Mudanças entre as edições de "Via-sacra"

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== Oitava estação: Jesus encontra as mulheres de Jerusalém que choram por Ele ==  
  
  
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== Décima primeira estação: Jesus promete seu Reino ao bom ladrão ==
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== Décima segunda estação: Jesus na cruz, a mãe e o discípulo ==
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== Décima terceira estação: Jesus morre na cruz ==
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== Décima quarta estação: Jesus é depositado no sepulcro ==   
  
 
== Referências ==
 
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* [http://rosariopermanente.leiame.net/devocoes/viasacra.htmlA Via-Sacra]
 
* [http://rosariopermanente.leiame.net/devocoes/viasacra.htmlA Via-Sacra]

Edição das 13h28min de 19 de fevereiro de 2010

Realizada normalmente durante a Semana Santa e nas sextas-feiras do período da Quaresma, a via-sacra é um ato litúrgico celebrado pela Igreja Católica para relembrar a paixão e morte de Jesus Cristo. Durante a cerimônia, enquanto o sacerdote lê trechos dos Evangelhos, os católicos meditam diante de uma série de quadros que representam as principais cenas da saga de Jesus.


Esta maneira de meditar teve origem no tempo das Cruzadas (século X). Os fiéis que peregrinavam na Terra Santa e visitavam os lugares sagrados da Paixão de Jesus, continuaram recordando os passos da Via Dolorosa de Jerusalém. Em suas pátrias, compartilharam esta devoção à Paixão. O número de 14 estações fixou-se no século XVI.


Existem variações para a realização do ritual. Em algumas paróquias, em vez de os fiéis contemplarem imagens, eles assistem a encenações, como num teatro, que dão vida aos eventos. Seja como for, o objetivo é um só: valorizar as ações de Cristo e reconhecer a presença de Deus mesmo na dor e no sofrimento.


Esses quadros - ou estações, como são chamados - contam a trajetória de Jesus desde o momento de Sua condenação até Seu sepulcro. Aparecem em seqüência: a condenação, Jesus carregando a cruz, o encontro com Maria, a ajuda que recebeu de Simão Cirineu, as três vezes em que caiu, o consolo às mulheres de Israel, a ocasião em que Verônica enxugou seu rosto, o momento em que foi despido, sua crucificação, morte, a descida da cruz e, por fim, seu sepultamento.


Primeira estação: Jesus é condenado à morte

Do evangelho segundo São Mateus 27,22-23.26:


“Retorquiu-lhes Pilatos: ‘E que hei de fazer de Jesus que é chamado Messias?’. Replicaram todos: ‘Seja crucificado!’. Pilatos insistiu: ‘Então, que mal fez Ele?’. Mas eles gritavam mais ainda: ‘Seja crucificado!’. Soltou-lhes então Barrabás. E a Jesus, depois de tê-lo mandado açoitar, entregou-O para ser crucificado.”


Meditação

O Juiz do Mundo, que um dia voltará para nos julgar a todos, está ali, aniquilado, insultado e inerme diante do juiz terreno. Pilatos não é um monstro de malvadez. Sabe que o condenado diante dele é inocente; procura um modo de libertá-Lo. Mas seu coração está dividido. E, no fim, faz prevalecer sua posição, faz prevalecer a si mesmo, sobre o direito. Também os homens que gritam e pedem a morte de Jesus não são monstros cruéis. Muitos deles, no dia de Pentecostes, sentir-se-ão “emocionados até ao fundo do coração” (At 2,37), quando Pedro lhes disser: “Jesus de Nazaré, Homem acreditado por Deus junto de vós, vós O matastes, cravando-O na cruz pela mão de gente perversa” (At 2,22.23). Mas naquele momento sofrem a influência da multidão. Gritam porque os outros gritam e como gritam os outros. E, assim, a justiça é espezinhada pela covardia, pela pusilanimidade, pelo medo da mentalidade predominante. A voz sutil da consciência fica sufocada pelos brados da multidão. A indecisão e o respeito humano dão força ao mal.

Oração

Senhor, fostes condenado à morte porque o medo do olhar alheio sufocou a voz da consciência. E, assim, acontece que, sempre ao longo de toda a história, inocentes são maltratados, condenados e mortos. Quantas vezes também nós preferimos o sucesso à verdade, nossa reputação à justiça. Dai força, na nossa vida, à voz sutil da consciência, à Vossa voz. Olhai-me como olhastes para Pedro depois de Vos ter negado. Fazei com que o Vosso olhar penetre em nossas almas e indique a direção para nossa vida. Àqueles que na Sexta-feira Santa gritaram contra Vós, no dia de Pentecostes destes a contrição do coração e a conversão. E assim destes esperança a todos nós. Não cesseis de dar também a nós a graça da conversão. Pai nosso...


Segunda estação: Jesus é carregado com a cruz

Do evangelho segundo São Mateus 27,27-31:


“Então, os soldados do governador levaram Jesus consigo para o Pretório e reuniram junto dele toda a companhia. Depois de O terem despido, envolveram-No em um manto encarnado. Teceram uma coroa de espinhos, que lhe puseram na cabeça, e, na mão direita, colocaram-Lhe uma cana. Ajoelharam-se diante dEle e escarneceram- No dizendo: ‘Salve, ó rei dos Judeus!’. Depois, cuspiram nEle, pegaram a cana e puseram-se a bater com ela na cabeça de Jesus. Depois de O terem escarnecido, despiram- Lhe o manto, vestiram-Lhe as roupas e levaram-No para ser crucificado.”


Meditação

Jesus, condenado como pretenso rei, é escarnecido, mas precisamente na troça aparece cruelmente a verdade. Quantas vezes as insígnias do poder trazidas pelos poderosos deste mundo são um insulto à verdade, à justiça e à dignidade do homem! Quantas vezes seus rituais e suas grandes palavras não passam, na realidade, de pomposas mentiras, uma caricatura do dever que lhes incumbe por força de seu cargo, ou seja, colocar-se a serviço do bem. Por isso mesmo, Jesus, Aquele que é escarnecido e que traz a coroa do sofrimento, é o verdadeiro rei. Seu cetro é justiça (cf. Sl 45/44,7). O preço da justiça é sofrimento neste mundo: Ele, o verdadeiro rei, não reina por meio da violência, mas através do amor com que sofre por nós e conosco. Ele carrega a cruz, a nossa cruz, o peso de sermos homens, o peso do mundo. É assim que Ele nos precede e mostra como encontrar o caminho para a vida verdadeira.


Oração

Senhor, deixastes que Vos escarnecessem e ultrajassem. Ajudai-nos a não fazer coro com aqueles que escarnecem quem sofre e quem é frágil. Ajudai-nos a reconhecer o Vosso rosto em quem é humilhado e marginalizado. Ajudainos a não desanimar perante as zombarias do mundo quando a obediência à Vossa vontade é ridicularizada. Carregastes a cruz e convidastesnos a seguir-Vos por este caminho (Mt 10,38). Ajudai-nos a aceitar a cruz, a não fugir dela, a não lamentar nem deixar que nossos corações se abatam com as provas da vida. Ajudai-nos a percorrer o caminho do amor e, obedecendo às suas exigências, a alcançar a verdadeira alegria. Pai nosso...


Terceira estação: Jesus cai pela primeira vez

Do livro do profeta Isaías 53,4-6:


“Eram os nossos males que Ele suportava, e as nossas dores que trazia sobre Si. Mas víamos nEle um homem castigado, ferido por Deus e sujeito à humilhação. Ele foi trespassado por causa de nossas culpas, esmagado devido às nossas faltas. O castigo que nos salva caiu sobre Ele, e, por causa de suas chagas, fomos curados. Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes, seguindo cada qual seu caminho. E o Senhor fez cair sobre Ele as faltas de todos nós.”


Meditação

O homem caiu e continua a cair: quantas vezes ele se torna a caricatura de si mesmo, já não é a imagem de Deus, mas algo que põe em ridículo o Criador. Aquele que, ao descer de Jerusalém para Jericó, embateu nos ladrões que o despojaram deixando-o meio morto, sangrando à beira da estrada, não é porventura a imagem por excelência do homem? A queda de Jesus sob a cruz não é apenas a queda do homem Jesus já extenuado pela flagelação. Aqui aparece algo de mais profundo, como diz Paulo na Carta aos Filipenses: “Ele, que era de condição divina, não reivindicou o direito de ser equiparado a Deus. Mas despojou-Se a Si mesmo tomando a condição de servo, tornando-Se semelhante aos homens [...] humilhou-Se a Si mesmo, feito obediente até à morte e morte de cruz” (Fl 2,6-8). Na queda de Jesus sob o peso da cruz, é visível todo Seu itinerário: Sua voluntária humilhação para nos levantar de nosso orgulho. E ao mesmo tempo aparece a natureza de nosso orgulho: a soberba pela qual desejamos emancipar- nos de Deus sendo apenas nós mesmos, pela qual cremos não ter necessidade do amor eterno; queremos organizar nossa vida sozinhos. Nessa revolta contra a verdade, nessa tentativa de nos tornarmos deus, de sermos criadores e juízes de nós mesmos, caímos e acabamos por nos autodestruir. A humilhação de Jesus é a superação de nossa soberba: com Sua humilhação, Ele nos faz levantar. Deixemos que Ele nos levante. Despojemo- nos de nossa auto-suficiência, de nossa errada teimosia em sermos autônomos, e aprendamos o contrário dAquele que se humilhou, ou seja, aprendamos a encontrar nossa verdadeira grandeza, humilhando-nos e voltando-nos para Deus e para os irmãos espezinhados.


Oração

Senhor Jesus, o peso da cruz Vos fez cair por terra. O peso de nosso pecado, o peso de nossa soberba Vos joga ao chão. Mas Vossa queda não é sinal de um destino adverso, nem é a pura e simples fraqueza de quem é espezinhado. Quisestes vir até junto de nós, que, por nossa soberba, jazemos por terra. A soberba de pensar que somos capazes de produzir o homem fez com que os homens se tenham tornado uma espécie de mercadoria para se comprar e vender, como que uma reserva de material para nossas experiências, pelas quais esperamos, por nós mesmos, superar a morte, quando, na verdade, conseguimos apenas humilhar cada vez mais profundamente a dignidade do homem. Senhor, vinde em nossa ajuda, porque caímos. Ajudainos a abandonar nossa soberba devastadora e, aprendendo da Vossa humildade, a nos colocarmos novamente de pé. Pai nosso...


Quarta estação: Jesus encontra sua mãe

Do evangelho segundo São Lucas 2,34-35.51:


“Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: ‘Ele foi estabelecido para a queda e o reerguimento de muitos em Israel, e para ser sinal de contradição; e uma espada há de traspassar a tua alma. Assim se deverão revelar os intentos de muitos corações’. Sua mãe guardava no coração todas essas recordações.”


Meditação

Na Via-Sacra de Jesus, aparece também Maria, Sua Mãe. Durante sua vida pública, ela teve de ficar de lado para dar lugar ao nascimento da nova família de Jesus, a família de seus discípulos. Teve também de ouvir estas palavras: “Quem é a minha Mãe e quem são os meus irmãos? Todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mt 12,48.50). Pode-se agora constatar que Ela é a Mãe de Jesus não só no corpo, mas também no coração. Ainda antes de tê-lo concebido no corpo, por sua obediência ela O concebera no coração. Fora-Lhe dito: “Hás de conceber no teu seio e dar à luz um filho. Ele será grande, o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi” (Lc 1,31-32). Mas algum tempo depois ouvira da boca do velho Simeão uma palavra diferente: “Uma espada Te há de trespassar a alma” (Lc 2,35). Nessa ocasião, Ela deve ter se lembrado de certas palavras pronunciadas pelos profetas, tais como: “Foi maltratado e resignouse, não abriu a boca, como cordeiro levado ao matadouro” (Is 53,7). Agora tudo isso se torna realidade. No coração, tinha sempre conservado as palavras que o anjo Lhe dissera quando tudo começou: “Não tenhas receio, Maria” (Lc 1,30). Os discípulos fugiram; Ela não foge. Ela está ali, com a coragem de mãe, com a fidelidade de mãe, com a bondade de mãe, e com sua fé, que resiste na escuridão: “Feliz daquela que acreditou” (Lc 1,45). “Mas, quando o Filho do Homem voltar, encontrará fé sobre a terra?” (Lc 18,8). Sim, agora Ele o sabe: encontrará fé. E essa é, naquela hora, sua grande consolação.


Oração

Santa Maria, Mãe do Senhor, permanecestes fiel quando os discípulos fugiram. Tal como acreditastes quando o anjo Vos anunciou o que era incrível – que haverias de ser Mãe do Altíssimo –, assim também acreditastes no momento de Sua maior humilhação. E foi assim que, na hora da cruz, na hora da noite mais escura do mundo, Vos tornastes Mãe dos que crêem, Mãe da Igreja. Nós Vos pedimos: ensinainos a acreditar e ajudai-nos para que a fé se torne coragem de servir e gesto de um amor que socorre e sabe partilhar o sofrimento. Pai nosso...


Quinta estação: Jesus é ajudado pelo cireneu a levar a cruz

Do evangelho segundo São Mateus 27,32; 16,24:


“Ao saírem, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e requisitaram-no para levar a cruz de Jesus. Jesus disse aos discípulos: ‘Se alguém quiser seguir-Me, renegue-se a si mesmo, pegue sua cruz e siga-Me’.”


Meditação

Simão de Cirene regressa do trabalho, está a caminho de casa quando cruza com aquele triste cortejo de condenados – para ele talvez fosse um espetáculo habitual. Os soldados valem- se de seu direito de coação e colocam a cruz às costas dele, robusto homem do campo. Que aborrecimento não deverá ter sentido ao ver-se inesperadamente envolvido no destino daqueles condenados! Faz o que deve fazer, mas certamente com grande relutância. E todavia o evangelista Marcos nomeia, juntamente com o cireneu, também seus filhos, que evidentemente eram conhecidos como cristãos, como membros daquela comunidade (Mc 15,21). Do encontro involuntário, brotou a fé. Acompanhando Jesus e compartilhando o peso da cruz, o cireneu compreende que é uma graça poder caminhar junto com aquele Crucificado e assisti-Lo. O mistério de Jesus, que sofre calado, toca-lhe o coração. Jesus, cujo amor divino era o único que podia – e pode – redimir a humanidade inteira, quer que compartilhemos Sua cruz para completar o que ainda falta a Seus sofrimentos (Cl 1,24). Sempre que, bondosamente, vamos ao encontro de alguém que sofre, alguém perseguido e inerme, partilhando seu sofrimento ajudamos a levar a própria cruz de Jesus. E assim obtemos salvação e podemos, nós mesmos, contribuir para a salvação do mundo.


Oração

Senhor, abristes a Simão de Cirene os olhos e o coração, dando-lhe, na partilha da cruz, a graça da fé. Ajudai-nos a assistir nosso próximo que sofre, ainda que esse chamado seja contrário a nossos projetos e nossas simpatias. Concedei-nos reconhecer que é uma graça poder partilhar a cruz dos outros e experimentar que dessa forma estamos a caminhar convosco. Fazei-nos reconhecer com alegria que é precisamente pela partilha do Vosso sofrimento e dos sofrimentos deste mundo que nos tornamos ministros da salvação, podendo assim ajudar a construir o Vosso corpo, a Igreja. Pai nosso...


Sexta estação: Verônica limpa o rosto de Jesus

Do livro do profeta Isaías 53,2-3:


“O meu Servo cresceu sem distinção nem beleza que atraia o nosso olhar, nem aspecto agradável que possa cativar-nos. Desprezado e repelido pelos homens, homem de dores, afeito ao sofrimento, é como aquele a quem se volta a cara, pessoa desprezível, da qual se não faz caso.”


Do livro dos Salmos 27/26,8-9:


“Meu coração fala convosco confiante, e os meus olhos Vos procuram. Senhor, é Vos sa face que eu procuro; não me escondais a Vossa face! Não afasteis em Vossa ira o Vosso servo, sois Vós o meu auxílio! Não me esqueçais nem me deixeis abandonado, meu Deus e Salvador.”


Meditação

Verônica – Berenice, segundo a tradição grega – encarna este anseio que irmana todos os indivíduo piedosos do Antigo Testamento: o anseio que todos os homens crentes têm de verem o rosto de Deus. Em todo caso, na Via-Sacra de Jesus, Verônica inicialmente se limitara a prestar um serviço de gentileza feminina: oferecer um lenço a Jesus. Não se deixa contagiar pela brutalidade dos soldados, nem imobilizar pelo medo dos discípulos. É a imagem da mulher bondosa que, perante a perturbação e a escuridão dos corações, mantém a coragem da bondade, não permite que seu coração permaneça na escuridão: “Bemaventurados os puros de coração, porque verão a Deus” – dissera o Senhor no Sermão da Montanha (Mt 5,8). No princípio, Verônica via apenas um rosto maltratado e marcado pela dor. Mas o ato de amor imprime em seu coração a verdadeira imagem de Jesus: no rosto humano, coberto de sangue e de feridas, ela vê o Rosto de Deus e de Sua bondade, que nos acompanha mesmo na dor mais profunda. Somente com o coração podemos ver Jesus. Apenas o amor nos torna capazes de ver e nos torna puros. Só o amor nos faz reconhecer Deus, que é o próprio amor.


Oração

Senhor, dai-nos a inquietação do coração que procura Vosso rosto. Protegei-nos da escuridão do coração que vê apenas a superfície das coisas. Concedei-nos aquela generosidade e pureza de coração que nos tornam capazes de ver Vossa presença no mundo. Quando não pudermos realizar grandes coisas, dai-nos a coragem de uma bondade humilde. Imprimi Vosso rosto em nossos corações, para podermos Vos encontrar e mostrar ao mundo Vossa imagem. Pai nosso...


Sétima estação: Jesus cai pela segunda vez

Do livro das Lamentações 3,1-2.9.16:


“Eu sou o homem que conheceu a miséria sob a vara do seu furor. Ele me guiou e me fez andar nas trevas e não na luz. Bloqueou meus caminhos com blocos de pedra, obstruiu minhas veredas. Ele quebrou meus dentes com cascalho, mergulhou-me na cinza.”


Meditação

A tradição da tríplice queda de Jesus sob o peso da cruz recorda a queda de Adão – o ser humano caído que somos nós – e o mistério da associação de Jesus a nossa queda. Na história, a queda do homem assume sempre novas formas. Em sua primeira carta, São João fala duma tríplice queda do homem: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida. Assim interpreta ele a queda do homem e da humanidade, no horizonte dos vícios de seu tempo com todos os seus excessos e depravações. Mas, olhando a história mais recente, podemos também pensar por que a cristandade, cansada da fé, abandonou o Senhor: as grandes ideologias, com a banalização do homem, que já não crê em nada e se deixa simplesmente ir à deriva, construíram um novo paganismo – um paganismo pior que o antigo –, o qual, desejoso de marginalizar definitivamente Deus, acabou por perder o homem. Eis o homem que jaz no pó. O Senhor carrega esse peso e cai, cai para poder chegar até nós; Ele nos olha para que em nós volte a palpitar o coração; cai para nos levantar.


Oração

Senhor Jesus Cristo, carregastes nosso peso e continuais a nos carregar. É nosso peso que Vos faz cair. Mas sois Vós a nos levantar, porque, sozinhos, não conseguimos nos erguer do pó. Livrai-nos do poder da concupiscência. Em vez do coração de pedra, dai-nos novamente um coração de carne, um coração capaz de ver. Destruí o poder das ideologias, para os homens poderem reconhecer que estão permeadas de mentiras. Não permitais que o muro do materialismo se torne intransponível. Fazei com que Vos ouçamos de novo. Tornai-nos sóbrios e vigilantes para podermos resistir às forças do mal e ajudainos a reconhecer as necessidades interiores e exteriores dos outros, e a socorrê-las. Erguei-nos, para podermos levantar os outros. Concedei-nos esperança no meio de toda esta escuridão, para podermos ser portadores de esperança no mundo. Pai nosso...


Oitava estação: Jesus encontra as mulheres de Jerusalém que choram por Ele

Nona estação: Jesus cai pela terceira vez

Décima estação: Jesus é crucificado

Décima primeira estação: Jesus promete seu Reino ao bom ladrão

Décima segunda estação: Jesus na cruz, a mãe e o discípulo

Décima terceira estação: Jesus morre na cruz

Décima quarta estação: Jesus é depositado no sepulcro

Referências