanael: Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel.
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50. Jesus replicou-lhe: Porque eu te disse que te vi debaixo da figueira, crês! Verás coisas maiores do que esta.
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51. E ajuntou: Em verdade, em verdade vos digo: vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.
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Capítulo 2
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1. Três dias depois, celebravam-se bodas em Caná da Galiléia, e achava-se ali a mãe de Jesus.
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2. Também foram convidados Jesus e os seus discípulos.
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3. Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: Eles já não têm vinho.
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4. Respondeu-lhe Jesus: Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou.
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5. Disse, então, sua mãe aos serventes: Fazei o que ele vos disser.
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6. Ora, achavam-se ali seis talhas de pedra para as purificações dos judeus, que continham cada qual duas ou três medidas.
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7. Jesus ordena-lhes: Enchei as talhas de água. Eles encheram-nas até em cima.
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8. Tirai agora , disse-lhes Jesus, e levai ao chefe dos serventes. E levaram.
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9. Logo que o chefe dos serventes provou da água tornada vinho, não sabendo de onde era (se bem que o soubessem os serventes, pois tinham tirado a água), chamou o noivo
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10. e disse-lhe: É costume servir primeiro o vinho bom e, depois, quando os convidados já estão quase embriagados, servir o menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora.
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11. Este foi o primeiro milagre de Jesus; realizou-o em Caná da Galiléia. Manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.
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12. Depois disso, desceu para Cafarnaum, com sua mãe, seus irmãos e seus discípulos; e ali só demoraram poucos dias.
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13. Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.
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14. Encontrou no templo os negociantes de bois, ovelhas e pombas, e mesas dos trocadores de moedas.
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15. Fez ele um chicote de cordas, expulsou todos do templo, como também as ovelhas e os bois, espalhou pelo chão o dinheiro dos trocadores e derrubou as mesas.
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16. Disse aos que vendiam as pombas: Tirai isto daqui e não façais da casa de meu Pai uma casa de negociantes.
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17. Lembraram-se então os seus discípulos do que está escrito: O zelo da tua casa me consome (Sl 68,10).
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18. Perguntaram-lhe os judeus: Que sinal nos apresentas tu, para procederes deste modo?
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19. Respondeu-lhes Jesus: Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias.
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20. Os judeus replicaram: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu hás de levantá-lo em três dias?!
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21. Mas ele falava do templo do seu corpo.
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22. Depois que ressurgiu dos mortos, os seus discípulos lembraram-se destas palavras e creram na Escritura e na palavra de Jesus.
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23. Enquanto Jesus celebrava em Jerusalém a festa da Páscoa, muitos creram no seu nome, à vista dos milagres que fazia.
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24. Mas Jesus mesmo não se fiava neles, porque os conhecia a todos.
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25. Ele não necessitava que alguém desse testemunho de nenhum homem, pois ele bem sabia o que havia no homem.
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Capítulo 3
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1. Havia um homem entre os fariseus, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.
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2. Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe: Rabi, sabemos que és um Mestre vindo de Deus. Ninguém pode fazer esses milagres que fazes, se Deus não estiver com ele.
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3. Jesus replicou-lhe: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus.
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4. Nicodemos perguntou-lhe: Como pode um homem renascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda vez?
 +
5. Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus.
 +
6. O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito.
 +
7. Não te maravilhes de que eu te tenha dito: Necessário vos é nascer de novo.
 +
8. O vento sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito.
 +
9. Replicou Nicodemos: Como se pode fazer isso?
 +
10. Disse Jesus: És doutor em Israel e ignoras estas coisas!...
 +
11. Em verdade, em verdade te digo: dizemos o que sabemos e damos testemunho do que vimos, mas não recebeis o nosso testemunho.
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12. Se vos tenho falado das coisas terrenas e não me credes, como crereis se vos falar das celestiais?
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13. Ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu, o Filho do Homem que está no céu.
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14. Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do Homem,
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15. para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna.
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16. Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.
 +
17. Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele.
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18. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado; por que não crê no nome do Filho único de Deus.
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19. Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más.
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20. Porquanto todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas.
 +
21. Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus.
 +
22. Em seguida, foi Jesus com os seus discípulos para os campos da Judéia, e ali se deteve com eles, e batizava.
 +
23. Também João batizava em Enon, perto de Salim, porque havia ali muita água, e muitos vinham e eram batizados.
 +
24. Pois João ainda não tinha sido lançado no cárcere.
 +
25. Ora, surgiu uma discussão entre os discípulos de João e um judeu, a respeito da purificação.
 +
26. Foram e disseram-lhe: Mestre, aquele que estava contigo além do Jordão, de quem tu deste testemunho, ei-lo que está batizando e todos vão ter com ele...
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27. João replicou: Ninguém pode atribuir-se a si mesmo senão o que lhe foi dado do céu.
 +
28. Vós mesmos me sois testemunhas de que disse: Eu não sou o Cristo, mas fui enviado diante dele.
 +
29. Aquele que tem a esposa é o esposo. O amigo do esposo, porém, que está presente e o ouve, regozija-se sobremodo com a voz do esposo. Nisso consiste a minha alegria, que agora se completa.
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30. Importa que ele cresça e que eu diminua.
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31. Aquele que vem de cima é superior a todos. Aquele que vem da terra é terreno e fala de coisas terrenas. Aquele que vem do céu é superior a todos.
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32. Ele testemunha as coisas que viu e ouviu, mas ninguém recebe o seu testemunho.
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33. Aquele que recebe o seu testemunho confirma que Deus é verdadeiro.
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34. Com efeito, aquele que Deus enviou fala a linguagem de Deus, porque ele concede o Espírito sem medidas.
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35. O Pai ama o Filho e confiou-lhe todas as coisas.
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36. Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; quem não crê no Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus.
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Capítulo 4
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1. O Senhor soube que os fariseus tinham ouvido dizer que ele recrutava e batizava mais discípulos que João
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2. (se bem que não era Jesus quem batizava, mas os seus discípulos).
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3. Deixou a Judéia e voltou para a Galiléia.
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4. Ora, devia passar por Samaria.
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5. Chegou, pois, a uma localidade da Samaria, chamada Sicar, junto das terras que Jacó dera a seu filho José.
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6. Ali havia o poço de Jacó. E Jesus, fatigado da viagem, sentou-se à beira do poço. Era por volta do meio-dia.
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7. Veio uma mulher da Samaria tirar água. Pediu-lhe Jesus: Dá-me de beber.
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8. (Pois os discípulos tinham ido à cidade comprar mantimentos.)
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9. Aquela samaritana lhe disse: Sendo tu judeu, como pedes de beber a mim, que sou samaritana!... (Pois os judeus não se comunicavam com os samaritanos.)
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10. Respondeu-lhe Jesus: Se conhecesses o dom de Deus, e quem é que te diz: Dá-me de beber, certamente lhe pedirias tu mesma e ele te daria uma água viva.
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11. A mulher lhe replicou: Senhor, não tens com que tirá-la, e o poço é fundo... donde tens, pois, essa água viva?
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12. És, porventura, maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu e também os seus filhos e os seus rebanhos?
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13. Respondeu-lhe Jesus: Todo aquele que beber desta água tornará a ter sede,
 +
14. mas o que beber da água que eu lhe der jamais terá sede. Mas a água que eu lhe der virá a ser nele fonte de água, que jorrará até a vida eterna.
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15. A mulher suplicou: Senhor, dá-me desta água, para eu já não ter sede nem vir aqui tirá-la!
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16. Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e volta cá.
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17. A mulher respondeu: Não tenho marido. Disse Jesus: Tens razão em dizer que não tens marido.
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18. Tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu. Nisto disseste a verdade.
 +
19. Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que és profeta!...
 +
20. Nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar.
 +
21. Jesus respondeu: Mulher, acredita-me, vem a hora em que não adorareis o Pai, nem neste monte nem em Jerusalém.
 +
22. Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus.
 +
23. Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja.
 +
24. Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade.
 +
25. Respondeu a mulher: Sei que deve vir o Messias (que se chama Cristo); quando, pois, vier, ele nos fará conhecer todas as coisas.
 +
26. Disse-lhe Jesus: Sou eu, quem fala contigo.
 +
27. Nisso seus discípulos chegaram e maravilharam-se de que estivesse falando com uma mulher. Ninguém, todavia, perguntou: Que perguntas? Ou: Que falas com ela?
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28. A mulher deixou o seu cântaro, foi à cidade e disse àqueles homens:
 +
29. Vinde e vede um homem que me contou tudo o que tenho feito. Não seria ele, porventura, o Cristo?
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30. Eles saíram da cidade e vieram ter com Jesus.
 +
31. Entretanto, os discípulos lhe pediam: Mestre, come.
 +
32. Mas ele lhes disse: Tenho um alimento para comer que vós não conheceis.
 +
33. Os discípulos perguntavam uns aos outros: Alguém lhe teria trazido de comer?
 +
34. Disse-lhes Jesus: Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra.
 +
35. Não dizeis vós que ainda há quatro meses e vem a colheita? Eis que vos digo: levantai os vossos olhos e vede os campos, porque já estão brancos para a ceifa.
 +
36. O que ceifa recebe o salário e ajunta fruto para a vida eterna; assim o semeador e o ceifador juntamente se regozijarão.
 +
37. Porque eis que se pode dizer com toda verdade: Um é o que semeia outro é o que ceifa.
 +
38. Enviei-vos a ceifar onde não tendes trabalhado; outros trabalharam, e vós entrastes nos seus trabalhos.
 +
39. Muitos foram os samaritanos daquela cidade que creram nele por causa da palavra da mulher, que lhes declarara: Ele me disse tudo quanto tenho feito.
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40. Assim, quando os samaritanos foram ter com ele, pediram que ficasse com eles. Ele permaneceu ali dois dias.
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41. Ainda muitos outros creram nele por causa das suas palavras.
 +
42. E diziam à mulher: Já não é por causa da tua declaração que cremos, mas nós mesmos ouvimos e sabemos ser este verdadeiramente o Salvador do mundo.
 +
43. Passados os dois dias, Jesus partiu para a Galiléia.
 +
44. (Ele mesmo havia declarado que um profeta não é honrado na sua pátria.)
 +
45. Chegando à Galiléia, acolheram-no os galileus, porque tinham visto tudo o que fizera durante a festa em Jerusalém; pois também eles tinham ido à festa.
 +
46. Ele voltou, pois, a Caná da Galiléia, onde transformara água em vinho. Havia então em Cafarnaum um oficial do rei, cujo filho estava doente.
 +
47. Ao ouvir que Jesus vinha da Judéia para a Galiléia, foi a ele e rogou-lhe que descesse e curasse seu filho, que estava prestes a morrer.
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48. Disse-lhe Jesus: Se não virdes milagres e prodígios, não credes...
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49. Pediu-lhe o oficial: Senhor, desce antes que meu filho morra!
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50. Vai, disse-lhe Jesus, o teu filho está passando bem! O homem acreditou na palavra de Jesus e partiu.
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51. Enquanto ia descendo, os criados vieram-lhe ao encontro e lhe disseram: Teu filho está passando bem.
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52. Indagou então deles a hora em que se sentira melhor. Responderam-lhe: Ontem à sétima hora a febre o deixou.
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53. Reconheceu o pai ser a mesma hora em que Jesus dissera: Teu filho está passando bem. E creu tanto ele como toda a sua casa.
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54. Esse foi o segundo milagre que Jesus fez, depois de voltar da Judéia para a Galiléia.
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Capítulo 5
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1. Depois disso, houve uma festa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.
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2. Há em Jerusalém, junto à porta das Ovelhas, um tanque, chamado em hebraico Betesda, que tem cinco pórticos.
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3. Nestes pórticos jazia um grande número de enfermos, de cegos, de coxos e de paralíticos, que esperavam o movimento da água.
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4. [Pois de tempos em tempos um anjo do Senhor descia ao tanque e a água se punha em movimento. E o primeiro que entrasse no tanque, depois da agitação da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse.]
 +
5. Estava ali um homem enfermo havia trinta e oito anos.
 +
6. Vendo-o deitado e sabendo que já havia muito tempo que estava enfermo, perguntou-lhe Jesus: Queres ficar curado?
 +
7. O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água é agitada; enquanto vou, já outro desceu antes de mim.
 +
8. Ordenou-lhe Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e anda.
 +
9. No mesmo instante, aquele homem ficou curado, tomou o seu leito e foi andando. Ora, aquele dia era sábado.
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10. E os judeus diziam ao homem curado: E sábado, não te é permitido carregar o teu leito.
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11. Respondeu-lhes ele: Aquele que me curou disse: Toma o teu leito e anda.
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12. Perguntaram-lhe eles: Quem é o homem que te disse: Toma o teu leito e anda?
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13. O que havia sido curado, porém, não sabia quem era, porque Jesus se havia retirado da multidão que estava naquele lugar.
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14. Mais tarde, Jesus o achou no templo e lhe disse: Eis que ficaste são; já não peques, para não te acontecer coisa pior.
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15. Aquele homem foi então contar aos judeus que fora Jesus quem o havia curado.
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16. Por esse motivo, os judeus perseguiam Jesus, porque fazia esses milagres no dia de sábado.
 +
17. Mas ele lhes disse: Meu Pai continua agindo até agora, e eu ajo também.
 +
18. Por esta razão os judeus, com maior ardor, procuravam tirar-lhe a vida, porque não somente violava o repouso do sábado, mas afirmava ainda que Deus era seu Pai e se fazia igual a Deus.
 +
19. Jesus tomou a palavra e disse-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: o Filho de si mesmo não pode fazer coisa alguma; ele só faz o que vê fazer o Pai; e tudo o que o Pai faz, o faz também semelhantemente o Filho.
 +
20. Pois o Pai ama o Filho e mostra-lhe tudo o que faz; e maiores obras do que esta lhe mostrará, para que fiqueis admirados.
 +
21. Com efeito, como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, assim também o Filho dá vida a quem ele quer.
 +
22. Assim também o Pai não julga ninguém, mas entregou todo o julgamento ao Filho.
 +
23. Desse modo, todos honrarão o Filho, bem como honram o Pai. Aquele que não honra o Filho, não honra o Pai, que o enviou.
 +
24. Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida.
 +
25. Em verdade, em verdade vos digo: vem a hora, e já está aí, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão.
 +
26. Pois como o Pai tem a vida em si mesmo, assim também deu ao Filho o ter a vida em si mesmo,
 +
27. e lhe conferiu o poder de julgar, porque é o Filho do Homem.
 +
28. Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que se acham nos sepulcros sairão deles ao som de sua voz:
 +
29. os que praticaram o bem irão para a ressurreição da vida, e aqueles que praticaram o mal ressuscitarão para serem condenados.
 +
30. De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.
 +
31. Se eu der testemunho de mim mesmo, não é digno de fé o meu testemunho.
 +
32. Há outro que dá testemunho de mim, e sei que é digno de fé o testemunho que dá de mim.
 +
33. Vós enviastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade.
 +
34. Não invoco, porém, o testemunho de homem algum. Digo-vos essas coisas, a fim de que sejais salvos.
 +
35. João era uma lâmpada que arde e ilumina; vós, porém, só por uma hora quisestes alegrar-vos com a sua luz.
 +
36. Mas tenho maior testemunho do que o de João, porque as obras que meu Pai me deu para executar - essas mesmas obras que faço - testemunham a meu respeito que o Pai me enviou.
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37. E o Pai que me enviou, ele mesmo deu testemunho de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz nem vistes a sua face...
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38. e não tendes a sua palavra permanente em vós, pois não credes naquele que ele enviou.
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39. Vós perscrutais as Escrituras, julgando encontrar nelas a vida eterna. Pois bem! São elas mesmas que dão testemunho de mim.
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40. E vós não quereis vir a mim para que tenhais a vida...
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41. Não espero a minha glória dos homens,
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42. mas sei que não tendes em vós o amor de Deus.
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43. Vim em nome de meu Pai, mas não me recebeis. Se vier outro em seu próprio nome, haveis de recebê-lo...
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44. Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros, e não buscais a glória que é só de Deus?
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45. Não julgueis que vos hei de acusar diante do Pai; há quem vos acusa: Moisés, no qual colocais a vossa esperança.
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46. Pois se crêsseis em Moisés, certamente creríeis em mim, porque ele escreveu a meu respeito.
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47. Mas, se não acreditais nos seus escritos, como acreditareis nas minhas palavras?
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Capítulo 6
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1. Depois disso, atravessou Jesus o lago da Galiléia (que é o de Tiberíades.)
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2. Seguia-o uma grande multidão, porque via os milagres que fazia em beneficio dos enfermos.
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3. Jesus subiu a um monte e ali se sentou com seus discípulos.
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4. Aproximava-se a Páscoa, festa dos judeus.
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5. Jesus levantou os olhos sobre aquela grande multidão que vinha ter com ele e disse a Filipe: Onde compraremos pão para que todos estes tenham o que comer?
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6. Falava assim para o experimentar, pois bem sabia o que havia de fazer.
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7. Filipe respondeu-lhe: Duzentos denários de pão não lhes bastam, para que cada um receba um pedaço.
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8. Um dos seus discípulos, chamado André, irmão de Simão Pedro, disse-lhe:
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9. Está aqui um menino que tem cinco pães de cevada e dois peixes... mas que é isto para tanta gente?
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10. Disse Jesus: Fazei-os assentar. Ora, havia naquele lugar muita relva. Sentaram-se aqueles homens em número de uns cinco mil.
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11. Jesus tomou os pães e rendeu graças. Em seguida, distribuiu-os às pessoas que estavam sentadas, e igualmente dos peixes lhes deu quanto queriam.
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12. Estando eles saciados, disse aos discípulos: Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca.
 +
13. Eles os recolheram e, dos pedaços dos cinco pães de cevada que sobraram, encheram doze cestos.
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14. À vista desse milagre de Jesus, aquela gente dizia: Este é verdadeiramente o profeta que há de vir ao mundo.
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15. Jesus, percebendo que queriam arrebatá-lo e fazê-lo rei, tornou a retirar-se sozinho para o monte.
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16. Chegada a tarde, os seus discípulos desceram à margem do lago.
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17. Subindo a uma barca, atravessaram o lago rumo a Cafarnaum. Era já escuro, e Jesus ainda não se tinha reunido a eles.
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18. O mar, entretanto, se agitava, porque soprava um vento rijo.
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19. Tendo eles remado uns vinte e cinco ou trinta estádios, viram Jesus que se aproximava da barca, andando sobre as águas, e ficaram atemorizados.
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20. Mas ele lhes disse: Sou eu, não temais.
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21. Quiseram recebê-lo na barca, mas pouco depois a barca chegou ao seu destino.
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22. No dia seguinte, a multidão que tinha ficado do outro lado do mar percebeu que Jesus não tinha subido com seus discípulos na única barca que lá estava, mas que eles tinham partido sozinhos.
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23. Nesse meio tempo, outras barcas chegaram de Tiberíades, perto do lugar onde tinham comido o pão, depois de o Senhor ter dado graças.
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24. E, reparando a multidão que nem Jesus nem os seus discípulos estavam ali, entrou nas barcas e foi até Cafarnaum à sua procura.
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25. Encontrando-o na outra margem do lago, perguntaram-lhe: Mestre, quando chegaste aqui?
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26. Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: buscais-me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes fartos.
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27. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a vida eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois nele Deus Pai imprimiu o seu sinal.
 +
28. Perguntaram-lhe: Que faremos para praticar as obras de Deus?
 +
29. Respondeu-lhes Jesus: A obra de Deus é esta: que creiais naquele que ele enviou.
 +
30. Perguntaram eles: Que milagre fazes tu, para que o vejamos e creiamos em ti? Qual é a tua obra?
 +
31. Nossos pais comeram o maná no deserto, segundo o que está escrito: Deu-lhes de comer o pão vindo do céu (Sl 77,24).
 +
32. Jesus respondeu-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu, mas o meu Pai é quem vos dá o verdadeiro pão do céu;
 +
33. porque o pão de Deus é o pão que desce do céu e dá vida ao mundo.
 +
34. Disseram-lhe: Senhor, dá-nos sempre deste pão!
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35. Jesus replicou: Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede.
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36. Mas já vos disse: Vós me vedes e não credes...
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37. Todo aquele que o Pai me dá virá a mim, e o que vem a mim não o lançarei fora.
 +
38. Pois desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.
 +
39. Ora, esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não deixe perecer nenhum daqueles que me deu, mas que os ressuscite no último dia.
 +
40. Esta é a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.
 +
41. Murmuravam então dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu.
 +
42. E perguntavam: Porventura não é ele Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe conhecemos? Como, pois, diz ele: Desci do céu?
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43. Respondeu-lhes Jesus: Não murmureis entre vós.
 +
44. Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu hei de ressuscitá-lo no último dia.
 +
45. Está escrito nos profetas: Todos serão ensinados por Deus (Is 54,13). Assim, todo aquele que ouviu o Pai e foi por ele instruído vem a mim.
 +
46. Não que alguém tenha visto o Pai, pois só aquele que vem de Deus, esse é que viu o Pai.
 +
47. Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna.
 +
48. Eu sou o pão da vida.
 +
49. Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram.
 +
50. Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer.
 +
51. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo.
 +
52. A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne?
 +
53. Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos.
 +
54. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.
 +
55. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida.
 +
56. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.
 +
57. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim.
 +
58. Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente.
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59. Tal foi o ensinamento de Jesus na sinagoga de Cafarnaum.
 +
60. Muitos dos seus discípulos, ouvindo-o, disseram: Isto é muito duro! Quem o pode admitir?
 +
61. Sabendo Jesus que os discípulos murmuravam por isso, perguntou-lhes: Isso vos escandaliza?
 +
62. Que será, quando virdes subir o Filho do Homem para onde ele estava antes?...
 +
63. O espírito é que vivifica, a carne de nada serve. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida.
 +
64. Mas há alguns entre vós que não crêem... Pois desde o princípio Jesus sabia quais eram os que não criam e quem o havia de trair.
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65. Ele prosseguiu: Por isso vos disse: Ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lho for concedido.
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66. Desde então, muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam com ele.
 +
67. Então Jesus perguntou aos Doze: Quereis vós também retirar-vos?
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68. Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.
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69. E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus!
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70. Jesus acrescentou: Não vos escolhi eu todos os doze? Contudo, um de vós é um demônio!...
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71. Ele se referia a Judas, filho de Simão Iscariotes, porque era quem o havia de entregar não obstante ser um dos Doze.
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Capítulo 7
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1. Depois disso, Jesus percorria a Galiléia. Ele não queria deter-se na Judéia, porque os judeus procuravam tirar-lhe a vida.
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2. Aproximava-se a festa dos judeus chamada dos Tabernáculos.
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3. Seus irmãos disseram-lhe: Parte daqui e vai para a Judéia, a fim de que também os teus discípulos vejam as obras que fazes.
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4. Pois quem deseja ser conhecido em público não faz coisa alguma ocultamente. Já que fazes essas obras, revela-te ao mundo.
 +
5. Com efeito, nem mesmo os seus irmãos acreditavam nele.
 +
6. Disse-lhes Jesus: O meu tempo ainda não chegou, mas para vós a hora é sempre favorável.
 +
7. O mundo não vos pode odiar, mas odeia-me, porque eu testemunho contra ele que as suas obras são más.
 +
8. Subi vós para a festa. Quanto a mim, eu não irei, porque ainda não chegou o meu tempo.
 +
9. Dito isto, permaneceu na Galiléia.
 +
10. Mas quando os seus irmãos tinham subido, então subiu também ele à festa, não em público, mas despercebidamente.
 +
11. Buscavam-no os judeus durante a festa e perguntavam: Onde está ele?
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12. E na multidão só se discutia a respeito dele. Uns diziam: É homem de bem. Outros, porém, diziam: Não é; ele seduz o povo.
 +
13. Ninguém, contudo, ousava falar dele livremente com medo dos judeus.
 +
14. Lá pelo meio da festa, Jesus subiu ao templo e pôs-se a ensinar.
 +
15. Os judeus se admiravam e diziam: Este homem não fez estudos. Donde lhe vem, pois, este conhecimento das Escrituras?
 +
16. Respondeu-lhes Jesus: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou.
 +
17. Se alguém quiser cumprir a vontade de Deus, distinguirá se a minha doutrina é de Deus ou se falo de mim mesmo.
 +
18. Quem fala por própria autoridade busca a própria glória, mas quem procura a glória de quem o enviou é digno de fé e nele não há impostura alguma.
 +
19. Acaso não foi Moisés quem vos deu a lei? No entanto, ninguém de vós cumpre a lei!...
 +
20. Por que procurais tirar-me a vida? Respondeu o povo: Tens um demônio! Quem procura tirar-te a vida?
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21. Replicou Jesus: Fiz uma só obra, e todos vós vos maravilhais!
 +
22. Moisés vos deu a circuncisão (se bem que ela não é de Moisés, mas dos patriarcas), e até no sábado circuncidais um homem!
 +
23. Se um homem recebe a circuncisão em dia de sábado, e isso sem violar a Lei de Moisés, por que vos indignais comigo, que tenho curado um homem em todo o seu corpo em dia de sábado?
 +
24. Não julgueis pela aparência, mas julgai conforme a justiça.
 +
25. Algumas das pessoas de Jerusalém diziam: Não é este aquele a quem procuram tirar a vida?
 +
26. Todavia, ei-lo que fala em público e não lhe dizem coisa alguma. Porventura reconheceram de fato as autoridades que ele é o Cristo?
 +
27. Mas este nós sabemos de onde vem. Do Cristo, porém, quando vier, ninguém saberá de onde seja.
 +
28. Enquanto ensinava no templo, Jesus exclamou: Ah! Vós me conheceis e sabeis de onde eu sou!... Entretanto, não vim de mim mesmo, mas é verdadeiro aquele que me enviou, e vós não o conheceis.
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29. Eu o conheço, porque venho dele e ele me enviou.
 +
30. Procuraram prendê-lo, mas ninguém lhe deitou as mãos, porque ainda não era chegada a sua hora.
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31. Muitos do povo, porém, creram nele e perguntavam: Quando vier o Cristo, fará mais milagres do que este faz?
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32. Os fariseus ouviram esse murmúrio que circulava entre o povo a respeito de Jesus. Então, de acordo com eles, os príncipes dos sacerdotes enviaram guardas para prendê-lo.
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33. Disse Jesus: Ainda por um pouco de tempo estou convosco e então vou para aquele que me enviou.
 +
34. Buscar-me-eis sem me achar, nem podereis ir para onde estou.
 +
35. Os judeus perguntavam entre si: Para onde irá ele, que o não possamos achar? Porventura irá para o meio dos judeus dispersos entre os gregos, para tornar-se o doutor dos estrangeiros?
 +
36. Que significam essas palavras que nos disse: Buscar-me-eis sem me achar, e onde estou para lá não podereis ir?
 +
37. No último dia, que é o principal dia de festa, estava Jesus de pé e clamava: Se alguém tiver sede, venha a mim e beba.
 +
38. Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva (Zc 14,8; Is 58,11).
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39. Dizia isso, referindo-se ao Espírito que haviam de receber os que cressem nele, pois ainda não fora dado o Espírito, visto que Jesus ainda não tinha sido glorificado.
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40. Ouvindo essas palavras, alguns daquela multidão diziam: Este é realmente o profeta.
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41. Outros diziam: Este é o Cristo. Mas outros protestavam: É acaso da Galiléia que há de vir o Cristo?
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42. Não diz a Escritura: O Cristo há de vir da família de Davi, e da aldeia de Belém, onde vivia Davi?
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43. Houve por isso divisão entre o povo por causa dele.
 +
44. Alguns deles queriam prendê-lo, mas ninguém lhe lançou as mãos.
 +
45. Voltaram os guardas para junto dos príncipes dos sacerdotes e fariseus, que lhes perguntaram: Por que não o trouxestes?
 +
46. Os guardas responderam: Jamais homem algum falou como este homem!...
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47. Replicaram os fariseus: Porventura também vós fostes seduzidos?
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48. Há, acaso, alguém dentre as autoridades ou fariseus que acreditou nele?
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49. Este poviléu que não conhece a lei é amaldiçoado!...
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50. Replicou-lhes Nicodemos, um deles, o mesmo que de noite o fora procurar:
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51. Condena acaso a nossa lei algum homem, antes de o ouvir e conhecer o que ele faz?
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52. Responderam-lhe: Porventura és também tu galileu? Informa-te bem e verás que da Galiléia não saiu profeta.
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53. E voltaram, cada um para sua casa.
 +
 
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 +
Capítulo 8
  
=====<font size="3">'''Morte de Estêvão'''</font>=====
+
1. Dirigiu-se Jesus para o monte das Oliveiras.
'''54.''' Ao ouvir tais palavras, esbravejaram de raiva e rangiam os dentes contra ele.
+
2. Ao romper da manhã, voltou ao templo e todo o povo veio a ele. Assentou-se e começou a ensinar.
'''55.''' Mas, cheio do Espírito Santo, Estêvão fitou o céu e viu a glória de Deus e Jesus de pé à direita de Deus:
+
3. Os escribas e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher que fora apanhada em adultério.
'''56.''' Eis que vejo, disse ele, os céus abertos e o Filho do Homem, de , à direita de Deus.
+
4. Puseram-na no meio da multidão e disseram a Jesus: Mestre, agora mesmo esta mulher foi apanhada em adultério.
'''57.''' Levantaram então um grande clamor, taparam os ouvidos e todos juntos se atiraram furiosos contra ele.
+
5. Moisés mandou-nos na lei que apedrejássemos tais mulheres. Que dizes tu a isso?
'''58.''' Lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram os seus mantos aos pés de um moço chamado Saulo.
+
6. Perguntavam-lhe isso, a fim de pô-lo à prova e poderem acusá-lo. Jesus, porém, se inclinou para a frente e escrevia com o dedo na terra.
'''59.''' E apedrejavam Estêvão, que orava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito.
+
7. Como eles insistissem, ergueu-se e disse-lhes: Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra.
'''60.''' Posto de joelhos, exclamou em alta voz: Senhor, não lhes leves em conta este pecado... A estas palavras, expirou.
+
8. Inclinando-se novamente, escrevia na terra.
<font size="5">'''8)'''</font> '''1.''' E Saulo havia aprovado a morte de Estêvão."
+
9. A essas palavras, sentindo-se acusados pela sua própria consciência, eles se foram retirando um por um, até o último, a começar pelos mais idosos, de sorte que Jesus ficou sozinho, com a mulher diante dele.
 +
10. Então ele se ergueu e vendo ali apenas a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou?
 +
11. Respondeu ela: Ninguém, Senhor. Disse-lhe então Jesus: Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar.
 +
12. Falou-lhes outra vez Jesus: Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.
 +
13. A isso, os fariseus lhe disseram: Tu dás testemunho de ti mesmo; teu testemunho não é digno de fé.
 +
14. Respondeu-lhes Jesus: Embora eu dê testemunho de mim mesmo, o meu testemunho é digno de fé, porque sei de onde vim e para onde vou; mas vós não sabeis de onde venho nem para onde vou.
 +
15. Vós julgais segundo a aparência; eu não julgo ninguém.
 +
16. E, se julgo, o meu julgamento é conforme a verdade, porque não estou sozinho, mas comigo está o Pai que me enviou.
 +
17. Ora, na vossa lei está escrito: O testemunho de duas pessoas é digno de fé (Dt 19,15).
 +
18. Eu dou testemunho de mim mesmo; e meu Pai, que me enviou, o dá também.
 +
19. Perguntaram-lhe: Onde está teu Pai? Respondeu Jesus: Não conheceis nem a mim nem a meu Pai; se me conhecêsseis, certamente conheceríeis também a meu Pai.
 +
20. Estas palavras proferiu Jesus ensinando no templo, junto aos cofres de esmola. Mas ninguém o prendeu, porque ainda não era chegada a sua hora.
 +
21. Jesus disse-lhes: Eu me vou, e procurar-me-eis e morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, vós não podeis ir.
 +
22. Perguntavam os judeus: Será que ele se vai matar, pois diz: Para onde eu vou, vós não podeis ir?
 +
23. Ele lhes disse: Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo.
 +
24. Por isso vos disse: morrereis no vosso pecado; porque, se não crerdes o que eu sou, morrereis no vosso pecado.
 +
25. Quem és tu?, perguntaram-lhe eles então. Jesus respondeu: Exatamente o que eu vos declaro.
 +
26. Tenho muitas coisas a dizer e a julgar a vosso respeito, mas o que me enviou é verdadeiro e o que dele ouvi eu o digo ao mundo.
 +
27. Eles, porém, não compreenderam que ele lhes falava do Pai.
 +
28. Jesus então lhes disse: Quando tiverdes levantado o Filho do Homem, então conhecereis quem sou e que nada faço de mim mesmo, mas falo do modo como o Pai me ensinou.
 +
29. Aquele que me enviou está comigo; ele não me deixou sozinho, porque faço sempre o que é do seu agrado.
 +
30. Tendo proferido essas palavras, muitos creram nele.
 +
31. E Jesus dizia aos judeus que nele creram: Se permanecerdes na minha palavra, sereis meus verdadeiros discípulos;
 +
32. conhecereis a verdade e a verdade vos livrará.
 +
33. Replicaram-lhe: Somos descendentes de Abraão e jamais fomos escravos de alguém. Como dizes tu: Sereis livres?
 +
34. Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo.
 +
35. Ora, o escravo não fica na casa para sempre, mas o filho sim, fica para sempre.
 +
36. Se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres.
 +
37. Bem sei que sois a raça de Abraão; mas quereis matar-me, porque a minha palavra não penetra em vós.
 +
38. Eu falo o que vi junto de meu Pai; e vós fazeis o que aprendestes de vosso pai.
 +
39. Nosso pai, replicaram eles, é Abraão. Disse-lhes Jesus: Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão.
 +
40. Mas, agora, procurais tirar-me a vida, a mim que vos falei a verdade que ouvi de Deus! Isso Abraão não o fez.
 +
41. Vós fazeis as obras de vosso pai. Retrucaram-lhe eles: Nós não somos filhos da fornicação; temos um só pai: Deus.
 +
42. Jesus replicou: Se Deus fosse vosso pai, vós me amaríeis, porque eu saí de Deus. É dele que eu provenho, porque não vim de mim mesmo, mas foi ele quem me enviou.
 +
43. Por que não compreendeis a minha linguagem? É porque não podeis ouvir a minha palavra.
 +
44. Vós tendes como pai o demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.
 +
45. Mas eu, porque vos digo a verdade, não me credes.
 +
46. Quem de vós me acusará de pecado? Se vos falo a verdade, por que me não credes?
 +
47. Quem é de Deus ouve as palavras de Deus, e se vós não as ouvis é porque não sois de Deus.
 +
48. Responderam então os judeus: Não dizemos com razão que és samaritano, e que estás possesso de um demônio?
 +
49. Respondeu-lhes Jesus: Eu não estou possesso de demônio, mas honro a meu Pai. Vós, porém, me ultrajais!
 +
50. Não busco a minha glória. Há quem a busque e ele fará justiça.
 +
51. Em verdade, em verdade vos digo: se alguém guardar a minha palavra, não verá jamais a morte.
 +
52. Disseram-lhe os judeus: Agora vemos que és possuído de um demônio. Abraão morreu, e também os profetas. E tu dizes que, se alguém guardar a tua palavra, jamais provará a morte...
 +
53. És acaso maior do que nosso pai Abraão? E, entretanto, ele morreu... e os profetas também. Quem pretendes ser?
 +
54. Respondeu Jesus: Se me glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; meu Pai é quem me glorifica, aquele que vós dizeis ser o vosso Deus
 +
55. e, contudo, não o conheceis. Eu, porém, o conheço e, se dissesse que não o conheço, seria mentiroso como vós. Mas conheço-o e guardo a sua palavra.
 +
56. Abraão, vosso pai, exultou com o pensamento de ver o meu dia. Viu-o e ficou cheio de alegria.
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57. Os judeus lhe disseram: Não tens ainda cinqüenta anos e viste Abraão!...
 +
58. Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: antes que Abraão fosse, eu sou.
 +
59. A essas palavras, pegaram então em pedras para lhas atirar. Jesus, porém, se ocultou e saiu do templo.
  
=====<font size="3">'''Perseguição e dispersão da comunidade'''</font>=====
+
"Naquele dia, rompeu uma grande perseguição contra a comunidade de Jerusalém. Todos se dispersaram pelas regiões da Judéia e de Samaria, com exceção dos apóstolos.
+
Capítulo 9
'''2.''' Entretanto, alguns homens piedosos trataram de enterrar Estêvão e fizeram grande pranto a seu respeito.
 
'''3.''' Saulo, porém, devastava a Igreja. Entrando pelas casas, arrancava delas homens e mulheres e os entregava à prisão.
 
  
=====<font size="3">'''O diácono Filipe em Samaria'''</font>=====
+
1. Caminhando, viu Jesus um cego de nascença.
'''4.''' Os que se haviam dispersado iam por toda parte, anunciando a palavra (de Deus).
+
2. Os seus discípulos indagaram dele: Mestre, quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego?
'''5.''' Assim Filipe desceu à cidade de Samaria, pregando-lhes Cristo.
+
3. Jesus respondeu: Nem este pecou nem seus pais, mas é necessário que nele se manifestem as obras de Deus.
'''6.''' A multidão estava atenta ao que Filipe lhe dizia, escutando-o unanimemente e presenciando os prodígios que fazia.
+
4. Enquanto for dia, cumpre-me terminar as obras daquele que me enviou. Virá a noite, na qual já ninguém pode trabalhar.
'''7.''' Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam, levantando grandes brados. Igualmente foram curados muitos paralíticos e coxos.
+
5. Por isso, enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.
'''8.''' Por esse motivo, naquela cidade reinava grande alegria.
+
6. Dito isso, cuspiu no chão, fez um pouco de lodo com a saliva e com o lodo ungiu os olhos do cego.
 +
7. Depois lhe disse: Vai, lava-te na piscina de Siloé (esta palavra significa emissário). O cego foi, lavou-se e voltou vendo.
 +
8. Então os vizinhos e aqueles que antes o tinham visto mendigar perguntavam: Não é este aquele que, sentado, mendigava?
 +
9. Respondiam alguns: É ele. Outros contestavam: De nenhum modo, é um parecido com ele. Ele, porém, dizia: Sou eu mesmo.
 +
10. Perguntaram-lhe, então: Como te foram abertos os olhos?
 +
11. Respondeu ele: Aquele homem que se chama Jesus fez lodo, ungiu-me os olhos e disse-me: Vai à piscina de Siloé e lava-te. Fui, lavei-me e vejo.
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12. Interrogaram-no: Onde está esse homem? Respondeu: Não o sei.
 +
13. Levaram então o que fora cego aos fariseus.
 +
14. Ora, era sábado quando Jesus fez o lodo e lhe abriu os olhos.
 +
15. Os fariseus indagaram dele novamente de que modo ficara vendo. Respondeu-lhes: Pôs-me lodo nos olhos, lavei-me e vejo.
 +
16. Diziam alguns dos fariseus: Este homem não é o enviado de Deus, pois não guarda sábado. Outros replicavam: Como pode um pecador fazer tais prodígios? E havia desacordo entre eles.
 +
17. Perguntaram ainda ao cego: Que dizes tu daquele que te abriu os olhos? É um profeta, respondeu ele.
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18. Mas os judeus não quiseram admitir que aquele homem tivesse sido cego e que tivesse recobrado a vista, até que chamaram seus pais.
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19. E os interrogaram: É este o vosso filho? Afirmais que ele nasceu cego? Pois como é que agora vê?
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20. Seus pais responderam: Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego.
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21. Mas não sabemos como agora ficou vendo, nem quem lhe abriu os olhos. Perguntai-o a ele. Tem idade. Que ele mesmo explique.
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22. Seus pais disseram isso porque temiam os judeus, pois os judeus tinham ameaçado expulsar da sinagoga todo aquele que reconhecesse Jesus como o Cristo.
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23. Por isso é que seus pais responderam: Ele tem idade, perguntai-lho.
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24. Tornaram a chamar o homem que fora cego, dizendo-lhe: Dá glória a Deus! Nós sabemos que este homem é pecador.
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25. Disse-lhes ele: Se esse homem é pecador, não o sei... Sei apenas isto: sendo eu antes cego, agora vejo.
 +
26. Perguntaram-lhe ainda uma vez: Que foi que ele te fez? Como te abriu os olhos?
 +
27. Respondeu-lhes: Eu já vo-lo disse e não me destes ouvidos. Por que quereis tornar a ouvir? Quereis vós, porventura, tornar-vos também seus discípulos?...
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28. Então eles o cobriram de injúrias e lhe disseram: Tu que és discípulo dele! Nós somos discípulos de Moisés.
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29. Sabemos que Deus falou a Moisés, mas deste não sabemos de onde ele é.
 +
30. Respondeu aquele homem: O que é de admirar em tudo isso é que não saibais de onde ele é, e entretanto ele me abriu os olhos.
 +
31. Sabemos, porém, que Deus não ouve a pecadores, mas atende a quem lhe presta culto e faz a sua vontade.
 +
32. Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença.
 +
33. Se esse homem não fosse de Deus, não poderia fazer nada.
 +
34. Responderam-lhe eles: Tu nasceste todo em pecado e nos ensinas?... E expulsaram-no.
 +
35. Jesus soube que o tinham expulsado e, havendo-o encontrado, perguntou-lhe: Crês no Filho do Homem?
 +
36. Respondeu ele: Quem é ele, Senhor, para que eu creia nele?
 +
37. Disse-lhe Jesus: Tu o vês, é o mesmo que fala contigo!
 +
38. Creio, Senhor, disse ele. E, prostrando-se, o adorou.
 +
39. Jesus então disse: Vim a este mundo para fazer uma discriminação: os que não vêem vejam, e os que vêem se tornem cegos.
 +
40. Alguns dos fariseus, que estavam com ele, ouviram-no e perguntaram-lhe: Também nós somos, acaso, cegos?...
 +
41. Respondeu-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado, mas agora pretendeis ver, e o vosso pecado subsiste.
  
=====<font size="3">'''Simão, o mago'''</font>=====
+
'''9.''' Ora, havia ali um homem, por nome Simão, que exercia magia na cidade, maravilhando o povo de Samaria, e fazia-se passar por um grande personagem.
+
Capítulo 10
'''10.''' Todos lhe davam ouvidos, do menor até o maior, comentando: Este homem é o poder de Deus, chamado o Grande.
+
 
'''11.''' Eles o atendiam, porque por muito tempo os havia deslumbrado com as suas artes mágicas.
+
1. Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador.
'''12.''' Mas, depois que acreditaram em Filipe, que lhes anunciava o Reino de Deus e o nome de Jesus Cristo, homens e mulheres pediam o batismo.
+
2. Mas quem entra pela porta é o pastor das ovelhas.
'''13.''' Simão também acreditou e foi batizado. Ele não abandonava Filipe, admirando, estupefato, os grandes milagres e prodígios que eram feitos.
+
3. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz à pastagem.
'''14.''' Os apóstolos que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João.
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4. Depois de conduzir todas as suas ovelhas para fora, vai adiante delas; e as ovelhas seguem-no, pois lhe conhecem a voz.
'''15.''' Estes, assim que chegaram, fizeram oração pelos novos fiéis, a fim de receberem o Espírito Santo,
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5. Mas não seguem o estranho; antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.
'''16.''' visto que não havia descido ainda sobre nenhum deles, mas tinham sido somente batizados em nome do Senhor Jesus.
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6. Jesus disse-lhes essa parábola, mas não entendiam do que ele queria falar.
'''17.''' Então os dois apóstolos lhes impuseram as mãos e receberam o Espírito Santo.
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7. Jesus tornou a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas.
'''18.''' Quando Simão viu que se dava o Espírito Santo por meio da imposição das mãos dos apóstolos, ofereceu-lhes dinheiro, dizendo:
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8. Todos quantos vieram antes de mim foram ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os ouviram.
'''19.''' Dai-me também este poder, para que todo aquele a quem impuser as mãos receba o Espírito Santo.
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9. Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo; tanto entrará como sairá e encontrará pastagem.
'''20.''' Pedro respondeu: Maldito seja o teu dinheiro e tu também, se julgas poder comprar o dom de Deus com dinheiro!
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10. O ladrão não vem senão para furtar, matar e destruir. Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância.
'''21.''' Não terás direito nem parte alguma neste ministério, já que o teu coração não é puro diante de Deus.
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11. Eu sou o bom pastor. O bom pastor expõe a sua vida pelas ovelhas.
'''22.''' Arrepende-te desta tua maldade e roga a Deus, para que, sendo possível, te seja perdoado este pensamento do teu coração.
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12. O mercenário, porém, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, quando vê que o lobo vem vindo, abandona as ovelhas e foge; o lobo rouba e dispersa as ovelhas.
'''23.''' Pois estou a ver-te no fel da amargura e nos laços da iniqüidade.
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13. O mercenário, porém, foge, porque é mercenário e não se importa com as ovelhas.
'''24.''' Retorquiu Simão: Rogai vós por mim ao Senhor, para que nada do que haveis dito venha a cair sobre mim.
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14. Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim,
'''25.''' Os apóstolos, depois de terem dado testemunho e anunciado a palavra do Senhor, voltaram para Jerusalém e pregavam a boa nova em muitos lugares dos samaritanos.
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15. como meu Pai me conhece e eu conheço o Pai. Dou a minha vida pelas minhas ovelhas.
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16. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor.
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17. O Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar.
 +
18. Ninguém a tira de mim, mas eu a dou de mim mesmo e tenho o poder de a dar, como tenho o poder de a reassumir. Tal é a ordem que recebi de meu Pai.
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19. A propósito dessas palavras, originou-se nova divisão entre os judeus.
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20. Muitos deles diziam: Ele está possuído do demônio. Ele delira. Por que o escutais vós?
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21. Outros diziam: Estas palavras não são de quem está endemoninhado. Acaso pode o demônio abrir os olhos a um cego?
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22. Celebrava-se em Jerusalém a festa da Dedicação. Era inverno.
 +
23. Jesus passeava no templo, no pórtico de Salomão.
 +
24. Os judeus rodearam-no e perguntaram-lhe: Até quando nos deixarás na incerteza? Se tu és o Cristo, dize-nos claramente.
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25. Jesus respondeu-lhes : Eu vo-lo digo, mas não credes. As obras que faço em nome de meu Pai, estas dão testemunho de mim.
 +
26. Entretanto, não credes, porque não sois das minhas ovelhas.
 +
27. As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem.
 +
28. Eu llhes dou a vida eterna; elas jamais hão de perecer, e ninguém as roubará de minha mão.
 +
29. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém as pode arrebatar da mão de meu Pai.
 +
30. Eu e o Pai somos um.
 +
31. Os judeus pegaram pela segunda vez em pedras para o apedejar.
 +
32. Disse-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas da parte de meu Pai. Por qual dessas obras me apedrejais?
 +
33. Os judeus responderam-lhe: Não é por causa de alguma boa obra que te queremos apedrejar, mas por uma blasfêmia, porque, sendo homem, te fazes Deus.
 +
34. Replicou-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Vós sois deuses (Sl 81,6)?
 +
35. Se a lei chama deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (ora, a Escritura não pode ser desprezada),
 +
36. como acusais de blasfemo aquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, porque eu disse: Sou o Filho de Deus?
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37. Se eu não faço as obras de meu Pai, não me creiais.
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38. Mas se as faço, e se não quiserdes crer em mim, crede nas minhas obras, para que saibais e reconheçais que o Pai está em mim e eu no Pai.
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39. Procuraram então prendê-lo, mas ele se esquivou das suas mãos.
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40. Ele se retirou novamente para além do Jordão, para o lugar onde João começara a batizar, e lá permaneceu.
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41. Muitos foram a ele e diziam: João não fez milagre algum,
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42. mas tudo o que João falou deste homem era verdade. E muitos acreditaram nele.
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Capítulo 11
  
=====<font size="3">'''Conversão do ministro da rainha da Etiópia'''</font>=====
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1. Lázaro caiu doente em Betânia, onde estavam Maria e sua irmã Marta.
'''26.''' Um anjo do Senhor dirigiu-se a Filipe e disse: Levanta-te e vai para o sul, em direção do caminho que desce de Jerusalém a Gaza, a Deserta.
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2. Maria era quem ungira o Senhor com o óleo perfumado e lhe enxugara os pés com os seus cabelos. E Lázaro, que estava enfermo, era seu irmão.
'''27.''' Filipe levantou-se e partiu. Ora, um etíope, eunuco, ministro da rainha Candace, da Etiópia, e superintendente de todos os seus tesouros, tinha ido a Jerusalém para adorar.
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3. Suas irmãs mandaram, pois, dizer a Jesus: Senhor, aquele que tu amas está enfermo.
'''28.''' Voltava sentado em seu carro, lendo o profeta Isaías.
+
4. A estas palavras, disse-lhes Jesus: Esta enfermidade não causará a morte, mas tem por finalidade a glória de Deus. Por ela será glorificado o Filho de Deus.
'''29.''' O Espírito disse a Filipe: Aproxima-te para bem perto deste carro.
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5. Ora, Jesus amava Marta, Maria, sua irmã, e Lázaro.
'''30.''' Filipe aproximou-se e ouviu que o eunuco lia o profeta Isaías, e perguntou-lhe: Porventura entendes o que estás lendo?
+
6. Mas, embora tivesse ouvido que ele estava enfermo, demorou-se ainda dois dias no mesmo lugar.
'''31.''' Respondeu-lhe: Como é que posso, se não há alguém que mo explique? E rogou a Filipe que subisse e se sentasse junto dele.
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7. Depois, disse a seus discípulos: Voltemos para a Judéia.
'''32.''' A passagem da Escritura, que ia lendo, era esta: Como ovelha, foi levado ao matadouro; e como cordeiro mudo diante do que o tosquia, ele não abriu a sua boca.
+
8. Mestre, responderam eles, há pouco os judeus te queriam apedrejar, e voltas para lá?
'''33.''' Na sua humilhação foi consumado o seu julgamento. Quem poderá contar a sua descendência? Pois a sua vida foi tirada da terra (Is 53,7s.).
+
9. Jesus respondeu: Não são doze as horas do dia? Quem caminha de dia não tropeça, porque vê a luz deste mundo.
'''34.''' O eunuco disse a Filipe: Rogo-te que me digas de quem disse isto o profeta: de si mesmo ou de outrem?
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10. Mas quem anda de noite tropeça, porque lhe falta a luz.
'''35.''' Começou então Filipe a falar, e, principiando por essa passagem da Escritura, anunciou-lhe Jesus.
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11. Depois destas palavras, ele acrescentou: Lázaro, nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo.
'''36.''' Continuando o caminho, encontraram água. Disse então o eunuco: Eis aí a água. Que impede que eu seja batizado?
+
12. Disseram-lhe os seus discípulos: Senhor, se ele dorme, há de sarar.
'''37.''' [Filipe respondeu: Se crês de todo o coração, podes sê-lo. Eu creio, disse ele, que Jesus Cristo é o Filho de Deus.]
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13. Jesus, entretanto, falara da sua morte, mas eles pensavam que falasse do sono como tal.
'''38.''' E mandou parar o carro. Ambos desceram à água e Filipe batizou o eunuco.
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14. Então Jesus lhes declarou abertamente: Lázaro morreu.
'''39.''' Mal saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe dos olhares do eunuco, que, cheio de alegria, continuou o seu caminho.
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15. Alegro-me por vossa causa, por não ter estado lá, para que creiais. Mas vamos a ele.
'''40.''' Filipe, entretanto, foi transportado a Azoto. Passando além, pregava o Evangelho em todas as cidades, até que chegou a Cesaréia".
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16. A isso Tomé, chamado Dídimo, disse aos seus condiscípulos: Vamos também nós, para morrermos com ele.
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17. À chegada de Jesus, já havia quatro dias que Lázaro estava no sepulcro.
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18. Ora, Betânia distava de Jerusalém cerca de quinze estádios.
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19. Muitos judeus tinham vindo a Marta e a Maria, para lhes apresentar condolências pela morte de seu irmão.
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20. Mal soube Marta da vinda de Jesus, saiu-lhe ao encontro. Maria, porém, estava sentada em casa.
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21. Marta disse a Jesus: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido!
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22. Mas sei também, agora, que tudo o que pedires a Deus, Deus to concederá.
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23. Disse-lhe Jesus: Teu irmão ressurgirá.
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24. Respondeu-lhe Marta: Sei que há de ressurgir na ressurreição no último dia.
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25. Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.
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26. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá. Crês nisto?
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27. Respondeu ela: Sim, Senhor. Eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que devia vir ao mundo.
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28. A essas palavras, ela foi chamar sua irmã Maria, dizendo-lhe baixinho: O Mestre está aí e te chama.
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29. Apenas ela o ouviu, levantou-se imediatamente e foi ao encontro dele.
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30. (Pois Jesus não tinha chegado à aldeia, mas estava ainda naquele lugar onde Marta o tinha encontrado.)
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31. Os judeus que estavam com ela em casa, em visita de pêsames, ao verem Maria levantar-se depressa e sair, seguiram-na, crendo que ela ia ao sepulcro para ali chorar.
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32. Quando, porém, Maria chegou onde Jesus estava e o viu, lançou-se aos seus pés e disse-lhe: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido!
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33. Ao vê-la chorar assim, como também todos os judeus que a acompanhavam, Jesus ficou intensamente comovido em espírito. E, sob o impulso de profunda emoção,
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34. perguntou: Onde o pusestes? Responderam-lhe: Senhor, vinde ver.
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35. Jesus pôs-se a chorar.
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36. Observaram por isso os judeus: Vede como ele o amava!
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37. Mas alguns deles disseram: Não podia ele, que abriu os olhos do cego de nascença, fazer com que este não morresse?
 +
38. Tomado, novamente, de profunda emoção, Jesus foi ao sepulcro. Era uma gruta, coberta por uma pedra.
 +
39. Jesus ordenou: Tirai a pedra. Disse-lhe Marta, irmã do morto: Senhor, já cheira mal, pois há quatro dias que ele está aí...
 +
40. Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu: Se creres, verás a glória de Deus? Tiraram, pois, a pedra.
 +
41. Levantando Jesus os olhos ao alto, disse: Pai, rendo-te graças, porque me ouviste.
 +
42. Eu bem sei que sempre me ouves, mas falo assim por causa do povo que está em roda, para que creiam que tu me enviaste.
 +
43. Depois destas palavras, exclamou em alta voz: Lázaro, vem para fora!
 +
44. E o morto saiu, tendo os pés e as mãos ligados com faixas, e o rosto coberto por um sudário. Ordenou então Jesus: Desligai-o e deixai-o ir.
 +
45. Muitos dos judeus, que tinham vindo a Marta e Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele.
 +
46. Alguns deles, porém, foram aos fariseus e lhes contaram o que Jesus realizara.
 +
47. Os pontífices e os fariseus convocaram o conselho e disseram: Que faremos? Esse homem multiplica os milagres.
 +
48. Se o deixarmos proceder assim, todos crerão nele, e os romanos virão e arruinarão a nossa cidade e toda a nação.
 +
49. Um deles, chamado Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano, disse-lhes: Vós não entendeis nada!
 +
50. Nem considerais que vos convém que morra um só homem pelo povo, e que não pereça toda a nação.
 +
51. E ele não disse isso por si mesmo, mas, como era o sumo sacerdote daquele ano, profetizava que Jesus havia de morrer pela nação,
 +
52. e não somente pela nação, mas também para que fossem reconduzidos à unidade os filhos de Deus dispersos.
 +
53. E desde aquele momento resolveram tirar-lhe a vida.
 +
54. Em conseqüência disso, Jesus já não andava em público entre os judeus. Retirou-se para uma região vizinha do deserto, a uma cidade chamada Efraim, e ali se detinha com seus discípulos.
 +
55. Estava próxima a Páscoa dos judeus, e muita gente de todo o país subia a Jerusalém antes da Páscoa para se purificar.
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56. Procuravam Jesus e falavam uns com os outros no templo: Que vos parece? Achais que ele não virá à festa?
 +
57. Mas os sumos sacerdotes e os fariseus tinham dado ordem para que todo aquele que soubesse onde ele estava o denunciasse, para o prenderem.
  
=====<font size="3">'''Conversão de Saulo'''</font>=====
+
 +
Capítulo 12
  
<font size="5">'''9)'''</font> "'''1.''' Enquanto isso, Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Apresentou-se ao príncipe dos sacerdotes,
+
1. Seis dias antes da Páscoa, foi Jesus a Betânia, onde vivia Lázaro, que ele ressuscitara.
'''2.''' e pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, com o fim de levar presos a Jerusalém todos os homens e mulheres que achasse seguindo essa doutrina.
+
2. Deram ali uma ceia em sua honra. Marta servia e Lázaro era um dos convivas.
'''3.''' Durante a viagem, estando já perto de Damasco, subitamente o cercou uma luz resplandecente vinda do céu.
+
3. Tomando Maria uma libra de bálsamo de nardo puro, de grande preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa encheu-se do perfume do bálsamo.
'''4.''' Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?
+
4. Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de trair, disse:
'''5.''' Saulo disse: Quem és, Senhor? Respondeu ele: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. [Duro te é recalcitrar contra o aguilhão.
+
5. Por que não se vendeu este bálsamo por trezentos denários e não se deu aos pobres?
'''6.''' Então, trêmulo e atônito, disse ele: Senhor, que queres que eu faça? Respondeu-lhe o Senhor:] Levanta-te, entra na cidade. Aí te será dito o que deves fazer.
+
6. Dizia isso não porque ele se interessasse pelos pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, furtava o que nela lançavam.
'''7.''' Os homens que o acompanhavam enchiam-se de espanto, pois ouviam perfeitamente a voz, mas não viam ninguém.
+
7. Jesus disse: Deixai-a; ela guardou este perfume para o dia da minha sepultura.
'''8.''' Saulo levantou-se do chão. Abrindo, porém, os olhos, não via nada. Tomaram-no pela mão e o introduziram em Damasco,
+
8. Pois sempre tereis convosco os pobres, mas a mim nem sempre me tereis.
'''9.''' onde esteve três dias sem ver, sem comer nem beber.
+
9. Uma grande multidão de judeus veio a saber que Jesus lá estava; e chegou, não somente por causa de Jesus, mas ainda para ver Lázaro, que ele ressuscitara.
 +
10. Mas os príncipes dos sacerdotes resolveram tirar a vida também a Lázaro,
 +
11. porque muitos judeus, por causa dele, se afastavam e acreditavam em Jesus.
 +
12. No dia seguinte, uma grande multidão que tinha vindo à festa em Jerusalém ouviu dizer que Jesus se ia aproximando.
 +
13. Saíram-lhe ao encontro com ramos de palmas, exclamando: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor, o rei de Israel!
 +
14. Tendo Jesus encontrado um jumentinho, montou nele, segundo o que está escrito:
 +
15. Não temas, filha de Sião, eis que vem o teu rei montado num filho de jumenta (Zc 9,9).
 +
16. Os seus discípulos a princípio não compreendiam essas coisas, mas, quando Jesus foi glorificado, então se lembraram de que isto estava escrito a seu respeito e de que assim lho fizeram.
 +
17. A multidão, pois, que se achava com ele, quando chamara Lázaro do sepulcro e o ressuscitara, aclamava-o.
 +
18. Por isso o povo lhe saía ao encontro, porque tinha ouvido que Jesus fizera aquele milagre.
 +
19. Mas os fariseus disseram entre si: Vede! Nada adiantamos! Reparai que todo mundo corre após ele!
 +
20. Havia alguns gregos entre os que subiram para adorar durante a festa.
 +
21. Estes se aproximaram de Filipe (aquele de Betsaida da Galiléia) e rogaram-lhe: Senhor, quiséramos ver Jesus.
 +
22. Filipe foi e falou com André. Então André e Filipe o disseram ao Senhor.
 +
23. Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado.
 +
24. Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto.
 +
25. Quem ama a sua vida, perdê-la-á; mas quem odeia a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna.
 +
26. Se alguém me quer servir, siga-me; e, onde eu estiver, estará ali também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará.
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27. Presentemente, a minha alma está perturbada. Mas que direi?... Pai, salva-me desta hora... Mas é exatamente para isso que vim a esta hora.
 +
28. Pai, glorifica o teu nome! Nisto veio do céu uma voz: Já o glorifiquei e tornarei a glorificá-lo.
 +
29. Ora, a multidão que ali estava, ao ouvir isso, dizia ter havido um trovão. Outros replicavam: Um anjo falou-lhe.
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30. Jesus disse: Essa voz não veio por mim, mas sim por vossa causa.
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31. Agora é o juízo deste mundo; agora será lançado fora o príncipe deste mundo.
 +
32. E quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim.
 +
33. Dizia, porém, isto, significando de que morte havia de morrer.
 +
34. A multidão respondeu-lhe: Nós temos ouvido da lei que o Cristo permanece para sempre. Como dizes tu: Importa que o Filho do Homem seja levantado? Quem é esse Filho do Homem?
 +
35. Respondeu-lhes Jesus: Ainda por pouco tempo a luz estará em vosso meio. Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos surpreendam; e quem caminha nas trevas não sabe para onde vai.
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36. Enquanto tendes a luz, crede na luz, e assim vos tornareis filhos da luz. Jesus disse essas coisas, retirou-se e ocultou-se longe deles.
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37. Embora tivesse feito tantos milagres na presença deles, não acreditavam nele.
 +
38. Assim se cumpria o oráculo do profeta Isaías: Senhor, quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor (Is 53,1)?
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39. Aliás, não podiam crer, porque outra vez disse Isaías:
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40. Ele cegou-lhes os olhos, endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos nem entendam com o coração e se convertam e eu os sare (Is 6,10).
 +
41. Assim se exprimiu Isaías, quando teve a visão de sua glória e dele falou.
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42. Não obstante, também muitos dos chefes creram nele, mas por causa dos fariseus não o manifestavam, para não serem expulsos da sinagoga.
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43. Assim preferiram a glória dos homens àquela que vem de Deus.
 +
44. Entretanto, Jesus exclamou em voz alta: Aquele que crê em mim, crê não em mim, mas naquele que me enviou;
 +
45. e aquele que me vê, vê aquele que me enviou.
 +
46. Eu vim como luz ao mundo; assim, todo aquele que crer em mim não ficará nas trevas.
 +
47. Se alguém ouve as minhas palavras e não as guarda, eu não o condenarei, porque não vim para condenar o mundo, mas para salvá-lo.
 +
48. Quem me despreza e não recebe as minhas palavras, tem quem o julgue; a palavra que anunciei julgá-lo-á no último dia.
 +
49. Em verdade, não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, ele mesmo me prescreveu o que devo dizer e o que devo ensinar.
 +
50. E sei que o seu mandamento é vida eterna. Portanto, o que digo, digo-o segundo me falou o Pai.
  
=====<font size="3">'''Batismo de Saulo por Ananias'''</font>=====
+
'''10.''' Havia em Damasco um discípulo chamado Ananias. O Senhor, numa visão, lhe disse: Ananias! Eis-me aqui, Senhor, respondeu ele.
+
Capítulo 13
'''11.''' O Senhor lhe ordenou: Levanta-te e vai à rua Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso, chamado Saulo; ele está orando.
+
 
'''12.''' (Este via numa visão um homem, chamado Ananias, entrar e impor-lhe as mãos para recobrar a vista.)
+
1. Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou.
'''13.''' Ananias respondeu: Senhor, muitos já me falaram deste homem, quantos males fez aos teus fiéis em Jerusalém.
+
2. Durante a ceia, - quando o demônio já tinha lançado no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de traí-lo -,
'''14.''' E aqui ele tem poder dos príncipes dos sacerdotes para prender a todos aqueles que invocam o teu nome.
+
3. sabendo Jesus que o Pai tudo lhe dera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava,
'''15.''' Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este homem é para mim um instrumento escolhido, que levará o meu nome diante das nações, dos reis e dos filhos de Israel.
+
4. levantou-se da mesa, depôs as suas vestes e, pegando duma toalha, cingiu-se com ela.
'''16.''' Eu lhe mostrarei tudo o que terá de padecer pelo meu nome.
+
5. Em seguida, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido.
'''17.''' Ananias foi. Entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: Saulo, meu irmão, o Senhor, esse Jesus que te apareceu no caminho, enviou-me para que recobres a vista e fiques cheio do Espírito Santo.
+
6. Chegou a Simão Pedro. Mas Pedro lhe disse: Senhor, queres lavar-me os pés!...
'''18.''' No mesmo instante caíram dos olhos de Saulo umas como escamas, e recuperou a vista. Levantou-se e foi batizado.
+
7. Respondeu-lhe Jesus: O que faço não compreendes agora, mas compreendê-lo-ás em breve.
'''19.''' Depois tomou alimento e sentiu-se fortalecido.
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8. Disse-lhe Pedro: Jamais me lavarás os pés!... Respondeu-lhe Jesus: Se eu não tos lavar, não terás parte comigo.
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9. Exclamou então Simão Pedro: Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça.
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10. Disse-lhe Jesus: Aquele que tomou banho não tem necessidade de lavar-se; está inteiramente puro. Ora, vós estais puros, mas nem todos!...
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11. Pois sabia quem o havia de trair; por isso, disse: Nem todos estais puros.
 +
12. Depois de lhes lavar os pés e tomar as suas vestes, sentou-se novamente à mesa e perguntou-lhes: Sabeis o que vos fiz?
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13. Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou.
 +
14. Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros.
 +
15. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós.
 +
16. Em verdade, em verdade vos digo: o servo não é maior do que o seu Senhor, nem o enviado é maior do que aquele que o enviou.
 +
17. Se compreenderdes estas coisas, sereis felizes, sob condição de as praticardes.
 +
18. Não digo isso de vós todos; conheço os que escolhi, mas é preciso que se cumpra esta palavra da Escritura: Aquele que come o pão comigo levantou contra mim o seu calcanhar (Sl 40,10).
 +
19. Desde já vo-lo digo, antes que aconteça, para que, quando acontecer, creiais e reconheçais quem sou eu.
 +
20. Em verdade, em verdade vos digo: quem recebe aquele que eu enviei recebe a mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou.
 +
21. Dito isso, Jesus ficou perturbado em seu espírito e declarou abertamente: Em verdade, em verdade vos digo: um de vós me há de trair!...
 +
22. Os discípulos olhavam uns para os outros, sem saber de quem falava.
 +
23. Um dos discípulos, a quem Jesus amava, estava à mesa reclinado ao peito de Jesus.
 +
24. Simão Pedro acenou-lhe para dizer-lhe: Dize-nos, de quem é que ele fala.
 +
25. Reclinando-se este mesmo discípulo sobre o peito de Jesus, interrogou-o: Senhor, quem é?
 +
26. Jesus respondeu: É aquele a quem eu der o pão embebido. Em seguida, molhou o pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes.
 +
27. Logo que ele o engoliu, Satanás entrou nele. Jesus disse-lhe, então: O que queres fazer, faze-o depressa.
 +
28. Mas ninguém dos que estavam à mesa soube por que motivo lho dissera.
 +
29. Pois, como Judas tinha a bolsa, pensavam alguns que Jesus lhe falava: Compra aquilo de que temos necessidade para a festa. Ou: Dá alguma coisa aos pobres.
 +
30. Tendo Judas recebido o bocado de pão, apressou-se em sair. E era noite...
 +
31. Logo que Judas saiu, Jesus disse: Agora é glorificado o Filho do Homem, e Deus é glorificado nele.
 +
32. Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará em breve.
 +
33. Filhinhos meus, por um pouco apenas ainda estou convosco. Vós me haveis de procurar, mas como disse aos judeus, também vos digo agora a vós: para onde eu vou, vós não podeis ir.
 +
34. Dou-vos um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros.
 +
35. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.
 +
36. Perguntou-lhe Simão Pedro: Senhor, para onde vais? Jesus respondeu-lhe: Para onde vou, não podes seguir-me agora, mas seguir-me-ás mais tarde.
 +
37. Pedro tornou a perguntar: Senhor, por que te não posso seguir agora? Darei a minha vida por ti!
 +
38. Respondeu-lhe Jesus: Darás a tua vida por mim!... Em verdade, em verdade te digo: não cantará o galo até que me negues três vezes.
 +
 
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Capítulo 14
  
=====<font size="3">'''Primeiras pregações de Saulo em Damasco'''</font>=====
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1. Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim.
Demorou-se por alguns dias com os discípulos que se achavam em Damasco.
+
2. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar.
'''20.''' Imediatamente começou a proclamar pelas sinagogas que Jesus é o Filho de Deus.
+
3. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais.
'''21.''' Todos os seus ouvintes pasmavam e diziam: Este não é aquele que perseguia em Jerusalém os que invocam o nome de Jesus? Não veio cá só para levá-los presos aos sumos sacerdotes?
+
4. E vós conheceis o caminho para ir aonde vou.
'''22.''' Saulo, porém, sentia crescer o seu poder e confundia os judeus de Damasco, demonstrando que Jesus é o Cristo.
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5. Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?
'''23.''' Decorridos alguns dias, os judeus deliberaram, em conselho, matá-lo.
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6. Jesus lhe respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.
'''24.''' Estas intenções chegaram ao conhecimento de Saulo. Guardavam eles as portas de dia e de noite, para matá-lo.
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7. Se me conhecêsseis, também certamente conheceríeis meu Pai; desde agora já o conheceis, pois o tendes visto.
'''25.''' Mas os discípulos, tomando-o de noite, fizeram-no descer pela muralha dentro de um cesto.
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8. Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta.
 +
9. Respondeu Jesus: Há tanto tempo que estou convosco e não me conheceste, Filipe! Aquele que me viu, viu também o Pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai...
 +
10. Não credes que estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que vos digo não as digo de mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é que realiza as suas próprias obras.
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11. Crede-me: estou no Pai, e o Pai em mim. Crede-o ao menos por causa destas obras.
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12. Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas, porque vou para junto do Pai.
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13. E tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.
 +
14. Qualquer coisa que me pedirdes em meu nome, vo-lo farei.
 +
15. Se me amais, guardareis os meus mandamentos.
 +
16. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco.
 +
17. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós.
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18. Não vos deixarei órfãos. Voltarei a vós.
 +
19. Ainda um pouco de tempo e o mundo já não me verá. Vós, porém, me tornareis a ver, porque eu vivo e vós vivereis.
 +
20. Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim e eu em vós.
 +
21. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama. E aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e manifestar-me-ei a ele.
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22. Pergunta-lhe Judas, não o Iscariotes: Senhor, por que razão hás de manifestar-te a nós e não ao mundo?
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23. Respondeu-lhe Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada.
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24. Aquele que não me ama não guarda as minhas palavras. A palavra que tendes ouvido não é minha, mas sim do Pai que me enviou.
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25. Disse-vos estas coisas enquanto estou convosco.
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26. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito.
 +
27. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize!
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28. Ouvistes que eu vos disse: Vou e volto a vós. Se me amardes, certamente haveis de alegrar-vos, que vou para junto do Pai, porque o Pai é maior do que eu.
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29. E disse-vos agora estas coisas, antes que aconteçam, para que creiais quando acontecerem.
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30. Já não falarei muito convosco, porque vem o príncipe deste mundo; mas ele não tem nada em mim.
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31. O mundo, porém, deve saber que amo o Pai e procedo como o Pai me ordenou. Levantai-vos, vamo-nos daqui.
  
=====<font size="3">'''Apostolado de Saulo em Jerusalém'''</font>=====
+
'''26.''' Chegando a Jerusalém, tentava ajuntar-se aos discípulos, mas todos o temiam, não querendo crer que se tivesse tornado discípulo.
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Capítulo 15
'''27.''' Então Barnabé, levando-o consigo, apresentou-o aos apóstolos e contou-lhes como Saulo vira o Senhor no caminho, e que lhe havia falado, e como em Damasco pregara, com desassombro, o nome de Jesus.
 
'''28.''' Daí por diante permaneceu com eles, saindo e entrando em Jerusalém, e pregando, destemidamente, o nome do Senhor.
 
'''29.''' Falava também e discutia com os helenistas. Mas estes procuravam matá-lo.
 
'''30.''' Os irmãos, informados disso, acompanharam-no até Cesaréia e dali o fizeram partir para Tarso.
 
  
=====<font size="3">'''Período de tranquilidade'''</font>=====
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1. Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará;
'''31.''' A Igreja gozava então de paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria. Estabelecia-se ela caminhando no temor do Senhor, e a assistência do Espírito Santo a fazia crescer em número.
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2. e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto.
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3. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado.
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4. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim.
 +
5. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.
 +
6. Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á.
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7. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito.
 +
8. Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.
 +
9. Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor.
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10. Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor.
 +
11. Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa.
 +
12. Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo.
 +
13. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos.
 +
14. Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando.
 +
15. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai.
 +
16. Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda.
 +
17. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros.
 +
18. Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós.
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19. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia.
 +
20. Lembrai-vos da palavra que vos disse: O servo não é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir. Se guardaram a minha palavra, hão de guardar também a vossa.
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21. Mas vos farão tudo isso por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou.
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22. Se eu não viesse e não lhes tivesse falado, não teriam pecado; mas agora não há desculpa para o seu pecado.
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23. Aquele que me odeia, odeia também a meu Pai.
 +
24. Se eu não tivesse feito entre eles obras, como nenhum outro fez, não teriam pecado; mas agora as viram e odiaram a mim e a meu Pai.
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25. Mas foi para que se cumpra a palavra que está escrita na sua lei: Odiaram-me sem motivo (Sl 34,19; 68,5).
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26. Quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim.
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27. Também vós dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio
  
=====<font size="3">'''Milagre de Pedro em Lida'''</font>=====
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'''32.''' Pedro, que caminhava por toda parte, de cidade em cidade, desceu também aos fiéis que habitavam em Lida.
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Capítulo 16
'''33.''' Ali achou um homem chamado Enéias, que havia oito anos jazia paralítico num leito.
 
'''34.''' Disse-lhe Pedro: Enéias, Jesus Cristo te cura: levanta-te e faze tua cama. E levantou-se imediatamente.
 
'''35.''' Viram-no todos os que habitavam em Lida e em Sarona, e converteram-se ao Senhor.
 
  
=====<font size="3">'''Ressurreição de uma mulher em Jope'''</font>=====
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1. Disse-vos essas coisas para vos preservar de alguma queda.
'''36.''' Em Jope havia uma discípula chamada Tabita - em grego, Dorcas. Esta era rica em boas obras e esmolas que dava.
+
2. Expulsar-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que todo aquele que vos tirar a vida julgará prestar culto a Deus.
'''37.''' Aconteceu que adoecera naqueles dias e veio a falecer. Depois de a terem lavado, levaram-na para o quarto de cima.
+
3. Procederão deste modo porque não conheceram o Pai, nem a mim.
'''38.''' Ora, como Lida fica perto de Jope, os discípulos, ouvindo dizer que Pedro aí se encontrava, enviaram-lhe dois homens, rogando-lhe: Não te demores em vir ter conosco.
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4. Disse-vos, porém, essas palavras para que, quando chegar a hora, vos lembreis de que vo-lo anunciei. E não vo-las disse desde o princípio, porque estava convosco.
'''39.''' Pedro levantou-se imediatamente e foi com eles. Logo que chegou, conduziram-no ao quarto de cima. Cercavam-no todas as viúvas, chorando e mostrando-lhe as túnicas e os vestidos que Dorcas lhes fazia quando viva.
+
5. Agora vou para aquele que me enviou, e ninguém de vós me pergunta: Para onde vais?
'''40.''' Pedro então, tendo feito todos sair, pôs-se de joelhos e orou. Voltando-se para o corpo, disse: Tabita, levanta-te! Ela abriu os olhos e, vendo Pedro, sentou-se.
+
6. Mas porque vos falei assim, a tristeza encheu o vosso coração.
'''41.''' Ele a fez levantar-se, estendendo-lhe a mão. Chamando os irmãos e as viúvas, entregou-lha viva.
+
7. Entretanto, digo-vos a verdade: convém a vós que eu vá! Porque, se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se eu for, vo-lo enviarei.
'''42.''' Este fato espalhou-se por toda Jope e muitos creram no Senhor.
+
8. E, quando ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do juízo.
'''43.''' Pedro permaneceu ainda muitos dias em Jope, em casa dum curtidor, chamado Simão".
+
9. Convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em mim.
 +
10. Ele o convencerá a respeito da justiça, porque eu me vou para junto do meu Pai e vós já não me vereis;
 +
11. ele o convencerá a respeito do juízo, que consiste em que o príncipe deste mundo já está julgado e condenado.
 +
12. Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora.
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13. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão.
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14. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará.
 +
15. Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse: Há de receber do que é meu, e vo-lo anunciará.
 +
16. Ainda um pouco de tempo, e já me não vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver, porque vou para junto do Pai.
 +
17. Nisso alguns dos seus discípulos perguntavam uns aos outros: Que é isso que ele nos diz: Ainda um pouco de tempo, e não me vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver? E que significa também: Eu vou para o Pai?
 +
18. Diziam então: Que significa este pouco de tempo de que fala? Não sabemos o que ele quer dizer.
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19. Jesus notou que lho queriam perguntar e disse-lhes: Perguntais uns aos outros acerca do que eu disse: Ainda um pouco de tempo, e não me vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver.
 +
20. Em verdade, em verdade vos digo: haveis de lamentar e chorar, mas o mundo se de alegrar. E haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza se há de transformar em alegria.
 +
21. Quando a mulher está para dar à luz, sofre porque veio a sua hora. Mas, depois que deu à luz a criança, já não se lembra da aflição, por causa da alegria que sente de haver nascido um homem no mundo.
 +
22. Assim também vós: sem dúvida, agora estais tristes, mas hei de ver-vos outra vez, e o vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará a vossa alegria.
 +
23. Naquele dia não me perguntareis mais coisa alguma.
 +
Em verdade, em verdade vos digo: o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará.
 +
24. Até agora não pedistes nada em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja perfeita.
 +
25. Disse-vos essas coisas em termos figurados e obscuros. Vem a hora em que já não vos falarei por meio de comparações e parábolas, mas vos falarei abertamente a respeito do Pai.
 +
26. Naquele dia pedireis em meu nome, e já não digo que rogarei ao Pai por vós.
 +
27. Pois o mesmo Pai vos ama, porque vós me amastes e crestes que saí de Deus.
 +
28. Saí do Pai e vim ao mundo. Agora deixo o mundo e volto para junto do Pai.
 +
29. Disseram-lhe os seus discípulos: Eis que agora falas claramente e a tua linguagem já não é figurada e obscura.
 +
30. Agora sabemos que conheces todas as coisas e que não necessitas que alguém te pergunte. Por isso, cremos que saíste de Deus.
 +
31. Jesus replicou-lhes: Credes agora!...
 +
32. Eis que vem a hora, e ela já veio, em que sereis espalhados, cada um para o seu lado, e me deixareis sozinho. Mas não estou só, porque o Pai está comigo.
 +
33. Referi-vos essas coisas para que tenhais a paz em mim. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo.
  
=====<font size="3">'''O centurião Cornélio, primeiro estrangeiro convertido'''</font>=====
+
 +
Capítulo 17
  
<font size="5">'''10)'''</font>
+
1. Jesus afirmou essas coisas e depois, levantando os olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora. Glorifica teu Filho, para que teu Filho glorifique a ti;
 +
2. e para que, pelo poder que lhe conferiste sobre toda criatura, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe entregaste.
 +
3. Ora, a vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste.
 +
4. Eu te glorifiquei na terra. Terminei a obra que me deste para fazer.
 +
5. Agora, pois, Pai, glorifica-me junto de ti, concedendo-me a glória que tive junto de ti, antes que o mundo fosse criado.
 +
6. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus e deste-mos e guardaram a tua palavra.
 +
7. Agora eles reconheceram que todas as coisas que me deste procedem de ti.
 +
8. Porque eu lhes transmiti as palavras que tu me confiaste e eles as receberam e reconheceram verdadeiramente que saí de ti, e creram que tu me enviaste.
 +
9. Por eles é que eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.
 +
10. Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu. Neles sou glorificado.
 +
11. Já não estou no mundo, mas eles estão ainda no mundo; eu, porém, vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me encarregaste de fazer conhecer, a fim de que sejam um como nós.
 +
12. Enquanto eu estava com eles, eu os guardava em teu nome, que me incumbiste de fazer conhecido. Conservei os que me deste, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura.
 +
13. Mas, agora, vou para junto de ti. Dirijo-te esta oração enquanto estou no mundo para que eles tenham a plenitude da minha alegria.
 +
14. Dei-lhes a tua palavra, mas o mundo os odeia, porque eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo.
 +
15. Não peço que os tires do mundo, mas sim que os preserves do mal.
 +
16. Eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo.
 +
17. Santifica-os pela verdade. A tua palavra é a verdade.
 +
18. Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.
 +
19. Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade.
 +
20. Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em mim.
 +
21. Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste.
 +
22. Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam um, como nós somos um:
 +
23. eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, como amaste a mim.
 +
24. Pai, quero que, onde eu estou, estejam comigo aqueles que me deste, para que vejam a minha glória que me concedeste, porque me amaste antes da criação do mundo.
 +
25. Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci, e estes sabem que tu me enviaste.
 +
26. Manifestei-lhes o teu nome, e ainda hei de lho manifestar, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles.
  
 
   
 
   
 +
Capítulo 18
  
Capítulo 10
+
1. Depois dessas palavras, Jesus saiu com os seus discípulos para além da torrente de Cedron, onde havia um jardim, no qual entrou com os seus discípulos.
 +
2. Judas, o traidor, conhecia também aquele lugar, porque Jesus ia freqüentemente para lá com os seus discípulos.
 +
3. Tomou então Judas a coorte e os guardas de serviço dos pontífices e dos fariseus, e chegaram ali com lanternas, tochas e armas.
 +
4. Como Jesus soubesse tudo o que havia de lhe acontecer, adiantou-se e perguntou-lhes: A quem buscais?
 +
5. Responderam: A Jesus de Nazaré. Sou eu, disse-lhes. (Também Judas, o traidor, estava com eles.)
 +
6. Quando lhes disse Sou eu, recuaram e caíram por terra.
 +
7. Perguntou-lhes ele, pela segunda vez: A quem buscais? Disseram: A Jesus de Nazaré.
 +
8. Replicou Jesus: Já vos disse que sou eu. Se é, pois, a mim que buscais, deixai ir estes.
 +
9. Assim se cumpriu a palavra que disse: Dos que me deste não perdi nenhum (Jo 17,12).
 +
10. Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha direita. (O servo chamava-se Malco.)
 +
11. Mas Jesus disse a Pedro: Enfia a tua espada na bainha! Não hei de beber eu o cálice que o Pai me deu?
 +
12. Então a coorte, o tribuno e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o ataram.
 +
13. Conduziram-no primeiro a Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano.
 +
14. Caifás fora quem dera aos judeus o conselho: Convém que um só homem morra em lugar do povo.
 +
15. Simão Pedro seguia Jesus, e mais outro discípulo. Este discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote,
 +
16. porém Pedro ficou de fora, à porta. Mas o outro discípulo (que era conhecido do sumo sacerdote) saiu e falou à porteira, e esta deixou Pedro entrar.
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17. A porteira perguntou a Pedro: Não és acaso também tu dos discípulos desse homem? Não o sou, respondeu ele.
 +
18. Os servos e os guardas acenderam um fogo, porque fazia frio, e se aqueciam. Com eles estava também Pedro, de pé, aquecendo-se.
 +
19. O sumo sacerdote indagou de Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina.
 +
20. Jesus respondeu-lhe: Falei publicamente ao mundo. Ensinei na sinagoga e no templo, onde se reúnem os judeus, e nada falei às ocultas.
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21. Por que me perguntas? Pergunta àqueles que ouviram o que lhes disse. Estes sabem o que ensinei.
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22. A estas palavras, um dos guardas presentes deu uma bofetada em Jesus, dizendo: É assim que respondes ao sumo sacerdote?
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23. Replicou-lhe Jesus: Se falei mal, prova-o, mas se falei bem, por que me bates?
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24. (Anás enviou-o preso ao sumo sacerdote Caifás.)
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25. Simão Pedro estava lá se aquecendo. Perguntaram-lhe: Não és porventura, também tu, dos seus discípulos? Negou-o, dizendo: Não!
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26. Disse-lhe um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha: Não te vi eu com ele no horto?
 +
27. Mas Pedro negou-o outra vez, e imediatamente o galo cantou.
 +
28. Da casa de Caifás conduziram Jesus ao pretório. Era de manhã cedo. Mas os judeus não entraram no pretório, para não se contaminarem e poderem comer a Páscoa.
 +
29. Saiu, por isso, Pilatos para ter com eles, e perguntou: Que acusação trazeis contra este homem?
 +
30. Responderam-lhe: Se este não fosse malfeitor, não o teríamos entregue a ti.
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31. Disse, então, Pilatos: Tomai-o e julgai-o vós mesmos segundo a vossa lei. Responderam-lhe os judeus: Não nos é permitido matar ninguém.
 +
32. Assim se cumpria a palavra com a qual Jesus indicou de que gênero de morte havia de morrer (Mt 20,19).
 +
33. Pilatos entrou no pretório, chamou Jesus e perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus?
 +
34. Jesus respondeu: Dizes isso por ti mesmo, ou foram outros que to disseram de mim?
 +
35. Disse Pilatos: Acaso sou eu judeu? A tua nação e os sumos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?
 +
36. Respondeu Jesus: O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é deste mundo.
 +
37. Perguntou-lhe então Pilatos: És, portanto, rei? Respondeu Jesus: Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz.
 +
38. Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade?... Falando isso, saiu de novo, foi ter com os judeus e disse-lhes: Não acho nele crime algum.
 +
39. Mas é costume entre vós que pela Páscoa vos solte um preso. Quereis, pois, que vos solte o rei dos judeus?
 +
40. Então todos gritaram novamente e disseram: Não! A este não! Mas a Barrabás! (Barrabás era um salteador.)
  
1. Havia em Cesaréia um homem, por nome Cornélio, centurião da coorte que se chamava Itálica.
+
2. Era religioso; ele e todos os de sua casa eram tementes a Deus. Dava muitas esmolas ao povo e orava constantemente.
+
Capítulo 19
3. Este homem viu claramente numa visão, pela hora nona do dia, aproximar-se dele um anjo de Deus e o chamar: Cornélio!
+
 
4. Cornélio fixou nele os olhos e, possuído de temor, perguntou: Que há, Senhor? O anjo replicou: As tuas orações e as tuas esmolas subiram à presença de Deus como uma oferta de lembrança.
+
1. Pilatos mandou então flagelar Jesus.
5. Agora envia homens a Jope e faze vir aqui um certo Simão, que tem por sobrenome Pedro.
+
2. Os soldados teceram de espinhos uma coroa e puseram-lha sobre a cabeça e cobriram-no com um manto de púrpura.
6. Ele se acha hospedado em casa de Simão, um curtidor, cuja casa fica junto ao mar.
+
3. Aproximavam-se dele e diziam: Salve, rei dos judeus! E davam-lhe bofetadas.
7. Quando se retirou o anjo que lhe falara, chamou dois dos seus criados e um soldado temente ao Senhor, daqueles que estavam às suas ordens.
+
4. Pilatos saiu outra vez e disse-lhes: Eis que vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele nenhum motivo de acusação.
8. Contou-lhes tudo e enviou-os a Jope.
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5. Apareceu então Jesus, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Pilatos disse: Eis o homem!
9. No dia seguinte, enquanto estavam em viagem e se aproximavam da cidade - pelo meio-dia -, Pedro subiu ao terraço da casa para fazer oração.
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6. Quando os pontífices e os guardas o viram, gritaram: Crucifica-o! Crucifica-o! Falou-lhes Pilatos: Tomai-o vós e crucificai-o, pois eu não acho nele culpa alguma.
10. Então, como sentisse fome, quis comer. Mas, enquanto lho preparavam, caiu em êxtase.
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7. Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei, e segundo essa lei ele deve morrer, porque se declarou Filho de Deus.
11. Viu o céu aberto e descer uma coisa parecida com uma grande toalha que baixava do céu à terra, segura pelas quatro pontas.
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8. Estas palavras impressionaram Pilatos.
12. Nela havia de todos os quadrúpedes, dos répteis da terra e das aves do céu.
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9. Entrou novamente no pretório e perguntou a Jesus: De onde és tu? Mas Jesus não lhe respondeu.
13. Uma voz lhe falou: Levanta-te, Pedro! Mata e come.
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10. Pilatos então lhe disse: Tu não me respondes? Não sabes que tenho poder para te soltar e para te crucificar?
14. Disse Pedro: De modo algum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma profana e impura.
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11. Respondeu Jesus: Não terias poder algum sobre mim, se de cima não te fora dado. Por isso, quem me entregou a ti tem pecado maior.
15. Esta voz lhe falou pela segunda vez: O que Deus purificou não chames tu de impuro.
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12. Desde então Pilatos procurava soltá-lo. Mas os judeus gritavam: Se o soltares, não és amigo do imperador, porque todo o que se faz rei se declara contra o imperador.
16. Isto se repetiu três vezes e logo a toalha foi recolhida ao céu.
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13. Ouvindo estas palavras, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado Lajeado, em hebraico Gábata.
17. Desconcertado, Pedro refletia consigo mesmo sobre o que significava a visão que tivera, quando os homens, enviados por Cornélio, se apresentaram à porta, perguntando pela casa de Simão.
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14. (Era a Preparação para a Páscoa, cerca da hora sexta.) Pilatos disse aos judeus: Eis o vosso rei!
18. Eles chamaram e indagaram se ali estava hospedado Simão, com o sobrenome Pedro.
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15. Mas eles clamavam: Fora com ele! Fora com ele! Crucifica-o! Pilatos perguntou-lhes: Hei de crucificar o vosso rei? Os sumos sacerdotes responderam: Não temos outro rei senão César!
19. Enquanto Pedro refletia na visão, disse o Espírito: Eis aí três homens que te procuram.
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16. Entregou-o então a eles para que fosse crucificado.
20. Levanta-te! Desce e vai com eles sem hesitar, porque sou eu quem os enviou.
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17. Levaram então consigo Jesus. Ele próprio carregava a sua cruz para fora da cidade, em direção ao lugar chamado Calvário, em hebraico Gólgota.
21. Pedro desceu ao encontro dos homens e disse-lhes: Aqui me tendes, sou eu a quem buscais. Qual é o motivo por que viestes aqui?
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18. Ali o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio.
22. Responderam: O centurião Cornélio, homem justo e temente a Deus, o qual goza de excelente reputação entre todos os judeus, recebeu dum santo anjo o aviso de te mandar chamar à sua casa e de ouvir as tuas palavras.
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19. Pilatos redigiu também uma inscrição e a fixou por cima da cruz. Nela estava escrito: Jesus de Nazaré, rei dos judeus.
23. Então Pedro os mandou entrar e hospedou-os. No dia seguinte, levantou-se e partiu com eles, e alguns dos irmãos de Jope o acompanharam.
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20. Muitos dos judeus leram essa inscrição, porque Jesus foi crucificado perto da cidade e a inscrição era redigida em hebraico, em latim e em grego.
24. No outro dia chegaram a Cesaréia. Cornélio os estava esperando, tendo convidado os seus parentes e amigos mais íntimos.
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21. Os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos: Não escrevas: Rei dos judeus, mas sim: Este homem disse ser o rei dos judeus.
25. Quando Pedro estava para entrar, Cornélio saiu a recebê-lo e prostrou-se aos seus pés para adorá-lo.
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22. Respondeu Pilatos: O que escrevi, escrevi.
26. Pedro, porém, o ergueu, dizendo: Levanta-te! Também eu sou um homem!
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23. Depois de os soldados crucificarem Jesus, tomaram as suas vestes e fizeram delas quatro partes, uma para cada soldado. A túnica, porém, toda tecida de alto a baixo, não tinha costura.
27. E, falando com ele, entrou e achou ali muitas pessoas que se tinham reunido e disse:
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24. Disseram, pois, uns aos outros: Não a rasguemos, mas deitemos sorte sobre ela, para ver de quem será. Assim se cumpria a Escritura: Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sorte sobre a minha túnica (Sl 21,19). Isso fizeram os soldados.
28. Vós sabeis que é proibido a um judeu aproximar-se dum estrangeiro ou ir à sua casa. Todavia, Deus me mostrou que nenhum homem deve ser considerado profano ou impuro.
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25. Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena.
29. Por isso vim sem hesitar, logo que fui chamado. Pergunto, pois, por que motivo me chamastes.
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26. Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho.
30. Disse Cornélio: Faz hoje quatro dias que estava eu a orar em minha casa, à hora nona, quando se pôs diante de mim um homem com vestes resplandecentes, que disse:
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27. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa.
31. Cornélio, a tua oração foi atendida e Deus se lembrou de tuas esmolas.
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28. Em seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir plenamente a Escritura, disse: Tenho sede.
32. Envia alguém a Jope e manda vir Simão, que tem por sobrenome Pedro. Está hospedado perto do mar em casa do curtidor Simão.
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29. Havia ali um vaso cheio de vinagre. Os soldados encheram de vinagre uma esponja e, fixando-a numa vara de hissopo, chegaram-lhe à boca.
33. Por isso mandei chamar-te logo e felicito-te por teres vindo. Agora, pois, eis-nos todos reunidos na presença de Deus para ouvir tudo o que Deus te ordenou de nos dizer.
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30. Havendo Jesus tomado do vinagre, disse: Tudo está consumado. Inclinou a cabeça e rendeu o espírito.
34. Então Pedro tomou a palavra e disse: Em verdade, reconheço que Deus não faz distinção de pessoas,
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31. Os judeus temeram que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque já era a Preparação e esse sábado era particularmente solene. Rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados.
35. mas em toda nação lhe é agradável aquele que o temer e fizer o que é justo.
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32. Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que com ele foram crucificados.
36. Deus enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando-lhes a boa nova da paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos.
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33. Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas,
37. Vós sabeis como tudo isso aconteceu na Judéia, depois de ter começado na Galiléia, após o batismo que João pregou.
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34. mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água.
38. Vós sabeis como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com o poder, como ele andou fazendo o bem e curando todos os oprimidos do demônio, porque Deus estava com ele.
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35. O que foi testemunha desse fato o atesta (e o seu testemunho é digno de , e ele sabe que diz a verdade), a fim de que vós creiais.
39. E nós somos testemunhas de tudo o que fez na terra dos judeus e em Jerusalém. Eles o mataram, suspendendo-o num madeiro.
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36. Assim se cumpriu a Escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado (Ex 12,46).
40. Mas Deus o ressuscitou ao terceiro dia e permitiu que aparecesse,
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37. E diz em outra parte a Escritura: Olharão para aquele que transpassaram (Zc 12,10).
41. não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia predestinado, a nós que comemos e bebemos com ele, depois que ressuscitou.
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38. Depois disso, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus, mas ocultamente, por medo dos judeus, rogou a Pilatos a autorização para tirar o corpo de Jesus. Pilatos permitiu. Foi, pois, e tirou o corpo de Jesus.
42. Ele nos mandou pregar ao povo e testemunhar que é ele quem foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos.
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39. Acompanhou-o Nicodemos (aquele que anteriormente fora de noite ter com Jesus), levando umas cem libras de uma mistura de mirra e aloés.
43. Dele todos os profetas dão testemunho, anunciando que todos os que nele crêem recebem o perdão dos pecados por meio de seu nome.
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40. Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em panos com os aromas, como os judeus costumam sepultar.
44. Estando Pedro ainda a falar, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a (santa) palavra.
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41. No lugar em que ele foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda fora depositado.
45. Os fiéis da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, profundamente se admiraram, vendo que o dom do Espírito Santo era derramado também sobre os pagãos;
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42. Foi ali que depositaram Jesus por causa da Preparação dos judeus e da proximidade do túmulo.
46. pois eles os ouviam falar em outras línguas e glorificar a Deus.
 
47. Então Pedro tomou a palavra: Porventura pode-se negar a água do batismo a estes que receberam o Espírito Santo como nós?
 
48. E mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Rogaram-lhe então que ficasse com eles por alguns dias.
 
  
 
   
 
   
Capítulo 11
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Capítulo 20
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1. No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro.
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2. Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava: Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram!
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3. Saiu então Pedro com aquele outro discípulo, e foram ao sepulcro.
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4. Corriam juntos, mas aquele outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro.
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5. Inclinou-se e viu ali os panos no chão, mas não entrou.
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6. Chegou Simão Pedro que o seguia, entrou no sepulcro e viu os panos postos no chão.
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7. Viu também o sudário que estivera sobre a cabeça de Jesus. Não estava, porém, com os panos, mas enrolado num lugar à parte.
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8. Então entrou também o discípulo que havia chegado primeiro ao sepulcro. Viu e creu.
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9. Em verdade, ainda não haviam entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos.
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10. Os discípulos, então, voltaram para as suas casas.
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11. Entretanto, Maria se conservava do lado de fora perto do sepulcro e chorava. Chorando, inclinou-se para olhar dentro do sepulcro.
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12. Viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde estivera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés.
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13. Eles lhe perguntaram: Mulher, por que choras? Ela respondeu: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram.
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14. Ditas estas palavras, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não o reconheceu.
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15. Perguntou-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem procuras? Supondo ela que fosse o jardineiro, respondeu: Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste e eu o irei buscar.
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16. Disse-lhe Jesus: Maria! Voltando-se ela, exclamou em hebraico: Rabôni! (que quer dizer Mestre).
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17. Disse-lhe Jesus: Não me retenhas, porque ainda não subi a meu Pai, mas vai a meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.
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18. Maria Madalena correu para anunciar aos discípulos que ela tinha visto o Senhor e contou o que ele lhe tinha falado.
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19. Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-se no meio deles. Disse-lhes ele: A paz esteja convosco!
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20. Dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor.
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21. Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós.
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22. Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo.
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23. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.
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24. Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus.
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25. Os outros discípulos disseram-lhe: Vimos o Senhor. Mas ele replicou-lhes: Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei!
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26. Oito dias depois, estavam os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: A paz esteja convosco!
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27. Depois disse a Tomé: Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé.
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28. Respondeu-lhe Tomé: Meu Senhor e meu Deus!
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29. Disse-lhe Jesus: Creste, porque me viste. Felizes aqueles que crêem sem ter visto!
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30. Fez Jesus, na presença dos seus discípulos, ainda muitos outros milagres que não estão escritos neste livro.
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31. Mas estes foram escritos, para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.
  
1. Os apóstolos e os irmãos da Judéia ouviram dizer que também os pagãos haviam recebido a palavra de Deus.
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2. E, quando Pedro subiu a Jerusalém, os fiéis que eram da circuncisão repreenderam-no:
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Capítulo 21
3. Por que entraste em casa de incircuncisos e comeste com eles?
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4. Mas Pedro fez-lhes uma exposição de tudo o que acontecera, dizendo:
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1. Depois disso, tornou Jesus a manifestar-se aos seus discípulos junto ao lago de Tiberíades. Manifestou-se deste modo:
5. Eu estava orando na cidade de Jope e, arrebatado em espírito, tive uma visão: uma coisa, à maneira duma grande toalha, presa pelas quatro pontas, descia do céu até perto de mim.
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2. Estavam juntos Simão Pedro, Tomé (chamado Dídimo), Natanael (que era de Caná da Galiléia), os filhos de Zebedeu e outros dois dos seus discípulos.
6. Olhei-a atentamente e distingui claramente quadrúpedes terrestres, feras, répteis e aves do céu.
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3. Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Responderam-lhe eles: Também nós vamos contigo. Partiram e entraram na barca. Naquela noite, porém, nada apanharam.
7. Ouvi também uma voz que me dizia: Levanta-te, Pedro! Mata e come.
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4. Chegada a manhã, Jesus estava na praia. Todavia, os discípulos não o reconheceram.
8. Eu, porém, disse: De nenhum modo, Senhor, pois nunca entrou em minha boca coisa profana ou impura.
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5. Perguntou-lhes Jesus: Amigos, não tendes acaso alguma coisa para comer? Não, responderam-lhe.
9. Outra vez falou a voz do céu: O que Deus purificou não chames tu de impuro.
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6. Disse-lhes ele: Lançai a rede ao lado direito da barca e achareis. Lançaram-na, e já não podiam arrastá-la por causa da grande quantidade de peixes.
10. Isto aconteceu três vezes e tudo tornou a ser levado ao céu.
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7. Então aquele discípulo, que Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor! Quando Simão Pedro ouviu dizer que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se às águas.
11. Nisso chegaram três homens à casa onde eu estava, enviados a mim de Cesaréia.
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8. Os outros discípulos vieram na barca, arrastando a rede dos peixes (pois não estavam longe da terra, senão cerca de duzentos côvados).
12. O Espírito me disse que fosse com eles sem hesitar. Foram comigo também os seis irmãos aqui presentes e entramos na casa de Cornélio.
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9. Ao saltarem em terra, viram umas brasas preparadas e um peixe em cima delas, e pão.
13. Este nos referiu então como em casa tinha visto um anjo diante de si, que lhe dissera: Envia alguém a Jope e chama Simão, que tem por sobrenome Pedro.
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10. Disse-lhes Jesus: Trazei aqui alguns dos peixes que agora apanhastes.
14. Ele te dirá as palavras pelas quais serás salvo tu e toda a tua casa.
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11. Subiu Simão Pedro e puxou a rede para a terra, cheia de cento e cinqüenta e três peixes grandes. Apesar de serem tantos, a rede não se rompeu.
15. Apenas comecei a falar, quando desceu o Espírito Santo sobre eles, como no princípio descera também sobre nós.
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12. Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. Nenhum dos discípulos ousou perguntar-lhe: Quem és tu?, pois bem sabiam que era o Senhor.
16. Lembrei-me então das palavras do Senhor, quando disse: João batizou em água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo.
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13. Jesus aproximou-se, tomou o pão e lhos deu, e do mesmo modo o peixe.
17. Pois, se Deus lhes deu a mesma graça que a nós, que cremos no Senhor Jesus Cristo, com que direito me oporia eu a Deus?
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14. Era esta já a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado.
18. Depois de terem ouvido essas palavras, eles se calaram e deram glória a Deus, dizendo: Portanto, também aos pagãos concedeu Deus o arrependimento que conduz à vida!
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15. Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu ele: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros.
19. Entretanto, aqueles que foram dispersados pela perseguição que houve no tempo de Estêvão chegaram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, pregando a palavra só aos judeus.
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16. Perguntou-lhe outra vez: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros.
20. Alguns deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene, entrando em Antioquia, dirigiram-se também aos gregos, anunciando-lhes o Evangelho do Senhor Jesus.
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17. Perguntou-lhe pela terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: Amas-me?, e respondeu-lhe: Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas.
21. A mão do Senhor estava com eles e grande foi o número dos que receberam a e se converteram ao Senhor.
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18. Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais moço, cingias-te e andavas aonde querias. Mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres.
22. A notícia dessas coisas chegou aos ouvidos da Igreja de Jerusalém. Enviaram então Barnabé até Antioquia.
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19. Por estas palavras, ele indicava o gênero de morte com que havia de glorificar a Deus. E depois de assim ter falado, acrescentou: Segue-me!
23. Ao chegar lá, alegrou-se, vendo a graça de Deus, e a todos exortava a perseverar no Senhor com firmeza de coração,
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20. Voltando-se Pedro, viu que o seguia aquele discípulo que Jesus amava (aquele que estivera reclinado sobre o seu peito, durante a ceia, e lhe perguntara: Senhor, quem é que te há de trair?).
24. pois era um homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé. Assim uma grande multidão uniu-se ao Senhor.
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21. Vendo-o, Pedro perguntou a Jesus: Senhor, e este? Que será dele?
25. Em seguida, partiu Barnabé para Tarso, à procura de Saulo. Achou-o e levou-o para Antioquia.
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22. Respondeu-lhe Jesus: Que te importa se eu quero que ele fique até que eu venha? Segue-me tu.
26. Durante um ano inteiro eles tomaram parte nas reuniões da comunidade e instruíram grande multidão, de maneira que em Antioquia é que os discípulos, pela primeira vez, foram chamados pelo nome de cristãos.
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23. Correu por isso o boato entre os irmãos de que aquele discípulo não morreria. Mas Jesus não lhe disse: Não morrerá, mas: Que te importa se quero que ele fique assim até que eu venha?
27. Por aqueles dias desceram alguns profetas de Jerusalém a Antioquia.
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24. Este é o discípulo que dá testemunho de todas essas coisas, e as escreveu. E sabemos que é digno de fé o seu testemunho.
28. Um deles, chamado Ágabo, levantou-se e deu a entender pelo Espírito que haveria uma grande fome em toda a terra. Esta, com efeito, veio no reinado de Cláudio.
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25. Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever.
29. Os discípulos resolveram, cada um conforme as suas posses, enviar socorro aos irmãos da Judéia.
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30. Assim o fizeram e o enviaram aos anciãos por intermédio de Barnabé e Saulo.
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====At. - Atos dos Apóstolos====
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Os ''Atos dos Apóstolos'' formam a sequência do terceiro Evangelho, e foram escritos pelo mesmo autor, Lucas, que, para redigí-los, utilizou tradições escritas e orais e escreveu, numa parte importante de sua narrativa, suas próprias memórias.
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Os ''Atos dos Apóstolos'' contam os acontecimentos que marcaram o nascimento da Igreja primitiva: a ascenção de Jesus, o Pentecostes, a primeira pregação em Jerusalém e na Palestina; em seguida, a conversão de Paulo e suas viagens missionárias através da Ásia Menor e da Grécia, sua prisão, seu processo e sua transferência para Roma. A narrativa termina bruscamente, sem falar da liberação do apóstolo e de suas viagens antes do martírio.
  
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O livro dos ''Atos dos Apóstolos'', em sua primeira parte, insiste antes de tudo na influência do Espírito Santo sobre o desenvolvimento das primeiras comunidades cristãs.
Capítulo 12
 
  
1. Por aquele mesmo tempo, o rei Herodes mandou prender alguns membros da Igreja para os maltratar.
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Na segunda parte, ele se restringe a mostrar como Paulo, seguindo nisso o exemplo de Pedro, é o grande realizador da entrada em massa dos pagãos na Igreja.
2. Assim foi que matou à espada Tiago, irmão de João.
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3. Vendo que isto agradava aos judeus, mandou prender Pedro. Eram então os dias dos pães sem fermento.
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A leitura dos ''Atos dos Apóstolos'' - aliás fácil e atraente - é indispensável para uma boa inteligência das Epístolas de São Paulo.  
4. Mandou prendê-lo e lançou-o no cárcere, entregando-o à guarda de quatro grupos, de quatro soldados cada um, com a intenção de apresentá-lo ao povo depois da Páscoa.
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5. Pedro estava assim encerrado na prisão, mas a Igreja orava sem cessar por ele a Deus.
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*<font size="3">'''Prefácio'''</font>
6. Ora, quando Herodes estava para o apresentar, naquela mesma noite dormia Pedro entre dois soldados, ligado com duas cadeias. Os guardas, à porta, vigiavam o cárcere.
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7. De repente, apresentou-se um anjo do Senhor, e uma luz brilhou no recinto. Tocando no lado de Pedro, o anjo despertou-o: Levanta-te depressa, disse ele. Caíram-lhe as cadeias das mãos.
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<font size="5">'''1)'''</font> "'''1.''' Em minha primeira narração, ó Teófilo, contei toda a seqüência das ações e dos ensinamentos de Jesus,
8. O anjo ordenou: Cinge-te e calça as tuas sandálias. Ele assim o fez. O anjo acrescentou: Cobre-te com a tua capa e segue-me.
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'''2.''' desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo suas instruções aos apóstolos que escolhera, foi arrebatado (ao céu).
9. Pedro saiu e seguiu-o, sem saber se era real o que se fazia por meio do anjo. Julgava estar sonhando.
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'''3.''' E a eles se manifestou vivo depois de sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus.
10. Passaram o primeiro e o segundo postos da guarda. Chegaram ao portão de ferro, que dá para a cidade, o qual se lhes abriu por si mesmo. Saíram e tomaram juntos uma rua. Em seguida, de súbito, o anjo desapareceu.
 
11. Então Pedro tornou a si e disse: Agora vejo que o Senhor mandou verdadeiramente o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de tudo o que esperava o povo dos judeus.
 
12. Refletiu um momento e dirigiu-se para a casa de Maria, mãe de João, que tem por sobrenome Marcos, onde muitos se tinham reunido e faziam oração.
 
13. Quando bateu à porta de entrada, uma criada, chamada Rode, adiantou-se para escutar.
 
14. Mal reconheceu a voz de Pedro, de tanta alegria não abriu a porta, mas, correndo para dentro, foi anunciar que era Pedro que estava à porta.
 
15. Disseram-lhe: Estás louca! Mas ela persistia em afirmar que era verdade. Diziam eles: Então é o seu anjo.
 
16. Pedro continuava a bater. Afinal abriram a porta, viram-no e ficaram atônitos.
 
17. Ele, acenando-lhes com a mão que se calassem, contou como o Senhor o havia livrado da prisão, e disse: Comunicai-o a Tiago e aos irmãos. Em seguida, saiu dali e retirou-se para outro lugar.
 
18. Logo que amanheceu, houve um sobressalto pouco comum entre os soldados sobre o que acontecera a Pedro.
 
19. Herodes, procurando-o e não o achando, instaurou um processo contra os guardas e mandou supliciá-los. Em seguida, desceu da Judéia para Cesaréia, onde permaneceu.
 
20. Estava Herodes em conflito com os habitantes de Tiro e de Sidônia. Estes, porém, de comum acordo, se apresentaram a ele, e, com o favor de Blasto, que era camareiro do rei, pediram a paz. (Porque a sua região era abastecida por ele.)
 
21. No dia marcado, Herodes, vestido em traje real, sentou-se no tribunal e lhes dirigiu uma alocução.
 
22. O povo aplaudia: É a voz de um deus, e não de um homem!
 
23. No mesmo instante, o anjo do Senhor o feriu, por ele não haver dado honra a Deus. E, roído de vermes, expirou.
 
24. Entretanto, a palavra de Deus crescia e se espalhava sempre mais.
 
25. Tendo Barnabé e Saulo concluído a sua missão, voltaram de Jerusalém (a Antioquia), levando consigo João, que tem por sobrenome Marcos.
 
  
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<center><font size="3">'''A IMPLANTAÇÃO DA IGREJA DE CRISTO NA PALESTINA (1,4-12) - (ou "Atos de Pedro")'''</font></center>
Capítulo 13
 
  
1. Havia então na Igreja de Antioquia profetas e doutores, entre eles Barnabé, Simão, apelidado o Negro, Lúcio de Cirene, Manaém, companheiro de infância do tetrarca Herodes, e Saulo.
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*<font size="3">'''A Ascenção'''</font>
2. Enquanto celebravam o culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado.
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'''4.''' E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa de seu Pai, que ouvistes, disse ele, da minha boca;
3. Então, jejuando e orando, impuseram-lhes as mãos e os despediram.
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'''5.''' porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias.
4. Enviados assim pelo Espírito Santo, foram a Selêucia e dali navegaram para a ilha de Chipre.
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'''6.''' Assim reunidos, eles o interrogavam: Senhor, é porventura agora que ides instaurar o reino de Israel?
5. Chegados a Salamina, pregavam a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus. Tinham com eles João para auxiliá-los.
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'''7.''' Respondeu-lhes ele: Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder,
6. Percorreram toda a ilha até Pafos e acharam um judeu chamado Barjesus, mago e falso profeta,
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'''8.''' mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo.
7. que vivia na companhia do procônsul Sérgio Paulo, homem sensato. Este chamou Barnabé e Saulo, e exprimiu-lhes o desejo de ouvir a palavra de Deus.
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'''9.''' Dizendo isso elevou-se da (terra) à vista deles e uma nuvem o ocultou aos seus olhos..
8. Mas Élimas, o Mago - pois assim é interpretado o seu nome -, se lhes opunha, procurando desviar da fé o procônsul.
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'''10.''' Enquanto o acompanhavam com seus olhares, vendo-o afastar-se para o céu, eis que lhes apareceram dois homens vestidos de branco, que lhes disseram:
9. Então Saulo, chamado também Paulo, cheio do Espírito Santo, cravou nele os olhos e disse-lhe:
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'''11.''' Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu.
10. Filho do demônio, cheio de todo engano e de toda astúcia, inimigo de toda justiça, não cessas de perverter os caminhos retos do Senhor!
 
11. Eis que agora está sobre ti a mão do Senhor e ficarás cego. Não verás o sol até nova ordem! Caíram logo sobre ele a escuridão e as trevas, e, andando à roda, buscava quem lhe desse a mão.
 
12. À vista deste prodígio, o procônsul abraçou a fé, admirando vivamente a doutrina do Senhor.
 
13. Paulo e os seus companheiros navegaram de Pafos e chegaram a Perge, na Panfília, de onde João, apartando-se deles, voltou para Jerusalém.
 
14. Mas eles, deixando Perge, foram para Antioquia da Pisídia. Ali entraram em dia de sábado na sinagoga, e sentaram-se.
 
15. Depois da leitura da lei e dos profetas, mandaram-lhes dizer os chefes da sinagoga: Irmãos, se tendes alguma palavra de exortação ao povo, falai-a.
 
16. Paulo levantou-se, fez um sinal com a mão e falou: Homens de Israel e vós que temeis a Deus, ouvi.
 
17. O Deus do povo de Israel escolheu nossos pais e exaltou este povo no tempo em que habitava na terra do Egito, de onde os tirou com o poder de seu braço.
 
18. Por espaço de quarenta anos alimentou-os no deserto.
 
19. Destruiu sete nações na terra de Canaã e distribuiu-lhes por sorte aquela terra durante quase quatrocentos e cinqüenta anos.
 
20. Em seguida, lhes deu juízes até o profeta Samuel.
 
21. Pediram então um rei, e Deus lhes deu, por quarenta anos, Saul, filho de Cis, da tribo de Benjamim.
 
22. Depois, Deus o rejeitou e mandou-lhes Davi como rei, de quem deu este testemunho: Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará todas as minhas vontades.
 
23. De sua descendência, conforme a promessa, Deus fez sair para Israel o Salvador Jesus.
 
24. João tinha pregado, desde antes da sua vinda, o batismo do arrependimento a todo o povo de Israel.
 
25. Terminando a sua carreira, dizia: Eu não sou aquele que vós pensais, mas após mim virá aquele de quem não sou digno de desatar o calçado.
 
26. Irmãos, filhos de Abraão, e os que entre vós temem a Deus: a nós é que foi dirigida a mensagem de salvação.
 
27. Com efeito, os habitantes de Jerusalém e os seus magistrados não conheceram Jesus, e, sentenciando-o, cumpriram os oráculos dos profetas, que cada sábado são lidos.
 
28. Embora não achassem nele culpa alguma de morte, pediram a Pilatos que lhe tirasse a vida.
 
29. Depois de realizarem todas as coisas que dele estavam escritas, tirando-o do madeiro, puseram-no num sepulcro.
 
30. Mas Deus o ressuscitou dentre os mortos.
 
31. Durante muitos dias apareceu àqueles que com ele subiram da Galiléia a Jerusalém, os quais até agora são testemunhas dele junto ao povo.
 
32. Nós vos anunciamos: a promessa feita a nossos pais,
 
33. Deus a tem cumprido diante de nós, seus filhos, suscitando Jesus, como também está escrito no Salmo segundo: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei (Sl 2,7).
 
34. Que Deus o ressuscitou dentre os mortos, para nunca mais tornar à corrupção, ele o declarou desta maneira: Eu vos darei as coisas sagradas prometidas a Davi (Is 55,3).
 
35. E diz também noutra passagem: Não permitirás que teu Santo experimente a corrupção (Sl 15,10).
 
36. Ora, Davi, depois de ter servido em vida aos desígnios de Deus, morreu. Foi reunido a seus pais e experimentou a corrupção.
 
37. Mas aquele a quem Deus ressuscitou não experimentou a corrupção.
 
38. Sabei, pois, irmãos, que por ele se vos anuncia a remissão dos pecados.
 
39. Todo aquele que crê é justificado por ele de tudo aquilo que não pôde ser pela Lei de Moisés.
 
40. Cuidai, pois, que não venha sobre vós o que foi dito pelos profetas:
 
41. Vede, ó desprezadores, pasmai e morrei de espanto. Pois eu vou realizar uma obra em vossos dias, obra a que não creríeis, se alguém vo-la contasse (Hab 1,5).
 
42. Ao saírem, rogavam que lhes repetissem essas palavras no sábado seguinte.
 
43. Depois que a assembléia terminou, muitos judeus e prosélitos devotos seguiram Paulo e Barnabé, os quais com muitas palavras os exortavam a perseverar na graça de Deus.
 
44. No sábado seguinte, afluiu quase toda a cidade para ouvir a palavra de Deus.
 
45. Os judeus, vendo a multidão, encheram-se de inveja e puseram-se a protestar com injúrias contra o que Paulo falava.
 
46. Então Paulo e Barnabé disseram-lhes resolutamente: Era a vós que em primeiro lugar se devia anunciar a palavra de Deus. Mas, porque a rejeitais e vos julgais indignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os pagãos.
 
47. Porque o Senhor assim no-lo mandou: Eu te estabeleci para seres luz das nações, e levares a salvação até os confins da terra (Is 49,6).
 
48. Estas palavras encheram de alegria os pagãos que glorificavam a palavra do Senhor. Todos os que estavam predispostos para a vida eterna fizeram ato de fé.
 
49. Divulgava-se, assim, a palavra do Senhor por toda a região.
 
50. Mas os judeus instigaram certas mulheres religiosas da aristocracia e os principais da cidade, que excitaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé e os expulsaram do seu território.
 
51. Estes sacudiram contra eles o pó dos seus pés, e foram a Icônio.
 
52. Os discípulos, por sua vez, estavam cheios de alegria e do Espírito Santo.
 
  
+
*<font size="3">'''Os discípulos no cenáculo'''</font>
Capítulo 14
+
'''12.''' Voltaram eles então para Jerusalém do monte chamado das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, distante uma jornada de sábado.
 +
'''13.''' Tendo entrado no cenáculo, subiram ao quarto de cima, onde costumavam permanecer. Eram eles: Pedro e João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelador, e Judas, irmão de Tiago.
 +
'''14.''' Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele.
  
1. Em Icônio, Paulo e Barnabé, segundo seu costume, entraram na sinagoga dos judeus e ali pregaram, de tal modo que uma grande multidão de judeus e de gregos se converteu à fé.
+
*<font size="3">'''Eleição de Matias'''</font>
2. Mas os judeus, que tinham permanecido incrédulos, excitaram os ânimos dos pagãos contra os irmãos.
+
'''15.''' Num daqueles dias, levantou-se Pedro no meio de seus irmãos, na assembléia reunida que constava de umas cento e vinte pessoas, e disse:
3. Não obstante, eles se demoraram ali por muito tempo, falando com desassombro e confiança no Senhor, que dava testemunho à palavra da sua graça pelos milagres e prodígios que ele operava por mãos dos apóstolos.
+
'''16.''' Irmãos, convinha que se cumprisse o que o Espírito Santo predisse na escritura pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus.
4. A população da cidade achava-se dividida: uns eram pelos judeus, outros pelos apóstolos.
+
'''17.''' Ele era um dos nossos e teve parte no nosso ministério.
5. Mas como se tivesse levantado um motim dos gentios e dos judeus, com os seus chefes, para os ultrajar e apedrejar,
+
'''18.''' Este homem adquirira um campo com o salário de seu crime. Depois, tombando para a frente, arrebentou-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram.
6. ao saberem disso, fugiram para as cidades da Licaônia, Listra e Derbe e suas circunvizinhanças.
+
'''19.''' (Tornou-se este fato conhecido dos habitantes de Jerusalém, de modo que aquele campo foi chamado na língua deles Hacéldama, isto é, Campo de Sangue.)
7. Ali pregaram o Evangelho.
+
'''20.''' Pois está escrito no livro dos Salmos: Fique deserta a sua habitação, e não haja quem nela habite; e ainda mais: Que outro receba o seu cargo (Sl 68,26; 108,8).
8. Em Listra vivia um homem aleijado das pernas, coxo de nascença, que nunca tinha andado.
+
'''21.''' Convém que destes homens que têm estado em nossa companhia todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós,
9. Sentado, ele ouvia Paulo pregar. Este, fixando nele os olhos e vendo que tinha fé para ser curado,
+
'''22.''' a começar do batismo de João até o dia em que do nosso meio foi arrebatado, um deles se torne conosco testemunha de sua Ressurreição.
10. disse em alta voz: Levanta-te direito sobre os teus pés! Ele deu um salto e pôs-se a andar.
+
'''23.''' Propuseram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome Justo, e Matias.
11. Vendo a multidão o que Paulo fizera, levantou a voz, gritando em língua licaônica: Deuses em figura de homens baixaram a nós!
+
'''24.''' E oraram nestes termos: Ó Senhor, que conheces os corações de todos, mostra-nos qual destes dois escolheste
12. Chamavam a Barnabé Zeus e a Paulo Hermes, porque era este quem dirigia a palavra.
+
'''25.''' para tomar neste ministério e apostolado o lugar de Judas que se transviou, para ir para o seu próprio lugar.
13. Um sacerdote de Zeus Propóleos trouxe para as portas touros ornados de grinaldas, querendo, de acordo com todo o povo, sacrificar-lhos.
+
'''26.''' Deitaram sorte e caiu a sorte em Matias, que foi incorporado aos onze apóstolos".
14. Mas os apóstolos Barnabé e Paulo, ao perceberem isso, rasgaram as suas vestes e saltaram no meio da multidão:
 
15. Homens, clamavam eles, por que fazeis isso? Também nós somos homens, da mesma condição que vós, e pregamos justamente para que vos convertais das coisas vãs ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo quanto neles há.
 
16. Ele permitiu nos tempos passados que todas as nações seguissem os seus caminhos.
 
17. Contudo, nunca deixou de dar testemunho de si mesmo, por seus benefícios: dando-vos do céu as chuvas e os tempos férteis, concedendo abundante alimento e enchendo os vossos corações de alegria.
 
18. Apesar dessas palavras, não foi sem dificuldade que contiveram a multidão de sacrificar a eles.
 
19. Sobrevieram, porém, alguns judeus de Antioquia e de Icônio que persuadiram a multidão. Apedrejaram Paulo e, dando-o por morto, arrastaram-no para fora da cidade.
 
20. Os discípulos o rodearam. Ele se levantou e entrou na cidade. No dia seguinte, partiu com Barnabé para Derbe.
 
21. Depois de ter pregado o Evangelho à cidade de Derbe, onde ganharam muitos discípulos, voltaram para Listra, Icônio e Antioquia (da Pisídia).
 
22. Confirmavam as almas dos discípulos e exortavam-nos a perseverar na fé, dizendo que é necessário entrarmos no Reino de Deus por meio de muitas tribulações.
 
23. Em cada igreja instituíram anciãos e, após orações com jejuns, encomendaram-nos ao Senhor, em quem tinham confiado.
 
24. Atravessaram a Pisídia e chegaram a Panfília.
 
25. Depois de ter anunciado a palavra do Senhor em Perge, desceram a Atália.
 
26. Dali navegaram para Antioquia (da Síria), de onde tinham partido, encomendados à graça de Deus para a obra que estavam a completar.
 
27. Ali chegados, reuniram a igreja e contaram quão grandes coisas Deus fizera com eles, e como abrira a porta da fé aos gentios.
 
28. Demoraram-se com os discípulos longo tempo.
 
  
+
*<font size="3">'''Vinda do Espírito Santo'''</font>
Capítulo 15
 
  
1. Alguns homens, descendo da Judéia, puseram-se a ensinar aos irmãos o seguinte: Se não vos circuncidais, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos.
+
<font size="5">'''2)'''</font> "'''1.''' Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar.
2. Originou-se então grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, e resolveu-se que estes dois, com alguns outros irmãos, fossem tratar desta questão com os apóstolos e os anciãos em Jerusalém.
+
'''2.''' De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados.
3. Acompanhados (algum tempo) dos membros da comunidade, tomaram o caminho que atravessa a Fenícia e Samaria. Contaram a todos os irmãos a conversão dos gentios, o que causou a todos grande alegria.
+
'''3.''' Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles.
4. Chegando a Jerusalém, foram recebidos pela comunidade, pelos apóstolos e anciãos, a quem contaram tudo o que Deus tinha feito com eles.
+
'''4.''' Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.
5. Mas levantaram-se alguns que antes de ter abraçado a fé eram da seita dos fariseus, dizendo que era necessário circuncidar os pagãos e impor-lhes a observância da Lei de Moisés.
+
'''5.''' Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu.
6. Reuniram-se os apóstolos e os anciãos para tratar desta questão.
+
'''6.''' Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua.
7. Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou-se e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem.
+
'''7.''' Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam?
8. Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a seu respeito, dando-lhes o Espírito Santo, da mesma forma que a nós.
+
'''8.''' Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?
9. Nem fez distinção alguma entre nós e eles, purificando pela fé os seus corações.
+
'''9.''' Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia,
10. Por que, pois, provocais agora a Deus, impondo aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?
+
'''10.''' a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos,
11. Nós cremos que pela graça do Senhor Jesus seremos salvos, exatamente como eles.
+
'''11.''' judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus!
12. Toda a assembléia o ouviu silenciosamente. Em seguida, ouviram Barnabé e Paulo contar quantos milagres e prodígios Deus fizera por meio deles entre os gentios.
+
'''12.''' Estavam, pois, todos atônitos e, sem saber o que pensar, perguntavam uns aos outros: Que significam estas coisas?
13. Depois de terminarem, Tiago tomou a palavra: Irmãos, ouvi-me, disse ele.
+
'''13.''' Outros, porém, escarnecendo, diziam: Estão todos embriagados de vinho doce.
14. Simão narrou como Deus começou a olhar para as nações pagãs para tirar delas um povo que trouxesse o seu nome.
 
15. Ora, com isto concordam as palavras dos profetas, como está escrito:
 
16. Depois disto voltarei, e reedificarei o tabernáculo de Davi que caiu. E reedificarei as suas ruínas, e o levantarei
 
17. para que o resto dos homens busque o Senhor, e todas as nações, sobre as quais tem sido invocado o meu nome.
 
18. Assim fala o Senhor que faz estas coisas, coisas que ele conheceu desde a eternidade (Am 9,11s.).
 
19. Por isso, julgo que não se devem inquietar os que dentre os gentios se convertem a Deus.
 
20. Mas que se lhes escreva somente que se abstenham das carnes oferecidas aos ídolos, da impureza, das carnes sufocadas e do sangue.
 
21. Porque Moisés, desde muitas gerações, tem em cada cidade seus pregadores, pois que ele é lido nas sinagogas todos os sábados.
 
22. Então pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos com toda a comunidade escolher homens dentre eles e enviá-los a Antioquia com Paulo e Barnabé: Judas, que tinha o sobrenome de Barsabás, e Silas, homens notáveis entre os irmãos.
 
23. Por seu intermédio enviaram a seguinte carta: "Os apóstolos e os anciãos aos irmãos de origem pagã, em Antioquia, na Síria e Cilícia, saúde!
 
24. Temos ouvido que alguns dentre nós vos têm perturbado com palavras, transtornando os vossos espíritos, sem lhes termos dado semelhante incumbência.
 
25. Assim nós nos reunimos e decidimos escolher delegados e enviá-los a vós, com os nossos amados Barnabé e Paulo,
 
26. homens que têm exposto suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo.
 
27. Enviamos, portanto, Judas e Silas que de viva voz vos exporão as mesmas coisas.
 
28. Com efeito, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do seguinte indispensável:
 
29. que vos abstenhais das carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da impureza. Dessas coisas fareis bem de vos guardar conscienciosamente. Adeus!
 
30. Tendo-se despedido, a delegação dirigiu-se a Antioquia. Ali reuniram a assembléia e entregaram a carta.
 
31. À sua leitura, todos se alegraram com o estímulo que ela trazia.
 
32. Judas e Silas, que eram também profetas, dirigiam aos irmãos muitas palavras de exortação e de animação.
 
33. Demoraram-se ali por algum tempo. Foram depois pelos irmãos despedidos em paz, voltando aos que lhos tinham enviado.
 
34. [A Silas contudo, pareceu bem ficar ali, e Judas partiu sozinho.]
 
35. Paulo e Barnabé detiveram-se também em Antioquia, ensinando e pregando com muitos outros a palavra do Senhor.
 
36. Ao termo de alguns dias, disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar os irmãos por todas as cidades onde temos pregado a palavra do Senhor, para ver como estão passando.
 
37. Barnabé queria levar consigo também João, que tinha por sobrenome Marcos.
 
38. Paulo, porém, achava que não devia ser admitido quem se tinha separado deles em Panfília e não os havia acompanhado no ministério.
 
39. Houve tal discussão que se separaram um do outro, e Barnabé, levando consigo Marcos, navegou para Chipre.
 
40. Paulo, porém, tendo escolhido Silas, e depois de ter sido recomendado pelos irmãos à graça do Senhor, partiu. Ele percorreu a Síria, a Cilícia, confirmando as comunidades.
 
  
+
*<font size="3">'''Discurso de Pedro'''</font>
Capítulo 16
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'''14.''' Pedro então, pondo-se de pé em companhia dos Onze, com voz forte lhes disse: Homens da Judéia e vós todos que habitais em Jerusalém: seja-vos isto conhecido e prestai atenção às minhas palavras.
 
+
'''15.''' Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, visto não ser ainda a hora terceira do dia.
1. Chegou a Derbe e depois a Listra. Havia ali um discípulo, chamado Timóteo, filho de uma judia cristã, mas de pai grego,
+
'''16.''' Mas cumpre-se o que foi dito pelo profeta Joel:
2. que gozava de ótima reputação junto dos irmãos de Listra e de Icônio.
+
'''17.''' Acontecerá nos últimos dias - é Deus quem fala -, que derramarei do meu Espírito sobre todo ser vivo: profetizarão os vossos filhos e as vossas filhas. Os vossos jovens terão visões, e os vossos anciãos sonharão.
3. Paulo quis que ele fosse em sua companhia. Ao tomá-lo consigo, circuncidou-o, por causa dos judeus daqueles lugares, pois todos sabiam que o seu pai era grego.
+
'''18.''' Sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei naqueles dias do meu Espírito e profetizarão.
4. Nas cidades pelas quais passavam, ensinavam que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém.
+
'''19.''' Farei aparecer prodígios em cima, no céu, e milagres embaixo, na terra: sangue fogo e vapor de fumaça.
5. Assim as igrejas eram confirmadas na fé, e cresciam em número dia a dia.
+
'''20.''' O sol se converterá em trevas e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor.
6. Atravessando em seguida a Frígia e a província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra de Deus na (província da) Ásia.
+
'''21.''' E então todo o que invocar o nome do Senhor será salvo (Jl 3,1-5).
7. Ao chegarem aos confins da Mísia, tencionavam seguir para a Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu.
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'''22.''' Israelitas, ouvi estas palavras: Jesus de Nazaré, homem de quem Deus tem dado testemunho diante de vós com milagres, prodígios e sinais que Deus por ele realizou no meio de vós como vós mesmos o sabeis,
8. Depois de haverem atravessado rapidamente a Mísia, desceram a Trôade.
+
'''23.''' depois de ter sido entregue, segundo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de ímpios.
9. De noite, Paulo teve uma visão: um macedônio, em pé, diante dele, lhe rogava: Passa à Macedônia, e vem em nosso auxílio!
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'''24.''' Mas Deus o ressuscitou, rompendo os grilhões da morte, porque não era possível que ela o retivesse em seu poder.
10. Assim que teve essa visão, procuramos partir para a Macedônia, certos de que Deus nos chamava a pregar-lhes o Evangelho.
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'''25.''' Pois dele diz Davi: Eu via sempre o Senhor perto de mim, pois ele está à minha direita, para que eu não seja abalado.
11. Embarcados em Trôade, fomos diretamente à Samotrácia e no outro dia a Neápolis;
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'''26.''' Alegrou-se por isso o meu coração e a minha língua exultou. Sim, também a minha carne repousará na esperança,
12. e dali a Filipos, que é a cidade principal daquele distrito da Macedônia, uma colônia (romana). Nesta cidade nos detivemos por alguns dias.
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'''27.''' pois não deixarás a minha alma na região dos mortos, nem permitirás que o teu santo conheça a corrupção.
13. No sábado, saímos fora da porta para junto do rio, onde pensávamos haver lugar de oração. Aí nos assentamos e falávamos às mulheres que se haviam reunido.
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'''28.''' Fizeste-me conhecer os caminhos da vida, e me encherás de alegria com a visão de tua face (Sl 15,8-11).
14. Uma mulher, chamada Lídia, da cidade dos tiatirenos, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava. O Senhor abriu-lhe o coração, para atender às coisas que Paulo dizia.
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'''29.''' Irmãos, seja permitido dizer-vos com franqueza: do patriarca Davi dizemos que morreu e foi sepultado, e o seu sepulcro está entre nós até o dia de hoje.
15. Foi batizada juntamente com a sua família e fez-nos este pedido: Se julgais que tenho fé no Senhor, entrai em minha casa e ficai comigo. E obrigou-nos a isso.
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30. Mas ele era profeta e sabia que Deus lhe havia jurado que um dos seus descendentes seria colocado no seu trono.
16. Certo dia, quando íamos à oração, eis que nos veio ao encontro uma moça escrava que tinha o espírito de Pitão, a qual com as suas adivinhações dava muito lucro a seus senhores.
+
'''31.''' É, portanto, a ressurreição de Cristo que ele previu e anunciou por estas palavras: Ele não foi abandonado na região dos mortos, e sua carne não conheceu a corrupção.
17. Pondo-se a seguir a Paulo e a nós, gritava: Estes homens são servos do Deus Altíssimo, que vos anunciam o caminho da salvação.
+
'''32.''' A este Jesus, Deus o ressuscitou: do que todos nós somos testemunhas.
18. Repetiu isto por muitos dias. Por fim, Paulo enfadou-se. Voltou-se para ela e disse ao espírito: Ordeno-te em nome de Jesus Cristo que saias dela. E na mesma hora ele saiu.
+
'''33.''' Exaltado pela direita de Deus, havendo recebido do Pai o Espírito Santo prometido, derramou-o como vós vedes e ouvis.
19. Vendo seus amos que se lhes esvaecera a esperança do lucro, pegaram Paulo e Silas e levaram-nos ao foro, à presença das autoridades.
+
'''34.''' Pois Davi pessoalmente não subiu ao céu, todavia diz: O Senhor disse a meu Senhor: Senta-te à minha direita
20. Em seguida, apresentaram-nos aos magistrados, acusando: Estes homens são judeus; amotinam a nossa cidade.
+
'''35.''' até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés (Sl 109,1).
21. E pregam um modo de vida que nós, romanos, não podemos admitir nem seguir.
+
'''36.''' Que toda a casa de Israel saiba, portanto, com a maior certeza de que este Jesus, que vós crucificastes, Deus o constituiu Senhor e Cristo.
22. O povo insurgiu-se contra eles. Os magistrados mandaram arrancar-lhes as vestes para açoitá-los com varas.
+
 
23. Depois de lhes terem feito muitas chagas, meteram-nos na prisão, mandando ao carcereiro que os guardasse com segurança.
+
*<font size="3">'''Primeiras conversões'''</font>
24. Este, conforme a ordem recebida, meteu-os na prisão inferior e prendeu-lhes os pés ao cepo.
+
'''37.''' Ao ouvirem essas coisas, ficaram compungidos no íntimo do coração e indagaram de Pedro e dos demais apóstolos: Que devemos fazer, irmãos?
25. Pela meia-noite, Paulo e Silas rezavam e cantavam um hino a Deus, e os prisioneiros os escutavam.
+
'''38.''' Pedro lhes respondeu: Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.
26. Subitamente, sentiu-se um terremoto tão grande que se abalaram até os fundamentos do cárcere. Abriram-se logo todas as portas e soltaram-se as algemas de todos.
+
'''39.''' Pois a promessa é para vós, para vossos filhos e para todos os que ouvirem de longe o apelo do Senhor, nosso Deus.
27. Acordou o carcereiro e, vendo abertas as portas do cárcere, supôs que os presos haviam fugido. Tirou da espada e queria matar-se.
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'''40.''' Ainda com muitas outras palavras exortava-os, dizendo: Salvai-vos do meio dessa geração perversa!
28. Mas Paulo bradou em alta voz: Não te faças nenhum mal, pois estamos todos aqui.
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'''41.''' Os que receberam a sua palavra foram batizados. E naquele dia elevou-se a mais ou menos três mil o número dos adeptos.
29. Então o carcereiro pediu luz, entrou e lançou-se trêmulo aos pés de Paulo e Silas.
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30. Depois os conduziu para fora e perguntou-lhes: Senhores, que devo fazer para me salvar?
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*<font size="3">'''Virtudes dos primeiros cristãos'''</font>
31. Disseram-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua família.
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'''42.''' Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações.
32. Anunciaram-lhe a palavra de Deus, a ele e a todos os que estavam em sua casa.
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'''43.''' De todos eles se apoderou o temor, pois pelos apóstolos foram feitos também muitos prodígios e milagres em Jerusalém e o temor estava em todos os corações.
33. Então, naquela mesma hora da noite, ele cuidou deles e lavou-lhes as chagas. Imediatamente foi batizado, ele e toda a sua família.
+
'''44.''' Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum.
34. Em seguida, ele os fez subir para sua casa, pôs-lhes a mesa e alegrou-se com toda a sua casa por haver crido em Deus.
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'''45.''' Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um.
35. Quando amanheceu, os magistrados mandaram os lictores dizer: Solta esses homens.
+
'''46.''' Unidos de coração freqüentavam todos os dias o templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração,
36. O carcereiro transmitiu essa mensagem a Paulo: Os magistrados mandaram-me dizer que vos ponha em liberdade. Saí, pois, e ide em paz.
+
'''47.''' louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros que estavam a caminho da salvação".
37. Mas Paulo replicou: Sem nenhum julgamento nos açoitaram publicamente, a nós que somos cidadãos romanos, e meteram-nos no cárcere, e agora nos lançam fora ocultamente... Não há de ser assim! Mas venham e soltem-nos pessoalmente!
 
38. Os lictores deram parte dessas palavras aos magistrados. Estes temeram, ao ouvir dizer que eram romanos.
 
39. Foram e lhes falaram brandamente. Pedindo desculpas, rogavam-lhes que se retirassem da cidade.
 
40. Saindo do cárcere, entraram em casa de Lídia, onde reviram e consolaram os irmãos. Depois partiram.
 
  
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*<font size="3">'''Cura do coxo'''</font>
Capítulo 17
 
  
1. Passaram por Anfípolis e Apolônia e chegaram a Tessalônica, onde havia uma sinagoga de judeus.
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<font size="5">'''3)'''</font> "'''1.''' Pedro e João iam subindo ao templo para rezar à hora nona.
2. Paulo dirigiu-se a eles, segundo o seu costume, e por três sábados disputou com eles.
+
'''2.''' Nisto levavam um homem que era coxo de nascença e que punham todos os dias à porta do templo, chamada Formosa, para que pedisse esmolas aos que entravam no templo.
3. Explicava e demonstrava, à base das Escrituras, que era necessário que Cristo padecesse e ressurgisse dos mortos. E este Cristo é Jesus que eu vos anuncio.
+
'''3.''' Quando ele viu que Pedro e João iam entrando no templo, implorou a eles uma esmola.
4. Alguns deles creram e associaram-se a Paulo e Silas, como também uma grande multidão de prosélitos gentios, e não poucas mulheres de destaque.
+
'''4.''' Pedro fitou nele os olhos, como também João, e disse: Olha para nós.
5. Os judeus, tomados de inveja, ajuntaram alguns homens da plebe e com esta gente amotinaram a cidade. Assaltaram a casa de Jasão, procurando-os para os entregar ao povo.
+
'''5.''' Ele os olhou com atenção esperando receber deles alguma coisa.
6. Mas como não os achassem, arrastaram Jasão e alguns irmãos à presença dos magistrados, clamando: Estes homens amotinam todo o mundo. Estão agora aqui! E Jasão os acolheu!
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'''6.''' Pedro, porém, disse: Não tenho nem ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!
7. Todos eles contrariam os decretos de César, proclamando outro rei: Jesus.
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'''7.''' E tomando-o pela mão direita, levantou-o. Imediatamente os pés e os tornozelos se lhe firmaram. De um salto pôs-se de pé e andava.
8. Assim excitavam o povo e os magistrados.
+
'''8.''' Entrou com eles no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus.
9. E só depois de receberem uma caução de Jasão e dos outros é que os deixaram ir.
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'''9.''' Todo o povo o viu andar e louvar a Deus.
10. Logo que se fez noite, os irmãos enviaram Paulo e Silas para Beréia. Quando ali chegaram, entraram na sinagoga dos judeus.
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'''10.''' Reconheceram ser o mesmo coxo que se sentava para mendigar à porta Formosa do templo, e encheram-se de espanto e pasmo pelo que lhe tinha acontecido.
11. Estes eram mais nobres do que os de Tessalônica e receberam a palavra com ansioso desejo, indagando todos os dias, nas Escrituras, se essas coisas eram de fato assim.
+
'''11.''' Como ele se conservava perto de Pedro e João, uma multidão de curiosos afluiu a eles no pórtico chamado Salomão.
12. Muitos deles creram, como também muitas mulheres gregas da aristocracia, e não poucos homens.
+
'''12.''' À vista disso, falou Pedro ao povo: Homens de Israel, por que vos admirais assim? Ou por que fitais os olhos em nós, como se por nossa própria virtude ou piedade tivéssemos feito este homem andar?
13. Mas os judeus de Tessalônica, sabendo que também em Beréia tinha sido pregada por Paulo a palavra de Deus, foram para lá agitar e sublevar o povo.
+
'''13.''' O Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó, o Deus de nossos pais glorificou seu servo Jesus, que vós entregastes e negastes perante Pilatos, quando este resolvera soltá-lo.
14. Então os irmãos fizeram que Paulo se retirasse e fosse até o mar, ao passo que Silas e Timóteo ficaram ali.
+
'''14.''' Mas vós renegastes o Santo e o Justo e pedistes que se vos desse um homicida.
15. Os que conduziam Paulo levaram-no até Atenas. De lá voltaram e transmitiram para Silas e Timóteo a ordem de que fossem ter com ele o mais cedo possível.
+
'''15.''' Matastes o Príncipe da vida, mas Deus o ressuscitou dentre os mortos: disso nós somos testemunhas.
16. Enquanto Paulo os esperava em Atenas, à vista da cidade entregue à idolatria, o seu coração enchia-se de amargura.
+
'''16.''' Em virtude da fé em seu nome foi que esse mesmo nome consolidou este homem, que vedes e conheceis. Foi a fé em Jesus que lhe deu essa cura perfeita, à vista de todos vós.
17. Disputava na sinagoga com os judeus e prosélitos, e todos os dias, na praça, com os que ali se encontravam.
+
'''17.''' Agora, irmãos, sei que o fizestes por ignorância, como também os vossos chefes.
18. Alguns filósofos epicureus e estóicos conversaram com ele. Diziam uns: Que quer dizer esse tagarela? Outros: Parece que é pregador de novos deuses. Pois lhes anunciava Jesus e a Ressurreição.
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'''18.''' Deus, porém, assim cumpriu o que já antes anunciara pela boca de todos os profetas: que o seu Cristo devia padecer.
19. Tomaram-no consigo e levaram-no ao Areópago, e lhe perguntaram: Podemos saber que nova doutrina é essa que pregas?
+
'''19.''' Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos para serem apagados os vossos pecados.
20. Pois o que nos trazes aos ouvidos nos parece muito estranho. Queremos saber o que vem a ser isso.
+
'''20.''' Virão, assim, da parte do Senhor os tempos de refrigério, e ele enviará aquele que vos é destinado: Cristo Jesus.
21. Ora (como se sabe), todos os atenienses e os forasteiros que ali se fixaram não se ocupavam de outra coisa senão a de dizer ou de ouvir as últimas novidades.
+
'''21.''' É necessário, porém, que o céu o receba até os tempos da restauração universal, da qual falou Deus outrora pela boca dos seus santos profetas.
22. Paulo, em pé no meio do Areópago, disse: Homens de Atenas, em tudo vos vejo muitíssimo religiosos.
+
'''22.''' Já dissera Moisés: O Senhor, nosso Deus, vos suscitará dentre vossos irmãos um profeta semelhante a mim: a este ouvireis em tudo o que ele vos disser.
23. Percorrendo a cidade e considerando os monumentos do vosso culto, encontrei também um altar com esta inscrição: A um Deus desconhecido. O que adorais sem o conhecer, eu vo-lo anuncio!
+
'''23.''' Todo aquele que não ouvir esse profeta será exterminado do meio do povo (Dt 18,15.19).
24. O Deus, que fez o mundo e tudo o que nele há, é o Senhor do céu e da terra, e não habita em templos feitos por mãos humanas.
+
'''24.''' Todos os profetas, que têm falado sucessivamente desde Samuel, anunciaram estes dias.
25. Nem é servido por mãos de homens, como se necessitasse de alguma coisa, porque é ele quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas.
+
'''25.''' Vós sois filhos dos profetas e da aliança que Deus estabeleceu com os nossos pais, quando disse a Abraão: Na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra (Gn 22,18).
26. Ele fez nascer de um só homem todo o gênero humano, para que habitasse sobre toda a face da terra. Fixou aos povos os tempos e os limites da sua habitação.
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'''26.''' Foi em primeiro lugar para vós que Deus suscitou o seu servo, para vos abençoar, a fim de que cada um se aparte da sua iniqüidade".
27. Tudo isso para que procurem a Deus e se esforcem por encontrá-lo como que às apalpadelas, pois na verdade ele não está longe de cada um de nós.
 
28. Porque é nele que temos a vida, o movimento e o ser, como até alguns dos vossos poetas disseram: Nós somos também de sua raça...
 
29. Se, pois, somos da raça de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra lavrada por arte e gênio dos homens.
 
30. Deus, porém, não levando em conta os tempos da ignorância, convida agora a todos os homens de todos os lugares a se arrependerem.
 
31. Porquanto fixou o dia em que há de julgar o mundo com justiça, pelo ministério de um homem que para isso destinou. Para todos deu como garantia disso o fato de tê-lo ressuscitado dentre os mortos.
 
32. Quando o ouviram falar de ressurreição dos mortos, uns zombavam e outros diziam: A respeito disso te ouviremos outra vez.
 
33. Assim saiu Paulo do meio deles.
 
34. Todavia, alguns homens aderiram a ele e creram: entre eles, Dionísio, o areopagita, e uma mulher chamada Dâmaris; e com eles ainda outros.
 
  
+
*<font size="3">'''Prisão de Pedro e de João'''</font>
Capítulo 18
 
  
1. Depois disso, saindo de Atenas, Paulo dirigiu-se a Corinto.
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<font size="5">'''4)'''</font> "1. Enquanto eles falavam ao povo, vieram os sacerdotes, o chefe do templo e os saduceus,
2. Encontrou ali um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, e sua mulher Priscila. Eles pouco antes haviam chegado da Itália, por Cláudio ter decretado que todos os judeus saíssem de Roma. Paulo uniu-se a eles.
+
'''2.''' contrariados porque ensinavam ao povo e anunciavam, na pessoa de Jesus, a ressurreição dos mortos.
3. Como exercessem o mesmo ofício, morava e trabalhava com eles. (Eram fabricantes de tendas.)
+
'''3.''' Prenderam-nos e os meteram no cárcere até o outro dia, pois já era tarde.
4. Todos os sábados ele falava na sinagoga e procurava convencer os judeus e os gregos.
+
'''4.''' Muitos, porém, dos que tinham ouvido a pregação creram; e o número dos fiéis elevou-se a mais ou menos cinco mil.
5. Quando Silas e Timóteo chegaram da Macedônia, Paulo dedicou-se inteiramente à pregação da palavra, dando aos judeus testemunho de que Jesus era o Messias.
+
'''5.''' No dia seguinte reuniram-se em Jerusalém os chefes do povo, os anciãos, os escribas,
6. Mas como esses contradissessem e o injuriassem, ele, sacudindo as vestes, disse-lhes: O vosso sangue caia sobre a vossa cabeça! Tenho as mãos inocentes. Desde agora vou para o meio dos gentios.
+
'''6.''' com Anás, sumo sacerdote, Caifás, João, Alexandre e todos os que eram da linhagem pontifical.
7. Saindo dali, entrou em casa de um prosélito, chamado Tício Justo, cuja casa era contígua à sinagoga.
+
'''7.''' Colocando-os no meio, perguntaram: Com que poder ou em que nome fizestes isso?
8. Entretanto Crispo, o chefe da sinagoga, acreditou no Senhor com todos os da sua casa. Sabendo disso, muitos dos coríntios, ouvintes de Paulo, acreditaram e foram batizados.
+
'''8.''' Então Pedro, cheio do Espírito Santo, respondeu-lhes: Chefes do povo e anciãos, ouvi-me:
9. Numa noite, o Senhor disse a Paulo em visão: Não temas! Fala e não te cales.
+
'''9.''' se hoje somos interrogados a respeito do benefício feito a um enfermo, e em que nome foi ele curado,
10. Porque eu estou contigo. Ninguém se aproximará de ti para te fazer mal, pois tenho um numeroso povo nesta cidade.
+
'''10.''' ficai sabendo todos vós e todo o povo de Israel: foi em nome de Jesus Cristo Nazareno, que vós crucificastes, mas que Deus ressuscitou dos mortos. Por ele é que esse homem se acha são, em pé, diante de vós.
11. Paulo deteve-se ali um ano e seis meses, ensinando a eles a palavra de Deus.
+
'''11.''' Esse Jesus, pedra que foi desprezada por vós, edificadores, tornou-se a pedra angular.
12. Sendo Galião procônsul da Acaia, levantaram-se os judeus de comum acordo contra Paulo e levaram-no ao tribunal e disseram:
+
'''12.''' Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos.
13. Este homem persuade os ouvintes a (adotar) um culto contrário à lei.
+
'''13.''' Vendo eles a coragem de Pedro e de João, e considerando que eram homens sem estudo e sem instrução, admiravam-se. Reconheciam-nos como companheiros de Jesus.
14. Paulo ia falar, mas Galião disse aos judeus: Se fosse, na realidade, uma injustiça ou verdadeiro crime, seria razoável que vos atendesse.
+
'''14.''' Mas vendo com eles o homem que tinha sido curado, não puderam replicar.
15. Mas se são questões de doutrina, de nomes e da vossa lei, isso é lá convosco. Não quero ser juiz dessas coisas.
+
'''15.''' Mandaram que se retirassem da sala do conselho, e conferenciaram entre si:
16. E mandou-o sair do tribunal.
+
'''16.''' Que faremos destes homens? Porquanto o milagre por eles feito se tornou conhecido de todos os habitantes de Jerusalém, e não o podemos negar.
17. Então todos pegaram em Sóstenes, chefe da sinagoga, e o espancaram diante do tribunal, sem que Galião fizesse caso algum disso.
+
'''17.''' Todavia, para que esta notícia não se divulgue mais entre o povo, proibamos com ameaças, que no futuro falem a alguém nesse nome.
18. Paulo permaneceu ali (em Corinto) ainda algum tempo. Depois se despediu dos irmãos e navegou para a Síria e com ele Priscila e Áquila. Antes, porém, cortara o cabelo em Cêncris, porque terminara um voto.
+
'''18.''' Chamaram-nos e ordenaram-lhes que absolutamente não falassem nem ensinassem em nome de Jesus.
19. Chegaram a Éfeso, onde os deixou. Ele entrou na sinagoga e entretinha-se com os judeus.
+
'''19.''' Responderam-lhes Pedro e João: Julgai-o vós mesmos se é justo diante de Deus obedecermos a vós mais do que a Deus.
20. Pediram-lhe estes que ficasse com eles ali por mais tempo, mas ele não quis.
+
'''20.''' Não podemos deixar de falar das coisas que temos visto e ouvido.
21. Ao despedir-se, disse: Voltarei a vós, se Deus quiser. E partiu de Éfeso.
+
'''21.''' Eles então, ameaçando-os de novo, soltaram-nos, não achando pretexto para os castigar por causa do povo, porque todos glorificavam a Deus pelo que tinha acontecido.
22. Viajou até Cesaréia, subiu (a Jerusalém) e saudou a comunidade e logo em seguida desceu a Antioquia.
+
'''22.''' Pois já passava dos 40 anos o homem em quem se realizara essa cura milagrosa.
23. Aí se demorou apenas por algum tempo, partiu de novo e atravessou sucessivamente as regiões da Galácia e da Frígia, fortalecendo todos os discípulos.
+
*<font size="3">'''Oração dos fiéis pelos apóstolos libertados'''</font>
24. Entrementes, um judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloqüente e muito versado nas Escrituras, chegou a Éfeso.
+
'''23.''' Postos em liberdade, voltaram aos seus irmãos e referiram tudo quanto lhes tinham dito os sumos sacerdotes e os anciãos.
25. Era instruído no caminho do Senhor, falava com fervor de espírito e ensinava com precisão a respeito de Jesus, embora conhecesse somente o batismo de João.
+
'''24.''' Ao ouvirem isso, levantaram unânimes a voz a Deus e disseram: Senhor, vós que fizestes o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há.
26. Começou, pois, a falar na sinagoga com desassombro. Como Priscila e Áquila o ouvissem, levaram-no consigo, e expuseram-lhe mais profundamente o caminho do Senhor.
+
'''25.''' Vós que, pelo Espírito Santo, pela boca de nosso pai Davi, vosso servo, dissestes: Por que se agitam as nações, e imaginam os povos coisas vãs?
27. Como ele quisesse ir à Acaia, os irmãos animaram-no e escreveram aos discípulos que o recebessem bem. A sua presença (em Corinto) foi, pela graça de Deus, de muito proveito para os que haviam crido,
+
'''26.''' Levantam-se os reis da terra, e os príncipes se reúnem em conselho contra o Senhor e contra o seu Cristo (Sl 2,1s.).
28. pois com grande veemência refutava publicamente os judeus, provando, pelas Escrituras, que Jesus era o Messias.
+
'''27.''' Pois na verdade se uniram nesta cidade contra o vosso santo servo Jesus, que ungistes, Herodes e Pôncio Pilatos com as nações e com o povo de Israel,
 +
'''28.''' para executarem o que a vossa mão e o vosso conselho predeterminaram que se fizesse.
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'''29.''' Agora, pois, Senhor, olhai para as suas ameaças e concedei aos vossos servos que com todo o desassombro anunciem a vossa palavra.
 +
'''30.''' Estendei a vossa mão para que se realizem curas, milagres e prodígios pelo nome de Jesus, vosso santo servo!
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'''31.''' Mal acabavam de rezar, tremeu o lugar onde estavam reunidos. E todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciaram com intrepidez a palavra de Deus.
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*<font size="3">'''União dos primeiros fiéis'''</font>
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'''32.''' A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas