Mudanças entre as edições de "Semana Santa"

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[[Imagem:Paixão_de_cristo.JPG|right|300px|thumb|Durante a Semana Santa, a Igreja celebra os mistérios da reconciliação realizados pelo Senhor Jesus nos ultimos dias da sua vida terrena]]
 
== Definição ==
 
== Definição ==
  
A Semana Santa é um período religioso do Cristianismo e do Judaísmo que celebra a subida de Jesus Cristo ao Monte das Oliveiras, a sua crucificação e a sua ressurreição.
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A Semana Santa, também conhecida como "Grande Semana", ou "Semana Maior", é a última semana da [[Quaresma]], que é o tempo de preparação para a celebração do Mistério Pascal, paixão, morte e ressurreição, de [[Jesus Cristo]]. A Semana Santa tem início com a celebração do Domingo de Ramos e termina com a celebração da Santa Missa Crismal, também conhecida como Missa dos Santos Óleos. Toda a riqueza de símbolos e profundidade teológica na liturgia da Semana Santa prepara os fiéis para viver o Mistério Pascal de Cristo, que é celebrado no "Tríduo Pascal", do qual fazem parte a Santa Missa da Ceia do Senhor, na Quinta-feira, as funções da Sexta-feira da Paixão, o Sábado Santo, a Vigília Pascal, segundo [[Santo Agostinho]] a mãe de todas as vigílias, e o Domingo de [[Páscoa]], ou da Ressurreição. Toda a Quaresma, da qual faz parte a Semana Santa, tem como finalidade a preparação para a celebração da Páscoa do Senhor, do Domingo da Ressurreição de Jesus Cristo, que se estende por todo o Tempo Pascal e termina com a Celebração da Solenidade de [[Pentecostes]]. Estes cinquenta dias, desde a Domingo da Ressurreição, até o Pentecostes, também conhecidos como Quinquagésima Pascal, são comemorados como um único dia de celebração da Páscoa do Senhor Jesus Cristo.
No século IV, algumas comunidades cristãs passaram a vivenciar a paixão, a morte e a ressurreição, o que exigia três dias de celebração, consagrados à lembrança dos últimos dias da vida terrena de Cristo. Jerusalém, por ter sido o local desses acontecimentos, é que deu início a essa tradição seguida pelas demais igrejas. Assim a sexta-feira comemora especialmente a morte de Jesus Cristo, o sábado era o dia de luto e o domingo era a festa da ressurreição.
 
  
 
== Origem da Semana Santa ==
 
== Origem da Semana Santa ==
  
A primeira celebração da Semana Santa foi em 1.682 pelos cristãos. Ela é uma das conclusões do Concílio de Nicéia, regido pelo Papa Silvestre I e patrocinado pelo imperador Constantino, em 325 d.C, que determinou a doutrina da Igreja Católica, transformada em religião oficial do Império Romano. Desde então, festejam-se em oito dias a paixão, morte e ressurreição de Cristo.
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Nos primórdios da Igreja, a primeira preparação para o "Tríduo Pascal", que hoje é a Semana Santa, provavelmente tenha consistido em celebrar a Paixão de Cristo a partir do domingo que a precede, o Domingo da Paixão, que hoje é o Domingo de Ramos. Esta tradição verificou-se na Igreja de Alexandria já no século III. Posteriormente, o Domingo da Paixão ''in palmis'', ou Domingo de Ramos, passou a ser celebrado a partir de um costume popular do século V, em Jerusalém. Na tarde do domingo acontecia uma procissão solene para comemorar a entrada de Jesus na Cidade Eterna. A celebração do Domingo de Ramos já estava presente no sacramentário gregoriano (século VI-VII). A partir da celebração do Domingo de Ramos, até o Sábado Santo, toda a Igreja vive a Semana Santa, que tem como centro o Mistério Pascal de Jesus Cristo.
 
 
Um decreto papal estabeleceu o Domingo da Ressurreição como a data mais importante do ano eclesiástico. Ele é celebrado sempre no domingo seguinte à primeira lua cheia da primavera no Hemisfério Norte e do outono no Hemisfério Sul.
 
  
 
== A Semana Santa ==
 
== A Semana Santa ==
  
=== Domingo de Ramos - Entrada de Jesus em Jerusalém ===
 
 
A comemoração da entrada do Senhor em Jerusalém, com a bênção e a procissão dos ramos, supõe a proclamação do Evangelho, que dá sentido ao ato litúrgico (Mt 21,1-11). O louvor público é o reconhecimento messiânico da pessoa de Jesus (v.9), pela explicação bíblica, mais fácil, da relação do Messias com a dinastia davídica. De fato, a saudação messiânica Hosana ao Filho de Davi (v.9a), no ato de bendizer o que vem em nome do Senhor (v.9b), é a confirmação do oráculo de Natã (2Sm 7,16), através do qual o povo espera e reconhece a chegada daquele descendente privilegiado, cujo trono seria estável ou permanente. Entretanto, Jesus parece preferir servir-se de outros textos escriturísticos para se deixar reconhecer como Messias. Ao querer montar no jumento para entrar na cidade (vv.2-3), assume a missão messiânica, descrita por Zacarias: Dizei à Filha de Sião: eis que o teu rei vem a ti, manso e montado em um jumento, em um jumentinho, filho de uma jumenta (v.5; cf. Zc 9,9-10).
 
Este ato contraditório se explica pelo messianismo anti-messiânico, ligado à pregação e irrupção do Reino, que contraria os interesses dos poderosos. Rejeitando-se o Messias, sua pessoa e sua mensagem, rejeita-se também o Reino que veio instaurar através dos meios pobres, mas eficazes, que escolhera. A cruz e a morte se colocam, então, no horizonte desta recusa do projeto messiânico: o caminho do amor que se doa a Deus e aos homens, em prol da justiça e da paz, através da mansidão e da humildade.
 
  
=== Quarta Feira Santa - Procissão do Encontro: Nosso Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores ===
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=== Domingo de Ramos (Domingo da Paixão) - início da Semana Santa ===
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[[Imagem:Jesus_ramos.jpg|thumb|left|Domingo de Ramos|180px]]O Domingo da Paixão, que no Novo Missal Romano passou a chamar-se Domingo de Ramos por causa da procissão de entrada, que recorda a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, é a abertura solene da Semana Santa. A partir desta celebração, escutaremos o relato da Paixão segundo variados textos da Sagrada Escritura. A finalidade desta celebração é a preparação imediata para a Páscoa, por isso, no Domingo de Ramos se proclama o Evangelho da paixão de Jesus Cristo. De acordo com a tradição, na Semana Santa proclama-se os textos referentes ao mistério pascal de Cristo, conectando essas celebrações com a Sexta-feira da Paixão.
  
Dentro da Semana Santa, também chamada de “A Grande Semana”, em muitas paróquias, especialmente no interior, realiza-se a famosa “Procissão do Encontro” entre: o Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores.
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=== Quarta-feira Santa - Procissão do Encontro de Nosso Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores ===
  
Os homens saem de uma igreja com a imagem de Nosso Senhor dos Passos e as mulheres saem de outra igreja com Nossa Senhora das Dores. Acontece então o doloroso encontro entre a Mãe e o Filho. O padre, então, proclama o célebre Sermão das Sete Palavras, que na verdade são sete frases:
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[[Imagem:Dor_5.jpg|thumb|right|220px]]Na Semana Santa, em muitas [[Paróquia|paróquias]], realiza-se na Quarta-feira Santa a “'''Procissão do Encontro'''” entre: o Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores. Trata-se de uma devoção popular que muito valorizada pelos fiéis, especialmente nas cidades do interior. Os homens saem de uma [[igreja]] com a imagem de Nosso Senhor dos Passos e as mulheres de outra igreja com a imagem de Nossa Senhora das Dores. Acontece então o doloroso encontro entre a Mãe e o Filho. O [[padre]], então, proclama o Sermão das Sete Palavras, rito no qual são lembradas as sete últimas palavras de Jesus, no Calvário:
  
1. Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem. (Lc 23,34 a);
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* 1. Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem. (Lc 23,34a);
2. Hoje estarás comigo no paraíso. (Lc 23,43);
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* 2. Hoje estarás comigo no paraíso. (Lc 23,43);
3. Mulher eis aí o teu filho, filho eis aí a tua mãe. (Jo 19,26-27);
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* 3. Mulher eis aí o teu filho, filho eis aí a tua mãe. (Jo 19,26-27);
4. Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonastes?! (Mc 15,34);
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* 4. Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonastes?! (Mc 15,34);
5. Tenho sede. (Jo 19,28 b);
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* 5. Tenho sede. (Jo 19,28 b);
6. Tudo está consumado. (Jo 19,30 a);
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* 6. Tudo está consumado. (Jo 19,30 a);
7. Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito. (Lc 23,46 b).
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* 7. Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito. (Lc 23,46 b).
  
O sacerdote, diante das imagens, faz uma reflexão com estas frases, chamando o povo à conversão e à penitência. O silêncio é grande, já que a imagem de Nosso Senhor dos Passos mostra-o com a cruz às costas. É tudo isso que vivemos neste tempo de profunda reflexão. Nossa fé é pascal, passa pelo sofrimento, morte e ressurreição do Senhor.
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O [[sacerdote]], diante das imagens de Jesus Cristo e da Virgem Maria, faz uma reflexão com estas passagens bíblicas, chamando o povo à conversão e à [[penitência]]. Entre as reflexões, há momentos de grande silêncio, em contemplação à imagem de Nosso Senhor dos Passos com a [[cruz]] às costas e a de Nossa Senhora das Dores, que compartilha as dores do seu Filho.
  
 
=== Quinta Feira Santa ===
 
=== Quinta Feira Santa ===
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[[Imagem:Ceia1.jpg||left|thumb|Ultima Ceia]]
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==== ''Santa Missa Crismal (Santos Óleos) - fim da Semana Santa'' ====
  
==== Benção dos Santos Óleos ====
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Na Quinta-feira Santa, celebra-se em todas as dioceses a Santa Missa Crismal, ou Missa dos [[Santos Óleos]]. Nesta celebração, óleo de oliva misturado com perfume (bálsamo) é consagrado pelo [[Bispo]] para ser usado nas celebrações do [[Batismo]], [[Crisma]], [[Unção dos Enfermos]] e Ordenação.
 
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* '''Óleo do Crisma''' - Mistura de óleo]] e perfume, significando plenitude do [[Espírito Santo]], revelando que o cristão deve irradiar "o bom perfume de Cristo". É usado no [[sacramento]] do Batismo, depois da imersão nas águas do batismo, o batizado é ungido na fronte, no sacramento da Confirmação (Crisma) quando o cristão é confirmado na graça e no dom do [[Espírito Santo]], para viver como adulto na fé. Este óleo é usado também no [[sacramento]] da Ordem, para ungir os "escolhidos" que anunciarão da Palavra de [[Deus]], conduzindo e santificando o povo através do ministério dos sacramentos. A cor que representa esse óleo é o branco ouro.
Na Quinta-feira Santa, óleo de oliva misturado com perfume (bálsamo) é consagrado pelo Bispo para ser usado nas celebrações do Batismo, Crisma, Unção dos Enfermos e Ordenação.
 
Óleo do Crisma - Uma mistura de óleo e bálsamo, significando plenitude do Espírito Santo, revelando que o cristão deve irradiar "o bom perfume de Cristo". É usado no sacramento da Confirmação (Crisma) quando o cristão é confirmado na graça e no dom do Espírito Santo, para viver como adulto na fé. Este óleo é usado também no sacramento do sacerdócio, para ungir os "escolhidos" que irão trabalhar no anúncio da Palavra de Deus, conduzindo o povo e santificando-o no ministério dos sacramentos. A cor que representa esse óleo é o branco ouro.
 
 
 
Óleo dos Catecúmenos - Catecúmenos são os que se preparam para receber o Batismo, sejam adultos ou crianças, antes do rito da água. Este óleo significa a libertação do mal, a força de Deus que penetra no catecúmeno, o liberta e prepara para o nascimento pela água e pelo Espírito. Sua cor é vermelha.
 
  
Óleo dos Enfermos - É usado no sacramento dos enfermos, conhecido erroneamente como "extrema-unção". Este óleo significa a força do Espírito de Deus para a provação da doença, para o fortalecimento da pessoa para enfrentar a dor e, inclusive a morte, se for vontade de Deus. Sua cor é roxa.
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* '''Óleo dos Catecúmenos''' - Catecúmenos são os fiéis que se preparam para receber o [[Batismo]], sejam adultos ou crianças, antes do rito da efusão da da imersão na água. Este óleo significa e realiza a libertação do mal. A força de Deus, que penetra no catecúmeno, o liberta e prepara para o nascimento pela água e pelo [[Espírito Santo|Espírito]]. A cor que o representa é vermelha.
  
==== Instituição da Eucaristia ====
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* '''Óleo dos Enfermos''' - Usado no [[sacramento]] dos enfermos, conhecido erroneamente como "'''extrema-unção'''". Este óleo significa e realiza a ação da força do Espírito de [[Deus]] na provação da doença, para o fortalecimento da pessoa para enfrentar os sofrimentos. Além do fortalecimento espiritual, a unção dos enfermos é um sacramento de cura do corpo, não somente para doentes terminais, mas para as pessoas que sofrem com enfermidades, que vão passar por cirurgias ou que estão se recuperando destas. O Óleo dos Enfermos é representado pela cor roxa.
  
Na véspera da festa da Páscoa, como Jesus sabia que havia chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim (Jo 12, 1).
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==== ''Missa da Ceia do Senhor - início do Tríduo Pascal'' ====
Caía a noite sobre o mundo, porque os velhos ritos, os antigos sinais da misericórdia infinita de Deus para com a humanidade iam realizar-se plenamente, abrindo caminho a um verdadeiro amanhecer: a nova Páscoa. A Eucaristia foi instituída durante a noite, preparando antecipadamente a manhã da Ressurreição. Jesus ficou na Eucaristia por amor..., por ti.
 
  
==== Ceia do Senhor (Lava-pés) ====
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Nas vésperas da Sexta-feira da Paixão, na Quinta-feira Santa tem início o Tríduo pascal, com a celebração da Missa da Ceia do Senhor. Nesta celebração, vivemos o momento sacramental deste mistério, atualiza-se, torna-se presente a realidade pascal ao longo de todos os séculos. No rito da Ceia do Senhor, que Jesus mandou celebrar em sua memória, Ele nos ofereceu o sacrifício pascal. Esta celebração litúrgica não é primitiva, talvez porque a tradição antiga tenha posto a instituição da Eucaristia e o início da Paixão na Terça e na Quarta-feiras Santas. Somente a partir dos séculos IV e V passou-se a celebrar a Ceia do Senhor na Quinta-feira Santa. O rito do "[[lava-pés]]", que anteriormente era complementar, com a atual reforma passa a fazer parte da celebração da Ceia do Senhor, depois da proclamação do Evangelho e da homilia. Este rito ajuda a compreender a importância do mandamento do amor para os cristãos.
  
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Depois da celebração da Missa da Ceia do Senhor, o altar é desnudado. A desnudação do altar é um rito prático, com a finalidade de tirar da igreja todas as manifestações de alegria e de festa, como manifestação de um grande e respeitoso silêncio pela paixão e morte de Jesus. O rito atual é realizado de modo muito simples, após a Santa Missa, em silêncio e sem a participação da assembléia. As orientações do Missal Romano pedem que sejam retiradas as toalhas do altar e, se possível, as cruzes. O significado é o silêncio respeitoso da Igreja que faz memória de Jesus que sofre a Paixão e sua morte de Jesus, por isso, despoja-se de tudo o que possa manifestar festa.
  
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=== [[Paixão de Cristo|Sexta Feira da Paixão]] ===
  
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[[Imagem:Cristo_crucificado2.jpg|right|thumb|Paixão de Cristo|120px]]
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A Sexta-feira Santa não é dia de pranto e de luto, mas de silenciosa e amorosa contemplação do sacrifício cruento, com derramamento de sangue, de Jesus Cristo, fonte de nossa salvação. Nela a Igreja celebra a morte vitoriosa de Jesus Cristo sobre a morte. O elemento fundamental e universal da liturgia deste dia é a proclamação da Palavra de Deus, visto que a Igreja, por antiquíssima tradição, não celebra a Eucaristia neste dia. O rito da celebração da Paixão do Senhor é composto de três partes: a liturgia da Palavra, a adoração da Cruz e a comunhão eucarística.
  
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=== ''Sábado Santo'' ===
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O Sábado Santo foi sempre, pelo menos desde o século II, dia de jejum pleno e alitúrgico, no qual não é celebrada a Eucaristia. Nesse dia, venera-se o repouso de Jesus no sepulcro, a sua descida aos infernos e o seu misterioso encontro com todos aqueles que esperavam que se abrissem as portas do Céu (cf. 1 Pd 3, 19-20; 4, 6). No Sábado Santo, a Igreja permanece ao lado do sepulcro do Senhor, meditando sua paixão, abstendo-se da Missa até a solene Vigília Pascal, ou espera noturna da ressurreição do Senhor Jesus Cristo.
  
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=== ''Vigília Pascal'' ===
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[[Imagem:Cirio01.gif|thumb|left|Círio Pascoal|120px]]
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A Vigília Pascal é uma das liturgias mais ricas em conteúdo e simbolismo que a Igreja celebra. O núcleo de todo o ano litúrgico, de que nasce qualquer outra celebração, é a Vigília Pascal, que culmina na oferta do sacrifício de Jesus Cristo no altar da Cruz. Segundo antiga tradição da Igreja, esta é uma noite de vigília em honra do Senhor (cf. Ex 12, 42). Os fiéis, como recomenda o Evangelho (cf. Lc 12, 35ss), devem esperar como os servos, com as lamparinas acesas, o retorno do Senhor, para quando Ele chegar os encontre em vigília e os convide a sentar-se à mesa.
  
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=== ''Domingo de Páscoa - fim do Tríduo Pascal'' ===
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A partir dos séculos IV e V surgem os primeiros testemunhos da celebração eucarística do Domingo de Páscoa, ou Domingo da Ressurreição. A liturgia deste dia celebra o acontecimento pascal como dia de Cristo, o Senhor. A liturgia da Palavra contém o querigma pascal e a recordação dos compromissos da vida nova em Jesus ressuscitado, que acentuam o valor da celebração da Pascoa, que faz o fiel entrar, por sua participação, na condição de vida nova em Cristo.
  
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Jesus Cristo comunica ao mundo, pela sua vitória sobre a morte e o pecado e por sua ressurreição, o seu Espírito de vida que muda o coração do homem, Espírito de liberdade que redime a humanidade das raízes mais profundas de suas escravidões, pois redime do pecado. Esta é a verdadeira libertação pascal realizada por Jesus Cristo.
  
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== Veja também ==
  
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* [[Quaresma]]
  
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* [[Páscoa]]
  
  
Sigamos os passos de Jesus, sempre com Maria.
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== Fonte ==
  
http://dicionario.babylon.com/Semana_Santa
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* BORÓBIO, Dionisio (org.). ''A celebração na Igreja III: ritmos e tempos da celebração''. São Paulo: Loyola, 2000.  
  
http://www.brasilescola.com/historia/origem-da-semana-santa.htm
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* TRIACCA, A.M; SARTORE, D. ''Dicionário de Liturgia''. São Paulo: Paulus, 1992.

Edição atual tal como às 08h59min de 14 de abril de 2014

Durante a Semana Santa, a Igreja celebra os mistérios da reconciliação realizados pelo Senhor Jesus nos ultimos dias da sua vida terrena

Definição

A Semana Santa, também conhecida como "Grande Semana", ou "Semana Maior", é a última semana da Quaresma, que é o tempo de preparação para a celebração do Mistério Pascal, paixão, morte e ressurreição, de Jesus Cristo. A Semana Santa tem início com a celebração do Domingo de Ramos e termina com a celebração da Santa Missa Crismal, também conhecida como Missa dos Santos Óleos. Toda a riqueza de símbolos e profundidade teológica na liturgia da Semana Santa prepara os fiéis para viver o Mistério Pascal de Cristo, que é celebrado no "Tríduo Pascal", do qual fazem parte a Santa Missa da Ceia do Senhor, na Quinta-feira, as funções da Sexta-feira da Paixão, o Sábado Santo, a Vigília Pascal, segundo Santo Agostinho a mãe de todas as vigílias, e o Domingo de Páscoa, ou da Ressurreição. Toda a Quaresma, da qual faz parte a Semana Santa, tem como finalidade a preparação para a celebração da Páscoa do Senhor, do Domingo da Ressurreição de Jesus Cristo, que se estende por todo o Tempo Pascal e termina com a Celebração da Solenidade de Pentecostes. Estes cinquenta dias, desde a Domingo da Ressurreição, até o Pentecostes, também conhecidos como Quinquagésima Pascal, são comemorados como um único dia de celebração da Páscoa do Senhor Jesus Cristo.

Origem da Semana Santa

Nos primórdios da Igreja, a primeira preparação para o "Tríduo Pascal", que hoje é a Semana Santa, provavelmente tenha consistido em celebrar a Paixão de Cristo a partir do domingo que a precede, o Domingo da Paixão, que hoje é o Domingo de Ramos. Esta tradição verificou-se na Igreja de Alexandria já no século III. Posteriormente, o Domingo da Paixão in palmis, ou Domingo de Ramos, passou a ser celebrado a partir de um costume popular do século V, em Jerusalém. Na tarde do domingo acontecia uma procissão solene para comemorar a entrada de Jesus na Cidade Eterna. A celebração do Domingo de Ramos já estava presente no sacramentário gregoriano (século VI-VII). A partir da celebração do Domingo de Ramos, até o Sábado Santo, toda a Igreja vive a Semana Santa, que tem como centro o Mistério Pascal de Jesus Cristo.

A Semana Santa

Domingo de Ramos (Domingo da Paixão) - início da Semana Santa

Domingo de Ramos
O Domingo da Paixão, que no Novo Missal Romano passou a chamar-se Domingo de Ramos por causa da procissão de entrada, que recorda a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, é a abertura solene da Semana Santa. A partir desta celebração, escutaremos o relato da Paixão segundo variados textos da Sagrada Escritura. A finalidade desta celebração é a preparação imediata para a Páscoa, por isso, no Domingo de Ramos se proclama o Evangelho da paixão de Jesus Cristo. De acordo com a tradição, na Semana Santa proclama-se os textos referentes ao mistério pascal de Cristo, conectando essas celebrações com a Sexta-feira da Paixão.

Quarta-feira Santa - Procissão do Encontro de Nosso Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores

Dor 5.jpg
Na Semana Santa, em muitas paróquias, realiza-se na Quarta-feira Santa a “Procissão do Encontro” entre: o Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores. Trata-se de uma devoção popular que muito valorizada pelos fiéis, especialmente nas cidades do interior. Os homens saem de uma igreja com a imagem de Nosso Senhor dos Passos e as mulheres de outra igreja com a imagem de Nossa Senhora das Dores. Acontece então o doloroso encontro entre a Mãe e o Filho. O padre, então, proclama o Sermão das Sete Palavras, rito no qual são lembradas as sete últimas palavras de Jesus, no Calvário:
  • 1. Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem. (Lc 23,34a);
  • 2. Hoje estarás comigo no paraíso. (Lc 23,43);
  • 3. Mulher eis aí o teu filho, filho eis aí a tua mãe. (Jo 19,26-27);
  • 4. Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonastes?! (Mc 15,34);
  • 5. Tenho sede. (Jo 19,28 b);
  • 6. Tudo está consumado. (Jo 19,30 a);
  • 7. Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito. (Lc 23,46 b).

O sacerdote, diante das imagens de Jesus Cristo e da Virgem Maria, faz uma reflexão com estas passagens bíblicas, chamando o povo à conversão e à penitência. Entre as reflexões, há momentos de grande silêncio, em contemplação à imagem de Nosso Senhor dos Passos com a cruz às costas e a de Nossa Senhora das Dores, que compartilha as dores do seu Filho.

Quinta Feira Santa

Erro ao criar miniatura: Não foi possível salvar a miniatura no destino
Ultima Ceia

Santa Missa Crismal (Santos Óleos) - fim da Semana Santa

Na Quinta-feira Santa, celebra-se em todas as dioceses a Santa Missa Crismal, ou Missa dos Santos Óleos. Nesta celebração, óleo de oliva misturado com perfume (bálsamo) é consagrado pelo Bispo para ser usado nas celebrações do Batismo, Crisma, Unção dos Enfermos e Ordenação.

  • Óleo do Crisma - Mistura de óleo]] e perfume, significando plenitude do Espírito Santo, revelando que o cristão deve irradiar "o bom perfume de Cristo". É usado no sacramento do Batismo, depois da imersão nas águas do batismo, o batizado é ungido na fronte, no sacramento da Confirmação (Crisma) quando o cristão é confirmado na graça e no dom do Espírito Santo, para viver como adulto na fé. Este óleo é usado também no sacramento da Ordem, para ungir os "escolhidos" que anunciarão da Palavra de Deus, conduzindo e santificando o povo através do ministério dos sacramentos. A cor que representa esse óleo é o branco ouro.
  • Óleo dos Catecúmenos - Catecúmenos são os fiéis que se preparam para receber o Batismo, sejam adultos ou crianças, antes do rito da efusão da da imersão na água. Este óleo significa e realiza a libertação do mal. A força de Deus, que penetra no catecúmeno, o liberta e prepara para o nascimento pela água e pelo Espírito. A cor que o representa é vermelha.
  • Óleo dos Enfermos - Usado no sacramento dos enfermos, conhecido erroneamente como "extrema-unção". Este óleo significa e realiza a ação da força do Espírito de Deus na provação da doença, para o fortalecimento da pessoa para enfrentar os sofrimentos. Além do fortalecimento espiritual, a unção dos enfermos é um sacramento de cura do corpo, não somente para doentes terminais, mas para as pessoas que sofrem com enfermidades, que vão passar por cirurgias ou que estão se recuperando destas. O Óleo dos Enfermos é representado pela cor roxa.

Missa da Ceia do Senhor - início do Tríduo Pascal

Nas vésperas da Sexta-feira da Paixão, na Quinta-feira Santa tem início o Tríduo pascal, com a celebração da Missa da Ceia do Senhor. Nesta celebração, vivemos o momento sacramental deste mistério, atualiza-se, torna-se presente a realidade pascal ao longo de todos os séculos. No rito da Ceia do Senhor, que Jesus mandou celebrar em sua memória, Ele nos ofereceu o sacrifício pascal. Esta celebração litúrgica não é primitiva, talvez porque a tradição antiga tenha posto a instituição da Eucaristia e o início da Paixão na Terça e na Quarta-feiras Santas. Somente a partir dos séculos IV e V passou-se a celebrar a Ceia do Senhor na Quinta-feira Santa. O rito do "lava-pés", que anteriormente era complementar, com a atual reforma passa a fazer parte da celebração da Ceia do Senhor, depois da proclamação do Evangelho e da homilia. Este rito ajuda a compreender a importância do mandamento do amor para os cristãos.

Depois da celebração da Missa da Ceia do Senhor, o altar é desnudado. A desnudação do altar é um rito prático, com a finalidade de tirar da igreja todas as manifestações de alegria e de festa, como manifestação de um grande e respeitoso silêncio pela paixão e morte de Jesus. O rito atual é realizado de modo muito simples, após a Santa Missa, em silêncio e sem a participação da assembléia. As orientações do Missal Romano pedem que sejam retiradas as toalhas do altar e, se possível, as cruzes. O significado é o silêncio respeitoso da Igreja que faz memória de Jesus que sofre a Paixão e sua morte de Jesus, por isso, despoja-se de tudo o que possa manifestar festa.

Sexta Feira da Paixão

Paixão de Cristo

A Sexta-feira Santa não é dia de pranto e de luto, mas de silenciosa e amorosa contemplação do sacrifício cruento, com derramamento de sangue, de Jesus Cristo, fonte de nossa salvação. Nela a Igreja celebra a morte vitoriosa de Jesus Cristo sobre a morte. O elemento fundamental e universal da liturgia deste dia é a proclamação da Palavra de Deus, visto que a Igreja, por antiquíssima tradição, não celebra a Eucaristia neste dia. O rito da celebração da Paixão do Senhor é composto de três partes: a liturgia da Palavra, a adoração da Cruz e a comunhão eucarística.

Sábado Santo

O Sábado Santo foi sempre, pelo menos desde o século II, dia de jejum pleno e alitúrgico, no qual não é celebrada a Eucaristia. Nesse dia, venera-se o repouso de Jesus no sepulcro, a sua descida aos infernos e o seu misterioso encontro com todos aqueles que esperavam que se abrissem as portas do Céu (cf. 1 Pd 3, 19-20; 4, 6). No Sábado Santo, a Igreja permanece ao lado do sepulcro do Senhor, meditando sua paixão, abstendo-se da Missa até a solene Vigília Pascal, ou espera noturna da ressurreição do Senhor Jesus Cristo.

Vigília Pascal

Círio Pascoal

A Vigília Pascal é uma das liturgias mais ricas em conteúdo e simbolismo que a Igreja celebra. O núcleo de todo o ano litúrgico, de que nasce qualquer outra celebração, é a Vigília Pascal, que culmina na oferta do sacrifício de Jesus Cristo no altar da Cruz. Segundo antiga tradição da Igreja, esta é uma noite de vigília em honra do Senhor (cf. Ex 12, 42). Os fiéis, como recomenda o Evangelho (cf. Lc 12, 35ss), devem esperar como os servos, com as lamparinas acesas, o retorno do Senhor, para quando Ele chegar os encontre em vigília e os convide a sentar-se à mesa.

Domingo de Páscoa - fim do Tríduo Pascal

A partir dos séculos IV e V surgem os primeiros testemunhos da celebração eucarística do Domingo de Páscoa, ou Domingo da Ressurreição. A liturgia deste dia celebra o acontecimento pascal como dia de Cristo, o Senhor. A liturgia da Palavra contém o querigma pascal e a recordação dos compromissos da vida nova em Jesus ressuscitado, que acentuam o valor da celebração da Pascoa, que faz o fiel entrar, por sua participação, na condição de vida nova em Cristo.

Jesus Cristo comunica ao mundo, pela sua vitória sobre a morte e o pecado e por sua ressurreição, o seu Espírito de vida que muda o coração do homem, Espírito de liberdade que redime a humanidade das raízes mais profundas de suas escravidões, pois redime do pecado. Esta é a verdadeira libertação pascal realizada por Jesus Cristo.

Veja também


Fonte

  • BORÓBIO, Dionisio (org.). A celebração na Igreja III: ritmos e tempos da celebração. São Paulo: Loyola, 2000.
  • TRIACCA, A.M; SARTORE, D. Dicionário de Liturgia. São Paulo: Paulus, 1992.