Personalidade

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Personalidade é a organização dinâmica dos traços no interior do eu, formados a partir dos genes particulares que herdamos, das exigências singulares que experimentamos e das percepções individuais que temos do mundo, capazes de tornar cada indivíduo único em sua maneira de ser, de sentir e de desempenhar o seu papel social.

São quatro os fatores apontados pelos antropólogos como determinantes da personalidade de um indivíduo:

  • características biológicas e genéticas dos sitemas neurofisiológico e endocrinológico;
  • características do ambiente natural em que o indivíduo vive;
  • cultura da qual o indivíduo participa;
  • experiências biológicas e psicossocial únicas ou a história de vida do indivíduo.

Maturidade

Vem da palavra latina Maturus, vem de Mane, que quer dizer "de manhã cedo", aquele que se levanta cedo para fazer algo, que está preparado para tudo o que possa acontecer. Refere-se ao que chegou a um ponto do qual podemos nos beneficiar.

Maturidade Humana

Pode-se dizer que ela se manifesta, sobretudo, numa estabilidade de ânimo, na capacidade de tomar decisões ponderadas e no modo reto de julgar os acontecimentos e os homens (Concílio Vaticano II, Decreto Optatam totius, II).

é importante ressaltar que o processo de maturidade humana não é fruto de um desenrolar cronológico simplesmente.

Portanto, a maturidade é um processo contínuo, e para uma melhor compreensão, pode ser dividida em três etapas:

* 1ª etapa:0 a 14 anos - Etapa do EU - ocorre aqui uma demanda por receber, existindo uma necessidade de receber, sendo necessária uma correta vivência da autoridade, limites, orientação e coisas semelhantes.

* 2ª etapa: 15 a 40 anos - Etapa do NÓS - ocorre aqui uma demanda docompartilhar, até atingir NÓS.

* 3ª etapa: 40 a 70 anos - Etapa do DAR - ocorre aqui a demanda por dar, até atingir a consumação da identidade.

O processo de amadurecimento pode ser considerado uma "virada" nos âmbitos dos interesses pessoais até alcançar os interesses coletivos, trata-se de uma mudança progressiva, a saída da centralidade do EU em direção ao mundo externo. O ser humano torna-se verdadeiramente humano quando se dimensiona em função do que existe fora dele.

Uma personalidade madura parte do princípio de guiar-se por um sentido comum.

Traços de comportamento maduro

Domínio sobre a afetividade

  • Permite aproveitar a riqueza da afetividade sem se estar submisso a ela.

Prevalência do amor oblativo

  • Amor que se dá aos outros, num processo dinâmico e habitual de integração interpessoal.

Capacidade de autoreflexão, autoanálise e autocrítica

  • Dinamismo de aperfeiçoamento e crescimento pessoal.

Sentido de responsabilidade

  • Leva a não agir sem refletir sobre as finalidades e os efeitos da sua ação.

Capacidade de adaptação das diversas circustâncias da vida Capacidade de estabelecer compromissos

Domínio sobre a afetividade

O adulto que consegue ter controle funcional e efetivo da sua afetividade apresenta-se como um ser humano que:

  • Atua orientado por propósitos bem pensados; finalidades e objetivos bem pensados e claros, assumidos conscientemente: não hesita em pedir ajuda e orientação, mas, ao mesmo tempo, determina-se de maneira autônoma.
  • Persevera durante muito tempo, enquanto for necessária a ação para atingir a finalidade proposta.
  • Supera sua afetividade espontânea; supera repugnâncias e atrações; sabe analisar os fatos e as pessoas de maneira mais profunda; nos conflitos com as outras pessoas, sabe aguentar e superar situações.
  • Hierarquiza valores, colocando em primeiro lugar aqueles que o projetam para fora de si em direção ao "outro" e, em último lugar, aqueles que se referem diretamente a ele próprio.

Prevalência do amor ablativo

Oblatividade, do latim oblatus, que significa oferenda. Portanto, entendemos aqui


  • O primeiro sinal, início do processo de amadurecimento pessoal, é o começo da autorreflexão, da autoanálise e da autocrítica. Esta atitude é gerada pela consciência de nossa possibilidade de errar e da sincera aceitação da crítica que os outros fazem de nós. Porém, para que a crítica seja objetiva e construtiva, deverá respeitar duas condições inprescindíveis:

– Em primeiro lugar, um reconhecimento sincero dos aspectos positivos da pessoa ou do fato em avaliação. Sempre existem aspectos positivos. Não descobri-los é sinal de imaturidade. Quem não os descobre ou não os quer reconhecer não está preparado para uma crítica madura.

– Uma segunda condição: não julgar as intenções (evitando o mecanismo de projeção das próprias). O terreno da intencionalidade é o mais oculto e íntimo do ser humano.

Podemos afirmar que a característica de uma crítica ou autocrítica madura é o dinamismo e o entusiasmo para melhorar e crescer: o otimismo construtivo e craidor. Assim, tal tipo de crítica é sempre um estímulo para as pessoas maduras.

Se eu "afundo", se me magoo em excesso, se fico "ferido" quando me criticam, certamente será:

  • ou porque psicologicamente não sou maduro;
  • ou porque a crítica não foi objetiva e construtiva.

Isso sempre acontece quando interpretamos as intenções dos outros ou os outros interpretam as nossas.

Sentido de responsabilidade

A pessoa madura, psicologicamente adulta, está consciente das motivações legítimas do seu agir. Consequentemente, será capaz de justificar, perante os outros, a sua busca de coerência entre as finalidades e os efeitos da ação.

O "sentido de responsabilidade" é fruto da vivência.Somente vivendo responsavelmente é possível, algum dia, ter verdadeiro sentido de responsabilidade. trata-se de um processo gradual e progressivo de educação autoconsciente.

O sentido de responsabilidade define e identifica um processo dinâmico que procura fazer com que nossa atividade vital seja a mais consciente possível. Consequentemente, o dulto responsável:

  • é eficaz no seu agir, consegue normalmente alcançar as finalidades;
  • é ráido, evitando a moleza e a acomodação;
  • é constante, perseverante, não desanima ante os obstáculos previstos ou imprevistos;

esforçar-se por agir o mais perfeito possível, rejeitando os "jeitinhos";

  • responsabiliza-se também, quando preciso, pelos que vão colaborar com ele na tarefa decidida.

O homem que foge das responsabilidades, que não se arrisca conscientemente quando preciso, que não ssume, não se compromete, tem traços de maturidade como o de um criança.

É fundamental caracterizar a legitimidade da causa e a motivação do agir maduro da pessoa adulta e responsável. Para que uma causa seja considerada legítima, seus objetivos e finalidades deverão:

  • estar fundamentados na verdade;
  • o fruto da ação deverá ser um bem para as outras pessoas ou para a sociedade em geral;
  • a ação, mesmo produzindo um bem, não poderá prejudicar ninguém. Exemplo: eu não poderia crescer, subir profissionalmente, pisando ou destruindo o outro.

Nem sempre é fácil nos conscientizar da legitimidade das causas e objetos do nosso agir. Existem meios que podem nos ajudar: oração diária com autoreflexão ou exame de consciência, reflexão e partilha em grupo ou comunidade, aconselhamento e orientação de pessoas maduras.