Círio de Nazaré

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Originado da palavra latina "cereus", que significa vela grande de cera, o Círio de Nazaré é uma das maiores e mais belas procissões católicas do Brasil e do mundo. Realizado em Belém do Pará há mais de dois séculos, reúne anualmente cerca de dois milhões de romeiros numa caminhada de fé pelas ruas da capital do Estado, num espetáculo grandioso em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré, a mãe de Jesus.


No segundo domingo de outubro, a procissão sai da Catedral de Belém e segue até a Praça Santuário de Nazaré, onde a imagem da Virgem fica exposta para veneração dos fiéis durante 15 dias. O percurso é de 3,6 quilômetros e já chegou a ser percorrido em nove horas e quinze minutos, como ocorreu no ano de 2004, no mais longo Círio de toda a história.


Na procissão, a Berlinda que carrega a imagem da Virgem de Nazaré é seguida por romeiros de Belém, do interior do Estado, de várias regiões do país e até do exterior. Em todo o percurso, os fiéis fazem manifestações de fé, enfeitam ruas e casas em homenagem à Santa. Por sua grandiosidade, o Círio de Belém foi registrado, em setembro de 2004, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial.


Além da procissão de domingo, o Círio agrega várias outras manifestações de devoção, como a trasladação, a romaria fluvial e diversas outras peregrinações e romarias que ocorrem na quadra Nazarena.


História

A devoção a Nossa Senhora de Nazaré teve início em Portugal. A imagem original da Virgem pertencia ao Mosteiro de Caulina, na Espanha, e teria saído da cidade de Nazaré, em Israel, no ano de 361, tendo sido esculpida por São José. Em decorrência de uma batalha, a imagem foi levada para Portugal, onde, por muito tempo, ficou escondida no Pico de São Bartolomeu. Só em 1119, a imagem foi encontrada. A notícia se espalhou e muita gente começou a venerar a Santa. Desde então, muitos milagres foram atribuídos a ela.


No Pará, foi o caboclo Plácido José de Souza quem encontrou, em 1700, às margens do igarapé Murutucú (onde hoje se encontra a Basílica Santuário), uma pequena imagem da Senhora de Nazaré. Após o achado, Plácido teria levado a imagem para a sua choupana e, no outro dia, ela não estaria mais lá. Correu ao local do encontro e lá estava a “Santinha”. O fato teria se repetido várias vezes até a imagem ser enviada ao Palácio do Governo. No local do achado, Plácido construiu uma pequena capela.


Em 1792, o Vaticano autorizou a realização de uma procissão em homenagem à Virgem de Nazaré, em Belém do Pará. Organizado pelo presidente da Província do Pará, capitão-mor Dom Francisco de Souza Coutinho, o primeiro Círio foi realizado no dia 8 de setembro de 1793. No início, não havia data fixa para o Círio, que poderia ocorrer nos meses de setembro, outubro ou novembro. Mas, a partir de 1901, por determinação do bispo Dom Francisco do Rêgo Maia, a procissão passou a ser realizada sempre no segundo domingo de outubro.


Tradicionalmente, a imagem é levada da Catedral de Belém à Basílica Santuário. Ao longo dos anos, houve adaptações. Uma delas ocorreu em 1853, quando, por conta de uma chuva torrencial, a procissão – que ocorria à tarde – passou a ser realizada pela manhã.


Basília de Nossa Senhora de Nazaré

Situada no bairro de Nazaré, em Belém, a igreja foi construída pelos padres Barnabitas, no início do Século XX, com a ajuda do povo do Pará. Foi inspirada na Basílica de São Paulo, em Roma, e tem 20 metros de altura, 24 de largura e 62 metros de comprimento. Seu interior é de mármore, tem belo forro de madeira confeccionado por artistas paraenses e destaca-se a beleza dos vitrais, que se referem a momentos bíblicos e à história da devoção à Virgem de Nazaré.


Na fachada, um painel em mosaico mostra a Virgem de Nazaré como Rainha da Amazônia, num cenário regional onde estão índios, negros, Jesuítas, Capuchinhos, e, também, as figuras de Pedro Álvares Cabral, Castelo Branco (fundador da cidade de Belém), Dom Bartolomeu (primeiro Bispo de Belém), o caboclo Plácido, Dionísio Ausier Bentes (governador à época da inauguração) e uma família de operários, entre outros personagens. No centro de convergência de todas as linhas arquitetônicas está o “Glória”, onde fica a imagem autêntica de Nossa Senhora de Nazaré.


A pedra fundamental foi colocada em 1909, por Dom Santino Coutino, arcebispo do Pará. Quatorze anos depois, o templo recebeu de Roma o título de Basílica. Em 1992, a igreja foi colocada entre as mais belas construções tombadas pelo Patrimônio Histórico do Estado do Pará, sendo elevada à condição de Santuário no dia 31 de maio de 2006.


A Basílica Santuário tem o conjunto de sinos mais antigo e completo do Brasil. Os sinos, que datam de 1966, foram os primeiros eletrificados do país. Eles são capazes de executar concertos, como os cantos sacros Ave Maria de Lourdes, Ave Maria de Fátima, Madona Marne, Cristo Vence, Eia Povo Devoto, Fiéis Acorramos, Noite Feliz, Fazei de Hosana e Vinde Cristãos.