Mudanças entre as edições de "Semana Santa"

De Wiki Canção Nova
Ir para: navegação, pesquisa
(Domingo de Ramos - Entrada de Jesus em Jerusalém)
(Fonte)
 
(81 revisões intermediárias por 5 usuários não estão sendo mostradas)
Linha 1: Linha 1:
 +
[[Imagem:Paixão_de_cristo.JPG|right|300px|thumb|Durante a Semana Santa, a Igreja celebra os mistérios da reconciliação realizados pelo Senhor Jesus nos ultimos dias da sua vida terrena]]
 
== Definição ==
 
== Definição ==
  
A Semana Santa é um período [[religioso]] do [[Cristianismo]] e do [[Judaísmo]] que celebra a subida de [[Jesus Cristo]] ao [[Monte das Oliveiras]], a sua [[crucificação]] e a sua [[ressurreição]].
+
A Semana Santa, também conhecida como "Grande Semana", ou "Semana Maior", é a última semana da [[Quaresma]], que é o tempo de preparação para a celebração do Mistério Pascal, paixão, morte e ressurreição, de [[Jesus Cristo]]. A Semana Santa tem início com a celebração do Domingo de Ramos e termina com a celebração da Santa Missa Crismal, também conhecida como Missa dos Santos Óleos. Toda a riqueza de símbolos e profundidade teológica na liturgia da Semana Santa prepara os fiéis para viver o Mistério Pascal de Cristo, que é celebrado no "Tríduo Pascal", do qual fazem parte a Santa Missa da Ceia do Senhor, na Quinta-feira, as funções da Sexta-feira da Paixão, o Sábado Santo, a Vigília Pascal, segundo [[Santo Agostinho]] a mãe de todas as vigílias, e o Domingo de [[Páscoa]], ou da Ressurreição. Toda a Quaresma, da qual faz parte a Semana Santa, tem como finalidade a preparação para a celebração da Páscoa do Senhor, do Domingo da Ressurreição de Jesus Cristo, que se estende por todo o Tempo Pascal e termina com a Celebração da Solenidade de [[Pentecostes]]. Estes cinquenta dias, desde a Domingo da Ressurreição, até o Pentecostes, também conhecidos como Quinquagésima Pascal, são comemorados como um único dia de celebração da Páscoa do Senhor Jesus Cristo.
No século IV, algumas comunidades cristãs passaram a vivenciar a [[paixão]], a morte e a ressurreição, o que exigia três dias de celebração, consagrados à lembrança dos últimos dias da vida terrena de [[Jesus Cristo| Cristo]]. [[Jerusalém]], por ter sido o local desses acontecimentos, é que deu início a essa tradição seguida pelas demais [[Igreja|igrejas]]. Assim a sexta-feira comemora especialmente a morte de [[Jesus Cristo]], o sábado era o dia de luto e o domingo era a festa da ressurreição.
 
  
 
== Origem da Semana Santa ==
 
== Origem da Semana Santa ==
  
A primeira celebração da Semana Santa foi em 1.682 pelos [[cristãos]]. Ela é uma das conclusões do [[Concílio de Nicéia]], regido pelo [[Papa]] [[Silvestre I]] e patrocinado pelo imperador [[Constantino]], em 325 d.C, que determinou a doutrina da [[Igreja]] [[Católica]], transformada em religião oficial do Império [[Roma| Romano]]. Desde então, festejam-se em oito dias a paixão, morte e ressurreição de Cristo.
+
Nos primórdios da Igreja, a primeira preparação para o "Tríduo Pascal", que hoje é a Semana Santa, provavelmente tenha consistido em celebrar a Paixão de Cristo a partir do domingo que a precede, o Domingo da Paixão, que hoje é o Domingo de Ramos. Esta tradição verificou-se na Igreja de Alexandria já no século III. Posteriormente, o Domingo da Paixão ''in palmis'', ou Domingo de Ramos, passou a ser celebrado a partir de um costume popular do século V, em Jerusalém. Na tarde do domingo acontecia uma procissão solene para comemorar a entrada de Jesus na Cidade Eterna. A celebração do Domingo de Ramos já estava presente no sacramentário gregoriano (século VI-VII). A partir da celebração do Domingo de Ramos, até o Sábado Santo, toda a Igreja vive a Semana Santa, que tem como centro o Mistério Pascal de Jesus Cristo.
Um decreto papal estabeleceu o Domingo da Ressurreição como a data mais importante do ano eclesiástico. Ele é celebrado sempre no domingo seguinte à primeira lua cheia da primavera no [[Hemisfério Norte]] e do outono no [[Hemisfério Sul]].
 
  
 
== A Semana Santa ==
 
== A Semana Santa ==
  
=== Domingo de Ramos - Entrada de Jesus em Jerusalém ===
 
  
[[Imagem:Paixão_de_cristo.JPG|right|300px|thumb|Durante a Semana Santa, a Igreja celebra os mistérios da reconciliação realizados pelo Senhor Jesus nos ultimos dias da sua vida terrena]]A comemoração da entrada do Senhor em [[Jerusalém]], com a bênção e a procissão dos ramos, supõe a proclamação do [[Evangelho]], que dá sentido ao ato [[liturgia|litúrgico]] (Mt 21,1-11). O louvor público é o reconhecimento [[messiânico]] da pessoa de Jesus , pela explicação bíblica, mais fácil, da relação do [[Messias]] com a dinastia davídica. De fato, a saudação messiânica Hosana ao Filho de Davi, no ato de bendizer o que vem em nome do Senhor, é a confirmação do [[oráculo]] de [[Natã]], através do qual o povo espera e reconhece a chegada daquele descendente privilegiado, cujo trono seria estável ou permanente. Entretanto, Jesus parece preferir servir-se de outros textos [[escriturísticos]] para se deixar reconhecer como Messias. Ao querer montar no [[jumento]] para entrar na cidade , assume a missão messiânica, descrita por [[Zacarias]]: Dizei à Filha de [[Sião]]: eis que o teu rei vem a ti, manso e montado em um jumento, em um jumentinho, filho de uma jumenta.
+
=== Domingo de Ramos (Domingo da Paixão) - início da Semana Santa ===
Este ato contraditório se explica pelo messianismo [[anti-messiânico]], ligado à pregação e [[irrupção]] do Reino, que contraria os interesses dos poderosos. Rejeitando-se o Messias, sua pessoa e sua mensagem, rejeita-se também o Reino que veio instaurar através dos meios pobres, mas eficazes, que escolhera. A [[cruz]] e a [[morte]] se colocam, então, no horizonte desta recusa do projeto messiânico: o caminho do amor que se doa a [[Deus]] e aos homens, em prol da justiça e da paz, através da mansidão e da humildade.
+
[[Imagem:Jesus_ramos.jpg|thumb|left|Domingo de Ramos|180px]]O Domingo da Paixão, que no Novo Missal Romano passou a chamar-se Domingo de Ramos por causa da procissão de entrada, que recorda a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, é a abertura solene da Semana Santa. A partir desta celebração, escutaremos o relato da Paixão segundo variados textos da Sagrada Escritura. A finalidade desta celebração é a preparação imediata para a Páscoa, por isso, no Domingo de Ramos se proclama o Evangelho da paixão de Jesus Cristo. De acordo com a tradição, na Semana Santa proclama-se os textos referentes ao mistério pascal de Cristo, conectando essas celebrações com a Sexta-feira da Paixão.
  
=== Quarta Feira Santa - Procissão do Encontro de Nosso Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores ===
+
=== Quarta-feira Santa - Procissão do Encontro de Nosso Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores ===
  
Dentro da Semana Santa, também chamada de “'''A Grande Semana'''”, em muitas [[paróquias]], especialmente no interior, realiza-se a famosa “'''Procissão do Encontro'''” entre: o Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores.
+
[[Imagem:Dor_5.jpg|thumb|right|220px]]Na Semana Santa, em muitas [[Paróquia|paróquias]], realiza-se na Quarta-feira Santa a “'''Procissão do Encontro'''” entre: o Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores. Trata-se de uma devoção popular que muito valorizada pelos fiéis, especialmente nas cidades do interior. Os homens saem de uma [[igreja]] com a imagem de Nosso Senhor dos Passos e as mulheres de outra igreja com a imagem de Nossa Senhora das Dores. Acontece então o doloroso encontro entre a Mãe e o Filho. O [[padre]], então, proclama o Sermão das Sete Palavras, rito no qual são lembradas as sete últimas palavras de Jesus, no Calvário:
Os homens saem de uma [[igreja]] com a imagem de [[Nosso Senhor dos Passos]] e as mulheres saem de outra igreja com [[Nossa Senhora das Dores]]. Acontece então o doloroso encontro entre a Mãe e o Filho. O [[padre]], então, proclama o célebre [[Sermão]] das Sete Palavras, que na verdade são sete frases:
 
  
* 1. Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem. (Lc 23,34 a);
+
* 1. Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem. (Lc 23,34a);
 
* 2. Hoje estarás comigo no paraíso. (Lc 23,43);
 
* 2. Hoje estarás comigo no paraíso. (Lc 23,43);
 
* 3. Mulher eis aí o teu filho, filho eis aí a tua mãe. (Jo 19,26-27);
 
* 3. Mulher eis aí o teu filho, filho eis aí a tua mãe. (Jo 19,26-27);
Linha 29: Linha 26:
 
* 7. Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito. (Lc 23,46 b).
 
* 7. Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito. (Lc 23,46 b).
  
O [[sacerdote]], diante das imagens, faz uma reflexão com estas frases, chamando o povo à conversão e à [[penitência]]. O silêncio é grande, já que a imagem de Nosso Senhor dos Passos mostra-o com a [[cruz]] às costas. É tudo isso que vivemos neste tempo de profunda reflexão. Nossa fé é [[páscoa|pascal]], passa pelo sofrimento, morte e ressurreição do Senhor.
+
O [[sacerdote]], diante das imagens de Jesus Cristo e da Virgem Maria, faz uma reflexão com estas passagens bíblicas, chamando o povo à conversão e à [[penitência]]. Entre as reflexões, há momentos de grande silêncio, em contemplação à imagem de Nosso Senhor dos Passos com a [[cruz]] às costas e a de Nossa Senhora das Dores, que compartilha as dores do seu Filho.
  
 
=== Quinta Feira Santa ===
 
=== Quinta Feira Santa ===
 +
[[Imagem:Ceia1.jpg||left|thumb|Ultima Ceia]]
 +
==== ''Santa Missa Crismal (Santos Óleos) - fim da Semana Santa'' ====
  
==== Benção dos Santos Óleos ====
+
Na Quinta-feira Santa, celebra-se em todas as dioceses a Santa Missa Crismal, ou Missa dos [[Santos Óleos]]. Nesta celebração, óleo de oliva misturado com perfume (bálsamo) é consagrado pelo [[Bispo]] para ser usado nas celebrações do [[Batismo]], [[Crisma]], [[Unção dos Enfermos]] e Ordenação.
 +
* '''Óleo do Crisma''' - Mistura de óleo]] e perfume, significando plenitude do [[Espírito Santo]], revelando que o cristão deve irradiar "o bom perfume de Cristo". É usado no [[sacramento]] do Batismo, depois da imersão nas águas do batismo, o batizado é ungido na fronte, no sacramento da Confirmação (Crisma) quando o cristão é confirmado na graça e no dom do [[Espírito Santo]], para viver como adulto na fé. Este óleo é usado também no [[sacramento]] da Ordem, para ungir os "escolhidos" que anunciarão da Palavra de [[Deus]], conduzindo e santificando o povo através do ministério dos sacramentos. A cor que representa esse óleo é o branco ouro.
  
Na Quinta-feira Santa, óleo de oliva misturado com perfume (bálsamo) é consagrado pelo [[Bispo]] para ser usado nas celebrações do [[Batismo]], [[Crisma]], [[Unção dos Enfermos]] e [[Ordenação]].
+
* '''Óleo dos Catecúmenos''' - Catecúmenos são os fiéis que se preparam para receber o [[Batismo]], sejam adultos ou crianças, antes do rito da efusão da da imersão na água. Este óleo significa e realiza a libertação do mal. A força de Deus, que penetra no catecúmeno, o liberta e prepara para o nascimento pela água e pelo [[Espírito Santo|Espírito]]. A cor que o representa é vermelha.
* '''Óleo do Crisma''' - Uma mistura de [[óleo]] e [[bálsamo]], significando plenitude do [[Espírito Santo]], revelando que o cristão deve irradiar "o bom perfume de Cristo". É usado no [[sacramento]] da Confirmação ([[Crisma]]) quando o cristão é confirmado na graça e no dom do [[Espírito Santo]], para viver como adulto na fé. Este óleo é usado também no [[sacramento]] do sacerdócio, para ungir os "escolhidos" que irão trabalhar no anúncio da Palavra de [[Deus]], conduzindo o povo e santificando-o no ministério dos [[sacramentos]]. A cor que representa esse óleo é o branco ouro.
 
  
* '''Óleo dos Catecúmenos''' - Catecúmenos são os que se preparam para receber o [[Batismo]], sejam adultos ou crianças, antes do rito da água. Este óleo significa a libertação do mal, a força de Deus que penetra no catecúmeno, o liberta e prepara para o nascimento pela água e pelo [[Espírito]]. Sua cor é vermelha.
+
* '''Óleo dos Enfermos''' - Usado no [[sacramento]] dos enfermos, conhecido erroneamente como "'''extrema-unção'''". Este óleo significa e realiza a ação da força do Espírito de [[Deus]] na provação da doença, para o fortalecimento da pessoa para enfrentar os sofrimentos. Além do fortalecimento espiritual, a unção dos enfermos é um sacramento de cura do corpo, não somente para doentes terminais, mas para as pessoas que sofrem com enfermidades, que vão passar por cirurgias ou que estão se recuperando destas. O Óleo dos Enfermos é representado pela cor roxa.
  
* '''Óleo dos Enfermos''' - É usado no [[sacramento]] dos enfermos, conhecido erroneamente como "'''extrema-unção'''". Este óleo significa a força do Espírito de [[Deus]] para a provação da doença, para o fortalecimento da pessoa para enfrentar a dor e, inclusive a [[morte]], se for vontade de [[Deus]]. Sua cor é roxa.
+
==== ''Missa da Ceia do Senhor - início do Tríduo Pascal'' ====
  
==== Instituição da Eucaristia ====
+
Nas vésperas da Sexta-feira da Paixão, na Quinta-feira Santa tem início o Tríduo pascal, com a celebração da Missa da Ceia do Senhor. Nesta celebração, vivemos o momento sacramental deste mistério, atualiza-se, torna-se presente a realidade pascal ao longo de todos os séculos. No rito da Ceia do Senhor, que Jesus mandou celebrar em sua memória, Ele nos ofereceu o sacrifício pascal. Esta celebração litúrgica não é primitiva, talvez porque a tradição antiga tenha posto a instituição da Eucaristia e o início da Paixão na Terça e na Quarta-feiras Santas. Somente a partir dos séculos IV e V passou-se a celebrar a Ceia do Senhor na Quinta-feira Santa. O rito do "[[lava-pés]]", que anteriormente era complementar, com a atual reforma passa a fazer parte da celebração da Ceia do Senhor, depois da proclamação do Evangelho e da homilia. Este rito ajuda a compreender a importância do mandamento do amor para os cristãos.
  
Na véspera da festa da [[Páscoa]], como [[Jesus]] sabia que havia chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim (Jo 12, 1).
+
Depois da celebração da Missa da Ceia do Senhor, o altar é desnudado. A desnudação do altar é um rito prático, com a finalidade de tirar da igreja todas as manifestações de alegria e de festa, como manifestação de um grande e respeitoso silêncio pela paixão e morte de Jesus. O rito atual é realizado de modo muito simples, após a Santa Missa, em silêncio e sem a participação da assembléia. As orientações do Missal Romano pedem que sejam retiradas as toalhas do altar e, se possível, as cruzes. O significado é o silêncio respeitoso da Igreja que faz memória de Jesus que sofre a Paixão e sua morte de Jesus, por isso, despoja-se de tudo o que possa manifestar festa.
Caía a noite sobre o mundo, porque os velhos ritos, os antigos sinais da [[misericórdia]]infinita de [[Deus]] para com a [[humanidade]] iam realizar-se plenamente, abrindo caminho a um verdadeiro amanhecer: a nova [[Páscoa]]. A [[Eucaristia]] foi instituída durante a noite, preparando antecipadamente a manhã da [[Ressurreição]]. [[Jesus]] ficou na [[Eucaristia]] por amor..., por ti.
 
  
==== Ceia do Senhor (Lava-pés) ====
+
=== [[Paixão de Cristo|Sexta Feira da Paixão]] ===
  
Um momento solene - No 13º capítulo do seu [[Evangelho]], [[João]] fala sobre Jesus fraco, pequeno, que terminará sendo condenado e morto na [[cruz]] como um [[blasfemador]], um fora da lei ou um criminoso. Até então, [[Jesus]] parecia tão forte, havia feito tantos milagres, curado doentes, ordenado que o mar e o vento se acalmassem e falado com autoridade para os [[escribas]] e os [[fariseus]]. Nós estamos frente a um [[Deus]] que se torna pequeno e pobre, que desce na escala da promoção humana, que escolhe o último, que assume o lugar de [[servo]] ou [[escravo]]. De acordo com a tradição judia, o escravo lavava os pés do senhor, e algumas vezes as esposas lavavam os pés do marido ou os filhos lavavam os do pai.
+
[[Imagem:Cristo_crucificado2.jpg|right|thumb|Paixão de Cristo|120px]]
 +
A Sexta-feira Santa não é dia de pranto e de luto, mas de silenciosa e amorosa contemplação do sacrifício cruento, com derramamento de sangue, de Jesus Cristo, fonte de nossa salvação. Nela a Igreja celebra a morte vitoriosa de Jesus Cristo sobre a morte. O elemento fundamental e universal da liturgia deste dia é a proclamação da Palavra de Deus, visto que a Igreja, por antiquíssima tradição, não celebra a Eucaristia neste dia. O rito da celebração da Paixão do Senhor é composto de três partes: a liturgia da Palavra, a adoração da Cruz e a comunhão eucarística.
  
==== Desnudação do Altar ====
+
=== ''Sábado Santo'' ===
 +
O Sábado Santo foi sempre, pelo menos desde o século II, dia de jejum pleno e alitúrgico, no qual não é celebrada a Eucaristia. Nesse dia, venera-se o repouso de Jesus no sepulcro, a sua descida aos infernos e o seu misterioso encontro com todos aqueles que esperavam que se abrissem as portas do Céu (cf. 1 Pd 3, 19-20; 4, 6). No Sábado Santo, a Igreja permanece ao lado do sepulcro do Senhor, meditando sua paixão, abstendo-se da Missa até a solene Vigília Pascal, ou espera noturna da ressurreição do Senhor Jesus Cristo.
  
A desnudação do altar hoje, é um rito prático, com a finalidade de tirar da [[igreja]] todas as manifestações de alegria e de festa, como manifestação de um grande e respeitoso silêncio pela [[Paixão]] e [[Morte]] de [[Jesus]]. O rito atual é realizado de modo muito simples, após a missa. Feito em silêncio e sem a participação da [[assembléia]]. As orientações do [[Missal]] Romano pedem que sejam retiradas as toalhas do altar e, se possível, as [[cruz|cruzes]] da [[igreja]]. O significado é o silêncio respeitoso da Igreja que faz memória de [[Jesus]] que sofre a Paixão e sua [[morte]] de [[Jesus]], por isso, despoja-se de tudo o que possa manifestar festa.
+
=== ''Vigília Pascal'' ===
 +
[[Imagem:Cirio01.gif|thumb|left|Círio Pascoal|120px]]
 +
A Vigília Pascal é uma das liturgias mais ricas em conteúdo e simbolismo que a Igreja celebra. O núcleo de todo o ano litúrgico, de que nasce qualquer outra celebração, é a Vigília Pascal, que culmina na oferta do sacrifício de Jesus Cristo no altar da Cruz. Segundo antiga tradição da Igreja, esta é uma noite de vigília em honra do Senhor (cf. Ex 12, 42). Os fiéis, como recomenda o Evangelho (cf. Lc 12, 35ss), devem esperar como os servos, com as lamparinas acesas, o retorno do Senhor, para quando Ele chegar os encontre em vigília e os convide a sentar-se à mesa.
  
=== Sexta Feira da Paixão ===
+
=== ''Domingo de Páscoa - fim do Tríduo Pascal'' ===
 +
A partir dos séculos IV e V surgem os primeiros testemunhos da celebração eucarística do Domingo de Páscoa, ou Domingo da Ressurreição. A liturgia deste dia celebra o acontecimento pascal como dia de Cristo, o Senhor. A liturgia da Palavra contém o querigma pascal e a recordação dos compromissos da vida nova em Jesus ressuscitado, que acentuam o valor da celebração da Pascoa, que faz o fiel entrar, por sua participação, na condição de vida nova em Cristo.
  
"Chegado ao meio-dia, houve trevas por toda a terra, até às três da tarde. Às três horas, Jesus exclamou em alta voz: "Eloì, Eloì, lema sabactàni?" que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste? (...)Soltando um grande brado, Jesus expirou. (...)Ao vê-Lo expirar daquela maneira,
+
Jesus Cristo comunica ao mundo, pela sua vitória sobre a morte e o pecado e por sua ressurreição, o seu Espírito de vida que muda o coração do homem, Espírito de liberdade que redime a humanidade das raízes mais profundas de suas escravidões, pois redime do pecado. Esta é a verdadeira libertação pascal realizada por Jesus Cristo.
o centurião, que se encontrava em frente d'Ele, exclamou: "Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus". Jesus, pregado na Cruz, imobilizado nesta terrível posição, invoca o Pai (cf. Mc 15, 34; Mt 27, 46; Lc 23, 46). Todas as suas invocações testemunham que Ele está unido com o Pai. "Eu e o Pai somos um" (Jo 10, 30); "Quem Me vê, vê o Pai" (Jo 14, 9); "Meu Pai trabalha continuamente e Eu também trabalho" (Jo 5, 17).
 
 
 
=== Sábado Santo ===
 
 
 
Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o [[Rei]] está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque [[Deus]] feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos [[mortos]]. Ele vai antes de tudo à procura de [[Adão]], nosso primeiro pai, [[ovelha]] perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas [[trevas]] e na sombra da morte. [[Deus]] e seu Filho vão ao encontro de [[Adão]] e [[Eva]] cativos, agora libertos dos sofrimentos.
 
Está preparado o trono dos [[querubins]], prontos e a postos os [[mensageiros]], construído o [[leito]] [[nupcial]], preparado o [[banquete]], as [[mansões]] e os [[tabernáculos]] eternos [[adornados]], abertos os tesouros de todos os bens e o meio dos céus preparado para ti desde toda a eternidade".
 
  
 
== Veja também ==
 
== Veja também ==
Linha 70: Linha 67:
  
 
* [[Páscoa]]
 
* [[Páscoa]]
 +
  
 
== Fonte ==
 
== Fonte ==
  
* [http://dicionario.babylon.com/Semana_Santa Dicionário]
+
* BORÓBIO, Dionisio (org.). ''A celebração na Igreja III: ritmos e tempos da celebração''. São Paulo: Loyola, 2000.  
 
 
* [http://www.brasilescola.com/historia/origem-da-semana-santa.htm Brasil Escola]
 
  
* [http://www.auxiliadora.org.br/semanasanta.htm Auxiliadora]
+
* TRIACCA, A.M; SARTORE, D. ''Dicionário de Liturgia''. São Paulo: Paulus, 1992.

Edição atual tal como às 08h59min de 14 de abril de 2014

Durante a Semana Santa, a Igreja celebra os mistérios da reconciliação realizados pelo Senhor Jesus nos ultimos dias da sua vida terrena

Definição

A Semana Santa, também conhecida como "Grande Semana", ou "Semana Maior", é a última semana da Quaresma, que é o tempo de preparação para a celebração do Mistério Pascal, paixão, morte e ressurreição, de Jesus Cristo. A Semana Santa tem início com a celebração do Domingo de Ramos e termina com a celebração da Santa Missa Crismal, também conhecida como Missa dos Santos Óleos. Toda a riqueza de símbolos e profundidade teológica na liturgia da Semana Santa prepara os fiéis para viver o Mistério Pascal de Cristo, que é celebrado no "Tríduo Pascal", do qual fazem parte a Santa Missa da Ceia do Senhor, na Quinta-feira, as funções da Sexta-feira da Paixão, o Sábado Santo, a Vigília Pascal, segundo Santo Agostinho a mãe de todas as vigílias, e o Domingo de Páscoa, ou da Ressurreição. Toda a Quaresma, da qual faz parte a Semana Santa, tem como finalidade a preparação para a celebração da Páscoa do Senhor, do Domingo da Ressurreição de Jesus Cristo, que se estende por todo o Tempo Pascal e termina com a Celebração da Solenidade de Pentecostes. Estes cinquenta dias, desde a Domingo da Ressurreição, até o Pentecostes, também conhecidos como Quinquagésima Pascal, são comemorados como um único dia de celebração da Páscoa do Senhor Jesus Cristo.

Origem da Semana Santa

Nos primórdios da Igreja, a primeira preparação para o "Tríduo Pascal", que hoje é a Semana Santa, provavelmente tenha consistido em celebrar a Paixão de Cristo a partir do domingo que a precede, o Domingo da Paixão, que hoje é o Domingo de Ramos. Esta tradição verificou-se na Igreja de Alexandria já no século III. Posteriormente, o Domingo da Paixão in palmis, ou Domingo de Ramos, passou a ser celebrado a partir de um costume popular do século V, em Jerusalém. Na tarde do domingo acontecia uma procissão solene para comemorar a entrada de Jesus na Cidade Eterna. A celebração do Domingo de Ramos já estava presente no sacramentário gregoriano (século VI-VII). A partir da celebração do Domingo de Ramos, até o Sábado Santo, toda a Igreja vive a Semana Santa, que tem como centro o Mistério Pascal de Jesus Cristo.

A Semana Santa

Domingo de Ramos (Domingo da Paixão) - início da Semana Santa

Domingo de Ramos
O Domingo da Paixão, que no Novo Missal Romano passou a chamar-se Domingo de Ramos por causa da procissão de entrada, que recorda a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, é a abertura solene da Semana Santa. A partir desta celebração, escutaremos o relato da Paixão segundo variados textos da Sagrada Escritura. A finalidade desta celebração é a preparação imediata para a Páscoa, por isso, no Domingo de Ramos se proclama o Evangelho da paixão de Jesus Cristo. De acordo com a tradição, na Semana Santa proclama-se os textos referentes ao mistério pascal de Cristo, conectando essas celebrações com a Sexta-feira da Paixão.

Quarta-feira Santa - Procissão do Encontro de Nosso Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores

Dor 5.jpg
Na Semana Santa, em muitas paróquias, realiza-se na Quarta-feira Santa a “Procissão do Encontro” entre: o Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores. Trata-se de uma devoção popular que muito valorizada pelos fiéis, especialmente nas cidades do interior. Os homens saem de uma igreja com a imagem de Nosso Senhor dos Passos e as mulheres de outra igreja com a imagem de Nossa Senhora das Dores. Acontece então o doloroso encontro entre a Mãe e o Filho. O padre, então, proclama o Sermão das Sete Palavras, rito no qual são lembradas as sete últimas palavras de Jesus, no Calvário:
  • 1. Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem. (Lc 23,34a);
  • 2. Hoje estarás comigo no paraíso. (Lc 23,43);
  • 3. Mulher eis aí o teu filho, filho eis aí a tua mãe. (Jo 19,26-27);
  • 4. Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonastes?! (Mc 15,34);
  • 5. Tenho sede. (Jo 19,28 b);
  • 6. Tudo está consumado. (Jo 19,30 a);
  • 7. Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito. (Lc 23,46 b).

O sacerdote, diante das imagens de Jesus Cristo e da Virgem Maria, faz uma reflexão com estas passagens bíblicas, chamando o povo à conversão e à penitência. Entre as reflexões, há momentos de grande silêncio, em contemplação à imagem de Nosso Senhor dos Passos com a cruz às costas e a de Nossa Senhora das Dores, que compartilha as dores do seu Filho.

Quinta Feira Santa

Erro ao criar miniatura: Não foi possível salvar a miniatura no destino
Ultima Ceia

Santa Missa Crismal (Santos Óleos) - fim da Semana Santa

Na Quinta-feira Santa, celebra-se em todas as dioceses a Santa Missa Crismal, ou Missa dos Santos Óleos. Nesta celebração, óleo de oliva misturado com perfume (bálsamo) é consagrado pelo Bispo para ser usado nas celebrações do Batismo, Crisma, Unção dos Enfermos e Ordenação.

  • Óleo do Crisma - Mistura de óleo]] e perfume, significando plenitude do Espírito Santo, revelando que o cristão deve irradiar "o bom perfume de Cristo". É usado no sacramento do Batismo, depois da imersão nas águas do batismo, o batizado é ungido na fronte, no sacramento da Confirmação (Crisma) quando o cristão é confirmado na graça e no dom do Espírito Santo, para viver como adulto na fé. Este óleo é usado também no sacramento da Ordem, para ungir os "escolhidos" que anunciarão da Palavra de Deus, conduzindo e santificando o povo através do ministério dos sacramentos. A cor que representa esse óleo é o branco ouro.
  • Óleo dos Catecúmenos - Catecúmenos são os fiéis que se preparam para receber o Batismo, sejam adultos ou crianças, antes do rito da efusão da da imersão na água. Este óleo significa e realiza a libertação do mal. A força de Deus, que penetra no catecúmeno, o liberta e prepara para o nascimento pela água e pelo Espírito. A cor que o representa é vermelha.
  • Óleo dos Enfermos - Usado no sacramento dos enfermos, conhecido erroneamente como "extrema-unção". Este óleo significa e realiza a ação da força do Espírito de Deus na provação da doença, para o fortalecimento da pessoa para enfrentar os sofrimentos. Além do fortalecimento espiritual, a unção dos enfermos é um sacramento de cura do corpo, não somente para doentes terminais, mas para as pessoas que sofrem com enfermidades, que vão passar por cirurgias ou que estão se recuperando destas. O Óleo dos Enfermos é representado pela cor roxa.

Missa da Ceia do Senhor - início do Tríduo Pascal

Nas vésperas da Sexta-feira da Paixão, na Quinta-feira Santa tem início o Tríduo pascal, com a celebração da Missa da Ceia do Senhor. Nesta celebração, vivemos o momento sacramental deste mistério, atualiza-se, torna-se presente a realidade pascal ao longo de todos os séculos. No rito da Ceia do Senhor, que Jesus mandou celebrar em sua memória, Ele nos ofereceu o sacrifício pascal. Esta celebração litúrgica não é primitiva, talvez porque a tradição antiga tenha posto a instituição da Eucaristia e o início da Paixão na Terça e na Quarta-feiras Santas. Somente a partir dos séculos IV e V passou-se a celebrar a Ceia do Senhor na Quinta-feira Santa. O rito do "lava-pés", que anteriormente era complementar, com a atual reforma passa a fazer parte da celebração da Ceia do Senhor, depois da proclamação do Evangelho e da homilia. Este rito ajuda a compreender a importância do mandamento do amor para os cristãos.

Depois da celebração da Missa da Ceia do Senhor, o altar é desnudado. A desnudação do altar é um rito prático, com a finalidade de tirar da igreja todas as manifestações de alegria e de festa, como manifestação de um grande e respeitoso silêncio pela paixão e morte de Jesus. O rito atual é realizado de modo muito simples, após a Santa Missa, em silêncio e sem a participação da assembléia. As orientações do Missal Romano pedem que sejam retiradas as toalhas do altar e, se possível, as cruzes. O significado é o silêncio respeitoso da Igreja que faz memória de Jesus que sofre a Paixão e sua morte de Jesus, por isso, despoja-se de tudo o que possa manifestar festa.

Sexta Feira da Paixão

Paixão de Cristo

A Sexta-feira Santa não é dia de pranto e de luto, mas de silenciosa e amorosa contemplação do sacrifício cruento, com derramamento de sangue, de Jesus Cristo, fonte de nossa salvação. Nela a Igreja celebra a morte vitoriosa de Jesus Cristo sobre a morte. O elemento fundamental e universal da liturgia deste dia é a proclamação da Palavra de Deus, visto que a Igreja, por antiquíssima tradição, não celebra a Eucaristia neste dia. O rito da celebração da Paixão do Senhor é composto de três partes: a liturgia da Palavra, a adoração da Cruz e a comunhão eucarística.

Sábado Santo

O Sábado Santo foi sempre, pelo menos desde o século II, dia de jejum pleno e alitúrgico, no qual não é celebrada a Eucaristia. Nesse dia, venera-se o repouso de Jesus no sepulcro, a sua descida aos infernos e o seu misterioso encontro com todos aqueles que esperavam que se abrissem as portas do Céu (cf. 1 Pd 3, 19-20; 4, 6). No Sábado Santo, a Igreja permanece ao lado do sepulcro do Senhor, meditando sua paixão, abstendo-se da Missa até a solene Vigília Pascal, ou espera noturna da ressurreição do Senhor Jesus Cristo.

Vigília Pascal

Círio Pascoal

A Vigília Pascal é uma das liturgias mais ricas em conteúdo e simbolismo que a Igreja celebra. O núcleo de todo o ano litúrgico, de que nasce qualquer outra celebração, é a Vigília Pascal, que culmina na oferta do sacrifício de Jesus Cristo no altar da Cruz. Segundo antiga tradição da Igreja, esta é uma noite de vigília em honra do Senhor (cf. Ex 12, 42). Os fiéis, como recomenda o Evangelho (cf. Lc 12, 35ss), devem esperar como os servos, com as lamparinas acesas, o retorno do Senhor, para quando Ele chegar os encontre em vigília e os convide a sentar-se à mesa.

Domingo de Páscoa - fim do Tríduo Pascal

A partir dos séculos IV e V surgem os primeiros testemunhos da celebração eucarística do Domingo de Páscoa, ou Domingo da Ressurreição. A liturgia deste dia celebra o acontecimento pascal como dia de Cristo, o Senhor. A liturgia da Palavra contém o querigma pascal e a recordação dos compromissos da vida nova em Jesus ressuscitado, que acentuam o valor da celebração da Pascoa, que faz o fiel entrar, por sua participação, na condição de vida nova em Cristo.

Jesus Cristo comunica ao mundo, pela sua vitória sobre a morte e o pecado e por sua ressurreição, o seu Espírito de vida que muda o coração do homem, Espírito de liberdade que redime a humanidade das raízes mais profundas de suas escravidões, pois redime do pecado. Esta é a verdadeira libertação pascal realizada por Jesus Cristo.

Veja também


Fonte

  • BORÓBIO, Dionisio (org.). A celebração na Igreja III: ritmos e tempos da celebração. São Paulo: Loyola, 2000.
  • TRIACCA, A.M; SARTORE, D. Dicionário de Liturgia. São Paulo: Paulus, 1992.